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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
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JÚLIO BATISTA E DIEGO

No par ou ímpar, o Diego tem tudo para ser escolhido antes do Júlio Batista. Só que na Seleção Brasileira, o Júlio Batista tem tido atuações bem melhores do que as do Diego. Sei que pode soar estranho para o torcedor e muita gente vai descer o porreto no blogueiro aqui, mas não tenho dúvidas e tampouco temor em afirmar que o JB é, no momento, mais importante para o Brasil do que o Diego.
Sou um dos que defendem o Diego na Seleção Brasileira e vejo a insistência do Dunga em mantê-lo no grupo como algo salutar. Tem características de meia, que hoje em dia é procurado com uma lanterna e dificilmente encontrado. Mas não consigo ver este meia, pedido por alguns e elogiado por todos, em ação. O que vejo é um jogador perdido e confuso. Vale a pena insistir, mas convém observar que numa comparação com o Júlio Batista _ e tome vaia! _ o corpanzil do JB leva vantagem.
Quanto ao jogo da Seleção Brasileira, o desempenho dentro de campo foi um, enquanto Anderson esteve lá. A sua saída desestruturou o Brasil. E é bom os jogadores do Brasil refletirem sobre este confronto com a torcida.
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DUNGA E A SELEÇÃO

Não creio que o Dunga peça demissão. Seria uma atitude que não se encaixaria com o perfil do técnico da Seleção Brasileira. Quem puder voltar no tempo há de constatar que o Dunga já passou por situações muito piores do que as vividas pelos resultados e desempenhos da equipe que orienta nos três últimos jogos. Lembrem-se que a derrota na Copa de 90 foi batizada de "Era Dunga" do futebol e o apelido recebido na infância passou a ser sinônimo de mau futebol.

A afirmação do presidente da CBF sobre a presença de Ronaldinho Gaúcho em Pequim não é motivo suficiente para que Dunga largue o cargo e passe mais tempo em Porto Alegre. Creio que esta, pelo menos até agora, não é a intenção de Ricardo Teixeira. Se quisesse efetivamente tirá-lo, o dirigente simplesmente teria chamado o Dunga para uma conversa e comunicado que ele não dirigiria mais a Seleção Brasileira. Foi assim com todos os outros que tiveram os seus trabalhos interrompidos antes da chegada ao objetivo final. Não é pessoa de mandar recados, como muitos imaginam, e tampouco de adiar uma decisão.

O mais provável, apesar da pressão intensa e do pouco peso nestes instantes, é que Dunga continue a ser o técnico da Seleção Brasileira. A avaliação sobre o seu trabalho não é a mesma do torcedor que saiu frustrado do Maracanã. Quando foi convidado para dirigir a Seleção Brasileira, Dunga pegou um grupo desacreditado e com feridas abertas por conta da eliminação e dos desmandos na Copa do Mundo. O técnico sabe que terá todas as condições para dirigir o seu trabalho e sabe também que um bom resultado _ ou boas atuações _ serão fundamentais para a continuidade.
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A ARRANCADA DO SÃO PAULO

A campanha do Cruzeiro neste começo de Campeonato Brasileiro não surpreende. Começa a entrar naquele estágio de equipe que sai um jogador e o substituto, por conta do que é treinado e recomendado, sabe exatamente o que fazer. Ver o time treinado pelo Adílson Batista e com o Guilherme e o Ramires cada vez mais seguros não é para deixar ninguém espantado.

Assim como não é para espantar a recuperação do São Paulo. Saiu da Libertadores, mas não desaprendeu a jogar futebol e um reforço começa, finalmente, a justificar sua contratação: o mix de lateral/ala e meia chamado Joílson. Há algum tempo, ele começou a mostrar do que era capaz, mas, tal e qual acontecera no Botafogo, o tempo que leva para se adaptar é capaz de levar muitos a pensarem que foi um tiro na água.

Na derrota do Botafogo para a Portuguesa ficou evidente que o Botafogo, caso não mude o seu jeito de ser, enfrentará problemas neste Campeonato Brasileiro. Não tem elenco inferior ao da maioria, mas sofre com a falta de ânimo. Não pensem que é apenas pelo atraso nos salários. Os insucessos transformaram o grupo. Tem-se ali um elenco formado por jogadores que vestiram a carapuça da vítima e não sabem o que fazer. Não creio que o Geninho seja capaz de mudar este comportamento. Há tempos dá mostras de cansaço com certas coisas da profissão. O Botafogo precisa de alguém inquieto e que transmita inqueitação para o elenco. Do contrário.....
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A HORA DE RONALDINHO GAÚCHO

A memória curta e o julgamento, muitas vezes, impiedoso. No meio deste tiroteio pelo qual transita o técnico Dunga, o nome do Ronaldinho Gaúcho aparece com a etiqueta de "salvador da pátria" colada na testa. Até a manhã de quinta-feira, ele não entrava em nenhuma discussão sobre o futuro da Seleção Brasileira. Falavam do Kaká e deixavam o RG na calçada, como se fosse um coadjuvante de filme mudo e com uma única cena: aquela em que apenas olham para o corpo, mas a câmera não mostra.

O Ronaldinho Gaúcho, apesar da temporada frustrante, jamais deixou de saber jogar futebol e a sua disposição em servir a Seleção olímpica é mais do que animadora. Só não se pode é tratá-lo como o homem que vai solucionar todos os problemas da Seleção Brasileira. É preciso vê-lo como um jogador importante, titular de qualquer seleção no mundo, capaz de desequilibrar uma partida, mas que não pode ser tratado como um mago da bola.

Temos um elenco viciado em depreciar, esnobar e apaixonado pelo contraditório. Assim se explica o esquecimento a que foi relegado o Ronaldinho Gaúcho até a manhã de quinta-feira e assim se entende o otimismo que se deposita nele, a partir da possibilidade de o Ronaldinho Gaúcho jogar o Torneio de Futebol nos Jogos de Pequim.

Mais importante do que a volta do Ronaldinho Gaúcho voltar à Seleção é vê-lo disposto a ser aquele RG de outros tempos. Não fez uma boa Copa em 2006 e a imagem após o fim do jogo explica muito dos sentimentos que teve assim que o árbitro encerrou a partida. Quem puder que a reveja.
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O DIA TRICOLOR

Há quem não goste do trabalho do Renato Gaúcho e quem sofra com a escalação do Fluminense. O exagero faz parte dessas análises. Não pode ser considerado técnico ruim o responsável por um time que chega à final da Libertadores e tampouco pode ser depreciada uma escalação que deixou para trás o São Paulo e o Boca Juniors.

Estou cada vez mais convencido de que o futebol não tem receita. O que cai muito bem numa equipe não necessariamente cairá em outra. O que mais importa é a presença do Fluminense nesta decisão e o feito deve ser atribuído a parceria que foi desenvolvida entre os jogadores e o técnico. Claro que há o insatisfeito, aquele que se sente injustiçado e lamenta ver o jogo, pelo meno no início, do banco de reservas. Mas isso é absolutamente normal. Ainda bem que o sujeito se revolta com a exclusão da equipe titular.

Durante o programa Arena SporTV, apresentado pelo Cleber Machado, o Renato Gaúcho falou sobre este momento do Fluminense. É homem de esbanjar confiança. Sempre foi assim e desta forma construiu o patrimônio e a fama que possui. Conseguiu passar o mesmo sentimento para os seus jogadores, mas deve ter o cuidado de não transformar este jeito de ser em soberba. O adversário merece respeito e, tanto quanto o Fluminense, não é protagonista da final por acaso.
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A ESPERANÇA TRICOLOR

Não vou garantir ao respeitável público que o Renato Gaúcho é um estrategista. Tenho um olhar diferente da maioria sobre os homens que dão expediente à beira do campo. Creio que o diferencia um do outro é um detalhe aqui e outro acolá. Peguemos, pois, o que está mais em evidência em um clube: Renato Gaúcho.

Durante aqueles 45 minutos iniciais da partida do Fluminense contra a LDU, ele certamente teve vontade de entrar em campo. Poderia não ser para jogar, mas pelo menos para dar uns catiripapos nuns e passar uma descompostura em outros. Tudo o que os equatorianos fizeram estava previsto e não foi por falta de aviso. Só que tivemos, naqueles primeiros 45 minutos, o quanto é limitado o poder dos técnicos, embora muita gente boa pense o contrário.

Terminado o jogo, o poder do técnico retorna e o do Renato Gaúcho apareceu na entrevista coletiva. Em poucas palavras, o Renato Gaúcho esgotou a discussão sobre o desempenho do time e foi logo adiante. Avisou que no Maracanã será diferente e deu o tom de confiança que todos necessitvam. Não confundam com fanfarronice e, sim, com confiança, palavra que o Renato Gaúcho adora tanto quanto um churrasco ou chimarrão.

Só resta ao Fluminense ter a confiança de que é possível mudar o rumo da prosa no maracanã. Há condições para tornar o sonho da Libertadores uma realidade, mas será necessário um jeito de atuar bem diferente do início da partida de quarta-feira. Tenho certeza de que o Renato Gaúcho fará o seu papel, mas é bom os jogadores saberem que ele não entra em campo.

Que maravilha a declaração do técnico da LDU após o jogo. Perguntado sobre o que achara da declaração de Tiago Neves, afirmando que o gol marcado por ele fora o gol do título, ele desafiou o coro dos contentes: "Está absolutamente certo. Ele joga no Fluminense e tem que pensar desta maneira". Se todos fossem iguais a você....
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SIMPLESMENTE HERÓIS

Cinquenta anos atrás, o futebol brasileiro começou a ser conhecido como o..........futebol brasileiro. Foi em 1958 que atuou a melhor Seleção Brasileira de todos os tempos _ ainda não apareceram substitutos para Nílton Santos, Didi, Pelé e Garrincha _ e o páís comemorou o seu primeiro título mundial. É tão significativo quanto todos os outros que vieram na sequência, mas tem o privilégio de abrir a fila e ter Garrincha e Pelé como protagonistas.

São tempos de comemorações, algo que gostamos desde a chegada da família Real ao Brasil, e assim se passaram duzentos anos, e lembranças do que fez aquela Seleção Brasileira e de como era o país naqueles tempos de Bossa Nova, Miss Brasil, João Gilberto sem implicância com o ar condicionado e sorvete dançante nas tardes de domingo.

Não vi aquela Seleção Brasileira ao vivo, mas, assim como todos que se interessam pelo assunto, já perdi a conta das vezes em que revi lances, gols, dribles e ouvi histórias daqueles personagens que inauguraram a galeria de heróis do futebol brasileiro. São histórias deliciosas e é muito bom ver o Zagallo recuperado, o Pepe sempre de bom-humor e o Zito preciso nos detalhes que marcaram aqueles tempos.

Alguém poderá discordar quando escrevo que ainda não apareceram substitutos para o Nílton Santos e para o Didi. Não pensem que é exagero. Foram jogadores à frente do seu tempo. O Nílton se antecipou e descobriu que o lateral poderia avançar sem temores, especialmente quando tinha o Zagallo na ponta-esquerda. O Didi foi um gênio. Tinha pelo passe um apreço perdido nos tempos atuais. Ao lado desta precisão havia uma visão de jogo e compreensão do que acontecia dentro de campo raras nos dias de hoje. Foi um mestre. Como jogador e técnico. Só para que tenham uma idéia de que, mesmo penduradas as chuteiras, ainda era uma homem com um lançamento à frente do seu tempo e aí vai uma história do período em que era treiandor. Dirigia o Botafogo nos anos 80 e passou um treinamento inteiro ensinando o goleiro Luís Carlos a bater na bola com os pés. Ao final, eu perguntei a razão da insistência naquele treinamento e a resposta foi profética: "Chegará o dia em que o goleiro precisará saber bater na bola com o pé. Eu só quero que o meu se antecipe e já esteja preparado". Coisa de gênio.
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PENSAMENTO ÚNICO

Até quarta-feira, o futebol brasileiro respirará apenas a Libertadores das Américas. Não tem jeito. Noves fora a torcida contra de todos aqueles que não têm simpatia pelo Fluminense, o jogo no Maracanã é o grande acontecimento da semana. Deixa até o Campeonato Brasileiro em segundo plano, apesar da liderança incontestável do Flamengo.

Merece uma observação este início de Campeonato Brasileiro do Flamengo. Mostra consistência e que, ao contrário de outras equipes em competições anteriores, está na frente por ter condições de brigar pelo título. Vai disputá-lo, mas se vai vencer é outra história.

Alheio ao Campeonato, o Fluminense sofre com a indefinição sobre a presença ou não do atacante Washington. Tê-lo pela metade não é recomendável. Acredito que ele estará em campo, mas o Renato Gaúcho bem que poderia pensar na idéia de começar a partida com o Washington e o Dodô. Pelo menos neste jogo, a dupla poderia transformar o Fluminense numa equipe ainda mais ofensiva. Afinal, o time precisa de gols. Muitos gols.
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PERDAS E GANHOS

O mais fácil e comum será crucificar os jogadores do Fluminense e também o seu técnico. Reconheço que há erros no grupo e no Renato Gaúcho, mas entendo que crucificá-los é um lugar comum nas derrotas. Me assusta o gosto pela crueldade, o prazer em depreciar os vencidos. Não consigo entrar nesta ala e não creio que a rapaziada do tricolor mereça ser espinafrada.

É dolorido chegar à final e ser eliminado nos pênaltis. Algo que marca o corpo do torcedor. Tatuagem como nome do amado ou da amada com quem não nos relacionamos mais e queremos apagar da pele. Serão difíceis os próximos dias, semanas mesmo, dos tricolores. Mas nessas horas é mais do que necessária uma grande reflexão. Vejam o Renato Gaúcho, por exemplo. A perda do título seguramente foi uma das maiores traulitadas que ele já levou na vida. Que aproveite o episódio para aprender algumas coisas, especialmente o exercício da humildade nos momentos de euforia e vitória.

Dentro do campo, o que se viu foi um Fluminense determinado na busca pela vitória, mas conformado quando conseguiu a vantagem que, no mínimo, levaria a partida para a prorrogação. Evidente que a desvantagem do primeiro jogo pesou no rendimento da equipe e também que alguns erros na formatação do time _ a entrada do Maurício acabou com as jogadas pelo lado direito _ contribuíram para a decepção. Mas é necessária uma outra observação: o time da LDU, apesar da fragilidade defensiva, tem organização, sabe tocar a bola e deixa uma lição: como é bom jogar pelos lados do campo.

Resta ao Fluminense se reencontrar com o Campeonato Brasileiro do qual esteve separado nas últimas semanas. Tarefa difícil e sem data para acontecer.
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MUDANÇA DIFÍCIL

Os cortes pela derrota na final da Libertadores ainda sangram e o técnico Renato Gaúcho volta ao seu velho estilo. Na primeira entrevista coletiva após a saída do Maracanã, ele tomou o microfone da sala de imprensa e voltou a assegurar que o Fluminense vai brigar por uma vaga na Libertadores de 2009 e que podem cobrá-lo por isso. É impressionante como o Renato se perde por conta de declaações que combinam mais com a figura de um jogador. Jamais com a de um técnico.

Não considero o Renato um estrategista e tampouco o responsabilizo unicamente pela derrota nos pênaltis. É claro que tem uma dose de culpa na noite mais frustrante do torcedor tricolor. Faltou-lhe a ousadia necessária para deixar o seu time mais ofensivo e provocar desconforto na LDU. Não custa nada lembrar que o Fluminense, a partir do terceiro gol, teve 60 minutos para fazer o quarto e evitar a decisão nos penais.

Vejo o técnico do Fluminense como um profissional promissor, que muitas vezes se perde por ainda não ter se despido da roupa de jogador. Nos seus tempos de atacante, ele fazia e acontecia. Mesmo que o do lado fracassasse, ele estava lá para resolver. Como técnico acontece exatamente o contrário e o Renato não aceita esta idéia. Perde-se em declarações que não tem condições de cumprir e desgasta-se exatamente por não adotar comportamento mais adequado para um técnico.
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FALTA DE RESPEITO
Ainda faltam três jogos para que a rodada do Campeonato Brasileiro seja concluída, mas alguns fatos chamam a atenção. Começam pela liderança absolutamente incontestável do Flamengo. Noves fora os desfalques do Náutico, o time não tomou conhecimento do adversário. Decidiu o jogo em pouco tempo e apenas um senão marcou a conquista de mais três pontos: o fato de apenas uma bilheteria do Maracanã estar aberta para a venda de ingressos no estádio.

É revoltante este tipo de comportamento em relação ao torcedor. Ninguém pode ser tratado desta forma e o descaso não tem apenas este ou aquele como culpados. Há uma sequência de responsáveis, que contribuem para que a imagem do futebol brasileiro seja arranhada com frequência. Estava na cara que a torcida do Flamengo compareceria em bom número ao jogo. Já o faz quando o time não vai bem das pernas. Imaginem, então, quando a equipe lidera e mostra, a cada rodada, mais folêgo para brigar pelo título. Não vou me alongar em comentários sobre o assunto, mas o que temo é a repetição deste tipo de fato. Inexiste a vontade em quem de direito para solucionar.

A RODADA

O gol de Dinei, com nove segundos, no jogo em que o seu Vitória derrotou a Portuguesa, foi o mais rápido deste Campeonato Brasileiro. Perde apenas para o feito por Nivaldo, do Náutico, no Brasileiro de 89. Ao contrário de muitas outras equipes, o Vitória faz o dever de casa com correção e acumula gorduras. O mesmo não acontece com o Vasco da Gama, quando sai de casa.
Já o Palmeiras mostrou ontem a Vanderlei Luxemburgo que ainda está longo do ponto em que ele pretende ver a equipe. Sofreu para empatar com o Atlético Mineiro e teve em Marcos, responsável pela defesa de um pênalti, o melhor em campo.

Não creio que tenha sido acidental e, sim, um reencontro com a fase de dois meses atrás. Com três gols, Alex se destacou na vitória do Internacional sobre o Coritiba. Tenham todos a quantas estas lerem que a boa fase de Alex significa boa fase do Internacional. Sem pestanejar.
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O DIAGNÓSTICO

Quase que no mesmo instante _ entre 20h35 e 20h50 da noite de domingo _, os técnicos Muricy Ramalho, Renato Gaúcho e Geninho concederam entrevistas. O primeiro cuspia marimbondo pelo empate do São Paulo com o Ipatinga; o segundo buscava em respostas evasivas a explicação para mais um derrota do Fluminense e o terceiro manifestava um certo entusiasmo pela vitória do Botafogo sobre o Grêmio.

Foram três momentos reveladores sobre o estado de espírito de cada um dos envolvidos nos jogos que começaram ao cair da tarde. A irritação de Muricy certamente prosseguiu no treino de hoje. Viu um São Paulo absolutamente desinteressado, mais preocupado com o individual e desatento ceder um empate para uma equipe que padece da falta de crença em dias melhores. Não citou nomes, mas deu um puxão de orelha em todos os jogadores.

Já em Goiânia, o desvio do foco passou por críticas à arbitragem e pela repetição de um discurso já cansativo. Todos sabem que o Fluminense tem um bom elenco e ninguém duvida da capacidade de reação do time. Mas cá entre nós: só isso não basta. Alguns erros se repetem com frequência e parece que o maior responsável não se dá conta do que acontece. Não será apenas com promessas que este time sairá da situação em que se encontra. Precisará mais. Muito mais.

Entediado há algum tempo _ o que explica, em parte, os fracassos seguidos _, Geninho recuperou um pouco o ânimo após a vitória do Botafogo. Não o considero nem melhor e nem pior do que a maioria em atividade. Mas existe um ponto que o difere dos demais: o entusiasmo. Talvez Geninho nem se dê conta disso, mas a naturalidade com que recebe certas situações, o discurso que flerta com o conformismo e a incapacidade de se irritar colam na testa do treinador uma etiqueta com a palvra conformista escrita em letras maiúsculas. Se conseguir deixar esta atitude desencantada, ele, mais até do que o Botafogo, terá muito a ganhar.

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UMA BOA SELEÇÃO

Não é necessário olhar atentamente para a relação dos jogadores chamados para os Jogos de Pequim e chegar à conclusão de que ali está um bom grupo. Muitos jogadores até já em condições de pertencerem ao grupo principal. O pouco tempo que o técnico Dunga terá para treinar este time prejudica o trabalho. O que pode compensar é a dedicação dos jogadores. Se muitos tiverem o espírito do goleiro Diego, que, apesar das férias, continuou a treinar, a escassez de dias para treinamento poderá ser compensada.

A presença do Ronaldinho Gaúcho se transforma em uma incógnita por dois motivos. Primeiro pelo estado físico do atacante e posteriormente pela queda de braço que a CBF terá com o Barcelona. Evidente que o Ronaldinho Gaúcho, caso dispute o Torneio de Futebol dos Jogos, não estará cem por cento físicamente e terá que compensar a limitação física com a técnica apurada. Se conseguir, noves fora o fato de provavelmente não ter condições de jogar uma partida inteira, o Brasil terá recebido um ótimo reforço. Desde que o Barcelona deixe.
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UM NOVO JEITO DE PENSAR

Não há motivo para se desconfiar da intenção do Kaká em disputar o futebol nas Olimpíadas. Tanto que no programa Bem, Amigos, do SporTV, na antevéspera do jogo entre Brasil x Argentina, ele foi enfático, o que é raro, na defesa de uma participação nos Jogos. O que o primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, fez ao dizer que o Kaká não estava disposto a disputar a competição, foi trazer uma discussão mais do que interessante à tona: até que ponto o poder das seleções serão tão forte assim?

Houve um tempo em que o sonho do jogador brasileiro _ especialmente se começasse no interior ou num clube pequeno, mesmo da capital _ era vestir a camisa do grande clube. Daquele de muita torcida e conhecido em todo o país. Os sonhos mudaram. Este desejo não existe mais. O grande clube do Brasil é visto como um passaporte, desde que tenha atuações razoáveis, para o grande clube da Europa. Na ausência deste, a moçada topa o Leste Europeu ou algum time patrocinado por um princípe ou mecenas.

Na esteira da mudança deste sonho também desenvolveu-se uma nova relação entre os clubes e a maior entidade de futebol do planeta. Gasta-se muito dinheiro e a resistência em ceder o jogador a qualquer momento torna-se cada vez maior. É uma discussão que apenas começa.
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FOI BONITA A FESTA PÁ


O melhor da rodada deste meio de semana não foi a fartura de gols e não pensem que se trata de comentário de alguém que preza a marcação e a coloca antes de qualquer coisa numa equipe de futebol. O melhor da rodada aconteceu em noite de temperatura amena no estádio particular com mais histórias para contar: o de São Januário, no bairro Vasco da Gama, no Rio de Janeiro. Perto da Quinta da Boa Vista e da Estação da Leopoldina.

Não vou me referir ao sapeca-iá-iá que o Vasco da Gama aplicou no Sport. Surpreendente até para o volume de jogo que o time de Pernambuco apresentou. Está nesta posição por acidente. Tem futebol para ocupar melhores lugares na tabela de classificação. Me refiro ao que aconteceu na Tribuna de Honra do Clube de Regatas Vasco da Gama. Lá estava depois de anos o Roberto Dinamite, agora presidente do clube, e saudado por todos como sempre deveria ser.

Confesso que a ausência do Roberto de São Januário era algo que não combinava com a história do clube. Quem se der ao trabalho de fazer uma viagem no tempo verá o quanto é bonita, emocionante até, a história do Vasco da Gama. Sempre foi um clube de portas abertas para todos e houve uma época, quando o Rio de Janeiro era a Capital Federal, que ali eram feitas as grandes festas do esporte.

Neste domingo, o Vasco da Gama enfrenta o Flamengo e a postura do presidente Roberto Dinamite de assistir ao jogo ao lado do presidente do Flamengo é mais do que saudável. A rivalidade só existe dentro do campo.

Por falar em Flamengo, o episódio envolvendo alguns jogadores e garotas de programa _ em noite de folga do grupo _ mostra que muitas vezes os jogadores precisam ser tratados como crianças pequenas. Não entenderam _ claro que não vale para todos _ que uma relação mais responsável é fundamental para a sua valorização. Esquecem que têm deveres e não apenas direitos.

ESTRANHO

O PC Gusmão faz parte de um lista _ não tão grande quanto eu gostaria _ de técnicos promissores em atividade no futebol brasileiro. Sempre há uma pedra no seu caminho. Desta vez, a pedra chama-se Botafogo. Do nada, o nome de Paulo Cesar Gusmão apareceu como candidato ao lugar do Geninho, embora nenhum convite tenha sido feito, nenhuma declaração da diretoria tenha sido dada e ele sofra enorme rejeição pela maneira como deixou o clube. O PC deveria ser o primeiro a negar, de forma enfática, a possibilidade. Mas ele aproveita o boato para criar um fato e não desmenti-lo.

A saída de Geninho não pode ser atribuída aos maus resultados do time, como disse um diretor de futebol do Botafogo, em infeliz declaração. O problema de se contratar o Geninho é que há tempos os times treinados por ele não passam entusiasmo e não funcionam. Foi assim no Corinthians, em duas passagens, e no Atlético Mineiro. O Geninho não é pior e nem melhor do que a maioria em atividade, mas o conformismo do Geninho diante de todas as situações que o futebol apresenta só reforça a tese de que ele perdeu o gás. Pelo menos por ora.
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POR ONDE ANDA O VALDÍVIA?

Na vitória do São Paulo sobre o Palmeiras, que poderia ter sido por diferença maior não fosse a imprecisão de alguns jogadores do tricolor, ficou evidente como será muito difícil para o Palmeiras ter boas atuações enquanto Valdívia for uma figura decorativa em campo. Mal se viu em campo o meia que tempos atrás desequilibrava os jogos a favor do time treinado por Vanderlei Luxemburgo. Só foi efetivamente notado quando o árbitro Carlos Eugênio Simon passou-lhe uma descompostura daquelas de professora em aluno indisciplinado.

Como não tinha nada a ver com isso, o São Paulo dominou a maior parte do jogo e teve, especialmente no primeiro tempo, uma das suas melhores atuações na temporada. Até Dagoberto, que tem enorme dificuldade para se manter em pé, seja marcado ou não, fez uma boa partida. Destaque para o Joílson, que, de jogo em jogo, se reencontra com aquele Joílson do Botafogo.

Assim como nenhum time consegue montar uma estratégia para neutralizar os avanços do Juan no Flamengo, está para sugir o técnico que conseguirá armar uma equipe preocupada em marcar o Ramires. No clássico entre Atlético Mineiro e Cruzeiro, o meia mais uma vez fez a diferença. Marcou o gol da vitória no último minuto. Livre de marcação como acontece desde o início da temporada.

Seria leviano da minha parte falar de Santos x Botafogo, pois não acompanhei o jogo com a atenção necessária. Mas uma coisa à distância ficou: primeiro o acerto de Ney Franco em dirigir o time, ao contrário de muitos que preferem acompanhar a primeira partida de cima para tomar ciência. Segundo que o Santos, mesmo com passos lentos, sairá desta situação.
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OLHO NO JUAN

Se existe um jogador que o Flamengo não pode perder para o restante da temporada é o Juan. Pode ser relacionado hoje entre os três melhores jogadores em atividade no Brasil. E a consequência de tanta competência/regularidade pode ser uma convocação para a Seleção Brasileira. Na partida com o Vasco da Gama, ele impressionou pelo que fez no ataque e.......na defesa.

Tanto é importante que talvez seja o único jogador que Caio Júnior não quer abrir mão. O técnico que apostou na sua capacidade ao decidir permanecer no Flamengo sabe da importância que o lateral tem para a sua equipe. E que poderá ter para a camisa verde e amarela.
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O ACERTO DE RONALDINHO GAÚCHO

A maior beneficiada com a ida do Ronaldinho Gaúcho para o Milan foi a Seleção Brasileira. Não poderia haver notícia melhor para o técnico Dunga. Saber que o trio formado por RG, Kaká e Alexandre Pato atuará junto na próxima temporada é reconfortador. Ainda mais pelo fato de que o próprio técnico da Seleção Brasileira já manifestou interesse em mandar à campo estes três e mais o Robinho.

A outra boa notícia desta negociação é a de que o Roanldinho Gaúcho quer transformar a temporada de 2008/2009 numa das melhores da sua carreira. Tanto que acertou com o Milan. Ninguém fecha um contrato com o time do tamanho e com as ambições do Milan se não quiser conquistar títulos ou estiver acomodado. Duas boas notícias: Ronaldinho Gaúcho quer voltar a ser Ronaldinho Gaúcho e a Seleção Brasileira tem o que comemorar.
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