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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
UMA DUPLA

O melhor do jogo entre o Vasco da Gama e a Portuguesa foi a constatação de que a dupla formada por Edmundo e pelo Leandro Amaral pode dar samba _ o fado é dispensável por conta da tristeza que apresenta embutida. Há tempos, o Edmundo não encontrava um companheiro com quem pudesse dialogar sem a necessidade de intérprete e o Leandro Amaral, exceto pela companhia ocasional do Romário, também sofreu muito na última temporada. O que os dois fizeram até agora juntos permite supor que, pelo menos do meio de campo para a frente, o Vasco da Gama terá um time mais forte.

Quem critica o Cruzeiro pela eliminação na Libertadores parece esquecer que o time foi derrotado pelo Boca Juniors. Não é o melhor Boca de todos os tempos, mas é o Boca. A prova de que este Cruzeiro merece respeito é este começo, comecinho mesmo, de Campeonato Brasileiro. Não fosse o Castillo e o preciosismo do Guilherme e o placar seria outro.

Na terça-feira, o Botafogo recebe o Corinthíans no Engenhão. Não entendo os elogios ao jeito de atuar do Botafogo. Pelo menos nos últimos tempos, o time não tem se apresentado bem. Falta a alguns dos seus principais jogadores o que tem sobrado na rapaziada corintiana. Busco na memória e não encontro uma grande atuação do Lúcio Flávio; só consigo ver o Jorge Henrique no chão e reclamando da arbitragem e o Leandro Guerreiro cisma de aparecer, mal, na maioria dos gols que o time sofre. Com o adversário acontece exatamente o contrário. Quando cruzou o portão do Parque São Jorge, o argentino Herrera só ouviu ironias. Pois desandou a fazer gols. Sabem qual é a explicação? O Herrera, assim como os outros jogadores, busca a superação o tempo inteiro. Acredita que é possível. Bem diferente da maioria dos jogadores que vestem a camisa do Botafogo. Parecem sem forças para superar o limite.
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OS DEDICADOS

No empate entre Atlético Paranaense e São Paulo dois jogadores do time treinado por Muricy Ramalho saíram de campo com a sensação de três pontos conquistados, embora na tabela só tenham obtido um: o lateral-esquerdo Júnior e o meia-atacante Éder Luís. Graças a ambos, o São Paulo teve uma atuação acima das expectativas para uma equipe formada basicamente por reservas e, pior, jogadores recém-promovidos da cateforia de juniores.

Desde que o futebol é futebol que um time em vantagem veste a roupa da cautela. Foi o que aconteceu com o Atlético Paranense. Gol no primeiro tempo um recuo perigoso no segundo. Daqueles de dar espaço ao adversário, o suficiente para que Júnior e Éder Luís se destacassem. Não por coincidência o primeiro cruzou e o segundo fez o gol de empate. Pode ser que Muricy tenha recebido dois bons reforços para o confronto de quarta-feira com o Fluminense.

O goleiro Bruno foi o melhor em campo. Isso já explica o domínio do Grêmio, que mandou duas bolas na trave, sobre um Flamengo, que se limitou, além do goleiro, a ter um determinado Juan. Fora isso, o time teve enorme dificuldade para concatenar as jogadas. Alías, o passe é um bem precioso no futebol e parece cada vez mais desprezado.

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CHORO E HISTÓRIA

O choro do Denílson após a vitória do Palmeiras sobre o Internacional foi o último capítulo da emoção que tomou conta do jogador desde a hora em que pisou a sala de entrevistas. Deu para notar a surpresa que tomou conta de todos quando perceberam que o Denílson, aos prantos, agradecia pela atuação que teve. Só assim foi possível descobrir o quanto ele sofreu com o descrédito alheio desde o dia em que cruzou o portão da Academia de Futebol.

Na observação que fez da sua carreira, o Denílson foi preciso ao dizer que a trajetória deu uma estacionada. Muito por conta dele. Houve uma época em que o Denílson era um artista de circo. A vida andou e ele não. Se olharmos com atenção devida, nós veremos que o Denílson nem teve uma grande atuação assim contra o Internacional, mas jogou o suficiente para ser o melhor em campo. É assim que se começa.
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A NOITE DE ADRIANO

O Adriano nem deve recordar quando foi a última vez que ele pisou o Maracanã. Pois o reencontro hoje com o estádio mais famoso do mundo e místico para qualquer jogador brasileiro que se preze acontece num momento mais do que especial. Pega Adriano num instante favorável da carreira e com o vento a favor.

Muitos fatores contribuíram para que o Adriano e o futebol se reencontrassem. O encontro foi marcado várias vezes, mas o Adriano sempre faltou. Tinha outros compromissos e a bola estva em segundo plano. Aquele episódio em que socou a mesa, proclamou-se imperador diante de uma platéia de repórteres certamente ajudou no encontro. Ao exigir que o chamassem de imperador, o Adriano sabia que para valer a frase tinha que prova em campo. Conseguiu. Os olhos do público que lotará o Maracanã na noite desta quarta-feira estarão grudados no Adriano. Tricolores paulista na torcida para que faça um gol e tricolores cariocas na expectativa de que não seja uma noite tão inspirada assim. Vale a pena conferir.

ILHA DO RETIRO

Não é apenas na Ilha do Retiro que o Sport é perigoso. Fora também. O Vasco da Gama necessitará de muito equilíbrio para suportar a pressão, mas deve saber que o segundo jogo, em São Januário, também será complicado. Sorte do Vasco da Gama que a dupla Leandro Amaral e Edmundo afina a sintonia cada vez mais. Pode fazer a diferença.
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DESVIO DE FOCO

Quando um sujeito ponderado, devoto do bom senso, como o Mano Menezes, sai, após uma derrota do seu time, criticando arbitragem e comportamento de profissionais da sua área o caso é para se prestar atenção. Depois da partida com o Botafogo, ele condenou Vanderlei Luxemburgo por este ter apontado André Santos como o jogador a ser macado no Corinthians. Esqueceu de mencionar que no mesmo Arena SporTV de terça-feira, onde deu a declaração, Vanderlei Luxemburgo também falou do meio de campo do Botafogo, o adversário do Corinthians. Não creio que o Vanderlei tenha sido antiético ao falar de como jogam as duas equipes. Disse apenas o que todo mundo sabe sobre um time e outro. Bem na observação foi o Cuca: "o Vanderlei só respondeu a uma pergunta. Nada mais", disse o técnico.

Outro ponto que o Mano abordou na entrevista foi a atuação do árbitro Leonardo Gaciba. De uns tempos para cá estamos todos _ mídia e profissionais da bola _ mais preocupados em discorrer sobre erros e acertos dos homens que um dia se vestiam apenas de preto. Ganharam mais importância do que o drible, o passe de efeito e o gol de placa _ embora este seja raro. Sinal de uma época em que a tática fica acima do jogador num país que só venceu cinco Copas do Mundo por ter jogadores _ e não táticas _ que ninguém jamais teve.

Ao criticar o Gaciba pela distribuição de cartões _ todos aplicados corretamente para os dois lados _, o Mano esqueceu de comentar o cartão amarelo recebido pelo Lulinha, que o tira do próximo jogo. Foi punido por retardar a saída de campo ao ser substituído. Tão jovem e tão malandro! Aprendeu com os mais velhos e a esperteza custará caro ao time. Sempre ponderado e devoto do equilíbrio, o Mano me surpreendeu ao colocar em primeiro plano discussões sem relevância.
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JOGO PARA SEMPRE

Que jogo! O melhor não apenas do futebol brasileiro neste ano da graça de 2008, mas também do Planeta Bola na atual temporada. Pode soar como presunção o fato de considerar esta partida a melhor destes quatro meses, mas, entre os que assisti, não vi nada melhor. Sequer que se aproximasse. Já tem lugar assegurado na antologia dos melhores jogos da história. Um jogo para sempre.

E o enredo para este "Jogo para Sempre" foi construído por vários personagens. Alguns mais falados do que os outros. Do técnico Renato Gaúcho ao Washington, os mais badalados deste resultado. Mas há um outro jogador que passou ao largo e antes de entrar em campo já ajudou o time na construção da vitória: o Dodô. Perguntado pelo Renato Gaúcho se poderia iniciar a partida, ele disse que não tinha condições. Estamos desacostumados a sinceridade e muita gente boa, caso o resultado fosse outro, jogaria na conta do atacante a responsabilidade pela derrota. A segunda contribuição veio quando o Dodô entrou em campo. Para quem não lembra ou não viu, ele tocou na bola apenas uma vez. Para fazer o segundo gol e manter acesa uma chama que se apagava.

Jogos como o desta quarta-feira mostram sua importância e ganham ainda mais dimensão quando você constata que não se cansa de falar dele e não menciona o árbitro e tampouco fica a valorizar os técnicos. Apenas. Dentro de campo os jogadores foram fundamentais.
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O EXEMPLO DO BOCA

A rapaziada que dá expediente dentro das quatro linhas _ a de fora também, inclusive uma costela da mídia _ deveria prestar um pouco mais de atenção no Boca Juniors. Quem tiver este comportamento observará que há uma contribuição, ainda não percebida pela maioria, para elevar a discussão sobre o futebol.

De uns tempos para cá, o gol deixou de ser mérito de quem marca e, sim, falha de alguém; o comportamento do árbitro é mais importante do que um drible ou lançamento e a tática está acima de todas as coisas. Pois ai vem o Boca Juniors com um técnico que passeia incólume pela Recoleta, com um centroavante que insistem em chamar de grosso e se transforma no grande fantasma da competição. Até aí tudo bem. O melhor da história não é isso.

O melhor da história é que o Boca joga no lixo esta idéia, cada vez mais difundida entre nós, de que atuar fora de casa, com torcida contra é algo impensável para qualquer time. A cada semana, o conceito de que se perde para a torcida adversária se consolidade no futebol brasileiro. Parece até que a torcida entra em campo, faz gols e dá lançamentos. O Boca silenciou torcedores do Cruzeiro e do Atlas com uma naturalidade impressionante. Não sei qual foi o motivo que levou os jogadores brasileiros a se intimidarem com os gritos da torcida adversária. Só sei que hoje isso tem uma importância, a meu ver, acima do tolerável.

Talvez seja este o maior problema que o Fluminense terá nas duas partidas com o Boca Juniors. Não é o melhor Boca dos últimos tempos _ Riquel e Palácios ainda não renderam tudo o que podem _, mas é um time formado por jogadores com personalidade e confiantes. Sem essa de garra e determinação. Falo de confiança, de segurança no que faz e da certeza de que o jogo só se decide no campo e não nas arquibancadas. Se os jogadores do Fluminense_ os principais e únicos artistas deste espetáculo _ entenderem que o comportamento dentro e fora de casa precisa ser o mesmo, a tarefa do Boca ficará muito mais difícil.

Bom fim de semana para todos
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TUDO AZUL

Por enquanto a cor deste Campeonato Brasileiro é o azul. Azul do Cruzeiro. Na partida deste domingo, a superioridade diante do Santos foi impressionante. Aquele Cruzeiro que teve um início arrasador na Libertadores, capaz de desestabilizar o adversário e com um meio de campo imarcável entrou em campo no Mineirão.

Uma das razões da eficiência deste time é a troca de passes dos jogadores do meio de campo e da frente. Na ausência do Marcelo Moreno, o Jajá esteve muito bem. E o Guilherme, nome que pode figurar na relação de candidatos à Seleção Olímpica, mostrou que o jogo simples, nem sempre do seu gosto, é o melhor caminho para sair de campo consagrado. Podem atribuir a má atuação do Santos a eliminação na Libertadores, mas penso o contrário: mesmo classificado, o Santos cortaria um dobrado. Domingo foi dia de Cruzeiro.

O FLAMENGO DO CAIO

Aos poucos, com a serenidade dos experimentados, o Caio Júnior dá o seu tom ao Flamengo. Nos 2 a 1 sobre o Internacional, ele percebeu que é possível ter o Jônatas como titular e deixar o Jaílton no banco. Sobram opções a este Flamengo e o problema, quando treinado pelo Joel Santana, estava na resistência do antecessor em mudar o esquema. O Caio não tem nada a ver com isso e pode fazer o que quiser. Quem terá a ganhar se´ra o time.
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JEITO BRASILEIRO

A despedida do Gustavo Kuerten das quadras dói. Machuca e emociona, quando você lembra de tudo o que um cara devoto da simplicidade fez ao longo de uma carreira que serve de exemplo para todos. Não apenas exemplo para quem está a fim de pegar uma raquete e sair por aí dando uns voleios ou conseguindo "aces".

Tão importante, ou mais, do que as alegrias com que o Guga presenteou o elenco verde e amarelo foi o seu jeito de ser. O começo, o meio e o fim desta carreira mostraram sempre um cara simples. Na fala, no gesto e no comportamento. Tem muita gente com menos fama, feitos e prestígio que dá aula de arrogância e escreve o manual da prepotência. O Guga sempre foi diferente. Maior esportista da história recente do país, o Guga deixa um rastro de vitórias e simplicidade que não é muito comum entre os famosos. Pouco importa a área.

Sai o esportista e fica o exemplo. E o exemplo é tão importante quanto os feitos dentro da quadra. Aliás, os exemplos deixados pelo Guga _ para todos nós _ são uma sequência "aces". Obrigado pelo jogo e pelo jeito. Foi bem.
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É PROIBIDO TER MEDO

Há tempos, a quarta-feira se transformou no segundo domingo do futebol. E esta não desafina. São três confrontos para deixar os torcedores destes times com as unhas roídas e os adversários também. Afinal, o torcedor que se preza não suporta o sucesso alheio especialmente quando o seu time está em situação desfavorável.

O mais importante é que nenhuma das equipes envolvidas nesta Quarta Nobre tenha medo. E aí, o que me garantirá muitas ponderações contrárias, só o Boca Juniors se encaixa neste perfil. Já deu exemplos suficientes dentro da Libertadores de que nada o intimida. Seja na casa do adversário, em desvantagem por causa do primeiro confronto ou em inferioridade no placar, o Boca está sempre com a cabeça em pé, o nariz empinado e a chuteira afiada. Esta é a principal qualidade do time.

Em momentos como esse é ótimo para o Fluminense ter um técnico com o jeito do Renato Gaúcho. Mais do que nunca ele terá que recordar da sua época de jogador, quando tinha o padrão Boca Juniors de se comportar. Jamais teve medo ou se deixou intimidar por mais adversa que fosse a situação. Técnico não é importante apenas pela tática que monta. O trabalho vai além e este será um deles.

O mesmo se aplica ao Antônio Lopes, ao Nelsinho Batista, ao Mano Menezes e ao Cuca. Noves fora os esquemas que pensam e as estratégias que montam, eles não podem deixar que os seus jogadores entrem em campo ou fiquem, com cinco minutos de partida, atemorizados. Os jogadores que por cá atuam se intimidam muito facilmente e encontram com a rapidez que nem sempre imprimem às jogadas argumentos para justificar eventuais decepções. Caberá aos técnicos mostrar que medo não caberá em São Januário, no Morumbi ou em Buenos Aires entre nove e onze e quarenta e cinco da noite. O mais eficiente terá o que comemorar.
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DANÇA DAS CADEIRAS

A Adriana Calcanhoto já cantou que cariocas não gostam de dias nublados e os dirigentes do futebol brasileiro detestam a estabilidade dos técnicos. De uns tempos para cá, com o devido açodamento externo, a posição de um técnico fica vulnerável ao primeiro resultado. Vejam o caso do Muricy Ramalho. Não sabe mais nada de futebol. E como sempre tem alguém disposto a publicar o que diz o conselheiro frustrado e incompetente, o trabalho do técnico escorre pelo ralo.

Há quem esteja a comemorar a saída do Emerson Leão, confirmada no começo da tarde desta terça-feira. Foi o Leão quem pediu demissão, mas inmagino o quanto ficou insustentãvel o clima depois do sapeca iá-iá do Cruzeiro e da eliminação na Libertadores. Coloca-se tudo na conta do técnico tanto quanto se coloca a despesa da mesa oito na conta do pagão. Aquele que é o "Rei do Cheque" ou do cartão.

E todo dirigente tem uma solução para o cargo. O mercado não oferece tantas opções assim e o sonho, de algumas vozes santistas, é o Cuca, atualmente no Botafogo. Se não for ele, o mercado oferece o Geninho, que está em casa, e nada mais. Seja quem for, o grande problema continuará a existir: o trabalho fica ao prazer e ao humor daquele dirigente que se irrita quando o técnico o ignora e nem acata os seus pedidos para escalar este ou aquele. Como faz o Muricy.
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O FIM DE UM CICLO
Ao deixar o Botafogo, o Cuca deixa um legado que não pode ser desprezado. Nos dois anos que dirigiu o time, ele resgatou no botafoguense o orgulho de torcer por um clube que tem história dentro do futebol. Sai derrotado por um desses paradoxos brasileiros: não importa se o time chega à final e, sim, o título conquistado. A idéia de ter um Alex Ferguson, técnico do Manchester nos últimos 22 anos, não é aceita por nenhum de nós.

Ney Franco deverá substituir o Cuca e sua principal tarefa será dar confiança a um elenco que padece com a falta de vibração, com o vamos para dentro, com a hora é essa. O Cuca percebeu que não conseguiria tirar isso deste elenco e ao deixar o Botafogo, primeiro para descansar e depois treinar o Santos, não busca qualidade, mas fugir do estigma que é tipicamente brasileiro.

LIÇÃO TRICOLOR

Melhor do que o resultado obtido pelo Fluminense foi a lição que o time deixou. É possível enfrentar o Boca Juniors em qualquer lugar sem se deixar dominar pelo medo ou cautela. Foi o que aconteceu em Buenos Aires e tenho a certeza de que no Maracanã não será diferente. Há muitos tricolores que desconfiam da capacidade do Renato Gaúcho e parecem cada vez mais preocupados em criticar o treinador do que enxergar as qualidades do trabalho. A principal é a confiança que passa para os seus jogadores. Faz com que o desacreditado se transforme e o inseguro, pelo menos enquanto a bola rola, exale segurança.

Foi a mesma confiança que mostrou o Corinthians. Sempre preocupado com o aspecto tático do jogo _ e ultimamente também com a arbitragem, o que é um equívoco _, o Mano Menezes colhe os resultados de um trabalho que no Campeonato Paulista engatinhava. A confiança que não se via no ano passado, o elenco apresenta agora. A faxina feita no começo de 2008 não foi apenas de nome. Mas de mentalidade.

Quem também não perde a confiança, embora as situações insistam em desafiá-lo, é o Edmundo. O histórico na cobrança de pênaltis é desafavorável, mas ele jamais se recusará a batê-lo. Reduzir a eliminação do Vasco da Gama ao pênalti mal cobrado pelo Edmundo é querer apagar as limitações do time e a boa atuação do Sport. Poucas equipes souberam administrar tão bem uma vantagem como o Sport. Desembarca na final da Copa do Brasil não por acidente, mas por ter um time bem montado e que sabe o que fazer com a bola.
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EDMUNDO E O VASCO

Entre todos os clubes da Série A do futebol brasileiro, o Vasco da Gama é o único treinado por um profissional absolutamente identificado com a história do clube. Não existe alguém com a empatia do Antônio Lopes a treinar uma equipe. Mas não é apenas na figura do Lopes que se concentra esta identificação. O Edmundo pode muito bem encabeçar a lista de jogadores totalmente identificados com a cruz de malta. Está para o Vasco da Gama como o Marcos para o Palmeiras e o Rogério Ceni para o São Paulo.

Quando se percebe o grau de relacionamento entre o Edmundo e o Vasco da Gama dá para entender a cabeça raspada do atacante e o desejo de antecipar a aposentadoria. Nada mais compreensível. A noite de quarta-feira deve ter sido uma das piores na vida do Edmundo. Ao chutar para cima o pênalti, ele mergulhou em profunda depressão e não teve vergonha de escondê-la do respeitável público. Garanto que o seu conceito junto ao torcedor do Vasco da Gama aumentou ainda mais.

Jogadores de futebol, embora insistam em ver de forma diferente, não são máquinas e tampouco super-heróis. Sofrem, choram, se deprimem e tentam esconder estes sentimentos por medo de mostrarem fraqueza. O Edmundo jamais teve este pudor ou preocupação. Agora que a carreira se aproxima do fim, ele não esconde mesmo. Há quem vá criticá-lo, mas gestos como o dele bem que poderiam ser rotineiros. O ar do futebol ficaria mais respirável.
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O CORINTHIANS NO CAMINHO

A confiança que os jogadores do Corinthians têm no técnico Mano Menezes, passando pela crença no que diz o Mano, é a principal responsável por este início de participação na Série B mais do que convincente. Nem o mais pessimista dos corintianos _ se é que existe alguém com este perfil _ desconfia do retorno da equipe à Série A em 2009. E as quatro vitórias só confirma esta idéia.

Enquanto o Corinthians faz o seu papel, o Internacional decepciona. Noves fora a tabela que mandou o time enfrentar o Palmeiras no Palestra Itália e o Flamengo no Maracanã, o jogo deste sábado era para faturar três pontos. Não que o Sport seja um time fraco. Muito pelo contrário. O que acontece é que a cabeça do Sport está na Copa do Brasil. E mesmo assim, o Internacional nada conseguiu.

Está na hora de o Antônio Lopes ter uma boa conversa com o Morais. Entre o que pode e o que tem feito com a camisa do Vasco da Gama existe uma diferença assustadora. Parece um jogador com uma corrente amarrada no tornozelo. Não se pode associar o resultado deste sábado (2 a 1 no Grêmio) à saída do Morais. Só que o time ficou muito mais solto quando ele deixou o gramado.
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HORA DA PROVIDÊNCIA

Não é pelo fato de André Luís ser um atleta profissional que a polícia não tem o direito de tratá-lo daquela maneira. Toda pessoa merece ser tratada por quem tem o dever de zelar pela segurança dos outros com respeito e o rigor necessário. O que aconteceu no campo dos Aflitos mancha o futebol brasileiro, na medida em que demonstra um total despreparo das forças responsáveis pela segurança e pela ordem. Logo no país que daqui a seis anos sediará uma Copa do Mundo.

Que o André Luís errou, o mais fundamentalista dos torcedores há de concordar. O descontrole começou antes da expulsão e depois se irradiou para as forças de segurança. Mas tudo o que aconteceu posteriormente não tem explicação e tampouco justificativa. Transformou-se no principal episódio da insossa rodada do Campeonato Brasileiro.

Tão insossa que depois dos episódios lamentáveis ocorrido no gramado dos Aflitos _ e exibido para todo o Brasil ao vivo e a cores _ o fato mais comentado foi a declaração do técnico Renato Gaúcho de que o Fluminense vai brincar dentro do Campeonato Brasileiro, caso vença a Libertadores. Perrcebo o espírito do jogador se manifestando em momento que o técnico torna-se mais do que necessário. O Fluminense vencer a Libertadores será ótimo para o clube e para o futebol brasileiro, mas ganhar o Campeonato _ ou pelo menos disputá-lo intensamento _ melhor ainda.
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UM ESTRATEGISTA CHAMADO CUCA

Na dança das cadeiras que tomou de assalto este começo de Campeonato Brasileiro, o Santos fez a melhor escolha. Contratou um técnico que tem um olhar para o jogo e um conhecimento de futebol impressionantes. O Cuca tem a caracterizá-lo e a destacá-lo também o fato de não elaborar teses quando fala sobre futebol. Trata o esporte de forma simples, embora saiba o quanto ele é complexo.

Foi ruim para o Botafogo a sua saída, especialmente pelo fato de que continuaria ter o respaldo da diretoria. Mas a ausência de títulos incomoda ao técnico e ele perdeu o encanto com o Botafogo. Aí está o maior problema do Cuca. São poucos os técnicos em atividade no futebol brasileiro que têm a com´preensão exata do jogo e sabem exatamente o que acontece dentro das quatro linhas. O Cuca é um deles. Ao mesmo tempo em que este atributo o diferencia da maioria, ele perde quando se deixa tomar pela ansiedade em busca de uma conquista. Mais do que ninguém o Cuca comprou a idéia de que o Botafogo era o time do quase. Absorveu as frustrações pelas perdas e transmtiu-as para os jogadores que treinava. Deixou em General Severiano um elenco refém da mania de perseguição, da postura de vítima e este será o maior trabalho do Geninho. Tenho dúvidas se conseguirá.

A ida para o Santos e os ares da cidade podem mudar o jeito de ser do Cuca. Não a maneira como olha para o futebol, que é bem interessante, mas o jeito como olha para a vida. Precisa exalar otimismo e não se deixar abater ao primeiro revés. Se conseguir, o Santos poderá ater ter aspirações maiores dentro do Campeonato Brasileiro.
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NÃO CRUCIFIQUEM O DODÔ

Ainda bem que existem sujeitos como o Dodô. Primeiro pela bola que joga. Recupera uma definição antiga, comum a quem apresentava intimidade com a bola, tal e qual o Tom Jobim com a música e o Vinícius de Morais com a poesia: jogador de fino trato. São raros, em atividade na terra de palmeiras e sabiás, os que tratam a bola com o carinho e o respeito como o Dodô faz desde o primeiro chute.

Tudo o que era necessário dizer sobre o seu desempenho contra o Boca já foi falado e nada mais pode ser acrescentado. O que faz a porca torcer o rabo é esta implicância com o fato de o Dodô não ter comemorado o gol arrancando a camisa, apontando para alguém no banco de reservas ou dizendo "meu bem eu te amo". Não combina com o estilo Dodô de ser. Como DJ sensível, ele mudou a trilha sonora do Maracanã e tirou o tango que ninguém queria ouvir para colocar um samba que fez até o tímido Chico Buarque dançar.

Na entrevista coletiva, o Dodô mostrou sua insatisfação em ser reserva e a externou da maneira mais verdadeira do mundo. Tal e qual o estilo Dodô de ser, ele não faltou com a educação _ algo raro nos dias de hoje. Foi o suficiente para que a rapaziada caísse em cima do atacante. Ora, a verdade e a franqueza não podem ser punidas. Quer dizer então que o Dodô não tem o direito de desafinar o coro dos contentes. Deveria ser criticado se, ao entrar em campo, fosse um exemplo de apatia e egoísmo. Não foi nem uma coisa e nem outra. Então seria muito bom se o respeitável público parasse de vender a idéia de que time de futebol é formado por grupo unido e com discurso afinado. Grupos desunidos e com pontos de vistas completamente distintos também vencem. Em qualquer setor da vida. É engraçado _ para não dizer triste _ que o mais importante poucos colocam acima das palavras do Dodô: ele tem bola para mudar o rumo de uma partida.
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RESULTADO HISTÓRICO

Não há explicação para a derrota do Brasil por 2 a 0 diante da Venezuela. Sob o olhar racional, o fraco primeiro tempo contribuiu e foi determinante. Mas uma seleçãoque já conquistou cinco títulos mundiais criou para si algumas armadilhas difíceis de evitar. A maior delas é a de que não pode ser derrotada por determinados adversários. A Venezuela está neste pacote, tal e qual Honduras _ algoz na Copa América que antecedeu a Copa de 2002.

O maior problema de derrotas como essa, além de manchar a imagem da Seleção Brasileira e dar a idéia _ absolutamente falsa _ de que ali está uma equipe decadente, é que gera uma série de interpretações equivocadas. Abre-se um caminho para dizer que não há trabalho, que falta planejamento e todos os outros clichês tão comuns em situações deste tipo.

Discordo de todas estas questões. Há um trabalho, o técnico da Seleção Brasileira já conseguiu formar uma base e uma derrota como a de sexta-feira apenas reforça a idéia de que o Brasil não pode prescindir de uma formação mais consistente. O que hoje é o time titular pode render bem mais do que rendeu a Seleção naquele primeiro tempo. Nos 180 minutos contra Canadá e Venezuela, o Brasil sofreu quatro gols. Este é um dado que deve preocupar o técnico Dunga. Sempre considerei o sistema defensivo brasileiro sólido e seguro. Não foi a impressão que deixou nestes confrontos. É um caso a se pensar.
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O DIFERENTE

Enquanto o Campeonato Brasileiro não pega, a discussão passa por um lance, um gol ou uma goleada. Na rodada deste final de semana, a discussão está em torno do que foi assinalado pelo árbitro Wilson Souza de Mendonça. Os especialistas afirmam que ele agiu corretamente e a única conclusão a que posso chegar é que a maioria não age como o Wilson. Tenho dúvidas se a maioria dos árbitros marcaria aquela infração.

E talvez seja isso que exatamente contribui para criar polêmica em torno do trabalho do Wilson Souza de Mendonça. Ele não tem a flexibilidade dos outros. A maioria não teria marcado nada naquele lance, o jogo poderia muito bem terminar empatado e ninguém comentaria nada. Mas com o Wilson não é assim.
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RESPEITO A PERNAMBUCO

É uma velha mania brasileira: culpar a chuva pela enchente. Desde os episódios no estádios do Aflitos que há uma confusão sobre determinados conceitos. Não se pode responsabilizar o estado de Pernambuco ou os recifenses pelo o que aconteceu dentro do gramado. A sequência de exageros ao exagero principal _ o destempero do André Luís _ tem que ser analisada como um episódio sem sotaque ou qualquer outro tipo de conotação.

Legítimo finalista da Copa do Brasil _ passou por adversários mais bem qualificados do que a maioria enfrentada pelo Corinthians _, o Sport passa por ótima fase. Não foi por acaso que derrotou o Palmeiras no último domingo e não será surpresa se mudar o rumo da prosa nesta decisão em que entra em desvantagem. Percebo aqui e ali associações que não cabem nos dias de hoje e tampouco cabem no jeito de ser dos pernambucanos.

Incidentes como o acontecido no estádio dos Aflitos não são inéditos e, temo, que continuarão a acontecer. Sempre que assim for, as punições, independentemente do sotaque e do peso político do clube, têm que ser severas. Mas não se pode rotular os times de Pernambuco como violentos e tampouco querer transformar em segurança nacional um jogo lá realizado. Respeito é bom e todos gostam.
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SALVE O SPORT

O futebol detesta a palavra justiça. Talvez por esta razão seja o esporte mais democrático da terra. Só que a conquista do Sport quebra esta máxima. Há tempos não via um título tão justo como o conquistado pela turma que o Nelsinho Batista dirige e acredita em tudo o que ele diz. Não houve jogo em que a supremacia do Sport deixasse de ficar evidente. A decisão contra o Corinthians foi mais um capítulo de absoluta vantagem do Sport.

Não há argumento que contrarie esta conquista e o Sport quebrou a banca nesta trajetória vitoriosa dentro da Copa do Brasil. A comparação entre o caminho de um e outro mostra que o caminho do Corinthians foi menos espinhoso. De preparado só pegou o Botafogo, que tem mais problemas na cabeça do que nos pés, especialmente em horas decisivas.

A merecida conquista da Copa do Brasil dá ao Sport tempo suficiente para não entrar na Libertadores a passeio. Que se planeje, pense grande e desembarque na principal competição entre clubes no continente com a pretensão de não ser apenas um mero participante.

GLOBALIZAÇÃO

Não se discute que uma derrota da Seleção Brasileira para a Venezuela é um desastre, especialmente pelas consequências. Mas vamos acabar com a idéia da equipe imbatível. Não se trata de referendar a frase de que "não tem mais bobo no futebol", mas de reconhecer que os tempos são outros. Claro que a Seleção Brasileira ainda é temida, mas vamos combinar que outras derrotas, antes inimagináveis, poderão acontecer. Vejam a Seleção de basquete dos Estados Unidos.
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