ENSINAMENTOS DAS SEMIFINAIS O que aconteceu no Palestra Itália _ gás de pimenta e jogadores deixando o estádio sem uma ducha _ mostra que algumas cabeças coroadas do futebol brasileiro confundem rivalidade com agressão. Não entra na cabeça de ninguém que olha o futebol como diversão e negócio que numa semifinal de Campeonato Paulista, envolvendo dois clubes de ponta, um determinado time não possa usar o vestiário por conta do ar que não se respira.
Há tempos não via algo tão lamentável no futebol. Logo em um país que tanto lutou para sediar uma Copa do Mundo! Seria muito bom que essas cabeças coroadas, gente que influencia a opinião de outras pessoas, parassem e pensassem um pouco sobre os limites da riavalidade e o que caracteriza a civilidade.
E mais uma vez, por causa de episódio tão deplorável, o futebol fica em segundo plano. Até quando iremos trafegar na ponte-aérea entre erros de arbitragem e episódios que nada têm a ver com a bola rolando. Sim, as 27 mil pessoas que foram ao Palestra Itália só fizeram isso por causa dos jogadores. Viram um Palmeiras mais decisivo e um São Paulo que sofreu com a instabilidade do Dagoberto, por exemplo. Já notaram a dificuldade que ele tem encontrado em dar sequência às jogadas? Com isso, o Adriano se transformou em um Robson Crusoé de uniforme e pouco teve condições de participar.
A decisão entre Palmeiras e Ponte Preta pesa um pouco mais para o time treinado pelo Vanderlei Luxemburgo. Noves fora os desfalques da Ponte e a boa fase do goleiro Aranha, o Palmeiras tem mais opções e mostra uma fôlego que a Ponte encontra dificuldades para mostrar.
SEQUÊNCIA ALVINEGRA Pelo terceiro ano consecutivo, o Botafogo é finalista do Campeonato Carioca. Ganhou uma e perdeu a outra. Escrevo sobre a sequência para mostrar que o clube de General Severiano tem feito um trabalho digno de registro. No clássico com o Fluminense soube aproveitar melhor as oportunidades e mostrou um jogo muito mais coletivo do que o rival, que padece quando alguns jogadores _ especificamente o Thiago Neves e o Conca _ não aparecem.
Para o primeiro jogo da decisão, o Botafogo entrará em desvantagem. As expulsões do Alessandro _ equivocada _ e do Jorge Henrique _ acertada _ criam uma situação mais desfavorável para o Botafogo, além do quase certo desfalque do Triguinho. Nada disso, porém, deve ser valorizado nesta semana. Problemas são para serem solucionados e não alimentados, o que, às vezes, vira discurso comum dos técnicos.
A concentração que o Flamengo procura _ como se concentrar na Granja Comary _ dever ser seguida pelo Botafogo. Não existe outra maneira de controlar os excessos que os jogadores cada vez mais cometem e são incompatíveis com a jeito que se joga futebol nos dias de hoje. Criar compromissos é uma tarefa, para os técnicos, tão difícil quanto montar um esquema e fazer com o jogador cumpra. Esta parte o Cuca já resolveu. Falta a primeira.
Pelo lado do Flamengo, a vida está mais tranquila. Tem um compromisso burocrático pela libertadores, o inofensivo Coronel Bolognesi, e depois vai para a decisão completo. Pode ser considerado o favorito, o que não significa muita coisa. Quando a bola rola, dependendo do poder de concentração dos jogadores, o favoritismo pode muito bem trocar de lado.
PECADO É uma pena a contusão do Alex, do Internacional. Pode ser relacionado entre os três melhores jogadores em atividade no futebol brasileiro de hoje. Nada que o faça ser cotado para uma vaga na Seleção Brasileira, mas que justifique ter alegria em vê-lo atuar. Sua provável ausência no jogo desta quarta-feira contra o Paraná é um pena para o Internacional e para quem aprecia o bom futebol.
Escrito em às