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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
NADA A PREVER

Às vezes sou pego de supresa e faço uma previsão. Me arrependo em seguida e fico desnorteado, pois tenho a certeza de que não dará certo e o risco de bater com a cara na parede aumenta. Admiro a turma de bambas que tem capacidade de apontar o vencedor e qual equipe empatará. Não vai aqui nenhuma ironia, que não é o meu forte, mas sim um sincero respeito por esta capacidade de dizer o que vai acontecer no esporte divorciado da justiça e louco pelo inesperado.

O parágrafo anterior pode decepcionar a quem sempre espera um palpite daqueles que são considerados especialistas. O clássico no Rio de Janeiro se caracteriza pelo equilíbrio. Há de um lado o Botafogo que tem no jogo coletivo a sua principal virtude contra um Fluminense que num cruzamento do Tiago Neves para o Washington pode decidir o jogo. Vejo que o maior problema do Botafogo é a ansiedade que o domina em momentos decisivos. Necessita manter a cabeça no lugar, coisa que o Fluminense tem de sobra. É difícil ver os jogadores treinados pelo Renato Gaúcho alterarem o comportamento, se revoltarem por conta de um erro ou perderem o foco na partida.

O mesmo equilíbrio daqui se aplica em São Paulo. Essa história de o clássico ser disputado no Palestra Itália não me parece tão relevante assim. O São Paulo tem jogadores com rodagem suficiente para entrarem em campo e não ficarem impressionados com o barulho que virá das arquibancadas. É time formado por gente grande sem nenhum complexo de Peter Pan. E quando a bola rolar, o time jogará normalmente.

Assim como o Palmeiras. Mesmo com a derrota no primeiro jogo, o time possui todas as condições do mundo para mudar o rumo da prosa. Vejam a campanha que fez. Após o início meio mambo e meio jambo, o time colocou o pé na forma e a cabeça no lugar. Tenho certeza de que o Vanderlei Luxemburgo está seguro de conseguir a vaga para a final. E não pensem tratar-se de soberba do treinador. Sabe que este time passou por bons e maus momentos e este agora é o bom.

Há decisões por todos os cantos do Brasil, mas me chamam a atenção duas: a em Minas Gerais, onde o Cruzeiro, após os tropeços, precisa mostrar que foi tudo um acidente; e o Atlético Mineiro não pode acreditar que camisa ganha jogo no confronto com o Tupi. E me desperta interesse o jogo do Internacional. Creio na classificação e na conquista do título, mas é bom o pessoal do Internacional não acreditar em mim. Afinal, eu não sou preciso nas minhas advinhações.

RUMO

O Carlos Alberto faz questão de lembrar a idade _ 23 anos _ e de dizer que está rico. É uma das melhores combinações da vida. Ter dinheiro, e o dele foi conquistado com trabalho honesto e por isso merece ser respeitado, e ser jovem e famoso abre qualquer porta. Mas sempre acho que ser jogador de futebol é uma das profissões mais fascinantes do planeta. E o Carlos Alberto deixa de sê-lo a cada afastamento, a cada contrato interrompido ou saída dos planos daquele clube. Me chamasse Acácio e daria um conselho ao Carlos Alberto: pare, pense e se pergunte sobre o que quer da vida.

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ENSINAMENTOS DAS SEMIFINAIS

O que aconteceu no Palestra Itália _ gás de pimenta e jogadores deixando o estádio sem uma ducha _ mostra que algumas cabeças coroadas do futebol brasileiro confundem rivalidade com agressão. Não entra na cabeça de ninguém que olha o futebol como diversão e negócio que numa semifinal de Campeonato Paulista, envolvendo dois clubes de ponta, um determinado time não possa usar o vestiário por conta do ar que não se respira.

Há tempos não via algo tão lamentável no futebol. Logo em um país que tanto lutou para sediar uma Copa do Mundo! Seria muito bom que essas cabeças coroadas, gente que influencia a opinião de outras pessoas, parassem e pensassem um pouco sobre os limites da riavalidade e o que caracteriza a civilidade.

E mais uma vez, por causa de episódio tão deplorável, o futebol fica em segundo plano. Até quando iremos trafegar na ponte-aérea entre erros de arbitragem e episódios que nada têm a ver com a bola rolando. Sim, as 27 mil pessoas que foram ao Palestra Itália só fizeram isso por causa dos jogadores. Viram um Palmeiras mais decisivo e um São Paulo que sofreu com a instabilidade do Dagoberto, por exemplo. Já notaram a dificuldade que ele tem encontrado em dar sequência às jogadas? Com isso, o Adriano se transformou em um Robson Crusoé de uniforme e pouco teve condições de participar.

A decisão entre Palmeiras e Ponte Preta pesa um pouco mais para o time treinado pelo Vanderlei Luxemburgo. Noves fora os desfalques da Ponte e a boa fase do goleiro Aranha, o Palmeiras tem mais opções e mostra uma fôlego que a Ponte encontra dificuldades para mostrar.

SEQUÊNCIA ALVINEGRA

Pelo terceiro ano consecutivo, o Botafogo é finalista do Campeonato Carioca. Ganhou uma e perdeu a outra. Escrevo sobre a sequência para mostrar que o clube de General Severiano tem feito um trabalho digno de registro. No clássico com o Fluminense soube aproveitar melhor as oportunidades e mostrou um jogo muito mais coletivo do que o rival, que padece quando alguns jogadores _ especificamente o Thiago Neves e o Conca _ não aparecem.

Para o primeiro jogo da decisão, o Botafogo entrará em desvantagem. As expulsões do Alessandro _ equivocada _ e do Jorge Henrique _ acertada _ criam uma situação mais desfavorável para o Botafogo, além do quase certo desfalque do Triguinho. Nada disso, porém, deve ser valorizado nesta semana. Problemas são para serem solucionados e não alimentados, o que, às vezes, vira discurso comum dos técnicos.

A concentração que o Flamengo procura _ como se concentrar na Granja Comary _ dever ser seguida pelo Botafogo. Não existe outra maneira de controlar os excessos que os jogadores cada vez mais cometem e são incompatíveis com a jeito que se joga futebol nos dias de hoje. Criar compromissos é uma tarefa, para os técnicos, tão difícil quanto montar um esquema e fazer com o jogador cumpra. Esta parte o Cuca já resolveu. Falta a primeira.

Pelo lado do Flamengo, a vida está mais tranquila. Tem um compromisso burocrático pela libertadores, o inofensivo Coronel Bolognesi, e depois vai para a decisão completo. Pode ser considerado o favorito, o que não significa muita coisa. Quando a bola rola, dependendo do poder de concentração dos jogadores, o favoritismo pode muito bem trocar de lado.

PECADO

É uma pena a contusão do Alex, do Internacional. Pode ser relacionado entre os três melhores jogadores em atividade no futebol brasileiro de hoje. Nada que o faça ser cotado para uma vaga na Seleção Brasileira, mas que justifique ter alegria em vê-lo atuar. Sua provável ausência no jogo desta quarta-feira contra o Paraná é um pena para o Internacional e para quem aprecia o bom futebol.
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QUERER OU NÃO QUERER

Ao ler as declarações do Kaká sobre sua possível participação no torneio de futebol dos Jogos de Pequim, eu fiquei com a impressão de que ele não consegue ser muito claro sobre se deseja ou não vestir a camisa da Seleção Brasileira na competição. Quando joga para o clube a responsabilidade sobre a sua liberação, o Kaká abre a possibilidade de se pensar o que quiser sobre a sua vontade.

Jogador na casa dos 20 anos e com um currículo que muito veterano não tem, o Kaká pode ser mais enfático nesta questão. Poderia mostrar o desejo de vestir a camisa da Seleção Brasileira neste torneio, caso seja esta a sua vontade. Quem acompanha o trabalho do técnico Dunga já observou que o tão criticado lugar cativo, que muito prejudicou a Seleção Brasileira na Copa de 2006, deixou de existir. Desde o dia em que o Dunga iniciou o seu trabalho. E a constatação só aumenta quando se visita a lista de convocados, da primeira até a última, e observa-se que os jogadores chamados sempre passavam por boa fase.

Não tenho a certeza de quem o Dunga convocará acima dos 23 anos para as Olimpíadas, embora possa arriscar os nomes de Júlio César, Juan e Robinho, mas pelo que observo do jeito de ser do técnico o Kaká está cada vez mais distante desta competição. Muito pela posição ambígua adotada por ele e que em nada o ajuda. Lembro do empenho de Robinho para disputar a Copa América, onde foi um dos destaques. Aquela competição, encerrada com a conquista do título em cima da Argentina, pode ser considerada como emblemática do trabalho do técnico.

SAÍDA DO JOEL

Lá se vai o Joel Santana em direção a Copa do Mundo. Sai do Flamengo com a cabeça erguida. Após a demissão no Fluminense, quando muitos equivocadamente o consideraram ultrapassado, o Joel Santana deu a volta por cima. Por não ver o futebol como um cientista e nem rebuscar o seu discurso, o Joel nem sempre é valorizado por aqueles que não confiam em ninguém com mais de cinquenta anos e têm um jeito absolutamente brasileiro de ser. No agir e falar.

Não tenho a menor idéia se o trabalho do Joel Santana como técnico da África do Sul dará certo, mas não me surpreenderei se ele fizer um bom trabalho. Afinal, a linguagem do futebol não é tão complicada assim. Pelo menos para o Joel.
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A CHANCE DO PALMEIRAS

A Copa do Brasil é prima-irmã das surpresas. Quando menos espera uma equipe, que muitos consideram favorita, pode ser pega no contrapé. Vejam o caso deste Palmeiras x Sport, no Palestra Itália. De primeira, os mais afoitos indicarão o Palmeiras como favorito. É finalista do Campeonato de São Paulo e pratica um futebol que mais agrada do que desagrada. Até aí morreu o noves.

Do outro lado do campo estará o primeiro campeão estadual do ano da graça de 2008 e que tem um time arrumado. Daqueles que não se intimida por atuar na casa do adversário. O Vanderlei Luxemburgo deve estar bem preocupado com este jogo. A partir da certeza de que o Palmeiras disputará a final, o torcedor entrou num estado de euforia tal que, às vezes, passa para os jogadores. Nestas horas, o técnico tem que atuar.

A FESTA NO ENGENHÃO

Aquelas 40 mil pessoas que lotaram o Engenhão e viram a dramática vitória de 2 a 1 do Botafogo sobre a Portuguesa não ficaram decepcionadas. Foram personagens de uma festa que serviu para comprovar o quanto o Botafogo toca hoje o coração do seu torcedor e foram também platéia de um jogo para se roer as unhas e com uma vitória que só faz o torcedor sentir ainda mais orgulho da sua equipe.

Durante os 90 minutos, o Botafogo foi sempre melhor do que a Portuguesa, especialmente após marcar o seu gol, no início do segundo tempo, em cobrança de falta do Lúcio Flávio. A partir da vantagem, o time criou mais duas oportunuidades e não foi preciso na hora de concluir. Viu o empate, em gol de Cristian, e teve forças para reagir, o que sempre é importante de se observar numa equipe.

Sempre preocupado, o Cuca deve ter voltado para a casa com algumas perguntas que a ausência do Triguinho provoca e com as perguntas que a ausência do Alessandro provocará. Há solução para compensar estes desfalques, mas isso já é tarefa do Cuca. Já a torcida voltou para casa _ no Rio de Janeiro foi feriado _ certa de que o seu time é capaz de encontrar forças para sair de situações adversas. Como ontem.
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HERÓIS DE VERMELHO

A noite de quarta-feira certamente ficará para sempre na memória do torcedor colorado. O que aconteceu, ao longo de 90 minutos no Beira-Rio, é para deixar orgulhoso quem tem amor pelo clube e por quem entende que a suepração é uma palavra tão comum ao nosso cotidiano, como o bom dia, o obrigado e o por favor. E, por favor, não relacionem o placar ao árbitro Vagner Tardelli. Seria menosprezar o feito do Internacional. Claro que erros desestabilizam e o trabalho do árbitro precisa ser avaliado por quem de direito, mas este é um ponto. E o torcedor do Paraná tem todo o direito de protestar, até por conta dos erros praticados por Tardelli. Mas não jogo fora e nem desprezo o que fez o Internacional.

Era difícil, mas não impossível a classificação do Internacional. Só que episódios, ou melhor jogos, como os do Beira-Rio ensinam que um time de futebol não pode ser apenas formado por grandes jogadores e com um técnico renomado à beira do campo. Mais importante do que a rapaziada do elenco e do homem que ganha o pão de cada dia com instruções é saber se os jogadores acreditam no que ele diz. Os do Internacional provaram crença absoluta nas palavras do Abel Braga. Podem até duvidar, mas na hora do vamos ver cria-se uma ponte-aérea (sem atrasos e com céu limpo) entre o falado pelo Abel Braga e o executado pelos jogadores.

Quem olha para o Internacional de hoje _ campeão do Torneio de Dubai, em cima do Inter de Milão, finalista do Campeonato Gaúcho e candidatíssimo ao título da Copa do Brasil _ percebe que o pessoal aprendeu com todos os erros cometidos na temporada passada, especialmente quando a taça de champanhe pela conquista do título mundial permanecia cheia. Que se cuidem os adversários.

SÃO PAULO


Na longa entrevista do Muricy Ramalho, em determinado momento, ele falou e poucos ouviram: "nosso time pode jogar mais". Faltavam dez minutos para a uma da manhã, o Morfeu já flertava com a maioria da galera, e, talvez, o comentário do técnico se perca. Não deveria. São poucos os profissionais que apontam os erros da sua equipe publicamente ou que reconhecem, após resultados importantes, que o bloco ainda sofre com a falta de harmonia.

Ninguém no São Paulo pensava que seria tão difícil substituir o Souza e o Leandro. Este mais do que aquele. Não cabe crucificar o Éder Luis, mas não há exagero em reconhecer que ele se divorciou daquele jogador do Atlético Mineiro. Se for litigioso, o São Paulo terá que procurar outro jogador. Mas se as partes se entenderem, o São Paulo ainda poderá comemorar esta contratação.

CRUZEIRO

Tudo o que se diz do Boca Juniors é verdadeiro. Tudo o que se fala da Bombonera é fato, mas e daí? O Cruzeiro não pode perder o jogo antes de entrar em campo. Tem o mais temido adversário, pelo menos para os clubes brasileiros, da Libertadores, mas não pode se intimidar e tampouco se descaracterizar. Fico emocionado quando vejo a torcida do Boca em ação _ outras no mundo conseguem fazer o mesmo _, mas não cabe ser assaltado por temores. Alto lá!

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180 MINUTOS

A primeira parte da temporada do ano da graça de 2008 se encaminha para o fim e tem um personagem que merece destaque: o técnico Sérgio Guedes, da Ponte Preta. Quem se dá ao trabalho de prestar atenção no que diz, seja à beira do campo ou nas entrevsitas após os jogos, constatará que existe ali um profissional com idéias interessantes sobre futebol e pouco comuns para quem ainda não ganhou projeção ou títulos de expressão.

Neste confronto com o Palmeiras, especialmente pelas ausências, a Ponte Preta terá que se superar ainda mais. Se formos comparar os desfalques, o Palmeiras, embora sinta o desfalque do Léo Lima, leva vantagem. Só que faço parte daquele grupo que não dá muita importância a essas questões quando se trata de um jogo decisivo.

Vem daí o fato de que não ficarei surpreso se, ao cabo de 180 minutos, a Ponte Preta for a campeã. Pode acontecer e a campanha realizada no Paulista só reforça esta tese. Tenho certeza de que o Vanderlei Luxemburgo sabe disso. Tanto que optou por isolar os seus jogadores, acompanhá-los minuto a minuto para observar quem está verdadeiramente ligado na partida e quem acredita que o prêmio está garantido. É o melhor caminho, nos dias de hoje, para não se perder o rumo. O contrário gera problemas e nem sempre dá para resolver quando a bola rola.

MARACANÃ

Há um ponto em que botafoguenses e rubro-negros concordam: os clássicos entre os dois times se transformaram numa cereja no bolo na história recente do futebol. Neste domingo, o Flamengo não terá o Renato Augusto, jogador que, não fossem as lesões, já estaria em outro plano no futebol brasileiro. Vale a pena vê-lo jogar e o Joel Santana bem sabe disso. Tanto quanto o Cuca.

É um exagero querer apontar favorito para este jogo. Mesmo com quatro desfalques, o Botafogo parece ter aprendido a superá-los e não entrará em campo de cista baixa. E o Flamengo muito menos. Afinal, exceto pelo Renato Augusto, o time está completo, mas tem pelo adversário o respeito que a campanha feita pelo Botafogo recomenda ter.

Bom fim de semana para todos
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SEMANA DE DECISÕES

Só um título estadual já está decidido: o do Campeonato Mineiro. Não há como o Atlético Mineiro, e aqui não vai nenhuma provocação, reagir e mudar o rumo desta prosa, palavra tão adequada para a situação e familiar no vocabulário dos mineiros. O melhor para o Cruzeiro, além da precoce garantia do títulio, é que o Cruzeiro que enfrentará o Boca Juniors nesta quarta-feira exalará confiança. Não se deixará intimidar com tudo o que cerca o Boca.

É o melhor a fazer. De outra forma, o time poderia ficar ainda mais abalado por tudo que se propala do rival desta quarta e do endereço onde sedia os seus jogos. Claro que os temores procedem, mas não é conveniente para quem veste a camisa do Cruzeiro sentir-se inferiorizado em relação ao adversário.
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QUARTA NOBRE

A primeira volta desta fase da Libertadores pode terminar com a vitória dos clubes brasileiros em todos os seus confrontos. Nada surpreendente. O que mais preocupa é a mania que alguns técnicos têm de colocar os seus times exageradamente recuados e com isso oferecerem todo o espaço do mundo para o adversário.

Existe uma diferença bem acentuada entre jogar retrancado e jogar na defesa. O primeiro se comporta dentro de um esquema tático definido e todo mundo sabe o que fazer em campo. Não necessariamente a marcação começa tão atrás e ainda encontra fôlego para iniciar jogadas de contra-ataque. Já da segunda maneira tudo fica mais difícil. A partida transforma-se num treino de ataque contra a defesa e tem uma hora que a cidadela (gostaram?) cai.

Esta quarta-feira nobre, com cheiro e sabor de domingo, tem ainda confrontos pela Copa do Brasil. Dois são dramáticos. O primeiro em Belo Horizonte, com o Atlético Mineiro enfrentando o Náutico e com a obrigação de mostrar se a traulitada que recebeu do Cruzeiro já passou e o segundo em São Paulo. Impossível fazer qualquer previsão para um e outro. O que acham que vai acontecer?
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DECISÃO EM BH

O placar indicou a derrota do Cruzeiro, mas o sentimento não pode ser o mesmo. O gol marcado por Fabrício foi o facho de luz que tanto precisava o time. E se tivesse forçado um pouco mais o ritmo, sabendo aproveitar o desacerto do Boca Juniors, o Cruzeiro poderia ter criado mais situações desfavoráveis para o time argentino.

Em partidas como a disputada nesta quarta-feira numa Bombonera lotada, o meu maior temor é sempre em relação ao comportamento dos jogadores pela mística que envolve o estádio. De tanto se falar sobre o assunto, os jogadores entram em campo meio que intimidados com o tamanho do rival. Foi o que aconteceu no jogo de ontem, acrescido pelo fato de que o técnico Adílson Batista precisa administrar melhor a sua dose de inquietação. A formação que ele mandou a campo não se mostrou tão eficiente quanto ele imaginou e talvez seja necessário mais tempo para que funcione.

A decisão ficou para Belo Horizonte na próxima semana e as possibilidades de classificação são bem favoráveis para o Cruzeiro. Sugiro apenas que Adílson Batista pense um pouco melhor sobre que formação considera mais interessante. Muitas vezes entre o que o técnico imagina e o que o jogador pode fazer a diferença é muito grande. Cabe ao treinador perceber.
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A DESPEDIDA

Fosse o Joel Santana e neste domingo, quando o árbitro encerrase a decisão entre Botafogo e Flamengo pegaria minha prancheta, faria sinal para o táxi mais próximo e sorveria um vinho boa safra, que ele tanto admira. Desnecessário querer dar prosseguimento a uma história que já tem data e hora para acabar. Não se deve prorrogar aquilo que já sabemos terá sempre o mesmo fim, independentemente do rumo que história tomar.

Dez meses atrás, o Joel Santana foi empurrado pela porta dos fundos do Fluminense. Saiu de lá com a imagem de que era um profissional ultrapassado e incapaz de organizar um time. Hoje, o Renato Gaúcho, um técnico promissor, padece do mesmo problema. Dizem que, embora os resultados mostrem o contrário, ainda não ajeitou o time. Há uma irritação, notadamente exagerada, em cima do que faz e decide o técnico.

É assim a vida dos treinadores. Depois de uma década inteira em que foram colcoados no topo de forma exagerada e sem nenhum senso, eles passaram a ter os seus trabalhos questionados a todo instante. Mesmo os que já mostraram competência em diversas ocasiões. O Joel Santana vai em busca de uma realização que talvez ele já tivesse até deixado de pensar.

DECISÕES

Há quem não goste dos Campeonatos Estaduais e os argumentos são sempre muito fortes. O meu é prosaico: terminado os estaduais, teremos que abolir a segunda-feira do calendário. Enquanto eles sobrevivem, o torcedor se alimenta da rivalidade. Exceto pelo que aconteceu no jogo entre Atlético e Cruzeiro, que garantiu o título ao time treinado pelo Adílson Batista, os outros confrontos se caracterizam pelo equilíbrio. Está mais para o Flamengo; mais para o Palmeiras; mais para o Coritiba; mais para o Internacional e mais para o Figueirense. Não quer dizer muita coisa, mas...........

Bom fim de semana para todos
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O SUBSTITUTO


O Joel Santana é um técnico que não precisa mostrar mais nada para ninguém. Foi ironizado por muitos e desacreditado por outros. É fácil enumerar os motivos, mas ele deixa o Flamengo por cima e o Caio Júnior pode ser incluído na categoria de técnico promissor. Há um exagero em se medir a carreira de um técnico da nova geração, caso do Caio Júnior, pelos títulos. O mais importante é observar como ele desenvolve o seu trabalho.

Entre o técnico que sai e o técnico que assume, a maior diferença está no estilo. O Joel Santana é um sujeito emotivo, que olha para o futebol de maneira bem simples. Já o Caio Júnior tem mais intimidade com o racionalismo. Agiu certo ao aceitar o convite do Flamengo, o que demonstra não ter medo de desafios. Só não pode é querer transformar o Flamengo numa obra do Caio Júnior. O autor é o Joel Santana e assim será por muito tempo.

O QUE CARLOS ALBERTO
QUER


Volta e meia, o Carlos Alberto faz questão de lembrar que tem 23 anos e já é um homem rico. Que bom e que ruim. O bom é que ele pode ajudar aos seus com este dinheiro e dar o conforto tão desejado para os seus pais, sonho de consumo de qualquer homem ou mulher que não nasceram com o conforto servido em bandeja.

O ruim da história é que percebo, cada vez mais, a falta de apetite do Carlos Alberto para se submeter aos sacrifícios que pede a carreira de jogador de futebol. Não tenho a menor dúvida de que ele não pretende abandonar a carreira, mas ficar no peso, treinar com afinco, se concentrar, abrir mão dos prazeres que a fama e o dinheiro trazem em nome de uma temporada produtiva são os grandes obstáculos do Carlos Alberto. Só ele pode dar um novo rumo à carreira. A pergunta é: ele quer?
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O RETORNO

Não foi nem diante uma platéia tão numerosa assim, mas quem é vascaíno saiu de São Januário animado como há tempos não se via. Menos pelo placar e mais pela volta de Leandro Amaral, que dá mais consistência ao time do Vasco da Gama no ataque. Com 90 minutos de antecedência, o Vasco da Gama já garantiu presença na próxima fase da Copa do Brasil. E o Edmundo pode comemorar o fato de voltar a ter um companheiro na frente. Acabou a solidão que tanto o atormentou nos últimos jogos.

Enquanto isso, o Cruzeiro sucumbiu diante do Boca Juniors. Foi vítima, além do fato de ter enfrentado um time que não se assusta, da imprecisão na hora de concluir as jogadas, o que sempre prejudicou o time, mas não de maneira tão acentuada como aconteceu na noite desta quarta-feira no Mineirão. O que chama atenção nas equipes argentinas é a maneira como elas jogam no lixo a idéia de que a torcida adversária pode influenciar no comportamento da equipe visitante.

O Mineirão estava lotado, a torcida não parou de incentivar o Cruzeiro e os jogadores do Boca Juniors não estavam nem aí para os gritos que saiam das arquibancadas. Nada disso afeta o jogador argentino.
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O VEXAME

Não faltarão motivos para explicar o vexame estrelado pelo Flamengo em seu palco favorito. Todas procedem e têm fundamento. O somatório, que inclui da soberba ao fato de o time ter perdido o foco, resultou numa eliminação que levou todos a quebrarem a cara. O degas aqui foi um dos que fraturaram a cara e o resto do corpo também. A cada informação sobre um gol do América do México, a expectativa era de que o Flamengo reagiria. Não conseguiu e saiu do paraíso doméstico para o inferno no continente.

Mas não foi apenas a soberba que levou o Flamengo a ser eliminado da Libertadores. Quando o segundo gol foi marcado, o Flamengo acordou para o jogo e tentou buscar o gol que o manteria na competição. Só que era tarde demais. Não é para se colocar o elenco atual do Flamengo no fundo do poço e tampouco jogar no lixo o trabalho feito pelo Joel Santana. Mas para quem pensava ter um ano auspicioso _ e a conquista do Estadual representa muita pouco _ perder para um time que trocou de técnico na semana passada e entrou para a história como o pior América do México da história, a sensação é péssima. Para encerrar o assunto: como gostam de aparecer os dirigentes do Flamengo. Alguns são velhos de guerra e o passar do tempo só os transformou em mais vaidosos e arrogantes. Deveria ser o contrário.

A BOLA PUNE

Tem gente boa, de escol _ poucas _ a quem respeito e devoto carinho que não simpatiza muito com o Muricy Ramalho. Se incomoda com a ranzizice do técnico e nem sempre dá a devida atenção ao que ele diz. Pode ser que o Muricy contribua um pouco com aquele jeito de quem não desperta a criatividade de um publicitário para fazer anuncio de pasta de dente. Pode ser.

Fico do outro lado nesta história e presto uma atenção danada ao que diz o técnico. Após a melhor atuação do São Paulo nesta Libertadores, que garantiu classificação para as quartas-de-final, ele fez dois comentários absolutamente procedentes. O primeiro foi sobre o time que dirige e a relação com a torcida. "Nosso time ainda não conseguiu jogar bem e ainda não deu confiança para o torcedor", disse com aquela sinceridade da rapaziada criada na Vila Sônia e que tem horror a gente falsa. Está claro que o São Paulo _ noves fora a noite de quarta-feira _ ainda não conseguiu ser um time que estimule o torcedor a trocar a poltrona pela arquibancada. Mas também ficou evidente que na hora agá, o São Paulo se transforma. Tem que ser assim na Libertadores.

Outra declaração do Muricy que merece reflexão foi sobre a saída do Flamengo da Libertadores. "A bola pune", afirmou o Muricy. É bom quando um técnico tem esta visão. Deve ser um neurótico na convivência com os jogadores, mas reduz quase a zero a chance de ver um sonho virar pesadelo.
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O NOVO CAPÍTULO



A meteorologia pode até prever chuva de canivete para a tarde de hoje na cidade de São Paulo que, mesmo assim, o Pacaembu estará lotado. Não é todo o dia que o Corinthians estréia na Série B, moradia ao longo desta temporada e da qual ele tem todas as condições de sair no final do ano. Não creio que o torcedor do Corinthians ainda esteja de luto pelo rebaixamento, mas o temor sobre como terminará a história é absolutamente procedente.

A montagem do elenco está à altura do que se pode esperar de um time na Série B. Não é divisão para se fazer contratações espetaculares e também não há dinheiro em caixa para trazer jogadores de ponta. Problema, aliás, que não é particularidade corintiana. Os resultados obtidos pelo time até agora não conferem ao Corinthians uma supremacia absoluta sobre alguns rivais nesta nova morada. A exclusão das semifinais do Campeonato Paulista foi preocupante e o avanço na Copa do Brasil, embora falte um jogo, é reconfortante para o torcedor.

A Série B deste ano não tem tantos clubes de ponta acostumados à Série A como em outras épocas, mas é evidente que contra o Corinthians todo mundo buscará os seus quinze minutos de fama. E que fama!


OLHO NELE


Desde o Campeonato Paulista, e por conta dele, que o Santos é sempre excluído da lista de provável candidato ao título da Libertadores. Uma restrição aqui, outra ponderação ali e no time só vestem a camisa de coadjuvante. Pois este Santos, desprezado para muitos, vai em frente na Libertadores e estréia no Campeonato Brasileiro com aspirações ambiciosas. Vale observar que por ali não existe nenhum jogador que você escolha de primeira no par ou ímpar _ tal e qual na maioria dos clubes brasileiros _, mas o jeito de atuar e a confiança, principalmente esta, não deixam dúvidas: ali tem um time.

Antes que me acusem de ficar indiferente ao Campeonato Brasileiro, o aviso faz-se necessário: o deste ano _ visto de cima da ponte e a léguas de distância do fim _ parece que será mais equilibrado do que o do ano passado. Pode ser que eu quebre a cara, o que não é muito difícil.

EXEMPLO E.......EXEMPLO

O San Lorenzo, que sempre tinha o sobrenome de Almagro na sua carteira de identidade (ou seria RG?), não faz parte das equipes badaladas do futebol argentino. Este papel cabe ao todo-poderoso e imbatível (no Brasil, a gente não consegue tratá-lo de outra forma) Boca Juniors e ao River Plate (nem tão poderoso e tampouco imbatível).

Entre os grandes momentos desta Libertadores _ não confundam com vexame _, o San Lorenzo contribuiu com dois. Perdia de 2 a 0 para o Real Potosi _ que atua naquela cidade alta e deu de cinco no Cruzeiro _, quando virou o jogo para 3 a 2. Na noite de quinta-feira, o San Lorenzo ficou com 10 no primeiro tempo; nove no segundo e viu descer pela goela abaixo dois a zero. Nada tão estranho assim para os jogadores do San Lorenzo. Empataram e estão na próxima fase da Libertadores. Diante do River Plate, o segundo mais poderoso.

Em tempos de exagerada valorização das palestras motivacionais seria muito mais interessante falar do San Lorenzo para a rapaziada que assina a súmula e ganha o pão nosso de cada dia dando chutes e olhando para os céus. O efeito seria melhor.
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O EFEITO DE UMA ESTRÉIA


Não é preciso gostar de futebol ou acompanhá-lo obsessivamente para saber que o Corinthians é um dos mais fortes candidatos ao retorno à Série A. Até aí tudo bem e tudo normal. Mas a estréia neste sábado era de fundamental importância. A começar pelo fato de que atuava em casa e o manto da desconfiança entrará em campo sempre que o time pisar qualquer um dos gramados onde será realizado algum jogo da Série B.

Tão importante quanto o resultado foi observar que o Corinthians tem um centroavante. Não se trata de um centroavante de ponta, alguém que você vá escolher de primeira no par ou ímpar, mas um atacante com intimidade para empurrar a bola para dentro do gol. Ficou muito claro no jogo cotnra o São Caetano pela Copa do Brasil e mais ainda diante do esquálido CRB. Três pontos no bolso da algibeira não fazem mal algum e o aviso faz-se necessário: o Corinthians só pensará nos três pontos e, quando der, na beleza.

TERRA DA GAROA

A conquista dos três pontos era mais importante para o Grêmio do que para o São Paulo. Tem a treiná-lo um técnico que se só anda na corda bamba e motivos para que se desconfie da equipe não faltam. Venceu e respirou aliviado, enquanto é preciso alguém explicar para determinados jogadores do São Paulo o quanto é importante o jogo coletivo. Muitas vezes o Hernanes e o Richarlysson abrem mão do toque para tentar a investida. Quem perde é o time.

A falta de critério dos árbitros é o passaporte para as reclamações que se transformarão em rotineiras após cada rodada. O Marcelo Moreno, conforme determina o senhor Sérgio Correa, foi expulso por chutar a bola após o apito. Fora advertido com o amarelo e não restava outra alternativa. Que sejam fiéias às determinações em toda as circunstâncias e sempre.

Fiquem de olho no Geraldo!
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AS PRIMEIRAS IMPRESSÕES

A vitória que mais me chamou a atenção foi a do Coritiba. A quem não assistiu ao jogo, eu informo que o resultado de 2 a 0 foi obtido graças a um trio formado por Michael (ex-Guaratinguetá), Pedro Ken e Hugo, substituto do Keirrisson, que deixou o campo com uma lesão muscular.

Não tenho a menor idéia se o Coritiba vai sempre jogar assim, mas ficou muito claro que este trio pode dar samba. Foi apenas um jogo e muita coisa vai acontecer neste Campeonato Brasileiro. Só que no jogo deste domingo os três foram infernais. Fizeram aquilo que se espera dos homens que atuam um pouco mais à frente. Não pararam nem um instante sequer de se movimentar.

Enquanto isso, o Internacional, em Porto Alegre, mostrava as maravilhas de ter um elenco com mais ofertas. Formado inteiramente por reservas obteve a vantagem com menos de três minutos e soube administrá-la de maneira eficaz. Bem que o Vasco tentou, mas o grande desafio de Antônio Lopes é trabalhar para que Morais seja um jogador mais regular.

Sem as ofertas que o Internacional tem, o Botafogo fez o dever de casa. O elenco mantém as limitações e o padrão de jogo apresentado. Necessita de mais um atacante com poder de decisão. Não com a vocação para jogar deitado que tem o Fábio.
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O EXEMPLO QUE VINGA

Após a derrota do Flamengo para o America do México criou-se a idéia de que a zebra desfila por qualquer gramado de estádio brasileiro. O confronto entre um time de médio porte e uma grande equipe sempre corre o risco de ter o mesmo desfecho do Maracanã. Não é bem assim. Os resultados inesperados acontecem e no futebol até com mais frequência, mas é sempre bom lembrar que não é muito comum.

Vejam o caso do jogo entre Corinthians alagoano e Vasco da Gama. Depois do placar obtido em São Januário não é exagero afirmar que o time está praticamente classificado para as semifinais da Copa do Brasil. E também não é presunção garantir que o Vasco da Gama respeitará, sem temer, o adversário. Afinal, o exemplo do Flamengo está muito vivo. E como!
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PASSEIO NO LITORAL

O Vasco da Gama jogou com o regulamento debaixo do braço, o goleiro Tiago foi muito mais exigido do que o Veloso e o time do Rio de Janeiro saiu de campo com uma vitória de 3 a 1. Noves fora a fragilidade do Corinthians alagoano, o Vasco da Gama merece aplausos pela inteligência com que atuou. Foi um time pragmático, que não desperdiçou oportunidades e teve na visão de Edmundo _ responsável pelos passes para dois gols _ e no oportunismo de Leandro Amaral, as suas grandes virtudes.

Vale a pena prestar atenção neste jovem chamado Alex Teixeira. Deveriam incentivá-lo, cada vez mais, a tentar o drible. A não temer em partir para cima do adversário. Ou sofrerá a falta ou deixará o marcador caído no campo. Nas duas hipóteses, o Vasco da Gama sairá no lucro. Fosse Antônio Lopes e diria para o Alex Teixeira que esta deveria ser a sua única preocupação em campo.

BOCA RICA

O placar não traduz o que foi o domínio do Boca Juniors sobre o Atlas. Coisas de um esporte que não tem o menor apreço pela palavra justiça e gosta de jogar no lixo as estatísticas. Nem sempre o time que tem mais posse de bola ou cria oportunidades sai de campo com três pontos na tabela de classificação. O Boca deixou o estádio do Velez arrasado pelo empate. Foi o preço pelo número de chances desperdiçadas. Como perdem gols os dois Ps _ o Palácios e o Palermo. Dão a impressão de que fizeram promessa para chutarem a bola por cima, no peito do goleiro ou nas pernas do marcador.

É possível que o Boca Juniors consiga mudar o rumo dessa história no México. Tem-se ali um grupo de jogadores, especialmente por conta da camisa que vestem, acostumado a superar obstáculos. O da próxima semana é um dos maiores dos últimos tempos.
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ARROGÂNCIA DE PERDEDOR

O nariz em pé sempre foi uma marca do jogador Renato Gaúcho. Prometia na rua e cumpria dentro do campo. Foi assim que construiu uma carreira vitoriosa nos gramados brasileiros e nem tanto nos europeus, específicamente na Itália. O técnico Renato Gaúcho não abriu mão do nariz em pé e do olhar superior. Muitas vezes comporta-se como o jogador, embora a função atual e na função atual nada tenha a ver com aquele.

Depois da partida em que o Fluminense, além de dominado, foi derrotado pelo São Paulo, ele não perdeu a pose. Falou como se tivesse pela frente um adversário de quinta, formado por jogadores desacostumados a decisões e que ficarão intimidados com o Maracanã lotado e gritos da torcida. Não há jogador no São Paulo que já não tenha passado pela situação que se desenha para a próxima quarta-feira. Não pensem que estou a dizer que Renato Gaúcho faltou com o respeito ao São Paulo ou subestimou o rival. Apenas entendo que um técnico de futebol não é um jogador de futebol. Quando se comporta como tal, exempo do Renato Gaúcho após o jogo de quarta-feira, o time fica perdido: lamenta não ter um técnico e sofre por não contar com um reforço deste porte em campo.

EM CASA

Não é apenas pelo fato de jogar na Ilha do Retiro que o Sport está nas semifinais da Copa do Brasil. Atribuir ao domicílio o sucesso seria simplificar a questão. Vejam que os resultados obtidos longe da morada preferida não foram ruins. O empate com o Palmeiras e a derrota de 1 a 0 para o Internacional mostram que ali existe um time bem montado e capaz de saber o que fazer fora de casa e se comportar muito bem no seu estádio.

Vai para o confronto com o Vasco da Gama em condições de igualdade. Bobagem querer eleger um favorito.

OMISSOS DE PRETO E BRANCO

Há tempos o Botafogo não é fonte de inspiração para chacotas ou pilhérias. Basta uma olhada, sem tanta atenção assim, para se constatar que o clube anda para a frente e o resultado é a presença do time em momentos importantes das competições. Nos últimos três anos chegou à final do Campeonato Carioca _ venceu uma _ e pelo segundo ano consecutivo está na semifinal da Copa do Brasil. A torcida parece não entender muito o que acontece. Não falo nem dos integrantes das organizadas, loucos por um subsídio. Me refiro ao torcedor comum, que prefere lamentar erros de arbitragem, a enxergar uma armação aqui, um esquema acolá e a criticar os jogadores do time ou a administração do Bebeto de Freitas.

O comparecimento ao Engenhão na noite de quarta-feira não foi digno de um clube com a história do Botafogo e tampouco com as possibilidades que a equipe tem dentro da Copa do Brasil. É preciso que os botafoguenses _ os pessimistas, os céticos e os mal-amados _ que alguma coisa acontece em General Severiano. E é muito boa!
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O FUTURO DE KAKÁ

Mais uma vez, o Kaká foi convocado para a Seleção Brasileira. Noves fora a volta do Adriano, resultado do que tem feito com a camisa do São Paulo e da recuperação do amor próprio (coisa antiga!), o grande nome desta lista é o Kaká. E a grande dúvida também. A quem deve ficar inquieto com a palavra dúvida sobre o Kaká, a explicação é tão simples quanto óbvia: com o ocaso, temporário diga-se, de Ronaldinho Gaúcho, ele precisa vestir a roupa de principal nome da Seleção Brasileira. Houve uma época em que as pessoas assistiam aos filmes mais preocupadas em saber quem eram os atores e menos com a história.

O Kaká é o jogador capaz de aumentar a confiança do torcedor, mas é necessário que ele demonstre e queira isso. Convido você blogueiro a voltar no tempo. Lembrará nesta curta viagem que o Kaká pediu dispensa da Seleção Brasileira na Copa América do ano passado, quando o Brasil foi campeão com um sapeca-iá-iá sobre a Argentina. Alegou cansaço. Estava no seu direito.

Passou o tempo e agora o Kaká não dá a menor demonstração de que gostaria de disputar as Olimpíadas. Sempre que perguntado dá respostas nebulosas e joga para cima do Milan o poder de decisão. Mas e ele? Quer jogar pelo Brasil? Até agora, eu não vi o Kaká demonstrar este interesse. Um jogador com o seu currículo e o seu peso dentro do clube pode muito bem chegar e ter uma conversa olho no olho com o todo-poderoso Berlusconi e mostrar o que pensa. Sem meias-palavras tem o direito e folha salarial para dizer o que pensa, o que quer e o que pretende.

Esta posição ambígua em nada ajuda. Corre o sério risco de jogar no lixo, para alguns, a imagem de bom moço cultivada nos campos e fora deles. Que o Dunga tem pelo seu futebol o apreço que merece, eu não tenho dúvidas. Mas cá entre nós: bem que o Kaká poderia justificar este apreço que não é apenas do Dunga. do contrário, a imagem e o jogador entrarão em conflito.

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SANTO NÍLTON

Poderia escrever sobre várias coisas. Da volta do Adriano à Seleção Brasileira até a idéia de aumentar a idade mínima para as transferências de jogadores, proposta pelo Ministério dos Esportes, e que quase nenhum interesse despertou. Talvez pelo fato de o ministro Orlando Silva ter falado sobre o assunto numa sexta-feira, durante o Arena SporTV, apresentado pelo Cleber Machado. Tem a segunda rodada do Campeonato Brasileiro e, como acontecerá até o fim do ano, jogo interessante é o que não falta. O que mais chama a atenção é este Palmeiras x Internacional, no Palestra Itália, que reúne dois times frustrados. Sonharam com a conquista da Copa do Brasil e tropeçaram diante do bem montado time do Sport.

Mas nesta sexta-feira estes assuntos do "Mundo da Bola" _ que já foi nome de programa de rádio _ não merecem tanta atenção assim. Aviso aos mais novos e de memória curta que o dia 16 de maio marca o aniversário de Nílton Santos. Quem? Perguntará aquele blogueiro não muito afeito a livros, grafia correta e modos gentis. Nílton Santos, que foi chamado, enquanto desfilou elegância e técnica pelos mais diversos gramados do "Planeta Bola", de "Enciclopédia". O que? Antes de existir o Google, a melhor maneira de saber sobre a Revolução Francesa; conhecer a vida de Beethoven ou desvendar os caminhos do navegador Cristovão Colombo era consultar uma..............enciclopédia.

Pois o futebol do Nílton Santos te ensinava a como se comportar em campo. Era uma viagem. Daquelas sem turbulência, atraso nos aeroportos e má educação das e dos atendentes. Foi um prazer vê-lo jogar e me considero ainda mais privilegiado por um fato singelo: na praia do Leblon, lá pelo começo dos anos sessenta, o Nílton Santos era o ídolo da garotada que frequentava aquele pedaço de areia em frente à rua Carlos Góis. No campo exalava técnica e ali, diante daqueles meninos petrificados com a presença de um sujeito famoso, perdia horas jogando os meninos no mar e fazendo com que todos se divertissem.

Nesta sexta-feira, o Nílton Santos completa 83 anos. A saúde tem aplicado uns dribles que ele, enquanto jogava, não levou. Tem a seu lado a companheira de muitos anos, dona Maria Célia, e também o apoio do Botafogo, encabeçado pelo presidente Bebeto de Freitas. A data de hoje não é apenas para ser comemorada pelos botafoguenses _ o Nílton só vestiu a camisa do clube e da Seleção Brasileira _, mas por todos que amam o futebol. Não sei se ele vai ouvir, mas por favor gritem: Parabéns pra você!
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