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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
O CRAQUE ZIDANE

A passagem do Zidane pelo Brasil foi inversamente proporcional ao que apresentou enquanto não tinha pendurado as chuteiras: breve. Pena que a exibição tenha sido numa quadra pequena e com um tom festivo. Estava ali o último craque que o futebol mundial viu atuar desde a aposentadoria do Maradona. Pode soar exagerado para muitos, mas o Zidane se encaixava no conceito de craque que carrego pela vida. Resultado de muito do que vi e ouvi sobre o que é um craque.

Na minha ficha para ser considerado um craque, o Zidane preenche todos os itens. Foi decisivo quando necessário, brilhante sempre e nem a expulsão diante da Itália, na final da Copa de 2006, é capaz de tirar o seu brilho ou manchar uma carreira irretocável. A discussão sobre quem é craque e quem não movimenta qualquer conversa sobre futebol. Não vou entrar no mérito sobre os dias de hoje, que se caracterizam pela pressa em muitas análises.

SANGUE AZUL

|O empate com o Caracas só deixou uma certeza para o Cruzeiro: tivesse com a equipe completa e poderia ter obtido os três pontos. A limitação no número de jogadores, imposta pelo elevado número de jogadores lesionados, deixou quem entrou em campo um tanto o quanto preocupado em não correr riscos. Quando foi para o ataque e abriu mão dos exagerados cuidados com a cautela, o Cruzeiro mostrou que não está na Libertadores a passeio.
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MUITO BARULHO POR NADA

Havia uma certa expectativa sobre o desempenhdo do Flamengo na partida com o Nacional. Compreensível. Trata-se do time de maior torcida, que fez investimentos altos para a temporada de 2008, e mostrava alguns jogadores com faniquitos de quem se considera estrela e não pode ser contrariado. Teve até jogador dizendo que "futebol é coisa para macho", o que só demonstra que o sujeito está fora do seu tempo. Foi-se a época em que estas coisas tinham importância ou alguém era melhor do que o outro alguém exatamente por conta da virilidade. Frqase antiga, conceito equivocado e que o mundo de hoje rebate ou ignora.

O resultado não surpreendeu. O Nacional não pisou o gramado do Maracanã com a certeza de que sairia do estádio, umas quatro horas depois, com três pontos na bagagem. Não há exagero algum em afirmar que o Flamengo tem amplas condições de passar à próxima fase da Libertadores. Nada mais natural, especialmente pelo nível dos adversários e pela capacidade do elenco rubro-negro. E, por favor, entendam que não estou a escrever que o Flamengo ganhará o título.

A tensão que dominou o ambiente do clube nas últimas semanas pode ter contribuído para que algumas cabeças iluminadas do clube _ e lá existem muitas _ entendam que os percalços na Libertadores não precisam ser tratados como um ato de tragédia grega. O Flamengo, como qualquer outro clube, está sujeito a estas intempéries.

IMPRECISÃO

O funcionário que é novo na repartição e quer mostrar serviço geralmente se dá mal. Derruba o cafezinho, oferece chopp para o chefe que é abstêmio e esquece do final da piada, sem graça, que contara antes. Ou seja, ele é um desastre e só começa a ser observado pelas confusões que cria.

No jogo do Santos contra o San Jose, os atacantes Pinto e Molina _ funcionários novos _ foram mais prejudiciais do que favoráveis para o Santos. E olhem que o Molina cruzou a bola para o Kleber Pereira marcar o único gol do Santos. Em outras jogadas, no entanto, eles, por quererem mostrar serviço, prejudicaram o time. É caso para uma boa conversa do Emerson Leão com ambos. Noves fora a imprecisão desta dupla, o Santos cansou no final. Não entrarei aqui na discussão sobre jogos na altitude. Sou mais um a considerar desfavorável para quem sobe, mas entendo que já passou da hora a divulgação de um estudo detalhado mostrando no que prejudica e como se pode enfrentar a subida sem maiores prejuízos. Enquanto isso não acontece, a discussão tem muito acho.

O DA VEZ

Há um dado interessante nesta história dos atacantes do Fluminense. No começo do Campeonato Estadual, enquanto o Dodô era um espectador privilegiado com lugar cativo no banco de reservas, o nome da vez era o Leandro Amaral. Repetia a performance mostrada no Vasco da Gama e nem parecia que o seu destino estava sub judice.

Pois em seguida ao Leandro Amaral chegou a vez do Dodô. Abriu a caixa de golaços e começou a fazê-los das mais variadas formas. Tinha uma fratura no meio do caminho e agora o Dodô será um espectador privilegiado. Longe do campo e diante da tevê.

E aí chegou a vez do Washington. O que tem feito de gols só justifica o investimento feito pelo clube. E quem prestou a atenção no gol marcado pelo Libertad reparou que o Washington estava na área. Do Fluminense. O tempo é pouco, mas a certeza inversamente proporcional: o Fluminense acertou em contratá-lo.
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VALE A PENA VER O THIAGO NEVES

Quem não teve a chance de ver o desempenho do Thiago Neves diante do Vasco da Gama perdeu uma boa oportunidade de acompanhar o que se espera de um jogador talentoso, jovem e criativo. Enquanto esteve em campo, o Thiago Neves mostrou que é possível harmonizar vários conceitos, para alguns incompatíveis, na busca pela melhor atuação.

A diferença que um jogador versátil é capaz de fazer a favor do seu time dá uma vantagem a equipe na qual ele atua impressionante. O jogo do Fluminense com o Vasco da Gama não foi uma exceção nos desempenhos recentes do Thiago Neves com a camisa do tricolor. Fico impressionado com a onipresença, que contagia o restante da equipe. A continuar desta maneira, o Thiago Neves tem tudo para estar entre os relacionados pelo técnico Dunga para as Olimpíadas de Pequim.



VOLTA POR CIMA

A arrancada do Santos mostra que o time perdeu aquela insegurança que o caracterizava nos últimos tempos. É bom observar que o temor foi colcoado de lado e melhor ainda ver que o projeto existente na Vila Belmiro para revelar alguns jogadores não recuou. Sem a necessidade de que tenhamos sempre um novo substituto do Robinho ou do Diego.
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VALE A PENA VER O THIAGO NEVES

Quem não teve a chance de ver o desempenho do Thiago Neves diante do Vasco da Gama perdeu uma boa oportunidade de acompanhar o que se espera de um jogador talentoso, jovem e criativo. Enquanto esteve em campo, o Thiago Neves mostrou que é possível harmonizar vários conceitos, para alguns incompatíveis, na busca pela melhor atuação.

A diferença que um jogador versátil é capaz de fazer a favor do seu time dá uma vantagem a equipe na qual ele atua impressionante. O jogo do Fluminense com o Vasco da Gama não foi uma exceção nos desempenhos recentes do Thiago Neves com a camisa do tricolor. Fico impressionado com a onipresença, que contagia o restante da equipe. A continuar desta maneira, o Thiago Neves tem tudo para estar entre os relacionados pelo técnico Dunga para as Olimpíadas de Pequim.



VOLTA POR CIMA

A arrancada do Santos mostra que o time perdeu aquela insegurança que o caracterizava nos últimos tempos. É bom observar que o temor foi colcoado de lado e melhor ainda ver que o projeto existente na Vila Belmiro para revelar alguns jogadores não recuou. Sem a necessidade de que tenhamos sempre um novo substituto do Robinho ou do Diego.
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AMISTOSO E VOLTA NO TEMPO

Cinquenta anos atrás, a Seleção Brasileira conquistou o seu primeiro título mundial. De lá para cá tudo se transformou e o Brasil acumulou outros ganhos. Aquela rapaziada de 1958 comunicou o título por telegrama ou através de um telefonema, que deve ter levado horas para completar. A atual Seleção Brasileira já conseguiu jogar no lixo aquela imagem cultivada ao longo dos dias na conturbada Weggis _ apenas enquanto os brasileiros lá estavam _ e depois na Alemanha.

Foi um trabalho longo e vitorioso. A conquista da Copa América, diante de uma Argentina completa e credenciada pela boa campanha, ajudou a recuperar, junto ao torcedor, ainda mais o prestígio da Seleção Brasileira. Claro que será necessário um ótimo desempenho na próxima Copa do Mundo para que ele se sinta absolutamente recompensado pela turma da camisa verde e amarela.

Enquanto a Copa da África do Sul não chega é interessante observar como andam alguns jogadores que não foram bem na Copa da Alemanha e pagaram a conta pelo resultado ruim. Não há mais quem fale em Cafu e Roberto Carlos, embora a disputa pelas duas laterais esteja totalmente aberta, assim como não se sente falta do Adriano ou do Ronaldinho Gaúcho. Omito o outro Ronaldo, o Fenômeno, simplesmente pelo fato de que no momento ele não está em condições de disputar uma posição. E esclareço: o ciclo do Cafu e do Roberto Carlos terminou no instante em que árbitrou apitou o fim da partida com a França.

Prefiro me concentrar nos dois atacantes citados no parágrafo anterior. Não faço parte da turma que vê um Ronaldinho Gaúcho no Barcelona e outro na Seleção Brasileira. Com as duas camisas, ele já teve boas e más atuações. Foi espetacular dentro dos dois uniformes, mas há tempos que não cosnegue fazer, no Barça e na Seleção, as jogadas espetaculares que sempre caracterizaram suas atuações. Não sei quanto tempo levará para voltar a ser aquele jogador, mas o fato de ficar fora da Seleção Brasileira deve ajudá-lo. A refletir. Se observar que não há perseguição e tudo é determinado pelo critério técnico, o ganho será imenso.

O outro jogador que também, daquela Copa para cá, ainda não conseguiu decolar foi o Adriano. Vejo que se esforça ao máximo no São Paulo, mas o jogo está travado. Precisa estar 101% bem para render. Até agora, noves fora a dedicação, ainda não conseguiu. Enquanto estes dois não decolam outros aparecem. É bom que eles não pensem que o nome, apenas o nome, garantirá o retorno de ambos à Seleção. Este tempo já passou.

PARABÉNS PRA VOCÊ

A festa do torcedor do Clube Atlético Mineiro não deve se limitar somente a terça-feira, ao dia 25 de março, ou ao mês. Tem que ir além. Ano em que se comemora o centenário merece festa pelos seus 365 dias. E quem torce pelo Atlético Mineiro tem mais é que comemorar. Talvez seja difícil para muitos entenderem, mas o torcedor não torce pelo time. Ele torce pelo clube e este se coloca acima dos onze que entram em campo. Este tem história. Caso do Atlético Mineiro. Parabéns!
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AMISTOSO E VOLTA NO TEMPO

Cinquenta anos atrás, a Seleção Brasileira conquistou o seu primeiro título mundial. De lá para cá tudo se transformou e o Brasil acumulou outros ganhos. Aquela rapaziada de 1958 comunicou o título por telegrama ou através de um telefonema, que deve ter levado horas para completar. A atual Seleção Brasileira já conseguiu jogar no lixo aquela imagem cultivada ao longo dos dias na conturbada Weggis _ apenas enquanto os brasileiros lá estavam _ e depois na Alemanha.

Foi um trabalho longo e vitorioso. A conquista da Copa América, diante de uma Argentina completa e credenciada pela boa campanha, ajudou a recuperar, junto ao torcedor, ainda mais o prestígio da Seleção Brasileira. Claro que será necessário um ótimo desempenho na próxima Copa do Mundo para que ele se sinta absolutamente recompensado pela turma da camisa verde e amarela.

Enquanto a Copa da África do Sul não chega é interessante observar como andam alguns jogadores que não foram bem na Copa da Alemanha e pagaram a conta pelo resultado ruim. Não há mais quem fale em Cafu e Roberto Carlos, embora a disputa pelas duas laterais esteja totalmente aberta, assim como não se sente falta do Adriano ou do Ronaldinho Gaúcho. Omito o outro Ronaldo, o Fenômeno, simplesmente pelo fato de que no momento ele não está em condições de disputar uma posição. E esclareço: o ciclo do Cafu e do Roberto Carlos terminou no instante em que árbitrou apitou o fim da partida com a França.

Prefiro me concentrar nos dois atacantes citados no parágrafo anterior. Não faço parte da turma que vê um Ronaldinho Gaúcho no Barcelona e outro na Seleção Brasileira. Com as duas camisas, ele já teve boas e más atuações. Foi espetacular dentro dos dois uniformes, mas há tempos que não cosnegue fazer, no Barça e na Seleção, as jogadas espetaculares que sempre caracterizaram suas atuações. Não sei quanto tempo levará para voltar a ser aquele jogador, mas o fato de ficar fora da Seleção Brasileira deve ajudá-lo. A refletir. Se observar que não há perseguição e tudo é determinado pelo critério técnico, o ganho será imenso.

O outro jogador que também, daquela Copa para cá, ainda não conseguiu decolar foi o Adriano. Vejo que se esforça ao máximo no São Paulo, mas o jogo está travado. Precisa estar 101% bem para render. Até agora, noves fora a dedicação, ainda não conseguiu. Enquanto estes dois não decolam outros aparecem. É bom que eles não pensem que o nome, apenas o nome, garantirá o retorno de ambos à Seleção. Este tempo já passou.

PARABÉNS PRA VOCÊ

A festa do torcedor do Clube Atlético Mineiro não deve se limitar somente a terça-feira, ao dia 25 de março, ou ao mês. Tem que ir além. Ano em que se comemora o centenário merece festa pelos seus 365 dias. E quem torce pelo Atlético Mineiro tem mais é que comemorar. Talvez seja difícil para muitos entenderem, mas o torcedor não torce pelo time. Ele torce pelo clube e este se coloca acima dos onze que entram em campo. Este tem história. Caso do Atlético Mineiro. Parabéns!
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APRENDAM COM O MARCOS E O WASHINGTON
Tem uma rapaziada que dá plantão no mundo da bola que não é muito afeita a essas coisas da memória ou de lembrar do que passou, uma maneira sempre interessante para se entender o que acontece. Sou de uma outra ala desse bloco que todos os dias vai para as ruas. Cada um com sua fantasia e seu samba-enredo preferido.

Pois logo depois da criação do lead _ aquelas 10 linhas que abrem as matérias publicadas nos jornais _, a camisa nove do Fluminense passou a ser definida como a...."camisa com cheiro de gol". E foi assim durante décadas. Do Flávio, o primeiro a fazer um gol movido por uma liminar, até o Washington, que dividia com o Assis o papel de Casal 20.

Naquele período de tropeços e tombos do Fluminense, a mística da camisa praticamente caiu em desuso. E surge agora com um sujeito que parece ser um boa praça, daqueles que se você encontrar na fila do banco é capaz de puxar um dedo de prosa: o Washington. Pois quem o viu diante do Mesquita, na noite de quarta-feira, ficou impressionado com a vocação do atacante para desperdiçar oportunidades. Parecia um especialista em não fazer gols.

Não é jogador refinado e tampouco tem com a bola a intimidade do Conca ou do Thiago Neves, os dois regentes do Fluminense. Mas sabe fazer gols e a noite de quarta-feira pode ser considerada uma exceção. O que mais me chamou a atenção foi a sinceridade do Washington à saída do campo. Deixou os repórteres mudos com as definições sobre o seu desempenho. Há tempos, nós perdemos o hábito de conviver com declarações sinceras. E quando elas acontecem, o espanto gera o mutismo. Foi o que se passou com aquela platéia que ouvia o atacante dizer que tivera uma atuação para ser esquecida. Não marcou enquanto a bola não rolava, mas fez um golaço ao deixar o gramado.

Outro que é profissional da sinceridade é o goleiro Marcos, do Palmeiras. Quem o viu falando à saída do campo, após a vitória sobre a Portuguesa, percebeu o quanto exala sinceridade. Nada ofensivo ao interlocutor, pois muitos confundem sinceridade com grosseria. O Marcos afirmou que já estava meio que conformado com o empate, quando saiu o gol do Jorge Preá. Mais uma exceção neste mundo de fantasia.

O ELEITO

A cada estréia _ com a camisa do Internacional, com a camisa do Milan ou da Seleção Brasileira _, o Alexandre Pato só reforça a certeza de que ele será um grande jogador. O gol que marcou contra a Suécia mostra o quanto tem intimidade com a bola e sabe combiñá-la com picardia e malícia. Nada mais natural que seja o titular da Seleção Brasileira olímpica. Ainda é cedo para se imaginar o mesmo com o uniforme da principal.

Está tudo muito bom e muito bem. Só uma coisa me deixa com urticária: na entrevista coletiva do Dunga, após o 1 a 0, alguém perguntou ao treinador da Seleção Brasileira se o Pato merecia uma placa no estádio do Arsenal. Calma minha gente que o leão é sem dente, como cantava o outrora Jorge Ben e atual Benjor. Vamos valorizar as placas. Banalizá-las, como acontece com a maioria das coisas, seria de um exagero constrangedor com o próprio Pato.
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A SAÍDA DE CENA DE ROMÁRIO

Há uma geração, que navega na internet com a destreza do Kelly Slater e manda mensagens pelo celular com a velocidade de um Lewis Hamilton que tem no Romário o seu maior ídolo no futebol. São jovens que cresceram ouvindo os mais velhos falarem que boa era a Seleção de 58 _ no que concordo _ que a de 70 foi a mais completa _ e tem o meu voto _ e que a de 82 merecia melhor sorte _ palavra que o futebol odeia _, mas só puderam gritar é campeão quando um sujeito baixinho e de nariz em pé, muito bem coadjuvado, foi determinante para a conquista do Brasil na Copa de 94 e o fim de um jejum sem títulos.

O sujeito a quem me referi no parágrafo anterior foi batizado com um nome pouco comum, assim como sempre foi pouco comum a vocação para fazer gols. Na história recente do futebol, e ai entram as gerações que já mencionei, o Romário foi, talvez, o personagem mais emblemático. Não pensem que estou a cultivar o gosto pela comparação, prato do dia deste elenco da terra de palmeiras e sabiá. Mas o que vejo é o peso do Romário em cima de algumas gerações. Entre a Copa de 94 e os dias de hoje, o menino que soltava pipa e paquerava a menina do 706 já virou um homem, ganha o seu sustento e alguns pensam até em casar _ em outras épocas era constituir família.

Pois este elenco que mal sabe o significado da palavra inflação, não tem a menor idéia de que já houve plano de expansão para comprar um telefone e tampouco que era possível alugar uma tevê colorida, tem o Romário como um ídolo e o cara capaz de resolver a situação do time nos momentos mais difíceis. Além disso um outro detalhe contribui para deixar o Romário naquele lugar especial no coração dos torcedores: ele jogou no Brasil.

Depois de várias temporadas na Europa, ele se transformou num ídolo ao alcance da mão. Foi visto dando expediente no Maracanã, Morumbi, Mineirão, Serra Dourada, Beira-Rio e tantos outros estádios. Evidente que a adoração por alguém que está perto _ o ódio também _ aumenta muito mais. Não sei o que ele pensa por ora, mas tenho uma certeza: de técnica e frases o futebol ficará mais pobre no instante em que o Baixinho transformar a carreira num retrato na parede.
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RODADA SEM SURPRESAS

O São Paulo não sofreu e o Corinthians teve que suar muito mais do que imaginava. Mesmo assim, a última rodada do Campeonato Paulista se desenha como a mais emocionante de todas. Exatamente pelo fato de que será aquela com o poder de definição sobre todas as vagas.

Quem acompanhou o jogo do São Paulo teve um ótimo exemplo de como um time define uma partida e depois fica a administrá-la. Foi o que aconteceu em Bragança Paulista. Após fazer 2 a 0, o São Paulo simplesmente fez o tempo passar. Não se desgastou e tampouco correu riscos. Há algum tempo o time demonstra que melhora a cada partida. Quem se preocupa apenas com os resultados tem dificuldades para perceber o tamanho desta evolução. Acredito que o Muricy Ramalho também perceba esta evolução.

Já o caso do Corinthians é diferente. Falta ainda aquela confiança para fazer um resultado de forma categórica. Tinha à frente um advesário que não pode ser considerado o mais difícil, mas cortou um dobrado. Evidente que Mano Menezes ainda terá muito trabalho, mesmo que o time se classifique para as semifinais.

Menos trabalho terá Vanderlei Luxemburgo. Tempos atrás, o técnico disse que confiava na equipe e a resposta veio em forma de vitórias. Melhor ainda continua a ser observar o Valdívia em ação. Cada vez mais solto e preocupado em jogar para o time, ele é fundamental para este time.

O ARMANDO NOGUEIRA É DEZ

Entre os muitos golaços que aconteceram no Maracanã o de ontem foi mais do que especial. Fora das quatro linhas, distante do grande público, mas com uma platéia formada por fina, elegante e sincera. Desde o domingo 30 de março, do ano da graça de 2008, o Poeta do Esporte batiza a Tribuna de Imprensa do estádio mais famoso do mundo. Quem lá for e pegar o celular dirá que está na Tribuna Armando Nogueira.

Um golaço do estádio e uma homenagem mais do que justa a quem plantou o bem, cultivou o bom caratismo e fez parceria com a doçura. O Armando Nogueira merece!
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A HORA DO CRUZEIRO




Esta fase da Libertadores caminha para o seu final e não é exagero afirmar que o time do Cruzeiro tem amplas condições de conquistar o título da competição. Não sei como ficará na classificação geral, mas quem tem acompanhado a equipe já pode observar que ali está um time de futebol. Houve uma época em que o futebol brasileiro, jogado no Brasil, diferenciava-se dos outros pela excelência dos seus jogadores. Como a saída se acentuou, o mercado interno teve que tomar outra direção.

E é neste aspecto que entra o jeito de atuar do Cruzeiro. O Adílson Batista, embora estivesse fora do país, entendeu rapidamente que o jogo coletivo faz-se cada vez mais necessário. Concetra-se no jogo bem jogado, em função da pequena presença de jogadores que podem fazer a diferença, o segredo para se tentar vitórias e títulos. Quem já acompanhou o Cruzeiro nesta competição teve a oportunidade de perceber o quanto a bola rola de forma coletiva e coordenada. Não dá para dizer quem faz a diferença no time do Cruzeiro. Há um instante em que brilha o Ramires, outro que aparece o Guilherme, outro que se destaca o Marcelo Moreno.

Ño atual momento, o futebol brasileiro não tem nenhum craque, embora os otimistas e cultores da banalização enxerguem aqui e ali jogadores que merecem a chancela da palavra. Mesmo assim, o jogo não perde a sua beleza. Já vi alguns grandes jogos _ do Cruzeiro; do São Paulo; do Palmeiras; do Botafogo; do Internacional e do Grêmio _ e em todos destacou-se o coletivo. Este é o novo caminho do futebol. Claro que há espaço para o jogador diferente, mas ele areia.
Moreno.

No atual momento, o futebol brasileiro não tem nenhum craque, embora os otimistas e cultores da banalização enxerguem aqui e ali jogadores que merecem a chancela da palavra. Mesmo assim, o jogo não perde a sua beleza. Já vi algumas grandes partidas _ do Cruzeiro; do São Paulo; do Palmeiras; do Botafogo; do Fluminense: do Internacional e do Grêmio _ e em todos destacou-se o coletivo. Este é o novo caminho do futebol. Claro que há espaço para o jogador diferente, mas ele está cada vez mais raro.
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O PODER DO MURICY

Quando os jogadores não acreditam no que seu técnico diz, independentemente da modalidade esportiva, o caminho para as vitórias fica mais longo, cheio de obstáculos e deixa a maioria das estradas brasileiras mortas de inveja. Na noite de quarta-feira, o Morumbi sofria com aquele ataque contra defesa em que se transformou o jogo do São Paulo Paulo contra o Luqueño.

Naquela fase em que torcedor já roía o sabugo, o outro ligava para a farmácia em busca de um remédio para a pressão e menina ameaçava terminar o namoro simplesmente pelo fato do rapaz ter trocado o cinema pelo jogo, o Muricy Ramalho, que irradiava ânimo à beira do campo, gritou: "Joga a bola na área". Solta, a frase pode parecer o slogan do desespero de alguém que não sabia mais o que fazer para suplantar aquele sólido sistema defensivo _ em outras épocas chamado de ferrolho ou retranca.

Pois é aí que está o engano. O pedido do Muricy não era sinal de desespero. Ele apostava no que o seu time treina _ e aí tem que acompanhar ou se interssar para ssaber _ e também no que é mais importante: sabe que os seus jogadores acreditam no que ele diz. Do contrário, eles continuariam a entrar no toque ou no chute de mia ou longa distância. Fico neste ponto por considerá-lo vital para o sucesso de um time ou de qualquer outro lugar em que exista um grupo de pessoas e um líder. Se não acreditarem no que ele diz, a busca pela vitória será muito mais dolorosa e nem sempre alcançada.

A vitória do São Paulo tem o mesmo significado para os jogadores do resultado que o Boca conseguiu sobre o Colo Colo semana passada. Foi o resultado da obsessão de um time pela vitória. O mais importante para o Muricy foi constatar que aqueles jogadores acreditam no que ele diz. Não tem preço para um técnico este bem. Quando acontece o contrário, o sujeito pode treinar cinquenta horas, estudar outras trezentas e nada vai acontecer.

O mesmo se aplica ao Fluminense. Em fevereiro, o clichê dizia que o grupo do tricolor era o da morte. E agora tem a melhor campanha da Libertadores. Falam muito do Thiago Neves, mas esquecem do Conca; exatam o Gabriel, mas observem o que está jogando o Júnior César. Enfim, o Fluminense tem um time bem montado e dirigido por um técnico Renato Gaúcho que consegue se fazer acreditar.

BERLINDA

A suspensão de uma partida para os jogadores do Flamengo tem cheiro de decisão política, o que não é bom para a imagem do Tribunal de Justiça. Saiu do alarido de julgamentos anteriores para tímidas punições, que só reforçam nos que sentaram no banco dos réus a idéia de que não fizeram nada demais. Ninguém amanhã pode reclamar quando um deles repetir o comportamento adotado naquela partida. Saíram do julgamento com a certeza de que estavam certos e o os outros errados.

COPA DO BRASIL

O Palmeiras fez o dever de casa com a eficiência de quem pretende brigar pelo título. Já o Botafogo pode tirar lições interessantes da derrota para o River. A maior delas de que nem sempre o jogo de toque para lá e cá dará resultados. É necessário mudar o perfil em determinadas situações e foi o que jogo em Bacabal pediu.
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O COMPORTAMENTO DO SANTOS

A semana termina e a discussão sobre o fato de o Santos escalar jogadores reservas diante da Pote Preta não se encerrará com o horário das seis da tarde de domingo. A viagem para o México e o fato de o Santos não ter mais a aspiração de ficar entre os quatro mais bem classificados do Campeonato Paulista foram determinantes que o Emerson Leão optasse por este caminho.

Não vejo nada de errado na decisão do técnico do Santos, mas fiquei impressionado com a repercussão do assunto. Quem olhar com um pouco de serenidade para a questão verá que o Santos não comete nenhum erro. Apenas demonstra que sua preocupação no momento é a Taça Libertadores. Nada mais justo e natural.

Enquanto isso o Corinthians não deve nem sequer insinuar que deixou de disputar as semifinais por conta de um tropeço do Santos diante da Ponte Preta. A começar pelo fato de que a PP tem condições de derrotar não apenas os reservas do Santos, mas também o tíme titular. Basta olhar a campanha feita no Paulista para se perceber o tamanho da força desta Ponte Preta. O grande entrave do Corinthians, que interrompeu o flerte com as semifinais, foi o empate com o Juventus. Este é o resultado que faz falta.

ARTILHEIRO MORENO

O boliviano é um centroavante de ofício. Este tipo de jogador não atua nem bem e nem mal. Ele faz gols. Desde os tempos das peladas de rua, o Marcelo Moreno só entra em campo para mandar a bola para o fundo das redes. Cumpre este papel com a eficiência necessária e, por conta deste aproveitamento, transformou-se em peça fundamental no time do Cruzeiro. Tanto quanto é o Vagner e um jogador a quem poucos prestam atenção: Marquinhos Paraná.
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AS FINAIS DO EQUILÍBRIO


Essa história de favorito no futebol é mais para alegrar o torcedor do que qualquer outra coisa. Quando se olha para as semifinais do Campeonato Paulista, a tendência é colar esta palavra no Palmeiras. Afinal, o time demonstrou nos últimos jogos uma evolução e um crescimento de fazer inveja a qualquer outro concorrente no estado de São Paulo.

Não penso desta forma e tenho alguns motivos para justificar a quebra no coro. O maior deles estará do outro lado do campo. Vejo que de uns tempos para cá o São Paulo é olhado meio de esguelha. Criou a idéia, por conta dos resultados obtidos, de que é uma equipe imbatível e capaz de superar os adversários sem muita dificuldade.

Só que estes três primeiros meses do São Paulo foram bem diferentes de outros. A começar pelo fato de que alguns reforços não renderam o que deles era esperado e tampouco outros jogadores, que por lá já estavam, foram eficientes como em outras ocasiões. Vale ressaltar que dos reforços, o Adriano mais tem agradado do que decepcionado. Foi contratado para fazer gols e os tem marcado com a regularidade e constância que se espera de um atacante do seu porte.

O que vai acontecer nas semifinais é imprevisível, mas dá gosto ver no Palmeiras, noves fora o Valdívia, como alguns jogadores, desde que cobrados, rendem bem. Vejam o caso do Léo Lima. Tinha optado pela saideira, como ele mesmo admitiu, e foi necessário que alguém o encostasse na parede para começar o flerte com aquele Léo Lima de anos atrás. O mesmo se aplica ao Denílson, embora este ainda esteja distante daquele jogador de outras épocas.

A mesma imprevisibilidade caracteriza o confronto entre Ponte Preta e Guaratinguetá. Vale a pena prestar atenção nos dois times e aceitar a idéia de que nenhum dos dois está ali por acaso. Muito pelo contrário.

CARIOCAS SÃO BACANAS

O melhor do Campeonato Carioca acontecerá nas semifinais da Taça Rio, assim como aconteceu nas semifinais da Taça Guanabara. São dois clássicos capazes de pararem com a cidade. Para o Botafogo, o grande desafio será mostrar que tem um elenco composto de jogadores com vocação para a vitória. A semana se apresenta como importante exatamente por isso. Além da decisão de domingo, o time tem outra: na quarta-feira diante do River, no Engenhão.

O time do Vasco da Gama não é a oitava maravilha do mundo. Está longe disso e peca por escolher volantes como o Jonílson. É um modelo de jogador à caminho da extinção. Faz um esforço danado para roubar a bola do advdersário e depois entregá-la para o rival mais próximo e, então, aplicar aquele carrinho que é tolerado pelos homens que um dia só se vestiam de preto.

Já o Fluminense tem um drama: a ausência de Washginton. Não dá para responsabilizar o Renato Gaúcho pelo desfalque, mas valia a pena ter pensado que ser artilheiro na Libertadores é mais interessante do que no Estadual. Enquanto isso, o Flamengo pode ser considerado o time mais arrumado de todos. Tem a base do ano passado e dois laterais que fazem a diferença. Difícil, mas não impossível, batê-lo.

AP SHOW

Caminhava pela redação com os óculos de leitura repousados sobre o nariz. Na mão direita o cigarro, velho companheiro de guerra, e na esquerda o cafezinho. A voz rouca era doce e o olhar para a vida ainda mais. Não tinha ares de professor e tampouco dava lições. Apenas conversava, ponderava, sem elevar o tom de voz, e...........ensinava. A mim e a tantos outros. Jamais se recusou a servir o saber e a inteligência aos com sede e menos dotados. Foi um dos melhores.

Aos 82 anos, Aparício Pires, o Apashow, morreu de câncer. Foi o homem que deu ao senhor Carlos Roberto de Oliveira um outro nome sem a necessidade de passar por um cartório: Roberto Dinamite.
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O DESAFIO DO FLAMENGO

Não sou chegado a fazer previsões, mas dificilmente o Flamengo ficará de fora da próxima fase da Libertadores. Terá que cometer muitos erros, apresentar-se de forma desordenada e perder o rumo para não permanecer na competição para a qual aumentou a folha salarial, reforçou o time e voltou a sonhar com uma viagem para o Japão.

A confiança na permanência do Flamengo na competição mais importante do continente não vem de achismo ou pelo simples fato de ser o Flamengo. Muito pelo contrário. Tenho a convicção de que o time irá em frente simplesmente pelo fato de que possui um elenco em condições de, mesmo em situações adversas, derrotar o Cienciano. Não vou entrar na discussão sobre a altitude, que carece de pareceres de especialistas, mas lembro que três semanas atrás o San Lorenzo derrotou o Real Potosi, de virada, nas alturas. Uma vitória do Flamengo nesta quarta-feira não pode ser considerada surpresa para ninguém.

REGULAMENTOS

Quem anda pelas ruas, seja de carro ou a pé, já cosntatou que o problema do Brasil não é de falta de leis, mas sim de cumprir as que já existem. Nota-se, a cada dia, uma enorme difculdade no elenco verde e amarelo em respeitar as leis. Há uma boa parcela desta gente bronzeada que tem valor com incrível vocação para transgredir. Nem se dá mais conta disso, pois transgride com a mesma facilidade com estaciona o carro em cima da calçada, atravessa fora a rua com sinal fechado para pedestres e tem horror a pronunciar as palavras obrigado e pro favor.

A indignação de alguns clubes paulistas com o regulamento desta fase do Campeonato Paulista não procede, na medida em que assinaram um regulamento e concordaram com tudo o que estava escrito. É apenas mais uma cena da vida brasileira e o futebol em nada se difere dela.
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A VIDA ATRIBULADA DO SÃO PAULO

O que acontece na rotina de um clube de futebol não difere muito do dia a dia de uma empresa. Há quem se goste, quem se odeie e quem apenas tolera o companheiro de trabalho. É assim que acaminha a humanidade e, às vezes, cria-se a idéia de que no futebol tudo pode ser diferente. Por esta razão volta e meia alguém quer saber como anda o ambiente e tenta criar uma relação de causa e efeito: bom ambiente é sinônimo de vitórias e conquistas. Trata-se de mais um equívoco. O ambiente pode não ser bom, com jogadores distantes e divididos, tal e qual nas empresas, mas os resultados são considerados satisfatórios.

Vejam o caso do São Paulo. Ao olhar o atual cenário do clube é possível imaginar que nada dará certo de agora em diante. O meia/ponta Hugo quer ir embora; o Fábio Santos e o Carlos Alberto trocaram sopapos e o Juninho, contratado no início da temporada, já é íntimo da rapaziada do Departamento Médico. Está longe daquele Juninho do Botafogo, que foi um dos mais votados para ser o melhor na posição.

O desejo do Hugo de trocar de clube talvez seja o mais preocupante entre todos os outros. A pior coisa é você ter alguém insatisfeito, que não vê mais nenhuma graça naquele ambiente. Será aproveitado nos próximos jogos, mas a insatisfação não deixará de existir. Já as cenas de pugilato entre o Fábio Santos e o Carlos Alberto não surpreendem. Revelam apenas dois jogadores que perdem o senso na primeira falta e desprezam as palavras no conflito. Preferem dentes e músculos.

Quem não perde o senso é o Rogério Ceni, que tem pedido a reintegração de ambos. Até agora, os dois não justificaram suas contrações. O Fábio Santos encarna um tipo de volante que cada vez tem menos espaços no futebol e o Carlos Alberto estacionou. Entre um começo de carreira promissor e o presente existe uma diferença absurda. A conta bancária vai bem e ele está mal. Muito mal. Por mais que lute e corra quando entra em campo fica evidente que mais atrapalha do que ajuda. Perder a um e a outro não pesa muito para o São Paulo, mas há um detalhe e aí entra o Rogério Ceni: o elenco do São Paulo sofre de inanição. Precisa de quantidade e, no caso dos dois, despreza a qualidade.
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O RUMO DO GRÊMIO

Deve ser horrível a sensação de ver um semestre acabar logo no nono dia do quarto mês da temporada. Quem acompanhou a decisão nos pênaltis, entre Grêmio e Atlético Goianiense, teve uma pequena demonstração de orgulho e respeito. Orgulho nos momentos que antecederam ao início das cobranças, em que o coral preto e azul misturava o hino do Rio Grande do Sul _ hábito comum entre os torcedores gaúchos _ e o do clube, que tem versos de Lupicínio Rodrigues. Respeito pelo fato de aquela multidão não ter abandonado o time nem um minuto sequer enquanto houve esperança.

O encerramento da história não foi o que ninguém, exceto os torcedores do Atlético Goianiense, esperavam. O Grêmio viu ruir um semestre em pouco mais de 120 minutos de jogo. No domingo, ao longo de 90 minutos, o sonho de chegar à final do Campeonato Gaúcho também mergulhou, sem bóia, no Rio Guaíba. Nestas horas o que mais um clube precisa é de serenidade. De primeira, o culpado, no olhar apressado que tanto caracteriza o futebol, é o Celso Roth. Será?

Há quem olhe para o Celso Roth é já sentecie que ele não é o técnico ideal para nenhuma equipe. Tenho cá minhas dúvidas. Existem outros do mesmo naipe, que não recebem a mesma indignação. Muito pelo contrário. São mais exaltados do que observados com a atenção que um olhar crítico merece. Em situações deste tipo melhor do que trocar de comando é sentar à mesa e tentar descobrir os erros. Trocar o comandante nem sempre impede que o barco continue a afundar.

LIBERTAS QUE....

Não se trata de vestir a roupa do Policarpo Quaresma, aquele nacionalista personagem criado pelo Lima Barreto, mas todos os times brasileiros envolvidos na Libertadores têm condições de brigarem pelo título. Vejam o que fizeram nesta etapa da competição e não há nenhum exagero na observação.

De todos os resultados da quarta-feira, o mais empolgante foi o do Flamengo. A quem está habituado com o expressões turfísticas: o Flamengo venceu com o chicote debaixo do braço. O sapeca iá-iá foi daqueles chancelado por um rótulo preto. Parecia que o Cienciano jamais jogara na altitude. Ao mesmo tempo, a derrota do Fluminense preocupa. Fosse o Renato Gaúcho e pegaria o vídeo-teipe da partida. O discurso que antecedeu ao jogo caracterizou que ele não tinha importância e os jogadores entenderam muito bem. Tanto que viram o passeio dos reservas do Arsenal sem nenhuma reação.

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DECISÕES ANTECIPADAS

O fim de semana do Campeonato Carioca mostra dois clássicos que servem como decisões antecipadas. Têm o mesmo sabor do jogo entre São Paulo e Palmeiras no Campeonato Paulista. Poucos colocam o Vasco da Gama no mesmo nível do Fluminense, seu rival deste sábado, do Botafogo e do Flamengo. Não desafino o coro dos contentes, mas tenhos uns acessos de rouquidão quando olho para o time treinado pelo Antônio Lopes.

Entra nesta semifinal com o peso de ainda não ter vencido nem um clássico sequer neste campeonato. Desconfio que esta é uma preocupação muito maior de quem não assina a súmula e escreve sobre o assunto. Não é de hoje que temos preocupações absolutamente ignoradas por jogadores, dirigentes e técnicos. Quando o Vasco da Gama pisar o gramado do Maracanã, o fato de o time ainda não ter somado três pontos cotnra os outros grandes do estado não entrará em campo. Ficará em algum ponto do estádio.

O que me chama a atenção neste time do Vasco da Gama é a sisudez com que seus jogadores atuam. Não os vejo descontraídos e aqui não vai nenhuma insinuação de que o jeito "odara" de ser _ salve Caetano Veloso! _ é o melhor comportamento para um time de futebol. Vejo a equipe muito tensa _ encontrei a palavra _ e, creio, com o jogo influenciado por entrar em campo desta forma.

Já o Fluminense é diferente. Tem a leveza necessária para uma equipe de futebol, aliada a dois jogadores especialmente talentosos: Conca e Thiago Neves. Ambos são capazes de desequilibrarem uma partida e uma consulta aos arquivos deste campeonato mostra o quanto o Thiago Neves e o Conca, notadamente o primeiro, já fizeram dentro da competição. A presença deles certamente aumenta a confiança do Fluminense. Nada mais natural do que sentir-se seguro quando tem alguém para transmitir a segurança.

As possibilidades de o Fluminense vencer a partida são maiores do que as do Vasco da Gama, o que significará muito pouco quando a bola rolar. Mas do lado tricolor existe gente capaz de num lance ganhar o direito a foto na primeira página dos jornais e entrevistas nas tevês no dia seguinte. Esta é a grande vantagem do Fluminense e para neutralizá-la o Vasco da Gama precisará apresentará um jogo coletivo que até agora não foi visto.

Os confrontos recentes entre Botafogo e Flamengo trouxeram para o jogo o mesmo clima que o cercava nos anos sessenta. É uma rivalidade que se percebe nas esquinas, becos e ruas. Tenho um amigo que já perdeu o sono por conta do jogo. Anda de implicância com o relógio, pois acha que a hora não avança. Tem a impressão de que o dia passou a ter 48 horas, pois o danado do domingo não chega.

Este será um jogo mais equilibrado do que o marcado para sábado, mas tem uns pontos que merecem ser observados. Vejo que o torcedor do Botafogo recuperou o orgulho de torcer pelo time e mostrar nas ruas a sua paixão. Antes achincalhado por conta de administrações descompromissadas com a história do clube, o Botafogo, a partir da entrada do Bebeto de Freitas, passou a andar para a frente com a cabeça erguida. Entrará no Maracanã com este sentimento e, creio, já descobriu que a cabeça no lugar será fundamental para obter um bom resultado.

Já o Flamengo tem um dos elencos mais completos do futebol brasileiro. Opções que sobram para o Joel Santana não sobram para o Cuca. Além disso, o Renato Augsto _ um dos mais promissores jogadores do futebol brasileiro _ está se reencontrando com aquela fase de tempos atrás quando desequilibrava uma partida a favor do seu time.

SÃO PAULO X PALMEIRAS

Tem gente que não vai acreditar, mas o São Paulo jogava bem e criou várias situações para fazer o seu gol, quando o o Audax fez o primeiro. Tal e qual o mundo, o futebol não tem nenhum vínculo com a palavra justiça. Muito pelo contrário. Não foi o primeiro jogo nesta temporada que isso aconteceu. Em outros, o São Paulo entrou no vestiário sem os três pontos e esta sensação deve ser horrível. Acaba com o humor de todos.

O desfecho do Palmeiras na fase de classificação do Campeonato Paulista foi mais empolgante do que o do São Paulo. Teve um começo cheio de pedras no caminho e hoje sabe superá-las, quando elas aparecem. Mas nada disso é garantia de três pontos. E o Vanderlei Luxemburgo sabe muito bem disso. Há quem desconfie da tese de que uma concentração mais longa aproxima os jogadores e permite ao técnico observá-los melhor. Não concordo e o Vanderlei, que entende dessas coisas mais do que eu, também. Por esta razão, ele levou o time para Atibaia. Nada de novo no front. Fez isso várias vezes no Corinthians. E venceu.

Bom fim de semana para todos
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A CARA DO TREINADOR


Na vitória do Botafogo sobre o Flamengo ficou evidente que há uma identificação dos jogadores com o seu técnico. Em silêncio, como convém para se obter resultados satisfatórios, o Cuca trabalha o seu time e deixa o botafoguense cada vez mais otimista. Desnecessário fazer comparações com a equipe do ano passado, pois aquela possuía talentos individuais que desequilibravam a favor do alvinegro.

A derrota para o Botafogo em nada muda a vida do Flamengo. Atribuí-la, única e exclusivamente ao cansaço pela viagem para o Peru, é minimizar a atuação do adversário e querer jogar para debaixo do tapete alguns problemas que existem no time. A começar pelo fato de que alguns jogadores têm oscilado mais do que o normal. Até agora o Marcinho ainda não decolou e o mesmo comentário cai bem no Jônatas. Tem futebol para ser titular da equipe, mas ainda não justificou a sua volta.

Este confronto entre Botafogo e Fluminense se caracterizará pelo equilíbrio. Diante do Vasco da Gama, o Fluminense não teve uma boa atuação. A maior questão para o técnico Renato Gaúcho é pensar em alternativas para um time que se perde quando Thiago Neves e Conca são anulados ou marcados com mais atenção. Foi o que aconteceu no sábado. Bem diferente do Vasco da Gama de outras fases do Campeonato Estadual, o time treinado pelo Antônio Lopes conseguiu neutralizar o tricolor.

As justificativas usadas pelo Palmeiras para a vitória do São Paulo não cabem. Associar o resultado ao fato de o Adriano ter marcado um gol com a mão _ sou dos poucos que acreditam não ter havido intenção do atacante _ é exagerar na valorização do desempenho do trio de arbitragem. Foi um dos jogos mais disputados na temporada e isso ficou em segundo plano. Criou-se o hábito, que já beira o vício, de só se falar dos erros e acertos dos árbitros. O jogo jogado pouco importa e fica sempre em segundo plano.

Exceto pelo Muricy Ramalho ninguém falou do desempenho do Hernanes, que hoje pode ser relacionado entre os melhores jogadores em atividade no Brasil. Vejam como se apresenta para as jogadas de ataque e como se posiciona bem na hora de marcar. O mesmo se aplica ao Adriano. Sabe cada vez mais usar o corpo e faz gols que deixam os zagueiros em atividade por cá confusos. São poucos os atacantes que ostentam o corpanzil de Adriano e a dificuldade para marcá-lo é cada vez maior.

É muito difícil um grande jogador atuar mal duas vezes seguidas. Pode ser essa uma das esperanças do Palmeiras para o segundo jogo contra o São Paulo. No Morumbi, o meia esteve irreconhecível. Não criou e esteve longe de ser o jogador determinante de todo o Campeonato Paulista. O único mérito foi o de ter provocado dois desfalques no São Paulo: Richarlysson e Zé Luís receberam o terceiro cartão amarelo e não atuam no Palestra Itália.

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O CRAQUE DE PERTO

Em emocionada entrevista ao repórter Bruno Côrtes e exibida no SporTV News, na noite de terça-feira, a cantora Teresa Cristina deu a nota certa: "o Romário foi o craque que eu vi jogar de perto". Entre lágrimas, com a camisa do Vasco da Gama, clube pelo qual torce, Teresa Cristina ainda lembrou que foi colega de turma do Romário no primário. Gente humilde, que ficou famosa, mas não perdeu a humildade.

Ao dizer que Romário foi o craque que viu atuar de perto, a Teresa Cristina tocou em uma questão que explica o carinho do torcedor brasileiro pelo Romário. De uns tempos para cá, o jogador passou pouco tempo no Brasil e muito mais tempo lá fora. O próprio Romário teve esta trajetória, mas quando retornou para o Flamengo e ainda jogou no Fluminense e no Vasco da Gama, o Romário comprou um lugar certo no coração do torcedor.

Deu a todos, não apenas aos que frequentam o Maracanã, o direito de assistirem ao desempenho de um craque. De um jogador que foi determinante para uma conquista de Copa do Mundo e encantou pessoas rigorosas, como o holandês Johan Cruiff. O torcedor pode contar nos dedos quantas vezes viu o Ronaldo, o Fenômeno, no Maracanã ou o Ronaldinho Gaúcho no Morumbi. Eles foram embora e sedimentaram as carreiras longe da terra de palmeiras e sabiá. Com o Romário foi diferente e pela voz da Teresa Cristina a gente soube disso.
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DERROTAS QUE ENSINAM

Os elogios ao futebol apresentado pelo Internacional e pelo Cruzeiro não saem do nada. Se justificam na medida em que estas equipes já mostraram o quanto podem render numa temporada. Mas eis que tem uma noite de quarta-feira no meio do caminho e o Cruzeiro leva uma sapeca iá-iá do Real Potosí e o Internacional sucumbe diante do Paraná.

Nem tudo o que acontece na vida tem explicação. Pelo menos para o degas aqui que se encontra com o inexplicável por várias vezes. Nada que tire o animo na busca por uma resposta com princípio, meio e fim. O Cruzeiro que vi em Potosi estava divorciado do Cruzeiro que vi em outros jogos deste ano da graça de 2008. Parecia um time formado por jogadores que foram apresentados um ao outro no vestiário. Não descarto a possibilidade de um ou outro ter perdido para a altitude, mas cá entre nós faltou alguma coisa.

O mesmo se aplica ao Internacional. Tenho um amigo torcedor do time e ele estava perplexo com o comportamento da equipe. Está à procura do Internacional que viu em alguns jogos do Campeonato Gaúcho. Não sei o que aconteceu, mas ficou claro para mim que há tempos o futebol brasileiro deixou de possuir times que ganham o jogo na véspera. O colorado foi eleito o favorito da Copa do Brasil e o Paraná seria apenas um coadjuvante de luxo. Sei que o Abel Braga não acreditou nisso, mas tem sempre um jogador mais crédulo e o resultado é a descaracterização da equipe.

O saldo que fica após as trombadas da noite de quarta-feira é de que será necessário muita conversa para que estes times não percam o rumo.
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