VELHA IMAGEM E NOVO TEMPO Em nada, a atual situação é estranha para o Ronaldo. Quando cruzou a sala para conceder a entrevsita coletiva, eu _ não sei se ele também _ voltei no tempo. Lembrei de oito anos atrás, quando o Ronaldo passou pela mesma situação. Não tenho o dom de saber o que passa pela cabeça das pessoas e tampouco a pretensão de fazê-lo, mas as palavras do Ronaldo merece uma reflexão.
Foi coerente ao dizer que não sabe se vai retornar aos gramados e soltou uma frase que explica o que poderá acontecer quando a recuperação terminar: "se não sentir mais dores, eu vou pensar". Dores. Esta é a palavra mágica. Durante uma boa parte da carreira do Ronaldo, elas se tornaram intímas do seu corpo. É possível que tenha perdido o número de dias e horas que já passou na vida sentindo dor.
Quando praticamente condiciona a volta aos campos a diminuição das dores, o Ronaldo demonstra o quanto tem sido sacrificante esta vida de atleta. E o ponto é exatamente este. A cena de ontem e as dos próximos meses em nada serão novidades para o Ronaldo. Ele sabe todo o roteiro desta história e conhece algumas falas. Dos médicos e dele. O problema é descobrir ou redescobrir que valerá a pena ter paciência para a fisioterapia e continuar como jogador profissional. Esqueçam aquele Ronaldo de 2002 e não pensem que este ainda existe. Como qualquer outra pessoa _ e o Ronaldo, mesmo quando fenonemal, sempre foi um homem normal _ , ele é vítima do tempo. Brigar contra é um suicídio e aceitá-lo passivamente é outro.
Pelos próximos 13 meses, o Ronaldo estará longe do noticiário e, creio, aproveitará o tempo para, além de se recuperar, pensar no que quer fazer desta vida. Não me chamo Acácio e tampouco tenho vocação para conselheiro, mas sugeriria que ele pensasse que a história com bola, a rotina de vestir o uniforme, marcar e perder gols ainda não se encerrou. Tem muito o que fazer pelo futebol, como sempre fez.
SALVER O PRAZER Não entendo muito o espanto com as boas atuações do Roger com a camisa do Grêmio. Devagar com a louça. O rapaz sempre foi bom de bola e não tem culpa se colaram uma etiqueta na sua testa com a palavra chinelinho escrita. Apuração mais rigorosa _ algo em extinção nestes dias de busca pelo barulho _ mostrará que as contusões sofridas pelo meia sempre foram graves. Fazia a sua melhor temporada, em 2005, quando sofreu uma lesão daquelas que a imagem será eternamente chocante.
Qual um peregrino esteve aqui e ali e agora no Grêmio mostra o que sabe fazer: jogar bola e jogar futebol, que são coisas distintas. O que ele precisará é atuar cada vez mais. Longe das lesões e com prazer em entrar em campo, o Roger é um meia _ posição a caminho da extinção _ que mais alegra do que decepciona.
MINHA ALMA CANTA É domingo de decisão na Taça Guanabara. A pergunta que mais ouvi nesta semana foi sobre quem ganhará a partida. Não tenho a menor idéia. Se for esmiuçar uma equipe e outra serei óbvio e entendiante. Espero apenas que o árbitro não se transforme numa estrela da partida. No mais, os jogadores do Flamengo e do Botafogo, assim como o Cuca e o Joel Santana, sabem exatamente o que fazer.
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