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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
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TEMPOS DE CÓLERA

De uma hora para outra, o Thiago Neves foi transformado no maior vilão da história recente do futebol brasileiro. Quanto exagero! O rapaz foi sincero, o que é um crime nos dias atuais, e vai pagar esta conta por um longo tempo. Seria muito interessante que todos refletissem sobre o próprio comportamento nos dias atuais. Há um espírito belicoso, um vício em criar a intriga, estimular a provocação e esquentar o clima de qualquer partida como se só assim o grande clássico pudesse ganhar sabor e emoção. O clássico não se basta. Sem estes ingredientes, ele é apenas mais um jogo. Quanta pobreza!

Nesta semana de Flamengo e Botafogo decidindo a Taça Guanabara, eu fico a imaginar o quanto o Joel Santana, técnico do Flamengo, e o Cuca, técnico do Botafogo, estão preocupados com uma declaração que possa desembarcar na Gávea ou em General Severiano e provocar um terremoto que a Escala Richter não consegue medir. Pena que tenhamos chegado a este ponto, mas parece um caminho, pelo menos por hora, sem saída.

Fico decepcionado ao constatar que os jogadores de futebol cada vez mais serão burocráticos em suas declarações. Na verdade, o culto ao disse me disse não é exclusivo do futebol. Tempos atrás, o ator Selton Mello, à época do lançamento do filme Meu Nome não é Jonny, concedeu uma entrevista e a maneira que trataram o que disse ao invés de estimular o debate sobre o conteúdo transformou-se em conversa de boteco.

O caso deste clássico do domingo, por exemplo, se enciaxa nos tempos atuais. Há uma preocupação em fazer com que alguém dê uma declaração "bombástica". Só assim o jogo terá sabor. Vejo de outra forma. O jogo já tem um sabor especial em, no caso específico do Botafogo, terá ainda mais se o Departamento Médico do clube conseguir deixar o Jorge Henrique e o Zé Carlos em condições. O Flamengo está pronto e ansioso. O Botafogo apenas ansioso.

SANDÁLIAS DA HUMILDADE

Sempre que o Fluminense estava em alta, o Nélson Rodrigues calçava as "sandálias da humildade". Caminhava quilômetros, milhas e léguas com elas. Pois o Renato Gaúcho poderia pensar a respeito. Sei que não foi desta forma que ele chegou ao topo, o que torna muito difícil o exercício da humildade. Mas vale lembrar que um dos grande dribles do ser humano é quando ele consegue se reiventar. O discurso que aponta na direção dos jogadores quando o time não se sai bem mais separa do que agrupa. E aí a palavra grupo perde e peso e importância.
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VIDAS DISTINTAS

O São Paulo ainda não chegou ao ponto que o Muricy Ramalho deseja para a temporada e pode ser que leve muito tempo para que isso aconteça. Especialmente para atender o padrão de exigência do técnico. Mas a situação não é tão dramática quanto a do Santos. Este, noves fora as perdas, sofre com a insegurança de alguns jogadores e a fase ruim de outros.

Dos jogadores que o São Paulo contratou para este temporada, o Adriano foi, até agora, o que mais rendeu. Mesmo com o descontrole diante do Domingos _ criou um golpe que em qualquer esquina é definido como cabeçada, mas em salões acarpetados apenas visto como tentativa de agressão _, o Adriano mostra que é um atacante com características especiais. Daquelas que não são muito comuns e, por isso, tornam a marcação sobre os seus movimentos mais complicada.

O Joílson e o Juninho ainda não repetiram o que fizeram no Botafogo. O primeiro, desde a época do Cabofriense, é jogador para se ficar no pé. Como tanto gosta o Muricy Ramalho. Sai fácil do espírito de uma partida e necessita o tempo inteiro de que alguém lembre do compromisso pela vitória. Adotado o comportamento será possível para o São Paulo ter um jogador em condições de ajudar o clube nas competições deste ano.

Já com o zagueiro Juninho a situação é diferente. No Botafogo, ele levou tempo para se firmar e ao fazê-lo mostrou o quanto é bom zagueiro. Bom. Nada excepcional, mas as boas companhias no futebol, na vida também, ajudam. No caso do Juninho ele tem o Miranda, zagueiro que não tem nenhum apreço por jogar deitado, o que o coloca, SEM COMPARAÇÕES!, com alguns dos melhores defensores produzidos na terra das palmeiras e do canto do sabiá. Vai ser ótimo para o Juninho esta parceria, mas por ora ainda é cedo para colocá-lo no topo.

Com o Santos acontece exatamente o contrário. Não é necessário enumerar os jogadores que saíram do time. Mais importante do que a perda é o jogador que você contrata. Os reforços não estão no mesmo nível dos que saíram e a perda do Kleber, agora operado, só deixa o time ainda mais fragilizado. Só não é justo culpar o Betão pela atual fase. Todo erro e todo acerto devem ser divididos.
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CONVERSA SEM NEXO

O pior diálogo é aquele travado entre duas pessoas que não querem escutar o que o outro tem a dizer. Por mais que tentem ser claros nas suas explanações, eles não se entendem. O desfecho é cada um caminhando para um lado e com a certeza de que ali é impossível chegar a um acordo. Vejam o caso deste goleiro do Fluminense, com nome de Presidente da República: o Fernando Henrique.

Há de um lado uma torcida que o considera um dos mais fracos goleiros da história do clube e volta ao passado de Félix a Castilho, passando por Paulo Vítor, para justificar tanta restrição ao desempenho do FH sem o C. Tratam-no como se fosse incapaz de ocupar a posição e a desconfiança vem do tempo em que o sociólogo Fernando Henrique passou a faixa para o Luís Inácio Lula da Silva. Existe razoável dose de exagero nas considerações dos tricolores, mas ninguém quer saber disso.

Do outro lado do ringue _ em conversas desse tipo o cenário transforma-se em ringue _ está o Fernando Henrique. Ao vê-lo fica claro que não se abate com as críticas. Muito pelo contrário. Sobra-lhe a confiança dos destemidos e aí mora o problema. O Fernando Henrique não é goleiro de botão que a torcida quer crucificar e tampouco o Taffarel que ele imagina ser. Fica difícil então a conversa se desenvolver.

No jogo de quarta-feira contra a LDU, o Fluminense tem mais é que comemorar o ponto graças ao auxilio luxuoso do Fernando Henrique. Depois do jogo, o técnico Renato Gaúcho afirmou que ele é o titular absoluto da posição. Ponto para o Renato.

NA GUIA

O empate do Palmeiras trouxe uma velha frase de volta ao futebol. "Cautela e caldo de galinha não fazem mal a ninguém". Não tenho dúvidas de que o Palmeiras vai seguir em frente com menos sustos, mas é evidente que haverá pedras no caminho. Resta saber como ultrapassá-las.

Vai ser difícil o Corinthians jogar bem nesta fase. Essas coisas levam tempo e o mais provável é que o elenco sofra alterações até o começo da Série B. Enquanto isso não acontecer a paciência da torcida terá que ser redobrada.

ÍDOLOS DE ONTEM E HOJE

Foi bonita a homenagem do Atlético Paranaense aos jogadores do time de 49, responsáveis pelo apelido de Furacão. Aplausos para eles e também para os jogadores desta equipe que só consegue uma coisa|: fazer o torcedor bater no peito e a com a potência de um tenor gritar Atlético.
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UM JOGO E MUITAS LIÇÕES

Foi uma noite para o Cruzeiro, jogadores e o técnico Adílson Batista, não esquecerem. Desde o começo da temporada, o time tem tido atuações que em nada lembraram a de ontem no estádio do San Lorenzo. Esqueçam a cantoria da torcida adversária, a beleza que é ver o D"Alessandro atuar e lembrem apenas que o Cruzeiro foi um time divorciado daquele jeito eficiente e plástico de atuar que o tem caracterizado nesta temporada.

Ainda no primeiro tempo, o Cruzeiro, apesar dos percalços, conseguiu lembrar aquela equipe de outros confrontos nesta mesma Libertadores. Mas só criou uma solitária oportunidade, quando mostrou ser capaz de trocar passes e concluir. O goleiro Orion defendeu o chute de Vagner e o Cruzeiro saiu de campo deixando a impressão de que o que vinha seria bem melhor do que o que passou.

Quanto engano! A tendência é sempre jogar a responsabilidade sobre um equívoco em cima do técnico, mas não entendo desta forma. Ao colocar Fernandinho no lugar de Vagner, Adílson Batista pensava em ganhar consitência na marcação pelo lado esquerdo da sua defesa e uma saída de bola com rapidez. Nem uma coisa e nem outra aconteceram. Perdido, sem saber muito bem o que fazer, apesar das orientações, Fernandinho passou 45 minutos correndo atrás da bola.

A outra substiuição também não surtiu o efeito desejado. Entrou Marcinho e saiu Guilherme. O primeiro é mais jogador, mas às vezes tropeça no preciosismo. O segundo é um especialista em decepcionar a platéia que tanto dele espera e aí o degas aqui pode ser incluído. Tem tudo o que se espera de um meia-atacante. Altura, ginga, toque e andar. Só que nada disso contribui para uma boa atuação. Ontem aconteceu de novo.

O melhor do Cruzeiro foi o trio formado pelo goleiro Fábio e os zagueiros Espinoza e Thiago Martinelli. Mas o melhor para o Cruzeiro foi o time ter atuado mal e não voltar para casa com uma derrota no puçá. Dá ao técnico Adílson Batista a chance de pensar sobre os problemas que a equipe apresenta e corrigi-los dentro da Libertadores.
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VELHA IMAGEM E NOVO TEMPO

Em nada, a atual situação é estranha para o Ronaldo. Quando cruzou a sala para conceder a entrevsita coletiva, eu _ não sei se ele também _ voltei no tempo. Lembrei de oito anos atrás, quando o Ronaldo passou pela mesma situação. Não tenho o dom de saber o que passa pela cabeça das pessoas e tampouco a pretensão de fazê-lo, mas as palavras do Ronaldo merece uma reflexão.

Foi coerente ao dizer que não sabe se vai retornar aos gramados e soltou uma frase que explica o que poderá acontecer quando a recuperação terminar: "se não sentir mais dores, eu vou pensar". Dores. Esta é a palavra mágica. Durante uma boa parte da carreira do Ronaldo, elas se tornaram intímas do seu corpo. É possível que tenha perdido o número de dias e horas que já passou na vida sentindo dor.

Quando praticamente condiciona a volta aos campos a diminuição das dores, o Ronaldo demonstra o quanto tem sido sacrificante esta vida de atleta. E o ponto é exatamente este. A cena de ontem e as dos próximos meses em nada serão novidades para o Ronaldo. Ele sabe todo o roteiro desta história e conhece algumas falas. Dos médicos e dele. O problema é descobrir ou redescobrir que valerá a pena ter paciência para a fisioterapia e continuar como jogador profissional. Esqueçam aquele Ronaldo de 2002 e não pensem que este ainda existe. Como qualquer outra pessoa _ e o Ronaldo, mesmo quando fenonemal, sempre foi um homem normal _ , ele é vítima do tempo. Brigar contra é um suicídio e aceitá-lo passivamente é outro.

Pelos próximos 13 meses, o Ronaldo estará longe do noticiário e, creio, aproveitará o tempo para, além de se recuperar, pensar no que quer fazer desta vida. Não me chamo Acácio e tampouco tenho vocação para conselheiro, mas sugeriria que ele pensasse que a história com bola, a rotina de vestir o uniforme, marcar e perder gols ainda não se encerrou. Tem muito o que fazer pelo futebol, como sempre fez.

SALVER O PRAZER

Não entendo muito o espanto com as boas atuações do Roger com a camisa do Grêmio. Devagar com a louça. O rapaz sempre foi bom de bola e não tem culpa se colaram uma etiqueta na sua testa com a palavra chinelinho escrita. Apuração mais rigorosa _ algo em extinção nestes dias de busca pelo barulho _ mostrará que as contusões sofridas pelo meia sempre foram graves. Fazia a sua melhor temporada, em 2005, quando sofreu uma lesão daquelas que a imagem será eternamente chocante.

Qual um peregrino esteve aqui e ali e agora no Grêmio mostra o que sabe fazer: jogar bola e jogar futebol, que são coisas distintas. O que ele precisará é atuar cada vez mais. Longe das lesões e com prazer em entrar em campo, o Roger é um meia _ posição a caminho da extinção _ que mais alegra do que decepciona.

MINHA ALMA CANTA

É domingo de decisão na Taça Guanabara. A pergunta que mais ouvi nesta semana foi sobre quem ganhará a partida. Não tenho a menor idéia. Se for esmiuçar uma equipe e outra serei óbvio e entendiante. Espero apenas que o árbitro não se transforme numa estrela da partida. No mais, os jogadores do Flamengo e do Botafogo, assim como o Cuca e o Joel Santana, sabem exatamente o que fazer.
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MAIS UMA PARA O FLAMENGO

Mais uma vez o Flamengo conquistou uma Taça Guanabara. Não discuto justiça no futebol, que é coisa que não existe e tampouco merecimento. O título do Flamengo é tão justo quanto seria o do Botafogo. Foi um daqueles jogos eletrizantes e o último lance culminou com uma bola na trave do Flamengo. Méritos para os jogadores do Flamengo e para o técnico Joel Santana e méritos para o Botafogo e também para o Cuca, que lutou até o fim, brigou e soube superar todas as suas limitações.

Pena que um jogo tão emocionante, disputado da forma mais leal possível e por dois times bem armados, novamente tivesse no árbitro uma figura preponderante. Não discuto o pênalti marcado por Marcelo de Lima Henrique até pelo fato de ter existido, mas é óbvio que aquele tipo de lance acontece o tempo inteiro na área. Quando quer, o árbitro marca e quando não quer, ele não marca. Foi o que aconteceu com o árbitro. Se quisesse, ele poderia ter marcado uma falta sobre Túlio, assim como poderia ter marcado o intencional recuo de Leonardo Moura, ainda no primeiro tempo, para o goleiro Bruno.

Noventa minutos tão movimentados mereciam deixar a arbitragem à parte. E no jogo jogado, o Flamengo teve um Ibson cada vez mais dinâmico e o discreto Juan sempre eficiente. Com estes dois jogadores à frente, o Flamengo não teve uma grande atuação mas soube compensar o desempenho irregular com esta incrível dedicação. E pelo lado do Botafogo, o desempenho de Diguinho e Wellington Paulista merece destaque.

O título deixa o Flamengo ainda mais tranquilo para disputar o segundo turno. Consolida a idéia de que o rubro-negro tem um dos melhores elencos do futebol brasileiro e vejam que neste domingo o time mudou com a entraqda de dois reservas: Kleberson e Diego Tardelli, autor do gol que garantiu o título. Vai o Flamengo para o segundo jogo da Libertadores ainda mais encorpado e com a certeza de que é um candidato a estar na final.

Pelo lado do Botafogo, noves fora o lamento de todos, a certeza deixada por esta equipe é que ela não pode se deixar abalar. Jogar no lixo, embora seja difícil, a idéia de que existe um complô contra o clube ou a tentativa deliberada de prejudicar o Botafogo. Não combina com a história do clube. Antes de pensar nestas questões o mais importante é observar que nos últimos três campeonatos estaduais o Botafogo esteve na final. Se deixar abater pela derrota ou sucumbir por erros de arbitragem não combina com a história do clube.
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AINDA BEM QUE CHORAM

Esse moços, pobres moços, não ouviram falar da Nara Leão. Dona de uma voz daquelas que te faziam ir para além do horizonte, ela chamava a atenção também pelos joelhos. Vejam como é de um tempo remoto. Os homens olhavam para os joelhos das mulheres, que tomavam picolé e frquentavam tardes dançantes regadas a milk-shakes. Pois estas lembranças me povoaram a cabeça e me deixam pelas tabelas desde o domingo quando vi o Bebeto de Freitas, o Cuca e os jogadores do Botafogo aos prantos.

Não creio que choravam apenas pela derrota para o Flamengo. Acredito que o pranto era mais profundo e não tenho leitura suficiente para desvendar o que determinou aquele desabafo coletivo. Começo pelas lágrimas e pelo comportamento do Bebeto de Freitas. Ainda não cruzei com ninguém _ e nos dois últimos dias estive em duas cidades, dois aeroportos, andei de táxi e caminhei por várias ruas _ que tenha visto no impulsivo comportamento do presidente do Botafogo um gesto que não mereça reparos. Muito pelo contrário. Marreta marretinha, marreto sim é o mínimo que dizem sobre a renuncia que deixaria o Jânio Quadros morto de inveja.

Pois o degas aqui vai na direção contrária, correndo o risco de colisão, e lembra que no DNA do Bebeto de Freitas estão João Saldanha e Heleno de Freitas. Cada um com seu cada um e cada qual com seu cada qual, eles foram brilhantes no que se propuseram a fazer ao longo da agitada existência. Jornalista que se preza tem no João Saldanha um dos seus ídolos e filósofo que olha para a vida também. O Heleno de Freitas, vivo fosse, seria um jogador para a Seleção Brasileira dentro do campo e um concorrente do David Beckham fora dele. Não tenho nenhuma dúvida de que ambos seria capazes de repetirem o gesto do Bebeto.

Ao vê-lo em prantos e renunciando, embora veja exagero e despropósito no gesto, eu respeito por não ter medo de mostrar, ao vivo e a cores para todo o Brasil, a sua dor. Está mais do que na hora de pararmos com esta idéia de que no futebol existem homens sem sentimentos e que o choro só é bem visto nas comemorações. O Bebeto chorou e será lembrado muito mais por isso do que pelo que faz à frente do Botafogo. Até a sua chegada era um paciente terminal deitado no corredor de um hospital com pacientes, sem leito e médicos. Agora, o clube anda para a frente, cabeça erguida e passos firmes. Nem sempre isso é lembrado, mas o choro.....

O choro dos jogadores também é para ser respeitado. Dor é dor e só quando exposta em público é que sai no jornal. Do contrário ninguém toma conhecimento. Se o Botafogo entender o que significou o comportamento dos seus jogadores, ele terá muito a ganhar com isso. O problema reside na compreensão da história. Não foi por conta do pênalti marcado pelo Marcelo de Lima Henriques que o Botafogo foi derrotado pelo Flamengo. Foi por se descontrolar quando algo o desagrada que o time desandou. E aí está o xis do problema. O Botafogo precisa entender que ñão existe complô e que muitas vezes o árbitro vai errar contra e também a favor dele. A sua pior derrota em 2007 não teve nenhuma participação do árbitro, assim como a perda de uma vaga para a Libertadores. Os árbitros não erraram nos empates com o Juventude e com o América de Natal, ambos rebaixados para a Série B.

Passado a dor e a revolta, que caminham de mãos dadas no clube, a hora é de olhar para a frente e entender que as lágrimas do vestiário, bem usadas, podem se transformar no sorriso de amanhã. É só o Botafogo querer. Será que quer?
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À PROCURA DA BATIDA PERFEITA

Quem acompanhou o jogo do São Paulo viu que o Muricy Ramalho está à procura do tom que possa dar ao time o ritmo e a cadência perdidas após as saídas do Souza e do Leandro, especialmente este. Não é fácil encontrar o tom, ter todos os instrumentos afinados e dar um show capaz de fazer a platéia pedir bis. Diante do Atletico Nacional, o time mostrou problemas que antes não existiam e uma solução que antes não era tão eficiente: as bolas pelo alto.

Convido o leitor a prestar atenção no futebol do Éder Luís. O jogador que entrou no campo ontem está bem longe daquele que contribuiu para a permanência do Atlético Mineiro na Série A do futebol. Muitos motivos contribuíram para que o Éder Luís de ontem mais travasse do que decolasse. Era a primeira vez no novo time, não conhecia ninguém que estava ao seu lado e pode ser até que tenha esquecido o nome do companheiro mais próximo. Quando o efeito da novidade tiver terminado e a segurança retornado, o Muricy terá à disposição um jogador que poderá ajudá-lo de maneira efetiva.

MORA NA FILOSOFIA

O falso choro do Souza, uma clara provocação ao pranto botafoguense após a derrota na final da Taça Guanabara para o Flamengo, não merece tanta badalação. Nestes tempos de muita ação e pouco pensamento, o atacante até poderia ter a sensibilidade de não cutucar a dor alheia. Bastava se contentar com a paródia feita pela torcida do Flamengo. Nota 10 em criatividade e bom-humor.

O que não cabe é o Botafogo transformar isso em combustível para o próximo clássico. Desnecessário. Existem outras formas, mais eficiente e também refinadas, de se responder a uma provocação.
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INIMIGO DO MUNDO

Pelo que sei, o Adriano gosta de funk e pagode. Não me consta que tenha pelos versos do Cazuza interesse ou desejo de conhecer. Deveria. A audição de "Mal Nenhum" faria um bem enorme ao atacante, que teima em brigar com a carreira. Lá pelas tantas a voz meio rouca e sedutora do Cazuza canta que "não faz mal a ninguém a não ser a si mesmo".

É isso o que o Adriano faz com ele. Observamos um exercício de desamor diário, que deve preocupar os mais próximos e deixa perplexos os que não sabem dos seus dramas e de quantos tormentos se alimentam a alma do rapaz. Após um começo animador com a camisa do São Paulo, o que vejo é um centroavante estacionado. Não vai nem para a frente e tampouco anda para trás.

Quando desembarcou no São Paulo tinha a cercá-lo uma expectativa daquelas. E parecia que o Adriano iria corresponder a expectativa alheia. Mas o tempo passou e nada de relevante aconteceu. Na última partida do São Paulo, o Adriano não deu nem um chute a gol sequer. Tentou, mas não conseguiu. Evidente que foi um exagero a repercussão o fato de cruzar a sala de desembarque sem o uniforme do clube. Faz parte deste show do dia a dia, que mais se preocupa com a espuma do que com a água.

Mas cá entre nós: chegar atrasado ao treino da manhã, não treinar, sair repentinamente e caracterizar indisciplina em um clube que o acolheu e trata com o maior respeito é um pouco demais. Com a diretoria e com os companheiros. Com a Comissão Técnica. Que o Adriano sofre com os seus conflitos e crises é impossível garantir. Mas que ele deveria repensar sobre o que tem feito nos últimos tempos e descobrir se acredita ou não no que diz é imperativo para o Imperador.

Não creio que ele queira que o império se desfaça, mas é importante alguém convencê-lo, ou então descobrir por si só, que tudo nesta vida é passageiro. Até o motorista e o cobrador.

BOLEIROS

Este Corinthians x Palmeiras promete. Tomara que o papel do árbitro seja apenas de um mero coadjuvante. Não podemos perder o foco e ele passa por se falar do jogo e dos jogadores. Parece que há um vício em se preocupar com o que faz o árbitro e colocar em segundo plano o drible, o passe, o lançamento e o gol. Basta olhar para quem vai assinar a súmula e constatar que o elenco é capaz de fazer uma ótima partida. Que nada o atrapalhe.
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FALTA DE ASSUNTO

Quando o assunto mais comentado após um Corinthians x Palmeiras é a simualção de choro do Valdívia, depois de fazer o gol que garantiu a vitória do seu time, alguma coisa está fora da ordem. Quando uma declaração do William sobre a mania do Valdívia de amplificar determinadas jogadas, tal e qual um ator de quinta, para induzir o árbitro a marcar faltas, é levada em consideração como algo que motiva, está mais do que na hora de todos pararem e pensarem sobre o que pensam e dizem.

Mais se falou da comemoração do Valdívia do que da partida. Quando não é sobre o que o jogador fez após marcar um gol, o assunto dominante é a atuação do árbitro. Ninguém se dá conta, por favor não levem ao pé da letra, de que o futebol caminha para ser um figurante nas discussões após a rodada. Pouco se fala da maneira como o Palmeiras conseguiu neutralizar as jogadas do André Santos, como o Corinthians descobriu que tem um goleiro promissor, caso do Júlio César, e como o lado direito do Palmeiras sobe de produção a cada partida, especialmente pelo crescimento do Élder Granja.

O que importa é a discussão sobre a comemoração, que agora virou sinônimo de provocação, ou se o árbitro acertou mais do que errou ou o contrário. Tomara que seja feita uma reflexão sobre como estamos olhando para o futebol. Será que esta é a discussão que queremos para todas as segundas-feiras?

IMPERADOR IMPERIAL

Vem dos tempos das pantufas e das comemorações, o ditado pior a emenda do que o soneto. Pois foi esta frase que me veio à cabeça após a entrevista do Adriano, que decidiu culpar a tudo e a todos pelos seus problemas. Não sou daqueles que olha para a mídia como algo intocável e acima do bem e do mal. Mas cá entre nós: culpar os outros pelo que acontece em sua carreira só reforça a certeza de que a recuperação ainda vai levar muito tempo para acontecer.

EM SILÊNCIO

Aos sábios um pedido: olhem com mais atenção para o Internacional. Ao contrário da temporada passada, quando chamou Joana de João e errou de alvo, o Internacional deste ano aprendeu direitinho a lição. Tem um dos melhores times em atividade no futebol brasileiro no momento e um elenco que dá muitas opções para o técnico Abel Braga. O Internacional vai dar saba em 2008.
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QUE TREM É ESSE

Lá vai o Cruzeiro em busca de dias cadas vez melhores na Taça Libertadores. Não faltam motivos para justificar o entusiasmo com a campanha de um time que muitos não imaginavam se capaz de obter os resultados alcançados até agora. A explicação para a descrença que acompanhou o início da preparação do Cruzeiro é mais simples do que parece: estamos condicionados a só se entusiasmar com elencos formados por jogadores badalados ou conhecidos, mesmo que não sejam tão bons assim.

O Cruzeiro foi coberto exatamente por esta idéia. A começar pelo técnico. O trabalho do Adílson Batista chegou pela primeira vez a um clube com o tamanho e a biografia do Cruzeiro. Ninguém sabia o que ele pensava e tampouco o que pretendia. Nem sei se já sabem, mas uma coisa é certa: a sua maneira de olhar para o futebol é muito mais interessante do que outros técnicos que dão expediente à beira do campo e o resultado disso é um time vistoso, agradável de ver atuar e que não perde o faro do gol nem um momento sequer.

Diante do Caracas, a atuação foi mais um capítulo na sequência de boas atuações que o time tem apresentado nos últimos tempos. Os jogadores que fazem parte do grupo de selecionáveis para os Jogos de Pequim estão cada vez melhores. Casos de Ramires, Vagner, Charles e Guilherme. Mostram ao Dunga que podem, caso mantenham este nível, integrar o grupo para Pequim.

DUPLA PERSONALIDADE

Existem dois Santos. O do Campeonato Paulista vai, aos solavancos, tentando se manter à frente. Esbarra daqui e dali e agora deve pensar apenas em continuar na Série A do futebol de São Paulo. Nada tão desesperador assim, pois o time dá mostras de que tem condições de chegar a melhores resultados.

Já o da Libertadores é uma outra coisa. Até agora fez muito bem o dever de casa, o que dá mais confiança na hora que entra em campo. O que vai fazer na Libertadores é impossível de se prever, mas se insinua melhor do que o papel desempenhado no Paulista.
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FINO TRATO

O título do post de hoje caiu em desuso ao mesmo tempo em que desapareceram das certidões de nascimento os Baltazar, Emengarda, Orozimbo e Filomena. Se eu quisesse voltar no tempo, eu poderia lembrar também que era a época do sorvete dançante e da serenata. Estas lembranças me vieram à cabeça ao ver _ sei que não vou cansar _ os dois gols que o Dodô marcou contra o Arsenal e ouvi-lo na entrevista coletiva que concedeu após a partida.

Não adianta discutir que o auge na carreira de um jogador de futebol é servir à seleção do seu país. No caso da Brasileira, o orgulho, pelos títulos e o que representa, ainda é maior. Quando se dá o casamento da Seleção Brasileira com a disputa de uma Copa do Mundo, o jogador pode se considerar realizado. E nos dias atuais a combinação vem com uma transferência para a Europa de sobremesa ou logo no couvert.

O Dodô não será convocado para a Seleção Brasileira e tampouco atuará num clube de ponta da Europa. Qual a Carolina do Chico Buarque de Hollanda, o tempo passou. Necessariamente o Dodô não estava na janela, mas viu a chance para ser o pesonagem destas duas situações se perder pelos mais variados caminhoas do futebol. É uma pena para o futebol que o Dodô não tenha conseguido chegar lá, mas isso é o que menos importa no momento.

Não se pode é esquecer o que ele fez na noite de quarta-feira no Maracanã e, melhor ainda, saber que não é uma exceção na carreira do Dodô. Já o definiram como o "artilheiro dos gols bonitos" e nada mais justo do que ser chamado desta forma. É um hábito, cultivado pela maneira como o Dodô vê futebol. Faz parte de um grupo, seleto, de atacantes que não têm vergonha de mandar a bola na direção do gol. Esteja onde estiver, ele solta o chute sem vergonha e com uma precisão de matemático.

É uma bênção para o futebol que ainda exista um centroavante como o Dodô. Atacante que jogaria muito bem naquele tempo do primeiro páragrafo e que hoje mostra o quanto o futebol é algo que nem é tão difícil assim. Tomara que ele mantenha a elegância, dentro e fora do campo, e faça cada vez mais o que fez diante de 30 mil torcedores no Maracanã: gols com assinatura.

O GRITO

Ao marcar o segundo gol contra o Audax, o Adriano saiu, aos berros, em direção à torcida do São Paulo. Desabafou naquele trajeto até a linha lateral e deve ter acreditado que realmente é o Imperador. Nada cotnra. Só que seria muito bom se o Adriano pensasse na duração que pretende para este reinado, que só tem a ele como habitante. A destituição ou um golpe só acontecerão por iniciativa de uma pessoa: o próprio Adriano.
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JOGO DOS ERROS

O esclarecimento faz-se necessário antes de qualquer comentário precipitado: o pior resultado do Flamengo nesta Taça Libertadores foi o empate (0 a 0) com o Coronel Bolognesi, na estréia. Este placar, antes comemorado indevidamente, não ajuda em nada ao Flamengo e faz falta na tabela de classificação. Tivesse vencido e não estaria com a máquina de calcular na mão e apreensivo com o que pode acontecer no futuro.

A derrota de 3 a 0 passa pela infantilidade do Toró, que pensou estar na Gávea e deu um empurrão desnecessário no gândula. Demonstração tola de valentia e que se encaixa neste estranho código que rege o comportamento dos jogadores. Muitos acreditam que mostrar desejo de vitória é agredir o adversário. Foi exatamente o que fez o Toró. O prejuízo para o Flamengo foi enorme e aumentou com o cartão vermelho para o Leonardo Moura.

O placar pode induzir o incauto ou a quem não assistiu ao jogo e crer que o Nacional é um time capaz de brigar pelo título da Libertadores. Não é. Mas quando o adversário comete erros infantis, como a expulsão do Toró, tem dificuldades para se impor, o resultado só pode ser um 3 a 0, que ecoará por muito tempo na cabeça dos rubro-negros.

Que a derrota sirva para que o Flamengo pense sobre o que faz de certo e errado. Não cabe ignorar um resultado como esse. Ele tem muitos ensinamentos, desde que estejam todos dispostos a aprender e apreender.
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OLHO NESTE CLÁSSICO

Ainda tem jogador que não cosneguiu entrar em forma, mas a temporada já entrou no seu terceiro mês. Adversário da precipitação, eu prefiro a serenidade do que o elogio fácil ou a empolgação à venda em qualquer esquina. A maioria é cópia pirata da arte de elogiar e se encantar. Pois aposento, temporariamente, o comportamento vestido de preocupações para falar sobre o clássico deste domingo em Belo Horizonte: Cruzeiro x Atlético Mineiro. Estará em campo um dos times mais vistosos deste início de ano _ os outros são o Internacional e o Botafogo, quando completo _ e do outro um rival que prefere adoçar a o tutu e salgar o mineiro com botas.

Quem tem a paciência de acompanhar os posts aqui colocados bem sabe do encanto do degas com o time do Cruzeiro. Aos que ainda não viram o time treinado pelo Adílson Batista atuar, eu recomendo, tal e qual o Emerson Fittipaldi fazia naquele anúncio de televisão nos anos 70. Vê-se ali o dedo do técnico _ promissor integrante desta nova geração e sem a pompa e circunstância de muitos _ e também a presença de jogadores capazes de tocar a bola com objetividade e que trocam a pernada pelo passe ou o drible. Querem combinação melhor?

Tenho certeza que nesta altura, o torcedor do Atlético Mineiro há de pensar que esnobo a equipe treinada pelo Geninho. Em absoluto. Lamentável para o Atlético a ausência do Marques, mas por tratar-se de um clássico isso tem significado limitado, a partir do instante que a bola rolar. Não cairei na armadilha para apontar um favorito. O que sei: o melhor jogo deste fim de semana será em Belo Horizonte. Tem tudo para ser.
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CHEGADA E PARTIDA

Não poderia ser pior para o futebol _ nem menciono o Fluminense _ a contusão do Dodô. Parece coisa do destino. Ano passado, ele voava sem tirar os pés do chão e foi pego no exame antidoping. Vítima de uma legislação que merece contestatações aqui e ali ficou de fora de várias rodadas do Campeonato Brasileiro. O Botafogo acusou o golpe e o Dodô também.

Agora, quando vestido de uniforme fez uma exibição de fraque e cartola vem a contusão na face. Um pecado para quem tanto aprecia o refinado futebol de um jogador com jeito à moda antiga, mas com um futebol cada vez mais encantador no presente. Perde o Fluminense e perde o torcedor. Claro que de imediato para o time tricolor é muito pior, mas cá entre nós: não ter a certeza de que, em breve, será possível ver gols tão bem elaborados, tal e qual uma obra de arte, é também de tirar o apetite de faquir após quebra de recorde mundial.

Enquanto o Dodô sai de cena, o Renato Augusto volta. Foi uma boa surpresa vê-lo na partida de ontem, com sabor de treino, que o Flamengo fez contra o Americano, um enamorado do rebaixamento. Pela movimentação, a certeza que ficou é que o Renato Augusto será muito útil ao Flamengo nesta Libertadores, onde a falta de inspiração não é compensada pela transpiração. Outro que se insinua cada vez mais como candidato à vaga de titular é o Jônatas. Mesmo com o ritmo de treino, ele conseguiu se destacar.

FALTOU O GOL

Por mais que digam o contrário, o empate de 0 a 0 entre Cruzeiro e Atlético Mineiro mais frustrou do que agradou. Faltou o gol e não foi por ausência de empenho. Coisas que acontecem em um clássico, que teve uma vitória. Uma linda arquibancada, um lindo estádio e a certeza de que os dois times ainda farão muito mais na temporada.

ERROS E ERROS

Há uma nova geração na arbitragem de São Paulo, o que é muito bom. Mas sinto uma certa ausência de percepção no que acontece dentro de uma partida de futebol. Nem sempre a farta distribuição de cartões é a maneira mais eficiente para se impor dentro de uma partida. Existem outras formas de mostrar autoridade e os jovens árbitros, especialmente os do futebol paulista precisam entender isso. Muitas vezes se colocam no meio do olho do furacão sem a menor necessidade.

É situação bem diferente dos árbitros do Rio de Janeiro. Noto que há uma obsessão em apitar o tempo inteiro, como se assim fosse a melhor maneira de administrar um jogo. Vejo que não é bem por aí.
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CONVOCAÇÃO QUE NÃO SURPREENDE

Ao anunciar a relação de convocados para o amistoso que a Seleção Brasileria disputará o amistoso com a Suécia, o Dunga não surpreende. Mantém a coerência que pauta o seu trabalho desde o dia em que foi anunciado como técnico da Seleção Brasileria. Mesmo com vários jogadores em idade olímpica, a entrevista do Dunga me deu a certeza de que ele pensa, no que está certo, com mais atenção nas eliminatórias do que nos Jogos de Pequim.

Ensina o manual do bom planejamento que não se deve colocar uma competição à frente da outra. Há uma euforia com os Jogos de Pequim, absolutamente compreensível, mas a classificação do Brasil para a Copa de 2010 não pode ser colocada em segundo plano. Muito pelo contrário. Até agora, a Seleção Brasileira tem demonstrado uma eficiência absoluta em jogos das eliminatórias. Mesmo o empate fora de casa não pode ser considerado um absurdo.

Na relação que divulgou nesta terça-feira, o Dunga também listou jogadores com idade olímpica e aí se pode perceber que a geração brasileira tem muitos jogadores de qualidade. Dentre eles um jogador, em especial, me chama a atenção: o Rafael Sóbis. Pelo que leio e ouço, ele ainda não decolou no futebol espanhol, mas isso é uma questão de tempo. Trata-se de um atacante dos mais modernos que o futebol brasileiro viu nascer. Lembrem do Rafael Sóbis do Internacional e entenderão o que falo. Caso ultrapasse a barreira que uma mudança de cenário sempre apresenta, ele tem tudo para ser permanente nesta lista.

TEMPO, TEMPO, TEMPO

Ainda não encontrei que conseguisse precisar exatamente o que é o tempo. Mas não consigo imaginar em outra palavra quando vejo o Joilson e o Juninho no São Paulo. Volto no....tempo e recordo que no Botafogo eles tiveram a mesma dificuldade que encontram agora. Levaram um.......tempo enorme para se sentirem confiantes e mostrarem o que sabem fazer. Agora acontece o mesmo. É o tempo. Resta ao Muricy esperar que o.......tempo deles chege. De preferência o mais rápido possível.
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EMPOLGAÇÃO PRECOCE

Quem se deu ao trabalho de prestar um pouco mais de atenção no que disse o técnico Dunga sobre como se constrói a carreira de um jogador deve ter entendido o que ele acha do Alexandre Pato e o que espera. Em determinado instante da entrevista coletiva, que concedeu depois da convocação para o amistoso do dia 26 contra a Suécia, em Londres, o Dunga observou que um jogador não pode ser analisado pelos seus momentos e nem por um gol bonito que marcou numa partida.

É nesta situação que se encaixa o Alexandre Pato. Temos gravados na memória alguns bons lances dos quais ele foi o protagonista. Tudo leva crer que estes lances, ainda ocasionais, se transformarão em episódios marcantes de uma grande atuação. Mas até agora, por maior que seja o açodado encantamento com o jogador, ele ainda não fez uma partida capaz de justificar todos os elogios e certezas de que estamos diante de mais um craque.

Ainda bem que o Pato está na faculdade da bola. Tivesse já quebrado a banca dos céticos e correria o risco de ver o futebol escorrer pelo ralo. Até os Jogos de Pequim, o futebol do Pato terá evoluído, mas ele ainda estará distante do que considero um craque. Para chegar a este nível é preciso fazer história e a do Pato apenas começa.
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O FUTEBOL E O MUNDO

Volta e meia, a sensação que tenho é de que o futebol se transforma num mundo à parte, quando é necessário falar sobre o que acontece dentro das quatro linhas. O maior fato no insosso jogo entre o Flamengo e o Mesquita foi a discussão do Souza com o Ibson e do Ibson com o Souza. É conversa para mais de metro, como diria o pessoal do interior. Ganha uma dimensão que me deixa perplexo diante da intensidade.

Dois sujeitos bateram boca pelo fato de que um não passou a bola para o outro. O Souza queria o passe e o Ibson mandou a bola em direção ao gol. Surgiu a discussão e do campo ela foi para as esquinas, os botecos, os supermercados e os shoppings. O que me impressiona é que parece haver no futebol um mandamento _ ainda não escrito e sem previsão de publicação _ que impede a discussão entre companheiros. Pode na agência bancária onde o cidadão tem conta; no hospital com centro cirurgico sucateado; na repartição sem ar condicionado no verão, mas não pode no campo de futebol. Quando dois jogadores discutem, a gente pode ter certeza de que tem coisa aí. Afinal, o time para dar certo tem que ser uma família _ a mais ilustre foi a criada por Luiz Felipe Scolari na Copa de 2002. Até parece que famílias não discutem e quem já leu Nélson Rodrigues _ quem não fez não sabe o que perde _ sabe muito bem que família que se preza não prima pela harmonia, entendimento permanente ou compreensão de tudo o que acotnece.

Nos próximos dias, o bate-boca do Ibson e do Souza ainda dará pano para manga. No mundo do futebol a harmonia tem que ser permanente. Do contrário, a vitória não aparecerá. A tal história do grupo unido, de que ali existe uma família ou de que o ambiente é bom, pois todos se falam, é fundamental para se encontrar o sucesso. Discordo. Está mais do que na hora de acharem que as discussões em campo são tão normais quanto aquela que acontece na repartição, na fila de banco ou naquele almoço domincal. Em família!

SACODE A POEIRA

Como a pílula do açodamento está à venda nas melhores e nas piores casas do ramo, o Léo Lima será considerado um exemplo de recuperação em breve. Calma minha gente que o leão é sem dente, como cantava o Jorge Ben, atual Benjor. Diante da Ponte Preta, ele participou dos dois gols, mas ainda veste aquela roupa de "mamãe sou craque" e não resiste a um passe de trivela ou toque de efeito. Sorte a do Léo Lima que o Vanderlei Luxemburgo não é muito fã do elogio fácil. Do contrário, ele passaria a sonhar com uma vaga na Seleção Brasileira.


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CLÁSSICO DE CONTRASTES

Fosse parceiro da hipocrisia e o Muricy Ramalho seria só elogios para o time do São Paulo. Como não é, as análises que faz são pontuadas pela sinceridade e por diágnósticos precisos. Quem se dá ao trabalho de prestar atenção nas entrevistas concedidos pelo técnico, seja após os treinamentos ou depois dos jogos, já percebeu que a taxa de insatisfação do Muricy com a equipe anda alta.

Adepto do ditado "roupa suja se lava em casa", o Muricy Ramalho não cita jogadores e tenta preservá-los ao máximo. Mas está claro que alguns reforços do São Paulo ainda não corresponderam e nem sequer justificaram o empenho para que fossem contratados. Vejam os casos do Joílson e do Juninho e mais o Adriano. Os dois primeiros, que ano passado tiveram mais altos do que baixos no Botafogo, ainda não se sentem à vontade no novo clube. Mais do que uma crítica é uma constatação. O histórico de ambos mostra que há uma certa dificuldade para que se sintam seguros e mostrem o que sabem. No caso do Adriano a situação é diferente. Ele oscila, embora se empenhe ao máximo, e a explicação passa pela boa forma. Acredito que ainda falta se encontrar com aquela forma da Copa das Confederação, em 2005, na Alemanha. Não por acaso a úiltima vez em que o Adriano teve uma atuação que justificasse o apelido. Assim já se passaram três anos.

Em contrapartida, o Palmeiras vive uma situação diferente. Os reforços mostram uma confiança cada vez maior e talvez possam fazer a diferença no clássico. Para os que me acusarão de cauteloso por conta do emprego do verbo poder, a explicação é simples: quando a bola rolar a supremacia, que não existe, simpeslmente desaparecerá.

O que mais torço é para que o jogo, independentemente do resultado, termine sem a necessidade de se falar sobre a arbitragem. Percebo um certo cansaço no homem comum em ficar discutindo se foi falta, pênalti ou a expulsão correta. Gostaria que os árbitros, me refiro aos com poucas horas de rodagem, pensassem melhor sobre a maneira como conduzem os jogos. São rigorosos em alguns aspectos e tolerantes em outros.

Só para citar um exemplo, eu saio de São Paulo e desembarco no Rio de Janeiro. Na partida do Fluminense contra o Resende foram marcadas 65 faltas. É um número expressivo para um jogo no qual a bola não rolou os 90 minutos. Mas o que chama a atenção é que nenhum jogador foi expulso. Alguma coisa está fora da ordem.

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VITÓRIA COM ESTILO

Não há o que contestar no sapeca iá-iá que o Palmeiras deu no São Paulo. A goleada foi construída com três pênalties a favor do Palmeiras _ todos corretamente marcados _ e com uma grande atuação do goleiro Marcos, que nas muitas vezes em que foi exigido saiu-se muoto bem. O resultado só confirma o crescimento do Palmeiras dentro do Campeonato Paulista, mas não é para deixar o torcedor do São Paulo desanimado. Apesar da diferença, o time _ e aqui não vai nenhuma ironia _ teve uma boa atuação. Estava com mais volume de jogo quando o placar mostrava 1 a 1 e depois foi inteiramente dominaod.

Esta arrancada do Palmeiras não deve surpreender a uma pessoa em especial: o técnico Vanderlei Luxemburgo. Quando o time oscilava e alternava bons e maus resultados, o técnico disse que percebia possibilidades de crescimento no time. E foi exatamente isso o que aconteceu. O time subiu de produção e é um forte candidato ao título.

Enquanto o Palmeiras decola e o São Paulo, pelo que mostrou ontem, dá sinais de que pode melhorar, o Corinthians surpreende. Tinha tudo para deixar o Morumbi no sábado à tarde com três pontos na tabela de classificação. Mas a sempre elogiada defesa esteve mais desatenta do que nunca e o preço foi o empate.
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DESTEMPERO INCOMPREENSÍVEL

O sinal de alerta foi acionado pelo Kleber Leite, que é vice-presidente de futebol do clube. Enquanto o Joel Santana tentava colocar panos quentes, o dirigente foi mais explícito e mostrou contrariedade com o comportamento assumido por alguns jogadores, especialmente em momentos mais tensos das partidas. Alguma coisa acontece na cabeça dos jogadores rubro-negros e o resultado até agora não tem sido favorável para o time.

Nesta quarta-feira, na sua casa preferida, o Maracanã, o time tem um compromisso mais do que difícil com o Nacional. Tem amplas condições de vencer, mas não pode ser derrotado pelos seus próprios nervos. O que tem ficado evidente nas últimas partidas é uma irritabilidade sem propósito.

A semana na Libertadores é especial para os clubes brasileiro. Não apenas o Flamengo entrará em campo. Já nesta terça-feira, o Cruzeiro enfrenta o Caracas e pode ser considerado favorito pela qualidade do time que possui. Alías, exceto pelo Santos que jogará nas alturas, os times brasileiros têm boas possibilidades de conseguirem resultados favoráveis. Basta que todos tenham a cabeça no lugar. A do Flamengo parece a mais difícil de ficar.
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FORA DE FOCO

Pode ser apenas uma impressão. Mas de uns tempos para cá, a discussão sobre o futebol tem ficado em segundo plano. Não há rodada em que se fale mais do erro cometido pelo árbitro ou da agressão do jogador A sobre o jogador B do que de uma bela jogada, um drible desconcertante ou uma exibição coletiva daquelas que só aumentam o prazer de ver futebol.

Vou me concentrar em dois exemplos bem recentes. No clássico do Campeonato Paulista, a cotovelada do Kleber no André Dias ganhou mais espaço do que a ótima apresentação do Palmeiras. Foi uma vitória da equipe que praticou um jogo coletivo mais eficiente do que o do rival, que não atuou mal, embora tenha sofrido quatro gols. Reparem que fala-se mais da agressão do Kleber do que da jogada feita por ele no segundo gol do Palmeiras, um dos mais bonitos desta temporada, que ainda não completou três meses.

Não pensem que prego a indiferença ao que acontece sob a chancela da violência ou que defendo a alienação em relação a episódios tão lamentáveis. Evidente que engrosso o coro de quem condena e pede punição, mas não convivo bem com a idéia de que o futebol fique em segundo plano para este tipo de assunto. Pouco se fala da mudança do Palmeiras do primeiro para o segundo tempo, de como é bom ver um meio de campo com um volante que sabe marcar e jogar, caso do Martinez, e nem sequer é observado que o Adriano fez a melhor partida com a camisa do São Paulo desde que trocou Milão pela terra da garoa.

O mesmo raciocínio se aplica ao clássico do Rio de Janeiro. Falam mais do Toró, que teve atuação insossa e sofre com o paternalismo rubro-negro, do que do bom desempenho de Wellington Paulista, do Jorge Henrique e da maneira como o Botafogo praticou o jogo coletivo. Isso parece pouco importar.

Não creio que estejam percebendo o que acontece, mas me incomoda esta tendência de colocar o jogo jogado em segundo plano. Talvez ninguém esteja preocupado com isso. Pode ser.
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