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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
A HORA DO PATO

Houve um tempo, sem internet e tantas outras modernidades, tecnológicas e intelectuais, que o título deste blogo da volta das férias era o de um programa de rádios. Os calouros, especialmente candidatos a carreira de cantor, se inscreviam para mostrar os seus dotes vocais na "Hora do Pato". Quem se desse bem seguida em frente.

O título cai como um lançamento do Kaká para o Alexandre Pato. Não pelas duas partidas, com atuações razoáveis, que teve nesta temporada, mas pelo que pode acontecer. O sempre sisudo e cauteloso Carlo Anceloti parece disposto a manter o Alexandre Pato entre os titulares e o Dunga já o convocou para a Seleção Brasileira principal. Nada mais auspicioso em um começo de temporada. Nada mais importante para um jogador que pode escrever uma história sem garrancho e rasura no futebol.

Escrevi sobre a sisudez do Anceloti e falo também sobre a severidade do Dunga. São os dois profissionais que mais bem podem ajudar o Alexandre Pato nesta trilha em busca do reconhecimento mundial. Até o momento o Pato _ sei que tem muita gente boa a pensar de forma diferente _ é apenas um jogador promissor. A léguas de distância de um craque e mais ainda de um fora de série.

Vivemos tempos de precipitação e busca desenfreada por celebridades e famosos. Pouco importa o tempo que vai durar. O importante é ter um personagem que sacie esta ansiedade que beira o histerimos de muitos. Nada melhor do que um jovem, tímido, ar indefeso e dono de muita habilidade para representar este papel. O assédio e os elogios surgiram desde aquele jogo do Internacional contra o Palmeiras, em.....2006, e de lá para cá é possível contar nos dedos o número de partidas do Alexandre Pato e lembrar o jogo em que teve uma grande atuação: exatamente o disputado no Palestra Itália, em........2006.

Quem até agora acompanhou estas linhas há de pensar que não gosto do Alexandre Pato ou tenho resistência ao seu talento. São os apressados entrando em campo com a velocidade que o AP é capaz de arrancar em direção ao gol adversário. Não é nada disso. Vejo no Alexandre Pato um enorme potencial. Possui todos os instrumentos necessários para se transformar em um grandíssimo jogador, mas é necessário muita cautela. Como terá o Anceloti e, certamente, também o Dunga.

O mais fácil é colocar um jogador, especialmente pelo seu talento, num andar que ele ainda não está preparado para habitar. A história do futebol está cheia de exemplos assim. Ainda bem que o Alexandre Pato terá pela frente dois técnicos que não se encaixam nos ritmos de hoje.
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A INQUIETAÇÃO DO RENATO

Ainda bem para os ouvidos do Renato Gaúcho que o Fluminense venceu o Duque de Caxias, muito mais uma obrigação do que uma necessidade. Tivesse o jogo terminado com o placar favorável para o DQ e as orelhas do técnico arderiam exatamente pelo fato de ter colocado em campo o refinado Dodô, o rápido Leandro Amaral e o incansável Washington. Esta é a questão: vivemos a época dos rótulos e o técnico que se atreve a escalar três atacantes vira paciente do doutor Simão Bacamarte, o personagem criado pelo Machado de Assis em O Alienista.

Como dizia o saudoso poeta Torquato Neto tem horas que é preciso desafinar o coro dos contentes. E é exatamente isso o que o Renato Gaúcho tem feito. Não sei se é leitor do TQ ou se já se deliciou com as idéias do doutor Simão Bacamarte, mas a intenção de colocar três atacantes não pode ser contestada apenas pelo fato de que muita gente boa e de respeito adora acompanhar times com um perfil mais cauteloso.

O técnico de uma equipe não pode se preocupar com o que diz o beltrano, pensa o sicrano e argumenta o fulano. Quando ele vira refém dos pensamentos externos começa a trilhar o caminho para o fracasso. Se a proposta do Renato Gaúcho com os três atacantes vai dar certo ou não só o tempo dirá. É necessário esperar e não cair no clichê de que é impossível obter bons resultados com uma linha de três. O mesmo se aplica para o técnico que escapa um meio de campo com jogadores mais íntimos da marcação do que da criação. Já vi muito time com este perfil apresentar um jogo fluente e conseguir bons resultados, o que deixa muito claro que rotular uma idéia não é melhor caminho para criticá-la.

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ETERNO RETORNO

Leio que o Carlos Alberto, no mínimo, ficará no banco de reservas no clássico do São Paulo contra o Corinthians, domingo no Morumbi. Impressiona como um jogador tão jovem, tem apenas 23 anos, já viajou tanto, rodou tanto e conseguiu criar um cinturão de desconfiança ao redor do seu futebol. Se o Muricy Ramalho colocá-lo no banco de reservas será mais um recomeço na vida de um jogador que está longe de ser considerado um veterano.

Não existe, dentro do futebol dos tempos atuais, jogador que mais bem encarne o espírito desta época de contas bancárias gordas e esquálida estabilidade do que o Carlos Alberto. Ainda nas divisões de base do Fluminense, ele surgiu como mais uma certeza. Nem sequer ficou na categoria da promessa. Tratavam-no como um jogador pronto, um craque da mais fina estirpe e pronto para construir uma carreira daquelas de deixar os mais jovens, do que ele claro, com inveja.

Pois foi assim que banda tocou o ritmo funk que o Carlos Alberto tanto aprecia. Saiu dos juniores pronto para sentar ao lado do Rivelino no coração dos tricolores e com a palavra ídolo escrita em etiqueta que se enxerga de longe. Entre o sonho e a realidade criou-se um abismo que só os terremotos de elevados níveis na escala Richter são capazes de fazer e o Carlos Alberto saiu das Laranjeiras direto para o Aeroporto Tom Jobim, com parada obrigatória em Portugal.

Não creio que o Carlos Alberto tenha mania por aeroportos, mas ele já conhece o de Lisboa, o de São Paulo, o do Rio de Janeiro, este muito bem, o da Alemanha e novamente o de São Paulo. Convenhamos que para um jogador de 23 anos é muita viagem e ao mesmo tempo não existe nada mais esclarecedor de como são os tempos atuais.

Esta volta ao Brasil e para o São Paulo tem sabor de recomeço para um jovem que não pode ser acusado de omisso ou tampouco covarde em momentos decisivos. Muito pelo contrário. No auge da crise corintiana, o Carlos Alberto tentava de tudo em campo. Não conseguia, mas lutava até o fim. Por um desses mecanismos que talvez nem ele saiba explicar, o futebol do garoto promissor das categoria de base do Fluminense virou bissexto. Dá os ares de sua graça ocasionalmente e este é o problema.

Talvez este seja o maior problema para que o Carlos Alberto confirme as expectativas e volte a ser um candidato a candidato a conceitos melhores dentro do futebol. E talvez também esteja aí a razão de tanta oscilação. É muito difícil saber que tem talento, mas não conseguir mostrá-lo; conviver com quem só elogia, os próximos, e administrar as críticas, que partem dos distantes. Que Carlos Alberto o São Paulo recebeu, eu não tenho a menor idéia. Terá um técnico de muito siso e pouco riso e um ambiente mais do que favorável. Só dependerá dele a confirmação desta expectativa. Aí mora o perigo e aí está a chance.

MAESTRO SOBERANO

Fosse vivo e o mestro soberano faria nesta sexta-feira 80 anos. Me acostumei a vê-lo caminhando pelas ruas do Leblon e era capaz de desviar o caminho só para acompanhá-lo. À distância, como convém para o tiete discreto, caso em que me encaixo com roupa confortável e desejo realizado. Partiu em 94 e deixou um legado mais eficiente do que qualquer antidepressivo e com uma beleza como a da Ilha das Cagarras, em dia ensolarado. O senhor Tom Jobim era um senhor brasileiro. Daqueles que deixam a gente cheio de orgulho.

No caminho para o trabalho, eu o ouvi longamente. Quase bati com o carro, mas entrei na emissora mais leve. Acho que hoje a noite vou andar pela praia até o Leblon.

Bom fim de semana para todos.
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A FORÇA DO NILMAR



Mais uma vez, o Nilmar sofreu uma contusão. Nada a ver com o joelho operado, mas é uma lesão que o afastará de campo pelos próximos 30 dias. Sempre que o Nilmar retorna aos gramados, a conversa sobre um eventual convocação à Seleção Brasileira sai da toca e ganha corpo. O problema é que o Nilmar ainda não conseguiu cumprir uma sequência de jogos que o torne candidato a candidato a um lugar na lista elaborada pelo Dunga.

O vai e vem do Nilmar só mostra o quanto é necessário paciência _ não confundir com medo ou cautela excessiva _ com jogadores que sofreram contusões graves, situação do Nilmar, e jogadores promissores, como o Alexandre Pato. Volta e meia percebo que tem muita gente com pressa. Para tudo. No caso dos jogadores de futebol, a ansiedade é extrema. Em apontar o autor do gol da rodada como o mais novo craque do Planeta Bola e sentenciar que o fulano não tem mais futuro ou que o retorno já é suficiente para recolocá-lo no pelotão das estrelas.

Com a devida paciência e necessária determinação, característica do Nilmar, por exemplo, será possível pavimentar um retorno linear aos campos e, posteriormente, voltar a sonhar com a inclusão entre os relacionados pelo técnico Dunga. Não adianta, imediatamente após um domingo favorável do Nilmar, colocá-lo em uma hipotética lista de convocados. O que mais importa é ter paciência para aprovéitá-lo bem.

POETA DO ESPORTE

Entre os orgulhos que carrego, o de ser amigo do Armando Nogueira é um dos maiores. Pois ontem, no Palácio das Laranjeiras, residência oficial do governador do Estado do Rio de Janeiro, o Marquês de Xapuri, também conhecido como Poeta do Esporte, recebeu a medalha do Mérito das Comunicações, referendada pela presidência da República.

De colete _ ele é da turma do Zuenir Ventura e do Ziraldo _, o Armando, aos 81 anos, tinha o olhar de uma criança diante do primeiro presente de Natal. A merecida homenagem não emocionou apenas ao homem que dá a texto esportivo roupa de gala e às análises fraque e cartola. Marejou os olhos de muito marmanjo presente e fez também com que as mulheres tirassem o lencinho da bolsa.

Feliz do país que tem um Armando Nogueira e, neste caso, ponto para a terra das palmeiras onde canta o sabiá. Felizes são também os que desfrutam do saber do Armando. Tão sábio é que não se furta a dividi-lo com os outros.
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O GOSTO DO ROMÁRIO

A cada dia, o Romário dá menos entrevistas, o que é ruim para o pensamento do futebol, e a cada dia, o Romário toma mais gosto pela atividade de técnico, abraçada no fim do ano passado, o que é saudável para os ares que respira o velho e violento esporte bretão. Lamentarei muito o dia em que o Romário oficializar a aposentadoria e o motivo é bem simples: perderá o esporte um sujeito que sempre encantou a quem o viu jogar e enriqueceu o debate e a história do futebol.

O fato de o Romário ser mais um a engrossar a fila de aposentados do Brasil como jogador é absolutamente natural. Por mais que tente, o tempo é implacável e vai determinar esta decisão. Mas o técnico, pelo que tenho lido e ouvido, tem preocupações muito interessantes e necessárias para quem dá expediente à beira do campo. Uma delas é com o passe. Talvez seja este o bem mais precioso do futebol e, nem sempre, o técnico se preocupa com isso. Em entrevista concedida na terça-feira, o Beto disse que ele perde a paciência com os erros de passe. Está absolutamente certo, como dizia o J.Silvestre no "Cé é o Limite", programa televisivo da TV Tupi nos anos sessenta.

Além desta preocupação com o passe, que pautou a carreira do Telê Santana, o Romário mostra que tem gosto pelo jogo jogado. Se optar pela carreira de treinador, o que não será nenhum absurdo, tenho certeza de que o futebol ganhará um profissional preocupado com os preceitos básicos para uma boa equipe.
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O VERSÁTIL RAMIRES

Não foi pela boa atuação contra o Cerro Portenho que o Ramires receberá deste blog algumas linhas. Ano passado, para desespero de alguns leitores, ele também foi elogiado neste espaço. Ao vê-lo na noite de quarta-feira comandar a mais do que merecida vitória do Cruzeiro por 3 a 1 _ não fosse o erro do árbitro e o placar teria sido 4 a 1, com outro gol do Ramires _, eu fiquei convencido de que o jeito de atuar no meio de campo de qualquer time no futebol brasileiro está muito mais para Ramires do que para o jogador apenas preocupado com as canelas alheias, que faz do passe lateral uma profissão de fé ou daquele que só participa quando o "carteiro", quer dizer companheiro, lhe entrega nos pés a bola.

A quem não assistiu ao jogo do Cruzeiro, eu apenas digo que o Ramires foi fundamental. Deu uma movimentação ao time que faz a diferença nas equipes que possuem este tipo de jogador. Vejam o caso do Flamengo, que tem o Ibson; e do São Paulo, que conta com o Richarlysson. A cada dia fica mais claro que não dá para jogar no meio de campo apenas à espera da bola no pé.

Quase 24 horas depois do jogo, eu ainda estou na memória com alguns dos lances protagonizados pelo Ramires. Cansou, aqui apenas uma força de expressão, de sair com a bola no campo do Cruzeiro, tocar para um companheiro e aparecer na frente para a conclusão. Que técnico não sonha em ter um jogador assim? Velocidade de Fórmula 1 na reta de chegada. O Adílson Batista está apenas no começo _ acredito que escreveu apenas a introdução e nem chegou ao primeiro capítulo _ deste trabalho no Cruzeiro. Mas ele já conseguiu formar um meio de campo que harmoniza um volante de ofício, o Fabrício, e outros dois que têm gosto pela marcação e apetite para a organização. O Charles precisa apenas administrar a ansiedade, que o faz ser afoito em determinados lances.

Não pensem que coloco o Cruzeiro entre as equipes mais fortes da temporada. Seria um exagero fazê-lo e leviandade garanti-lo. O que percebi diante do Cerro foi um time com jogadores de meio de campo que entenderam qual é a batida do momento. E sabem que a versatilidade é fundamental. A cada jogo deste início de temporada fica mais evidente o quanto será necessário contar com os vesáteis.

RAZÃO AO MURICY

Deveriam, especialmente os de direito, prestar mais atenção no que diz o Muricy Ramalho. Coloquem a discussão irrelevante sobre o humor do técnico do São Paulo em segundo plano e atentem para alguns comentários. Após a vitória sobre o Rio Claro, o técnico disse que o futebol, no Brasil, anda muito chato e apontou um dos motivos: os árbitros marcam muitas faltas. Tem toda a razão. Muitas vezes pensamos que o time tal é violento, mas o maior problema é que o árbitro marca falta a qualquer toque, a qualquer encontrão.

O jogo não evolui, a partida é fatiada e quem perde é o público. Seria interessante se os responsáveis pela arbitragem pensassem sobre o assunto. Apita-se a todo instante e a impressão é de que o trilar do apito transformou-se num mecanismo de defesa para que não haja problemas. Está na hora de começarem a discutir o assunto. Isso tira o humor de qualquer um.
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A QUEDA
A temporada está apenas no começo _ não tem mais do que duas semanas _ e alguns jogadores já começaram a ser questionados. Vejam o caso do Finazzi, no Corinthians; e do Gustavo Nery, no Fluminense. Não é apenas quem entra em campo que fica sob suspeita. Será difícil encontrar alguém que esteja disposto a apostar um caraminguá no Santos. Os resultados obtidos pelo time no Campeonato Paulista desestimulam o mais otimista dos torcedores.

O caso do Finazzi me parece o menos complicado. Ao barrá-lo do jogo que o Corinthians disputará neste final de semana, o Mano Menezes apenas reconhece publicamente a má fase do atacante e avisa que está disposto a fazer de tudo para que ele se recupere. Acredito na recuperação do Finazzi, especialmente pelo fato de que ele é um sujeito perseverante e a trajetória dentro do futebol só confirma. Não relaciono o Finazzi entre os maiores centroavantes em atividade do futebol brasileiro, mas é claro que pode ser muito importante para o Corinthians. Desde que entre em forma, o que levará algum tempo para acontecer.

Já o caso do Gustavo Nery é diferente. Desde a última convocação para a Copa na Alemanha, em 2004, que o futebol do GN começou a minguar. Não se esvaiu por completo, mas passou a ser ocasional. Ao desembarcar no Fluminense, ele chegou com a palavra desconfie escrita na testa. Fora de forma, sem o viço necessário para desempenhar bem o papel que se propõe: atacar e defender com razoável eficiência, o GN já foi retirado do banco e penará muito mais do que o Finazzi para retornar. Se retornar.

Retornar é um verbo que se aplica ao Santos. As equipes de futebol passam por ciclos e o Santos pode levar todos a acreditarem que neste momento o ciclo não é favorável. Sou péssimo de previsões e por isso evito fazê-las, mas está claro que, além dos reforços, o Emerson Leão precisará trabalhar a cabeça da rapaziada. Da nova e da velha geração. Com os adolescentes é bom parar com esta obsessão de transformá-los em Robinho e Diego ao primeiro drible, após a bela arrancada ou no toque de classe. Que fique claro: não é pensamento que seja difundido pelo Emerson Leão. Com os "grisalhos" convém remotivá-los e, cara a cara, definir quem quer ficar e quem quer sair. Do contrário......

TEMPO PERDIDO

Não sei se o zagueiro Henrique, contratado pelo Palmeiras, terá no clube paulista o mesmo desempenho que apresentou no Coritiba. Mas na apresentação mostrou algo raro nos dias de hoje: personalidade. Noves fora o fato de ter trocado a camisa preta por uma branca do seu empresário, o que é um equívoco, ele não tirou a pulseira alvinegra que carregava no pulso direito. Está mais do que na hora de os jogadores interromperem esta cadeia criada por fanáticos, que não permite a uma pessoa trajar preto e branco dentro do Palestra Itália e verde dentro do Parque São Jorge.

Evoé!!!
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CHUVA, SUOR E ROBINHO

O mais interessante do amistoso que a Seleção Brasileira disputou contra a Irlanda foi observar o comportamento do time sem dois jogadores que em qualquer par ou ímpar são escolhidos de primeira: o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká. Na ausência de ambos, por motivos distintos, a Seleção Brasileira teve um Robinho inspiradíssimo e um Diego com a melhor atuação trajando a verde e amarela, desde que o Dunga o convocou pela primeira vez.

Antes que algum apressado insinue que estou a esnobar as presenças do Ronaldinho Gaúcho e do Kaká, o esclarecimento faz-se necessário: eles são titulares deste time, mas constatar, como provou o jogo de ontem, que o time é capaz de ter uma boa atuação mesmo sem eles é sempre bom não só para a Seleção Brasileira, como também para os jogadores que entram em campo. Coloca-se o temor de uma má atuação em segundo plano e dá aos que entram em campo a confiança necessária para fazerem o que sabem.

A cada mês, o Robinho mostra que está bem distante daquele jogadores que chegou ao Real Madri. O de agora não tem vergonha de assumir a responsabilidade, ser decisivo quando necessário e impor o seu estilo. O trajeto deste novo Robinho pode ter começado na Copa América da Venezuela, ano passado, quando ele era a grande estrela da companhia e o Brasil voltou com o merecido título. Naquela mesma competição, o Diego não conseguiu ser o Diego que foi ontem.

Muitas vezes a pressa nos julgamentos coloca o jogador num plano que ele não merece. O Diego que se viu nesta quarta-feira de cinzas foi bem mais iluminado. Não apenas pelo passe que resultou no gol do Robinho, mas pelo conjunto da obra. Quanto mais confiante ele estiver, mais a Seleção Brasileira terá a ganhar. Confiança é palavra nem sempre bem empregada no futebol, assim como outras, mas ela explica as atuações de Leonardo Moura e Richarlysson. Após início dominado pela cautela e o temor em arriscar e comprometer, eles ganharam a tal da confiança e se soltaram. Sem querer compará-los com os titulares, eles deram boas opções ofensivas para o time nos dois lados do campo.

O saldo deste amistoso foi mais do que favorável para a Seleção Brasileira. Ao contrário de muitos que só pensam em Jogos Olímpicos e querem ver o time olimpíco em cada esquina, entendo que o Dunga não pode queimar etapas. Antes dos Jogos, o Brasil terá dois jogos complicados nas eliminatórias, contra o Paraguai, em Assunção; e contra a Argentina, em Belo Horizonte. O jogo de ontem serviu para observar as opções nestes confrontos.
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OLHO NO CRUZEIRO

Pena que o jogo do Cruzeiro não foi até o fim. Que bom que o árbitro Carlos Chandia não reza na cartilha de outros colegas de uniforme de épocas atrás. Se todo homem de preto _ ora de azul, ora de amarelo ou de lilás _ tivesse tomado a atitude de Chandia _ encerrar com o jogo e mandar todo mundo para o chuveiro mais cedo _, o comportamento selvagem dos torcedores, noves fora a indiferença dos dirigentes responsáveis, já teria mudado. Não há, aliás jamais houve, espaço para tamanha boçalidade.

Assim como o Carlos Chandia, o Cruzeiro também não decepcionou. E mostrou que a discussão sobre o número de atacantes ou volantes escalados beira a irrelevância. Não é o número deste ou daquele que vai determinar o comportamento da equipe. O Cruzeiro mostrou isso, enquanto o jogo durou. Jamais deixou de ser um time com vocação para atacar, embora de ofício estivesse em campo apenas o Marcelo Moreno.

Se na semana passada, o Ramires chamou a atenção pelo desempenho, no jogo de quarta-feira merece uma observação o Frabrício, que atuara bem no primeiro jogo, e também o Vagner. Alguém há de perguntar sobre o Charles e a explicação é simples: o técnico Adilson Batista precisa chamá-lo para uma conversa. Mostrar que a fronteira entre a vontade de vencer e distribuir pancada é pequena e nem sequer pede visto para entrar. Sugeriria até que revisse o vídeo teipe das duas partidas e refletisse sobre algumas jogadas de que participou. Ele só terá a ganhar.

A SAÍDA DE ROMÁRIO

Quem tem um temperamento como o de Romário é capaz de atitudes como a tomada na quarta-feira. Surpreenderia se agisse de forma diferente. Cada um é como é e não adianta querer mudar o rumo da história. O que incomoda nesta história é a perspectiva de ver o Romário encerrar a carreira desta forma. Ele e quem o viu jogar não merecem saída deste tipo. Tem que haver um caminho para uma despedida honrosa, que esteja à altura da carreira de um centroavante que deixará saudades dentro e fora do campo.

ESTADUAIS

A cultura do exagero não termina na Quarta-Feira de Cinzas. Virou um hábito. Há quem enxergue um ano tenebroso para o Palmeiras e para o Vasco da Gama, por exemplo. Fico do outro lado da rua na discussão. Acredito que o Vanderlei Luxemburgo até esperava ver o seu time com outro ritmo, mas nada que acontece dentro de um Campeonato Estadual, para o bem e para mal, pode ser considerado definitivo. Basta que se entenda o que aconte.

No Rio de Janeiro existe entusiasmo e reticência envolvendo dois clubes. Olham para o Vasco da Gama com olhos cerrados e franzem o cenho _ êpa!. Não é um time para ser tão desdenhado e, como todos os outros, precisa de reforços. Mas não são tantos.

Do outro lado está o Botafogo. Não entendo o encantamento com as atuações do time. Elogiam o alvinegro e depreciam os seus adversários, todos reconhecidamente inferiores tecnicamente. Quando enfrentou um adversário mais qualificado passou um sufoco para vencer. Não pensem que deprecio o trabalho do Cuca. Muito pelo contrário. Mas seria bom para ele e para o time que treina não acreditar em tudo o que dizem a respeito do Botafogo. Tudo leva a crer que o adversário na semifinal da Taça Guanabara será o Fluminense. Pois o tricolor das Laranjeiras, como diziam os da época da lambreta e do sorvete dançante, tem uma jogada mortal de bola cruzada sobre a área. E saibam todos a quantas essas lerem que a maior deficiência do Botafogo é a bola pelo alto na sua defesa. Esta é o grande erro do Botafogo. Vem do ano passado e o Cuca deveria se preocupar em corrigi-lo. Do contrário, o time será apenas um sucesso de crítica. E que sucesso!
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O MUNDO DO FAZ DE CONTA

Esta história entre o Romário e o presidente do Vasco da Gama é emblemática de como o mundo do futebol _ será apenas este? _ gosta de viver de ilusões. Em entrevista ao Globo Esporte de quinta-feira, o sempre verdadeiro Júnior rasgou a fantasia da história e disse que em 90 por cento dos clubes a situação é absolutamente comum. Eis aí a radiografia do fato. O que aconteceu com o Romário não é exclusividade do clube que se situa na Rua General Almério de Moura, Zona Norte do Rio de Janeiro, e nem patrimônio do responsável pela administração do clube.

A questão cria uma boa oportunidade para se discutir sobre até onde vai o papel do dirigente, em que ponto começa o do técnico. Pior do que um palpite do dirigente da vez é a pressão de um empresário para que este ou aquele seja escalado e mais grave ainda: colocá-lo no elenco apenas paa que seja valorizado e negociado em valores acima do que ele representa. O técnico tem que saber ouvir e filtrar o que há de certo e errado na ponderação de quem com ele conversa.

Vamos parar com esta hipocrisia de que o dirigente não pode dar palpite e tampouco ponderar sobre uma formação ou outra, assim como não tem o direito de contratar jogadores sem consultar o técnico. É bom lembrar que no São Paulo, o presidente do clube, à época o advogado Marcelo Portugal Gouveia, trouxe Lugano e Oswaldo de Oliveira, técnico então do time, disse não ter a menor idéia de quem era. Pois o Lugano transformou-se numa das referências do time do São Paulo e tem lugar reservado no coração do torcedor. Isso acontece em qualquer atividade profissional e é preciso parar com esta idéia de que o futebol é um mundo diferente, habitado por seres especiais. São pessoas comuns com os mesmos defeitos, preconceitos, acertos e erros que todo mundo tem.

A DECISÃO DO
RENATO


Haja paciência. Desde o dia em que cometeu a "ousadia" _ ou seria insanidade? _ de escalar três atacantes, o Renato Gaúcho só falou sobre a formação com o Leandro Amaral, o Dodô e o Washington. Virou pecado mortal e o técnico precisou se desdobrar por cometer tamanha heresia. Agora, ele decidiu que os três não assinarão a súmula ao mesmo tempo e vejo aqui e ali pontas de dúvidas sobre a decisão. Antes questionavam-no por colocá-los juntos e agora indagam-no sobre a saída do trio.

PALAVRAS DE QUEM CONHECE

Poucas vezes o Emerson Leão fala sobre goleiro. Foi um dos melhores que vi na posição, mas não é muito de discorrer sobre quem atua na posição. Pois na noite de quinta-feira, após a vitória do Santos sobre o Marília, que poderia ter sido por diferença maior não fosse a imprecisão dos atacantes, ele falou do Fábio Costa, o melhor em campo. E foi muito claro: "desde que eu cheguei o Fábio Costa perdeu sete quilos". Está explicado.
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UMA BOA NOVIDADE

Vem do Sul a melhor novidade neste início de temporada. Esquieçam o Thiago Neves, pois ele ano passado já rascunhava esta carreira. Tanto que, a continuar assim, será nome certo na relação de 18 jogadores convocados pelo técnico Dunga para o torneio de futebol dos Jogos de Pequim. Quando falo do sul, eu estou a pensar no Internacional. Ao contrário do começo da temporada de 2007, oxigenada pelo título mundial e com os olhos vendados, o início atual é mais do que animador.

Por conta destes desvios no olhar, muitas vezes exageradamente concentrados em outras praças, nos recusamos a prestar atenção no que acontece além da vista. Este Internacional é diferente. Os primeiros sinais de que algumaq coisa seria diferente apareceram no fim de 2007. O encerramento do Internacional no Campeonato Brasileiro esteve acima da média e agora só melhor. Passa por um jogador que, inteiro, será muito útil: o apoiador Alex. Escrevi apoiador, mas tenho cá minhas dúvidas. O Alex, tal e qual o Richarlysson e outros poucos, faz parte de um seleto grupo de jogadores que enche o técnico de opções. E em mercado com ofertas raras, o jogador que abre o leque tem muito mais valor.

DECISÃO CARIOCA

Entre os semifinalistas do Campeonato Carioca, dois times sofrem com exageros para um lado e para o outro. O primeiro é o Botafogo. Dá gosto vê-lo atuar e isso se deve ao trabalho do seu técnico. Mas impressiona o número de gols que a equipe sofre, especialmente em bolas cruzadas sobre a área. Transformá-lo numa grata supresa não deixa de ter uma dose de entusiasmo pelo que faz e de indiferença com o que sofre.

Com o Vasco da Gama acontece exatamente o contrário. Desde o início do Campeonato, o time sofre com um desdém aqui e outro ali. Quanto exagero! Tem uma equipe limitada, sem condições de brigar pelo título brasileiro, assim como o Botafogo, mas que não deve ser tão continuamente depreciada. Precisa de um zagueiro, mais do que qualquer outro clube do estado, mas os três jovens jogadores _ Morais, Alex Teixeira e Alan Kardec _ não devem ser desprezados.

Deixo para o fim os dois favoritos à conquista do título da Taça Guanabara. Há quem entenda o emprego da palavra favoritismo como previsão. Não é. A dupla Fla-Flu, capaz de levar 39 mil torcedores ao Maracanã com times formados por jogadores reservas, está acima dos rivais Vasco e Botafogo. Claro que num clássico, o equilíbrio vira prato do dia e muitas vezes o resultado depende de quem tem mais apetite. Mas os elencos e as opções que os dois apresentam seriam muito bem recebidos pelo Cuca ou pelo Alfredo Sampaio.

Ao longo da semana, a discussão em cima do Fluminense será sobre a escalação ou não de três atacantes _ quanta imaginação! O mais importante, e o Renato descobriu isso no domingo, é que o atual elenco tem mais harmonia do que o do Flamengo _ o que também foi constatado pelo Joel Santana.

FALATÓRIO

Dezessete mil pessoas foram ao Morumbi e viram um jogo sensacional, entre São Paulo e Santos. Dezessete mil pessoas saíram do estádio falando do árbitro. Não sou do ramo das previsões _ a concorrência é enorme e desfavorável _, mas isto influencia no comportamento do torcedor. Em tempos de desconfiança absoluta, ele sempre fica com uma pulga atrás da orelha quando o árbittro usa o cartão errado.
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VOLTA E DÚVIDA

A última grande imagem do Denílson data da Copa de 2002, disputada na "ponte-aérea" Japão-Coréia. Próximo à linha lateral, ele foi cercado por quatro jogadores da Turquia. Todos à espera do que o Denílson faria naquele pequeno espaço. Assim se passaram seis anos praticamente e o Denílson não conseguiu protagonizar mais lances como aqueles. Se perderam no tempo. Abro apenas um parênteses para lembrar que aquele Mundial teve algo diferente. Muitos jogadores viveram ali grandes momentos que nunca mais conseguiram responder. É só parar e pensar.

Enquanto você pensa, eu discorro sobre o Denílson. Está naquele grupo de jogadores que, por conta da habilidade, te ilude. Você acompanha a carreira do sujeito e fica com a impressão de que ele poderia ter produzido muito mais. Ter preenchido as expectativas de todos de uma forma muito mais objetiva e prazerosa. Não aconteceu. Denílson tem mais fortuna do que fama, o que convenhamos não é nada mau. Todo mundo que é sucesso de crítica e fracasso de úblico sofre em dobro.

O retorno ao futebol brasileiro tem um componente que, me parece, deixou o Denílson mais animado e confiante: será treinado pelo Vanderlei Luxemburgo. Não está em em discussão a capacidade do técnico Vanderlei Luxemburgo. Seria gastar palavras e tempo, o que muitos gostam e em nada me apraz. O problema é saber se o Denílson conseguirá responder favoravelmente aos estímulos do VL. Por mais que tenha competência e saiba extrair do jogador coisas que ele nem imaginava ter, o Vanderlei não é mágico, tal e qual todos os outros técnicos que andam por aí.

O futebol pode dizer muito prazer em revê-lo pela volta do Denílson, mas não significa que tudo se confirmará. Depende mais do Denílson e do quanto ele acredita no que diz.

LIBERTAS

O Cruzeiro já está dois jogos na frente na Libertadores e o que se viu até agora não decepcionou. É cedo para ser fazer previsões, uma das novas manias nacionais, mas em 180 minutos contra o Cerro o Cruzeiro não decepcionou. Muito pelo contrário. Mas não pode acreditar em tudo que se disse, diz e, a continuar assim, se dirá sobre a equipe. Tanto que o jogo desta quarta-feira é para fazer resultado. Daqueles.

O sapeca iá-iá que o Fluminense aplicou no Flamengo teve lá seus benefícios para os ares da Gávea. O Joel Santana anda escabriado com o comportamento de alguns e, pelo que leio e vejo, busca recuperar uma concentração perdida nas últimas semanas. Nada como um adversário que tem mistura patente e molho no nome para deixar o ar, bem respirável, ainda mais leve. Tem tudo para seguir em frente na Libertadores.

O Santos perdeu jogadores importantes e ainda não está no mesmo nível do passado, o que o deixa em situação bem diferente das vividas por São Paulo e Flamengo que está muito bem e também do Cruzeiro que nesta direção caminha.
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ORGULHO DE SER BRASILEIRO

E lá se vai o Guga rumo à aposentadoria. Não queria, não deveria, mas chegou a hora de dizer adeus. Dentro de um breve tempo, o tênis será apenas um rio que passou na vida do último grande ídolo do esporte sob as cores verde e amarela. Quem acompanhou na noite de terça-feira, pelo SporTV, o emocionado discurso, mesmo diante da tevê, viu-se num dos lugares da arquibancada e se emocionou com a mesma intensidade ao vê-lo falar e soluçar.

Acredito que o Guga não gostaria de dizer adeus, mas o corpo decretou a aposentadoria. Não dá mais, disse ele, mas ao sair de cena deixa um legado que não é apenas esportivo. Quem acompahou a trajetória do Guga viu que, além do atleta, está ali um personagem do bem. Daqueles que justifica o refrão "sou brasileiro com muito orgulho e muito amor".

Não houve, em nenhum momento da sua carreira, uma observação daquelas que levam o respeitável público a fazer bico ou a dizer que o sujeito não é mais o mesmo. Deixa uma imagem mais do que vitoriosa, conseguiu despertar o interesse do torcedor por um esporte sempre considerado de elite e teve uma torcida para que continuasse surpreendente para o pessoal da terra com palmeiras e com o canto do sabiá.

NAo ver o Guga dizer adeus, a vontade de gritar fica é imensa. Mas só é possível dizer: MUITO OBRIGADO!!!!
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A HORA DO.....

A imagem é impressionante e perde apenas para a intensidade da dor. Lá está o Ronaldo caído no chão expressão de dor e a imaginar que passará novamente por tudo que viveu sete anos atrás e que só ele, o jornalista Rodrigo Paiva, à época seu assessor de imprensa, o fisioterapeuta Nilton Petroni, o Filé, e o doutor Saillant, responsável pela cirurgia, sabem como foi. Com um detalhe: o Ronaldo mais do que todos os outros, pois era o seu joelho que doia e a sua mente que o atormentava com a idéia de voltar ou não a jogar futebol.

Não tenho a menor idéia do que acontecerá com a carreira do Ronaldo, mas é bom lembrar que o seu nome já está na história do futebol mundial. Caso esta contusão decrete o fim de uma biografia, dentro do campo, do atacante que já foi eleito três vezes o melhor do mundo, é bom o respeitável público não esquecer do que o Ronaldo fez enquanto teve cabeça, tronco e membros voltados apenas para o futebol.

Entre os "esportes" preferidos de muita gente do elenco verde e amarelo, a crueldade é uma das preferidas. Há quem tenha prazer em falar mal dos outros, especialmente dos que fazem sucesso. Não tem como o Ronaldo escapar desta situação. E não se pode ficar indiferente a contribuição que o Ronaldo deu para esta situação ao ser derrotado pelo enfado e seduzido por um dia a dia que não teve na adoelscência, quando a fama era apenas uma idéia, e já adulto, quando o mais importante era conquistar uma Copa do Mundo. A fama veio antes do título, mas ambas foram resultado de muita abdicação.

Há tempos que o Ronaldo tem sido apenas Ronaldo. O Fenômeno entrou em li´tígio e os dois caminharam em sentido contrário. Tenho a impressão de que ele achava ser possível retornar em grande estilo agora. Aos poucos e em silêncio como diz o Chico Buarque em relação ao amor. Agora, o Ronaldo entra na Era da Incerteza e ela o acompanhará por muito tempo. Já foi profissional do otimismo e da força de vontade. Já derrotou banca em que ninguém, a não ser os citados lá no começo e mais o médico José Luiz Runco e o Luiz Felipe Scolari, apostava um grão de feijão. Venceu. Há sete anos.

PEDRA SABÃO

A culinária mineira é irresistível. Será eternamente. Quem não gosta de samba é ruim da cabeça ou doente do pé e quem não fica com a boca encharcada diante de uma couve refogada, um tutu e um lombinho tem algum problema de visão, olfato e paladar. Pois há tempos um time do Cruzeiro não empolgava tanto quanto o atual. Merece observações mais detalhadas a começar pelo fato de que montou uma equipe sem estrelas, com folha salarial mais próxima da realidade brasileira e trouxe um técnico que muita gente olha com desconfiaça, por não conhecer, ou rotula de retranqueiro, por entender que se vem do Sul, caso do Adílson Batista, tem mais apreço por defender do que atacar.

Peço a quem tiver oportunidade que veja os gols marcados pelo Cruzeiro. Observem a movimentação e vejam como o jogo flui por um lado e pelo outro do campo. É bom de ver e, diante do Real Potosi, não foi diferente no Mineirão. A cada dia fico mais encantado com o Ramires e olho neste Guilherme.

Quando os laterais não são tão eficientes e o Ibson não encontra tanto espaço assim, o Flamengo empaca. Foi o que aconteceu diante do Coronel Bolognesi. Lição para o Joel Santana. Deve colocar na prancheta que é necessário encontrar alternativas para os dias em que Leonardo Moura, Juan e Ibson não estão tão iluminados assim. Como na quarta-feira.

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FINAL DE SEMANA NO MARACA

Os dois clássicos das semifinais da Taça Guanabara têm favoritos, o que não significa que as equipes vencerão as partidas, e devem levar um público à altura ao Maracanã. Nada melhor para um fim de semana, que se insinua com o céu azul e a temperatura elevada no Rio de Janeiro, cidade que detesta céu nublado, palidez e gente sem humor.

Nestes momentos de decisão, o interesse de todos é saber quem vai ganhar esta ou aquela partida. Como já escrevi algumas vezes, eu sou péssimo nas previsões, falta a vocação, mas isso não me impede de fazer algumas ponderações sobre os quatro times envolvidos com o direito de jogarem a final da Taça Guanabara, a única taça charmosa em disputa no país e que ainda rende muita gozação na segunda-feira.

O clássico de sábado apresenta um Fluminense formado por jogadores de nome e capaz de trilhar uma caminho vitorioso nesta temporada. O Renato Gaúcho deve estar sem paciência para a discussão sobre a presença de três atacantes e tampouco sobre o que disse o Thiago Neves. Lamento que a pretensão de um técnico em ver o seu time formado por três homens com intimidade na marcação de gols seja considerada uma heresia. A discussão é cansativa, mas reveladora de como os conceitos sobre o futebol brasileiro mudaram. Em boa parte do primeiro turno, o Renato Gaúcho teve que responder a pergunta sobre a violência de colocar em campo Leandro Amaral, Dodô e Washington. Parece que um vai sobrar neste sábado e tenho certeza que este fato contribuirá para que o Renato Gaúcho seja visto como um estrategista.

Do outro lado está o Botafogo. Não tem jogadores refinados como na temporada passada, mas conseguiu, do meio de campo para a frente, manter aquela coreografia que deixaria o Maurice Bejart morrendo de inveja. Evolui para ganhar nota 10 na Sapucaí. Em compensação, o time sofre muito do meio de campo para trás. Tal e qual acontecia no passado. Atravessa como escola de quinta e tropeça com passo de bêbado.

É claro que o Fluminense tem mais vantagens do que desvantagens sobre o Botafogo. Mas aí cabe a pergunta que está na moda nas ruas e vielas do Rio de Janeiro: e daí? Isso mesmo. Quando a bola rolar, o favoritismo pega o primeiro túnel e sai de mansinho do Maracanã. Vai embora mais cedo e deixa para os jogadores resolverem.

No domingo, o Flamengo também é o favorito. Tem dois jogadores imarcáveis _ Leonardo Moura e Juan _ e um terceiro _ o Ibson _ que deixa os marcadores atarantados. O pessoal por aqui não se acostumou a marcar volante que entra no campo adversário. Fica todo mundo tonto. A olhar e apontar como se a responsabilidade fosse do outro. Do lado do Vasco da Gama, o retorno do Edmundo é algo que mexe com o astral dos jogadores. Há tempos vejo os jogadores do Vasco da Gama meio macambúzios sempre que enfrentam o Flamengo. Com o Edmundo é diferente. Ele tem um histórico no confronto altamente favorável. Só que o histórico não entra em campo. Quem adentrará o gramado será o Edmundo e este ainda não assinou súmula nesta temporada.

MODA DE VIOLA

Pelo que fizeram até agora, Ponte Preta e Guaratinguetá podem realizar o melhor jogo do Campeonato Paulista. E olhem que São Paulo e Santos foi de mexer com corações e mentes. Já vi as duas equipes atuarem e fiquei satisfeito com o que vi. Espero que entrem em campo dispostos a justificarem as posições que ocupam na tabela. Nada melhor para garantir um jogo daqueles.

Atenção torcida do Atlético Paranaense: É HOJE O DIA!!!!!!
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ERROS E ACERTOS

Vai cair na conta do Edmundo a derrota do Vasco da Gama para o Flamengo. Até os quatro minutos do segundo tempo, quando o atacante atrasou a bola para o goleiro Bruno, em cobrança de pênalti, o Vasco da Gama estava inteiro na partida e mostrava ter condições de enfrentar o Flamengo, embora este tenha jogadores mais qualificados e um time mais bem entrosado.

O torcedor do Vasco da Gama lamentará o pênalti perdido, mas será injusto responsabilizar apenas o Edmundo pelo resultado. No primeiro tempo, enquanto teve fôlego, ele foi um dos melhores jogadores do Vasco da Gama e foi neste tempo que o Vasco da Gama teve as melhores oportunidades. Mas o Flamengo é um time com mais opções e jogadores de qualidade do que o adversário. Ganhou o direito de jogar a final com dois gols de zagueiros, o que só reforça a tese de que há muitas opções quando se trata do time treinado pelo Joel Santana.

Na vitória do Flamengo impossível não destacar o desempenho do Fábio Luciano. Encarnou o espírito rubro-negro ao ignorar a dor no braço e disputar a partida até o fim. Agora o time enfrentará o Botafogo e, por favor, não desvirtuem o significado da palavra favorito. Apontar um time como favorito não é garantia de que ele irá vencer a partida. O Flamengo é o favorito neste confronto por ter um elenco com mais opções e um time inteiro.

Ao vencer o Fluminense, o Botafogo deixou claro que o forte do seu jogo é o coletivo. Mas para que isso funcione o time precisa de todos os seus jogadores. Aí entra o Departamento Médico do clube. Ao longo da semana, os médicos do clube terão que recuperar o Jorge Henrique e o Zé Carlos. Sem eles, a tarefa do Botafogo, que já é difícil, ficará ainda mais complicada.

PUNTA

Não sei a quantas anda a paciência do Mano Menezes com o Acosta, mas é necessário esperar. Noves fora o exagero de alguns que ano passado o colocaram, indevidamente, na categoria de craque, o Acosta pode jogar mais do que tem feito até agora no Corinthians. Não muito, mas o suficiente para se transformar em um jogador útil para o time. Até agora, ele ainda não desembarcou no Parque São Jorge.

E a o Atlético Paranaense conseguiu. Merece todos os aplausos e elogios. Nada melhor do que iniciar a temporada desta forma.
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