A CHANCE DO ADRIANO Pelo menos nos próximos sete meses, o domicílio profissional do Adriano será o São Paulo. Não poderia haver endereço melhor para um jogador que está à procura da arrancada perdida e do chute preciso. Faz tempo que o Adriano não disputa, ao longo de 90 minutos, um jogo à altura da sua capacidade. Dentro de um rigor absolutamente divorciado da implicância ou da perseguição, o último grande jogo do Adriano foi diante da Argentina na final da Copa das Confederações em................2005.
Convenhamos que é muito tempo. Algo assustador para um jogador que já foi de ponta, apontado como solução para a falta de gols da Seleção Brasileira e companheiro de Ronaldo, fenomenal por várias vezes, na Copa da Alemanha em.................2006. É inevitável a ligação entre as duas Copas. Na primeira, menos impactante, o Adriano se consagrou e na segunda, a que atrai os olhos do mundo, ele naufragou no mesmo bote em que estavam todos os outros. Apenas Dida, Juan, Lúcio e Zé Roberto saíram de braçadas em outra direção.
Não é muito difícil explicar e também entender o que aconteceu com o Adriano. O mais fácil é condená-lo. Às vezes um exagerado rigor impede que se entenda os tropeços e trombadas na carreira de um jogador. No caso do Adriano, a queda está associada não apenas a morte do pai, mas também ao frenético ritmo que as celebridades vivem hoje.
O dinheiro entra muito rápido. De uma forma inversamente proprocional ao que o jogador já conseguiu em sua carreira. Em dias, semanas, mais tardar meses, o jogador tem
uma mudança radical em sua vida. Deixa de ser um anônimo, a bordo de um carro modesto, que no baile ficava envergonhado de chamar a menina para dançar. Passa, então, a ser uma celebridade, com carros de última linha, cercado de mulheres que suplicam por um olhar e o consideram uma versão futebolística do Brad Pitt.
Não há como ficar imune ao novo mundo. O problema é o tempo de duração nesta vida que é nova, fascinante e não necessariamente produtiva para quem vive do físico. De uns tempos para cá, o Adriano demonstra que este mundo o incomoda. A ponto de afirmar, nas mais variadas entrevistas, que precisa dar uma guinada. Até agora, ele não conseguiu e, quem sabe, a mudança de ares poderá ajudá-lo. Encontrará no São Paulo o que todo jogador sonha, mas o problema do Adriano não está no que ele encontra e, sim, no que ele quer da carreira e da vida.
E ao acertar o empréstimo do Adriano, o São Paulo, qual o mineiro tradicional, mostra que o trabalho em silêncio é mais do que produtivo. Perdeu o Breno, mas trouxe o Juninho e ainda conta com o Joílson. São reforços importantes para um time que entrará na Libertadores na lista de relacionados para a conquista do título.
SORTEIO DA LIBERTADORES Não existe grupo forte ou grupo fraco. Quem faz o grupo ser difícil ou ser fácil é o time. Está mais do que na hora de as equipes brasileiras, incluindo aí as comissões técnicas, pensem as competições de outra forma. Esta história de falar apenas das dificuldades em nada acrescenta. O mais importante é se preparar.
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