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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
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A CHANCE DO ADRIANO

Pelo menos nos próximos sete meses, o domicílio profissional do Adriano será o São Paulo. Não poderia haver endereço melhor para um jogador que está à procura da arrancada perdida e do chute preciso. Faz tempo que o Adriano não disputa, ao longo de 90 minutos, um jogo à altura da sua capacidade. Dentro de um rigor absolutamente divorciado da implicância ou da perseguição, o último grande jogo do Adriano foi diante da Argentina na final da Copa das Confederações em................2005.

Convenhamos que é muito tempo. Algo assustador para um jogador que já foi de ponta, apontado como solução para a falta de gols da Seleção Brasileira e companheiro de Ronaldo, fenomenal por várias vezes, na Copa da Alemanha em.................2006. É inevitável a ligação entre as duas Copas. Na primeira, menos impactante, o Adriano se consagrou e na segunda, a que atrai os olhos do mundo, ele naufragou no mesmo bote em que estavam todos os outros. Apenas Dida, Juan, Lúcio e Zé Roberto saíram de braçadas em outra direção.

Não é muito difícil explicar e também entender o que aconteceu com o Adriano. O mais fácil é condená-lo. Às vezes um exagerado rigor impede que se entenda os tropeços e trombadas na carreira de um jogador. No caso do Adriano, a queda está associada não apenas a morte do pai, mas também ao frenético ritmo que as celebridades vivem hoje.

O dinheiro entra muito rápido. De uma forma inversamente proprocional ao que o jogador já conseguiu em sua carreira. Em dias, semanas, mais tardar meses, o jogador tem
uma mudança radical em sua vida. Deixa de ser um anônimo, a bordo de um carro modesto, que no baile ficava envergonhado de chamar a menina para dançar. Passa, então, a ser uma celebridade, com carros de última linha, cercado de mulheres que suplicam por um olhar e o consideram uma versão futebolística do Brad Pitt.

Não há como ficar imune ao novo mundo. O problema é o tempo de duração nesta vida que é nova, fascinante e não necessariamente produtiva para quem vive do físico. De uns tempos para cá, o Adriano demonstra que este mundo o incomoda. A ponto de afirmar, nas mais variadas entrevistas, que precisa dar uma guinada. Até agora, ele não conseguiu e, quem sabe, a mudança de ares poderá ajudá-lo. Encontrará no São Paulo o que todo jogador sonha, mas o problema do Adriano não está no que ele encontra e, sim, no que ele quer da carreira e da vida.

E ao acertar o empréstimo do Adriano, o São Paulo, qual o mineiro tradicional, mostra que o trabalho em silêncio é mais do que produtivo. Perdeu o Breno, mas trouxe o Juninho e ainda conta com o Joílson. São reforços importantes para um time que entrará na Libertadores na lista de relacionados para a conquista do título.

SORTEIO DA LIBERTADORES

Não existe grupo forte ou grupo fraco. Quem faz o grupo ser difícil ou ser fácil é o time. Está mais do que na hora de as equipes brasileiras, incluindo aí as comissões técnicas, pensem as competições de outra forma. Esta história de falar apenas das dificuldades em nada acrescenta. O mais importante é se preparar.
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FELIZ 2008

A não ser que aconteça algo fora do normal este é o último post de 2007. Estamos a menos de uma semana do fim do ano e o que mais leio, ouço e vejo é um bando de gente falando em fraternidade, igualdade, solidariedade e tantas e tontas outras coisas sobre convivência, respeito, educação e carinho. Não vou engrossar o coro. Prefiro fazer e não discursar e luto, a cada minuto e dia, para me transformar num homem melhor. Às vezes é difícil, por única e exclusiva culpa minha, mas a luta é permanente. Vem deste os tempos das calças curtas, do por favor e muito obrigado, do aperto de mão firme, forte e com o olho no olho do interlocutor e de mais recheio e menos embalagem.

Se todo mundo acreditar no que diz, o mundo, não tenham dúvida, será muito melhor em 2008. O problema passa por esta crença. Compartilho aqui uma cena que vivi na manhã desta quarta-feira: não sei a quantas anda a crença da mulher que estaciona o carro com as quatro rodas sobre a calçada e ofende a quem pondera sobre o gesto. Mas aposto que se ela estivesse empurrando o carrinho com o seu filho de colo dentro, o motorista que adotasse o seu gesto seria um insensível para dizer o mínimo. É assim que caminha a humanidade. Quando algo nos incomoda, a voz de protesto é de barítono e quando é a nossa favor ficamos mudos.

No futebol em geral, a situação se repete. Entre o que diz o responsável pela adminstração do clube e o que pratica, a distância é muito grande. O mesmo se aplica ao técnico que prega, na entrevista, o jogo limpo e manda baixar o sarrafo no adversário que fizer gracinha. E não pensem que escapa o jogador: de uns tempos para cá, ele deixou de beijar o escudo do clube, mas nem sempre sofre com a derrota ou se abate com uma má atuação. Acreditem que tipos como o Marcos, goleiro do Palmeiras, são cada vez mais raros. À época da queda do time para a Segunda Divisão, ele ficou uma semana sem sair de casa. Envergonhado. Agora, o sujeito, ainda com contrato a cumprir, já conversa com outro clube, acerta sua saída e vamos nessa que o conceito de certo e errado é uma coisa muito particular. Apenas um aviso: para mim o que é certo é certo e o que é errado é errado.

TABELA DO BRASILEIRO
Nada melhor do que um São Paulo x Grêmio para abrir o Campeonato Brasileiro. A divulgação no começo da tarde desta quarta-feira permite aos técnicos, das Séries A e B, estudarem e iniciarem o planejamento para a temporada da melhor forma possível. Assim como alguns dirigentes têm dificuldade para empregar esta palavra na pratica existem técnicos com o mesmo problema. A organização do futebol brasileiro faz a sua parte e dá a todos a chance de pensarem.

Ao que acompanham estas mal traçadas, o abraço e desejo de um 2008 com a crença na pratica. O degas retorna em janeiro.
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