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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
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GERAÇÕES DIFERENTES

Por um longo tempo, o futebol brasileiro sempre teve um jogador falante dentro de campo. Os mais antigos lembram do Zito, bicampeão mundial; havia o Gérson, que recebeu o apelido de Papagaio, e o último jogador loquaz foi o Dunga. Seu jeito de atuar está cravado na memória das novas gerações. O sujeito podia discordar de alguns modos dele, mas sabia que ali estava um líder. Alguém com a vocação paa comandar e capaz de tirar ao máximo de cada um dos seus companheiros.

Desde a aposentadoria do Dunga que este tipo de jogador praticamente desapareceu dos campos. Pelo menos no Brasil. A geração que hoje veste a camisa da Seleção Brasileira se formou praticamente sem esta figura. Capaz de dar uma bronca de pai para filho quando este chega tarde em casa e afagar nos piores momentos. Olho para a Seleção Brasileira e a vejo sem possibilidades, a curto prazo, de ter alguém com este perfil.

Como sou das antigas, eu sinto falta desta figura. Não sei se ela poderia melhorar o desempenho da Seleção Brasileira, mas o cobrador verbal é necessário. E vem de longe a ausência de um cara com a língua solta e autoridade no que diz para cobrar dos companheiros. Não creio que esteja aí o segredo do sucesso _ passa muito mais por trabalho _, mas o falante pode contribuir muito para o sucesso de um time. De uma equipe. Entendo que seja importante em qualquer atividade profissional.

O fato desta geração ter se formado sem o "papagaio" da vez é apenas um retrato de uma época. Acredito que possa até existir alguém com esta vocação _ vejo o Kaká caminhando nesta direção _, mas se ela surgir precisará de um tempo de adaptação diante dos outros companheiros. A idéia que se faz do líder muitas vezes se distancia da verdade e da importância que o jogador tem. O técnico da Seleção Brasileira, por exemplo, sempre pautou sua carreira por este comportamento e, creio, foi benéfico para os seus companheiros e times onde atuou.

Não é para ninguém ficar melindrado, caso apareça esta figura. Cobranças, desde que feitas com o respeito que todo relacionamento pede, são sempre necessárias. Valeria a pena os jogadores da Seleção Brasileira pensarem sobre isso. O time teria a ganhar. Qualquer dúvida é só perguntar ao Dunga. Ele é um especialista no assunto.
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LIÇÕES DE UM JOGO

Poucas vezes uma vitória acoplada a uma atuação ruim foi tão importante para um time. Nem o mais nacionalista dos brasileiros insinuará que a Seleção Brasileira esteve bem ou foi, em algum momento, amplamente melhor do que a Seleção do Uruguai. Mas a vitória que faz o torcedor voltar para casa com um sorriso, mesmo que tímido, e o jogador encerrar o ano com três pontos no bolsinho da algibeira ajuda a manter o ambiente tranquilo.

Há muito catedrático em atividade para explicar as razões do mau desempenho da Seleção Brasileira. Não existe apenas um motivo e, por favor, me poupem das explicações óbvias que o futebol tanto adora e geralmente colocam o técnico como o responsável por tudo. O que se viu na noite de quarta-feira foi uma equipe com três jogadores acima da média mundial atuando abaixo da média local.

Por mais que tentassem _ e a cada um a seu jeito tentou _, Robinho, Kaká e Ronaldinho Gaúcho não conseguiram nem fazer um rascunho do que são capazes. Estavam perdidos e cometeram erros que ninguém poderia imaginá-los como autores. E isso também foi muito bom para a Seleção Brasileira. Quando escrevo que o resultado combinado com a má atuação foi benéfico para o Brasil, a explicação é simples; viu-se um time determinado e sem conseguir encontrar o jogo e os três protagonistas em baixa.

Mesmo assim, o Brasil venceu e aí surge a questão mais relevante. Diante de um adversário que se jogar sempre daquele jeito garantirá classificação para a Copa do Mundo, o Brasil ganhou e ainda se deu ao direito de substituir dois dos três jogadores mais importantes da equipe: Ronaldinho Gaúcho por Josué; e Robinho por Vágner Love. A entrada do Josué foi a mais importante.

O gol foi do Luiz Fabiano, mas a jogada começou com o Josué. Antes, ele também lançara o Maicon e o Brasil criou uma situação perigosa. Deu consistência ao meio de campo, mas não emagreceu o poder ofensivo da equipe. Foi para o lixo a idéia de que atacante precisa ser substituído por atacante e zagueiro por zagueiro. Tudo depende da circunstância e do momento.

QUATRO, TRÊS, DOIS

Na Copa da Alemanha a briga era pela presença do quarteto mágico. O tempo passou e o quarteto virou um trio e depois da quarta-feira no Morumbi, o número pode ser encurtado em mais um. Ou seja, os quatro do ano passado se transformarão em dois no ano que vem. Entendo que um dos desafios, entre os vários, do Dunga é harmonizar este time com o trio, mas percebo cada vez mais difícil. Não por incapacidade, mas por falta de tempo e também de um pouco de compreensão dos citados em mudarem o rumo da prosa.

Após o jogo, o Robinho concedeu uma entrevista e no meio de explicação disse que ele e Ronaldinho atuam, no Real Madri e no Barcelona, respectivamente, na mesma faixa de campo. A pergunta é: o que os impede de decidirem quem cairá por ali? Isso não é apenas tarefa do técnico. O jogador pode e deve fazer este papel.

VAIAS E JÚLIO CÉSAR

Já dizia Nélson Rodrigues que o torcedor vaia até minuto de silêncio. Exageros à parte, o torcedor parece ter desaprendido a incentivar a Seleção Brasileira. Estamos numa fase em que o culto à depreciação é pratica comum nas 24 horas do dia. Que a Seleção Brasileira jogou mal ninguém tem dúvidas, mas a impressão era de que a possibilidade de incentivar e aplaudir sempre foi colocada em segundo plano.

Quem foi com este espírito ao estádio deve ter ficado decepcionado com a atuação do goleiro Júlio César. Ao lado de Luiz Fabiano foi o melhor em campo e não há nenhuma surpresa nesta observação. O vi ser fundamental para a conquista de um título estadual em cima do Vasco da Gama, quando jogava no Flamengo, e a ida para a Europa deu-lhe a maturidade necessária.
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TRABALHO IMPECÁVEL

No jargão do futebol, o ofendido sempre afirma que não precisa provar mais nada a ninguém. Invoca os títulos, relembra trabalhos e enumera conquistas. Como se na vida nós tivessemos apenas um teste e, aprovado nele, os outros não teriam a menor importância. Quem olha para o currículo do Joel Santana constata que ali está um profissional de primeira. Você pode não gostar do JS pelo fato de o português não ser de um Machado de Assis e o jeito fugir aos padrões do que se considera moderno e o moderno é sempre sinônimo de melhor, mais bem preparado e qualificado.

Quando desembarcou mais uma vez no Flamengo, o Joel Santana era apenas o salvador da pátria de um time em crise e envolvido no manto da desconfiança. Vinha de um trabalho interrompido no Fluminense e fora tratado nas Laranjeiras como um principiante. Um técnico abaixo da altura necessária para dirigir uma equipe com patrocinador forte e competitiva. Imagino que se passou pela cabeça do Joel Santana quando foi dispensado do tricolor. Deve ter se sentido o pior dos profissionais. Mais pelo desrespeito, que está na moda nos dias de hoje, do que pela saída.

Deve ter pensado que não valia a pena continuar nesta vida e invocado o seu currículo para aplacar a alta dose de frustração. Veio o convite do Flamengo e para sorte do Joel e do time, ele não sentou em cima das conquistas. Muito pelo contrário. Trabalhou e conseguiu resultados que muitos pensavam impossíveis. O Flamengo está na Libertadores pelos méritos e acertos que mostrou dentro do campo. Não dá para deixar mencionar o papel desempenhado pelo torcedor rubro-negro, mas não fosse o comportamento do time e de nada adiantaria o incentivo que saiu das arquibancadas com velocidade de Fórmula 1 em reta de chegada.

O sucesso do Joel Santana comprova mais uma vez que receitas não existem para se obter sucesso. Não há um modelo único e tampouco apenas uma fórmula. Joel Santana é um técnico formado em outra época do futebol. Tempo que muito se ouvia e pouco se teorizava. Por conta da arrogância que assola o país, especialmente dos que imaginam saber em excesso, ele ficou à margem do time de bons técnicos em atividade. Puro engano. É tão bom quanto o profissional com discurso sereno ou rebuscado e não deve nada ao que usa métodos científicos para explicar um esporte pautado na intuição.

Que o Flamengo não se perca pela euforia e soberba, sentimentos comuns na Gávea, e dê ao Joel Santana ainda mais condições para que o trabalho em 2008 seja ainda melhor. E que o Joel, a exemplo do que fez agora, não se conforme com o seu currículo. A luta, embora cansativa, para provar que tem competência é constante.

TRAGÉDIA ANUNCIADA

O mais dramático da tragédia na Fonte Nova é a sensação de que nem sempre as providências são tomadas com a brevidade necessária. Foi-se o tempo em que era possível contar com a sorte ou a ajuda de alguém que não se vê para evitar uma catástrofe. No dia mais importante da história recente do Bahia, o torcedor brasileiro ficou de queixo caído com o desabamento de uma parte da Fonte Nova. Seria muito bom quem, a partir desta tragédia, o jeito de ser de quem administra se modificasse.
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O DIA D

A noite de quarta-feira será mais uma noite especial na vida tão especial do Corinthians. Pode se salvar do rebaixamento e deixar o Pacaembu comemorando a permanência na Série A, sua casa por dever, mas que ele passou o ano de 2007 desprezando. Não creio no rebaixamento corintiano, mas isso é o que menos importa. O relevante de história tão decepcionante é saber se o Corinthians aprendeu alguma coisa com os seguidos tropeços, tombos e ladeira abaixo nesta temporada.

É muito fácil maquiar a realidade, esconder-se atrás de promessas que tiram os pés do torcedor do chão e jogar para debaixo do tapete os muitos problemas que o elenco responsável pelo administração do clube criou para que o Corinthians chegasse a este ponto. Não pode um clube com a grandeza que o Corinthians possui estar, a duas rodadas do encerramento do torneio mais importante do país, nesta situação.

A salvação, perfeitamente possível nesta rodada ou na última, teria que vir acompanhada de uma mudança na mentalidade corintiana. E aí mora, dorme, acorda e se espreguiça o perigo. Nem sempre os responsáveis pela adminsitração de um clube conseguem enxergar os caminhos para a solução dos problemas. No caso corintiano, o risco, caso a mentalidade não mude, de transformar o próximo ano em igual a este que já dá Boas-Festas é muito grande. Percebo que a cabeça de muita gente que entra e sai do Parque São Jorge não seu conta de como é grave a crise do clube. E a permanência na Série A não resolverá os problemas.

Neste ponto _ o de manter o time na Primeira Divisão _, o papel da torcida será fundamental. Por várias vezes, ela já justificou o apelido de Fiel. Na noite desta quarta-feira, o papel de quem escolheu o Corinthians como objeto da paixão tem que ser o de incentivar o time durante os 90 minutos. Não existe outro caminho.

RESPONSABILIDADES

Tragédias como a da Fonte Nova mostram a dificuldade verde e amarela em realizar o trabalho preventivo, muito comum em qualquer setor da vida brasileira. Descobrir os responsáveis e puni-los é mais do que um dever, mas não se pode considerar suficiente. Viriou uma pratica comum nestes momentos elevar o tom de voz, prometer e depois apostar no esquecimento. O mais importante é que se crie a idéia de que o trabalho preventivo, o estudo em cima do que pode acontecer para se precaver e a necessidade de ser rigoroso são fundamentais para que as tragédias não sejam tão comuns quanto tomar o café da manhã e falar mal da vida alheia.
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O FIM DE UM CICLO

O Mano Menezes anunciou sua saída do Grêmio. Não é para se lamentar. E antes que alguém olhe para este blogueiro como um crítico do trabalho do MM, o aviso faz-se necessário: chega um momento em que as relações, sejam profissionais ou afetivas, acabam e o melhor é cada um seguir para o seu lado. Pode ser até que pensando numa mulher ou num time.

Entre os muitos olhares equivocados que damos para o futebol, o da permanência dos técnicos por uma vida à frente de um clube é algo que considera-se fundamental para o sucesso da equipe. Discordo deste ponto de vista. Há um momento em que o profissional sabe o quanto está desgastada a sua relação com os jogadores, com os dirigentes e ambiciona respirar outros ares na carreira.

O Mano se encaixa exatamente no último exemplo. Há algum tempo, ele imagina respirar outros ares, viver novas situações e enfrentar desafios diferentes. Típico de um treinador da sua geração, que certamente pensa que a troca de endereço só terá a acrescentar ao seu trabalho. Este rompimento com uma situação que parecia segura é saudável para o futebol. Às vezes a estabilidade é confundida com acomodação.

O mais bem acabado exemplo de como a troca de técnico nem sempre é prejudical, para o clube ou para o profissional, por maior que seja o tempo de permanência, é o São Paulo. Exceto pelo Muricy Ramalho, que ´completou duas temporadas, o clube teve um rodízio constantes que em nada abalou a busca por resultados favoráveis.

Com a saída do MM, o Grêmio perde um profissional que certamente terá muito mais a aprender no clube que for trabalhar. Simplesmente pelo fato de que estas experiências são mais do que interessantes. Já o Grêmio terá que encontrar alguém que consiga manter o nível exigido pelo time nos últimos anos, mas que não será o Mano. É difícil.
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O JOEL NÃO ESTÁ ERRADO

Leio que o Joel Santana pode trocar a Gávea por um lugar qualquer. Não definem o continente e aí fica difícil imaginar qual será o clube. No início da semana, o Joel Santana não podia andar pelas ruas. Virou uma celebridade e deve ter curtido o momento com a dedicação que ele merecia. Tapas nas costas, palavras elogiosas, afagos no ego e acunpuntura na estima fizeram parte do cotidiano de um carioca típico chamado Joel Santana. E não há quem reclame disso. Faz bem a todos.

Não tenho a menor idéia se o Joel Santana ficará no cargo, mas ele optar por trocar o CEP da Gávea por outro, a decisão terá um componente que volta e meia se transforma em artigo pouco comum no futebol: bom senso. Anos de vestiário, horas a fio à beira do campo e temporadas de preleções já mostraram ao Joel Santana que o afago de hoje é o tapa de amanhã e o elogio vira uma crítica daquelas que nem remédio para o fígado aplacar o mau humor. Tem sabor de vinagre.

Fica claro que se o Joel Santana for embora, ele deixará para trás uma campanha memorável na memorável história do Flamengo. Foi um dos responsáveis _ não esqueçam dos jogadores! _ pela ressurreição rubro-negra. Antecipou o Natal e acrescentou o preto à roupa vermelha do Papai Noel.

FICOU PARA DOMINGO

Quando não ser entender o entendível, o resto fica mais dífil. O degas aqui não é contrário a queda do Corinthians, mas entende que o seu lugar é na Série A do futebol brasileiro, desde que faça por merecê-la. Neste Campeonato Brasileiro, o Corinthians pouco fez para sair desta situação. Perdeu-se no meio de um caminho que há tempos sofre com a falta de sol e precisa de asfaltamento. Se for rebaixado jogará a Série B, como já aconteceu com outros tão importantes quanto ele, e precisará voltar, dentro de campo, para o primeiro escalão do futebol nacional.

No jogo de quarta-feria, contra o Vasco da Gama, o que sobrou ao Corinthians foi dedicação. A palavra operário vestiria bem cada um dos jogadores. Todos lutaram, mas esbarraram nas próprias limitações. Saiu de campo com a cabeça em pé, mas a estima baixa.
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A AGONIA DE UMA PAIXÃO

Pouca gente deve ter pensado que o último capítulo do Campeonato Brasileiro seria tão empolgante quanto aquelas tramas escritas pela Janete Clair, que paravam o país, a partir das oito da noite. Lembro que a pergunta sobre quem matou Salomão Hayala era assunto obrigatório em qualquer roda de conversa. Fosse de intelectuais ou de gente simples e sem a pretensão de interpretar ou mudar o mundo.

Quando a Janete Clair pendurou a máquina de escrever veio o Gilberto Braga e o país, tal e qual em outras épocas, substituiu o Salomão Hayala pela Odete Roitman e continou com a mesma pergunta: quem matou Odete Roitman, interpretada pela Beatriz Segall e uma das grandes vilãs na história da telenovela brasileira.

O século XXI ainda não completou a sua primeria década e novamente o país sai às ruas com uma pergunta na ponta da língua. Desta vez, o personagem não é um homem ou uma mulher. Trata-se de um clube de futebol, dono da segunda maior torcida do país e que se viu, graças ao próprio esforço administrativo, diante de uma situação mais do que desconfortável. "Será que o Corinthians vai cair?", pergunta a senhor à saída da missa; o entregador de pão; o rapaz que foi aprovado sem necessidade de recuperação no colégio e o monge budista de passagem pelo país. Virou uma pergunta nacional e a resposta tem hora e dia: domingo, às 18 horas.

Faço parte de um grupo que não acredita na queda e corre o risco, caso o tombo aconteça, de ser desdenhado a partir do horário da resposta. Não é o mais relevante. O importante da história é saber o que será da vida daqui para a frente. Caia ou não, o Corinthians terá que mudar o seu passo. E isso independe da resposta que o domingo dará.
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A QUEDA NÃO É O FIM

Por muito tempo, o torcedor do Corinthians há de se lembrar da tarde de 2 de dezembro do ano da graça de 2007. A queda oficializada ontem, após 90 minutos de uma partida em que foi dominado pelo Grêmio, foi construída com precisão e me fez quebrar a cara: achava que o Corinthians, apesar de todos os problemas, conseguiria se manter na Série A. Foi para a segunda divisão não pelo resultado diante do Grêmio, mas por tudo que fez em todas as rodadas do Campeonato Brasileiro.

Não adianta agora lamentar pelos erros cometidos ou acusar este ou aquele pelos desmandos. Quando o dinheiro fácil se apresentou, o pensamento crítico do corintiano foi reduzido praticamente a zero. Mais valia o peso dos dólares e a sedução dos jogadores contratados do que olhar para a frente e ver o que poderia acontecer. A parceria foi, na verdade, uma exceção dentro da problemática vida do Corinthians nos últimos tempos. Antes de assinar o pacto, o Corinthians também flertou com a segunda divisão.

Agora o time está na segunda divisão e somente em dezembro do ano que vem saberá se terá ou não o direito de voltar a jogar pela Série A. Não é o fim do mundo jogar na segunda divisão e o Palmeiras, o Grêmio, o Botafogo, o Atlético Mineiro e agora o Coritiba estão aí para mostrar que existe vida e ar respirável fora da Série A. É isso o que o Corinthians precisa fazer. Necessitará se acostumar com a nova vida, que não transforma o clube em menor e tampouco o faz pior do que os outros.

Se o Corinthians disputar a segunda divisão com jeito de segunda divisão e não com o pensamento de que é de primeira divisão, o retorno será mais fácil. Quem disputa a Segunda Divisão precisa saber que ali não é a mesma coisa que a primeira. E antes de sair deste capítulo um registro faz-se necessário: está mais do que na hora de se acabar com esta mania de querer se esperto no futebol brasileiro, na verdade, na vida. O atraso do Corinthians para entrar em campo, a tentativa de induzir o desinteresse dos jogadores do Grêmio, informando o resultado, foram piores do que a queda e mereciam punição exemplar.

Sem nada a ver com a queda do Corinthians, o Goiás fez o seu papel e, por favor, não queiram culpar o assistente Ilton Moutinho pela repetição na cobrança de pênaltis. Ele agiu corretamente e passa a ser olhado como exceção pelo fato de que poucos companheiros de profissão têm a coragem de fazer o mesmo.

A permanência do Goiás na Série A deve ser comemorada, mas não pode se perder. Clube com um estrutura superior a de muitos outros de estados importantes, o Goiás não pode passar pelo sufoco que passou. Que tenha aprendido a lição.

LEÃO E O CRUZEIRO

Quem acompanha este blog sabe que não defendo a supervalorização dos técnicos. São importantes, mas não podem ser colocados acima dos jogadores. O trabalho é bem feito, quando se percebe que os jogadores acreditam no que diz o treinador. E o Atlético Mineiro é um bem acabado exemplo de como os jogadores passaram a acreditar no que dizia o Emerson Leão. Este foi o seu maior mérito. Tanto quanto a maioria dos elencos em atividade, o Atlético Mineiro soube se superar e no Palestra Itália administrou a intraquilidade do Palmeiras.

Venceu com sobras e colocou o Cruzeiro na Libertadores e coitados dos que imaginaram numa possível armação para derrubar o arquirival Cruzeiro. O sujeito pode não gostar do Leão, mas basta olhar a carreira dele para ver que o jogador e o técnico não são personagens deste tipo de falcatrua.
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LIÇÕES PARA O BOTAFOGO

Aqui e ali ouço elogios da maioria dos técnicos ao desempenho, durante uma certa parte da temporada, ao time do Botafogo. Já ouvi comentários favoráveis de gente que não tem nenhuma pretensão em falar apenas para agradar. Falo de profissionais como o Muricy Ramalho, o Vanderlei Luxemburgo, o Mano Menezes, o Joel Santana e o Caio Júnior.


Não deixa de ser curioso observar que o time que mais frustrou do que alegrou receba tantos elogios. Por conta dos insucessos, o time do Botafogo foi desmontado. Deixou para trás uma saldo favorável para quem não se preocupa apenas com os resultados, caso do degas aqui, e algumas lições que se aplicam não apenas ao próprio Botafogo como também para outros times que a cada ano dão um passo, para a frente, em direção a dias melhores.

No planejamento que fez ano passado, o Botafogo cometeu uma negligência que lhe custou caro: desprezou a possibilidade de contratar um goleiro e decidiu apostar nos que lá estavam. Pois nenhum deles foi capaz, em momentos decisivos, de dar conta do recado. Das falhas de Júlio César e Max nos jogos decisivos com o Flamengo, passando novamente por Júlio César na Copa do Brasil, mais uma vez com Max na Copa Sul-Americana e depois com Roger nos jogos contra o Juventude e o América de Natal.

Tem muito catedrático que transforma o futebol numa equação complicada, capaz de se transformar numa questão sem chance de acerto no vestibular. Pois tenham todos a quantas estas lerem que o futebol, necessariamente, nem sempre é tão complicado assim. Tivesse se preocupado em contratar um goleiro minimamente capaz de render em momentos decisivos _ não falo de um Rogério Ceni, Felipe, Diego Cavalieri ou Bruno _ e o Botafogo poderia ter obtido resultados mais favoráveis.

Não os obteve e agora vê o seu time se desmantelar. Nada mais natural. Os resultados não vieram, mas os jogadores se valorizaram. E o clube, sem conquistas, não tem outra alternativa que não seja dsar tchau e obrigado para quem vai embora. Não tenho a menor idéia de como será o Botafogo de 2008, mas pode ser que não seja pior do que 2007, desde que tenham aprendido algumas lições. A mais importante é que não se pode negligenciar em nenhuma posição e muito menos na de goleiro. A outra é que no clube fala-se em excesso. Tem sempre disposto a dar uma opinião.

Possui o Botafogo um dos técnicos mais inquietos em atividade no futebol brasileiro. Tão inquieto quanto ansioso por um título. Se tiver a paciência necessária, o Cuca entenderá que o título será consequência do seu trabalho e da sua capacidade. Ambos não podem ser desprezados. É um profissional que sabe montar um time. Tem uma diretoria a respaldá-lo, mas ambos _ Cuca e dirgentes _ precisam saber dosar a ansiedade. O sucesso na temporada de 2008, independentemente do elenco, dependerá disso.
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A REALIDADE E O SONHO

A saída do Breno, revelação do Campeonato Brasileiro, para o Bayer de Munique trará à tona a discussão sobre a negociação dos jogadores da terra da palmeira onde canta o sabiá. Há quem fique pasmo com a constante negociação, mas eu não me surpreendo e, creio, será cada vez mais normal ver um jovem da geração do Breno passar pelo Aeroporto e deixar o feijão para trás.

Na noite de terça-feira um sorridente Breno foi para a Alemanha. Cercado de microfones, ele traduziu um pouco o pensamento que domina a sua geração: "todo jogador brasileiro sonha em se transferir para a Europa", disse o jovem Breno. Está aí a grande questão e que será cada vez mais difícil de ser combatida.

Por uma série de motivos, o jogador da nova geração não tem a pretensão de atuar no Maracanã, Morumbi, ser personagem de um Atlético x Cruzeiro ou viver a efervescência que cerca um Grenal. Ele quer mais é conhecer o outro lado do mundo e pouco importa se o estádio é acanhado, a grama está coberta de neve e a dificuldade de trocar informações com o companheiro seja cada vez mais difícil.

A nova geração do futebol brasileiro tem uma cabeça bem diferente de outras em épocas atrás. Não possui _ e isso deve ser respeitado _ a visão que mantinha o jogador preso ao país. O salto financeiro que uma transferência representa, além da oportunidade de conviver com os que são considerados os melhores do mundo, faz com que o jogador não pense duas vezes quando a proposta se apresenta.

É o caso do Breno e será de tantos outros que passarem pela mesma situação. A transferência representa o fim de muitos problemas.
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O TEMPO PASSOU PARA O ALEX

O gol que o Alex, do Fenerbache, marcou contra o CSKA trouxe à tona discussão tão antiga quanto o talento deste jogador mais injustiçado do que reconhecido. Aqui e ali, a começar pelo Zico, autoridade no assunto, os elogios sobre o futebol do Alex se avolumaram na mesma proporção do seu talento e da facilidade com que coleciona gols e lances bonitos.

Existem jogadores que terminam a carreira em débito. Entre o que fizeram e poderiam ter feito, a diferença é abissal. Para não alongar a discussão, eu cito o Roger, por ora sem clube, que hoje é visto como um deslumbrado e desinteressado do mundo da bola. O Alex se encaixa um pouco neste perfil. Ao longo da carreira, ele poderia ter conseguido muito mais. Não obteve e seria simplismo colocar a culpa apenas nos técnicos que dirigiram a Seleção Brasileira e não deram ao Alex a chance devida.

Jogador dominado pela serenidade, o que é raro, o Alex alimentou, pelo menos por três Copas do Mundo, o sonho de disputar uma que fosse. A que esteve mais próximo foi a da "ponte-aérea" Japão-Coréia e nesta quem treinava a Seleção Brasileira era o Luiz Felipe Scolari. Logo, o LFS que sempre foi um admirador do futebol do Alex. Não sei quais foram os motivos que determinaram tal atitude do Luiz Felipe, mas entendo que aquela era a hora de o Alex ter jogado a Copa.

Não a disputou e o título conquistado pelo Brasil deixou em segundo _ terceiro, quarto, quinto _ plano a ausência do Alex. Para a Copa de 2006, ele também não alimentaqva esperanças e lembro de tê-lo visto na Granja Comary sem alimentar a esperança de viajar para a Alemanha na delegação brasileira. Vejo o ressurgimento do nome do Alex, especialmente após a marcação daquiele belíssimo gol, como uma tentativa do torcedor de pagar uma dívida não contraída por ele, mas por quem o deixou de fora de duas Copas.

Por ser um sujeito que não restringe o seu olhar apenas para o mundo da bola é possível que o Alex não alimente mais o sonho de jogar uma Copa do Mundo, o que é perfeitamente normal. E também não estou aqui a fazer campanha para que seja convocado pelo Dunga. O que me estimula a escrever sobre o Alex é o fato de que ele poderia ter conseguido mais com a camisa verde e amarela, mas não conseguiu, entre outros motivos, pelo fato de alguns preconceituosos terem criado a idéia de que o futebol do Alex era de vaga-lume. Foi uma dessas definições que o autor deve ter achado brilhante, mas que somente contribuiu para prejudicar a carreira do Alex. Aliás quem faz um gol como aquele de vaga-lume não tem nada.
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A NOVA MISSÃO DO ROMÁRIO

Dentro do campo, o Romário sempre foi surpreendente. Quem tiver o prazer de rever os gols marcados ao longo da carreira terá a possibilidade constatar o quanto o Romário desafinou o coro dos contentes. Capaz de subir mais do que suecos bem nascidos, alimentados e nutridos e de encontrar espaços em trechos do campo que desafiaram a lei da física.

Não é possível, apenas por conta do jogo que o Vasco da Gama fez pela Sul-Americana sob a direção do Romário, dizer que ele se transformará em um bom técnico. Nem sei se o Romário tem a pretensão de, após pendurar as chuteiras, trocar o campo por expediente à beira dele. Mas a idéia de vê-lo como técnico não é para ser rechaçada, como a força de rebatida de zagueiro botinudo. Será preciso observar primeiro para opinar depois, embora isso não seja pratica muito comum nestes tempos de exagerada pressa e reduzida atenção.

Nesta nova tarefa, que tem prazo de validade e é conveniente lembrar que nestes casos prazos podem ser descumpridos, o Romário terá a companhia do Alfredo Sampaio. É um técnico que ainda busca consolidar o seu nome. Me parece interessante uma parceria que une um técnico estreante, ainda engatinhando em algumas questões, com outro que já acumulou experiência e pode ser útil em determinadas situações.

Antes de crucificar a escolha do Romário, eu prefiro a espera. Ao vê-lo em entrevista, a certeza é de que ele parece empolgado com a nova tarefa. Se terá paciência para trilhar este caminho é outra história. Mas não deixa de ser saudável que um sujeito avesso ao cientificismo, que conhece o universo do jogador de futebol tenha, nem que seja por uma Taça Guanabara, o interesse em desempenhar o papel de técnico. Fico com a sensação que a experiência bem-sucedida de alguns _ Do Klinsmann ao Dunga, passando pelo Zico _ tem tido efeito favorável.
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DE RONALDO A KAKÁ

Cinco anos atrás, naquele mesmo gramado do estádio em que o Milan conquistou o Mundial de Clubes, o Ronaldo, à época fenomenal, era a estrela da festa. O dono de todos os espaços, o dono do mundo e caminhava com a bandeira do Brasil. Diz um sábio desses que jamais escreveu um livro e só aprendeu nas esquinas que a vida é circuito oval. Pena que nem todos saibam disso ou aceitem a realidade.

Assim que terminou o jogo, a festa em torno do Milan, especialmente ao redor do Kaká, era mais do que justificada. Ninguém tem dúvidas de que o atacante brasileiro foi o melhor em campo e responsável direto pelo título milanista. Quando não fez participou e, ao lado do Seedorf, mostrou como se desequilibra uma partida. Mas não foi esta a cena que mais me chamou a atenção. Comemorações e despedidas são sempre iguais _ na do Milan só teve uma diferença. Ninguém conversou com a câmera mandando mensagem para a mãe, o pai, a namorada ou a turma da rua.

No meio daquela festa, a figura que mais me chamou a atenção foi a do Ronaldo, fenomenal cinco anos atrás naquele mesmo campo. Com o uniforme do Milan, de tênis e cabelo um pouco mais curto, ele filmava a festa, como se fosse um torcedor. Nada mais do que isso. Ao vê-lo, expressão descontraída mas certamente frustrado pela ausência, e não pude deixar de voltar no tempo e recordar o que aconteceu cinco anos atrás. Qual um filme, o que vi foi um Ronaldo de camisa amarela, calção azul, cabelo à moda Cascão e um título mundial. O quinto na galeria brasileira.

Pois o tempo passou não apenas diante da janela da Carolina. Daquele jogo para cá, o Ronaldo mais filmou do que foi filmado. Naquela Copa do Mundo, o Kaká era um figurante à caminho do papel de coadjuvante. E o Ronaldo, fenomenal então, o grande protagonista. Como dizem os puxa-sacos: o homem que mandava prender e manda soltar. Agora, o Ronaldo, que já foi fenomenal, é um mero espectador. Um figurante ilustre de uma companha formada por grandes estrelas.

Não sei se o Ronaldo se deu conta do que aconteceu no gramado do estádio de Yokohama, mas se parar e pensar um pouquinho ele verá que as mudanças nos papési não aconteceram por acaso. Em cinco anos, ele disputou uma outra Copa do Mundo e mais decepcionou do que alegrou. Está certo que no jogo com a França, ele foi um dos que procuraram o gol e tentaram, mas isso foi muito pouco diante das atuações que teve.

Ao mesmo tempo em que o Ronaldo acumulava histórias de um passado fenomenal, o Kaká escrevia histórias no presente e no futuro. Soube aproveitar muito bem estes cinco anos. Deixou no Aeroporto de Narita o menino tímido, o jogador promissor e cedeu lugar para um sujeito que sabe o que quer e conhece o caminho.

Nesta segunda-feira, o Kaká será eleito _ o contrário se transformará numa grande surpresa _ o melhor jogador do mundo. Tanto quanto o prêmio anterior e o título conquistado sobre o Boca Juniors é mais um reconhecimento a quem sobra na turma. Não é situação nova para o Ronaldo, que em épocas fenomenais levou dois destes prêmios para casa. O novo, que pelo menos para mim causa estranhamento e, quem diria, um certo desconforto, é observar o Ronaldo como um fã a filmar os jogadores que construiram o título do MIlan. O novo é vê-lo ali com o olhar fixo no visor da câmera procurando os melhores ângulos e as melhores imagens.

Sei lá se o Ronaldo se incomoda, mas confesso que eu fiquei meio aturdido. Ao cinegrafista, eu prefiro o atacante. Tomara que ele também ainda prefira, pois ao lado do Kaká não teria melhor parceiro para se reencontrar com um passado que não é tão distante assim: cinco anos, um a mais do que o mandato presidencial.
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PROGRAMADO PARA VENCER

Não vem do tempo em que o Dondon jogava no Andaraí, mas é da época da Discoteca do Chacrinha, das Brumas da Avalon e da Guerra nas Estrelas. Com estardalhaço digno dos dias de hoje estreou o "Homem de Seis Milhões de dólares", que ainda é muita grana, mas naqueles dias soava como valor mais do que capaz de fazer o presente e o futuro de um sujeito com a sua família e os herdeiros.

A breve volta ao passado é para justificar o emprego do verbo programar no título do blog. O tal do Homem de seis milhões de dólares, interpretado pelo Lee Majors, era o resultado de um trabalho em laboratório, não era político, mas biônico. Quando olho para o futebol que o Kaká tem apresentado e, em especial, neste ano ano de 2007, a sensação é de que nada tem acontecido por acaso. Muito pelo contrário. Ali está um jogador que tem uma carreira tão pensada quanto talentosa.

Nem o frustrante desempenho da Seleção Brasileira na Copa da Alemanha foi capaz de abalar o desempenho do Kaká. Vejam que dos outros integrantes daquele tão falado quarteto, ele é o único que permanece no topo. Os demais, por diferentes motivos, ainda não conseguiram justificar o uso da palavra mágico para defini-los quando entram em campo. O Kaká impressiona pela regularidade e pela utilidade ao time. Além disso, ele é ambicioso e isso deveria ser observado por todos os jogadores e técnicos em atividade no futebol brasileiro.

Relembrem o gol marcado por ele naquela arrancada pelo lado esquerdo. Quando recebe a bola, o Maldini está caído e o Kaká dá prosseguimento à jogada. Nem sequer cogita a possibilidade de jogar a bola pela linha lateral, afinal o seu time vencia, e poderia ganhar tempo com esta atitude. Pensou de maneira completamente diferente da maioria. Fez o gol e mostrou que entre o jogo para quem quer levar vantagem e a busca pelo gol, o melhor será sempre a segunda opção.

A continuar assim, o Kaká terá condições de figurar entre os melhores durante muito tempo. Deve pensar ainda na Copa do Mundo como mais um grande desafio e não deve ter dúvidas de que é apenas uma questão de tempo. O encontro está marcado para a África do Sul, em 2010.

O ELENCO EM AÇÃO

Quem ainda não viu o útlimo SporTV Repórter sobre a maneira como as crianças e os sonhos de virar jogador de futebol são tratados não pode perder o programa. Tem-se ao longo de 1 hora uma idéia clara e sem retoques de como a busca pelo lucro e o desejo incessante de fazer dinheiro, sem qualquer tipo de preocupação, rouba a infância de uma garotada que deveria estar na escola e ter o futebol como uma opção de lazer. Veja e reflita sobre a quantas anda a cabeça de uma parte do elenco verde e amarelo.
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A MOTIVAÇÃO DO VANDERLEI

Não há como evitar o óbvio: na troca de técnico, o Palmeiras saiu ganhando. Nada contra o Caio Júnior, que pode ser considerado um técnico promissor, mas o Vanderlei Luxemburgo leva para o Palestra Itália a experiência acumulada em anos, além de um natural talento para montar times, mexer com os jogadores e fazê-los render. Vejam o caso do Pedrinho. Em vários clubes, ele não conseguiu a sequência tão desejada para um jogador que atua numa equipe de ponta. Pois foi no Santos, sob a direção do Vanderlei, que o Pedrinho teve a temporada mais regular dos últimos tempos.

Será exatamente este Vanderlei Luxemburgo, mais experiente e maduro e com faro aguçado para fazer um jogador render, que trabalhará no Palmeiras. Na sua última passagem, ele não teve à disposição a situação que encontrará agora. Culpá-lo pelo rebaixamento do Palmeiras é um exagero. Entre a saída do Vanderlei Luxemburgo e a queda houve uma distância tão grande quanto a fragilidade do time.

Os projetos do Palmeiras para a temporada de 2008 são ambiciosos e talvez seja esta a maior motivação do Vanderlei Luxemburgo. Sabe que o Palmeiras do próximo ano será muito maior do que o Palmeiras deste.

RECONHECIMENTO

Ninguém é obrigado a gostar de ninguém, mas a justiça é fundamental quando se observa uma pessoa ou situação. O sujeito pode achar o Emerson Leão antipático, grosseiro algumas vezes, mas os últimos trabalhos mostram que competência ele tem. Basta olhar o que fez no Palmeiras, no Corinthians e no Atlético Mineiro. Ao acertar com o Santos, o Leão tira a roupa de bombeiro que o acompanhou nos trabalhos anteriores e tem a oportunidade de mostrar, mais uma vez, que não é apenas um técnico bom para situações emergenciais. Creio que este Santos não terá orçamento tão ambicioso assim, mas no futebol por cá praticado o sucesso de uma equipe não depende necessariamente das estrelas que possui. É o caso do Santos e o Emerson Leão sabe disso.
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APOSTA NO ACOSTA

Pelo que apresentou no Campeonato Brasileiro, o uruguaio Acosta mereceu todos os elogios que recebeu. Só que ele ainda se encaixa naquele perfil de jogador que você não sabe se é bom ou se passou por uma boa fase. O tempo dirá o quanto o Acosta do Náutico é verdadeiro ou se tudo aquilo não foi passageiro. Noves fora as dúvidas que, pelo menos para mim, envolvem o Acosta, a movimentação corintiana mostra o quanto o clube está preoocupado em obter reforços e fazer de 2008 um ano diferente deste que termina.

Não creio que o sucesso do trabalho do Mano Menezes passe apenas por um ou outro jogador. Quem acompanha com a atenção devida a carreira do MM já pode constatar que ele prioriza o jogo coletivo muito mais do que o individual. Não se deve exagerar na importância dos técnicos à frente de uma equipe _ hábito adquirido nos anos oitenta _, mas também não se pode colocá-lo apenas como um figurante. Ele tem sua importância e, no caso corintiano, a importância será ainda maior.

Como será importante a presença do Joel Santana à frente do elenco rubro-negro. Mas há um detalhe que me chama a atenção neste Flamengo que pensa em 2008: as contratações feitas até agora mostram que a preocupação tem sido em preencher os espaços que o elenco apresentava. Vale observar que o Flamengo mantém uma base fundamental para ter um time ainda mais envolvente em 2008. Nada disso significa que o Flamengo ou o Corinthians terão um ano espetacular. A cada dia me convenço mais e mais de que o futebol não tem tanta lógica assim, como volta e meia os cientistas querem mostrar.

O VOTO DE DUNGA

Não entendo os protestos pelo fato de o Dunga ter votado no Pirlo, apoiador do Milan, e que seria titular da maioria dos clubes brasileiros e tem condições de ser convocado até para a Seleção Brasileira. Fica a impressão de que o voto só é bom quando coincide com o meu, o seu e o nosso. Se participasse deste colégio eleitoral, eu não teria votado no Pirlo, mas entendo e aceito o contrário. Convivo bem com o diferente e fico incomocado quando a diferença é vista com deboche ou considerada absurda. Democracia, este bem precioso pelo qual devemos zelar o tempo inteiro, tem destas coisas. Ainda bem que o Dunga pensa diferente do beltrano, que pensa diferente do sicrano e por aí vai.

O DOPING DO ROMÁRIO

A luta contra o doping é mais do que elogiável, mas a puinição ao Romário, tal e qual ao Dodô, se enciaxa naquela situação que pede uma reflexão de quem controla e pune os responsáveis. Está mais do que claro que não houve nenhuma intenção do Romário de levar vantagem, assim como o Marcão, o Dodô e tantos outros. Ou se repensa a legislação _ e os casos estão aí _ ou se vai acumular um número tal de injustiças que a falta de critério estará mais presente do que o critério.
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