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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
LADEIRA

Nas ruas, esquinas e favelas, como cantava o poeta, o assunto é um só: o Corinthians vai disputar a Série B em 2008. Virou uma certeza e os argumentos contrários, tão fracos quanto um faquir após quebra de recorde mundial, não se sustentam. Continuo a acreditar que o clube permanecerá na primeira divisão. Entro e saio de discussões e o único argumento que posso paresentar é a confiança na capacidade de reação do time em determinado instante.

Vejo o tempo passar, a reação não aparece, mas em algum momento será possível dar a volta por cima. O empate contra o Náutico não seria um mau resultado e o pênalti cometido pelo Aílton só mostrou o quanto este grupo fez um pacto com o desequilíbrio. A reação pode não vir na próxima rodada, diante do Figueirense, mas será possível. A única certeza é que a permanência, caso se confirme, só acontecerá na última rodada.

MELHOR DO RIO

Como piada e provocação na hora do cafezinho ou do almoço é sensacional. Mas não levem a sério esta história de melhor do Rio, posto agora ocupado pelo Flamengo e que foi do Botafogo durante onze rodadas. É muito pouco para as tradições, a história e o carisma que os clubes do Rio de Janeiro têm. Contetar-se com o título não está à altura de quem deve entrar no Campeonato Brasileiro sonhando sempre com os primeiros lugares.

JOEL SANTANA

Na entrevista coletiva que concedeu após a vitória do Flamengo sobre o Grêmio, o Joel Santana evitou chamar a atenção para o seu trabalho. Fez questão de dividir as partes da ressurreição rubro-negra com os jogadores e a diretoria. Está absolutamente certo. Pode-se creditar a todos os envolvidos com o futebol do clube parcelas pela recuperação.

Fora do campo, o torcedor fez o seu papel. Mostrou que este é o papel de quem tem paixão pelo time que escolheu. Em determinados instantes, o protesto deve ser colocado no fundo de uma gaveta. Deu a torcida do Flamengo a receita. Quem percebeu deve adotá-la.
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NOVIDADE BEM SACADA

O Romário não poderia encerrar a carreira sem desempenhar o papel de técnico. Por conta da altura, a função de goleiro ficava praticamente impossível. Mas a de professor de plantão à beira do campo teria que fazer parte desta brilhante carreira que caminha para o ponto final a qualquer momento.

Ao indicá-lo como o sucessor do Celso Roth _ e esta demissão foi provocada pela derrota para o Flamengo _, a diretoria do Vasco da Gama mexeu com o seu torcedor para a partida desta quarta-feira em São Januário contra o America do México. Os últimos resultados do time mais decepcionam do que alegram e o torcedor provavelmente não estava nem um pouco motivado para sair de casa na noite de quarta-feira e gritar o nome do clube. Com a indicação do Romário, um interino de luxo, o torcedor estará motivado. Sairá de casa, comprará pastilhas para a garganta _ na ausência indica-se própolis _ e incentivará o Vasco da Gama até o último minuto.

Mais brilhante personagem de uma geração que praticamente desaparece dos campos, o Romário tratou com muito bom-humor a sua indicação. Não esperava outro tipo de comportamento de alguém que sempre tem uma tirada irônica e é rápido no pensamento, especialmente para colocar apelidos. É conhecida a história de um sujeito baixinho como ele que recebeu o apelido de "mentirinha", dado pelo Romário. Espantado, o "eleito foi perguntar ao Romário o porquê do apelido ou alcunha. A resposta foi rápida: "pô peixe tu tens pernas curtas, igual a mentira. Como tu és baixinho fica mentirinha".

No exercício desta nova atividade não creio que o Romário dará ares professorais ao seu comportamento. Muito pelo contrário. A simplicidade sempre foi um das suas marcas. Dentro do campo no instante de marcar _ e isso o transformou num dos mais objetivos atacantes do mundo _ ele jamais complicou um lance. Quantos atacantes se perdem por desejarem firular? Continua fiel a uma turma de amigos que não aparece pela fama e nem concede autógrafos. É o pessoal das antigas, dos tempos de pouca comida e muitos sonhos.

Quem acompanha a carreira do Romário já o viu, em campo, várias vezes abrindo os braços braços e orientando a saída de bola do seu time. Todo sujeito que sabe jogar futebol tem uma vocação para técnico. Se vai enxergar bem ou não o que acontece ou se vai conseguir transmitir para os comandados o que percebe é outra história. Mas é claro que o Romário tem muito mais facildiade para entender o que acontece dentro das quatro linhas do que a maioria dos limitados jogadores do Vasco da Gama.

Como gosta mais de jogar do que ver futebol, o Romário não terá uma carreira longa como técnico de futebol. Creio que ela deve começar e terminar na noite desta quarta-feira em São Januário. Mas nestes tempos de mesmice, sem ninguém para desafinar o coro dos contentes a indicação caiu como um bálsamo.
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A FALTA DE AMBIÇÃO

Falam muitas coisas do carioca. A gaúcha Adriana Calcanhoto, por exemplo, cantou que eles não gostam de dias nublados _ imaginem com o Túnel Rebouças interditado _ de sinais fechados e que são bonitos. Acrescentaria, com a humildade dos sem talento para compor, cantar e interpretar, que cariocas são bem-humorados e fazem troça com tudo. Da cidade onde vivem ao careca das arquibancadas do Maracanã, passando pelo baixinho na fila do cinema e pelo narigudo do boteco tudo é motivo de gozação. Tal e qual o samba, o carioca sabe que o Rio de Janeira pode até agonizar, mas não vai morrer. E quanto mais apanha, assim como aquele puro-sangue na reta de chegada, mais ele resiste.

Pois este carioca brejeiro e faceiro, com incrível capacidade de marcar encontros aos quais não comparece e de fazer novas amizades com a velocidade do Felipe Massa no Grande Prêmio Brasil, agora criou um campeonato dentro do Campeonato Brasileiro: o de melhor do Rio. É uma referência a que clube será o mais bem colocado dentro da tabela de classificação do Brasileiro.

Funciona como brincadeira, enquanto o sujeito está na fila do restaurante à quilo na maior dúvida entre a rúcula e o agrião, serve para atenuar o impacto que o noticiário político causa e até para abrandar a irritação com os engarrafamentos, que chova ou faça sol se transformaram em prato do dia no cotidiano urbano _ detesto a rima, mas foi inevitável. Só que é quase nada, apenas para ser educado, para o futebol de um estado que sempre se caracterizou pela ambição. Os torcedores, ainda bem que não era torcida, que lotaram o Maracanã no jogo da Seleção Brasileira, só têm este amor pelo futebol por conta do que fizeram os quatro grandes clubes do Rio de Janeiro. Graças aos títulos, jogadores convocados para a Seleção Brasileira e tudo o mais, a paixão existe.

Quando leio, vejo e ouço os cariocas levando a sério a história de melhor do Rio, atrás de clubes de São Paulo, de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul, fico com a sensação de que o pensamento e o olhar correm o risco de se apequenar. Qual é a vantagem de terminar em sexto lugar na frente dos outros três rivais do mesmo estado? Nenhuma. É muito pouco para quem tem história para contar.

Houve um tempo em que o sentimento do torcedor em relação ao Campeonato era modesto. Só que isso ficou para trás. Há uma diferença entre o passado, não muito distante, e o presente. Mas é fundamental que a ambição seja ampla, gera e irrestrita. A Adriana Calcanhoto não cantou, mas cariocas gostam de títulos. E não apenas de ser o melhor do Rio. É pouco. Muito pouco.

CABEÇA

A boa campanha do Palmeiras nesta reta final do Campeonato Brasileiro mostra o quanto é importante tratar da cabeça de um grupo. Tanto quanto as jogadas ensaiadas, os cuidados com os adversários, o fato de observar como o seu jogador se comporta em momentos decisivos, se ele está preparado para suportar a pressão e vencer, o chamado psicológico, como diria o cervejeiro de plantão, tem importância fundamental.

Durante um bom tempo, o Caio Júnior se preocupou com a cabeça do grupo. Injetou, com o auxilio luxuoso de uma especialista, força e confiança em um elenco amedrontado e receoso na hora de alçar vôos mais altos. Ninguém fala mais que o Palmeiras tem dificuldade em vencer no Palestra Itália, que o Palmeiras só sabe jogar na defesa ou qualquer outra cosia que desqualifique o time. Teve momentos de turubulência como todos outros clubes, mas estava preparado para enfrentar as adversidades. O resultado está aí.
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O DODÔ É DIFERENTE

A informação, negada pelo principal personagem, é de que o Dodô vai deixar o Botafogo. Uma pena para o clube e para os seus torcedores. Nestes tempos de negociações frenéticas, de mercado aquecido e busca por melhores dias e salários, o ídolo é fundamental. Mantê-lo entre os contratados tem um significado especialíssimo. Não é apenas pelo talento mais do que reconhecido que o São Paulo mantém o Rogério Ceni. Algum dirigente com visão cem por cento ou óculos com os graus adequados já entendeu que o ídolo é um dos caminhos para aumentar faturamento, sedimentar paixões e criar fidelidade.

São poucos os clubes que têm um ídolo. Muitos deverão contestar esta observação, mas esclareço que se confunde o jogador que agrada com o jogador que cria morada no coração do torcedor. O ídolo não é o cabeça-de-bagre, o botinudo ou um persoangem folclórico. Ele é aquele em quem você confia, aposta suas fichas e, mesmo quando está mal, você o poupa por saber que será capaz de resolver a situação. Caso não consiga naquele dia, o crédito é muito mais alto do que o débito. Aliás, o ídolo jamais fica em débito.

Em um clube que anda para a frente a cada ano e este foi um dos melhores, apesar das frustrações, o Dodô se transformou em ídolo. Mesmo com suas saídas e suas voltas. Criou a relação de empatia necessária para os que transitam acima do bem e do mal. Caso dos ídolos. Tem a ver com o futebol refinado que joga, com o jeito especial para marcar os gols plásticos de que tanto gosta e com o olhar de jogador das antigas. Mais parece recém-saído dos anos cinquenta. É um fidalgo dentro do campo.

O dia que os botafoguenses aprenderem que a frase "há coisas que só acontecem ao Botafogo" não é para ser levada para o lado ruim, a vida deles e do clube será bem melhor. Outras coisas muito boas aconteceram ao clube em toda a sua história e o Dodô, tenham certezas todos a quantas estas lerem, foi uma das melhores. Ñão defendo a sua convocação para a Seleção Brasileria _ tal e qual a Carolina do Chico Buarque o tempo passou _, mas não se pode discutir a capacidade que tem para colocar a bola dentro do gol. Estilo e precisão não lhe faltam. Em todos os clubes por onde atuou, ele deixou sua marca, mas no Botafogo foi especial. Poderia ter feito gol que demitiria o Daniel Passarela e deixou de fazê-lo, não por preciosismo, mas por....deixar de fazê-lo.

Cito o jogo tão marcante contra o River Plate, que todo clube tem na sua vida (o Flamengo com o gol de barriga do Renato, pelo Fluminense; e o Palmeiras a virada do Vasco na final da Mercosul, só para que os botafoguenses entendam que assim é o futebol, pois ele provocou uma série de comentários que não cabiam naquele momento. Ao disparar contra os jogadores, a diretoria, parte dela na verdade, cometeu o pecado de desvalorizar o patrimônio do clube. Imaginem o que a diretoria do São Paulo, toda ela, pensou quando o time, num ameno sábado paulistano, foi eliminado do Campeonato Paulista pelo São Caetano, hoje um encantado a nada sedutora música do rebaixamento da Série B para a Série C?

Cobras, largatos e outros bichos, os diriegentes devem ter falado daqueles jogadores. Só que nenhuma declaração foi colada no poste. Em silêncio se decepcionaram e em silêncio agiram. Há jogadores que não estão nem aí para o que o dizem deles os dirigentes. Outros se comportam de maneira bem diferente. O Dodô se encaixa neste caso. Não tem procurador e quando veste uma camisa, especialmente a do Botafogo, dá por ela o que pode e não tem. Não existe melhor ou pior temperamento. Criticam-no por ser frio ou calado. Querem um esquentado e falastrão. Prefiro o estilo do Dodô. Lembrem do gol que marcou contra o Santos e verão que ele estava com raiva, mostrada do único jeito que sabe mostrar.

O Botafogo terminará a temporada com a frustração de não ter conquistado um título. Não é o pior dos mundos. O clube pode andar de cabeça erguida pelas ruas e quem lá joga também. Precisa da serenidade necessária para entender que este é o caminho. Precisa se preparar para trilhá-lo. Até por ja saber como se chega ao seu início e, certamente, ao seu fim. Mas para que isso aconteça tem que jogar fora o destempero, arquivar a impetuosidade verbal e valorizar o que tem. Como o Dodô. O elenco não precisa de faxina _ mas de limpeza _ e tratar a cabeça com o carinho que os pés de alguns, entre eles o Dodô, o Zé Roberto, o Joílson e o Lúcio Flávio tratam a bola.
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A HORA DA ESTRELA

Da turma ilustre que trocou o real pelo euro, o Robinho é o único que ainda não deixou a platéia do lado de lá com a boca aberta. Ao vê-lo brincando no jogo do Real Madri contra o Olimpiacos, eu fiquei com a impressão de que a hora do Robinho está a caminho. Não tenho a menor idéia dos motivos que determinaram o atraso neste estouro, mas sei que ele vai acontecer.

Dizem que o Real Madri é um clube meio complicado. Deve ser mesmo. Troca de técnico com a frequeência que aumenta a sua torcida no mundo, especialmente na Ásia, e o dinheiro lá não é artigo de luxo. Muito pelo contrário. Dá e sobra para o que a diretoria do clube pretende fazer. A temporada atual mostrou um Real Madri mais contido, com um perfil sem tantas estrelas e, quem sabe, este não será o caminho para fazer com que o Robinho brilhe.

Na Copa América, o Robinho era a estrela solitária da Seleção cinco estrelas do Brasil. Fez igual ao filho citado no hino nacional e não fugiu da luta. Encarou quem pela frente apareceu, deu pedalada e fez o respeitável público ficar de boca aberta. Com a entrada do Ronaldinho Gaúcho e do Kaká ele não se intimidou. Quem assistiu a jogada feita para cima do De La Cruz, visto semana passada numa sessão de acunpuntura com o melhor especialista de Quito, sabe do que estou falando.

Agora é hora de mostrar, com a frequência que ele tem condições, todos estes atributos no Real Madri. O Robinho não é jogador de fase. Não é atacante de lampejos ou que somo e aparece. A bola que sabe jogar passa por cima disso. Nestas temporadas de Real Madri, ele ainda não consegiu ser constante. Como já foi o Ronaldinho Gaúcho e tem sido o Kaká.

Assim que a regularidade e o Robinho se encontrarem, o futebol mundial ficará ainda mais agradecido.
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NOVOS TEMPOS

Deu no jornal, nas rádios, tevês, internet e telefones celulares que o Thiago Neves assinou um pré-contrato com o Palmeiras. O mesmo Palmeiras que não tem grana para saldar os débitos com os seus jogadores _ rapaziada dedicada e que colocou o time em segundo lugar no Campeonato Brasileiro _ e colocou no bolso do TN uma bufunfa capaz de fazer o cidadão entrar numa revenda de carros e pagar uma nota por um carro importado. Nada contra, mas se ainda fosse uma entrada num apartamento.

A sequência do noticiário informa também que o jovem rapaz foi pressionado por um dos seus empresários. Sim, o Thiago Neves tem mais de um. Como sou das antigas e nas sextas-feiras fico meio nostálgico _ talvez tenha ver com o fechamento do Túnel Rebouças e as lembranças da época em que foi construído _, eu não posso disfarçar a perplexidade com o fato de o Thiago Neves ter mais de um empresário. O Roberto Carlos era o Rei da Jovem Guarda e só tinha um profissional para cuidar do seu lado comercial; o Zico sempre teve um compadre; o Júnior o tio e o Paulo Roberto Falcão um amigo.

Os citados no parágrafo anterior escreveram uma história de respeito na música e no esporte, as duas maiores manifestações culturais dos brasileiros. O Thiago Neves tem dois empresários e mais uma empresa que detém dez por cento dos seus direitos. Manda o senso comum que se culpe os empresários pela confusão em que se meteu o Thiago Neves. Ensina o senso comum que a outra parte da culpa cabe aos dirigentes. São os vilões permanentes neste mundo do futebol. Não existe empresário confiável e tampouco dirigente de clube com credibilidade acima do bem e do mal.

Como tenho certa dificuldade em transitar pelo senso comum, eu penso que o maior responsável pela enrascada (tô nostálgico mesmo!) em que o Thiago Neves se meteu é o próprio Thiago Neves. Ninguém o obrigou a colocar o jamegão (nostalgia pura!) no papel do pré-contrato com o Palmeiras. Por maior que seja o poder de persuasão da voz que estava ao seu lado, a decisão foi dele. Apenas dele.

Ensina o episódio que está mais do que na hora de os jogadores entenderem que são responsáveis pelos seus atos. Está mais do que na hora de o olhar ser tão complacente, tolerante e paternal com os jogadores e severo com quem não veste uniforme e não assina súmula. A proteção, o passar a mão sobre a cabeça e este paternalismo disfarçado só reforçam a idéia de que o jogador continuiará a desempenhar este papel. Aposto que no instante em que escrevo outros Thiago Neves assinam pré-contratos. Por ingenuidade (?). pressão da voz de plantão (?) e desconhecimento (?). Nada disso. Apenas por interesse.
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CABEÇA FORA DO LUGAR

Na relação de jogadores que se destacaram neste Campeonato, o chileno Valdívia aparece em destaque. Faz parte daquele reduzido grupo que não leva muito tempo para ser escolhido no par ou ímpar. Enquanto o perna-de-pau fica atento, cerca os que batem e escolhem, os caras com o futebol do Valdívia trafegam em outra direção. Brincam com a bola e ignoram as decisões tomadas pela dupla na montagem dos times. Dormem e acordam com a certeza de que sempre encontrarão uma vaga para eles.

No empate entre o Vasco da Gama e o Palmeiras, em São Januário, o Valdívia pouco apareceu no jogo. É m eio indolente, dá a impressão de enfado e quando disse ao que veio, o Rodrigão só teve o trabalho de estufar as redes. Com estilo, ressalte-se. Fora isso, o Valdívia mais andou doq ue jogou; mais reclamou do que orientou.

Atuações discretas e ruins fazem parte da carreira de qualquer jogador. De alguns mais do que menos. O Valdívia não é um sujeito que atue mal com frequência assustadora, mas o temperamento é inversamente proporcional ao talento que mostra com os pés, aos raciocínios que desenvolve quando tem que dar um passe ou aplicar um drible.

A expulsão no epílogo do jogo mostra o quanto o Valdívia tem dificuldade em entender o jogo fora das quatro linhas. Não apenas ele, mas muitos jogadores perdem a cabeça e pouco se importam com o que acontecerá na equipe nas próximas rodadas. Ao dar o tapa no Alan Kardec _ antes, o Tiaguinho já recebera um _, o Valdívia mostrou total indiferença ao futuro do Palmeiras dentro do Campeonato Brasileiro. Pode-se argumentar que ele não contava com o poder de observação do Evandro Rogério Roman, mas é irrelevante.

Vejo a cada dia gestos inconsequentes dos jogadores e totalmente despreocupados do que pode acontecer com o seu clube. Fico a pensar os motivos que determinam comportamento tão alienado e só encontro uma resposta: o paternalismo que ainda impera nas relações dentro de um clube de futebol. Em outras ocasiões o Valdívia foi advertido com cartão amarelo, por motivos fúteis, e desfalcou o time em ocasiões importantes. Penso que isso aconteceu pelo fato de o Valdívia sempre ter tido o respaldo de quem o comanda.

Quanto mais paternalista o dirigente na sua maneira de administrar, pior o jogador. É o caso do Valdívia. Passaram a mão sobre a sua cabeça de forma exagerada. A cada advertência vinha sempre alguém disposto a justificar. Aposto que agora, ele também tem advogados de defesa. O resultado é a incosequência como norma.
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O NEGÓCIO É TRABALHAR

A escolha do Brasil como sede da Copa de 20014 é um marco para o elenco verde e amarelo. Temos aqui gente ordeira e maloqueira _ desculpem a rima _ e gente que quer trabalhar. Muito. Não pense o desavisado de plantão que as favelas do Rio de Janeiro são infestadas de bandidos. Pelo contrário. A maioria é gente que sua para trabalhar, acorda cedo, que dar o melhor para os seus filhos e se diverte com um churrasquinho no final de semana, emoldurado pelo jogo do seu time na televisão.

Cito a questão dos moradores das favelas para chegar a um outro ponto: a tendência de que nada aqui nesta terra de palmeiras e sabiás pode dar certo por conta de um elenco com o olhar torto, o caráter frágil e o bolso fundo. Estas pessoas, embora a sensação muitas vezes seja diferente, não fazem parte da maioria da população brasileira. O que temos aqui é um povo ordeiro, correto e disposto a arregaçar as mangas para o que der e vier.

Quando o Brasil é indicado para sediar um evento do tamanho da Copa do Mundo as idéias sobre o comportamento deste elenco _ de parte _ afloram. Acreditam que será um terreno fértil para a maracutaia, o aumento de patrimônio e a mudança substancial na declaração de bens. O noticiário estimula a crença neste comportamento, mas tem uma geração, cujos pais nem se conheciam em 50 quando o Brasil sediou a Copa do Mundo, que precisa ter outras referências. Nada melhor do que algo do tamanho de um Mundial para dar esta impressão.

Fosse na época em que a Argentina realizou o seu Mundial e haveria mais dificuldades para se controlar, acompanhar e mostrar o andamento do projeto. Desta vez é diferente. Os constantes maus tratos à língua portuguesa tiraram o peso da palavra geração. A turma dos anos 80, de Paralamas a Renato Russo e de Cazuza a Regina Casé, sabe do que estou falando. Mas não se pode deixar que uma outra geração, que tem inquietudes diferentes, se perca pelo noticiário e acredite que a melhor saída é sempre o Aeroporto. Ela é fiscalizadora e este lado tem que ser valorizado antes que o desencanto crie raízes.

Antes de descer a marreta na escolha, eu prefiro apostar na capacidade e na fiscalização da gente brasileira. A bola está com todos e não é apenas de alguns.

OBSERVAÇÃO

O discurso da euforia feito após a confirmação do Brasil como sede da Copa de 2014 não pode jogar no lixo frases, conceitos e observações feitas na festa em Zurique. Quando o presidente da Fifa, Joseph Blatter, pede para que o Brasil esteja atento a constante saída dos seus jogadores e anuncia que se preocupa com a presença de brasileiros em seleções de outros países, o orgulho pode ceder lugar para a reflexão.

O futebol é um negócio que mexe com milhões de dólares, euros e iens e a rotatividade é fundamental. Mas está mais do que na hora de todos, a Fifa inclusive, pensarem e legislarem sobre a saída cada vez mais precoce de jogadores. Do discurso a ação não é caminho longo e tampouco tortuoso. Basta querer mudar o rumo desta prosa, que, a curto prazo, pode transformar o futebol de cá em local de preferência dos que não deram certo ou já pensam na aposentadoria.

ALTO LÁ!

A idéia do procurador do STJD, Paulo Schmidt, de punir o Valdívia antes do julgamento não me parece a mais correta. Soa como tentativa de compensar a demora para a chegada da súmula do Evandro Rogério Roman, que expulsou o chileno contra o Vasco da Gama. Não foi hábito adotado ao longo do Campeonato Brasileirio e agora falta-lhe sentido. Não há dúvida de que o Valdívia tem que ser punido, tanto quanto não existe sombra de que os julgamentos precisam ser mais ágeis. O expulso do domingo precisa ser julgado na segunda-feira e o de quarta-feira na quinta.
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HORA DE CAIR O CLICHÊ

Faço parte daquele grupo que não releva o mau-humor do Muricy Ramalho. Muito pelo contrário. Creio que as pessoas confundem respostas sinceras e objetivas com indelicadeza e mau homor. Sempre foi assim e agora em tempos de alta exposição, a situação fica ainda mais evidente.

Nas inúmeras entrevistas que concedeu após a conquista do título brasileiro, o Muricy Ramalho usou várias vezes a palavra competência. Foi interessante vê-lo tocar nesta tecla e deixar a palavra sorte para segundo plano. Tem toda a razão. O feito do São Paulo passa pelo trabalho e compreensão de que nem sempre se deve colocar os problemas à frente dos discursos ou perder tempo em enumerá-los sem econtrar uma solução.

Pouca gente prestou a atenção que o São Paulo disputou o segundo turno inteiro do Campeonato Brasileiro sem um lateral-direito. Não havia ninguém para a posição, desde que o equatoriano Reasco quebrou a perna. Pois isso não foi motivo de desalento ou tormento para o São Paulo. Tocou o barco, enquanto muitos técnicos só se lamentavam dos desfalques, enumeravam os problemas. O São Paulo fez diferente.
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O REENCONTRO

Tivesse atuado nos últimos jogos com a desenvoltura que teve até os 15 minutos do segundo tempo e o Cruzeiro estaria em posição bem melhor na tabela de classificação. E olhem que ela não é ruim. Fico impressionado como estes times oscilam dentro da competição. O Cruzeiro que se viu diante do Flamengo nada teve a ver com o que simplesmente não conseguiu jogar frente ao Botafogo.

Enquanto foi aquele Cruzeiro dos dias melhores do Campeonato Brasileiro, o time não permitiu ao Flamengo nem sequer pensar. Bem que a equipe treinada pelo Joel Santana tentou, mas não foi possível. Desta vez, o Ibson não encontrou os espaços que teve em outros jogos e tampouco os laterais disfarçados de alas funcionaram. Tanto que Juan foi substituído no itnervalo e Leonardo Moura teve uma das suas mais discretas atuações nesta ressurreição do Flamengo.

A derrota não tira o ânimo do Flamengo e nem o coloca assustadoramente distante do sonho de brigar por uma vaga na Libertadores de 2008. É perfeitamente possível. Teve, no entanto, muito mais significado para o Cruzeiro. A impressão é que os jogadores necessitavam do reencontro com os três pontos. Ninguém ali desaprendeu a jogar, mas a fase de instabilidade já passara do limite do tolerável.

DUPLA INSEGURA

O maior sofrimento do Santos na Vila Belmiro se concentrou no desempenho dos seus dois zagueiros: Domingos e Marcelo. Começaram a partida assustados e o Atlético Mineiro soube se aproveitar muito bem desta instabilidade. O empate é daqueles resultados que não estavam nos planos do Vanderlei Luxemburgo _ perdeu ótima oportunidade de poder antecipar a vaga para a Libertadores _, mas deixou Emerson Leão satisfeito. O pouco que restava de apreensão quanto a permanência do CAM na primeira divisão simplesmente se dissipou quando o Leonardo Gaciba apitou o fim do jogo e o placar indicava o dois a dois.

DISCUSSÃO TOLA

Não consigo entender a preocupação do Flamengo em proclamar aos quatro ventos que tem cinco títulos brasileiros. Há um debate com muito barulho e pouca consistência sobre o assunto. É evidente que os sãopaulinos tiram sarro dos rubro-negros apenas com a itnenção de provocar. Fosse o contrário e o comportamento da direção do Flamengo seria o que tem alguns dirigentes do São Paulo.

Só isso explica como são amadores e torcedores alguns homens responsáveis pela adminsitração dos clubes. Claro que o Flamengo tem cinco títulos brasileiros _ e não precisa anunciar isso a ninguém. Claro que o São Paulo tem cinco títulos brasileiros e sem nenhum asterisco. Isso é o que menos importa na discussão. Cartolas trocarem farpas por isso é mais do que rídiculo.

Torcedores discutirem por isso é absolutamente normal. Afinal, o que move o torcedor é este tipo de questão.
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A VOCAÇÃO DO ARTILHEIRO

O futebol não é feito de toques refinados e tampouco o drible pode ser considerado o seu forte. Mas sabe, como poucos em atividade no futebol brasileiro, se colocar dentro da área. E graças a este senso e por saber que caminho a bola percorrerá quando chegar na área, o Finzazzi mais uma vez marcou em momento decisivo para o Corinthians. Acontecera na partida com o Figueirense e se repetiu diante do Atlético Paranaense.

Foi uma partida em que o Corinthias tentou superar suas limitações com a dedicação que tem tem caracterizado o time nas últimas rodadas. Dá a impressão de que todos sabem e tem pleno conhecimento das limitações que existem no elenco. Ninguém procura inventar, ser criativo ou dar um toque de classe. Está claro que o time sabe que o momento não é esse e tampouco cabe uma firula ou invenção.

Nesta luta para não ser rebaixado, o Corinthians não conta apenas com os gols do Finazzi. Se ontem, mais uma vez, ele mostrou que ter alguém com a vocação para marcar é muito importante, outros dois jogadores merecem observações especiais: o goleiro Felipe e o zagueiro Betão. O primeiro recebe o moto-rádio de melhor em campo há tempos. E ontem, além das defesas que comumente pratica, quase marcou um gol. O outro nem sempre é compreendido. Há uma natural má vontade com zagueiros e com os do Corinthians em especial.

Pois o Felipe e o Betão se destacaram no jogo de ontem tanto quanto o Finazzi. O resultado tirou o Corinthians da área de rebaixamento, mas ainda tem muita estrada para percorrer. E certamente o Felipe, o Betão e o Finazzi serão os condutores.
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O PELÉ SERÁ SEMPRE O MELHOR

Há uma obsessão pelos números. Muda-se o nome da cantora, do ator e da socialite em nome da...........numerologia. O futebol também foi contaminado por esta mania dos tempos modernos e o desempenho de um jogador fica mais preciso, dizem os catedráticos, se for baseado nos números, nos percentuais e na quantidade de erros e acertos que o dito cujo comete em uma partida.

Virou hábito tão comum que no par ou ímpar, eu não creio que o primeiro a ser escolhido seja o bom de bola. Certamente o especialista em pares e ímpares leva em conta o percentual de erros e acertos do camarada que está ali do lado pronto para ser combativo, dar carrinhos e tocar a bola para os lados. É muito cálculo para pouca bola, mas é assim que a banda toca e não tem mais jeito.

Acabo de ler a informação de que a Associação dos Estatísticos do Futebol fez uma votação para escolher o melhor de todos os tempos. Mais uma vez, o Pelé foi obrigado a driblar os seus adversários e, para desespero de quem não o viu, ficou em primeiro lugar. Dizem que os matemáticos, afogados em números e extasiados pela quantidade de cálculos, criaram um método todo especial para verificar quem foram os melhores de todos os tempos. Até hoje, que fique claro.

Ao colocar o Pelé em primeiro lugar, a pesquisa evita qualquer tipo de polêmica. Noves fora _ olha a matemática aí gente! _ o interesse que um e outro podem ter de destronar o rei, ele será eterno. Não adianta nenhuma corrente albanesa pleitear o contrário. O Pelé e rei e pronto. Mas não era, talvez, este o objetivo da lista. Ao colocar o Romário e o Ronaldo, o Fenômeno, imediatamente atrás do Pelé a lista cria aquela polêmica que tanto alimenta a quem está muito sem assunto e com imensa vontade de falar.

Vivemos no país das comparações. Basta o sujeito descer do ônibus _ melhor do que andar de avião _ ou esbarrar com um brasileiro que a pergunta vem: quem é melhor o fulano ou o beltrano? Já fizeram isso com o Chico Buarque e o Tom Jobim; com o Caetano Veloso e o Gilberto Gil; com a Janete Clair e o Dias Gomes e não vai terminar. Vem desde o tempo da chegada da família imperial no Brasil. E assim já se passaram 200 anos.

Não entro na discussão sobre este ou aquele exatamente por ter uma visão bem diferente. Feliz do país que teve todos estes jogadores para lembrar e enumerar. Enquanto ficarmos nesta luta e com estas obsessões andaremos mais para trás do que para a frente.

GARRINCHA

Os números não me atraem tanto quanto um drible, jogada de efeito ou passe de trivela, mas algo sempre me incomoda nestas pesquisas. Sejam baseadas em números ou feitas entre fundamentalistas: a ausência do Garrincha entre os nominados. Não consigo aceitar o esquecimento a que foi relegado um dos maiores jogadores do futebol mundial. Jamais foi doméstico. Faz parte de um seleto grupo _ seletíssimo! _ de jogadores que conduziram a seleção do seu país a um título de Copa do Mundo.

Pouco importa que o mundo ainda era uma aldeia e tampouco tinha pela troca de idéias o prazer que hoje se manifesta de outra forma. Com orgulho. O que o Garrincha fez na Copa de 62 e também enquanto vestiu a camisa do Botafogo não pode ser jogado no lixo. É algo para se guardar no lado esquerdo do peito, tal e qual o amigo da música do Milton Nascimento. Pois estas pesquisas insistem em ignorar o desempenho do Garrincha.
Desdenham das suas apresentações e parecem não acreditar que o senhor de pernas tortas, andar manco, era capaz de fazer tanto. Deve ser porque ele desafiava a lógica.
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O ROGÉRIO CENI PENSA EM 2008

Quando menos se espera chega o Ano Novo. Dizem que um jornalista escreveu esta frase logo na abertura de uma reportagem sobre o reveillon. Ela foi publicada no dia 30 de dezembro e não me perguntem de qual ano. Não precisam a época, tampouco nominam o autor e já usaram a mesma frase para o carnaval, a semana santa e o vestibular. Monumento ao óbvio, a frase se aplica a este período do ano. Vi uma reportagem em que os lojistas já falavam sobre as compras de Natal e penso na turma que passou o ano acumulando dinheiro para usufruir daquele pacote, que inclui viagem de avião (é aí que mora o perigo), hospedagem, alimentação e aquela sidra para a meia-noite que ninguém é de ferro.

Nos próximos dias, as churrascarias estarão cada vez mais cheias, os botecos também. Sem o sagrado chopp após mais um dia de trabalho, o sujeito voltaria para casa de mau-humor e desencantado com os rumos que este mundo de meu Deus tem tomado. Estamos à caminho das promessas e dos votos de felicidade com aquela sinceridade que é peculiar ao elenco verde e amarelo.

Pois na segunda-feira, o Rogério Ceni, durante participação no Bem, Amigos, no SporTV, deu um bom exemplo de como a cabeça de muita gente já pensa em 2008. Ao falar sobre a Libertadores do ano que vem, para a qual apenas São Paulo (campeão brasileiro) e Fluminense (campeão da Copa do Brasil) estão classificados, ele mostrou o que o leva a ser um jogador diferente dos demais. Tem a preocupação de saber como se comportam os adversários, acompanha a tabela e se interessa pelos rivais. A ponto de dizer que uma eventual ausência do Grêmio da próxima Libertadores seria muito bom para o São Paulo no que concordo plenamente.

Em contraponto ao jeito de ser do Rogério Ceni _ que não tem procurador, amigo, advogado ou bajulador de plantão _ tem aquela figura que nesta época de rabanadas e castanhas produz frase lapidar, tanto quanto aquela que abriu a reportagem sobre o desembarque do Ano Novo. "Quem decide isso é o meu procurador", constumam dizer alguns sobre o.............seu futuro.

Não uso polainas, pantufas e faz tempo que não vou a Confeitaria Colombo, mas devo ser um sujeitio à moda antiga. Não consigo entender que alguém conceda a outro alguém tanto poder para decidir a sua vida. Faço do Rogério Ceni o contraponto a este sujeito que vende alienação por entender que eles não sabem o mal que fazem às suas carreiras. Se pela vida, pelo futuro, pela carreira, pelo destino têm este desinteresse imaginem pelo que dizem os técnicos durante uma preleção ou treinamento. Enganam-se quando acreditam que é assim que protegem suas carreiras. Como se engana também que acredita no abraço efusivo do sujeito nesta época. Logo ele que passou o ano inteiro sem falar contigo.

VALDÍVIA

A suspensão não surpreende e este argumento de que ele é caçado em campo não justifica a reação do jogador. Talvez este seja o ponto mais difícil para se chegar a um acordo sobre o assunto. De um lado ficam os dirigentes e apaixonados que defendem e justificam o que Valdívia fez. Legitimam, embora talvez esta não seja a intenção, um gesto que só prejudica o Palmeiras. Do outro estacionam os que endossam a punição e gostariam que o Valdívia pensasse sobre os seus gestos. Podem me incluir nessa.
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A VOLTA DO ADRIANO

Na entrevista que concedeu ao repórter Renato Ribeiro, no Globo Esporte desta sexta-feira, o Adriano falo, atacante do Inter de Milão, falou de arrependimento e da vontade em dar a volta por cima. Viu-se um homem preocupado com as coisas que fez e mais atento com o futuro. Preocupado em jogar no lixo o passado tão recente e, quem sabe, escrever uma história diferente daqui para a frente.

Quem for criterioso na observação sobre a carreira do Adriano aceitará o argumento de que o atacante não faz uma partida digna de registro desde a Copa das Confederações, disputada na Alemanha em...........2005. Pode parecer pouco tempo, afinal são dois anos, mas é muito para um jogador que deu um salto em curto espaço de tempo. Passaram-se os meses e o Adriano parecia não dar importância para o que acontecia.

Na Copa de 2006 era uma caricatura do jogador que os italianos apelidaram de Imperador, mesmo apelido que o Jairzinho, tricampeão em 70, recebeu nos anos sessenta. Ao vê-lo conversando com o Renato Ribeiro e ao ouvi-lo fazer as promessas que fazem todos em situações delicadas, eu torço para que o Adriano efetivamente acredite no que disse. Do contrário, as frases se perderão como o futebol do Adriano se perdeu em algum canto da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, ou nas ruas de Milão.

Na mesma entrevista, ele relembra a conversa com o técnico Dunga e aí aparece um ponto muito importante. Enquanto não se reencontrar com aquele Adriano da Copa das Confederações o Adriano atual continuará bem distante da Seleção Brasileira. E não adianta querer trocar de clube, como se o responsável pela má fase fosse o técnico Roberto Mancini. A história de que precisa voltar a jogar para mostrar o seu valor, pensamento comum à maioria dos jogadores na situação do Adriano, é frágil. Se quer mesmo provar que a má fase é apenas um retrato na parede o Adriano tem é que voltar no Inter. Lá, ele precisa mostrar o seu futebol e justificar todo o investimento e paciência. Do contrário, a crença no que o Adriano diz será cada vez menor.

FIM DE SEMANA

O fim de semana do Campeonato Brasileiro promete. Começa com este Internacional x Cruzeiro e tem Flamengo x Santos; Goiás x Corinthians. São jogos para deixar os torcedores com a respiração ofegante. Vejo o time do Internacional, se mantido, como um dos mais fortes para a temporada de 2008. Os erros da atual temporada foram corrigidos, mas os resultados só aparecerão no ano que vem. Enquanto isso, o Cruzeiro tenta provar que a vitória sobre o Flamengo não foi uma exceção dentro da queda nas últimas rodadas.

O mesmo se aplica ao Corinthians. No empate (2 a 2) com o Atlético Paranaense, o Corinthians poderia ter conseguido a vitória. Esteve próximo de fazer o dever de casa que o Goiás não consegue. Tanto que perdeu para o Vasco da Gama em pleno Serra Dourada. Foi aí que o Goiás se complicou. Não dá para ter uma idéia do que acontecerá neste domingo, mas outro cochilo poderá ser fatal para o Goiás.

No Maracanã, o Flamengo terá casa cheia diante do Santos. Nada de especial, pois esta torcida tem o hábito de lotar o estádio e não perder a esperança na sua equipe. É assim o espírito rubro-negro. Mas não creio que o grito das arquibancadas influenciará o desempenho do Santos. Foi-se o tempo que o jogador se assustava com esta situação. Ainda mais um que vista a camisa do Santos.

E no domingo, no Morumbi, o São Paulo colocará as faixas de campeão. Outro jogo sem favoritos e que tem um adversário preocupado com o futuro, o Grêmio, e outro descompromissado. Time sem muito compromisso pode ter uma grande atuação como também ficar inteiramente alheio ao que acontece na partida. Não creio que seja este o caso do São Paulo.

Bom fim de semana para todos
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NÃO ESQUEÇAM DOS JOGADORES DO FLA

O espetáculo que a torcida do Flamengo faz a cada jogo do time no Maracanã é para entrar nos grandes momentos do futebol brasileiro nesta temporada. Mesmo aquele sujeito que não simpatiza com o rubro-negro da Gávea fica arrepiado com o jeito de se comportar e incentivar daquele exército do bem vestido de vermelho e preto.

Por conta deste incentivo e da massiva participação, o torcedor do Flamengo é personagem de destaque em todas as vitórias do time. Não há resultado combinado com os três pontos que não mereça observações e loas ao comportamento da torcida. É nesta hora que eu empaco. Sei que algumas pessoas terão dificuldade em compreender, simplesmente por não quererem, ou em entender o que estou mostrando, mas não se pode esquecer o time, o trabalho feito pelo Joel Santana fora do campo e muito bem executado pelos jogadores a partir do instante em que a bola rola.

Não é apenas por atuar no Maracanã, oxigenado pela sua torcida, que o Flamengo está classificado para a Libertadores de 2008. Mais importante do que a energia saída das arquibancadas é o desempenho do Bruno, impecável sempre que solicitado; a desenvoltura do Léo Moura, aparentemente divorciado da irregularidade que sempre o caracterizou; o entrosamento e a segurança da dupla formada pelo Fábio Luciano e o Ronaldo Angelim e determinação da rapaziada do meio de campo, que corre para o Ibson brilhar.

Exalto os jogadores e o trabalho do Joel Santana por estar preocupado com esta insistência em só se falar da torcida. Não fosse o desempenho da equipe, a vontade dos jogadores e a organização que faz o Flamengo ser um time com toque de bola e coordenado e de nada adiantariam os gritos das arquibancadas.

GOLEIRO QUE FAZ A
DIFERENÇA


Quando terminar o Campeonato Brasileiro e o Corinthians estiver comemorando a pman&encia na primeira divisão seria bom que todos homenageassem o goleiro Felipe. Para quem desembarcou em São Paulo com a cara e a coragem e fez um campeonato irrepreensível no Bragantino, o comportamento neste Brasileiro é simplesmente espetacular. Não dá para dissociar a permanência do Corinthians do desempenho do Felipe.

Reparem que tem facilidade embaixo do travessão e sabe repor a bola em jogo com muita rapidez e precisão. Fez e continuará a fazer a diferença a favor do Corinthians. Quem for corintiano tem que presenteá-lo na noite de 24 de dezembro.
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DE VOLTA À CASA

O fato mais marcante da terça-feira não aconteceu em apenas um local. As confirmações dos retornos da Portuguesa, em Curitiba; do Vitória, em Salvador: e do Ipatinga, no interior de Minas Gerais: à Série A do futebol brasileiro ganharam de goleada da apresentação da Seleção Brasileira, que iniciou os treinamentos para os jogos com o Peru e o Uruguai. Não que o time treinado pelo Dunga tnha perdido a importância. Longe disso. Mas a Seleção Brasileira já conseguiu há algum tempo fechar parceria com a tranquilidade e tem um time praticamente definido.

Soa como exagerado querer criar uma polêmica em cima da convocação do Luis Fabiano. Está de volta à Seleção Brasileira depois de tanto tempo _ precisamente três anos _ por atravessar uma fase que deixa todo atacante em destaque: faz gols em profusão e parece finalmente ter reencontrado aquela época do São Paulo. Haverá quem conteste ou sugira outra nome, assim é a vida dos convodados da Seleção Brasileira, mas não existe, pelo menos no momento, jogador que possa ultrapassá-lo. Dependerá dele a permanência entre os convocados. Assim como a volta acontece apenas pelo seu trabalho, a manutenção do seu nome só se dará pela mesma forma.

É por entender que os treinamentos da Seleção Brasileira começam em clima normal, sem problemas e com esclarecimentos necessários sobre alguns jogadores _ caso de Ronaldinho Gaúcho _, a emoção da terça-feira ficou na festa realizada pelos jogadores e torcedores das equipes que citei no parágrafo de abertura. Não falo nem da do Coritiba, que vive em estado de graça e agora pensa na conquista do título da Série B. Inédito na história do clube e para ser comemorado com orgulho.

Me concentro nestes três (Portuguesa, Ipatinga e Vitória) pelo que viveram na noite de terça-feira. Fico a imaginar o que se passava na cabeça dos jogadores da Portuguesa, personagens de uma história exemplar na vida do clube, quando souberam que o São Caetano venceu o Fortaleza (1 a 0), em Fortaleza. Não falo nem dos torcedores, pois estes tiveram a sua noite de Natal e Reveillon misturadas na terça-feira.

O caso do Vitória da Bahia é ainda mais emblemático. O clube andou pela Série C e foi reconstruindo seu caminho tijolo por tijolo, como na música do Chico Buarque de Hollanda. E o Ipatinga entra, olhando a nova geografia do futebol, como aquele clube emergente. Terminada a festa o que a diretoria de nenhum desses clubes poderá esquecer é que a Série B pede um perfil e um tipo de comportamento e que a Série A pede outro completamente diferente.

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À ESPERA DE RONALDINHO GAÚCHO

O treino desta quinta-feira da Seleção Brasileira não foi elucidativo sobre a participação de Ronaldinho Gaúcho na partida de domingo contra o Peru, em Lima. Os 25 minutos que o atacante ficou em campo não foram suficientes para que se tenha uma idéia de como anda o jogador. Por conta do talento que tem, o Ronaldinho Gaúcho pode muito bem compensar a inatividade com o virtuosismo que carrega desde o berço. Fosse um canela dura e o seria daqueles jogadores que precisariam estar cem por cento bem fisicamente.

Mas não creio que um eventual ausência do Ronaldinho Gaúcho vá se transformar em um drama para a Seleção Brasileira. O adversário deste domingo, noves fora o fato de atuar em casa, não está entre as melhores equipes do mundo. Evidente que o fato de atuar em casa deixará o time mais entusiasmado. E este entusiasmo certamente se manifestará nos primeiros minutos da partida.

No treino desta quinta-feira, o Dunga optou pelo Diego. É jogador em quem o técnico confia e aposta. Tanto que, apesar de ainda não ter, com a camisa da Seleção Brasileira, feito uma grande partida continua entre os convocados. Não sou fã de comparações por entendê-las cruéis e sempre com a intenção de prejudicar algum lado. No caso de uma entrada do Diego no lugar do Ronaldinho Gaúcho será interessante que não se associe o desempenho do titular ao que ficará de fora.

Pode parecer algo desnecessário, mas é sempre bom lembrar que Ronaldinho Gaúcho é Ronaldinho Gaúcho e Diego é Diego. O primeiro tem a facilidade de protagonizar lances que encantam e deixam o torcedor marabilhado. Não participa do jogo com tanta constância e prefere muitas vezes o passe longo. Já o Diego tem um jogo mais encolhido, com participação intensa e não tem na arte do drible a sua principal virtude.

Mesmo com esta ausência, caso se confirme, o Brasil continuará a ser respeitado pelo Peru. Claro que os jogadores entrarão em campo ávidos para se transformarem em personagens de uma história totalmente favorável ao time da casa. Mas esta Seleção Brasileira está cada vez mais madura e sabe como suportar todas as pressões.
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EXAGEROS SOBRE A SELEÇÃO

Já deveria ter me acostumado, mas ainda não conseguiu. Carrego a esperança de que um dia a Seleção Brasileira mais agradará do que irritará. Penso que é possível chegar neste ponto, mas depois de um jogo como o empate com o Peru as expectativas diminuem. Não, não vou dizer que a Seleção Brasileira fez uma grande partida e teve um desempenho digno das suas tradições, pois isso não aconteceu. Mas também não foi uma tragédia e tampouco os jogadores tiveram um desempenho que seja preocupante.

Evidente que a Seleção Brasileira precisa melhorar em vários aspectos. O mais inquietante é a falta de troca de passes com a constância necessária para um time com os jogadores do nível que a brasileira possui. Este é o maior desafio do Dunga, do Jorginho e dos jogadores. Até por não ser uma tarefa apenas do treianador. Ele é o comandante, a última palavra, o responsável, mas está cercado de jogadores suficientemente inteligentes e com visão de jogo para darem jeito em algo que parece sem jeito.

Entre toda as declarações concedidas após o jogo, as do Robinho e do Gilberto Silva foram as que mais me chamaram a atenção. O primeiro observou a Seleção Brasileira precisa de mais movimentação. Com a movimentação virá o envolvimento que o Brasil precisa e pode fazer. Já o volante lembrou que o time necessita de mais precisão na troca de passes. Taí um ponto em que a equipe treinada por Dunga precisa se aperfeiçoar.

Diagnósticos como os feitos por Robinho e Gilberto Silva mostram que os jogadores não se deixam levar peos resultados. Considero um ponto importante para que uma equipe corrija seus erros. Não pode ser de maneira diferente. É difícil arriscar o que acontecerá no jogo desta quarta-feira, mas não creio que o Brasil será o mesmo do que foi diante do Peru. Este é o tipo do adversário que deixa qualquer jogador, os de verde e amarelo e os de azul, empolgados.

FUTEBOL VISTOSO

Vejo as eliminatórias como um laboratório de luxo para os técnicos. Some-se os jogos disputados aqui aos amistosos e o treinador terá a chance de montar o grupo para a Copa do Mundo. Não gosto de previsões, por açodadas, mas fica claro que o Kaká se destaca não apenas pelo futebol que apresenta, a obsessão em chutar quando bem colocado e o futebol vistoso que encanta. Vê-se ali um jogador com a vocação para comandar o time, para falar e colocar voz num time formado por silenciosos _ traço comum de algumas gerações para cá, exatamente após a aposentadoria da geração do Dunga.

O gol que ele marcou e o que o goleiro Peny evitou traduziram o futebol deste atacante cada vez mais identificado com o jeito de ser do brasileiro e com o que se espera de uma estrela. Quando o jogo não sai, a exemplo do que aconteceu no início da partida, ele tentou superar com a luta. Quando o jogo saiu, como em alguns lances, o torcedor foi quem se deu bem.

COERÊNCIA

Nos anos sessenta, o Zé Kéti, um desses filósofos que o samba costuma produzir, tal e qual Cartola, Nélson Cavaquinho e Guilherme de Brito, compõs uma música que tinha o seguinte refrão: "podem me bater/podem me prender/mas eu não mudo de opinião". Pois o mesmo refrão se aplica ao Dunga. Ele é viciado em coerência e adianto que não considero isso um defeito. Muito pelo contrário. E não adianta criticá-lo por ser assim.

Durante a entrevista coletiva que concedeu na tarde de segunda-feira, ele foi enfático em relação à mudanças na equipe. Lembrou o quanto é necessário transmitir confiança para um jogador e não será uma atuação ruim que dará ao jogador o bilhete de viagem para o banco de reservas. É um bom aviso para os apressados e também para os jogadores. Os que entenderem o recado saberã que por trás do aviso está uma frase: não se acomodem.
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