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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
ENCONTRO NECESSÁRIO

No confronto com os times argentinos, os brasileiros perderam por 3 a 1. O resultado não significa que os nossos rivais são melhores, mas comprovam que o encontro com uma escola diferente é muito bom para as equipes brasileiras. Tenho certeza de que o Muricy Ramalho dsecobriu muita coisa que precisa corrigir ou trabalhar mais no São Paulo nestes 90 minutos contra o Boca Juniors. Ainda mais ele que é chegado a um detalhe, que tem o rigor, necessário e obrigatório para o cargo que ocupa, como ferramenta de trabalho.

Estes ensinamentos são necessários para que o São Paulo evolua ainda mais. Só que as vezes é difícil no confronto com uma equipe da terra das palmeiras perceber o que está errado ou o que está certo. Futebol precisa de alma e tática, não necessariamente na mesma proporção. Os times brasileiros, em muitas rodadas, se preocupam muito mais com a tática do que com a alma. É um caminho bem pavimentado para levá-los à mesmice. A serem um samba de uma nota só, sem o piano tocado pelo Tom Jobim ou o violão do João Gilberto.

Quando se enfrenta uma equipe argentina, o repertório de jogadas e o jeito de atuar surpreende. De certa forma, os times desafinam o coro dos contentes. Aqui no Brasil, o posicionamento e o comportamento foram padronizados de tal forma que é difícil surpreender. Imagino, é apenas uma suposição, que o Muricy Ramalho, o Cuca e o Celso Roth tenham percebido o quanto é saudável este tipo de confronto com uma escola quie age de outra forma. Há uma idéia equivocada de que os argentinos ainda apelam para a violência e não sabem jogar futebol. É um erro pensar desta forma. E o pior é que muitos jogadores brasileiros ainda pensam que os adversários são assim.

Não se pode fazer nenhuma previsão sobre qual será o saldo deste Brasil x Argentina. A pior situação é a do Goiás, especialmente pela fase irregular. Os outros times têm possibilidades de classificação e o Botafogo _ o único que venceu _ só não pode se descaracterizar. O mais importante, o que fica é a certeza de que um confronto com uma escola diferente, formada por alunos que sabem jogar futebol, será sempre saudável para o futebol brasileiro.

TAPETE

Daqui a menos de um mês, a Seleção Brasileira se reencontrará com o Maracanã. Na visita que fez nesta quinta-feira ao estádio, o técnico Dunga criticou o gramado. Tomara que não seja uma voz isolada. O discurso sobre o campo que receberá a Seleção Brasileira não deveria se limitar ao profissional que dirige a Seleção e tampouco se restringir apenas ao estádio mais conhecido no mundo. O apreço por um campo em condições, o gosto pela manutenção das regras do jogo e tudo o mais que valorizem a ética e o respeito devem ser exaltados, repetidos e valorizados. Sempre.
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DISCUSSÃO NECESSÁRIA

O episódio que não aconteceu _ será mesmo um episódio? _ da papoula na refeição dos jogadores do São Paulo é revelador de como a discussão sobre o doping torna-se cada vez necessária. Não fosse o professor Turíbio e um jogador do São Paulo poderia, dentro de um breve tempo, cair nas malhas do doping, ser punido e teria que se defender e explicar um erro que não cometeu.

É aí que está o grande problema. Não tivesse o São Paulo a preocupação de inspecionar a alimentação dos seus jogadores, o elenco correria o risco de passar de vítima para vilão. Receberia a punição, afinal o exame comprovou a presença de uma substância proibida, sem que tivesse a menor intenção e conhecimento sobre o que estava fazendo.

Defendo o rigor no controle do doping, mas tudo na vida necessita de uma conversa e da busca pelo entendimento. Nada pode ser resolvido de forma açodada. Os jogadores do São Paulo, constatada a presença da substância proibida, mereceriam serem punidos ? Eu creio que não e aí está o problema. Não se pode colocar no mesmo barco o inocente e o ardiloso, que busca numa folha ou num remédio o combustível necessário para ter uma performance melhor em campo. E é isso o que acontece.

Ao propor esta discussão, o que pretendo é que não se perca o rigor, mas se entenda situações que acontecem na pratica. Os jogadores do São Paulo não poderiam, caso o professor Turíbio não tivesse percebido a presença da papoula, serem punidos por nada. Só que o desgaste, a dúvida e a maledicência fariam com que eles passassem de inocentes a culpados. Que o caso não se perca.

INCOMPREENSÍVEL

Estou convencido de que o desempenho dos árbitros pode melhorar a curto prazo. O novo responsável pela Comissão de Arbitragem me parece pessoa dedicada e interessada em mudar a imagem dos homens que antes só vestiam preto e agora diversificaram as cores e os critérios no instante em que apitam. Mas não consigo entender as escalações de Luís Antônio Silva Santos e do Leonardo Gaciba.

Os dois foram reprovados nos testes físicos e o deveriam ser preservados. Não há tolerância e tampouco compreensão com os árbitros. Passam por um momento de instabilidade e questionamentos. O mais sensato seria deixar os que têm problemas físicos à parte. Expô-los pode resultar no acúmulo de problemas e em mais questionamentos.

Bom fim de semana para todos
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DECADÊNCIA ANUNCIADA

Não existe time no mundo que possa se contentar com a presença de um interino à beira do campo quando está mergulhado em uma crise. Por opção, o Corinthians se envolveu em uma enrascada _ e me refiro a de dentro do campo. Ao manter o Zé Augusto, típico gente boa, o clube se diminuiu e menosprezou a tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. Agora se vê numa situação curiosa: está à procura de um treinador que tenha cancha suficiente para administrar o atual momento _ será possível _ e tirar o time deste andar que ele passou a habitar desde a noite do último domingo.

O caminho para sair deste pântano será longo e tortuoso, mas possível de ser trilhado. Só que o José Augusto não me parece com gás suficiente para ser o condutor desta história. Colocaram-no diante de uma situação que exige vivência e o costume de circular pela crise sem tropeçar ou desmaiar. E olhem que o sucessor do interino _ coisa complicada! _ terá pela frente uma equuipe tão limitada quanto insegura. E aí está o maior problema.

O elenco formado por jogadores com muitas limitações e outros que têm passado mas não possuem presente está amedrontado. No clássico com o Palmeiras isso ficou evidente. Vejam o caso do Aílton. Não é possível dizer que trata-se de um jogador que não está à altura do Corinthians. Simplesmente pelo fato de que a forma do Aílton é a mesma do Vampeta. Ambos caminham em campo. O primeiro paga pela necessidade que o time tem e vira soução de uma crise, que o segundo tenta desfocar com declarações engraçadas e futebol triste.

Tal e qual o Flamengo, o Corinthians não será rebaixado. Mas e daí? É muito pouco para quem necessita de pretensões mais ambiciosas. Entra numa competição para disputar o título e não para participar. Está neste Campeonato Brasileiro mais a passeio do que à vera e conseguiu levar para o campo os problemas que fora dele estão distantes de receberem uma solução.

TREM BÃO

Dá gosto ver o Cruzeiro jogar. Quando coloca a bola no chão e sai a tocá-la de pé em pé, o time é de uma eficiência impressionante. Rápido, muitas vezes imarcável coloca em pratica uma das muitas frases de um dos grandes filósofos do futebol: o marinheiro Gentil Cardoso, técnico nos anos cinquenta. "Quem desloca reccebe e quem pede tem preferência", dizia o GC.

Diante de um Vasco da Gama que precisa repensar a sua formação, especialmente no meio de campo, o Cruzeiro, aos poucos, fez prevalecer a troca de passes, a bola de pé em pé e um jeito de jogar que sempre será eficiente. Pouco importa a época e o advesário. Quando o seu time sabe o que fazer com a bola e quando os seus jogadores sabem que a movimentação é fundamental, a eficiência aparece.
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POLÊMICA SEM POLÊMICA

O noticiário dá destaque ao retorno do Roger aos treinos do Flamengo. A presença do jogador em campo levou a todos que dão expediente no clube a questionarem o Joel Santana sobre a volta do meia ao time titular. Como não anda muito tranquilo e sofre com a irregularidade da equipe, O Joel saiu a dizer que não é treinador de se sentir pressionado e quem ninguém vai escalar este ou aquele no grito.

Está absolutamente certo. O currículo do Joel _ desconhecido ou ignorado por muitos que teiam em ter exagerada má vontade com o profissional _ lhe dá autoridade para não ser um cara que balance na primeira pressão. Só que ele não deve transformar a possibilidade de retorno do Roger numa batalha. Caso esteja totalmente recuperado, o Roger pode muito bem ser o titular desta equipe, que não cairá para a Série B, mas dará sustos nos seus torcedores até a última rodada do Campeonato Brasileiro.

Percebo que o Roger não é um jogador que possa ser considerado uma unanimidade. O conceito não tem vida curta, mas longa. Muito longa. Quando encerrar a carreira o Roger sairá do futebol com uma situação financeira estável, mas terá uma dívida. Entre o que ele podia fazer e o que fez existe uma diferença grande. Faz parte daquele grupo de jogadores que fica em débito com o futebol.

O tempo para treinamento à parte, em razão de uma pífia atuação diante do Internacional, era mais do que esperado. Bastava consultar como foi a temporada do Roger neste ano. No início da temporada, ele ficou à margem no Corinthians e, no Flamengo, teve uma exigência que o seu físico não tinha condições de suportar. Cansou e foi afastado. Se estiver recuperado, o Flamengo ganha um bom reforço para conduzi-lo nneste tortuoso caminho que ele mesmo traçou.
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VALE A PENA REVER

Os chineses ficaram extasiados com o desempenho da Seleção Brasileira. E motivos não faltaram para tanta celebração. O que eles viram, especialmente nos pés da Marta, foi o mais legítimo do futebol verde e amarelo. Rótulo preto, 12 anos e conservado em tonéis de carvalho. Nem sempre há a possibilidade de se realizar aquelas jogadas, mas ficou muito claro que o belo do futebol brasileiro não morreu.

Há uma discussão, aparentemente sem fim, em torno da beleza do futebol praticado no Brasil. Sou reticente em relação ao emprego da expressão futebol bonito. Creio que existe o futebol bem jogado, não necessariamente ao gosto do freguês específico. Foi o que realizou a Seleção Brasileira de 70, a melhor que vi atuar. Praticava um jogo altamente eficiente e a consequência era o emprego da palavra beleza na hora de analisar a equipe.

O que a Seleção Brasileira feminina de futebol fez nesta quinta-feira se aproximou muito do futebol bem jogado que é uma patente do elenco verde e amarelo. Ao mesmo tempo em que os elogios caem como roupa de estilista famoso em corpo de manequim de ponta, o comportamento da Seleção dos Estados Unidos merece rasgados elogios. Quando a Marta deu uma dançadinha na frente da sua marcadora, a imagem de um jogador agredindo o adversário vem logo à cabeça. O civilizado e respeitoso comportamento das americanas merece ser exibido para quem entende o futebol como uma guerra e só conhece a violência como melhor resposta para um drible, uma sambada ou passada de pé por cima da bola.

Nesta inédita participação em final, a Seleção Brasileira chega leve e convencida de que é possível ganhar da Alemanha. Foi-se o tempo em que o Brasil não era olhado com respeito pelos adversários. Desembarca na decisão com o respeito dos adversários e com a certeza de que a gente bronzeada que veste a camisa verde e amarela sabe mostrar o seu valor.

O GROSSO

Ele está longe de ser um craque. Muitas vezes mata a bola na canela e nem sei se é chegado a umas embaixadas. Mas decide e deve ter como verso preferido aquele do Hino Nacional que diz: verás que um filho teu não foge à luta. Tantas palavras para falar do Aloísio. Os que acompanham este blog sabem da admiração do degas pelo atacante. Não é jogador para a Seleção Brasileira e esperava horas até ser escolhido no par ou ímpar.

Pois este "grosso" profissional decidiu o jogo a favor do São Paulo e foi o melhor em campo. Deu uma canseira danada na defesa do Boca e, quando necessário, estava na área do seu time ajudando a defesa. Grande Aloísio!

Assim como foram grandes o Leandro Amaral e o Celso Roth. O primeiro pela movimentação e o segundo por reconhecer, sem a necessidade de dar declarações, que valia a pena repensar o meio de campo do Vasco da Gama. O resultado foi a classificação à próxima fase da Sul-Americana.
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HORA INCERTA

O noticiário do nosso site informa que o Cuca pediu demissão após o terremoto, grau 10 na Escala Richter, em Buenos Aires. Deve ter entendido, suponho, que só a sua saída vai tirar do Botafogo o medo de fazer sucesso, a resistência em conviver com a felicidade ou aceitar que mais vale a pena falar sobre a vitória do que explicar a derrota. Não concordo com a atitude do Cuca e, quem sabe, ele ainda não muda de idéia.

Conheço muitos botafoguenses que viveram ontem a pior das noites na história recente do clube. Convenhamos que ser rebaixado para a Segunda Divisão é muito pior do que ensaboar os pés e deixar a vitória escorrer. Mas o Botafogo de uns tempos para cá criou uma expectativa favorável. A de que não entra em competições a passeio e tampouco tem elenco incapaz de disputar um título.

Quando afirmo que não concordo com o pedido de demissão do Cuca _ pelo que sei a diretoria gostaria de mantê-lo _ é por entender que o Botafogo tem um projeto, palavra pela qual o futebol tem enorme resistência. Tanto que forma-se grandes times, mas não se dá base e força ao clube. Foi sempre assim que o futebol verde e amarelo caminhou. Times fortes e clubes fracos. Um dia a cobraram a conta e o resultado aparece em forma de pires na mão, empréstimo bancário e juros de mora.

O Botafogo, me parece, constatou que o caminho se inicia com um clube forte. E, desde a volta para a Série A, os passos são firmes e largos para a frente. O Cuca não deveria sair exatamente por esta razão. Ele faz parte deste projeto. Os resultados não apareceram _ duvido até da capacidade de conseguir vaga à Libertadores _, mas a idéia não pode morrer e ele tem toda a capacidade para ser o comandante desta história. Noves fora as suas manias, o que não é particularidade dele, sobra-lhe competência, coragem e talento.

Basta olhar o time do Botafogo. Não é tão excepcional como exageradamente alardearam, mas isso é uma atividade brasileiro e tampouco formado por derrotados como os resultados fazem supor. Talvez ele seja o sujeito mais indicado para diagnosticar os males desta equipe. Todos com remédios à venda na butica mais próxima. Ele poderia muito bem ser o médico. Em momentos de crise, desde que você esteja absolutamente convencido de que o caminho a ser trilhado é aquele, não se pode desistir por um tropeço, tombo, queda ou salto do avião sem para-quedas.

APRENDIZADO

As referências no parágrafo anterior não têm nenhuma originalidade. Foram feitas em cima das ponderações que o Muricy Ramalho costuma enumerar após cada jogo do São Paulo. Antes, ele já fazia isso no Internacional. O encorpado São Paulo, capaz de se superar e quebrar previsões a cada rodada, é o mesmo time que num sábado à tarde foi superado pelo São Caetano, da Série B do futebol brasileiro.

Depois, o time saiu da Libertadores e ainda patinou dentro do Campeonato Brasileiro. Agora é o líder e disputa uma competição pessoal para não ser derrotado. Nos seus piores momentos, o Muricy não esqueceu do projeto e tampouco o São Paulo deixou que ele esquecesse. Assim deve ser. Os resultados mostram que o São Paulo não estava errado.

Bom fim de semana para todos
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O VICE DE OURO

Pouco importa que a Marta tenha perdido o pênalti e o Brasil a final. Ao contrário do que pensam os leigos, o futebol feminino do país da Marta não é de ponta no mundo da bola das mulheres. A derrota para a Seleção da Alemanha não teve nada de surpreendente e por esta razão coloca as vice-campeãs no lugar mais alto do pódio. Elas merecem todas as homenagens e mais importante do que isso será sair do discurso para a ação.

É muito fácil colocar a culpa sempre nos mesmos para explicar a anemia do futebol feminino no país da Marta, da Formiga e da Pretinha. Fácil demais. Só que o problema é muito mais amplo e revelador de como andamos nestes momentos em que mais vale a moldura do que o quadro.

Existem dois lados nesta moeda do futebol feminino brasileiro. A da Seleção Brasileira que tem condições, estrutura e reúne as melhores jogadoras do país. E a dos times, que sobrevivem mal sabe-se como, e que padecem com a penúria das camisas que usam e com a falta de interesse de quem poderia meter a mão no bolso ou apertar o botão da caneta para determinar este ou aquele investimento.

O saldo que o vice-campeonato deixa é o de que o futebol feminino pode produzir tantos bons pés-de-obra como o masculino. O destino, independentemente do apoio interno, será sempre o exterior. Isso acontece pela falta de investimento, mas também pelo que o, ora sedutor e ora cruel, mercado apresenta.

REAÇÃO

O Flamengo teve o mérito de procurar o resultado o tempo inteiro. Foi por isso que venceu o Atlético Mineiro, que parece uma equipe insegura e cada vez mais assustada com a possibilidade de voltar para segunda divisão. Parece ser a mesma preocupação do Corinthians. Por mais que procure, os jogadores não enxergam o caminho para a saída de uma crise que fez um pacto com o clube nos últimos meses. Pacto com a firmeza da palavra empenhada.

A novidade, das boas, que este segundo turno do Campeonato Brasileiro apresenta é o Náutico. Teve uma reação fantástica e, a continuar assim, garante uma vaga para a Copa Sul-Americana. Poucos acreditavam que seria possível ver o Náutico reagir desta forma, mas o pacto _ este é dos bons _ entre os jogadores e o técnico só fez bem ao time. Há tempos, o Náutico já atuava bem _ lembrai-vos do jogo contra o Vasco da Gama _, mas faltava a cena certa para fechar o filme. Agora, a imagem se casa com o diálogo e o resultado aparece na tabela.
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VITÓRIA IMPORTANTE

A comemoração dos jogadores e da Comissão Técnica do São Paulo após a vitória sobre o Internacional não foi apenas pelo fato de o time mais uma vez fora de casa obter três pontos. Quando o árbitro Alício Pena Júinior encerrou a partida, o São Paulo festejava uma das conquistas mais difíceis dentro deste Campeonato Brasileiro. Desde o jogo contra o Botafogo, no encerramento do primeiro turno da competição, que o tricolor não tinha um adversário tão complicado pela frente.

O grande mérito do Internacional, o que valorizou ainda mais a vitória do São Paulo, foi não ter medo de atuar contra o líder do Campeonato Brasileiro e campeão oficioso. Partiu para cima do time treinado pelo Muricy Ramalho e explorou o jogo pelas laterais do campo, especialmente a direita. Foi por esta razão que os três pontos deste domingo tiveram um sabor diferente entre as muitas que o São Paulo tem obtido neste campeonato.

Enquanto o São Paulo já entrega os proclamas da conquista do título, o Vasco da Gama e o Botafogo assumiram que a única briga será por uma vaga na Copa Sul-Americana. É claro que o Vasco da Gama tem a lamentar o gol que sofreu _ em impedimento _, mas o problema é que a equipe não passou no teste dos grandes confrontos. Já o Botafogo mostrou a Mário Sérgio que ele terá mais trabalho do que o elenco faz supor.

Por conta da falta de maturidade, o Botafogo entrou em crise. Começou com o descabido pedido de demissão do técnico Cuca. Nos momentos de revés o comandante, no caso o Cuca, precisa continuar à frente. Sair não foi a melhor opção e deixa no técnico a imagem de alguém que tem dificuldades para administrar momentos desfavoráveis. Ao mesmo tempo, a imaturidade de alguns dirigentes de peso contribuiu para que o elenco perdesse completamente o desejo de brigar por algo melhor. Fica muito difícil um grupo render depois de tudo o que ouviu de integrantes da diretoria. O discurso do torcedor é livre e descompromissado, afinal move-o a paixão. Mas a diretoria precisa entender que nos piores momentos, especialmente nesses, a serenidade é fundamental, como demonstrou o presidente Bebeto de Freitas.

Com isso, a briga pela vaga na Libertadores possui três candidatos para duas vagas: Grêmio, Santos e Palmeiras. Os outros, pelos mais variados motivos, tropeçaram nas próprias pernas e deixaram para trás uma chance de ouro.
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ACERTO DE UM TÉCNICO

Não sei qual será o tamanho da repercus~são, mas o Renato Gaúcho tomou uma decisão que merece mais atenção do que o dia seguinte de uma partida. Ao decidir que o Tiago Neves ficaria fora do time contra o Paraná, exatamente por não se decidir sobre o futuro, o técnico mostrou que o clube é refém de uma situação quando quer. Para quem não tomou conhecimento, eu lembro que o Tiago Neves está entre os melhores jogadores na posição neste Campeonato Brasileiro e, de uns tempos para cá, ele mais tem pensado sobre a temporada de 2008 do que qualquer outra coisa.

Por conta da influência de empresários, amigos e súditos o Tiago Neves ainda não conseguiu dizer para onde quer ir. Ora está no Fluminense, ora está na Europa. Faz juras de amor aqui e ali, mas não bate o martelo em nenhuma das questões. Exaurido, o Renato Gaúcho avisou que só quando tudo estiver resolvido ele voltará. Decisão sábia de quem não vai se vergar e mais importante ainda pelo fato de que fará o jogador pensar com mais atenção sobre o que quer para a vida.
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A FORÇA DA CASA

Não é uma campanha de orgulhar o mais otimista dos rubro-negros. O time já escapou do rebaixamento, mas e daí. Convenhamos ser muito pouco para o clube de maior torcida do país. Mesmo assim, o Flamengo lota os estádios e tem o poder de transformar o jogo desta quinta-feira contra o São Paulo num evento atraente e capaz de despertar o interesse de quem tem pelo futebol apreço.

Talvez seja pelo fato de o São Paulo ser uma rara equipe no futebol mundial que combina eficiência com equilíbrio. Difícil desvendar os segredos desta equipe. Muitos falam em manutenção do elenco, oferta de jogadores ou qualidade dos jogadores. Claro que passa por aí, mas, creio, vai muito mais além. Dois anos atrás, o São Paulo conquistou o título mundial e daquela equipe apenas o Rogério Ceni permanece como titular. Os outros (Cicinho, Fabão, Lugano, Mineiro, Josué e Danilo) foram negociados. Estava lá também o Aloísio, que reveza ciom o Borges no comando do ataque.

Observem que um time existia na final contra o Liverpool e outro será campeão brasileiro. Houve uma silenciosa operação de desmonte e o alarde foi inversamente proporcional a eficiência da equipe. É assim que o São Paulo funciona. Faz e desfaz equipes como a maioria dos clubes brasileiro, mas não coloca anuncio em jornal para divulgar o que pretende, planeja ou pensa em fazer. Quando o Mineiro foi para a Alemanha, a sensação era de que o time cairia. Nada aconteceu e o Josué também foi embora. Nada aconteceu. Fosse um pretencioso grau 8 e explicaria tudo sobre este time. Não sou e nem quero.

Não tenho a menor idéia do que faz do São Paulo um time diferente, apesar dos percalços que tem. Os mesmos de outras equipes. Só que tratado de forma bem diferente. Talvez esteja aí o segredo do sucesso.

TROPA DO BEM

Em tempos de discussão sobre tropas, a do Bem perdeu um comandante. Sujeito de escol, formado na praia do Arpoador e cultor desta palavra que muitos falam e poucos praticam. A maioria que lê este blog não deve ter idéia de quem foi o Gilberto Conde, o Giba para os amigos. Era um dos melhores profissionais da televisão _ e não pensem que me refiro apenas a feita no Brasil _ e morreu nesta terça-feira. Um ataque cardíaco levou o Giba, aos 51 anos, e deixou uma tropa inteira com o coração em frangalho e a alma destroçada. A Tropa do Bem sentirá falta deste comandante que passou uma vida inteira compartilhando tudo o que sabia e vivia. É difícil.

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TORCIDA E TORCEDORES

Não é de hoje que o olhar da rapaziada anda meio torto. Às vezes turvo e outras embaçado. No último fim de semana, o noticiário informou sobre a invasão de botafoguenses em General Severiano e de corintianos no Parque São Jorge. Convenhamos que é um exagero dizer que foi a torcida do Botafogo que depredou General Severiano e tampouco que foram os corintianos que intimidaram alguns jogadores do clube.

Não considero nem e nem outro torcedores. Podem ser tudo, menos apaixonados pelo Botafogo ou pelo Corinthians. Muito pelo contrário. Quem ama não mata foi uma frase que ficou famosa nos tempos em que não existia tevê por assinatura e a carta ou um cartão postal eram as melhores formas de se comunicar com alguém que estivesse do outro lado do mundo, por exemplo.

Pois esta frase do inquieto anos 80 cai muito bem para definir o comportamento desta moçada que vê na intimidação consentida a melhor maneira de mostrar a paixão que sente pelo clube. Tanto no caso do alvinegro carioca como no do alvinegro paulista a justificativa para a presença da turba enfurecida foi a de que eles eram sócios. Tudo bem. Só que o sócio não tem o direito de depredar o patrimônio do clube _ caso do Rio de Janeiro _ e tampouco coagir funcionários do Corinthians e os jogadores são, sim, funcionários.


Puni-los, como o afastamento do clube, seria a melhor maneira de mostrar a este pequeno grupo e a grupelhos de outros clubes que ninguém está disposto a aturar a insatisfação de torcedores que cobram _ pode ser um ingresso ou financiamento para uma viagem _ pelo direito de ser apaixonado. Caminhamos para a frente, neste instante o Botafogo mais do que o Corinthians, e não cabe mais este tipo de comportamento pela via da intimidação, medo ou coação.

A grande maioria dos torcedores _ como em quase tudo nesta terra _ é do bem e está disposta a incentivar a sua equipe. A gritar por ela e levar a família para o estádio. Espero que o papel desta turba seja devidamente minimizado. Eles não representam dois por cento do pensamento daquele torcedor que não cobra pela paixão.
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FIM DO CAMINHO

O Cruzeiro tropeça, o Vasco da Gama tomba e o Botafogo desmorona. No exato instante em que mais precisavam mostrar forças estes três times sentiram o tranco. Não vou aqui esmiuçar os problemas de cada um e tampouco teorizar sobre o que pode ter levado os três a uma situação desconfortável dentro da tabela do Campeonato Brasileiro. Dos três, o Cruzeiro é o que tem mais possibilidades de lutar por uma vaga à Libertadores. É, depois do São Paulo, o mais bem colocado e precisa se reencontrar, melhor adversário do que o Goiás não poderia haver, o mais rápido possível.

O Campeonato Brasileiro que se aproxima do fim oficioso _ o oficial será no dia 2 de dezembro _ mostrou um dado interessante para quem o acompanhou com o interesse devido: há uma turma de jogadores que acusa o golpe quando a temperatura aumenta, o sapato aperta e desaba um toró. Por vício, o mesmo que leva a culparmos a classe política por tudo de ruim que acontece e preserva quem a legitima, a tendência é atribuir-se ao dirigente, no popular o cartola, a responsabilidade pelos males que acometem uma equipe. Basta um prócer (gostaram?) dizer uma bobagem e o seu destempero verbal ganha uma dimensão inimaginável. Existe uma tendência de se preservar o jogador em qualquer situação.

Talvez seja esta cultura da preservação do jogador de futebol, fenômeno que só existe nesta modalidade esportiva, que leve o profissional da bola a sempre posar de vítima. No fundo ele sabe que estará sempre a salvo de críticas ou responsabilidades. O alvo preferido é o dirigente, o técnico ou então divide-se a responsabilidade entre um e outro.

Dos três times citados no parágrafo lá em cima, o Cruzeiro é o único que tem reais condições de obter uma vaga para a Libertadores. Caso não consiga, a responsabilidade pela frustração não será apenas do técnico Dorival Júnior. Os jogadores que foram o elenco do clube também têm cotas, uns até polpudas, dentro deste latifundio. As oscilações da equipe mostram que a responsabilidade intimidou no exato instante em que deveria estimular.

O caso do Vasco da Gama é ainda mais interessante. Perdeu jogos em que foi superior ao adversário e diante um que flerta com o rebaixamento não conseguiu se sobressair. Mais parecia que ele estava com os dramas do Juventude. Faltou ao Vasco da Gama a frieza e a ambição necessárias para justificar que os resultados obtidos lá atrás não foram por acaso.

Como também não foi por acaso a campanha que o Botafogo fez no primeiro turno do Campeonato Brasileiro. Dizem que os jogadores estão abalados emocionalmente pelas palavras destemperadas, sem propósito, antigas e descabidas do seu vice-presidente de futebol. Sei lá eu se isso é verdade. Tenho cá minhas dúvidas. Caso estejam realmente abalados pela desvalorização berbal do patrimônio feita pelo dirigente, os jogadores mostram uma incrível incapacidade para lidar com a situação e para reagir.

O saldo que fica em cima destas observações é que a cabeça dos jogadores precisa ser cada vez mais bem trabalhada. Sei que a maioria dos técnicos tem resistência ao fato e outros nem sequer cogitam a possibilidade. Mas o mudo mudou, os filhos chamam os pais de você mais cedo, o vidro fumê acabou com a paquera nos sinais de trânsito e o jogador de futebol acompanhou todas estas transformações. Só não percebe quem não quer.
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A SINCERIDADE QUE FALTA

Há quem confunda a sinceridade do Muricy Ramalho com mau-humor. Puro engano. É uma pessoa sincera, daquelas que não manda recado. Em determinado instante da entrevista coletiva que concedeu após o jogo, o técnico teve que responder sobre uma pergunta referente a nó tático. No ato, o Muricy deu a resposta mais do que adequada e tocou num ponto que, às vezes, é ignorado por muitos profissionais da bola: a capacidade dos jogadores.

Não se pode jogar no lixo ou ignorar o percentual que cada jogador tem na busca por uma vitória. O técnico trabalha, o técnico pensa, elabora, planeja, mas quem executa é o jogador. Cabe a ele, nem todos usam bem este modelo, decidir na hora que é necessário. Em cima desta questão me bem à lembrança a festa que a torcida do Flamengo realizou quinta-feira à noite no Maracanã. Foi um show e capaz de emocionar os mais insensíveis.

Pois este apoio não pode ser apontado como o único responsável pelo sucesso do Flamengo. Evidente que a torcida impulsiona, mas o Flamengo não pode ser um time no Maracanã e outro em qualquer estádio fora do Maracanã. Quando os jogadores agradecem aos torcedores pelo incentivo e pela cooperação, eles estão mais do que certos. Ponto. O Flamengo precisará mostrar que é capaz de ser o mesmo time do Maracanã em qualquer outro confronto.

Enquanto este desafio não chega, o time acena com a possibilidade de fazer uma campanha superior a que fez no ano passado. Nada para se comemorar. O Flamengo do jogo de ontem precisa ser mais constante no Campeonato Brasileiro para não ser um coadjuvante dentro da competição. O exemplo que vem das arquibancadas mostra que o Flamengo é de ponta. Tal e qual seus torcedores.

SEM LAMENTOS

Entre os muitos atributos que ajudam-no a ser um bom técnico, o Muricy Ramalho tem a seu lado o fato de não ser um técnico que se lamente por pequenas porções. Ao choro, ele prefere o trabalho e basta olhar a equipe do São Paulo para se constatar como ela é bem preparada. No jogo diante do Flamengo, o São Paulo foi São Paulo poucas vezes. Não pensem que isso tem única e exclusivamente a ver com o técnico. Muitas vezes as coisas não funcionam e o que resta é pensar sobre a próxima partida.

Por isso, o Muricy teve razão em contestar uma tola expressão, criada pela mídia nos anos oitenta, que atribui a "nó tático" o desempenho de um time. Pobre pela simplicidade e intriga barata que carrega, a expressão deveria ser rejeitada por todos. Não houve nenhum "nó tático" no Maracanã. O Flamengo, impulsionado pela sua torcida, soube ser mais eficiente do que o São Paulo.
Apenas isso

Bom fim de semana para todos
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SALDO DA DERROTA

Pela segunda vez, sempre em um clássico, o Corinthians quebrou a banca e venceu um adversário local. Foi um jogo de mais erros do que acertos e que mais uma vez mostrou um São Paulo seguro demais e produtivo de menos. Não pensem, aqueles que não assistiram ao jogo, que o São Paulo fugiu muitos dos padrões de exibição apresentados nas últimas rodadas. O ritmo do jogo não mudou, mas a equipe produziu muito pouco no ataque. Quase nada.

Era uma partida que se encaminhava para o zero a zero. Um empate sem muita emoção, caracterizado por intensa disputa no meio de campo com apenas Richarlyson se destacando. Antes do jogo, o técnico do Corinthians, Nelsinho Batista, disse que o esquema não isolava Finazzi na frente, mas quando a bola rolou o que se viu foi completamente diferente. Solitário, qual um Robson Crusoé, Finazzi corria de um lado para o outro e não contava com a ajuda de ninguém. O jogo estava tão morno que Rogério Ceni disputou o segundo tempo inteiro com dores na perna, mas o fato de não ser exigido o permitiu que ficasse.

A vitória dá ao Corinthians mais oxigênio para respirar e encontrar forças na luta para evitar o rebaixamento que tanto o atormenta, mas não se materializará. Nestes instantes, em parceria com seus torcedores (me refiro aos do bem), o time consegue forças e sai do atoleiro que trafega por opção.

Mesma parceria que o Atlético Paranaense consegue na Arena da Baixada. Na sua casa e empurrado por quem paga ingresso, o Atlético Paranaense se livra da possibilidade de rebaixamento e segue em frente. Caminho idêntico ao adotado pelo Atlético Mineiro. Interessante notar o comportamento destes torcedores. Descobriram que nestas horas é impossível ser crítico e, sim, um parceiro capaz de ficar rouco em nome da paixão.

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SELEÇÃO MADURA


Muita coisa aconteceu entre o primeiro dia de Dunga como técnico da Seleção Brasileira e os atuais, aqui na Granja Comary, quando os jogadores mostram uma serenidade que há tempos parecia ter desaparecido. Não é de hoje que os jogadores da Seleção Brasileira têm um outro tom no comportamento e nas declarações. A maturidade deste grupo que Dunga convocou para os jogos das eliminatórias chama a atenção tanto quanto a eficiência que tem apresentado, especialmente nesta temporada.

Na entrevista coletiva que Dunga concedeu na terça-feira muitos observaram sobre a serenidade do técnico. Ela também faz parte desta fase pela qual passa a Seleção Brasileira. É um dos combustíveis para que o Brasil chegasse neste estágio foi a conquista da Copa América. Creio que ali, o técnico da Seleção encontrou o grupo mais próximo das suas aspirações e sentimentos como treinador e os jogadores aprenderam e entenderam como era o pensamento do homem que os comanda.

O resultado pode ser medido nas palavras confiantes e na maneira como os jogadores se comportam. Não há exagero em afirmar que a Seleção Brasileira disputará mais uma Copa do Mundo e tampouco que os jogadores se sentem cada vez mais confiantes. Este é o ponto fundamental. Percebo que o grupo de convocados acredita no que o técnico diz e esta é receita básica para se formar uma equipe vitoriosa.

No primeiro coletivo que Dunga dirigiu a seriedade tomou conta de todos. Será a mesma que se verá diante da Colômbia. O Brasil treinado por Dunga é um time ciente da sua responsabilidade e não teme enfrentá-la. Talvez esta seja a maior virtude deste time.
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SOBROU PARA O MARACANÃ

Não é comum a Seleção Brasileira jogar tão mal duas vezes seguidas. O desempenho diante da Colômbia fou abaixo do esperado não pela críticas, mas pelos próprios jogadores. O discurso polido, com argumentações consistentes para alguns _ a altitude interfere no estilo de atuar do Kaká, por exemplo _ mostra que nenhum dos convocados e tampouco os integrantes da Comissão Técnica saíram do estádio El Campim satisfeitos com o que viram.

Assim como a atuação da equipe foi abaixo do esperado é fato também que o resultado não significa uma catástrofe. Muito pelo contrário. O empate contra a Colômbia, na casa do adversário, será resultado comum para outras seleções. Cabe ao Brasil saber ver as lições que o jogo apresentou e delas tirar proveito.

Diante da situação vista na partida de estréia, a expectativa em torno do jogo com o Equador aumenta. Especialmente por ser no Maracanã. Há sete anos, o estádio não é o palco de uma partida da Seleção Brasileira. Mexerá com os jogadores o grito da multidão e certamente todos estão ansiosos para mostrar a verdadeira face da Seleção Brasileira. Ela não tem nada a ver com o que se viu no domingo. O melhor desta história é que os jogadores são disso.
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NOVOS TEMPOS


O olhar do futebol brasileiro não é muito atento, tampouco complacente, com os que atuam na defesa. Muito pelo contrário. O passado tem exemplos de quem joga do meio de campo para a frente e o elenco do pessoal que passou a vida dando dribles, toques de efeito e marcando gols não cabe num espaço limitado. Pois está mais do que na hora de prestarmos atenção na dupla de zagueiros da Seleção Brasileira. Não é de hoje que Juan e Lúcio e Lúcio e Juan formam a melhor parelha de beques com a camisa verde e amarela nos últimos tempos.

Do naufrágio na Copa do Mundo, eles foram os únicos que se salvaram com a luxuosa companhia do Zé Roberto. De lá para cá, nas ocasiões em que atuaram juntos, os dois não deram dor de cabeça ao técnico que dava plantâo à beira do campo ou aos torcedores diante da televisão. Têm estilos absolutamente dsintintos, mas absolutamente compatíveis também. O Lúcio, que não tem mais nenhum parentesco com o zagueiro temperamental e precipitado de outras épocas, mostra mais serenidade e como faz bem ter a companhia de um zagueiro técnico, refinado na maioria das vezes, e inimigo do pontapé.

Há tempos, precisamente desde Aldair e Márcio Santos, nos Estados Unidos em 94, que a Seleção Brasileira não apresentava jogadores tão consistentes. Os elogios se acumulam com a mesma quantidade que eles rebatem bolas e diminuem o batimento cardíaco dos torcedores sempre que o Brasil é atacado. Não é muito comum para o torcedor olhar zagueiros. Fala-se deles mais quando falham. Não pensem que é algo pessoal com o fato de o sujeito ter escolhido jogar na defesa. Passa muito mais pela vocação ofensiva que está na corrente sanguínea do brasileiro, embora muitas transfusões tenham sido feitas nos últimos tempos.

Só que Juan e Lúcio ou Lúcio e Juan conseguiram entrar num outro estágio. Não dá para esperar de um ou outro o chute do Kaká; o passe para dar torcicolo do Ronaldinho Gaúcho ou o drible que pinça o nervo ciático do Robinho. Mas se pode _ e eles comprovam na pratica _ que os sustos diminuíram. Ainda bem.

BRASILEIRO

A reação do Flamengo dentro do Campeonato Brasileiro é para deixar o torcedor rubro-negro com a estima em alta, embora isso seja comportamento rotineiro na vida de quem escolheu o vermelho e preto como paixão. Há méritos dos jogadores, da diretoria que conseguiu enfileirar uma sequência de jogos no Maracanã após o Pan-Americano e do técnico Joel Santana. Este é um profissional à moda antiga, daqueles que têm um vocabulário mais próximo do universo dos jogadores e sofre com os preconceitos de uma parte _ inclua mídia e tudo o mais _ que tem apreço pelo profissional de palavras rebuscadas, conceitos neurolinguísticos, visual bem cuidado e dentro dos padrões que a sociedade moderna estabelece.

Após uma passagem frustrante pelo Fluminense, o Joel Santana conseguiu no Flamengo realizar na Gávea o que não fez nas Laranjeiras. Talvez uma questão geográfica. Terminará este Campeonato Brasileiro como um dos profissionais em alta, apesar das resistências que continuarão a acompanhá-lo enquanto estiver em atividade.

Neste domingo, o Flamengo recebe o Grêmio e a chance de o Maracanã ter novamente um dos maiores públicos do Campeonato Brasileiro foi confirmada com a vitória de 2 a 1 sobre o Vasco da Gama. Exageros à parte, o sonho da Libertadores me parece distante, mas a capacidade de reação demonstrada pelo rubro-negro é digna de registro.

Deixa a torcida do Flamengo nesta ressureição uma lição para as outras. Está mais do que na hora de o torcedor entender que a ida ao estádio representa torcer pelo time. Não sou contra o protesto, mas não vejo o estádio como local mais adequado para se mostrar insatisfação.

Com a volta de Rogério Ceni _ o melhor jogador do Campeonato Brasileiro _, o São Paulo fica ainda mais forte para o jogo contra o Cruzeiro. A oscilação do time mineiro pouco importa neste momento. O mesmo se aplica ao São Paulo que também cambaleou nas últimas rodadas, mas não caiu. Só que os tropeços do time mineiro foram mais danosos para a equipe do que os do São Paulo.



Bom fim de semana para todos
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