EMBALOS DO FIM DE SEMANA Por absoluta falta de competência, eu não consigo dar palpites. Quem vai ganhar ou perder um jogo no final de semana é uma pergunta que me deixa com as mãos atadas e a boca fechada. Falta a sensibilidade para dizer que este time tem mais chance do que aquele e percepção suficiente para garantir que, dentro de casa e com o apoio da torcida, a equipe tal não tomará conhecimento da equipe qual.
Quando se aproxima o final de semana, eu entro em pânico. É a hora do palpite, da previsão e de saber quem vai se dar mal e bem na rodada. Prefiro enveredar por outro caminho e muito cá entre nós até agora eu não consegui trilhar nenhum. Estou a enrolar quem acompanha estas mal traçadas com o agilidade de um elefante em loja de louças.
Entre os poucos assuntos fascinantes, bom de prosear, o futebol talvez seja o mais interessante. Para um cinquentão como eu, a volta ao passado é meio que inevitável. Retorno no tempo, me alimento, afirmo que não sou saudosista e depois aterriso no presente. Gosto e disgosto de algumas coisas. Tal e qual acontecia no passado. Lembro que naquela época, embora algumas testemunhas daquele período neguem, também havia o canela dura e, pior, o jogador predisposto a ser violento. Notabilizou-se um sujeito chamado Moisés.
Atuasse nos dias de hoje e o Moisés seria um fóssil. Saiu do Bonsucesso, passou pelo Botafogo, Vasco da Gama, Flamengo e.........Seleção Brasileira. Não tinha bola para isso, o que desmente a tese de que a camisa verde e amarela só foi trajada por artistas da bola. O Moisés, além de jogador, era corretor da bolsa e praticava pesca submarina. Já pensaram um jogador nos dias de hoje com tantas atividades? Era o investidor preferido da maioria dos profissionais da bola, que tinha dificuldade em ser profissional na administração do dinheiro.
Confesso que o presente não tem tantos personagens interessantes quanto os do passado. Foi o Moisés quem disse a frase que zagueiro bom não ganhava o Belfort Duarte, prêmio concecido ao jogador que passava a carreira sem receber o cartão vermelho. O Moisés se aposentou, ninguém fala mais do Belfort Duarte e todo mundo quer saber quem vencerá no final de semana. Eu não consigo fazer a previsão e lembro, viva o clichê!, que o Campeonato Brasileiro é muito equlibrado.
Na quinta-feira, o Nelson Rodrigues, vivo fosse, faria 95 anos. Era um gênio daqueles que nos dá um baita de um orgulho de ser brasileiro. Tão genial que aos oito anos fez uma redação na escola sobre adultério. Não pensem que cito o Nélson com a pretensão de me comparar a um gênio. Não tenho roupa, texto, envergadura, raciocínio e tudo o que mais for necessário para ser comparado ao Nélson. Lembrei dele por estar a relê-lo, o que é saudável, e por ser mais um fim de semana com a temporada de palpites aberta.
RODADA A única coisa que posso dizer é que o maior público da rodada tem tudo para ser o do Maracanã. Nada como um bom goleiro para dar a segurança que o time precisa. O do Flamengo varia como a previsão do tempo, mas funciona quando necessário. E o torcedor já percebeu que o time, apesar das topadas, sairá do rebaixamento.
Fosse o adversário um pouco mais encorpado e o torcedor do S~çao Paulo teria vontade de trocar o conforto de qualquer outra coisa pelo estádio. Não é. Mas existe um motivo que pode tirar o "da poltrona", como dizia o Renato Aragão, vestido de Didi Mocó, de casa: o Rogério Ceni. O que ele fez contra o Figueirense, na noite de quinta-feira, merece uma homenagem. E vê-lo, ao vivo, no estádio seria a melhor delas.
Bom fim de semana para todos.
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