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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
ENTRA E SAI

Aconteceu o que todos sabiam que iria acontecer, inclusive o Dunga. A Seleção Brasileira do segundo tempo, encorpada pelas presenças do Ronaldinho Gaúcho e do Kaká e com a permanência do Robinho, foi muito melhor do que a do primeiro tempo. Nada mais natural. Afinal, dois jogadores que sempre foram os primeiros a serem escolhidos no par ou ímpar estavam em campo. E não cabe nem fazer uma comparação entre o time que encerrou a partida com a Argélia e o que venceu a Copa América. Este é mais talentoso do que aquele.

Não tenho nenhuma dúvida de que no momento exato _ o das eliminatórias _ a dupla formada pelo RG e o KK estará em campo. É uma questão de tempo e os dois já perceberma isso. O que fizeram no jogo de ontem não supreendeu. A homenagem de Dunga aos vitoriosos na Copa América foi um gesto importante para jogadores que volta e meia são depreciados e não têm as suas qualidades devidamente reconhecidas.

Vejo com satisfação o entusiasmo pelos retornos de Ronaldinho Gaúcho e Kaká ao posto de titulares da Seleção Brasileira, mas gostaria que eles também voltassem diferentes do que foram até agora com a camisa verde e amarela. Não apresento apenas um motivo para justificar o mau desempenho do Brasil na Copa do Mundo. Vários fatores contribuíram, mas evidente que a soberba encurtou o caminho para a volta.

Por acreditar que tudo estava pronto para a Copa do Mundo, o Parreira se acomodou e acreditou que nada mais precisava ser feito. É aí que entrou com o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká. Introspectivos, eles ficaram incomodados com algumas situações vividas na Copa do Mundo, mas o temperamento impediu a ambos que falassem. Quem sabe agora,eles não retornarão de forma diferente e se transformarão em interlocutores do Dunga. Seria bom para todos, especialmente para a seleção.
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EMBALOS DO FIM DE SEMANA

Por absoluta falta de competência, eu não consigo dar palpites. Quem vai ganhar ou perder um jogo no final de semana é uma pergunta que me deixa com as mãos atadas e a boca fechada. Falta a sensibilidade para dizer que este time tem mais chance do que aquele e percepção suficiente para garantir que, dentro de casa e com o apoio da torcida, a equipe tal não tomará conhecimento da equipe qual.

Quando se aproxima o final de semana, eu entro em pânico. É a hora do palpite, da previsão e de saber quem vai se dar mal e bem na rodada. Prefiro enveredar por outro caminho e muito cá entre nós até agora eu não consegui trilhar nenhum. Estou a enrolar quem acompanha estas mal traçadas com o agilidade de um elefante em loja de louças.

Entre os poucos assuntos fascinantes, bom de prosear, o futebol talvez seja o mais interessante. Para um cinquentão como eu, a volta ao passado é meio que inevitável. Retorno no tempo, me alimento, afirmo que não sou saudosista e depois aterriso no presente. Gosto e disgosto de algumas coisas. Tal e qual acontecia no passado. Lembro que naquela época, embora algumas testemunhas daquele período neguem, também havia o canela dura e, pior, o jogador predisposto a ser violento. Notabilizou-se um sujeito chamado Moisés.

Atuasse nos dias de hoje e o Moisés seria um fóssil. Saiu do Bonsucesso, passou pelo Botafogo, Vasco da Gama, Flamengo e.........Seleção Brasileira. Não tinha bola para isso, o que desmente a tese de que a camisa verde e amarela só foi trajada por artistas da bola. O Moisés, além de jogador, era corretor da bolsa e praticava pesca submarina. Já pensaram um jogador nos dias de hoje com tantas atividades? Era o investidor preferido da maioria dos profissionais da bola, que tinha dificuldade em ser profissional na administração do dinheiro.

Confesso que o presente não tem tantos personagens interessantes quanto os do passado. Foi o Moisés quem disse a frase que zagueiro bom não ganhava o Belfort Duarte, prêmio concecido ao jogador que passava a carreira sem receber o cartão vermelho. O Moisés se aposentou, ninguém fala mais do Belfort Duarte e todo mundo quer saber quem vencerá no final de semana. Eu não consigo fazer a previsão e lembro, viva o clichê!, que o Campeonato Brasileiro é muito equlibrado.

Na quinta-feira, o Nelson Rodrigues, vivo fosse, faria 95 anos. Era um gênio daqueles que nos dá um baita de um orgulho de ser brasileiro. Tão genial que aos oito anos fez uma redação na escola sobre adultério. Não pensem que cito o Nélson com a pretensão de me comparar a um gênio. Não tenho roupa, texto, envergadura, raciocínio e tudo o que mais for necessário para ser comparado ao Nélson. Lembrei dele por estar a relê-lo, o que é saudável, e por ser mais um fim de semana com a temporada de palpites aberta.

RODADA

A única coisa que posso dizer é que o maior público da rodada tem tudo para ser o do Maracanã. Nada como um bom goleiro para dar a segurança que o time precisa. O do Flamengo varia como a previsão do tempo, mas funciona quando necessário. E o torcedor já percebeu que o time, apesar das topadas, sairá do rebaixamento.

Fosse o adversário um pouco mais encorpado e o torcedor do S~çao Paulo teria vontade de trocar o conforto de qualquer outra coisa pelo estádio. Não é. Mas existe um motivo que pode tirar o "da poltrona", como dizia o Renato Aragão, vestido de Didi Mocó, de casa: o Rogério Ceni. O que ele fez contra o Figueirense, na noite de quinta-feira, merece uma homenagem. E vê-lo, ao vivo, no estádio seria a melhor delas.

Bom fim de semana para todos.
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O CENTROAVANTE

Não é jogador para a Seleção Brasileira. Mesmo com a crise de centroavantes, ele não deve ser relacionado entre os candidatos. Só que a importância para o time do São Paulo não pode ser discutida, embora volta e meia algum iluminado se arrisque a fazer comentários sobre a utilidade do centroavante de ofício, que na pia batismal recebeu o primeiro nome de Aloísio.

O quarto gol que marcou no sapeca iá-iá do São Paulo sobre o Náutico explica um pouco do seu futebol e mostra como tem utilidade um jogador que dentro daquele espaço, chamado de grande área, sabe o que fazer quando a bola chega. Criticam o Aloísio pelas caneladas e pela ausência de gols. Mas não observam o quanto sua presença intimida e desconcentra a zaga adversária.

Há uma crise de centroavantes no futebol verde e amarelo. Cá e lá, o sujeito, qual Diógenes, sai com uma lanterna à procura do especialista em fazer o que todo mundo gosta, exceto alguns técnicos e todos os goleiros: gol. O Aloísio, e o Muricy descobriu isso tempos e tempos atrás, é mais do que útil. Diria que fundamental para que o São Paulo, cada vez mais célere na busca pelo título, saiba o que fazer quando a situação se complica ou o gol demora a sair.

Por falar em jogador útil, eu sugiro ao respeitável público que preste um pouco mais de atenção num rapaz chamado Maicossuel. Que o time do Cruzeiro passa por excelente fase e descobriu que a melhor maneira de se impor e jogando no campo do adversário não há dúvida. Mas o Maicossuel é daqueles jogadores que todo time gostaria de ter. Incansável, dedicado a presente na maior parte do campo. Pouco notado pela platéia e necessário para o time.

Aliás, a vitória do Cruzeiro sobre o Corinthians mostrou algo interessante. Ao contrário do senso comum, eu prefiro falar das virtudes do vencedor do que de eventuais equívocos do derrotado ou do Paulo Cesar Carpegiani, que até às 20h30 do sábado era técnico da equipe. Não foi o Corinthians que perdeu. Foi o Cruzeiro que venceu e os três pontos, assim como os três a zero, não aconteceram por uma invencionice ou outra do PCG. O Cruzeiro foi superior o tempo inteiro e soube colocar esta superioridade na pratica. Prefiro muito mais me concentrar neste Cruzeiro do que prestar a atenção em Corinthians que tem elenco limitado e era dirigido por um técnico, que sofreu o preconceito de muitos. Confundem inquietação com invencionice.

Como é bom ver uma equipe com goleiro. É o caso do Palmeiras. Quando solicitado, o Diego Cavalieri não titubeou. Sei que o Marcos tem um latifundio no coração dos palmeirenses, mas o Diego é um baita de um substituto. Daqueles de fazer o torcedor esquecer o titular, que está louco para voltar e deve ter muita dificuldade para ser reserva.


ERROS E ERROS

Há tempos, o futebol do Rio de Janeiro deixou de se preocupar com a formação dos árbitros. Era coisa de pouco interesse e a função tinha mais conotação política do que qualquer outra coisa. Pois o erro do Luís Antônio, no jogo entre o Inter e o Atlético Paraná, apenas refletiu esta falta de preparação. Determinados erros cometidos podem ser relevados, pois a discussão posterior, em cima dos mais variados ângulos, nem sempre é conclusiva. Mas outros, como o do Beira-Rio mostram o quanto é ruim o encarregado de fazer valer as leis do jogo.

Pena que a arbitragem sofra com estes limitados profissionais. No mesmo sábado, o Paulo César de Oliveira errou no gol de empate do Grêmio, mas reconheço que no lance cabe a interpretação por ele conferida.

O blogueiro deve estranhar a ausência de comentário sobre o jogo entre Atlético-MG e Botafogo. Não vi com a atenção que mereça um comentário detalhado, mas os três pontos mostram que o Botafogo não está entregue. Se conseguir dar confiança a alguns dos goleiros terá somado mais três pontos.
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AGENDA POSITIVA

Há coisas que acontecem no Campeonato Brasileiro e pessam ao largo. A que mais tem me chamado a atenção é o retorno do torcedor aos estádios. Aqui e ali, especialmente nos finais de semana, o número de pessoas sentada nas arquibancadas, cadeiras e tribunas aumenta. Mostra que o futebol, aos poucos, recupera um lugar entre as opções de lazer mais interessantes que se pode ter. Seja em um dia de semana ou nos finais de tarde de sábado ou domingo.

Observo a presença dos torcedores e fico a pensar o que pode determinar a presença de tantos num futebol de tão poucos. Derrotado no confronto financeiro com os clubes europeus, árabes e asiáticos, o futebol brasileiro assiste a saída de nomes promissores, como o Carlos Eduardo, reveleção do Grêmio, que troca um clube de ponta da América do Sul por um da segunda divisão do futebol alemão. Já enumeri aqui os motivos que contribuem para quem um jogador tome esta decisão e não vou repeti-los. Neste cenário seria possível, até aceitável, que o torcedor ficasse de costas ou fosse indiferente ao Campeonato Brasileiro. Erra quem aposta em uma ou outra. Ele mantém a fidelidade.

Pode ser que antes de observar a saída dos promissores _ o Sul deu adeus ao Pato e ao Carlos Eduardo, em menos de um mês _ seja necessário observar quem volta. Cito dois jogadores, cujo regresso, pelo menos até agora, não foi amargo, mas saboroso. O primeiro é o Alecssandro, do Cruzeiro. Tem média de gols impressionante e compensa, por exemplo, a negociação do ARaújo. Evidente que os dois no mesmo time seria muito melhor.

O outro que me chama a atenção é o Kléber Pereira, do Santos. Tivesse no time ainda no primeiro semestre e talvez a equipe treinada pelo Vanderlei Luxemburgo conseguisse melhores resultados. Voltou do futebol mexicano e pode se transformar numa das atrações desta segunda fase do Brasileiro.

Todos os dias é um entra e sai, mas convém observar que os jogadores que por cá desembarcam nem sempre decepcionam. Os dois citados se encaixam nesta história.

Boa semana para todos
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FREIO PARA A ENCENAÇÃO

As punições impostas ao Roger, do Flamengo, e ao Vampeta, do Corinthians, podem influir no comportamento dos jogadores dentro de campo. Ambos receberam um jogo de suspensão por terem se revelado péssimos atores. São melhores como jogadores e é bom que tenham percebido isso. Entendo a decisão do Tribunal como um aviso para todos os outros que querem fazer da esperteza, este hábito tão deplorável na sociedade brasileira, um recurso para se dar bem em qualquer situação.

Revi a imagem do Vampeta, no jogo contra o Botafogo, desabando no chão, como se tivesse um ataque. Encenação que nem o Alberto Roberto, aquele personagem criado pelo magistral Chico Anysio, teria condições de interpretar. Foi acintosa e debochada com o público que paga para assistir um espetáculo de futebol e não tem o direito de ser ludibriado. O mais estranho é que nada foi colocado na súmula pelo árbitro da partida. Impressionante como determinadas coisas simplesmente não são vistas pelos profissionais do apito.

O Roger entra na mesma situação. A atitude foi desnecessária e ainda mostrou a tentativa de induzir sua senhoria a punição de um jogador do Fluminense. Não sei se o pessoal se dá conta da importância que tem junto ao respeitável público. Pior do que desejar arrastar um jogador do outro time no instante em que é expulso e vender a idéia de que não existe melhor caminho para se dar bem.

O acertado rigor na punição aos canastrões deveria se estender aos que ganham vida à beira do campo. Foram passíveis de punição os comportamentos do Renato Gaúcho e do Joel Santana. O primeiro saiu do Tribunal com a certeza de que estava certo ao dizer "que o Fluminense era roubado" no Campeonato Brasileiro e o segundo, por mais que o currículo indique o contrário, teve privação de sentidos e mandiou sentar a burduna no rival Santos, que, na bola, ganhava por 3 a 0.

Cada vez mais, as decisões do Tribunal são acompanhadas com a devida atenção. Imagina-se que os seus integrantes podem zelar pelo jogo limpo, o comportamento adequado e a correção de postura. Este Campeonato Brasileiro pode servir de exemplo para que o Tribunal saiba exatamente o tamanho e a importância do seu papel. Não podem ser tolerante com uns e rigoroso com outros.

PIMENTA

O comentário feito pelo Rogério Ceni de que o Palestra Itália não é local mais adequado para o clássico entre Palmeiras e São Paulo não tem nada de absurdo. Estamos num país livre, ainda bem, e está mais do que na hora de se parar com esta mania de ver provocação em tudo o que é dito. Sou a favor de jogos no Palestra, na Vila Belmiro, em São Januário, no Engenhão, no Beira-Rio e no Olímpico. O problema não é local, mas o que se faz para evitar o conflito antes, durante e depois.

Assim como apimentaram os comentários do Rogério Ceni fizeram o mesmo com a opinião do Muricy Ramalho sobre o Valdívia. Disse o técnico que o chileno naturalizado não é craque. Está absolutamente certo. Quem tem cuidado com o uso das palavras e é criterioso nas suas avaliações sabe que o Valdívia não é craque. Aliás, o futebol brasileiro não tem nenhum e no futebol mundial o último foi o Zidane.

Conversar sobre futebol é uma das melhores coisas do mundo. Não precisa de cerveja, tira-gosto e nada. O assunto estimula suficientemente para que a prosa não seja interrompida. Tema tão fascinante não precisa de pimenta de má qualidade, como volta e meia uns e outros fazem.
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O TOQUE DE BOLA


Não é um futebol jogado por craques e tampouco temos aqui grandes estrelas. Mas é conveniente observar alguns jogadores que por estas terras ganham o pão de cada dia. Há tempos, o Leandro Amaral, por exemplo, é um dos destaques do Vasco da Gama. Não vou defender a convocação do atacante para a Seleção Brasileira, embora a posição esteja em crise no país, mas convido o respeitável público a prestar mais atenção neste jogador que na maioria das vitórias do Vasco da Gama teve papel importante.

O que ele fez na partida contra o Náutico não surpreendeu. Ao longo desta temporada, o Leandro Amaral já teve destaque em outros jogos. Tanto faz vê-lo atuando pelos lados do campo, como também com aquele jeito de centroavante à moda antiga. Oferece opções para os que atuam no meio de campo e com isso, exatamente pela opção que dá, o Conca se sobressai. E aí está um caso muito interessante para se observar: vale a pena ter paciência com determinados jogadores, especialmente se ele mostra competência. É o caso do Conca.

Desde o dia em que desembarcou em São Januário, o Conca me chamou a atenção por ser um sujeito introspectivo. Não é comportamento aceitável no mundo de hoje. Querem pessoas expansivas e tem gente que toma até remédio para disfarçar a melancolia. O Conca quebra este comportamento. Sujeito que olha para o chão enquanto dá entrevistas, que fica tímido diante do assédio e só tem o talento _ vejam que usei o só _ para protegê-lo. Aconteceu o mesmo com o Valdívia. Diziam quase que as mesmas coisas que falaram do Conca e deu no que deu.

Se o Valdívia me chama atenção há algum tempo, o Conca passou a chamar agora pouco. Assim como o time do Santos. Pode parecer uma heresia, mas eu explico: quando saiu da Libertadores o Santos mergulhou em luto profundo. É pesada a decepção pelo adeus ao torneio mais importante do continente. Que o diga o Grêmio, ainda juntar os cacos daquela final contra o Boca Juniors.

Pois este Santos que ressurgiu dentro do Campeonato Brasileiro e caminha para entrar na corrida pela Libertadores e pelo título tem agora uma grata combinação. Reúne o Kleber, o Pedrinho e o Petkovic. Haverá quem ache exagero o elogio a este trio, mas o esclarecimento é mais do que necessário. Existe um futebol no meu imaginário, forjado nos tempos de garoto e solidificado na adoelscência, mas o de hoje também pode encantar, desde que você esteja receptivo ao encanto.

O Santos dos Pet e do Ped é para ser olhado com a devida atenção. No futebol praticado no Brasil, o jogador inteligente, não necessariamente habilidoso, faz a diferença. E o Santos conseguiu três.

Bom fim de semana para todos
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PARA REFLETIR

Não tenho a menor idéia sobre o que acontecerá com o Dodô. Sei apenas que o olhar brasileiro, que cada vez mais coloca a todos sob suspeição, aborda a questão por um lado equivocado. Volta e meia ouço que o Dodô foi absolvido no segundo julgamento no STJD exatamente pelo fato de a maioria dos participantes torcer pelo Botafogo. Alto lá! Se fomos partir do princípio de que o voto está ligado a paixão clubística de um e outro, o STJD precisa fechar para balanço.

Posso atribuir a absolvição do Dodô aos mais variados motivos, especialmente à defesa feita, mas não posso aceitar a idéia de que o veredicto foi movido pela paixão. Creio que há um desvio na interpretação que se alastra por todos os setores da nossa sociedade. Alguns dos nossos mais respeitados jornalistas esportivos já declararam por qual time torcem e nenhum deles se deixa levar pela paixão no instante em que observam o futebol, suas mazelas e seus acertos.

O mesmo se aplica, por exemplo, ao jornalista que cobre política. Evidente que ele vota em um candidato, mas duvido que isso interfira no seu trabalho, assim como não interfere no trabalho do médico se diante dele, sobre a mesa de cirurgia, está um sujeito honesto e trabalhador _ a grande maioria do elenco verde e amarelo _ ou um ladravaz.

Como os motivos para que suspeitemos de tudo e todos aumentam em progressão geométrica, o que é triste para um país tão novo e jovem, certos comentários são recebidos com a naturalidade com que a criança chupa um picolé no fim de uma tarde de verão. Lamento que estejamos neste estágio. É mais do que necessário observar com mais atenção o que dissemos e o que fazemos para que o absurdo não se torne normal e daqui a pouco, a cada gesto ou fala, tenhamos que contratar um advogado de defesa.
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TÍTULO NAS MÃOS

Houve um tempo em que o time era acusado de defensivista. Só falavam da excelência dos zagueiros. Poucos mencionavam o goleiro, mas ele era considerado a cereja no bolo. Depois do sapeca iá-iá de ontem, o São Paulo não pode ser observado apenas como um time que se preocupa em marcar e depois atacar. Nas duas partidas disputadas no Morumbi, o tricolor marcou onze gols e continua sem sofrê-los.

Vamos combinar então que tirar o título desta equipe está cada vez mais difícil e criticá-la é ofício penoso. Durante várias rodadas, o assunto permanente era a força da defesa. Enveredava a discussão sobre se o futebol era eficiente ou bonito e assim se passavam as horas. A impressão era sempre a de que o São Paulo tinha uma equipe mais européia do que brasileira. Pois os dois últimos resultados sepultam esta idéia.

A premissa do campeonato de pontos corridos é o equilíbrio. E o São Paulo revela-se o time mais equilibrado da competição. Alguém lenmbra da última vez em que viu o Rogério Ceni, ar desolado, buscando a bola no fundo do gol? Alguém lembra do time ser massacrado, encurralado e o Rogério o melhor em campo? Alguém lembra de um time que sai na frente no placar e não permite a virada?

Este time é o São Paulo. Os três pontos obtidos ontem no Morumbi mostram que o caminho para a conquista de mais um título brasileiro fica cada vez mais curto. Pode até perder e o futebol fascina, entre outras coisas, por não ter o menor envolvimento com a palavra justiça. Mas muito cá entre nós: será difícil esta conquista escorrer pelo ralo.

Diante de 60 mil pessoas, o Flamengo empatou com o Sport. Que me desculpem os otimistas, mas o resultado é absolutamente normal. Alto lá com a euforia, palavra e comportamento tão comuns entre os rubro-negros. O maior susto, aquele rascunho de rebaixamento, não existe e nem sequer voltará a existir. O Flamengo levará a sua vida dentro do Campeonato Brasileiro sem sobressaltos, mas distante das pretensões que o Flamengo precisa ter dentro do Brasileiro.

Vergonha

Ensina a vida que os habitantes do planeta terra aprendem mais na dor do que no prazer; na paulada do que no afago. Pois eu tenho dúvidas se o basquete vai aprender depois do vexame neste Torneio Pré-Olímpico. Tenho a impressão de que o esporte não acompanhou a evolução dos tempos dentro e fora das quadras.

Noves fora eventuais rancores e frustrações do Marquinhos, que mostrou as fraturas do grupo, o ambiente não era dos melhores. Discordo e desconfio da história de que ambiente bom leva as vitórias e ambiente ruim ao fracasso. O que mais conta é o papel do líder. De quem manda. E a Seleção Brasileira parece sofrer com este vácuo. Não defendo aquele que confunde rigor com terror. Deixa de ser respeitado e passa a ser temido _ e o respeito é fundamental.

Mas esta Seleção Brasileira chama a atenção pela ausência de comando. Há jogadores que se acham mais e melhores por atuarem na Liga Profissional de basquete dos Estados Unidos e um profissional competente, dedicado e limitado que não tem da parte deles o respeito devido. Ainda resta uma chance de o basquete jogar as Olimpíadas, mas não será com estes conceitos que mudará o rumo da prosa.

Bom domingo para todos
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DECISÕES ACERTADAS

O Vanderlei Luxemburgo decidiu colocar o Fábio Costa para descansar e o Celso Roth prefereiu deixar o Andrade no Rio de Janeiro a levá-lo para Porto Alegre. As duas atitudes provocaram mais críticas do que elogios. Não me surpreende. Assim é a cabeça da maioria da rapaziada que pensa e discute o futebol brasileiro. Cobra do técnico atitudes enérgicas, quando ele não as toma, e desce a lenha no caboclo quando ele faz valer a sua autoridade.

Até hoje a maior crítica, provavelmente a que mais se justifique também, que se faz ao Carlos Alberto Parreira é pelo fato dele ter mantido na equipe os robustos Ronaldo, o Fenômeno, e o Adriano. Enxergam na manutenção dos dois entre os titulares, o que significou a presença do Robinho na platéia, a maior causa para o fiasco que foi a Seleção Brasileira na Copa de 2006. na terra do chucrute e da cerveja. Um e outro imperdíveis. E aí não me refiro à eliminação para a França, absolutamente normal, mas para o conjunto da obra.

Não tenho nenhuma dúvida de que o Carlos Alberto Parreira errou ao manter em campo dois jogadores com os abdômens desenvolvidos e preterido um cintura fina. Faltou a ele o que não pode faltar em quem comanda e lidera: poder de decisão. Apostou em dois jogadores em má forma e olhem que o Ronaldo ainda consegiu, num jogo ou outro, se sobressair. Fosse o técnico menos receptivo ao peso _ aí falo de currículo e importância _ que estes jogadores carregavam e a situação seria diferente.

Por não ter tido determinação suficiente para deixar os dois na reserva e exigir o reencontro com a forma, o Parreira ficou, à beira do campo e com a mão no queixo, vendo a debacle brasileira. O que o Vanderlei Luxemburgo e o Celso Roth fizeram, guardadas as devidas proporções, foi o mesmo. Evidente que o Fábio Costa e tampouco o Andrade têm para os seus times a importância que a dupla de atacantes poderia ter tido para a Seleção Brasileira, mas dentro dos clubes em que atuam são importantes.

Está mais do que na hora de se parar com esta idéia de que o técnico precisa sempre pensar no time e tomar atitudes apenas políticas. Quando o técnico, podem chamar de líder, decide, ele sabe o que faz e deve ter refletido muito para chegar a tal conclusão. Merece, no mínimo, ser respeitado por isso.
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A CRISE QUE SE ARRASTA

Não haverá nenhuma solução agora, mas creio que o primeiro passo é significativo. A CBF decidiu ter mais atenção com as arbitragens do futebol brasileiro. Está mais do que na hora de se tomar uma atitude e lamento apenas que não dê mais para salvar a atual temporada. Os níveis de equívocos cometidos este ano ultrapassaram os limites do razoável e é importante saber diferençar o que é erro indesculpável e o que é falha.

A maioria dos times que disputa este Campeonato Brasileiro tem uma história de falhas cometidas pela arbitragem e alguns podem se queixar de erros grosseiros cometidos pelos árbitros. Jamais consegui entender o que leva um sujeito a querer apitar um jogo de futebol. Penso que na infância, o menino, enquanto os outros se concentravam no par ou ímpar e nos paralelepípedos para fazer a baliza, procruava o apito para fazer valer as leis do jogo.

Deve ter sido um bom aluno no colégio e um péssimo jogador de peladas. Aí resolveu ser árbitro, em um país no qual o exercício da autoridade passou a ser um sacrifício. Estamos numa fase em que a autoridade é questionada o tempo inteiro e com motivos de sobras. Não há como dissociar o que acontece no dia a dia, é exibido nos jornais da noite _ manhã e tarde também _ falado nas ruas e favelas do comportamento da arbitragem.

Quando o árbitro entra em campo, o olhar do público sempre foi, e agora será cada vez mais, é de desconfiança. Acreditam que aquela autoridade vai prejudicar o seu time de forma deliberada e clara. Não há meio de fazê-los pensarem de outra forma. Os erros _ não as falhas _ são resultados de soberba, incompetência e arrogância. Mistura deste calibre é capaz de deixar o sujeito atordoado por semanas. Imagina quando acontece numa partida de futebol.

Espero que na próxima temporada _ a atual foi perdida _, as discussões sobre arbitragem não façam parte da conversa no cafezinho entre o ascensorista e o médico; o auxiliar de escritório e o advogado; e o gari e o arquiteto. Pela sua formação, o brasileiro gosta é de discutir sobre o drible, o gol e a jogada de efeito.

E TOME FALTA

O jogo entre Atlético-MG x São Paulo teve a preocupante marca de 65 faltas. É muito em qualquer lugar do mundo e, especialmente, no Brasil. Ainda mais quando um dos times envolvidos é o líder do Campeonato e está cada vez mais próximo de conquistar o título com antecedência.

Sei que o Muricy Ramalho não é um cultor da falta, mas chama a atenção os números de falta que acontecem nos jogos disputados pelo São Paulo. Não há partida em que este ponto não se destaque. Nada disso tirará o brilho da provável conquista, mas deixo claro que não me agrada ver uma equipe usar de recurso tão antifutebol. Logo ela que é treinada por um defensor do jogo jogado.
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A CRISE QUE SE ARRASTA

Não haverá nenhuma solução agora, mas creio que o primeiro passo é significativo. A CBF decidiu ter mais atenção com as arbitragens do futebol brasileiro. Está mais do que na hora de se tomar uma atitude e lamento apenas que não dê mais para salvar a atual temporada. Os níveis de equívocos cometidos este ano ultrapassaram os limites do razoável e é importante saber diferençar o que é erro indesculpável e o que é falha.

A maioria dos times que disputa este Campeonato Brasileiro tem uma história de falhas cometidas pela arbitragem e alguns podem se queixar de erros grosseiros cometidos pelos árbitros. Jamais consegui entender o que leva um sujeito a querer apitar um jogo de futebol. Penso que na infância, o menino, enquanto os outros se concentravam no par ou ímpar e nos paralelepípedos para fazer a baliza, procruava o apito para fazer valer as leis do jogo.

Deve ter sido um bom aluno no colégio e um péssimo jogador de peladas. Aí resolveu ser árbitro, em um país no qual o exercício da autoridade passou a ser um sacrifício. Estamos numa fase em que a autoridade é questionada o tempo inteiro e com motivos de sobras. Não há como dissociar o que acontece no dia a dia, é exibido nos jornais da noite _ manhã e tarde também _ falado nas ruas e favelas do comportamento da arbitragem.

Quando o árbitro entra em campo, o olhar do público sempre foi, e agora será cada vez mais, é de desconfiança. Acreditam que aquela autoridade vai prejudicar o seu time de forma deliberada e clara. Não há meio de fazê-los pensarem de outra forma. Os erros _ não as falhas _ são resultados de soberba, incompetência e arrogância. Mistura deste calibre é capaz de deixar o sujeito atordoado por semanas. Imagina quando acontece numa partida de futebol.

Espero que na próxima temporada _ a atual foi perdida _, as discussões sobre arbitragem não façam parte da conversa no cafezinho entre o ascensorista e o médico; o auxiliar de escritório e o advogado; e o gari e o arquiteto. Pela sua formação, o brasileiro gosta é de discutir sobre o drible, o gol e a jogada de efeito.

E TOME FALTA

O jogo entre Atlético-MG x São Paulo teve a preocupante marca de 65 faltas. É muito em qualquer lugar do mundo e, especialmente, no Brasil. Ainda mais quando um dos times envolvidos é o líder do Campeonato e está cada vez mais próximo de conquistar o título com antecedência.

Sei que o Muricy Ramalho não é um cultor da falta, mas chama a atenção os números de falta que acontecem nos jogos disputados pelo São Paulo. Não há partida em que este ponto não se destaque. Nada disso tirará o brilho da provável conquista, mas deixo claro que não me agrada ver uma equipe usar de recurso tão antifutebol. Logo ela que é treinada por um defensor do jogo jogado.
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O MELHOR DO CAMPEONATO

Poderia ficar aqui discorrendo sobre a duração do Campeonato Brasileiro, o equilíbrio e todas essas coisas que são ditas e escritas semana após semana. Mas prefiro enveredar por outro caminho. Falta muita água para passar por baixo da ponte, o São Paulo está cada vez mais próximo do título, mesmo que perca neste sábado para o Vasco da Gama, o América de Natal confirma, a cada rodada, que vai voltar para a Série B, mas uma coisa não vai mudar: o Rogério Ceni é o melhor jogador do Campeonato Brasileiro e do ano da graça de 2007.

Esta é apenas mais uma das particularidades, entre tantas, que o Brasil apresenta ao respeitável público. Nada mais paradoxal do que o país do futebol ofensivo, pelo menos sua história é assim, ter um goleiro como melhor jogador em atividade _ ano passado também foi assim. A cada jogo, o Rogério Ceni mostra que está léguas e léguas de distância à frente dos demais jogadores.

Fosse atacante e eu ficaria uma fera com a escolha do Rogério Ceni. Onde já se viu um goleiro ser unanimidade. O problema é que o Rogério Ceni transformou-se num goleiro tão completo que hoje em dia é mais fácil lembrar do gol que ele marcou do que o último que sofreu. É por esta razão, entre tantas outras, que o Vasco da Gama x São Paulo de hoje é um jogo que deveria entrar no calendário de eventos da cidade do Rio de Janeiro no feriado.

O Rogério Ceni é uma das atrações, mas tem o time do Vasco da Gama que, em casa, tem performace acima da média. Dá gosto ver o estádio de São Januário lotado e o desempenho do CRVG.

MINEIRO COM BOTAS

O nome deste título foi garfado da culinária mineira. É um doce daqueles de comer deitado e se entregar a Morfeu por horas a fio. Pois ao ver o time do Cruzeiro em ação é inevitável lembrar das coisas boas que a culinária mineira tem _ não há como enumerá-las aqui, pois o espaço não cabe. A chama do futebol ofensivo tomou conta do Cruzeiro e o encontro com o Grêmio representa a possibilidade de observar duas escolas bem distintas: de um lado a que privilegia o toque de bola e faz da leveza uma virtude. Do outro, um time encorpado fisicamente, nem sempre técnico, mas com uma capacidade de marcação que impressiona. O Grêmio não deixa o adversário respeitar.

Quem está em Belo Horizonte e gosta de futebol pode ir ao Mineirão sem sobressaltos.

Bom fim de semana para todos


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A CONTA DO CHÁ

Não era jogo para exibição de gala e foi isso que a Seleção Brasileira fez. Suou a camisa quando teve que suar, mostrou futebol quando teve que msotrar, tanto quanto o talento, e deixou o campo com mais uma vitória e a sensação de que o time para as eliminatórias da Copa do Mundo, a partir de outubro, já está na cabeça do técnico Dunga.

Pelo que se viu no jogo, a formação não será muito diferente da que começou o jogo com os Estados Unidos. Creio que o Júlio César pode ganhar a posição do Doni no gol e o restante será rigorosamente igual ao deste domingo. Não existe defesa melhor para as eliminatórias e, cá entre nós, o maior dilema está na posição de centroavante. Falta um jogador que transmita a certeza de que terá cem por cento de aproveitamento quando a bola pingar na área ou aparecer diante do goleiro.

Discreto como sempre, o Afonso teve duas oportunidades. Na primeira, a matada foi boa, a conclusão também, mas a bola bateu na trave; na segunda, ele estava bem colocado, cabeceou e o goleiro defendeu. Depois, o Vagner Lobe entrou em ação e foi notado naquele gol do Ronaldinho Gaúcho, cobrando falta, quando desviou a atenção na barreira.

Convenhamos que é muito pouco para centroavantes da Seleção Brasileira. Nunca imaginei que o futebol verde e amarelo viveria situação tão preocupante numa posição em que a oferta sempre foi compensadora. Será muito fácil criticar o Dunga por escalar este ou aquele jogador naquela posição, mas não existe uma unanimidade. O Adriano necessita primeiro se reconciliar com os seus vizinhos de prédio, incomodados com os barulhos que suas festas produzem, e o Ronaldo, o Fenômeno, terá que primeiro voltar a atuar, marcar e, aí sim, despertar o interesse da Comissão Técnica. Enquanto isso não acontece, o Brasil dependerá ainda mais do trio formado pelo Ronaldinho Gaúcho, pelo Kaká e pelo Robinho. O primeiro deu o passe para marcar o gol de empate; depois o cruzamento para o Lúcio fazer de cabeça e convertendo a falta.

Não será todo dia que a Seleção Brasileira dará exibição de gala e o jogo de ontem não poderia criar esta expectativa. O mais importante foi observar que Dunga já tem um time definido para as eliminatórias.

DE BRAÇADAS

O Vasco da Gama pode reclamar do pênalti a seu favor que não foi marcado e das chances desperdiçadas, mas não é suficiente para explicar a derrota para o São Paulo. O time treinado pelo Muricy Ramalho administra, a cada jogo, a liderança folgada que possui e vai em frente, aumentando a expectativa de que poderá ser campeão com ántecipação.

Na cola, Cruzeiro e Santos parecem dispostos a prejudicarem a vida do São Paulo e o Cruzeiro é um time que dá gosto de ver atuar. Joga para a frente, busca o gol e não se cansa de fazê-lo, mesmo quando tem boa vantagem no placar.
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ERROS E ACERTOS

O que o Botafogo fez em boa parte do primeiro turno do Campeonato Brasileiro, o Cruzeiro faz neste segundo e aqui não existe nenhuma analogia entre a campanha de um e outro time. Mas aquele futebol sedutor que tanto agradou a muitos torcedores pode ser encontrado com a camisa azul do Cruzeiro.

Mesmo em partidas com desempenho não tão efetivo, como foi diante do Grêmio, o Cruzeiro não deixa de agradar a quem gosta de ver o futebol bem jogado. Não vou me prender a numerologia das táticas, mas este jeito de atuar do Cruzeiro, buscando o ataque, e sempre trocando passes para a frente. Difícil destacar um jogador, especialmente quando o futebol praticado se caracteriza pelo lado coletivo.

Talvez o maior problema do Cruzeiro dentro do Campeonato Brasileiro seja a demora que o time levou para reagir. Não sei se dará tempo, mas fica uma lição: se o time tivesse sido montado antes do Campeonato começar, a situação seria melhor do que a atual.

O Flamengo também seguiu o mesmo caminho. Entrou no Brasileiro com uma equipe, formou outra, mas a péssima campanha na primeira parte da competição deixou marcas que ainda não desapareceram. Ficará nesta situação cada vez mais angustiante enquanto o Brasileiro estiver rolando.

CADÊ O CENTROAVANTE?

O técnico Dunga deve cada vez mais se fazer esta pergunta. A busca para encontrar um jogador capaz de empurrar com facilidade a bola para o fundo do gol perdurará por um longo tempo. Não tem outro jeito. Énquanto isso, o técnico terá que observar e testar muitos jogadores. Aqui e ali ouço e vejo muita gente defendendo o Alexandre Pato. Trata-se de um jogador promissor e suas atuações estimulam a convocação, mas ninguém tem condições de garantir que está ali um craque de primeira ou um jogador em condições de resolver os problemas que a Sele~ção Brasileira tem naquela posição.
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A BUSCA PELO NOVO

Na última segunda-feira, durante o programa Arena SporTV, apresentado pelo Cleber Machado, o Vanderlei Luxemburgo elogiou o Afonso. Disse que viu algumas fitas do atacante e ficou satisfeito. O sujeito pode não gostar das gravatas que o VL usa, achar o terno um exagero para um país tropical, mas precisa reconhecer que de futebol ele entende. E muito.

O comentário feito pelo Vanderlei no Arena me veio à cabeça após o gol marcado pelo Afonso contra a Seleção do México. Desde que foi convocado, ele tem ouvido mais críticas do que elogios. Não tenho ainda uma idéia se o Afonso é bom ou ruim, digno de vestir a camisa verde e amarela, mas entendo que muitas das restrições feitas ao Afonso são provocadas pelo desconhecimento. Antes do Dunga convocá-lo, exceto alguns poucos, ninguém tinha idéia de quem era o Afonso. Não é de hoje que se age desta forma. O caminho mais curto para justificar, na verdade camuflar, o desconhecimento é descer a lenha no cabra.

Não pensem e tampouco entendam que estou a defender a permanência do Afonso, que atuou bem nos dois amistosos da Seleção Brasileria, ou a colocá-lo acima de outros atacantes. Só entendo que muitas vezes, e isso não vai mudar, as críticas são muito mais provocadas pela desinformação do que por qualquer outra coisa. Quando o assunto é Seleção Brasileira, a paixão fica acima de qualquer outra coisa e nem sempre a ponderação entra em campo. Muito pelo contrário. O Afonso, sobre quem não tenho uma idéia formada, era muito criticado e, especialmente, pelo fato de ter sido convocado por um técnico novato.

Mais importante do que o gol do Afonso e a reflexão que ele provoca é a inquietação do Dunga com a Seleção Brasileira. Aquela formação utilizada no segundo tempo, com Robinho e Kaká mais avançados é para ser testada outras vezes e mostra que o técnico busca caminhos para dar mais estilo à Seleção. Vejo no Dunga uma tentativa de buscar sempre o melhor para a Seleção Brasileria, aproveitando os melhores, que gostaria de ter visto no Carlos Alberto Parreira.

Neste breve tempo à frente da Seleção Brasileira, o Dunga tem mais acertos do que erros. Mostra que trouxe para a nova profissão uma inquietação que faltou e falta a muitos profissionais experimentados do ramo. Joga no lixo esta história de que é preciso ter vivência para ser um bom profissional à beira do campo. Claro que é importante, mas o mais importante é mostrar apetite, sede e vontade de fazer. O Dunga tem isso de sobra.

Bom dia para todos
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NOVOS TEMPOS

Se estivesse em São Paulo, eu assistiria ao clássico; passasse o fim de semana em Porto Alegre e seria um espectador do Grenal; houvesse a possibilidade de comer um tutu à mineira, eu compraria ingresso para o Mineirão, mas como estou no Rio de Janeiro e vou trabalhar o Vasco x Flamengo, no Maracanã, cai tão bem como um mergulho _ mar ou rio, a escolha é sua _ em tarde de verão.

O desejo de ver todos estes jogos mostra o quanto uma cidade fica mais bonita e a discussão sobre o futebol ganha em emoção quando há um clássico local em disputa. Este jogo do São Paulo contra o Santos não é importante apenas por ter o líder do Campeonato Brasileiro e o time com a melhor campanha do segundo turno. Vai muito além. Nestes jogos não basta ser o melhor no papel e tampouco estar à frente do adversário na tabela.

Já vi muito cabeça-de-bagre se consagrar num clássico e depois retornar para a mediocridade que o pouco futebol lhe reservou. Há quem se supere e descubra um talento que não possuía. Existem os que são capazes de driblar, lançar, tocar de primeira e nem lembrarem como fizeram tantas coisas. A única explicação que tenho é o fato de estarem disputando um clássico.

Com os vidros escurecidos da maioria dos carros, a paquera no sinal (ou farol?) acabou, hoje seria difícil para o Paulinho da Viola compor Sinal Fechado e tampouco o porteiro conversa com o morador do prédio, quando este sai de carro. É tudo muito rápido, entre a abertura da portaria com grade e a subida para o apartamento protegido com três fechaduras e duas trancas.

Mesmo com esta impessoalidade, apesar desta distância e dos diálogos cada vez mais curtos, o porteiro ainda encontra tempo para instigar o jogador do time tal, que enfrentará o rival da mesma cidade no final de semana. Só ós clássicos são capazes de despertarem esta paixão e interesse do torcedor, aparentemente desinteressado.

Quem acompanha este blogo sabe que o degas aqui não tem a menor vocação para dar palpites. A única certezaé que os confrontos poderão ter resultados inesperados. Os clássicos são divorciados da lógica e o futebol agradece quando isso acontece. A rima não foi intencional.

Bom fim de semana para todos
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FESTA NOS ESTÁDIOS

Pelos mais variados motivos, o torcedor voltou a frequentar os estádios e não tem do que reclamar. No sábado, quando o São dominava o Santos e dava sinais de que o primeiro gol seria uma questão de tempo, o Rogério Ceni fez uma defesa daquelas, que só justificam a liderança da equipe. Quem acompanha o São Paulo vê um time dirigido por alguém que entendeu muito bem o que pode fazer a diferença neste Campeonato: o jogo coletivo.

Quando os talentos começam a rarear, a saída é o coletivo. Muricy Ramalho, que dá sinais de muita mágoa com as críticas, entendeu a situação há algum tempo. Chegou, tal e qual acontecera no Internacional, que o fundamental é o técnico ser acreditado pelos jogadores. Não existe outra saída. Quando os jogadores desconfiam ou simpelesmente ignoram o que afirma o treinador, a situação fica muito mais complicada.

Eu me referia a esta cada vez maior volta do público aos estádios e os mineiros não têm do que reclamar. O clássico no Mineirão mostrou o quanto pesa um confronto doméstico. Dá ao moribundo forças para tentar o drible, arriscar o chute de efeito e encantar a platéia. Foi um jogo eletrizante e o Coelho precisa entender que a jogada do Kerlon não ofendeu a ninguém. Sei que esta discussão tomará conta da semana, mas é um desperdício de energia e palavras. Afinal, o talento não pode ser cerceado. Pena que o gesto do Coelho seja, no seu próprio meio, mais exaltado do que repudiado. Encontrará também apoio naqueles torcedores que confundem paixão com agressão. Talvez uma punição à altura da valentia do Coelho possa, pelo menos, fazê-lo refletir sobre o assunto.

Não está entre os maiores públicos da rodada, mas o torcedor que passou a tarde de domingo, entre quatro e seis da tarde, no Pacaembu foi abençoado com o drible do Dodô. Parece que aquela parte do gramado é inspiradora. Foi ali que o Romário, com a camisa do Flamengo, obrigou o Amaral a procurar um acunpunturista. Só este lance já valeria o ingresso, mas ainda teve o gol marcado pelo menos atacante. Típico de quem sabe o que fazer dentro da área.

Em mil anos, o Vasco da Gama não encontrará explicação para o empate com o Flamengo. Esbarrou no Bruno e ainda exumou aquele seriado "Incrível, fantástico, extraordinário" com aquele lance protagonizado pelo Alan Kardec. Jamais vi um lance assim no futebol. Ainda mais no último minuto, o que só aumentou a frustração dos vascaínos, especialmente pelo fato de terem feito muito mais para conseguir a vitória do que o rival.

Entre as muitas coisas que gosto do Rio Grande do Sul, o ditado "não está morto quem peleia" tem lugar especial.E o Grêmio me dá esta impressão o tempo inteiro. Até a última rodada estará na briga por uma vaga à Libertadores. E não pensem que o Internacional está entregue. Ele pode influir no andar de cima e ainda tirar passaporte para entrar neste clube.

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A RESPOSTA ERRADA

A reação à jogada do Kerlon vai muito mais além do jogo de futebol. Não existiu, até agora neste Campeonato Brasileiro, lance mais interessante para que façamos a reflexão sobre como anda a cabeça de uma parte da sociedade brasileira. O Kerlon controlou a bola na cabeça no mesmo dia em que um sujeito pilotava uma moto a duzentos quilômetros por hora, colidiu com um carro e três pessoas morrera, e 24 horas antes de três adolescentes terem assassinado a pontapés um índio numa cidade do interior de Minas Gerais. Justamente pelo fato do índio _ este sílvicola _ ter se recusado a ficar nú.

Tanto tempo envolvido com o futebol e estou cada vez mais convencido de que o esporte dentro das quatro linhas tem tudo a ver com a vida brasileira. Não dá para dissociar o comportamento que vemos no esporte mais popular do país das tantas e tontas coisas que acontecem no cotidiano de uma rapaziada que tenta mostrar o seu valor, embora seja cada vez mais difícil.

O que mais me chamou a atenção foi a intolerância de um meio com a jogada. Não vou nem falar do Coelho, jogador mediano e que merece uma punição severa pelo que fez, mas o Kleber, do Santos, esteve no Bem, Amigos, segunda-feira no SporTV, e tem o mesmo pensamento. Jogador refinado, capaz de dar seguidos dribles no adversário, ele entende a reação dos jogadores, mas não consegue dar uma resposta para que se evite a violência. Vejo a revolta como uma manifestação equivocada e que merece uma reflexão: melhor do que um pontapé, cusparada ou cabeçada é tentar neutralizar a jogada ou dar a resposta na bola.

O que me surpreende é que a possibilidade de responder jogando futebol é descartada imediatamente, Nem sequer comentada pelos jogadores e aí entram os refinados e os medíocres. Pena que tenhamos chegado a este ponto. Lembro que o Dunga, consagrado, vitorioso e realizado, levou um drible desconcertante do Ronaldinho Gaúcho, durante um Grenal, e, em momento algum, apelou para o pontapé. Perseguiu o atacante até o fim da jogada e não desferiu um pontapé sequer.

Espero que não desperdicemos esta oportunidade de repensar sobre como estamos, como pensamos e o que fazemos. Mas temo que será jogada no lixo e esta tem sido a especialidade de parte do elenco verde e amarelo. Procurar a lata de lixo mais próxima e usá-la até a boca. Creio que o Kerlon não deve banir a jogada do seu repertório _ usá-la o tempo inteiro e à exaustão _ e tampouco deve entrar numa de perdoar este ou aquele. Tem que continuar a jogar o seu futebol.

Só espero que não vejam a reação violente ao jeito de autar do Kerlon e o apoio que o Coelho recebe de uma classe como algo exclusivo dos profissionais da bola. As cabeças e as visões estão turvas, a educação desparece e prega-se a intolerância com fé. Há saídas e uma delas é a jogada do Kerlon.
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ATAQUE E GOLS

Na próxima semana, o Dunga anuncia a lista dos convocados para os dois primeiros jogos da Seleção Brasileira nas eliminatórias da Copa do Mundo. Jogue no lixo a possibilidade haver alguma novidade e nem pense que os nomes despertarão polêmica. Exceto as de sempre, que acompanham uma relação de convocados desde que o verde e amarelo se transformaram em uniforme do país.

E não é mesmo para ter novidades. A Seleção Brasileira ficou pronta na Copa América e foi lapidada nos dois últimos amistosos, quando o Dunga pode escalar o Robinho, o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká e ainda testar uma fórmula com três homens mais focados na marcação no meio de campo, liberando os dois Erres e o K para atuarem mais avançados.

Percebo que a ausência de um centroavante de peso (me refiro ao técnico) será um dos temas a ser abordado assim que o Dunga anunciar os convocados. Tudo leva a crer que Afonso e Vágner Love serão chamados e nada mais natural que isso aconteça. Afinal, o técnico os conhece e ambos devem ter mais agradado do que desagradado o treinador. A discussão será sobre a ausência de um centroavante da estirpe dos anteriores. Penso que vale a pena falar sobre o assunto, mas não se deve esquecer um detalhe fundamental: o fato de o Brasil não ter aquele centroavante muito pouco tem afetado o desempenho da Seleção Brasileira.

Basta olhar com a atenção necessária e desprovido de julgamentos formados para se entender sobre o que estou a escrever. O desempenho da Seleção Brasileira não se caracteriza pela escassez de gols. Muito pelo contrário. Em dois confrontos contra a Argentina foram marcados seis e nos dois últimos amistosos a Seleção Brasileira marcou cinco. Deixa claro o aproveitamento que este time tem produzido favoravelmente sem aquele centroavante que seja uma unanimidade ou que povoe os sonhos da maioria.

E esta questão me parece a mais importante. Observar-se um time por este ou aquele jogador não me parece o mais adequado. É necessário ver como a equipe se comporta coletivamente e o Brasil tem ido muito bem até agora. Sempre que o Brasil treina e joga a nuvem da polêmica acompanha os passos da equipe. Não será diferente nestas eliminatórias, mas talvez seja mais interessante buscar outra. Esta carece de sustância.
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