CHAMA AZUL O despertar do Cruzeiro começou no dia em que o técnico Paulo Autuori pediu demissão. Cercado de microfones e com o jeito sereno que o caracteriza, ele diagnosticou os problemas da equipe e apontou vários problemas no elenco. Elegante, a ponto de largar o cargo de um clube da dimensão do Cruzeiro a trabalhar com um elenco que o desagradava, Autuori deu a senha de como o Cruzeiro poderia se reencontrar.
Com o alerta passado pelo técnico, a diretoria pensou em que escolher para seu substituto. Poderia ter optado por um sujeito do tipo paizão, que prefere a conversa a atitude. A lista de técnicos renomados e desempregados, dispostos a pegar qualquer boquinha, é imensa. A lista de novos técnicos, sem os vícios de outros e dispostos a arregaçar as mangas, nâo é tão extensa, mas eles estão aí.
O Dorival Júnior integra esta lista de novos treinadores. Merecia uma oportunidade do tamanho que o Cruzeiro tem. Em silêncio, embora nem mineiro seja, ele fez a faxina necessária para que este time mudasse e chegasse à vice-liderança, com méritos, do Campeonato Brasileiro. Está aí o Cruzeiro com um elenco sem estrelas, mas arrumado e com característica fundamental neste Campeonato Brasileiro: acreditar o tempo inteiro que o resultado favorável é possível.
Se o Cruzeiro vai ser campeão brasileiro é previsão açodada e nâo combina com o autor das mal traçadas, mas a certeza é de que o Cruzeiro atual tem menos jogador famoso e mais jogadores combativos, determinados e dirigidos por alguém que, em pouco tempo, descobriu os caminhos que levam ao sucesso: o nome dele é Dorival Júnior.
CASOS E CASOS Não se deve comparar o caso do Zé Roberto, do Botafogo, com o Ricardinho, levantador cortado da Seleção Brasileira masculina de vôlei. Tanto quanto a punição recebida, o que mais o Zé Roberto precisa é de ajuda. É personagem daqueles versos do Cazuza _ "não faço mal a ninguém a não ser a mim mesmo" _ e a ajuda é fundamental para que ele tente se encontrar. Noves fora a falta que faz ao time, o Zé Roberto bem que poderia pensar sobre os males que faz a ele mesmo.
Neste domingo, o Esporte Espetacular, da Rede Globo, exibiu, no Dossiê Espetacular, uma reportagem mostrando jogadores que jogaram a carreira pelo ralo exatamente por serem mais irresponsáveis do que indisciplinados. Não envenenam o ambiente e tampouco são insubordinados. Mas têm uma fraqueza e o futebol até hoje não sabe como administrá-las.
Em determinado instante da reportagem, o Marinho, ex-jogador do Bangu e homem marcado pela tragédia da perda de um filho com apenas 1 ano, diz que gostaria muito de ter naquele tempo a cabeça que tem hoje. É emocionante ver aquele homem que demorou a perceber o quanto apanhou e hoje sofre com os hematomas que a vida lhe deu.
Conversei poucas vezes com o Cuca, mas foi tempo suficiente para perceber que é pessoa de bom coração, o que nâo significa coração mole ou evidencie sinais de fraqueza. Ajudar o Zé Roberto é uma atitude correta. Se ele quer ou nâo ser ajudado é otura história, mas que puder fazê-lo deve ser olhado com respeito e consideração.
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