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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
O CORTE QUE MACHUCA
A saída do Ricardinho da Seleção Brasileira masculina de vôlei e o comportamento do torcedor brasileiro após uma das lutas do judô me chamaram a atenção e fizeram pensar neste fim de semana. Fui, tanto quanto os especialistas, surpreendido com o afastamento daquele que é considerado por muitos o melhor levantador de todos os tempos. Não tenho base para endossar tal afirmação, mas tenho muito vivo ainda na memória o desempenho de alguns veteranos na mesma posição.
Lembro primeiro do Bebeto, este que agora preside o Botafogo, que foi um levantador fenomenal. Depois dele, eu ainda acompanhei muito bem o William e também o Maurício. Não sei, sinceramente, se o Ricardinho pode ser colocado em plano superior a estes três, mas a iminha incerteza passa pelo fato de não acompanhar a trajetória do Ricardinho com a mesma atenção que tive com os outros citados.
De louco ou irresponsável, o Bernardinho não tem nada. Para chegar a esta decisão, ele deve ter pensado muito antes. Pelo que ouvi, o princípio da autoridade foi ferido em algumas ocasiões e a decisão, à beira do início da participação do vôlei no Pan-Americano, foi muito pensada antes de virar oficial.
Não creio que para estes Jogos, a Seleção Brasileria acusará o golpe do corte. Penso que terá condições de ganhar o ouro sem ele. A questão se transfere para outras competições. Mais disputadas e elevadas do que o vôlei nestes Jogos Pan-Americanos.
O que aconteceu no domingo, após uma das lutas do judô, não combina com o torcedor civilizado. Penso que está mais do que na hora de os organizadores destes Jogos pensarem numa maneira de mostrar ao público que certos comportamentos não combinam com as regras da boa educação. Não creio que um brasileiro fique satisfeito com uma vaia ao hino ou a um atleta que esteja vestido de verde e amarelo e fale português. Então não se deve agir de forma contrária com os atletas de outros países. Por mais que a decisão seja controversa, o atleta e o país que ele representa não têm nada a ver com isso.
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A CRISE ANUNCIADA
O que acontece com o Flamengo e o Corinthians não surpreende. Há tempos que os dois clubes mergulharam numa crise que se alimenta de episódios ruins. Crise, palavra pela qual a mídia tem fascinação, se tornou prato do dia tanto na Gávea como no Parque São Jorge.
Não vejo o Ney Franco como um técnico de segunda categorian e o trabalho no Flamengo tem muito mais pontos favoráveis do que desfavoráveis.
Temos enorme dificuldade em olhar o todo. Por hábito, a mania brasileira é a de sempre olhar um aspecto e dar a ele a valorização que muitas vezes não merece. O Flamengo está mal, tem formações questionáveis, mas não será com a mudança de técnico que o time se acertará. O que a vale a pena pensar, se é que existe o interesse, é sobre o que leva o rubro-negro a não decolar no Campeonato Brasileiro. Cá entre nós, a situação de agora não apresenta nenhuma novidade. E o grande problema é esse: o clube parece não aprender com os erros e repete-os com assustadora frequência.
Tal comentário se aplica ao Corinthians. Ano passado foi assim e este caminha na mesma direção. Evidente que a crise política influencia o ambiente do time e contribui ainda mais o fato de que Paulo Cesar Carpegiani é um técnico que não desce com facilidade pela garganta de muitos.
Adversários do próximo fim de semana, Corinthians e Flamengo necessitam da vitória no meio da semana. Só assim poderão jogar pelo empate no domingo, o que, convenhamos, não chega a ser uma pretensão tão ambiciosa assim.
O FESTIVAL PROSSEGUE
A falta de respeito ao outro, confundida com patriotismo, permanece. No Momtento Pan, exibido pelo SporTV após a vitória da Seleção Brasileira masculina de vôlei sobre o Canadá, a Fabiana Meurer, medalha de ouro no salto com vara, estava constrangida com o que aconteceu no Engenhão. Em situação tão delicada, o pior é constatar que o comportamento não é uma exceção. Estamos cada vez mais desrespeitosos com o outro nas mais variadas escalas. Seja nos Aeroportos ou no supermercado; nos cinemas ou na fila do banco; no trânsito ou na praia.
Penso que o comportamento não vai se alterar. O que se faz em um parque aquático, ginásio ou estádio é o mesmo que se faz nas ruas ou no setor privado.
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O ESPORTE BRASILEIRO
As medalhas que o Brasil obteve no atletismo e a despedida da Janeth engrossam a relação de cenas emocionantes dos Jogos Pan-Americanos. Tenho um olhar carinhoso e respeitoso _ a rima não foi intencional _ para os esportistas brasileiros. Vejo-os como guerreiros e dedico a todos a atenção e a elegância que merecem.
No caso do atletismo, o respeito aumenta muito mais. É praticado por uma parte da população que sofre com as mazelas brasileiras e não tira do toca-discos _ eles não têm CD player _ aquela música cujo refrão diz tudo: "Levanta sacode a poeira e dá a volta por cima".
A biografia desta rapaziada do atletismo é de cinema. Nove entre dez sofreu com o descaso e a indiferença. Vejam a quantidade de Silvas que pratica o esporte. Não é por acaso. O atletismo é um esporte que atrai os heróis da parcela menos assistida. A vitória da Maurren Maggi , a prata da Keila e o ouro do Hudson mostram que este pessoal precisa cada vez mais de incentivo, estímulo e respeito. É assim que o esporte caminha.
Capítulo especial
Foi comovente a despedida da Janeth. Penso que ele não deve repensar a decisão de encerrar a carreira. Acabou e....acabou. Deixa para trás uma história que merece elogios e é irreparável. Temo pelo olhar de alguns brasileiros em determinadas situações. Reconehcer a capacidade e o valor de um ídolo é uma delas. Penso que está mais do que na hora de mudarmos este comportamento. A Janeth é uma brasileira que merece respeito. E disso todo mundo gosta.
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DEPRESSA VAI CADA UM PARA O SEU LADO
A festa das mulheres brasileiras, dentro e fora do campo, foi de emocionar. A Seleção feminina de futebol é tipicamente brasileira com Katia Cilene, Formiga, tarol e bumbo no pódio. Desde a conquista da medalha de ouro o que mais ouço falar é que a indiferença maltrata as mulheres que jogam futebol e por isso quem está aqui precisa se desdobrar para sobreviver.
No momento, a euforia domina o olhar para as mulheres do futebol. Não é assim e temo que não será assim. Depressa cada um irá para o seu lado, pensando em uma mulher ou um time, como sempre acontece nesta terra em que se plantando tudo dá e..........levam. Acredito que é necessário quebrar o senso comum e tocar em alguns pontos que me parecem incômodos para a nossa alma, entre tantas que temos, de Fernandinho, marido da Ofélia.
O que dificulta a subida do futebol feminino é a resistência, associada a conceitos ditos modernos mas cercados de preconceitos, que envolvem a pratica do esporte por mulheres. A primeira coisa que um especialista em vender pergunta é quem pode ser considerada a musa do esporte. Imagina, o tal especialista, que ali precisa, para ser vendido, candidatas à capa das revistas que decoram oficinas mecânicas, quartos de adolescentes e gavetas de escritórios de executivos de ponta.
As mulheres do futebol feminino não se encaixam nestes padrões. São brasileiras que fogem aos padrões estabelecidos _ o que é cada vez mais equivocado e nosso _ e por isso ficam à margem do que vende e não vende.Espero que esta vitória seja comemorada, mas não tenho muita certeza de que ela mudará os rumos da vida das mulheres que jogam futebol. A Seleção dos Estados Unidos, sub-20 e formada essencialmente por universitárias, é um bom exemplo da diferença de conceitos sobre esta modalidade em um país e no outro. Lá, os pais compram todo o material esportivo para os filhos. Aqui, a Katia Cilene teve que se vestir de garoto para jogar e a Marta, quando enfrentou os homens, apanhou o tempo inteiro.
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O FIM DO PAN
E lá se foi o Pan-Americano. Durante as últimas semanas, enquanto sofria com a ferida aberta pela tragédia em Congonhas, o brasileiro encontrou na competição uma válvula de escape para uma rotina de frustrações, gestos e atos que só deixam o refrão cantado em todas as praças esportivas com a cara vermelha de vergonha.
Quem olha para este Pan com o carinho que ele merece pode constatar o quanto é paradoxal a cena brasileira. O fim do caminho para aquele vôo que saiu de Porto Alegre tinha combustível suficiente para deixar o brasileiro em prantos. Deixou. Fez com que se apresentasse a um elenco que sabe protestar, mas não sabe agir, uma cena que ele julgava inimiginável. Sempre pensamos que não estamos no limiar. Há um drible aqui, um sorriso ali, uma idéia acolá e caminhamos em frente, especialmente porque atrás sempre vem gente.
Os Jogos Pan-Americanos estavam no aquecimento e a infeliz frase de um péssimo aluno em geografia numa escola americana _ "welcome to the Congo" _ deixou o orgulho brasileiro em polvorosa. Foi um comentário desprovido de sensibilidade com os brasileiros e com o Congo. Reagimos com a indignação do Fernandinho, aquele personagem marido da Ofélia, que não aceitava quando chamavam sua mulher de burra. Só ele podia falar sobre isso.
Pois veio o acidente e aí não tinha escapatória. Só o Pan.
Há um sabam de Paulinho de Viola, em que ele canta: "se for falar da Portela, hoje não posso parar". Pois as histórias do Pan não cabem numa enciclopédia e não se consegue publicá-las nem sequer em fascículos.
Espero que todas as instalações construídas especialmente para os Jogos Pan-Americanos sejam utilizadas com a intensidade que merecem. Levará muito tempo, como tantas outras coisas, para que o Brasil seja uma potência olímpica. Mas os caminhos, como para tantas outras coisa, existem. Basta saber trilhá-los e para isso é necessário apenas uma coisa: querer.
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AO ALCANCE DA MÃO
Não teve nenhuma novidade a solução encontrada pelo Flamengo para substituir o Ney Franco. Como num ritual secular, o Joel Santana entra no lugar do técnico que merecia um pouco mais de paciência da diretoria rubro-negra. O fato de o Flamengo estar entre os últimos quatro colocados do Campeonato Brasileiro não significa que a culpa é única e exclusiva do treinador. O elenco que dá expediente na Gávea não é muito inferior ao da maioria e com os reforços pode crescer ainda mais.
Há de perguntar o blogueiro mais impaciente o que penso do Joel Santana. Desafino o coro dos contentes que o cola na testa do JS uma etiqueta com a palavra "superado" escrita e digo que ela vai dar certo no Flamengo. De uns tempos para cá, o técnico que impressiona é aquele que tem um linguajar mais empolado do que efetivo. Não é o caso do Joel Santana. Tem méritos e defeitos como a maioria e conhece bem o jeito de ser do jogador de futebol. Temos, de uma vez por todas, que parar com a mania de atribuir ao técnico todos os males de uma equipe, assim como os dos acertos de um time.
O mesmo se aplica ao Corinthians. Não cabe depositar apenas na conta do Paulo César Carpegiani a responsabilidade pela irregular campanha do time. Não existe ali um elenco que possa brigar pelo título brasileiro e, pior, um grupo formado por jogadores inseguros e em busca de afirmação. Falta alguém que possa funcionar como um para-raio de toda a pressão que cerca o time. Do contrário, a troca de técnico será intermitente e não apresentará nenhuma solução.
RISCO DESNECESSÁRIO
O Botafogo de hoje não tem nada a ver com o de outros tempos não tão distantes assim. Resgatou a credibilidade e não é mais motivo de chacota. Pensa grande e as pretensões são tão legítimas quanto possíveis. Mas não pode continuar com um goleiro que entra na seleção dos piores momentos _ com mais de uma participação _ que se faça nesta temporada com quem atua naquela posição.
Pode ser até que o Júlio César venhar a ser um goleiro razoável. Agora, ele não passa de um profissional instável emocionalmente, inseguro e mal preparado. Foi protagonista de um pênalti e de uma expulsão desnecessária no primeiro jogo da final contra o Flamengo pelo Campeonato Estadual; falhou grosseiramente no jogo decisiva com o Figueirense, no instante em que a partida se encaminhava para os pênaltis e já foi personagem de outros lances que sempre colocaram o time em risco.
Ou o Botafogo encontra um goleiro e um preparador à altura do seu atual estágio ou o pensamento grandioso será apenas um sonho.
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A REDESCOBERTA DO BRASILEIRO
Nos dois últimos meses, o torcedor brasileiro se divorciou do Campeonato Brasileiro. Primeiro foi a Copa América e depois os Jogos Pan-Americanos. O reencontro não será tão festivo assim, mas está mais do que na hora de aceitarmos, o que não significa nos conformarmos, com a realidade que cerca e cobre o jogo jogado nesta terra das palmeiras e geadas.
Temos elencos limitados a vestir camisas com história, tradição e sem propriedades. É duro de constatar e muitas vezes de ver o desempenho de alguns jogadores que entram em campo vestindo uniformes consagrados por outros. Não me espanto mais com este nível, mas lamento e o torcedor parece começar a ignorar, o que mais temo.
Quantas vezes, o leitor, o ouvinte e o telespectador já ouviram que o campeonato é muito equilibrado, de difícil prognóstico e que terá muitas oscilações em todas as disputas: pelo título; vaga na Libertadores; vaga na Sul-Americana; para nem uma coisa e nem outra e para o rebaixamento. Será assim até as últimas rodadas.
É por esta razão que não entendo o espanto pelo fato de o São Paulo ter se aproximado do Botafogo, que pouco tempo atrás tinha umas economias na tabela. Me parece contraditório pregar que o campeonato é o mais equilibrado dos últimos tempos e depois manifestar supresa pela chegada do São Paulo.
Poderia muito bem ter sido o inverso. Não há no futebol brasileiro nenhum elenco flagrantemente superior a outro e tampouco existe um que seja assustadoramente inferior. O Botafogo pratica um jogo bonito de se ver, interessante de se acompanhar e oscila não apenas pela ausência do Dodô. Oscila por não ter, assim como os demais, combustível suficiente para colocar o chicote debaixo do braço e nem olhar para trás.
O mesmo raciocínio se aplica ao São Paulo. Duas semanas atrás, o time era espinafrado nas equinas de Avenida São João com Ipiranga. Em qualquer horarário e com qualquer temperatura. Tivesse o frio que dá ares europeus à capital paulista e lá estaria uma turminha a execrar o São Paulo, especialmente o Muricy Ramalho. Pois agora que o time reagiu, o comentário muda de trajeto. Dizem que o São Paulo despertou. Não tenho a menor idéia se é fato ou não. Ganhou domingo e pode perder no próximo. A única questão em que o São Paulo leva vantagem sobre todas as outras equipes é que o time conta com um goleiro capaz de fazer a diferença: o Rogério Ceni é hoje o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro. Não deixa de ser estranho para um país que gasta horas, dias, semanas e meses na discussão sobre jogar feio e jogar bonito que um arqueiro seja o melhor de uma equipe e do país.
Com a saída do Zé Roberto, o posto de melhor em atividade e o Rogério Ceni o ocupa sem nenhum tipo de contestação. É claro que surgirá alguém para questionar, mas creio que está ali o homem capaz de fazder a diferença a favor do São Paulo numa partida. Tivesse o Marcos em atividade e ele poderia rivalizar com o RC.
Diante de quadro caracterizado pelo nivelamento e que será pautado pela irregularidade não é permitido se surpreender.
ETIQUETA
Tratam o fato de o Joel Santana usar um lap-top como sinal de modernidade. Quanto equívoco! Não é por isso que o técnico será melhor ou pior. Escravos das novidades, o olhares de muita gente boa se equivoca quando colcar na testa do Joel Santana a etiqueta com a palavra superado escrita. O currículo do JS mostra que de futebol algum conhecimento ele tem.
Mesmo comentário se aplica ao Celso Roth. O sujeito pode não gostar do seu jeito, achar que ele ri pouco ou que deveria ser mais empolado nas respostas. Sõ não pode é se deixar levar por estes conceitos quando vai observar o trabalho do técnico. O que ele tem feito no Vasco merece mais elogios do que críticas. Sem preconceitos.
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ETERNA REPETIÇÃO
O Caio Júnior decidiu barrar o Edmundo e ele nem sequer foi relacionado para a reserva na partida desta quarta-feira do Palmeiras. O que mais me chama a atenção nesta atitude do técnico palmeirense é a expectativa de que o Edmundo teria uma reação violenta, capaz de contestar a autoridade do técnico ou chamaria o Caio para a briga.
Desde o dia em que vazou a informação de que o Edmundo estava cotado para ficar na reserva, o que mais leio é sobre uma possível reação do Edmundo. Daquelas de fazer o Palestra Itália tremer e a turma do amendoim se transformar em pacificadora. Nem uma coisa e nem outra. Se o técnico decidiu que o mais qualificado, me restrinjo ao aspecto técnico, dos seus jogadores tem que ficar no banco, ele tem lá os seus motivos. Pode-se contestá-los, como eu, mas não desprezá-los ou considerá-los absurdos.
Caso o Palmeiras derrote o Sport não será por conta da ausência do Edmundo e tampouco a sua presença entre os titulares representará garantia de vitória. Não é proibido barrar a estrela da equipe, desde que o técnico esteja convencido disso. Fico com a impressão é que o Caio não está absolutamente convencido da atitude que tomou. Fosse assim e o seu discurso sobre o atacante não seria tão incoerente.
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ASSUNTO ENCERRADO
Os comentários do presidente da CBF, Ricardo Teixeira, sobre episódios que marcaram a passagem da Seleção Brasileira pela Copa do Mundo deram renderam mais do que deveriam. Esta caixa-preta em que se transformou o fiasco do Brasil na Alemanha não tem este como o principal segredo e tampouco o motivo determinante para uma campanha abaixo das expectativas.
Aquela Seleção Brasileria começou a perder a Copa de 2006 no exato instante em que venceu a Copa das Confederações, um ano antes e no mesmo país. De lá para cá, a Seleção Brasileria não fez uma apresentação tão completa como a do jogo contra a Argentina. Ficará gravada na memória do torcedor, certamente por tempo indeterminado, o toque de bola, a malícia e o jeito de atuar de uma equipe que não perderia para ninguém _ até um combinado formado pelos melhores jogadores em atividade no Planeta Bola _ que na frente aparecesse.
O grande equívoco foi o técnico Carlos Alberto Parreira acreditar que o time estava pronto e bastava colocar as grandes estrelas para ganhar a Copa do Mundo com os pés nas costas. Foi por esta razão que o Brasil se deu mal. Temn certas coisas que nem o próprio autor consegue explicar e o fato de o Carlos Alberto Parreira ter colocado na platéia o Robinho _ especialmente este _ foi determinante para a sucessão de fiascos que culminou com a eliminação para a França.
Duas semanas atrás, o esporte viu o que é necessário para se conseguir um objetivo. Quando cortou o levantador Ricardinho, o Bernardinho remou contra a maré. Poucos prestaram a atenção necessária a alguns comentários seus. O que mais me chamou a atenção foi o sobre princípios e caráter. Tudo bem que são valores arruinados _ mas não perdidos _ por uma fatia robusta do elenco verde e amarelo, mas quando alguém os menciona devemos prestar mais do que atenção.
O que faltou àquela Seleção Brasileira foi vontade de desafinar o coro dos contentes. O fato de os jogadores terem chegado, caso realmente tenha acontecido, alcoolizados à concentração é apenas consequência da falta de comando. O Brasil não perdeu a Copa do Mundo porque havia uma festa permanente em Weggis, cidade da primeira fase do trabalho, mas, sim, pelo fato de que o técnico mostrou-se absolutamente incapaz de adotar medidas e tomar atitudes necessárias.
Não pode um jogador com a expressão e a importância do Ronaldo chegar numa Copa do Mundo com oito quilos acima do peso. Mas pior do que o descaso que tomou conta do atacante foi a complacência de quem deveria mandar. Faltou comando a Seleção Brasileira e o maior erro foi ninguém, apesar das evidências, ter cobrado um pulso firme do técnico. Sou daqueles que relativiza a importância do técnico, mas o comando emana daquela figura. Quando ele não o exerce, o adeus é prematuro e a busca por explicações longa e entediante.
DESCOBERTA
Lembro que uma vez, quando o Internacional ainda escrevia sua história na Libertadores, o Abel Braga me falou sobre as qualidades do Perdigão. Depois o Mano Menezes também caminhou na mesma direção. Tenho observado o meia no Vasco da Gama e, confesso, suas atuações me reportaram aos dois técnicos. Sei lá o que vai acontecer com o time treinado pelo Celso Roth no Campeonato Brasileiro, mas a impressão o Perdigão parece ter dado um tom mais harmonioso ao setor.
Por favor não coloquem na ausência do Edmundo a razão para a derrota do Palmeiras diante do Sport, no Palestra Itália. O que aconteceu no Palestra e o que aconteceu no Beira-Rio exemplificam muito bem de como anda este Campeonato Brasileiro. No domingo, o Internacional deu um sapeca iá-iá no Sport, na Ilha do Retiro. Ontem, com nove, o Sport derrotou o Palmeiras, enquanto o Internacional em casa foi dominado e derrotado para o Vasco da Gama. É assim o Campeonato Brasileiro. Quem quiser que conte outra.
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MUITA FACILIDADE
Foi tamanha facilidade com que o Santos conseguiu a vitória sobre o Flamengo que é impossível fazer qualquer observação sobre o trabalho do técnico Joel Santana. O que se viu pelo lado rubro-negro na Vila Belmiro está muito distante de ser considerada uma equipe. Os 90 minutos de bola rolando serviram apenas para reforçar duas questões: a primeira é a de que Joel Santana terá muito trabalho para reorganizar o time; e a segunda que os jogadores precisam ser um pouco mais vibrantes com a partida.
Quando o jogo ainda estava zero a zero, a diferença entre o apetite santista e o apetite rubro-negro era evidente. Mais uma vez comandado pelo Kléber, o Santos reinou em campo. E teve para aumentar a sua tranquilidade, o fato de que o Flamengo perdeu a confiança. E neste aspecto será muito difícil os resultados aparecerem a curto prazo.
Enquanto o Flamengo chamou a atenção pela apatia, o Fluminense poderia ter até empatado o jogo com o Palmeiras. Enquanto a dupla Edmundo, autor do passe, e Valdívia, autor do gol, teve fôlego, o Palmeiras foi superior ao Fluminense. No segundo tempo, o ritmo de um e outro caiu, o Fluminense melhorou a marcação e não soube aproveitar o erro do árbitro Leonardo Gaciba, que não passa por boa fase. Não houve o pênalti que ele marcou e Somália cobrou para Diego Cavalieri defender.
Esta sequência irregular do Fluminense só reforça a idéia de que existe um divórcio entre o que o técnico Renato Gaúcho quer e os jogadores fazem. O técnico, com todos os motivos, acredita ser possível colocar o Fluminense na briga pelo título, mas os jogadores, talvez em função da conquista da Copa do Brasil, passam a idéia de dever cumprido.
PREOCUPAÇÃO
Não é novidade que o futebol brasileiro tem um nível técnico abaixo do desejado, mas quando os elogios a Vampeta se acumulam e repetem com frequência a situação parece mais grave do que se imagina. Creditar à presença do jogador a vitória do Corinthians sobre o Goiás me parece exagerado. Nestas horas é preciso mais cautela do que caldo de galinha. Do contrário, o volante que estava há tempos sem atuar entra na seleção dos melhores da rodada. Alto lá!
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DISCURSOS EQUIVOCADOS
Não sei como está o apetite do Superior Tirbunal de Justiça Desportiva, mas não pode virar as costas ou se contentar com duas bolachas e uma xícara de chá de boldo para resolver as declarações equivocadas do Joel Santana, técnico do Flamengo; e do Renato Gaúcho, técnico do Fluminense. O primeiro, talvez atônito por estréia tão frustrante, pregou a pancada como maneira de neutralizar o adversário. O Santos nadava de braçadas na Vila Belmiro diante de um plácido Flamengo e esta foi a única maneira que o seu técnico encontrou para tentar estimular os seus jogadores. Nada mais antigo e desnecessário. Noves fora o erro de Joana e João, o técnico do Flamengo se equivocou em outro ponto: vivemos tempos delicados, nos quais as pessoas com razoável responsabilidade precisam pensar sobre o impacto das suas declarações naqueles que comanda em também em quem as ouve e pode estar predisposto a atos violentos.
Ao pregar a violência, o Joel dá uma licença que os seus jogadores e o futebol não precisam. O que os jogadores do Flamengo necessitam é jogar futebol. O que o futebol quer ouvir é a pregação pelo jogo limpo, decidido dentro do campo e sempre respeitando as regras estabelecidas. Estas história de mandar as favas o que foi combinado, de querer ganhar no grito ou rasgar o acordado, embora presente na sociedade brasileira, é para ser combatida com uma volúpia que o Flamengo ainda não mostrou para conquistar três pontos.
O mesmo se aplica ao Renato Gaúcho. Temos que parar com esta mania de acusarmos este e aquele; de generalizar e tudo ficar por isso mesmo. Quando ele afirma que o Fluminense foi roubado, o primeiro a adverti-lo deveria ser aquele que paga o seu salário. Não combina com o cargo que ocupa e nem com a tradição do clube em que trabalha.
Reitero que não sei o tamanho do apetite do STJD. Temo, espero que seja infudado, o gosto pelas luzes e o espaço fácil. Tomara que eu esteja equivocado e os dois profissionais mereçam a punição do tamanho das declarações que produziram no domingo.
Na ânsia de matar a sua fome, o STJD também está de olho no Muricy Ramalho. Vejo a situação de forma diferente. Ao fazer o comentário sobre o resultado do julgamento da Dodô, ele usou uma palavra na qual poucos prestaram a necessária e devida atenção: cidadão. Os comentários foram feitos pelo cidadão Muricy Ramalho, que vota, paga os seus impostos e....tem todo o direito de criticar, sem ofender, uma decisão com a qual não concorda. É assim que a coisa funciona nos regimes democráticos e o Brasil é um deles. Não vamos confundir crítica com ofensa.
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ERROS E ACERTOS
Não tenho a menor idéia do que vai acontecer nesta quarta-feira no Maracanã. O Botafogo é um time que perdeu um jogador importante _ o Zé Roberto afastado pela reincidência na indisciplina _, mas conta com um grupo harmônico, no qual todos sabem exatamente o que fazer. Ao olhar o São Paulo, a situação não é muito diferente. Não engrossei o coro de críticas ao time no período em que o São Paulo tropeçava exatamente por saber que era passageiro.
Estava claro que o São Paulo não seria um time oscilante dentro do Campeonato Brasileiro. Muito pelo contrário. Os últimos resultados, cinco vitórias seguidas, apenas reforçam a tese de que o São Paulo é um time sempre na disputa por um título. Isso não se deve única e exclusivamente ao elenco que formou. Vai mais além. O jogador que atua no clube sabe que ali não é possível apresentar justificativas para um eventual fracasso ou acúmulo de resultados adversos.
A liderança que o São Paulo compartilha com o Botafogo não surpreende a ninguém. Aconteceu o que todos esperavam e para muitos demorou algum tempo. Será esta segurança que o São Paulo levará para campo na noite desta quarta-feira. O lado mais forte da equipe que tem no Rogério Ceni o seu mais bem acabado exemplo está nesta concentração e certeza de que pode vencer um jogo. Não pensem tratar-se de soberba. Muito pelo contrário. O técnico ñão permite que ela se manifeste em cima dos jogadores. Superar este adversário é uma das tarefas mais difíceis para qualquer equipe.
Para superar este desafio o Botafogo terá que superar a tranquilidade e a segurança do São Paulo. O Botafogo de hoje não tem nada a ver com o Botafogo de......dois anos atrás. O clube anda para a frente, deve isso ao empenho do Bebeto de Freitas e hoje é respeitado pelo que faz dentro e fora do campo.
A única certeza que tenho é que o Maracanã estará lotado hoje à noite, o que é muito bom para o Campeonato Brasileiro.
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BASE DEFINIDA
Quem se deu ao trabalho de olhar e refletir sobre a lista de convocados pelo técnico Dunga para o amistoso contra a Argélia percebeu que a base para as eliminatórias e para a Copa do Mundo está formada. Os nomes divulgados mostram que a Copa América, não apenas pela conquista, teve fundamental importância no trabalho que o técnico pretende realizar.
Não vou discutir os nomes e entendo que a maioria está dentro do padrão aceitável. O grande problema, especialmente após a recuperação do Júlio César e com o Rogério Ceni sempre em boa fase, é a falta de um centroavante que intimide o adversário e faça o ataque do Brasil ser respeitado. O Dunga terminou a Copa América satisfeito com o desempenho do Vágner Love, mas não é o suficiente para que ele transmita a certeza de que numa Copa do Mundo tem condições de ser o titular na posição.
Esta crise de centroavantes é preocupante para o futebol brasileiro. Depois de anos com jogadores capazes de intimidarem os adversários e darem tranquilidade ao técnico, o Brasil está numa estiagem daquelas. Ainda considero o Ronaldo, o Fenômeno, o melhor de todos do que estão em atividade. Mas isso não significa muita coisa. Afinal, ele sempre sobrou em relação aos adversários. E o outro problema é que fica muito difícil garantir que o Ronaldo se reencontrará com aquele que disputou a Copa de 2002. Não que ele esteja desinteressado. O caso é que para retornar a cota de sacrifícios precisará chegar a níveis ainda maiores do que aqueles de cinco anos atrás. E aí, eu não sei se o Ronaldo tem esta disposição.
Dos concorrentes à camisa nove, o Adriano poderia ser o mais qualificado. Mas a cabeça não anda boa e corpo vai de mal a pior. Só o bolso está bem e quando isso acontece fica difícil jogadores como o Adriano _ muita força e técnica com prazo de validade _ conseguirem um lugar na Seleção Brasileira. Padece aquele que os italianos chamam de Imperador da crise que assola os astros. Quando alguma coisa não dá certo, por conta do exército de súditos que o cerca e finge proteger, ele não convive bem com a idéia do fracasso. Começa a correr atrás de um tempo perdido, que o próprio não sabe muito bem qual foi.
RODADA DE QUINTA
Aos poucos, o Celso Roth coloca no fundo do baú a camiseta em que estava escrita a palavra retranqueiro. Terá que fechá-lo com cadeado, mas a qualquer momento a porta corre o risco de ser arrombada. Enquanto não aparece alguém disposto a ressuscitar a fama, o Celso Roth vai tocando o barco da mesma maneira da época em que esteve no Botafogo. Vive uma situação melhor da que passa o Paulo César Carpegiani. É impressionante a resistência ao trabalho do técnico. O olhar pobre e bombado pelos clichês define o Carpegiani como um invetor, um professor Pardal da bola. Tudo injustiça de um elenco que prefere a crueldade ao carinho
O Carpegiani já percebeu as limitações do seu time e não omite-as. O mesmo se aplica ao Celso Roth. Cada um _ mais o CR do que o PCG _ tem conseguido tirar o máximo dos seus jogadores. É o caso também do Caio Júnior num Palmeiras dependente de dois jogadores que sofrem com o excesso de preciosismo e o tempo _ Valdívia e Edmundo, respectivamente. Dizem que o Palmeiras quando joga no Palestra Itália sente os nervos. Claro que o jogador adora essa desculpa inventada por parte da mídia.
Olho neste Santos. A diferença para os primeiros colocados na tabela do Campeonato Brasileiro não significa que a briga pelo título é retrato na parede. É hora de vê-lo com mais respeito, assim como ao Grêmio.
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O CAMINHO DO SEGUNDO TURNO
A vitória do São Paulo sobre o Botafogo apresentou um dado interessante para o segundo
turno do Campeonato Brasileiro: a disputa pelo título tem a equipe treinada pelo Muricy Rama
lho como a mais cotada para obtê-lo novamente e as briga por vagas para a Libertadores
será mais acirrada do que no ano passado. É possível nesta briga incluir o Botafogo, que pas
sa por momento de oscilação, o Vasco da Gama, o Cruzeiro, o Santos, o Grêmio e o Interna
cional. Será esta disputa que dará tempero para este returno. O São Paulo entra solitaria
mente em outro caminho. O da equipe que briga pelo título sem companhia.
É interessante observar o que leva um time a brigar pelo título sem companhia. O maior
adversário do São Paulo será o próprio São Paulo. Teve um período em que cambaleou
dentro do Campeonato Brasileiro, mas por conta da serenidade que domina o ambiente
no Morumbi os problemas foram resolvidos com o silêncio e a eficácia necessárias.
Volta e meia falam do elenco do São Paulo e das opções que se apresentam para o Muricy
Ramalho. Esquecem apenas de falar do trabalho que é feito pelo técnico da equipe. Nada
acontece por acaso e nenhum time vence seis jogos seguidos em um campeonato irmão siamês do equilíbrio.
É bom que o exemplo que cerca o São Paulo seja uma referência para, por exemplo, o Botafogo. Ficou evidente na derrota para o tricolor paulista que o time precisa ter mais calma e não se deixar trair pelos nervos. A falta do Luciano Almeida no Reasco só ganhoará mais dimensão por conta da fratura que o jogador sofreu. Ali não houve a intenção de quebrar o adversário. Pior foi o lance do Túlio no Leandro. Nada justifica chutar o rosto de alguém caído. Ali ficou clara a intenção de atingir o adversário e a punição para o ato de violência desmedida precisa ser exemplar.
Enquanto alguns times descem e oscilam outros mostram capacidade de recuperação. Um deles é o Cruzeiro. Sem as estrelas que em nada ajudaram o time em outras temporadas, a equipe mineira se acerta e mostra um padrão que há tempos não exibia. Tem condições de brigar por vaga na Libertadores e não ficarei surpresa se consegui-la.
A quem estranhou a inclusão do Santos, do Grêmio e do Internacional na lista de candidados à vaga na Libertadores a explicação é simples: são times com todas as condições de se recuperarem dentro do Campeonato. Passaram o primeiro turno perdidos em outras competições _ os dois primeiros _ e dividido por mudanças _ caso do Internacional _ e agora têm a possibilidade de recuperação.
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PACOTE SEM EFICIÊNCIA
Entre as medidas tomadas pela diretoria do Flamengo para tentar espantar os problemas que atormentam o time uma explica, em parte, a má fase da equipe: o afastamento do Obina. Ao decidir colocar o atacante sob os cuidados dos preparadores físicos, a diretoria do clube informa que o Obina está acima do peso. Muito acima do peso. E aí surge a dúvida: quem decidiu escalar um jogador com cinco quilos a mais?
Glutão assumido, o Obina não deveria é ter sido escalado. Estava na cara que o atacante, afastado dos campos por longo tempo, voltaria acima do peso. Tê-lo escalado foi um erro que a diretoria tenta agora corrigir. Em nada, ele ajudou o Flamengo em momento tão delicado. Evidente que o Flamengo não será rebaixado _ daqui a pouco o time começará a reagir _, mas o olhar para este Flamengo mostra que o planejamento feito para o Campeonato Brasileiro foi totalmente equivocado.
Tão equivocado quanto o jeito de atuar do Palmeiras diante do Interancional na quinta-feira. Não me convence essa história de que o time sente a pressão de jogar no Palestra Itália. Quando reage, como reagiu diante do Vasco da Gama e vira um placar adverso de 2 a 0 para 3 a 2, ninguém lembra desse clichê. O que prejudica o Palmeiras é a pequenês em determinados instantes. O time, mais do que o técnico, se contentam com pouco a sentam em cima de qualquer vantagem, mesmo que mínima. Enquanto continuar assim, o Palmeiras vai oscilar dentro do Campeonato Brasileiro.
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LIÇÕES DE UM TÉCNICO
Quem teve a oportunidade de acompanhar a entrevista do Muricy Ramalho após a vitória do São Paulo sobre um Atlético Paranaense, que até o momento não mostra forças para reagir, descobriu uma parte dos segredos que levaram o tricolor paulista a conquistar 21 pontos em sete jogos. Sincero como é do seu feitio e absolutamente desprovido da vaidade que tanto prejudica o incompetente e o competente, o Muricy, em nenhum momento, se deixou levar pelo sucesso atual da equipe.

Não foi a primeira vez que isso aconteceu. Sexta-feira, vinte e quatro horas antes de o São Paulo assegurar o primeiro lugar do turno do Campeonato Brasileiro, o Muricy também fez questão de ressaltar que as seguidas vitórias em nada alteraram a rotina no clube ou mudaram o ambiente. No futebol atualmente jogado aqui no Brasil, o técnico ganhou uma importância que não tinha em outras épocas. Houve um tempo em que a oferta de bons pés-de-obra tornava o técnico um coadjuvante. Um homem que poderia contribuir para a vitória, mas que não seria determinante para os três pontos.

A situação, muito por conta da exportação desmedida e cada vez mais precoce, mudou. Deu ao técnico preocupações e conferiu responsabilidades que antes ele não possuia. É cada vez mais necessário que o técnico se preocupe com os detalhes. Tanto que o Muricy, ao longo da entrevista, fez questão de observar que nesta segunda-feira vai pegar pesado com os seus atletas. Sabe que o jogador, seja ele do São Paulo ou do Joga quem quer, se empolga facilmente. Imagine os de um time que venceu sete partidas consecutivas e muitos apontam, inclusive o degas aqui, como o mais forte candidato ao título.

Lembro que nos períodos cambaleantes do São Paulo, a postura do Muricy não se alterou. E assim será caso o São Paulo venha a oscilar, a perder jogos considerados fáceis ou não souber administrar vantagens. Acredito que esta é a referência de comportamento. O técnico que entender a sua importância _ não apenas tática _ e souber trabalhar os jogadores que tem, tirando de cada um o que ele pode dar, terá sucesso neste Campeonato Brasileiro. Ao distinto e respeitável público, o aviso faz-se necessário: o Muricy realiza isso muito bem e o resultado está na tabela de classificação.

ANGÚSTIA
A vitória do Flamengo sobre o Náutico resgata a confiança que alguns jogadores parecem ter perdido. Não é o caso do Roger, calejado em situações boas e ruins, e tampouco do Leonardo Moura. Acreditem que estes jogadores são os que podem ajudar o Flamengo a sair dos últimos lugares e dar um pouco de tranquilidade para um time que faz campanha de deixar vermelho de raiva o mais rubro-negro dos rubros-negros.
O caminho para a recuperação não será fácil, haverá oscilações e tropeços, mas terminará bem no fim. E, por favor, não pensem que o comentário é fruto de advinhação ou informação privilegiada. É apenas o resultado de anos de observação, que mostram sempre o Flamengo na mesma posição.

REFLEXÃO
Há três semanas, o Zetti assiste ao Campeonato Brasileiro pela televisão. Agora foi a vez de o Gallo entrar na mesma situação. Valeria a pena que ambos refletissem sobre esta situação. O primeiro estava no Paraná e não pensou duas vezes antes de trocar o certo pelo duvidoso _ o Atlético Mineiro. Uma pancada aqui, um tropeço ali e o o Zetti foi apresentado ao Departamento Pessoal do Galo.
O mesmo se aplica ao Gallo. Assim que o Internacional acenou com o chimarrão, ele não pensou duas vezes. Deixou na mão o Sport, onde conquistara o título estadual. O clube pernambucano se recuperou do baque e segue em frente no Campeonato Brasileiro. o Gallo é mais um telespectador do Campeonato Brasileiro. Devemos tirar lições de tudo o que fazemos. Se os dois pensarem sobre o assunto, o ganho será muito maior.
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O QUE É O CAMPEONATO
O primeiro turno do Campeonato Brasileiro terminou neste fim de semana _ para alguns _ e deixou algumas lições que são mais do que necessárias para que se entenda a quantas anda o futebol brasileiro. Começo pelo desempenho do Cruzeiro. Depois de algumas temporadas divorciado da linha reta que sempre o caracterizou, o time mineiro acertou o tempero do tuto e da couve. À beira do campo dá expediente um profissional que o futebol precisa olhar com a devida atenção: Dorival Júnior.

O Cruzeiro de hoje não é formado por aquelas estrelas que pensam ter virado grifes. Ou seja querem jogar apenas com o nome. Houve uma faxina, daquela das boas, que purifica o ambiente e deixa o ar mais leve. O resultado foi um desempenho mais do que razoável no primeiro turno. Prova que neste futebol aqui jogado, o mais importante não é formar um elenco recheado de estrelas. É mais útil ter um elenco com jogadores dispostos a suarem a camisa em busca da vitória. Não adianta pensar de forma diferente.

Antes da volta do Abel Braga e do seu estilo contagiante, eu já acreditava no Interancional, apesar de toda a tristeza que encobre o semblante do Gallo. Com o jeito contagiante que o caracteriza e a intimidade que tem com o elenco, o Abel vai conseguir resultados mais favoráveis do que os do Internacional sob a administração do Gallo. Está ali um técnico que consegue ser acreditado pelos jogadores. Tem este poder de despertar a confiança nos jogadores e, consequentemente, fazer o seu time render. Acontecerá novamente no Internacional. O time entrará neste segundo turno para fazer uma campanha bem superior à do primeiro turno.

ERROS, ERROS E......ERROS

O desempenho dos árbitros neste fim de semana não surpreendeu. É grave a crise no setor e cada vez fica pior. Não há um trabalho adequado, eles se perdem por conta da prepotência e a maioria não está à altura dos jogos. No sábado, o amazonense Washington José Alves de Souza tolerou a violência de Borges, atacante do São Paulo, no confronto com o Atlético Paranaense; Luís Antônio Silva Santos errou muito no jogo Corinthians e Grêmio e Elvécio Zequetto superou a todos com os erros cometidos contra o Botafogo, diante do Figueirense.

Não creio que exista á intenção de prejudicar este ou aquele time, embora alguns tenham muitas histórias para contar sobre prejuízos constantes causados por erros de arbitragem. O Botafogo, seguramente, é o clube que mais tem fatos a relatar e não confundam com choro de perdedor. São fatos e contra eles não há argumentos.

O clube carioca não está sozinho nas críticas. A cada rodada, o número de queixas aumenta em progressão geométrica. É assustador e preocupante. Fico no caso do Botafogo, exatamente por não ter descoberto, até agora, o que levou o árbitro a não marcar pênalti de Felipe em Jorge Henrique e ao auxiliar, Adnílson da Costa Pinheiro, a não marcar o impedimento no gol de empate do Figueirense.

Vejo com preocupação estes erros da arbitragem. Primeiro por não perdeber que alguma providência será tomada e, segundo, por observar que alguns personagens serenos do futebol, como o Mano Menezes, técnico do Grêmio, passaram a criticar o comportamento
dos árbitros. É hora de se tomar providências. O problema é tomá-las.
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A FORÇA DA GRANA
Não me espanta a saída do Josué. Acontece até relativamente tarde, em razão do tempo que ficou como titular do São Paulo e dos títulos que conquistou com a camisa tricolor. A troca não parece tão favorável assim. Pelo menos tecnicamente. O Josué deixa um clube vencedor e de ponta do futebol brasileiro para dar expediente numa equipe do terceiro escalão da Alemanha, o que dizer da Europa.

Sempre que um jogador do quilate do Josué troca de clube, o espanto e a perplexidade tomam conta de muitos. Está cada vez mais claro que o Aeroporto, seja jogador de nível ou não, é considerado o melhor endereço para se construir um futuro melhor. O jogador de futebol geralmente é uma holding. Dele e do que ganha com os pés depende o sustento de muita gente. Os pais, a irmã, o sobrinho e mais um súdito disfarçado de amigo. Além disso, a cabeça do jogador brasileiro se convenceu de que atuar na Europa é a melhor maneira de vestir a camisa da Seleção Brasileira.

Não pensem que foi apenas o Carlos Alberto Parreira o maior responsável por esta obsessão que o jogador brasileiro hoje tem. Começou muito tempo antes e se cristalizou com a presença de Parreira à frente da Seleção Brasileira. Outro fator tem peso relevante na hora de o jogador apressar o pedido para tirar o passaporte e trocar de idioma. O elenco verde e amarelo é capaz de renovar o estoque de decepções com uma incrível facilidade. O resultado é a vontade de ir embora e deixar as atitudes pouco ortodoxas de lado. Lembro que o maior problema do Zé Roberto, quando regressou ao país após longo período na Europa, foi a adaptação aos modos e costumes desta terra das palmeiras, do sabiá e de tudo o mais que alegra e entristece.

Voltou para a Europa e voltou a viver uma vida mais tranquila. O Josué que deixa o grande São Paulo pelo minúsculo clube alemão _ ano passado, o time por pouco não foi rebaixado _ não vai movido apenas pelo desejo de atuar na Europa. Estimula também a chance de morar em um outro país, conhecer uma cultura diferente e, quem sabe, ficar tranquilo na concentração, enquanto sua família está em casa.

Foi-se o tempo em que apenas o dinheiro movia o desejo de um jogador. Convenhamos que no São Paulo, em razão da estrutura do clube, o Josué tinha conforto e segurança. Mas isso não foi suficiente para mantê-lo e não será para ninguém. As saídas constantes, cada vez mais precoces, fazem parte de um processo muito maior do que apenas a busca por euros para a compra da casa da irmã, o táxi para o cunhado, a escola do afilhado e tudo o mais que um bom salário proporciona.
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PROVOCAÇÕES QUE AJUDAM
Há tempos, o futebol brasileiro perdeu algo que sempre o alimentou: o humor fora das quatro linhas. Não que o futebol tenha que apresentar personagens galhofeiros ou circenses, mas sempre fez muito bem para o esporte aquele sujeito provocador, capaz de dar umas cutucadas nos adversários e levar mais público aos estádios. O representante mais popular e inteligente da história é o Vampeta. Desde os bons tempos, quando ainda não precisava provar a ninguém que tinha condições de ser titular, que o Vampeta era falante e necessário para o futebol.

O mesmo personagem se manifestou agora no Renato Gaúcho, técnico do Fluminense. Na antevéspera do clássico desta quinta-feira, o RG lembrou que, como jogador, conquistou mais títulos do que o Joel Santana, técnico do Flamengo. Não dá nem para comparar a carreira de um e outro na época em que vestiam uniforme. O Renato foi um ótimo atacante, capaz de despertar o interesse de clubes europeus e ser convocado para a Seleção Brasileira. Com o Joel não aconteceu a mesma coisa. Limitado zagueiro, ele passou discretamente pelo futebol e a projeção só veio quando começou a trabalhar como treinador.

Feita as duas comparações não pode ser considerado um exagero e nem provocação o comentário do Renato Gaúcho. Ele apenas retratou a situação de uma época e o que disse não tem nada a ver com o que vai acontecer no Fla-Flu da noite desta quinta-feira, no Maracanão. Espero que os jogadores não entrem no clima e joguem o jogo despreocupados com a declaração de fulano ou beltrano. Comentários como o feito pelo Renato precisam ser feitos mais vezes. Afinal, o futebol não é uma reunião de economistas.
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APRENDIZADO
A vida ensina _ e no futebol não é diferente _ que não devemos acreditar em tudo o que é dito sobre uma pessoa. Ninguém é cem por cento ruim, incompetente e mau caráter e tampouco ninguém é um santo, perfeito 365 dias no ano e de um caráter acima de qualquer discussão. Temos altos e baixos e vivemos muito melhor quando não acreditamos em tudo o que dizem sobre nós.


Evidente que tem muito mais gente neste planeta _ e no Brasil também! _ que possui um caráter ilibado, planta o bem e exala bondade. Mas estes também não devem acreditar que são assim o tempo inteiro. Precisam se questionar, pois é na pergunta, ou no questionário, que se descobre as respostas para ser cada vez melhor.

Vejam o caso do Botafogo. Durante o primeiro semestre, o time disputou duas competições com exbições de gala. Perdeu o Campeonato Carioca para o Flamengo com o auxílio luxuoso do Júlio César e depois do Max. Viu o sonho de chegar à final da Copa do Brasil com a contribuição novamente do Júlio César e os erros cometidos pela Ana Paula Oliveira. Ao longo deste tempo, o Botafogo só recebeu elogios e o início do Campeonato Brasileiro serviu para que os elogios aumentassem. Todos plenamente justificáveis.

Quando os problemas começaram a aparecer, da vitória que rareia aqs turbulências fora do campo, o Botafogo foi surpreendido. Perdeu a liderança para o São Paulo e dá a impressão de que não estava preparado para isso. Acredito que seria líder do Campeonato Brasileiro até o fim. Aí está o grande problema. Enquanto o Botafogo não se convencer de que é um time com problemas e capaz de oscilar dentro da competição, as adversidades terão peso de Rei Momo, em época de engorda para o concurso ao cargo.

Exemplos sobre a melhor maneira de se comportar, quando o caldo entorna e a água esquenta, não faltam neste Campeonato Brasileiro. Tem desde o líder São Paulo até o Sport, que muitos apressados já apontaram como fortíssimo candidato ao rebaixamento. Nas situações mais críticas, o fundamental foi não perder a serenidade. Este é o caminho para deixar a crise na margem direita do rio.

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REAÇÃO E SERENIDADE
A história da vitória do Flamengo é mais bonita, ou tanto quanto, do que o resultado. Sei que muita gente só preocupa com o placar e ignora os ingredientes que podem transformar um jogo num prato suculento, apetitoso e nutritivo ou insosso. O caso do Fla-Flu disputado na quinta-feira no Maracanã se encaixa na primeira versão para o rubero-negro.


Sei lá eu o que vai acontecer com o Flamengo daqui para a frente. A reação era mais do que previsível. Afinal, o Campeonato Brasileiro se caracteriza pelo equilíbrio e o perde e ganha pontua o comportamento das equipes. Quando um time oscila, como o Flamengo oscilou no primeiro turno, as consequências são mais traumáticas do que se pode imaginar. Mas é possível, especialmente quado o uniforme tem o vermelho e preto, imaginar a reação.

A vitória tem que ser comemorada com a euforia que um resultado como esse precisa, mas é muito pouco sob outro aspecto. Não pode o Flamengo se contentar com o fato de, aos poucos, deixar a área de rebaixamento. É muito pouco para o clube com a maior torcida do país. Ao longo dos últimos anos, o Flamengo meio que se contentou em fazer o papel de figurante dentro do Campeonato Brasileiro. Pretensões modestas dominam os planos da equipe e isso não combina com a história do clube.

Há quem sonhe em ver o Flamengo disputando, ainda neste Campeonato Brasileiro, uma vaga na Libertadores. Não é possível dizer, de forma categória, nem que sim e nem que não, mas convenhamos que a partida na busca de uma vaga ainda nem sequer começou. Enquanto o Flamengo esperar a água encobrir o corpo para começar a nadar, sempre será muito difícil ter outro tipo de desempenho no Brasileiro.

RODADA
Começa o segundo turno e a reza para que o São Paulo tropece será cada vez maior. Na última segunda-feira, durante o Bem, Amigos, o bem-humorado Vampeta disse que o São Paulo precisa de 16 rodadas para ser campeão, enquanto os demais necessitam das dezenove. Está certo. Pode ser que o São Paulo perca um ou até mais jogos, o que considero pouco provável.
Sei que muitos não concordam, mas o que reforça o meu argumento é o fato de que o São Paulo não se abala por qualquer dez mil réis. Muito pelo contrário. A saída do Josué, desfalque sério, é minimizada exatamente pelo fato de o São Paulo já ter descoberto há algum tempo que problemas existem para ser encarados e resolvidos.
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FESTA NAS ARQUIBANCADAS
As imagens das torcidas do Vasco da Gama, em São Januário; e da do Palmeiras, no Palestra Itália, demolem, ou pelo menos abalam, alguns conceitos estabelecidos no futebol. O mais importante é o de que o torcedor perdeu o prazer de comparecer aos estádios. Nada disso. Aquela fatia de torcedores do bem _ a maioria em qualquer torcida _ sempre estará disposta a incentivar o seu time, desde que a equipe corresponda a todas as suas expectativas.

É o caso do Vasco da Gama, por exemplo. Tem um elenco com limitações, mas aprendeu que o bom rendimento em casa possui um peso acima da média para fazer boa campanha dentro do Campeonato Brasileiro. Mais uma vez soube aproveitar os jogos em casa e o América de Natal dá a impressão de que não consegue encontrar forças para evitar o rebaixamento. Enquanto isso, o Vasco da Gama mostra que existe vida inteligente no time sem o Morais. Há tempos fora da equipe, ele cedeu lugar ao Conca, que hoje funciona como um maestro da equipe. Me chama a atenção também o jogo do Perdigão, que ontem foi substituído pelo Andrade, mas só confirma, a cada jogo, o que dele me disse uma vez o Mano Menezes: tem um ótimo passe.

Em São Paulo, o Palmeiras sepultou a tola idéia de que não sabe atuar no Palestra Itália. Nem tudo na vida tem explicação e no futebol especialmente. O time perdeu e empatou jogos no seu próprio estádio, simplesmente porque no futebol as coisas acontecem assim. O pior dessa história _ e de tantas outras _ é de que tanto alguns repeti-las os jogadores terminam acreditando. Estava cada vez mais evidente que os do Palmeiras acreditavam que havia algum fator insuperável para os jogos em casa.

O empate do Corinthians com o Juventude, em Caxias do Sul, só reforça a idéia de que o time paulista vai se recuperando aos poucos e de que o Juventude precisa melhorar muito para continuar na Série A. Em outros tempos, o juventude era um time praticamente imbatível dentro do seu estádio. Agora é capaz de levar o gol mais rápido deste Campeonato Brasileiro e estar sempre atrás no placar.

MUDANÇA EM CASA
No turno, o Santos teve muita dificuldade para vencer jogos disputados na Vila Belmiro. Tivesse somado três pontos em jogos considerados fáceis e poderia estar em situação melhor. No sábado, o time mostrou que o segundo turno poderá ser diferente. E para isso os desempenhos de Pedrinho e do Petkovic foram fundamentais. Há tempos, o Pedrinho é um dos destaques da equipe e o Pet, com o devido tempo, poderá se transformar em outra.

O começo do segundo turno mostrou que algumas equipes precisam se encontrar o trabalho para que isso aconteça será redobrado. Se encaixam nesta situação, o Figueirense, o Atlético Paraná e o Paraná. Está mais do que na hora de começarem a reagir para que não tenham sobressaltos.
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CHAMA AZUL

O despertar do Cruzeiro começou no dia em que o técnico Paulo Autuori pediu demissão. Cercado de microfones e com o jeito sereno que o caracteriza, ele diagnosticou os problemas da equipe e apontou vários problemas no elenco. Elegante, a ponto de largar o cargo de um clube da dimensão do Cruzeiro a trabalhar com um elenco que o desagradava, Autuori deu a senha de como o Cruzeiro poderia se reencontrar.

Com o alerta passado pelo técnico, a diretoria pensou em que escolher para seu substituto. Poderia ter optado por um sujeito do tipo paizão, que prefere a conversa a atitude. A lista de técnicos renomados e desempregados, dispostos a pegar qualquer boquinha, é imensa. A lista de novos técnicos, sem os vícios de outros e dispostos a arregaçar as mangas, nâo é tão extensa, mas eles estão aí.

O Dorival Júnior integra esta lista de novos treinadores. Merecia uma oportunidade do tamanho que o Cruzeiro tem. Em silêncio, embora nem mineiro seja, ele fez a faxina necessária para que este time mudasse e chegasse à vice-liderança, com méritos, do Campeonato Brasileiro. Está aí o Cruzeiro com um elenco sem estrelas, mas arrumado e com característica fundamental neste Campeonato Brasileiro: acreditar o tempo inteiro que o resultado favorável é possível.

Se o Cruzeiro vai ser campeão brasileiro é previsão açodada e nâo combina com o autor das mal traçadas, mas a certeza é de que o Cruzeiro atual tem menos jogador famoso e mais jogadores combativos, determinados e dirigidos por alguém que, em pouco tempo, descobriu os caminhos que levam ao sucesso: o nome dele é Dorival Júnior.
CASOS E CASOS
Não se deve comparar o caso do Zé Roberto, do Botafogo, com o Ricardinho, levantador cortado da Seleção Brasileira masculina de vôlei. Tanto quanto a punição recebida, o que mais o Zé Roberto precisa é de ajuda. É personagem daqueles versos do Cazuza _ "não faço mal a ninguém a não ser a mim mesmo" _ e a ajuda é fundamental para que ele tente se encontrar. Noves fora a falta que faz ao time, o Zé Roberto bem que poderia pensar sobre os males que faz a ele mesmo.

Neste domingo, o Esporte Espetacular, da Rede Globo, exibiu, no Dossiê Espetacular, uma reportagem mostrando jogadores que jogaram a carreira pelo ralo exatamente por serem mais irresponsáveis do que indisciplinados. Não envenenam o ambiente e tampouco são insubordinados. Mas têm uma fraqueza e o futebol até hoje não sabe como administrá-las.

Em determinado instante da reportagem, o Marinho, ex-jogador do Bangu e homem marcado pela tragédia da perda de um filho com apenas 1 ano, diz que gostaria muito de ter naquele tempo a cabeça que tem hoje. É emocionante ver aquele homem que demorou a perceber o quanto apanhou e hoje sofre com os hematomas que a vida lhe deu.

Conversei poucas vezes com o Cuca, mas foi tempo suficiente para perceber que é pessoa de bom coração, o que nâo significa coração mole ou evidencie sinais de fraqueza. Ajudar o Zé Roberto é uma atitude correta. Se ele quer ou nâo ser ajudado é otura história, mas que puder fazê-lo deve ser olhado com respeito e consideração.
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CARGO PESADO

Pela primeira vez, após a conquista da Copa América, a Seleção Brasileira entrará em campo. Quase nada se falou sobre a conquista _ teve a coincidência dos Jogos Pan-Americanos a tragédia de Congonhas _ e agora menos ainda. Estão todos (será?) preocupados com o fato de o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká ficarem sentado no banco de reservas para o jogo desta quarta-feira contra a Argélia. Cá entre nós é muita água para pouca fervura.

Olho para a ida destes dois jogadores de uma forma diferente da maioria, o que não me torna nem melhor e nem pior. Acompanheio a Seleção Brasileira na Copa América e vi o quanto este grupo foi valorizado pelo técnico. A vitória sobre a Argentina, sem nenhum desfalque e sensação da Copa até aquele jogo, foi irretocável. O Brasil não venceu por acaso e teve ainda uma decisiva participação do técnico. Quando Elano se contundiu, a maioria pensou que sairia o seis e entraria o meia dúzia. Ou seja: Fernando assinaria a súmula.

Pois não foi isso o que o técnico fez. Colocou o Daniel Alves, um lateral de ofício, para substituir um jogador de meio de campo e a atuação do Daniel foi decisiva para a vitória da Seleção Brasileira. Quando se decide pela equipe que colocou mais uma medalha de vice-campeão nos argentinos, o técnico avisa ao respeitável público que tem o hábito da coerência, o que leva muitos a pensarem em burrice ou teimosia. Coerência é coerência e pronto.

Não há nenhum motivo para que o Ronaldinho Gaúcho e o Kaká sejam escalados. E antes que um apressado _ existem muitos _ se apresse em dizer ou interpretar que não quero ambos no time, o esclarecimento faz-se necessário: entendo que é possível tê-los na equipe, além do Robinho. O que já aconteceu na Copa das Confederações, dois anos atrás na Alemanha. Mas isso só acontecerá com o tempo e não apenas com um treinamento, que é o caso deste amistoso.

Ao convocar os dois, o Dunga mostra que não guardou resentimentos pelo fato de ambos não terem aberto mão das férias, direito legítimo, para disputarem a Copa América. Eles não podem ser considerados mais ou menos patriotas por conta disso, mas é necessário que se respeite e discorde, quem assim entender, a posição do técnico. Não é pelo fato de ambos integrarem a pequena lista de jogadores mais cobiçados do planeta que eles precisam ser escalados para um amistoso que tem como maior atrativo a cidade onde será realizado.

O cargo é espinhoso e o Dunga já deve ter percebido isso há algum tempo. As atitudes coerentes geralmente recebem uma etiqueta com palavra ofensiva ou depreciativa. É assim que somos e jamais deixaremos de ser. Elegemos intocáveis, colocamos os eleitos no lugar mais alto do pódio e somos tolerantes com tudo o que eles fazem. Não gostamos da idéia de lugar cativo em nada, a não ser em time de futebol, especialmente na Seleção Brasileira.

Tenho a impressão de que o Dunga não se deixará abalar por esta ou aquela crítica, mas é bom que ele saiba que não haverá unanimidade, ainda bem, e tampouco coerência, o que é lamentável.
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