LIÇÕES DO ESPORTEAntes que um apressado de plantão começe a crucificar estas meninas, o aviso é mais do que necessário: não devemos criticar esta Seleção feminina de vôlei por conta de outros modelos e conceitos que dão certo. A derrota de ontem aconteceu pelo fato de o Brasil enfrentar uma seleção que tem jogo para encarar qualquer um pela frente. Que não desembarcou na final por acaso e leva o ouro para a Ilha por ter apresentado um jogo mais consistente e regular.
Neste momento em que todos se deixam dominar pela emoção, pitadas de razão são mais do que necessárias. Através desta porção será possível entender e aceitar a idéia de que a derrota não representa o fim do mundo e nem a condenação deste grupo a masmorra. Muito pelo contrário. A Seleção Brasileira feminina de vôlei tem um elenco de primeira e, por favor, não busquem no mais do que clichê linguajar do futebol explicações para a derrota do Brasil.
É bom deixar bem claro que as mulheres do vôlei não amarelaram; não foram incompetentes e tampouco jogam apenas quando a partida não tem tanta importância ou o adversário é muito fraco. É bom deixar claro também que o estilo de trabalhar do Zé Roberto e o estilo de trabalhar do Zé Roberto rpecisa ser respeitado. Não existe um modelo único de trabalhar e, mesmo o vitorioso, não significa que precisa ser aplicado em todas as modalidades.
Lembro que entre as muitas crítcas que Carlos Alberto Parreira recebeu logo depois do naufrágio verde e amarelo na Copa do Mundo, a mais constante foi sobre falta de comando do técnico. Pediam alguém de pulso forte e o Dunga entrou em campo. Agora dizem que ele é autoritário e mal-humorado. Temo que aconteça o mesmo com o Zé Roberto, embora o vôlei não seja o futebol.
Acreditava na vitória da Seleção Brasileira não por considerá-la absurdamente superior a Seleção de Cubam, mas pelo fato de que é uma seleção de primeira. Perdeu num erro aqui e outro ali. Acontece. É do esporte. Pode ser levado em consideração o fato de que algumas destas jogadoras certamente devem ter pensado naquela partida de três anos atrás. E aí vai um pouco de culpa do nosso elenco pelo fato de as mulheres do vôlei carregarem até hoje este peso.
Deram aquele jogo a mesma dimensão que a derrota na final da Copa de 50, em pleno Maracanã, ganhou. Fica difícil livrar-se deste peso, quando em cada esquina, em cada boteco, vestiário ou agência de banco a lembrança do que aconteceu em Atenas torna-se constante. Evidente que a volta no tempo sempre se manifesta na hora decisiva e isso precisa ser tratado. Mas não é para colocar estas mulheres num canto escuro da história destes Jogos Pan-Americanos. Merecem o lugar mais claro, iluminado pelo sol que anda de preguiça no balneário e ainda não comprou ingresso para as muitas competições.
Na cerimônia de premiação, o rosto inchado das brasileiras foi comovente. Tão comovente quanto o ar de felicidade das cubanas. Há tempos _ na verdade, eu creio que jamais tive _ não tenho olhar de condenação, êta palavra feia!, para os perdedores. Tem sempre uma história por trás daquela derrota, daquela decepção. Muitas vezes, a maior dificuldade é contá-la. Como acontece com as mulheres do vôlei feminino; A competição terminou com um gosto amargo, mas voltar no tempo e tentar entender o que aconteceu será importante paa o futuro.
Falei sobre a emoção de ver as cubanas no pódio e explico: não é fácil vencer diante de um ginásio lotado e diante de uma Seleção que merece respeito. Foi o caso da vitória obtida pelas cubanas. A medalha de ouro teve um sabor ainda mais especial exatamente por isso. As cubanas conquistaram uma medalha de ouro em cima de uma equipe que soube valorizar o tempo inteiro o resultado.
Não é hora, nem hoje e nem amanhã, de se cruficar as mulhers do vôlei. Agradeço pelo que fizeram e pela certeza de que carrego: ainda farão muito mais.
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