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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
COMPROMISSO COM O RESULTADO
Na segunda entrevista coletiva que concedeu desde a chegada da Seleção Brasileira em Puerto La Cruz, o técnico Dunga em nada lembrou o sujeito incomodado com algumas situações e tenso com outras. Entre tantas perguntas e respostas _ foram 40 minutos de conversa _ uma das que mais chamaram a atenção foi sobre o perfil deste novo grupo.
Não creio que esta seja uma Seleção Brasileira para se desconfiar, mas entendo que ela entrará em campo cercada de expectativas. Leva tempo, especialmente em um país com a paixão e os títulos conquistados, para que a ferida de uma Copa do Mundo se feche. Por mais que tentem tratar; por mais que tentem medicar, o unguento não dá jeito.
A lembrança de como foi perdida uma Copa _ carregam muitas histórias de grupos desunidos que chegaram ao topo.
Após esta divagação, eu volto ao tema que mais me chamou a atenção entre as tantas respostas do Dunga: a identidade do seu grupo. Ele já percebeu que os seus jogadores têm apetite. E o motivo é simples: muitos destes jogadores, apesar da fama e fortuna, ainda não conseguiram o selo de....jogador da Seleção. Com este esp[irito, eles entrarão em campo e buscarão um título que para todos _ do Dunga ao ponta-esquerda _ tem importância.
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VOLTA NO TEMPO
Tempos atrás, uma escola de samba no Rio de Janeiro teve como enredo o "O amor está no ar". Não lembro o nome da escola, mas recordo _ alguma coisa ainda ficou na memória daquela época _ que o refrão da música pegou e foi cantado pelas torcidas nas arquibancadas do Maracanã.
Pensei sobre este enredo e sobre esta escola _ quem sabe até o fim do texto eu não lembro o nome _ em razão da estréia da Seleção Brasileira nesta Copa América. Percebo aqui e ali, entre os silenciosos e os calados, a expectativa pelo primeiro jogo. A expectativa está no ar, eu asseguro sem a pretensão de que querer me transformar num carnavalesco ou ver alguém compor um samba para o tema.
Não consigo desconfiar de uma Seleção Brasileira, mas também estou ansioso para vê-la nesta estréia. O futebol brasileiro é capaz de produzir pés-de-obra acima da média e fica muito difícil acreditar na idéia de que a camisa verde e amarela _ que não é a da Austrália _ entrará em campo apenas para competir. Sempre há uma expectativa e no caso desta equipe é muito maior.
Naquele naufrágio que foi a participação na Copa do Mundo, os sobreviventes podem ser contados em uma das mãos _ alías, eu nem sei se a gente chega a cinco. Mas o Juan foi um deles. Zagueiro de fino trato, ele saiu da Copa do Mundo decepcionado e não decepcionou. Tem a seu lado o Alex e esta pode ser considerada a primeira de muitas expectativas. Há outras. O Diego e o Robinho são os que mais aguçam as minhas perguntas. O primeiro ainda não explodiu nos treinamentos. Há quem considere importante um bom desempenho nos ensaios _ assim podem ser chamados os táticos e coletivos _, mas vale lembrar que existem os "leões de treino", que se transformam em gatinhos nos jogos.
O toque de bola do Diego é refinado e joga com a coluna vertebral reta. Não se curva para dar um passe ou tampouco fazer um lançamento. Vejo-o muito contido, mas quem sabe isso não é concentração.
O outro foco das expectativas é o Robinho. Finalmente, ele saiu da posição de coadjuvante para a de estrela. Esteve sempre atrás dos dois Ronaldos e do Kaká. Concorria ao Oscar, mas não o das estrelas. Agora é com ele e mais ninguém. Vejam como esta Seleção Brasileira se transformou numa seleção de expectativas e apostas. Dentro e fora do campo. Representa, para quem tem a bola nos pés, a chance de colocar duvidas na cabeça do treinador. E representa para o Dunga a chance de mostrar que os seus conceitos podem funcionar dentro da equipe.
Não deixa de ser uma agradável expectativa. Lembro que um ano atrás, a Seleção Brasileira exalava confiança. A expectativa de muitos era pelo dia da final. Precisamente pelo fim do jogo e início das comemorações brasileiras. Agora é diferente. Isso é muito bom.
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MUDANÇA E EXPECTATIVA
Acabo de chegar do treino da Seleção Brasileira. Pelo que mostrou, o Dunga decidiu colocar o Anderson no lugar do Diego. Fosse eu o técnico e minha opção teria sido outra. Manteria o Diego, que considero a reserva de criatividade do meio de campo, e colocaria o Anderson. Gostaria de ver uma dupla de volantes formada pelo Gilberto Silva e pelo Elano. Só que eu não sou o técnico da Seleção Brasileira, tenho o maior respeito por quem ocupa o cargo e n
entendo que determinadas questões, como a escalação de um time, são absolutamente subjetivas. Certa vez, o agora ministro Gilberto Gil, qual um filósofo, usou uma explicação interessante para justificar o voto em determinado candidato, enquanto um fraterno amigo votaria em outro: "Vejo no fulano coisas que o meu amigo não enxerga e ele vê no beltrano coisas que eu não enxergo". Curta, a frase tem o poder de explicar a maneira como olhamos as coisas e explicar as nossas ações.
Vejo uma boa possibilidade na Seleção Brasileira que gostaria de ver em campo e o Dunga enxerga uma boa possibilidade na que ele escalará. O respeito tem que ser a base de qualquer relação e passa, claro, pela educação. Pois o time que o Dunga pretende colocar em campo mostra que ele não gostou _ e nem poderia _ do desempenho diante do México. Noves fora as chances desperdiçadas pela Seleção, o que mais chamou a atenção foi o descontrole _ que não derivou para a violência _ do time após o primeiro gol.
Mais bem acabado retrato de uma equipe sob tensão não poderia ser.
Para este jogo contra o Chile, o Brasil, apesar da atuação ruim e da vitória chilena, ainda é o favorito. Vi o Chile vencer o Equador, mas não me convenci. Creio que é possível obter os três pontos, mas é necessário que os jogadores se soltem. Não pode a Seleção Brasileira ter apenas um jogador com a vocação para o risco. É preciso mais de um e isso não passa pelo técnico. Sei que muita gente boa acha que o problema está sempre na figura do treinador. Discordo. Eximi-se o jogador de uma responsabilidade que ele deveria assumir. E dividir.
Tanto quanto os treinamentos, as conversas serão importantes para este jogo.
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A HISTÓRIA SE REPETE
A atuação do Robinho foi a melhor, em tempos recentes, de um jogador com a camisa da Seleção Brasileira. Graças exclusivamente ao seu talento, o Brasil respira dentro da Copa América, o técnico Dunga sorri e brinca com os jogadores e o encantamento de quem acompanha a competição, e não é brasileiro, aumenta em progressão geométrica.
Quem não nutre simpatia pelo Dunga técnico há de afirmar que o Robinho salvou um trabalho que ainda carece de definição. Não vejo desta forma. Desde que o mundo é mundo, o futebol brasileiro sempre fez a diferença pelo desempenho dos seus jogadores e não pelo fato de apresentar um jogo coletivo organizado, com cada um sabendo o que deve fazer e desempenhando bem as chamadas funções táticas.
Quem acompanha futebol, do avô ao neto, vai citar do Pelé ao Romário, passando pelo Jairizinho, Rivelino, Tostão e Paulo César, lembrando do Zico, Falcão, Rivaldo, Bebeto e Ronaldo, o Fenômeno. Creio que muitas vezes o olhar para a Seleção Brasileira se perde nas questões táticas e aí não falo da crítica, mas sim de quem a dirige. Não específicamente o Dunga.
Por mais que tentem e procurem, a verdade é que os nossos jogadores não se caracterizam pelo lado tático. Precisam de liberdade e de não ter função. Observem que o Robinho cresceu na partida, quano não teve mais a obrigação de voltar para marcar. A partir do instante em que só jogou no campo do adversário, ele cresceu. Tal e qual o Romário, companheiro do Dunga na Copa de 94, o Robinho é jogador com quem se deve falar pouco e ter a certeza de que ele fará muito. Faz parte do grupo de jogadores a quem não se deve dar muitas instruções.
Esta Seleção Brasileira tem muito a ver com aquela que o Falcão dirigiu logo após a Copa da Itália, em 90. Só que naquela ainda não havia um jogador que pudesse fazer a diferença a favor do Brasil e nesta há. Ainda falta muito para que este time esteja pronto e alguns jogadores ainda parecem desconfortáveis dentro do uniforme. Hoje, durante o Tá na Área, o Luiz Felipe Scolari, técnico mais do que vitorioso, disse que a camisa da Seleção Brasileira pesa. Não sei como fazer para deixá-la mais leve, mas o Dunga precisa refletir sobre isso.
Em alguns, a camis está um número menor.
Diego
Não é um craque e precisará assinar muita súmula para se-lo, mas precisa ser tratado com os cuidados que os jogadores promissores _ não é o seu caso _ e os que têm futuro _ coloquem nele esta roupa _ merecem. Acusou o golpe pela barração e nestas horas creio que o Dunga e o Jorginho precisam colocar à serviço do trabalho a vivência que acumularam ao longo de todo o tempo em que foram jogadores.
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JOGO DECISIVO
A Seleção Brasileira disputa hoje o jogo que pode mostrar se ela está no caminho certo ou no caminho errado. Primeiro por ter diante de si um adversário sem maiores pretensões e segundo por vir de uma vitória, que foi obtida pelo brilho indivudal de um dos candidatos ao título de melhor jogador da competição: Robinho.
O Equador jáo desistiu da Copa América, mas não de apresentar o futebol que gosta de praticar. A derrota na primeira partida para o Chile deixou o time com o queixo no chão e o segundo nocaute veio diante do México. Nas duas partidas, o Equador atuou bem.
Creio que hoje fará o mesmo e este é o perigo.
Diante desta seleção franco-atiradora está o Brasil. Um Brasil que tem um técnico descontraído e uma formação cercada de dúvidas. Para nós e não para ele. Acredito que o Dunga já sabe quem vai jogar, mas a escalação só será divulgada antes do jogo. Creio que o Júlio Batista vai jogar. É apenas um palpite e que ganha corpo por conta das declarações do Dunga na entrevista coletiva. Ele falou muito do porte físico dos jogadores equatorianos.
Não vejo nos JB as qualidades que o Dunga enxerga para jogar naquela posição que se caracteriza pela rápida visão do jogo.
Aliás este é o problema da Seleção Brasileira. Não existe o maestro, o regente, mas não vejo jogador brasileiro com este perfil. O armador desapareceu dos campos e agora só é encontrado nas melhores e piores esquinas das cidades. Pena a Seleção Brasileira não ter um articular e pior para o futebol brasileiro.
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OS ANOS DE VOLTA
Chegou a hora dessa gente bronzeada mostrar o seu valor. É um verso de um samba das antigas, feito pelo Assis Valente, que exaltava o brasil pandeiro. Pois a Seleção que entra em campo hoje à noite está diante desta situação. Até o mais Policarpo Quaresma dos torcedores sabe e reconhece que o time ainda não fez uma grande apresentação. Não espero um jogo que seduza o torcedor ou faça com que ele vá dormir satisfeito.
Mas é possível apresentar um futebol mais interessante, que não irrite ou decepcione. Sempre depositam na conta do treinador as maiores responsabilidades sobre os erros da Seleção Brasileira _ seja ele quem for _ e atenuam ou aplacam os erros cometidos pelos jogadores. Claro que o Dunga tem responsabilidade pelas atuações ruins, mas também não se pode eximir os jogadores.
Por falar em Dunga não deixou de ser interessante a entrevista que concedeu antes do treino da tarde desta sexta-feira. Como está na moda falar da Seleção Brasileira de 82, afinal assim se passaram 25 anos, as palavras bonito e feio foram exumadas nas discussões. Não vejo desta forma. Existem times que atuam bem e times que atuam mal. O que joga bem pratica um jogo interessante e seduz o torcedor. O que joga mal temm dificuldade para tudo. Acredito que o Dunga muitas vezes é olhado como se fosse um adversário do bom futebol. Não creio que seja. Capitão da Seleção Brasileira de 94, ele faz parte de uma geração que deu a volta por cima. Depreciam o título de 94, mas discordo de quem o faz. Não pode ser ruim uma Seleção Brasileira que tinha Taffarel no gol, Jorginho na lateral, Aldair no meio da zaga, Branco na lateral esquerda e uma dupla de ataque formada por Bebeto e Romário.
O que vai acontecer com a atual seleção, eu não tenho a menor idéia. Mas não consigo depreciar um time que tem bons jogadores nos clubes onde atuam, mas que ainda não decolaram com a camisa verde e amarela.
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JOGO PARA CONFIRMAR
Existem vários motivos para o sapeca iá-iá que a Seleção Brasileira deu no Chile. Passam pela má qualidade do adversário, pagam pedágio na desmotivação do time e flertam com os acertos da equipe treinada pelo Dunga. Fico neste último aspecto por entender que a permanência do Brasil na Copa América merece olhar ainda mais atento para a equipe.
O fato de o Brasil ter goleado não mostra que aquele meio de campo, formado por Gilberto Silva, Mineiro, Josué e Júlio Batista é o melhor que a Seleção tem condições de colocar em campo. Diante do Chile, eles se movimentaram muito bem, exceção feita ao Gilberto Silva, que parece estar em estágio físico inferior ao dos demais. Coisas de quem terminou uma temporada extenuante.
Creio que o Dunga ficou muito satisfeito com aquela formação e irá repeti-la nesta terça-feira contra o Uruguai. Nada mais justo e natural. Em time que está ganhando não se mexe é brodão antigo do futebol, que o elenco pegou emprestado _ dizem que não devolveu e nem sequer pagou _ para usar em muitas situações do cotidiano. Sei que o Dunga gosta da movimentação desses quatro jogadores e contra o Uruguai ela será mais do que necessária. Meio de campo que não se movimenta está condenado ao insucesso, tanto quanto camelo que não fala e alpinista _ me refiro ao esportivo e não ao social _ com medo de altura.
O fato de não ser este o meio de campo mais próximo do meu gosto não me transforma num desconstrutor do trabalho do Dunga. Tem erros e acertos, como os novatos e veteranos erram e acertam. Paga uma conta pelo insucesso da Seleção Brasileira graças a uma visão equivocada _ abastecida pela mídia de forma histérica _ surgida nos anos 80, quando os técnicos ganharam um espaço e importância que nunca tiveram no futebol brasileira.
Os mais afoitos e os encantados tratavam alguns como estrategistas da bola. Verdadeiros comandantes. Capazes de ganharem o jogo com uma substituição e serem manchetes no dia seguinte. A pressa sumiu e o encanto desapareceu. Como tudo nesta terra que compra bilhete, a cada minuto, para a ponte-aérea Euforia e Depressão, saiu-se da primeira e estacionou-se na segunda.
Vejam o caso da Seleção Brasileira sub-20. O Nelson Rodrigues transformou-se num gênio da lâmpada às avessas. Afinal, o time tem o Renato Augusto, o Alexandre Pato, o Luis Adriano, o Jô e outros menos votados. Como esta Seleção não atua bem? Só pode ser culpa do treinador. Discordo. Claro que o técnico tem sua parcela de culpa, mas como acredito que quem vence o jogo são os jogadores _ com a devida e necessária participação daqueles que muitos equivocadamente chamam de professores _ quem perde também são os jogadores _ com a devida e necessária participação daqueles que muitos equivocadamente chamam de professores. A Seleção está mal não apenas por culpa do rapaz que tem nome de dramaturgo e contribuiu para que o time seja um drama, o que dá certa proximidade com o nome que recebeu.
Mas até agora, eu não vi uma boa atuação dos citados no parágrafo anterior e a impressão é que eles, caso o Brasil não vá em frente, serão salvos. Este hábito mais prejudica do que ajuda. Dá ao jogador um conformismo inaceitável no nosso cotidiano. Entram em campo sabendo que serão exaltados nas vitórias e preservados na derrota.
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Moderno sem ser
Em tudo, o Alfio Basile lembra um sujeito dos anos 50 e com boa vontade da década seguinte também. A começar pelo cabelo _ parece que não gosta que o barbeiro faça o "pé" _ e os fios grisalhos estão sempre desgrudados da nuca. Passa também pela voz. Tem aquele timbre de cantor de tango, de argentino milongueiro e de vendedor de bilhete lotérico. No tempo que o prêmio da loteria dava para o sujeito comprar uma casa, trocar de carro e pedir um filé com fritas sem fazer cálculos.
Pois este Alfio Basile das antigas _ e quero dizer que gosto do estilo e do jeito de ser dele _ também é do tempo em que Dondon jogava no Andaraí quando fala de futebol. Desde que a Seleção Brasileira derrotou a mesma Argentina na final da Copa das Confederações em 2005, eu não vejo uma equipe nacional jogar tão bem como a Argentina no segundo tempo contra o Peru. Tive o privilégio de assistir das tribunas do estádio em Cabudero, distrito de Barquicimeto, na Venezuela, e fiquei encantado. Que jogo bonito de ser ver !
Na entrevista coletiva, entre uma e outra tirada bem-humorada, o Basile _ esta intimidade só existe no texto _ deu a pista sobre o seu olhar para o futebol. "O que fez a Argentina no segundo tempo é o que gosto de ver no futebol". Pronto. Foi o suficiente para que eu, fã confesso do toque de bola dos argentinos e do jeito de ser do povo, especialmente das mães da Praça de Mayo, fiquei ainda mais encantado.
Estamos passando por uma época _ talvez seja apenas na terra em que se planta tudo dá e depois todo mundo sabe o que acontece _ de discussões sobre feio e bonito no futebol. Acredito que a presença do Dunga e alguns comentários feitos por ele aumentem a discussão. Na Argentina, a discussão simplesmente não existe. O que importa é ver um time atuar bem e este comandado pelo Basile _ quanta intimidade! _ se encaixa no modelo.
A bola rola de pé em pé, todo mundo se movimenta, marca e joga futebol.
Estou ainda mais curioso para o jogo desta quarta entre a Argentina e o México principalmente por causa do adversário dos argentinos. Não pensem que jogam um futebol ruim. Longe disso. Tratam a bola com o carinho devido e se movimentam muito bem.
Acredito que será uma semifinal das mais disputadas e emocionantes. O Hugo Sanchez não é das antigas como o Basile, mas tem gosto pelo futebol bem jogado.
A conferir.
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VITÓRIA QUE ENCORPA
Ainda vai chegar o tempo, como cantava o Lulu Santos, em que entenderei certas coisas. Entra tantas e tontas, o fato de um time recuar sempre que está em vantagem é uma delas. Vou viver cem anos _ quanta mentira! _ e não vou saber as razões que levam uma equipe a renunciar ao ataque e ficar apenas defesa. Dizem que espera o ataque adversário para chegar no contra-ataque com rapidez. Aliás, o contrário não seria um contra-ataque.
Dizem também e fico impressionado como tem gente que fala, explica e esclarece, que é uma determinação dos técnicos. No vestiário, enquanto o sujeito toma água, o outro se refresca e tem um que fala no celular, este companheiro inseparável de todas as horas, o tecnico recomenda cuidados, suplica por cautela e a equpe volta para o segundo tempo com mais medo do que coragem. Esquece que foi a vontade, o apetite e a fome os responsáveis pela vantagem no placar.
Jejua no ataque, faz dieta na vontade e tome chute para o alto. Foi exatamente isso o que aconteceu com a Seleção Brasileira. Quando voltou para o segundo tempo, ela deixou o jogo no vestiário. Ficou guardado em alguns dos armários ou saiu com a troca de uniformes. Sofreu o empate e ganhou a vaga nos pênaltis, o que não deixa de ser importante para um equipe basicamente formada por jogadores que talvez não saibam da existência de um livro chamado "Batismo de Fogo", do Mario Vargas Llosa, mas sabem muito bem o que significa a expressão na pratica.
O Brasil desembarcou nesta Copa América desacreditado. Ninguém poderia imaginar quem um time sem Ronaldinho Gaúcho e Kaká poderia garantir assento na final. O fez com a precisão da maioria na cobrança dos penais e agora o olhar para os brasileiros é diferente. Basta circular pelo saguão do hotel em que se hospeda a delegação para sentir-se o quanto a visibilidade voltou a ser palavra associada ao futebol brasileiro.
Não tenho a menor idéia de quem o Dunga colocará no lugar do Gilberto Silva, mas não é escolha das mais fáceis. Apenas por um caminho pode ser considerada menos complicada. Colocar lado a lado o Josué e o Mineiro e escalar o Diego. Quem sabe o meia não justifica as defesas que muitos _ inclusive o degas aqui _ fazem do seu futebol.
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HORA DA VERDADE
A chegada da Seleção Brasileira na final da Copa América surpreende e não surpreende. É comentário que parece desprovido de sentido, mas tem todo quando se pensa o que muitos esperavam desta equipe e o que ela conseguiu. Avesso a comparações, eu não vou medir o atual grupo verde e amarelo pelo que disputou a última Copa América e venceu sob a direção do Carlos Alberto Parreira.
Fiquemos, pois, neste que é o da hora e o da vez. Tanto quanto evito as comparações, eu não acho justo ser definitivo sobre um jogador pelo o que ele fez em determinada partida. Vejam o caso do goleiro Doni. Ainda está sob observação. Lembro que no Brasil, ele tinha dois fiadores de peso: o Emerson Leão e o Vanderlei Luxemburgo. O primeiro ganha mais peso por ter sido um especialista na posição e um dos melhores que vi atuar no mundo.
Enquanto andou pelas terras brasileiras, o Doni sempre foi mais criticado do que elogiado. É uma pratica do nosso elenco. Com os goleiros então... Foi para a Itália e parece que a massa de lá é melhor. Virou um goleiro de nível, mas não o suficiente para que se aceite a idéia de que é goleiro da Seleção Brasileira. Creio que há outros na sua frente, mas a Copa Ámérica que realiza até agora não é ruim. Muito pelo contrário.
Já falhou e já se saiu bem. Fez algumas defesas mais espetaculares do que difíceis e estas são as que mais encantam o torcedores. Estamos sempre a confundir uma coisa com a outra. Não apenas no futebol. Mas não é apenas do Doni que quero falar. Esta Copa América reconheceu a firma e autenticou o talento de um zagueiro que dá um baita prazer em ver atuar. Desde o Aldair, a Seleção Brasileira não tinha alguém com o talento do Juan.
Jogador de fisíco médio, que intimida não pelo tríceps, mas pelo toque. Capaz de se antecipar com uma precisão impressionante. Há tempos que o observo com a atenção que o seu futebol merece. Não temos um elenco que cultue os zagueiros. Muito pelo contrário. Preferimos os armadores e os atacantes, mas o futebol que o Juan apresenta é coisa de Teatro Municpal, fraque e cartola ou a melhor roupa para encontrar a namorada e dar o primeiro beijo.
Vê-lo dá a certeza de que a Seleção Brasileira, apesar dos muitos problemas, tem uma solução. Ali atrás não é necessário mexer mais. Seja quem for o companheiro do Juan, a situação está resolvida. Neste domingo, ele terá uma linha de frente de dar dor de cabeça em quem faz retiro ou troca a vida da cidade pelo campo, mas nada parece abalá-lo.
ARGENTINA
Sempre gostei do toque de bola dos argentinos. Dá gosto ver como trocam passes e se movimentam pelo campo. Possuem o melhor toque de bola do mundo. E esta Seleção que decidirá o título com o Brasil é a mais completa tradução desta maneira de jogar. Fazem a bola circular com uma precisão impressionante. Primeiro o toque e depois o drible.
Não há como brigar com o favoritimos da Argentina. Está completa e o Alfio Basile não precisou encontrar o time dentro da Copa América. Já chegou na competição com ele pronto, o que é bem diferente da situação vivida pelo Dunga. Além disso, ele teve todos os jogadores à disposição. Mas clássicos como este da final são feitos de ingredientes que a gente não sabe quais e tampouco tem idéia. Pode dar Argentina, mas a vitória do Brasil será algo absolutamente normal.
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O TÉCNICO NOVO E O TÉCNICO ANTIGO
Entre as muitas críticas que ouço fazerem ao Dunga, a mais comum é a de que ele não tem experiência como treinador. Consta-se um fato, contra o qual não se pode brigar. Me causa estranheza os argumentos usados, em cima desta estréia, para contestar o seu trabalho aqui e ali. Não sabe mexer, demora a fazer uma substituição e orienta treinos improdutivos. Não entro neste caminho exatamente por entender que estas ponderações são feitas em relação aos veteranos do esporte. Já foram personagens dos mesmos argumentos o Muricy Ramalho, o Vanderlei Luxemburgo e o Abel Braga. Isso além de todos, em algum momento, terem sido acusados de retranqueiro. Todos com anos acumulados de expediente à beira do campo.
Não endosso estas críticas exatamente por entendê-las simplistas demais. Vejam o que aconteceu na final contra a Argentina, quando o sapeca iá-iá foi mais do que legítimo. O Elano, um jogador de meio de campo, se contundiu e entrou no seu lugar o Daniel Alves um.....lateral-direito. Tenho a convicção de que todos foram surpreendidos com a mexida feita pelo técnico. Deve ter sido chamado de "Professor Pardal" e qualificado de maneira pejorativa por muitos. Um técnico experiente não faria este tipo de substituição.
Pois a entrada do Daniel Alves _ e é bom parar com esta história de que técnico mexe mal ou mexe certo _ foi determinante para a vitória brasileira. Havia um buraco no lado esquerdo da defesa da Argentina e o Dunga não abriu mão de explorá-lo.
Não significa que ele é um estrategista e pode ser considerado um técnico mais do que renomado. Mostra apenas que é necessário ser um pouco mais ponderado e menos óbvio quando se olha para um profissional que engatinha na profissão. Não tenho a menor idéia do que o Dunga pretende fazer no futuro com a Seleção Brasileira, mas o time montado para a Copa América foi o time que se podia montar para a Copa América. Noves fora uma discordância aqui e otura ali, eu não vi nenhuma grande injustiça entre os não convocados.
Tenho certeza de que o Kaká, tal e qual o Lúcio, será titular do time de Dunga nas eliminatórias. Quanto ao Ronaldinho Gaúcho, que seria no meu, carrego dúvidas. E aí acredito que valeria o Dunga pensar sobre4 um determinado ponto: será qua não vale a pena ter uma conversa reservada com o RG. Hã tempos, eu tenho a imprtessão de que o RG precisa desta conversa. É rapaz introvertido e com enorme dificuldade para falar em público. Não encara o interlocutor de frente e se forem vários a situação fica ainda mais difícil.
Creio que, passado o teste da Copa América, o Dunga só deve pensar nas eliminatórias e para que o Brasil se saia bem será necessário combinar a montagem do time dentro do campo com as conversas fora dele.
EXPLICAÇÕES
A todos a quantas estas lerem, a explicação é necessária: o blogo não foi postado após a vitória do Brasil simplesmente pelo fato de que o blogueiro mais viajava do que teclava. Agora, instalado em casa, a regularidade serão tão intensa quanto o desejo de conversar com todos.
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O CAMINHO PELO ESPORTE
O Diogo Silva e a Bárbara Leôncio fazem parte de uma ampla faixa do elenco verde e amarelo que se acostumou a ouvir não. Desde os tempos de Xica da Silva tem um pessoal para quem tudo é negado. Educação, saúde, decência, respeito, dignidade e qualquer coisa que possa transformar alguém em cidadão. Não comem o pão que o diabo amassou, como dizem nas ruas, simplesmente pelo fato de não ter o pão.
É por esta razão que a presença do Diogo no andar mais alto do pódio _ é uma das poucas vezes que eles olham de cima _ emociona a quem sofre com a desigualdade brasileira. Vê-lo ali ouvindo o hino do país, sentindo orgulho por ter nascido onde nasceu, ignorando o secular descaso e mostrando que esta gente bronzeada tem seu valor entra para a galeria de imagens emocionantes destes Jogos Pan-Americanos. Não é tarefa de ninguém se dar ao trabalho de descobrir o que estava por trás daquela imagem e daquele atleta que pode muito bem ser parado na primeira esquina, numa madrugada com ruas desertas e frias, simplesmente por presunção da autoridade de plantão.
Deveríamos todos prestar atenção no olhar do Diogo e no que ele disse após a conquista da medalha de ouro. Não sei se mudaria o nosso jeito de ser, caracterizado por muita indignação e pouca ação, mas talvez nos fizesse refletir sobre o que temos e não aproveitamos. Sobre o que podemos e não fazemos. Estamos todos emocionados com a conquista, mas sempre fica a sensação de que, terminado o Pan, depressa cada um irá para o seu lado, pensando numa mulher ou num time.
Gostaria muito que fosse diferente. Sei que não acontecerá a curto prazo. Muito pelo contrário. Mas a medalha de ouro do Diogo Silva seria mais importante ainda se fosse o fio condutor de uma história com os mesmos personagens, mas diálogos, falas e desfechos diferentes.
Por falar em diferente, a história da Bárbara Leôncio é um outro bem acabado exemplo de como funciona a vida brasileira. Era apenas uma menina que não conhecia os Beatles e tampouco os Rolling Stones, quando começou no atletismo. A vida brasileira é tocada, especialmente para quem mora no subsolo, por heróis. Existe um cidadão que passa desapercebido pelas ruas, mas faz parte desta galeria. Chama-se Paulo Servo é professor da rede pública e tem alma de missionário. Sem a ajuda de ninguém, a não ser do seu coração e dos seus sentimentos, ele criou um projeto. Deste esforço individual, oxigenado pela perseverança e por um olhar que os condutores de carros com vidros escuros, moradores de prédios gradeados e amantes do bom conchavo não conseguem ter, saiu a Bárbara Leôncio. Era miúda quando começou e no domingo ganhou os 200m no Campeonato Mundial de Menores.
Ensina o professor Paulo aos insensíveis que se pode, através do esporte, fazer muitas coisas. Nada é difícil numa terra com tantas ofertas como essa. Basta querer e vontade não precisa de licitação. O Brasil tem tudo para nestes Jogos mostrar o seu valor. O mais importante é que o Diogo, no Pan-Americano, e a Bárbara, numa competição de menores, trilham os caminhos das saídas. Basta olhar para eles com o carinho, a atenção e o interesse que merecem.
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LIÇÕES DO ESPORTE
Antes que um apressado de plantão começe a crucificar estas meninas, o aviso é mais do que necessário: não devemos criticar esta Seleção feminina de vôlei por conta de outros modelos e conceitos que dão certo. A derrota de ontem aconteceu pelo fato de o Brasil enfrentar uma seleção que tem jogo para encarar qualquer um pela frente. Que não desembarcou na final por acaso e leva o ouro para a Ilha por ter apresentado um jogo mais consistente e regular.
Neste momento em que todos se deixam dominar pela emoção, pitadas de razão são mais do que necessárias. Através desta porção será possível entender e aceitar a idéia de que a derrota não representa o fim do mundo e nem a condenação deste grupo a masmorra. Muito pelo contrário. A Seleção Brasileira feminina de vôlei tem um elenco de primeira e, por favor, não busquem no mais do que clichê linguajar do futebol explicações para a derrota do Brasil.
É bom deixar bem claro que as mulheres do vôlei não amarelaram; não foram incompetentes e tampouco jogam apenas quando a partida não tem tanta importância ou o adversário é muito fraco. É bom deixar claro também que o estilo de trabalhar do Zé Roberto e o estilo de trabalhar do Zé Roberto rpecisa ser respeitado. Não existe um modelo único de trabalhar e, mesmo o vitorioso, não significa que precisa ser aplicado em todas as modalidades.
Lembro que entre as muitas crítcas que Carlos Alberto Parreira recebeu logo depois do naufrágio verde e amarelo na Copa do Mundo, a mais constante foi sobre falta de comando do técnico. Pediam alguém de pulso forte e o Dunga entrou em campo. Agora dizem que ele é autoritário e mal-humorado. Temo que aconteça o mesmo com o Zé Roberto, embora o vôlei não seja o futebol.
Acreditava na vitória da Seleção Brasileira não por considerá-la absurdamente superior a Seleção de Cubam, mas pelo fato de que é uma seleção de primeira. Perdeu num erro aqui e outro ali. Acontece. É do esporte. Pode ser levado em consideração o fato de que algumas destas jogadoras certamente devem ter pensado naquela partida de três anos atrás. E aí vai um pouco de culpa do nosso elenco pelo fato de as mulheres do vôlei carregarem até hoje este peso.
Deram aquele jogo a mesma dimensão que a derrota na final da Copa de 50, em pleno Maracanã, ganhou. Fica difícil livrar-se deste peso, quando em cada esquina, em cada boteco, vestiário ou agência de banco a lembrança do que aconteceu em Atenas torna-se constante. Evidente que a volta no tempo sempre se manifesta na hora decisiva e isso precisa ser tratado. Mas não é para colocar estas mulheres num canto escuro da história destes Jogos Pan-Americanos. Merecem o lugar mais claro, iluminado pelo sol que anda de preguiça no balneário e ainda não comprou ingresso para as muitas competições.
Na cerimônia de premiação, o rosto inchado das brasileiras foi comovente. Tão comovente quanto o ar de felicidade das cubanas. Há tempos _ na verdade, eu creio que jamais tive _ não tenho olhar de condenação, êta palavra feia!, para os perdedores. Tem sempre uma história por trás daquela derrota, daquela decepção. Muitas vezes, a maior dificuldade é contá-la. Como acontece com as mulheres do vôlei feminino; A competição terminou com um gosto amargo, mas voltar no tempo e tentar entender o que aconteceu será importante paa o futuro.
Falei sobre a emoção de ver as cubanas no pódio e explico: não é fácil vencer diante de um ginásio lotado e diante de uma Seleção que merece respeito. Foi o caso da vitória obtida pelas cubanas. A medalha de ouro teve um sabor ainda mais especial exatamente por isso. As cubanas conquistaram uma medalha de ouro em cima de uma equipe que soube valorizar o tempo inteiro o resultado.
Não é hora, nem hoje e nem amanhã, de se cruficar as mulhers do vôlei. Agradeço pelo que fizeram e pela certeza de que carrego: ainda farão muito mais.
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O EFEITO DO PAN
Fosse sociólogo e o Pan-Americano seria um campo fértil para escrever uma tese sobre o comportamento de fatia robusta do elenco verde e amarelo. Há tempos _ desde os anos sessenta para ser preciso e exato _ que o Brasil não sedia uma competição deste porte. Não cabe nem comparação com o Brasil daquele Pan realizado em São Paulo ou com a Copa do Mundo, que motivou a construção do Maracanã, cinquenta e sete anos atrás.
Existe a tendência de se voltar no tempo e sempre dizer que a época passada foi melhor do que a presente. Talvez seja uma fala exclusivamente brasileira, mas sempre me incomodei com a frase "era feliz e não sabia". Somos felizes em qualquer época, desde que trabalhemos para isso. Pouco importa a mazela da vez _ seja do ar ou da terra _, pois o mais importante é o espírito com que se encara qualquer situação.
Vejam o caso do torcedor brasileiro nestes Jogos Pan-Americanos. Sete dias após o início da competição, o que se vê é um desfile de comentaristas das mais variadas modalidades esportivas. De uma hora para outra, o brasileiro entende de judô, natação, ginástica artística e pólo aquático. Não deixa de ser animador observar a alegria e o interesse com que o elenco se relaciona com estes esportes.
Comportamentos como o do torcedor nas arquibancadas, seja de parque aquático, ginásio ou dojô, mostram que existe um espaço nesta alma tão generosa quanto conflituada para o esporte. Ainda faltam alguns dias, decepções e alegrias para o encerramento do Pan-Americano. Mas está cada vez mais claro o gosto verde e amarelo pelo esporte e pelos vencedores.
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DUAS ELIMINAÇÕES E O MESMO SENTIMENTO
A Seleção Brasileira de futebol, formada por adolescentes com idade até 17 anos, foi eliminada agora pelo Equador. Em pleno Maracanã lotado, num sábado de almanaque, sem nenhuma nuvem no céu e com o carioca adorando andar pelas ruas, os meninos de verde e amarelo deram adeus a um sonho que eles e alguns outros alimentaram: o de disputarem uma medalha olímpica.
Não sei por qual motivo, mas ao ver a eliminação da Seleção Brasileria Sub-17, eu me lembrei da Sub-20. Vi alguns traçõs semelhantes entre a frustração deste sábado e o que aconteceu no Canadá, semana passada. Pode ser uma viagem da minha cabeça, mas o resultado ruim naquele Mundial e o de agora mostram que alguma coisa acontece nos corações e nas mentes dessa rapaziada que se transformará em personagem do futebol nos próximos anos.
Falo primeiro da Sub-20. Terra formada por elenco que cultiva com apreço o exagero, a Seleção Brasileira do pessoal que já pode votar, mostrou que estava no Canadá mais preocupada em obter o sucesso individual. Parecia difícil pensar e agir de outra forma. Claro que o cinturão que envolve estes jogadores contribui para atitudes que desprezam o coletivo _ ambora o futebol seja um jogo essencialmente de conjunto.
Acredito que antes de entrar em campo, os rapazes que estavam no Canadá ouviam as promessas e sabiam dos planos dos seus empresários. Todos mirabolantes e que dependiam de um gol ou de uma jogada de efeito. Deu no que deu.
Na eliminação de ontem, o coletivo também ficou em segundo plano. A impressão era de que todo mundo só conseguia falar na primeira pessoa do singular. Quando se age desta forma, o resultado favorável vira uma miragem. Algo inatingível. Está mais do que na hora de quem de direito pensar sobre o que acontece com esta moçada.
Não se deve crucificar esta geração por ter tomado quatro gols do Equador em pleno Maracanã, mas se deve pensar sobre a maneira que estamos olhando os jogadores do futuro. Todos nós. Há um exagero em relação aos que já são titulares dos seus times _ o Alexandre Pato é apenas um jogador promissor _ e também aos que aparecem, caso do Lulinha.
Me preocupa ler e ouvir sentenças sobre o Pato e outros da sua turma e também o entusiasmo com o Lulinha e muitos outros que ainda não votam para presidente e nem carteira (ou seria carta?) de motorista possuem. Calma, minha gente.
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