EXEMPLO A SER SEGUIDOA melhor definição sobre como foi a atuação do Grêmio e a implacável vitória sobre o Santos veio do técnico Vanderlei Luxemburgo. Usou até uma palavra pouco comum no vocabulário do futebol _ gentileza _ para explicar o que foi aquele desempenho. Até o primeiro gol, o Santos ainda demonstrava estar no jogo, embora tenha criado apenas uma oportunidade.
E a solitária chance evindenciava, já naquele instante, que a marcação do Grêmio praticamente sufocava o Santos. Há tempos, eu não via um time ser tão aplicado quanto criativo. O discurso da maioria dos técnicos é de que um time precisa ocupar os espaços; não permitir o toque de bola rápido do adversário e ter consistência no ataque.
É muito difícil constatar, observar, ver e sentir o que tantos teorizam. A maioria gostaria de fazer, mas por uma série de problemas não consegue colocar em pratica.
Ao assistir o Grêmio, eu voltei muito no tempo _ precisamente aos anos 80 _ e lembrei de um jogo em que o Fluminense, treinado por Carlos Alberto Parreira, venceu o Corinthians no Campeonatio Brasileiro. Foi a mais completa demonstração de como se pode marcar e atacar.
A caixinha de clichês do futebol _ utilizada pelos da bola e pelos da mídia _ é acionada em determinadas situações. Os dois a zero que o Grêmio fez no primeiro tempo de ontem serviram para abrir a caixinha e concluir o seguinte: no segundo tempo, o time vai recuar. E para desespero do respeitável público, o Grêmio não recuou. Manteve o comportamento do primeiro tempo e não pensem que isso se deve apenas ao técnico. Vai muito mais além. Passa pela certeza que os jogadores carregam de que o time tem condições de fazer mais do que pode imaginar a vã filosofia da bola.
Seria um exagero dizer que o confronto permanece equilibrado como antes de a bola rolar. Evidente que o Grêmio está muito mais próximo da final, o que não significa _ atenção maus intérpretes de idéias alheias! _ que já é um dos finalistas.
Do outro lado, o Santos precisará descobrir como fugir da marcação gremista. Não cabe colocar o Grêmio na coluna dois de clichê, que usa palavras como apatia para justificar derrotas. Sabiamente, o Vanderlei Luxemburgo fez questão de afirmar que o seu time não foi apático. Ponto para ele.
Só que o Mano Menezes não se deixa levar pelo que será dito do Grêmio nos próximos dias. Muito pelo contrário. Quanto mais falarem e elogiarem, o semblante tranquilo e tom de voz pausado do Mano se manterá. Ao contrário do time.
GOSTO NÃO SE DISCUTENo meu álbum de figurinhas, o Mário Sérgio era carimbado. Depois, o conheci na cobertura de clubes e o respeito pelo sujeito só aumentou. Nunca foi de fugir de pergunta e, ainda bem, tem muitos defeitos. Há uma mania de achar que o ídolo ou o grande jogador não tem pecados. Errado.
O técnico Mário Sérgio é rotulado por alguns e contestado por outros. Me parece que há exageros de ambos os lados. Vejo-o como uma das pessoas que mais bem enxergam futebol e basta olhar o comportamento das equipes que dirige.
Cá entre nós, o resultado _ para quem tem visto o Figueirense atuar e conhece o trabalho do MS _ até que não surpreende.
O Fluminense bem que tentou, mas não conseguiu. A idéia de que camisa ganha jogo foi sepultada há tempos. A decisão continua em aberto, mas não pense o tricolor que basta jogar bem para ter o título. O sujeito de rosto afinado, que esconde a careca sob um permanente boné e enxerga o jogo de óculos sabe das coisas. Gostem ou não.
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