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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
SEM LIMITE
O que o Grêmio fez no Estádio Olímpico não surpreendeu a quem acompanha o time gaúcho. Está mais do que na hora de pararmos esta busca pela grande equipe do futebol brasileiro e entender que o bom time em atividade aqui na terra das palmeiras não terá craques, mostrará deficiências e muitas vezes será irregular. Mas o que coloca Grêmio num lugar entre os melhores é a certeza de que o time jamais perderá sem luta e procurará compensar as deficiências com dedicação.
O mesmo raciocínio se aplica ao Santos. Talvez o difira dos demais o fato de ter o melhor jogador em atividade no futebol brasileiro, o meia Zé Roberto. Com talento suficiente para desequilibrar uma partida _ fato raro aqui _, o Santos insiste em quebrar a banca de quem o deprecia. Tal pensamento se aplica também ao Grêmio.
Como é impossível precisar a melhor equipe e tampouco prever o que ela fará ao longo da temporada, Santos e Grêmio _ adversários nas semifinais da Libertadores _ se destacam um pouco mais pelo fato de responderem favoravelmente nos momentos mais importantes.
Na noite de quarta-feira, o Grêmio jogou 45 minutos de um time que sabe o tamanho do obstáculo que precisa superar. Foi implacável com o adversário e compensou naturais deficiências com a aplicação que sempre é necessária e a certeza de que poderia conseguir a vaga.
O Santos não foi muito diferente na Vila Belmiro. O tempo em que esteve atrás no placar e depois igualou o marcador, o time passou a certeza de que iria conseguir a vaga. Deu no que deu. O clássico desta semifinal da Libertadores é apenas o melhor exemplo de como anda o futebol brasileiro. Na ausência de craques é possível formar bons times com um jogo coletivo e determinado.
ERRO
Os equívocos cometidos por Ana Paula de Oliveira em nada a descredenciam como uma das melhores assistentes de arbitragem do país. Valeria a pena que pensasse sobre as causas que determinaram o erro e, certamente, cresceria muito mais.
Noves fora os gols anulados, o Botafogo precisa descartar a idéia de que as frustrações recentes aconteceram única e exclusivamente por erros da arbitragem. Deve pensar que o time é forte, competente e capaz de chegar às finais. Precisa é descobrir onde é necessário fazer ajustes internos. Não falo mais da preparação dos goleiros e tampouco da imprecisão na hora de definir _ que não se manifestou no jogo com o Figueirense. Falo da descoberta e correção de alguns pontos, que certamente desembocarão num time ainda melhor.
É bom que ninguém perca de vista o seguinte: o título é sempre consequência do trabalho.
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O QUE ESPERAR
Há uma discusssão em cima do que fazer quando o seu time está bem em duas competições. O Renato Gaúcho, técnico do Fluminense, já decidiu que enquanto não terminar a Copa do Brasil, o tricolor só entrará em campo com a equipe reserva. Entende que é mais do que importante para deixar o time em condições de brigar pelo título.
Na semana passada, após a derrota para o Defensor, o Mano Menezes escalou os titulares para enfrentarem o Fluminense. Três dias depois, em jogo típicamente gremista, o time foi lá e mandou o Defensor de volta para casa sem a vaga.
O futebol está cheio de teorias e receitas. Há em demasia. Por mais que se perceba o quanto as receitas e teorias não se encaixam em muitas situações, o sujeito continua a teorizar e a receitar. O que funciona para o Fluminense não funciona para o Grêmio e isso não tem explicação.
Se o Fluminense conquistar a Copa do Brasil, o fato de o Renato Gaúcho ter optado pela preservação de alguns titulares poderá ter contribuído, mas não terá sido determinante. E esta é uma palavra pouco usada, mas de valor fundamental dentro do esporte. Não existe nada determinante e tudo é determinante.
É apenas mais uma das idéias prontas que o futebol, apesar das afirmações em contrário, não consegue mudar o rumo da prosa.
RODADA A RODADA
Não tenho a menor vocação para fazer previsões. É impressionante como fico incomodado com a possibilidade de dizer o que vai acontecer em um jogo. Não vejo o futebol como ciência exata e este olhar só aumenta a dificuldade para dizer que isso vai acontecer no jogo tal e aquilo vai acontecer na partida a ou b.
Olho para esta terceira rodada do Campeonato Brasileiro e fico perdido. Não tenho a menor idéia do que pode acontecer no jogo Corinthians x Atlético Mineiro. Aplaudo a volta do Paulo Cesar Carpegiani ao futebol exatamente por considerá-lo um técnico com inquietude necessária para se destacar na profissão. Enquanto este tocando outras atividades _ algumas relacionadas com o próprio futebol _, ele fez falta. Desembarcou no Corinthians sob o olhar de suspeição da maioria.
Foi rotulado como "inventor" _ maldade tipicamente brasileira _ e terá que levar a fama, injusta é bom que se escreva, pelo resto da vida. Com menos tempo de carreira, o Zetti é olhado de outra forma. Creio que se precipitou ao trocar o Paraná pelo Atlético Mineiro e isso não tem nada a ver com qualidade dos dois times.
Pelo que se pode observar do Paraná, a paciência _ em função da torcida e paixão que desperta _ será sempre muito maior do que no Atlético Mineiro. Na seleta relação de torcidas apaixonadas, capazes de superar qualquer intempérie para ver o seu time atuar, a do Atlético Mineiro pode ser relacionada.
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A RECONSTRUÇÃO DO SÃO PAULO
O clássico disputado no Morumbi mostrou que o trabalho de reconstrução do São Paulo será mais longo do que o Muricy Ramalho poderia imaginar. Há tempos, eu não assistia a 45 minutos tão ruim de dois times de ponta do futebol brasileiro. O que São Paulo e Palmeiras não fizeram no primeiro tempo é para ser observado e merece reflexão profunda.
Na comparação entre o elenco que o São Paulo formou para esta temporada e o definido pelo Palmeiras, o time treinado por MR leva vantagem. Tem mais opções e um grupo que está há mais tempo junto. Mas nada disso fez a diferença no jogo de ontem.
Desde a derrota do São Paulo para o Náutico (1 a 0, no último domingo) que o São Paulo me passa a imrpessão de que sofre com a ausência absoluta de criatividade no seu meio de campo. No esquema montado pelo Muricy, o Hugo e o Jorge Vágner têm esta atribuição, mas os dois está muito abaixo do que se espera de um jogador que atua no setor mais importante de qualquer time de futebol.
Do lado do Palmeiras, o jogo é todo concentrado no Valdívia e no Edmundo. Na fria tarde paulistana, os dois fizeram muito pouco. Edmundo, que foi substituído por Cristiano no segundo tempo, ainda contou com a tolerância do Sálvio Fagundes, que poderia, no mínimo, tê-lo advertido com o cartão amarelo _ em razão de uma entrada mais do que violenta no Miranda, logo no início do jogo.
Após um primeiro tempo para esquecer, os dois times ainda buscaram alguma coisa no segundo tempo, mas nada que empolgasse. Muito pelo contrário. Saíram de campo com um ponto na tabela e deixaram a impressão de que muita coisa, especialmente no lado do São Paulo, predcisará ser feita. Do contrário......
EXEMPLO DE ARBITRAGEM
Não sei se o Domingos de Jesus Viana apita sempre daquele jeito, mas o desempenho que teve ontem, no jogo entre Náutico x Vasco da Gama, foi acima da média. Parabéns a quem se preocupou em coibir o jogo violento e não quis acomodar ou levar a partida até o fim sem sobressaltos.
Mais uma vez, o Náutico mostrou que no Estádio dos Aflitos será sempre um adversário perigoso. Já o Vasco _ com 10 a um minuto do primeiro tempor por conta da acertada expulsão de Júlio Santos _ soube administrar a diferença númerica, especialmente pela boa atuação de Morais.
Não se pode considerar que um empate nos Aflitos seja um resultado ruim. Todos os times que enfrentarem o Náutico terão dificuldade para conseguir três pontos.
Após mostrar força em casa, o Sport já acumula duas derrotas fora do seu campo. Primeiro foi o Vasco _ no jogo do milésimo gol do Romário e agora o Grêmio. Reparem que, mesmo com a Libertadores no foco, o Grêmio já acumula seis pontos.
E o Santos finalmente reagiu no Campeonato Brasileiro. Exatamente fora de casa e contra um adversário que todos consideravam o mais perigoso dos três primeiros.
QUEDA PREOCUPANTE
Pelo que vi do Internacional diante dos reservas _ reservas!! - do Fluminense é bom as providências começarem a ser tomadas. Foi um time apático, disperso e sem rumo dentro do campo. Que assistiu o Fluminense atuar. E poderia, caso o advdersário tivesse forçado mais o ritmo, ter perdido de mais.
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A RECONSTRUÇÃO DO SÃO PAULO
O clássico disputado no Morumbi mostrou que o trabalho de reconstrução do São Paulo será mais longo do que o Muricy Ramalho poderia imaginar. Há tempos, eu não assistia a 45 minutos tão ruim de dois times de ponta do futebol brasileiro. O que São Paulo e Palmeiras não fizeram no primeiro tempo é para ser observado e merece reflexão profunda.
Na comparação entre o elenco que o São Paulo formou para esta temporada e o definido pelo Palmeiras, o time treinado por MR leva vantagem. Tem mais opções e um grupo que está há mais tempo junto. Mas nada disso fez a diferença no jogo de ontem.
Desde a derrota do São Paulo para o Náutico (1 a 0, no último domingo) que o São Paulo me passa a impressão de que sofre com a ausência absoluta de criatividade no seu meio de campo. No esquema montado pelo Muricy, o Hugo e o Jorge Vágner têm esta atribuição, mas os dois estão muito abaixo do que se espera de jogadores que atuam no setor mais importante de qualquer time de futebol.
Do lado do Palmeiras, o jogo é todo concentrado no Valdívia e no Edmundo. Na fria tarde paulistana, os dois fizeram muito pouco. Edmundo, que foi substituído por Cristiano no segundo tempo, ainda contou com a tolerância do Sálvio Spínola Fagundes, que poderia, no mínimo, tê-lo advertido com o cartão amarelo _ em razão de uma entrada mais do que violenta no Miranda, logo no início do jogo.
Após um primeiro tempo para esquecer, os dois times ainda buscaram alguma coisa no segundo tempo, mas nada que empolgasse. Muito pelo contrário. Saíram de campo com um ponto na tabela e deixaram a impressão de que muita coisa, especialmente no lado do São Paulo, predcisará ser feita. Do contrário......
EXEMPLO DE ARBITRAGEM
Não sei se o Domingos de Jesus Viana apita sempre daquele jeito, mas o desempenho que teve ontem, no jogo entre Náutico x Vasco da Gama, foi acima da média. Parabéns a quem se preocupou em coibir o jogo violento e não quis acomodar ou levar a partida até o fim sem sobressaltos.
Mais uma vez, o Náutico mostrou que no Estádio dos Aflitos será sempre um adversário perigoso. Já o Vasco _ com 10 a um minuto do primeiro tempor por conta da acertada expulsão de Júlio Santos _ soube administrar a diferença númerica, especialmente pela boa atuação de Morais.
Não se pode considerar que um empate nos Aflitos seja um resultado ruim. Todos os times que enfrentarem o Náutico terão dificuldade para conseguir três pontos.
Após mostrar força em casa, o Sport já acumula duas derrotas fora do seu campo. Primeiro foi o Vasco _ no jogo do milésimo gol do Romário e agora o Grêmio. Reparem que, mesmo com a Libertadores no foco, o Grêmio já acumula seis pontos.
E o Santos finalmente reagiu no Campeonato Brasileiro. Exatamente fora de casa e contra um adversário que todos consideravam o mais perigoso dos três primeiros.
QUEDA PREOCUPANTE
Pelo que vi do Internacional diante dos reservas _ reservas!! - do Fluminense é bom as providências começarem a ser tomadas. Foi um time apático, disperso e sem rumo dentro do campo. Que assistiu o Fluminense atuar. E poderia, caso o advdersário tivesse forçado mais o ritmo, ter perdido de mais.
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DISCUSSÃO REPETITIVA
Pode ser que tenha acordado com dores de humor _ desde que seja possível diagnosticar tais sintomas _, mas é um pouco cansativa a discussão em torno de alguns aspectos que envolvem o time do Santos. Volta e meia, o que mais ouço é uma longa explicação sobre a falta de centroavante do time; a fragilidade da equipe e tudo o mais que cerca os times instáveis.
Aí, eu olho para o que o Santos tem feito e constato dois títulos paulistas seguidos _ o chamado bicampeonato à moda antiga _ a classificação para a Libertadores no último Campeonato Brasileiro e o desembarque nas semifinais da mesma Libertadores, isso depois de ter se classificado em primeiro lugar na fase de grupos da mais importante competição do continente.
Diante de atuações e resultados tão favoráveis _ ou animadores _ fica difícil entender os motivos que causam tantas críticas, sempre as mesmas, ao time. Exceto pelo Cléber, o lateral, e pelo Zé Roberto, especialmente este, o Santos não tem tantos titulares assim superiores aos seus reservas. Faz a diferença o jeito que o Cleber tem de bater na bola e a visão de jogo do Zé Roberto. Nada mais. Por favor não pensem que esqueci do técnico. Mas é molhar o molhado desfilar em elogios em cima do Vanderlei Luxemburgo. Tipo: Vanderlei provou mais uma vez que é um bom técnico, o que costumo ler após um título conquistado por time treinado pelo VL.
Nesta quarta-feira, o futebol brasileiro tem tudo para assistir a um grande jogo exatamente por reunir de um lado o Santos, que insistem em desqualificar, e do outro o Grêmio, que insiste em quebrar a banca.
São, no momento, dois times encorpados e com determinação suficiente para realizarem uma grande partida. É o que me interessa. O resto é.......
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VOLTA MERECIDA
>Este retorno do Zé Roberto à Seleção Brasileira é mais do que merecido. Poucas vezes um repatriado deu tanto certo, como no caso do Zé Roberto. Não bastou ser o melhor jogador da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, posição que pode muito bem ser dividida com os zagueiros Juan e Lúcio. Ao retornar, o Zé Roberto mostrou que não trocou a Europa por São Paulo apenas para dar entrada nos papéis da aposentadoria.
Lembro que quando o Vanderlei Luxemburgo recomendou e justificou sua contratação muita gente duvidava do quanto o Zé Roberto poderia ser útil ao time. Foi e tem feito a diferença a favor do Santos _ não é por acaso o melhor jogador em atividade no Brasil.
No mais a convocação feita pelo Dunga, que carece de confirmação, contempla alguns jogadores com perfil de Jogos Olímpicos e outros que precisam ser observados. Vejam que há um time-base, mas é conveniente esperar.
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A BUSCA PELA COERÊNCIA
Não é discussão nova, mas sempre se manifesta quando sai uma convocação da Seleção Brasileira. Tem nome: coerência. Quando o Dunga divulga pela internet uma lista prévia de jogadores convocados para a Copa América abre o espaço para que a maioria dos nomes seja questionada. Eu tenho cá a minha relação e sei que é muito difícil aceitar a relação do outro, mesmo que seja a do técnico da Seleção Brasileira.
Ao olhar com a atenção devida os nomes relacionados pelo capitão da Seleção que conquistou o quarto título mundial, eu também empaco. Não consigo ver no goleiro Hélton qualidades para disputar uma Copa América; vejo o Edmilson em decadência profissional e tenho muitas dúvidas sobre a utilidade do Afonso, apesar de todos os gols marcados na Europa.
Mesmo com as minhas discordâncias e desconfianças, eu não vou me descabelar pelos convocados. Aliás, o meu cabelo é muito curto para tanto. O que me preocupa é o fato de ver que está cada vez mais difícil formar uma Seleção Brasileira com jogadores capazes de abafarem qualquer discussão _ seja à mesa de almoço do restaurante de engravatados; no boteco onde o pessoal come sardinha frita com conhaque ou no pátio do recreio. Se bem que neste último tenho minhas dúvidas se a garotada realmente discute sobre convocação de Seleção Brasileira.
Nem todo mundo se dá conta de que a Copa América é classificatória para a Copa das Confederações. O passaporte é apenas para o vencedor. Vejo que o grupo, noves fora uma discordância ou uma cara feia, não tem tanto calibre assim para garantir o título. A presença do Afonso, por exemplo, acontece muito mais por exclusão do que por qualidades técnicas. Dunga errou quando deu ares de soberba à explicação sobre a presença do Afonso entre os relacionados. Vendeu a idéia de que o atacante só foi convocado após observá-lo em alguns jogos, mas esqueceu de mencionar que tudo o que viu e as conclusões que tirou saíram de um DVD.
O país do futebol não tem um atacante em condições de substituir à altura o caminho aberto por Reinaldo, em 78; que já teve Careca, Serginho, Roberto Dinamite, Romário e Ronaldo. Não temos ninguém em condições de manter esta tradição, iniciada à época em que o regime político era o militar; não existia tevê por assinatura; telefone celular; internet e a palavra licitação não aparecia no noticiário.
Escrevia o falecido e saudoso Zózimo Barroso do Amaral, jornalista dos melhores, que era a grave a crise. Estamos a ver que no caso do camisa nove ela se acentuou de uns tempos para cá. Taí a explicação para a presença do Afonso.
ALTITUDE
A determinação da Fifa de acabar com jogos em cidades 2500m acima do nível do mar pode causar aqui e ali contestações, mas me parece adequada. Os relatos são impressionantes e a idéia é a da manutenção da qualidade do esporte.
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E COM O ÁRBITRO
Quem procura acha e o Edmundo tem um faro raro para encontrar. Depois de algum tempo no noticiário muito mais pela bola que, apesar dos anos, ainda joga, ele está nas manchetes, nas conversas nas paradas de ônibus _ vans também _ e nas repartições como o principal personagem de uma história nada edificante.
Não fosse o país da tolerância exagerada e o Edmundo receberia o cartão vermelho pela entrada desleal e incompatível com o seu comportamento recente no Miranda, zagueiro do São Paulo. Dentro da flexibilidade que rege o comportamento de quem arbitra, o Edmundo poderia ter levado um cartão amarelo. Não mataria a sede de quem entende o futebol como um jogo leal e preocupado apenas com técnica, mas reduziria a decepção diante de tamanha ignorância em relação a entrada tão violenta e descabida.
Pois o Edmundo foi para o centro do noticiário e o São Paulo pede a sua suspensão. Do jeito que andam os tempos, o mais provável é que o Edmundo seja punido. Saciará a ira de muitos e o personagem será sempre olhado pelo que já fez e muito menos pelo que faz ou tem feito atualmente, como não se envolver em pancadarias entre jogadores durante as partidas _ aconteceu no Palestra Itália ano passado, em jogo do Palmeiras pela Libertadores.
Noves fora o fato de achar que a punição para o Edmundo _ na medida em que existe jurisprudência _ é importante, eu me espanto com a preservação do comportamento adotado pelo árbititro Sálvio Spínola. Toda a repercussão do caso passa apenas pela tolerância de quem deveria, naquele instante, naquela momento, naquela hora, ter aplicado a..............lei.
Imagino que sua senhoria esteja a adorar apenas o envolvimento do Edmundo nesta história. Falam do atacante, relembram o desabonador histórico, exumam histórias passadas e preservam o árbitro. Tudo muito bem, tudo muito bom. Punam o Edmundo, afinal o jogo sujo _ pelo menos dentro do campo _ é condenado por muitos e merece todas as punições possíveis e imagináveis.
Mas àqueles que continuam a ler estas mal traçadas, eu convido para uma reflexão: se o árbitro não puniu _ tampouco o assistente, que estava de frente para o lance _ foi, isto é uma suposição, por não entender que o Edmundo não tinha a intenção de ser violento. Se ele entende que este tipo de jogada não é violenta, ao contrário da maioria, os jogadores que atuarem em partida arbitrada pelo SS podem se sentir liberados para soltar a chuteira.
A pior coisa que pode acontecer a alguém é construir uma fama. De brigão a covarde; de inteligente a burro; de preguiçoso a trabalhador; de criativo e embotado. Em algum momento, a conta desta fama será cobrada. Geralmente mais para o bem. O valente baniu a palavra soco do vocabulário, mas será sempre um valentão; o limitado pode descobrir vida em outra planeta, mas será sempre um burro; o cansado será o primeiro a chegar no trabalho, não folgar, mas haverá quem diga: "este não quer nada com a Hora do Brasil"; e o cara ganhará o Leão de Ouro no Festival de Cannes, mas alguém dirá que não passa de um obtuso.
Fama se constrói e dela ninguém consegue dela se desvencilhar. O Edmundo construiu a dele, que o acompanhará pelo resto da vida. Que o punam pela entrada no Miranda, mas, por favor, não esqueçam que ele só permaneceu em campo por causa da omissão do árbitro. O jogador recebe um gancho e depois volta. O árbitro estará aí, fazendo valer os conceitos que tem. Equivocados, mas que vigoram.
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EXEMPLO A SER SEGUIDO
A melhor definição sobre como foi a atuação do Grêmio e a implacável vitória sobre o Santos veio do técnico Vanderlei Luxemburgo. Usou até uma palavra pouco comum no vocabulário do futebol _ gentileza _ para explicar o que foi aquele desempenho. Até o primeiro gol, o Santos ainda demonstrava estar no jogo, embora tenha criado apenas uma oportunidade.
E a solitária chance evindenciava, já naquele instante, que a marcação do Grêmio praticamente sufocava o Santos. Há tempos, eu não via um time ser tão aplicado quanto criativo. O discurso da maioria dos técnicos é de que um time precisa ocupar os espaços; não permitir o toque de bola rápido do adversário e ter consistência no ataque.
É muito difícil constatar, observar, ver e sentir o que tantos teorizam. A maioria gostaria de fazer, mas por uma série de problemas não consegue colocar em pratica.
Ao assistir o Grêmio, eu voltei muito no tempo _ precisamente aos anos 80 _ e lembrei de um jogo em que o Fluminense, treinado por Carlos Alberto Parreira, venceu o Corinthians no Campeonatio Brasileiro. Foi a mais completa demonstração de como se pode marcar e atacar.
A caixinha de clichês do futebol _ utilizada pelos da bola e pelos da mídia _ é acionada em determinadas situações. Os dois a zero que o Grêmio fez no primeiro tempo de ontem serviram para abrir a caixinha e concluir o seguinte: no segundo tempo, o time vai recuar. E para desespero do respeitável público, o Grêmio não recuou. Manteve o comportamento do primeiro tempo e não pensem que isso se deve apenas ao técnico. Vai muito mais além. Passa pela certeza que os jogadores carregam de que o time tem condições de fazer mais do que pode imaginar a vã filosofia da bola.
Seria um exagero dizer que o confronto permanece equilibrado como antes de a bola rolar. Evidente que o Grêmio está muito mais próximo da final, o que não significa _ atenção maus intérpretes de idéias alheias! _ que já é um dos finalistas.
Do outro lado, o Santos precisará descobrir como fugir da marcação gremista. Não cabe colocar o Grêmio na coluna dois de clichê, que usa palavras como apatia para justificar derrotas. Sabiamente, o Vanderlei Luxemburgo fez questão de afirmar que o seu time não foi apático. Ponto para ele.
Só que o Mano Menezes não se deixa levar pelo que será dito do Grêmio nos próximos dias. Muito pelo contrário. Quanto mais falarem e elogiarem, o semblante tranquilo e tom de voz pausado do Mano se manterá. Ao contrário do time.
GOSTO NÃO SE DISCUTE
No meu álbum de figurinhas, o Mário Sérgio era carimbado. Depois, o conheci na cobertura de clubes e o respeito pelo sujeito só aumentou. Nunca foi de fugir de pergunta e, ainda bem, tem muitos defeitos. Há uma mania de achar que o ídolo ou o grande jogador não tem pecados. Errado.
O técnico Mário Sérgio é rotulado por alguns e contestado por outros. Me parece que há exageros de ambos os lados. Vejo-o como uma das pessoas que mais bem enxergam futebol e basta olhar o comportamento das equipes que dirige.
Cá entre nós, o resultado _ para quem tem visto o Figueirense atuar e conhece o trabalho do MS _ até que não surpreende.
O Fluminense bem que tentou, mas não conseguiu. A idéia de que camisa ganha jogo foi sepultada há tempos. A decisão continua em aberto, mas não pense o tricolor que basta jogar bem para ter o título. O sujeito de rosto afinado, que esconde a careca sob um permanente boné e enxerga o jogo de óculos sabe das coisas. Gostem ou não.
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A ESTRÉIA DO CRUZEIRO
Não sei se agora é para valer, mas pelo menos ontem, ao longo da maior parte dos 90 minutos, o Cruzeiro teve comportamento que ainda não apresentara neste Campeonato Brasileiro. Tivesse atuado assim nas três rodadas anteriores e talvez ocupasse posição melhor na tabela de classificação.
As explicações para a derrota do Palmeiras passarão muito pela ausência do Valdívia, mas não creio que tenha sido determinante. No primeiro tempo, a movimentação do Cruzeiro foi fundamental para que o time mineiro levasse sempre vantagem. E quando veio o segundo tempo, especialmente nos dez minutos iniciais, o Palmeiras criou algumas oportunidades, mas não soube aproveitá-las. Ao ver minada a sua capacidade de reação, o time ofereceu mais espaços para o adversário e foi a nocaute com o gol marcado por Roni, o terceiro da vitória. Aliás, o Roni que se viu ontem foi bem melhor do que o Roni que não conseguiu se firmar no Flamengo. Incrível como a mudança de camisa parece ter alterado o comportamento e a disposição do atacante.
Enquanto isso na Vila Belmiro, o Corinthians, após um bom primeiro tempo, foi imprensado pela equipe do Santos. E aí apareceu um dos mais promissores goleiros da nova geração do futebol brasileiro: Felipe. Ainda é jovem, tem muito o que aprender, mas está um passo à frente de outros companheiros de posição.
Fosse um goleiro com menos qualificação e o Santos, mesmo sem Zé Roberto e Kleber, poderia ter conseguido os três pontos. Voltou para a concentração com três pontos, enquanto os corintianos tiveram ontem a primeira demonstração de que o time sofrerá com as suas limitações.
Lamentável, especialmente pelo lado do Santos, a mania que alguns jogadores _ Marcos Aurélio e Morais _ têm de cair em qualquer lance disputado dentro da área. Tentaram várias vezes induzir o árbitro Wilson Seneme a marcação de um pênalti. Triste ver jogadores com futuro se perderem na busca por artimanhas que só os dimuni no esporte.
No sábado foi o Tuta e no domingo aconteceu com o Maldonado. Na fria tarde do Maracanã, o Grêmio saiu de campo com três a zero no placar e uma dúvida muito pior do que a derrota: a contusão do centroavante Tuta. Fisgada na coxa é sempre preocupante. Para não ficar atrás _ claro que sem intenção _, o Santos também corre o risco de não poder contar com o Maldonado. Ainda no primeiro tempo, ele franziu a testa e foi para o vestiário. Noves fora a sua liderança, o desfalque, caso se confirme, não é capaz de deixar mais grisalhos os cabelos do Vanderlei Luxemburgo.
Ficou comprovado o que já imaginava: será muito difícil derrotar o Náutico e o Sport em Recife. O Flamengo pode comprovar isso ontem. Foi apenas mais um na lista, que terá muitos representantes ilustres.
SELEÇÃO BRASILEIRA
O primeiro amistoso da Seleção Brasileira mostrou o quanto a temporada desgastou o Kaká. Nem de longe lembrou o jogador fulgurante do Milan. Ao mesmo tempo, o Diego que se viu estava bem acima do Diego de outras convocações. Somos apressados por natureza, principalmente quando aparece no futebol um jogador promissor. O Diego se encaixa perfeitamente nesta situação. Foi colocado em um posto para o qual não estava preparado e pagou uma conta bem alta por isso.]
Terminado o ano sábatico no futebol português, o Diego voltou à tona no futebol da Alemanha. O país do bratwurts e da cerveja recuperou o Diego e o fez mostrar o que não apresentara na terra do vinho e dos pescados. Melhor para o futebol brasileiro.
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A MESMA CONVERSA
Não é uma boa impressão e temo que se transformará em constatação brevemente. O Campeonato Brasileiro teve apenas quatro rodadas disputadas e após o encerramento de cada uma tem sempre alguém falando da arbitragem, fazendo insinuações e vendendo a idéia de que é uma vítima. Ontem foi o Paraná, amanhã será um outro clube e por aí vai.
Entendo a revolta de quem três pontos ou apenas um escorrerem pelo ralo por conta de um equívoco cometido pelo árbitro ou por seus assistentes. Não contesto as argumentações do Paraná _ no meu modo de ver foi pênalti no Aloísio e o gol do Paraná foi mal anulado _, mas entendo que ficará insuportável ouvir, até o primeiro domingo de dezembro, alguém fazendo insinuações sobre a intenção da arbitragem.
Evidente que aqueles senhores que numa época só se vestiam de preto erram e erram muito. Erram por incompetência, por soberba, por não terem critério e por olharem o peso e a cor da camisa do time que está em campo. Mas o assunto é tratado atualmente como se fosse uma novidade. Não é. Desde que o futebol é futebol, os árbitros e os bandeiras erram. Agora têm a monitorá-los as câmeras e algumas falhas ficam mais evidentes do que as cometidas no passado.
Nos anos sessenta, o Wilton, ponta-direita do Fluminense, ajeitou a bola com a mão e fez o gol da vitória do tricolor sobre o Flamengo. Lembro que só havia uma imagem do lance. O erro, inexplicável pois foi diante do bandeira, não rendeu uma semana de conversa e nem insinuações sobre a intenção daquele trio que durante uma época só se vestia de preto.
Tenho certeza de que hoje o tratamento seria diferente. Sinal dos tempos. Em todos os sentidos.
Por falar em arbitragem e consequentemente em falta de critério, o Alício Pena Júnior deu uma mancada no gol marcado pelo Abedi, do Vasco da Gama, contra o Fluminense. A comemoração não foi exagerada _ no máximo caricata _ e o motivo mais do que nobre: o Abedi tem um filho com leucemia e ao marcar o gol simplesmente comemorou-o imitando as brincadeiras que faz com o menino que não pode andar. Fica o Abedi com o cartõa amarelo na conta e fica o Alício Pena Júnior com uma interessante reflexão para fazer.
DISTINÇÃO
Na Vila Belmiro havia um time predominantemente com reservas e outro formado por jogadores aplicados em busca de reconhecimento e fortuna. Correram uma barbaridade e fizeram um dos jogos mais disputados da rodada. Santos e Corinthians, apesar do 1 a 1, lutaram pela vitória o tempo inteiro. Superaram as limitações e deixaram satisfeitos quem foi ao estádio ou quem acompanhou diante da televisão.
No Maracan havia um tima predominantemente com reservas e outro formado por jogadores aplicados em busca de reconhecimento e fortuna. Erraram uma barbaridade e fizeram um dos piores jogos da rodada. Fluminense e Vasco da Gama, apesar do 1 a 1, poderiam ter saído de campo com menos um a menos no placar. Não conseguiram superar suas limitações e só deixaram satisfeitos aqueles torcedores que se recusam a enxergar a realidade.
Sei lá eu o que provocou tanta diferente entre dois jogos disputados por times com situações muito parecidade. Gostaria de ter uma explicação, mas não tenho.
DESINTERESSE
Leio que o amistoso da Seleção Brasileira conra a Turquia, nesta terça-feira em Dortmund, não desperta muito interesse entre os torcedores locais. Também é outra coisa para a qual não tenho explicação. Talvez a rapaziada _ não a que entrará em campo _ esteja meio enfadada de futebol ou talvez o pessoal só pense mesmo em Copa do Mundo. Espero que o Dunga utilize com mais tempo jogadores como o Afonso e o Jô. Vê-los não será suficiente para saber se têm ou não condições de servirem à Seleção, mas será mais compreensível do que deixá-los no banco.
Escrito em às
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MUITO TRABALHO A FAZER
Acabou-se o que era doce. Após o encerramento do insosso amistoso da Seleção Brasileira com a Seleção da Turquia, a lua-de-mel do técnico Dunga com a opinião pública chegou ao fim. Não pensem que estou aqui a pregar a intolerância com o trabalho de Dunga ou posições radicais sobre tudo o que ele fizer.
O que acontece _ e a história da Seleção Brasileira ensina isso em vários fascículos _ é que de agora até o fim da Copa América o trabalho de Dunga será observado de outra forma. Desde o dia em que assumiu no lugar do enfadado Carlos Alberto Parreira, Dunga conta com a tolerância e compreensão. Nada mais justo para quem desembarcava num cargo que causa mais transtornos à vida pessoal do sujeito do que ser ministro ou político.
Foi por conta desta tolerância que Dunga pode convocar e desconvocar à vontade. Teve tranquilidade para chamar desconhecidos e jogadores que, em outras situações, seria execrados. Com o encerramento deste ciclo, o técnico precisará ter paciência com as críticas. Virão de todas as direções. Muitas justas e outras injustas, mas não deixarão de acontecer.
Quando a Seleção Brasileria se apresentar na Granja Comary, na próxima terça-feira, Dunga começará a trilhar um caminho que conhece apenas como jogador. Um jogador que adicionou ao determinismo apresentado em campo uma expressiva dose de liderança. O sincero Romário, em recente participação no Bem, Amigos do SporTV, não teve o menor constrangimento em reconhecer que a presença de Dunga foi determinante para a conquista do quarto título mundial.
Uma coisa é ser jogador e outra ser técnico. Tanto quanto entrar em um consultório como médico e sentar no sofá como paciente. Dunga precisará ter a calma de Parreira para suportar o que não gosta. Entre os muitos atributos, o maior do técnico que o antecedeu foi exatamente esse. Valeria muito a pena um telefonema para o atual técnico da Seleção da África do Sul. O que vem pela frente é espinhoso e nem todos estão preparados para aguentar.
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NOVOS TEMPOS
Dizem que os tempos mudaram. Nada contra. Trocaram a carta pelo e-mail; o namoro pelo ficar e ética ganhou tantos significados que não vale a pena recorrer ao Aurélio ou ao Houaiss para saber exatamente o que representam. A vida segue e quem fica parado corre o risco de ser atropelado pela ampulheta _ o que é isso? _ do tempo.
Enquanto escrevo assisto no SporTV a entrevista coletiva do Zé Roberto, o melhor jogador em atividade no país, que anuncia sua saída do Santos e divulga o pedido de dispensa da Seleção Brasileira. É uma pena que o Zé Roberto vá trocar o clube da Vila Belmiro pelo Aeroporto de Guarulhos e que novamente deixará esta terra do elenco que se mobiliza para colocar o Cristo Redentor entre as novas maravilhas do mundo e segue dócil a fila do embarque para um vôo que não sai no horário.
Mas não pode ser considerada uma surpresa esta saída. Tampouco pode ser considerada surpresa o pedido de dispensa do Zé Roberto da Seleção Brasileira. Na Copa do Mundo, após a eliminação do Brasil, o Zé Roberto foi um dos que mais acusaram o golpe da eliminação. Não quero dizer que os outros sentiram, mas com o Zé foi diferente. Já no Mundial da Alemanha, ele era diferente e desta forma reagiu ao fiasco da turma que o Parreira não conseguiu comandar.
Eis que é chamado novamente para a Seleção Brasileira. Só que desta vez para substituir o Ronaldinho Gaúcho ou o Kaká. Ou os dois. Enquanto estes aceitavam os critérios do Dunga, o Zé Roberto ficava meio à margem. Não é de hoje que se destaca na Seleção Brasileira, mas é de hoje que não aceita mais a idéia de ser um coadjuvante ou uma alternativa.
Por educado, o Zé Roberto não vai explicitar os motivos que o levaram a desistir da Seleção Brasileira. Mas entendo que ele se ficou incomodado com a convocação após tantas decepções em listas divulgadas anteriormente. Pior para a Seleção Brasileira. Assim como Kaká e Ronaldinho Gaúcho, o Zé Roberto não tem substituto.
AULA DE PARCERIA
Tão brasileiros quanto qualquer outro brasileiro, os gaúchos têm ministrado aulas de como torcer nos últimos tempos. Nada mais emocionante do que ver uma partida do Internacional ou do Grêmio. Ao contrário de alguns, eles não param de incentivar a equipe e demonstram uma tolerância com o jogador médio _ até mesmo o ruim _ inimaginável em outros estádios.
Não estou a pregar o torcedor acrítico. Muito pelo contrário. Que seja cada vez mais crítico, mas não confunda ser crítico com mau-humor ou ranzizice.
O que a torcida do Internacional fez na noite de quinta-feira pode servir de lição para outras tantas torcidas. Mau-humorados e doentes do fígado pregam que o título da Copa Sul-Americana é menor. Não é não !. Título ruim é o protestado. Na fria _ gélida _ noite de Porto Alegre, com transmissão pela tevê, a torcida do Inter não quis saber. Foi ao estádio e fez o seu papel.
Seria muito bom _ e aqui vai um sonho _ que torcedores de outros times refletissem sobre o comportamento adotado pela torcida colorada. Virou parceira de uma equipe com vários jogadores limitados, mas jamais deixará de ser crítica. O mesmo se aplica ao pessoal do Grêmio. Entre proferir o orgulho de torcer por aquelas cores e o insano mau-humor, a opção é sempre pela primeira.
É assim que se chega aonde quer.
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MANIA DE PERSEGUIR
O único compromisso do torcedor é com o resultado. E só. Como ama o clube acima de todas as coisas, ele oscila de comportamento e muda de humor a cada drible ou chute. Diante de 35 mil pessoas _ sete mil não pagaram ingresso, o que é inacreditável _, o Fluminense despachou o Sport na hora e no instante em que quis. E a torcida passou boa parte do primeiro tempo pegando no pé do Alex Dias.
Era uma manifestação dominada pelo exagero e pela paixão que rege o comportamento de quem é capaz de perder a voz cantando o hino do clube ou gritando aquelas frases chavões. Por mais que esteja bem distante daquele Alex Dias do Vasco da Gama _ isso foi dois anos atrás _ e ainda próximo do Alex Dias do São Paulo _ na última temporada _, ele é um dos melhores atacantes que o time possui. Não é muito animador para quem vai disputar a Libertadores, mas não dá para ficar indiferente ou ignorar o fato de que sem o Alex Dias o ataque do Fluminense, débil na maioria das vezes, fica ainda mais fragilizado.
Venceu com a categoria de um justo campeão e deixou comprovado, especialmente para o Renato Gaúcho, que a presença do Alex Dias, apesar de todas as imprecisões, é mais importante do que a de outros atacante.
Outro time que também venceu com categoria foi o Figueirense. Comemoro quando vejo a caixinha de explicações do futebol _ utilizada pelos catedráticos a todo momento _ se espatifar no gramado, mesmo que seja o castigado do Maracanã; o escorregadio do Palestra Itália ou o irregular do Machadão.
Quem imaginava que o Figueirense seria um time desorientado por conta da derrota para o Fluminense, exatamente numa final de competição, quebrou a cara. O que se viu foi aquele time arrumado, qual peça bem ensaiada, com todos os jogadores sabendo exatamente o que fazer. Não é brilhante e tampouco tem alguém capaz de desequilibrar. Mas o jogo coletivo é muito bem realizado e ontem mais uma vez comprovou o quanto este jogo organizado e coletivo tem importância.
Do lado do Flamengo, a certeza de que o atacante Souza tem vocação para vítima; que o goleiro Bruno não passa por boa fase e que o Renato faz uma baita falta ao time. Impressionante como o Flamengo se desmantela sem o seu apoiador. E olhem que não é nenhum craque de bola. Apenas se movimenta, aparece para as jogadas e chuta muito bem. São atributos, especialmente no futebol jogado nesta terra, fundamentais para que alguém se destaque.
VIRADA
Com uma virada mais do que esperada, o Corinthians chegou aos 11 pontos e mostrou que não desiste, mesmo quando o jogo não flui da maneira desejada. Foi o que aconteceu em Natal. O primeiro tempo mostrou um time preso, incapaz de criar e sem rumo. Veio o segundo e com a disposição dos que sabem das suas limitações o Corinthians virou o jogo e só aumentou a certeza de que o América precisa melhorar muito para não cair.
Enquanto o Botafogo tem atacantes, o Palmeiras padece com a falta deles. Há quem dê expediente lá na frente, mas a limitação impede aos voluntariosos do ataque que sejam mais eficientes. Evidente que Júlio César _ pode ser menos espalhafatoso e olhar com mais atenção seus erros _ trabalhou mais do que Diego Cavalieri. Mas a última grande oportunidade do jogo não foi aproveitada por Dodô.
E já que uso a palavra oportunidade, o Romário, diante de um Grêmio desfigurado, não desperdiçou as que teve. Encontrei um vascaíno na manhã deste domingo que foi a São Januário e mostrava-se encantado com a performance do atacante. Esse Romário ainda é capaz de fazer o torcedor sorrir.
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O LEGADO DE UM GRANDE JOGADOR
A saída do Zé Roberto do futebol brasileiro abre a vaga e cria a corrida para o posto de melhor jogador em atividade no país do samba, da cerveja e da mulata. Neste tempo em que realizou apresentações pelos campos _ uns tapetes persas e outros asfaltos de cidade grande _ da terra das palmeiras, o Zé Roberto mostrou o quanto é importante jogar em pé e jamais desistir da jogada, enquanto for possível.
Não vi em nenhuma das partidas do Zé Roberto nesta nova passagem pelo futebol brasileiro, ele simular uma falta ou ser receptivo ao primeiro encontrão do adversário. Vejo alguns jogadores com boas possibilidades de ocupar um lugar de destaque dentro do Campeonato Brasileiro, mas que enveredaram pelo perigoso caminho da interpretação. Entram na área e pensam logo em como sofrer a falta. Sequer pensam na possibilidade de arriscar a jogada. Querem é sofrer a falta e se livrar da responsabilidade.
Sugiro que vejam os jogos do Zé Roberto. Aposto que aprenderão muito mais do que pensam e serão muito mais úteis do que imaginam.
Por falar em sugestão aqui vai outra: prestem atenção na maneira como o Alexandre Pato bate na bola. Quem viu o gol que ele marcou contra o Santos sabe do que estou falando. Tem muita gente boa a pregar a convocação do Alexandre Pato para a Seleção principal. Pessoal de escol e que merece ser ouvido com toda a atenção. Faço parte da ala dos conservadores _ eles são mais modernos e ousados _ e entendo que o AP ainda precisa de um pouco mais de rodagem. Mesmo assim, eu não posso negar que este rapaz vai longe.
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MODOS DIFERENTES
A volta do Grêmio à Série A do Campeonato Brasileiro rendeu um documentário emocionante. Não sei o que pensa a turma que se identifica com o clube, mas tenho a impressão de que hoje vale estudar o desempenho do Mano Menezes e seus Blue Caps com mais atenção. Nestes momentos que antecem ao primeiro jogo da final da Libertadores, o que mais se fala é sobre os feitos recentes do Grêmio. Na manhã desta terça-feira, por exemplo, o Milton Jung, da Rádio CBN, gremista de quatro costados, criou uma metáfora interessante. "O Grêmio está há algum tempo disputando final de Libertadores. Toda hora tem uma".
Estou com o Milton e não abro. Desde aquele jogo lá no estádio profeticamente batizado de Aflitos que o Grêmio está sempre com um rascunho de Libertadores pelo meio do caminho. Como a letra do hino diz que até a pé o torcedor irá onde o Grêmio estiver, a impressão que tenho é que neste caminho o obstáculo se esfarela ou simplesmente desaparece.
É por esta razão que o fato de o time jogar na mítica Bombonera em nada mudará o jeito de ser de cada um dos jogadores. Não creio que nenhum dos vestidos de camisa azul e preta pisará o gramado com temores ou inseguro quanto ao que poderá apresentar. Talvez esteja aí um ponto que pode ser considerado marcante para que um time se saia bem no campo do adversário e, especialmente, quando este campo é na Argentina. O Grêmio perdeu o medo e não sofre com aqueles suores e tremores que caracterizam os amedrontados.
E TOME DISCUSSÃO
O Robinho vem e o Robinho não vem. Isso é incerto. Quem não veio, pelo menos na parte da manhã, foi o Dunga, a mais ilustre vítima dos problemas meteorológicos e aéreos deste país em que se plantando tudo, mas tudo mesmo, dá.
Fico impressionado como certos assuntos chegam a determinados pontos. Este episódio do Robinho me parece exemplar. Sou um defensor do diálogo e tento até o fim mantê-lo. Talvez tenha a ver um pouco com o físico de faquir e altura de jóquei que me impedem de ter arroubos de valentia. Além disso, a asma na infância empurrava para os livros e reflexão.
É uma história em que todos têm argumentos concretos, mas que não precisava chegar a este ponto caso tivessem procurado o entendimento antes. Não tenho intimidade suficiente com o Dunga para saber se é homem afeito ao diálogo ou não, mas fatos recentes me induzem a pensar que o exercício em busca da conciliação parece cada vez mais distante.
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O MARISCO
Há um ditado, que sempre rende um mote para um pagode animado, que lembra o seguinte: na briga do rochedo contra o mar quem se dá mal é o marisco. Pois o habilidoso Robinmho já deve ter recebido muitos apelidos nesta vida, mas jamais o de marisco.
Foi o que ele virou nos últimos dias. Enquanto Real Madri e CBF se debatem, o jogador é quem mais sofre. Temos um típica situação em que se constata o quanto o jogador de futebol tem pouco poder sobre a sua vontade. Até agora, o único a quem nada perguntaram foi o Robinho. Consultaram daqui, mandaram fax para ali, mas ninguém perguntou o que o Robinho gostaria de fazer.
Acredito que ele pretendia servir aos dois com o mesmo empenho. Após um longo tempo de oscilação, o Robinho começou a ter mais regularidade com a camisa do Real, o que significa atuar bem. Foram meses de espera por aquele jogador que se apresentou ao Planeta Bola na temporada de 2002. Não sei se as convocações para a Seleção Brasileira contribuíram para a subida de produção do Robinho, ao contrário do que pensa o Dunga.
Acredito que o Robinho passou a se concentrar mais e isso vem com o amadurecimento. O que faltou neste episódio, pelo menos por parte do Real, foi atentar para o fato de que o time poderia desembarcar na última rodada do Campeonato Espanhol brigando pelo título. Tivessem se dado conta da situação e nada disso teria acontecido.
Agora, o Robinho sofre com as incertezas nesta briga de gigantes. É o marisco.
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A DIFERENÇA QUE O TALENTO FAZ
Não fosse pelo Riquelme e a situação do Grêmio não seria tão dramática, o que não é uma novidade em se tratando do tricolor gaúcho. O jogador que não sorri, mas vibra com uma paixão impressionante foi determinante para que o Boca Juniors, em noite não tão inspirada assim, conseguisse uma vitória que deixa até o mais confiante dos gremistas com a pulga atrás da orelha.
Cito o Riquelme por motivo bem simples: por mais que um time tenha um jogo coletivo, taticamente seja bem ensaiado e formado por jogadores que desempenham seus papéis com rendimento acima do razoável, o grande jogador é quem faz a diferença. Há quem pegue no pé do Riquelme, menos que pegaram no pé do Alex, atualmente no Fenerbache, e talvez por este motivo ele tenha até desistido da Seleção.
Fico impressionado com a implicância e perseguição que os míopes devotam aos grandes jogadores. Pegam no pé do Riquelme, são intolerantes com os seus erros e demonstram mais complacência com os botinudos. O Riquelme se despediu do Boca Juniors em grande estilo e volta para a Europa, deixando o futebol no continente mais pobre.
Poucos devem ter atentado, mas em menos de sete dias, a América do Sul viu e ouviu o adeus de dois dos seus maiores jogadores: Zé Roberto e Riquelme. É um duro golpe para quem admira o jogo bem jogado e deve dar uma baita prazer em quem acredita que futebol é igual a Fórmula 1: só vale carrinho.
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CONCEITO EQUIVOCADO
Aqui e ali ouvi que o Vasco da Gama não jogou absolutamente nada. Discordo veementemente. Por um desses clichês que frequentam a mídia nos piores e melhores dias, a interpretação de um jogo passa sempre pelo fato de que um adversário só venceu pelo simples fato de o outro não ter jogado absolutamente nada.
Aconteceu duas semanas atrás com o Grêmio, quando aniquilou o Santos no Estádio Olímpico. Exaltaram a atuação do time treinado por Mano Menezes, mas sempre falavam que o Santos não jogou nada. Prefiro olhar de outra forma. Naquele jogo, o Santos tentou atuar e não conseguiu, graças ao excelente desempenho do Grêmio.
O mesmo se passou na noite de quinta-feira no Maracanã. Não vi apatia, desinterese ou conformismo nos jogadores do Vasco da Gama. Eles bem que tentaram, mas esbarraram num Botafogo compacto, equlibrado e capaz de, em dois toques, chegar na área advesária. Bem que o Vasco da Gama tentou, o que significa que buscou o jogo, mas não conseguiu.
O futebol é apenas uma metáfora da sociedade. O que acontece no campo é apenas uma repetição do cotidiano. Pois ha algum tempo pegamos a mania de só conseguir elogiar através da depreciação. Evito este caminho. A vitória do Botafogo, um legítimo sapeca iá-ia, ganha ainda mais valor pelo simples fato de que o Vasco da Gama tentou e não conseguiu.
OLHAR BRASILEIRO
Durante uma semana, o mundo do futebol discutiu sobre quem tinha razão no episódio da convocação do Robinho. Em nenhum momento, a lei foi lembrada. Era como se não existisse. Assim como no dia a dia, o elenco verde e amarelo a inorava com a solenidade com que estaciona em local proibido, fura fila e ganha espaço nos matutinos e ocupa as calçadas com mesas para chopes e petiscos.
Há tempos que a relação do elenco _ parte dele, para não ser injusto _ é conturbada. Exemplos de descumprimento não nos faltam. Quando o Real Madri divulga uma nota em que pede compreensão à CBF, reconhecendo estar erra, o RM está apenas se vergando ao que diz a lei.
Foi sensata a CBF ao liberar o Robinho e o Real Madri sabe que pedir favor é contrair dívida sem valor definido. Mas o melhor foi constatar o quanto ignoramos o que diz a lei.
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LIÇÃO NA DERROTA
Entre as muitas lições que mais uma vitória do Boca Juniors sobre clube brasileiro a que me mais me chama a atenção é de como é importante, noves fora todos os contornos da sua equipe, ter alguém capaz de desequilibrar uma partida. O triste Riquelme, jogador de sorriso contido, e talento expandido, fez a diferença nos 180 minutos de confronto.
Podem surgir várias teorias para explicar o brilho do Riquelme e há uma corrente, com gente respeitável, que falará sobre a liberdade que o sujeito teve para transitar entre o Rio Guaíba e o Rio da Prata. Como não sou amante de muitas teorias para o futebol, a explicação para mim é mais óbvia. O cara é bom e pronto.
Não sei o que o Riquelme pretende da vida, mas sei que ele será sempre um desfalque para a Seleção da Argentina. A miopia que tomou conta do futebol mundial _ o grau já foi mais alto e agora diminui _ tem sempre um olhar de soslaio para o futebol do Riquelme. Quanta tolice! Às vezes fico com a impressão de que perdemos o gosto pelo bom jogador. Basta olhar como alguns bons jogadores são tratados por parte das torcidas dos clubes em que atuam. Dizem que alguns argentinos também são assim com o Riquelme.
Foi uma pena ver a equipe do Grêmio, caracterizada pela luta e incansável apetite pela vitória, perder a Libertadores. Mas nestes momentos em que nada é capaz de consolar, a única certeza que fica é a de que o Grêmio perdeu para um time que tem um maestro sem fraque e batuta, mas que, com os pés, rege a orquestra do Boca.
SELEÇÃO BRASILEIRA
Acabo de desembarcar em Puerto La Cruz e vou acompanhar nos próximos dias a Seleção Brasileira. Após viajar uma noite inteira, o time treina no fim da tarde desta quinta-feira. Pelo que mostrou nos últimos treinamentos, o Dunga parece ter concluído que a melhor dupla de defesa será formada por Juan e Alex e que Vagner Love tem condições de começar como titular. Creio que será mais fácil não mexer na defesa e que haverá modificações no ataque.
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NUMERAÇÃO DEFINIDA
A Seleção Brasileira já definiu a numeração dos jogadores para a Copa América. A camisa 10 coube ao Diego. Que responsabilidade! Creio que não poderia haver número melhor para um jogador que passa por fase tão especial. O Diego entra nesta competição com um desafio muito comum aos tempos e para jogadores com o seu talento: provar que é jogador de Seleção.
É comentário tão antigo quanto procurar o significado das palavras no dicionário ou escrever uma carta para a mulher amada. Mas continua atual, diferentemente dos outros hábitos. Assim que foi apresentado ao respeitável público, o Diego induziu o mais cético ao entusiasmo e o fez crer que ali nascia um craque. Ainda não aconteceu.
Entre as muitas voltas que o mundo dá, fora as que não contabilizamos, o Diego tem histórias inexplicáveis. O fato de não ter se saído bem em Portugal é um delas. Quem conhece o país e convive com os portugueses não conseguirá formular teoria ou explicação para o mau desempenho dele no Porto. Tudo na terrinha é bom. Do vocabulário ao paladar; do jeito de ser dos lusitanos a paisagem. E o Diego não se deu bem.
Foi preciso trocar de país e hábitos _ e como! _ para que o Diego se reencontrasse com o Diego do Santos. Só que mais amadurecido e mais responsável dentro do campo. Recebe a camisa 10 no momento mais favorável da carreira. Cabe a ele dizer que a boa fase alemã não é passageira, mas permanente.
DIÁRIO DA COPA
Em vários momentos, a cidade de Puerto La Cruz lembra algumas cidades brasileiras. Nada mais natural e comum. Há pobreza, casas suntuosas, caos no trânsito e o eterno desrespeito que caracteriza os motoristas do continente. O esquema de segurança que envolve a Seleção Brasileira chama a atenção e passa a impressão que o Brasil é um país em conflito com outras nações. Mas é compreensível que isso aconteça.
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