SporTV
Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
O ELENCO SURPREENDE
Veio da arquibancada, no momento em que o São Paulo sofria com a goleada e via se materializar o adeus às finais do Campeonato Estadual, o exemplo de como o torcedor, geralmente descontrolado pela paixão, pode olhar mais para a frente e ser solidário com o seu time. Não sei quem foi o autor da idéia _ teria o maior prazer em conhecer estes personagens tão criativos _, mas ela foi muito melhor do que a atuação do time.
Em segundos, a arquibancada, molhada de suro e chuva, deprimida com a eliminação, ferida em seus sentimentos por ver o sonho se vestir de pesadelo, começou a gritar o nome dos jogadores, depois o do técnico e, finalmente, o do time. Espetáculo raro, comportamento mais do que bissexto de uma turma que muitas vezes se deixa levar pelo ódio e confude paixão com explícito exercício de violência.
Acredito que o comportamento daquele elenco que bolou o programa de sábado com uma festa no Morumbi, apenas para começar, surpreendeu os jogadores. Quem poderia esperar numa derrota para um time teoricamente mais fraco comportamento tão equilibrado.
Acometido por um surto de utopia, eu penso que seria muito bom se o comportamento adotado pela torcida do São Paulo numa derrota como a de sábado fosse algo que os outros levassem em consideração.
CUIDADOS
A previsão para o primeiro clássico entre Botafogo x Flamengo é de 60 mil pessoas no Maracanã. Está aí uma ótima oportunidade para todos os envolvidos com o espetáculo. Não me refiro apenas aos dirigentes dos clubes. O poder público tem que se fazer presente na organização do trânsito, na observação dos transportes à disposição e na saída e chegada dos torcedores. É asim que se trabalha em um grande evento.
Escrito em às
Comentários:
MUITA CURIOSIDADE
Estou curioso para saber como se comportará o Corinthians nesta primeira partida com Paulo César Carpegiani à beira do campo. Não é possível fazer qualquer tipo de observação mais aprogundada, mas o desempenho da equipe dará sinais do que pretende o novo técnico da equipe. Elenco limitado e dividido por questões políticas, o Corinthians fica a léguas de distância de uma vida tranquila ou de um ambiente sem tensão.
Nada que vá assustar ao PCG . Está há tempo suficiente no futebol para não se abalar com estes contratempos e tampouco ambientes dominados pela intriga, fofoca e disse me disse. O amigo de hoje é o inimigo do amanhã e o parceiro de agora trama contra você pelos corredores do parque São Jorge.
Creio que o PCG sabe de todas estas coisas e não se deixará abalar por elas. Pelo que vi no primeiro jogo do Corinthians com o Náutico, o time de Pernambuco não será adversário tão complicado na noite desta quinta-feira.
NÃO ESTÁ MORTO QUEM....
Poderia ter sido de mais e não foi apenas por causa de um erro do árbitro e, sim, muito mais pela imprecisão, tantas explicações existem para o fato que não convém enumerá-las, de quem chutou contra o gol do Cerro Portenho. O Grêmio está na próxima fase da Libertadores e a tormenta pode ter se encerrado. Nesta outra fase da competição, o Grêmio terá o reforço do Amoroso e não pensem que será o Amoroso do Corinthians. Creio que o atacante, íntimo do refinamento e vocacionado para jogar para a frente, será muito importante nesta nova etapa.
O mais importante o Grêmio conseguiu: mostrar que muitas vezes determionados chavões podem ser jogados no lixo.
Escrito em às
Comentários:
O ANIVERSARIANTE
Esta semana, precisamente na quarta-feira, o Cruyff fez 60 anos. Quem o viu jogar como eu guarda as melhores lembranças. Tinha inteligência e estilo, duas coisas que combinadas tornam qualquer personagem fascinante. Pois o Cruyff fazia parte deste seleto grupo. Era capaz de cobrir o lateral e, em instantes, surgir diante do zagueiro adversário.
Nos últimos dias, a Seleção da Holanda da Copa de 74 tem sido muito lembrada. Com todas as comparações e ressalvas necessárias, mesmo assim insuficientes, associaram o jogo apresentado pelo Botafogo ao Carrossel Holandês. Não caio nesta e entendo que a associação não procede.
Mas a Seleção da Holanda, derrotada na final daquele Mundial da Alemanha e quatro anos depois na Argentina, tem um lugar especial no meu sentimento pelo futebol. Foi a segunda Copa do Mudo a que assisti com olhos e atenção suficientes para lembrar até hoje. A primeira foi a de 70, no México, quando o Brasil conquistou o tricampeonato e até hoje é a melhor seleção que vi atuar.
Naquele time que roubou de um fantástico filme do Stanley Kubrick o título para a sua equipe de futebol, o Cruyff era o maestro. Homem de fino trato com a bola e talvez o jogador mais moderno que vi atuar. Por mais que os esquemas sejam mirabolantes e a preparação física apurada, eu ainda não vi entrar em campo um jogador com a clarividência do Cruyff. Muito pelo contrário. O Cruyff ensinou ao mundo que é possível ser tático e criativo, obediente e rebelde, solidário e individualista. É muita coisa para um jogador só. Ainda não empregam o termo no futebol, mas o Cruyff foi o primeiro jogador polivalente.
RESPEITO
Não dá para ignorar a campanha do Atlético Paranaense nesta Copa do Brasil. Especializa-se em fazer apenas um gol fora de casa, quando do primeiro jogo, e depois decide o rumo da prosa no segundo confronto. Classificações com as obtidas diante do Vitória e, posteriormente, contra o Atlético Goianiense apenas mostram que é time para ser respeitado.
Que o elenco do Fluminense tem boas opções ninguém pode duvidar. Carece de um centroavante e de um goleiro _ mal que acomete os outros clubes do Rio de Janeiro, exceto o Flamengo. Mesmo com estas deficiências _ a do goleiro é preocupante _ dá para o Renato Gaúcho montar um bom time, mas é necessário que o Fluminense tenha algo que os monges adoram: paciência. Não parece ser palavra do agrado da maioria que dá expediente no clube.
Escrito em às
Comentários:
O FUTURO É DUVIDOSO
Quem torce pelo Corinthians deve estar tão preocupado quanto o sujeito que vai disputar uma das muitas finais de campeonato neste fim de semana. O desempenho da equipe na derrota para o Náutico não foi nada animador. Deu a impressão de que o futuro no Campeonato Brasileiro é para correr riscos. Graves riscos.
O que mais me chamou a atenção foi a incapacidade da equipe para pressionar o Náutico. Não dá para dizer que a vitória do time treinado pelo Paulo César Gusmão foi épica ou que os jogadores protagonizaram uma versão paulista da Batalha dos Aflitos II. Em nenhum momento, a vitória do Náutico esteve ameaçada. A primeira partida (2 a 2) foi muito mais tensa. Talvez seja este o ponto que tenha deixado o Paulo Cesar Carpegiani encafifado. Em noventa minutos de expediente à beira do campo, ele percebeu o quanto será difícil, acidentado e longo o caminho para transformar aquele grupo em time.
Noves fora os erros e fragilidades do Corinthians, o importante é também ressaltar o desempenho do Náutico. Há uma tendência em sempre concentrar o olhar no clube mais badalado. Penso de forma diferente. O Náutico marcou o Corinthians em seu próprio campo e poucos são as equipes, mesmo as fora do Brasil, que resistem aos efeitos de uma marcação que encurta o espaço na saída de bola e induz o adversário ao erro.
Não sei se o Náutico atuará sempre da mesma forma, mas faz-se necessário observar que a vitória obtida no Pacaembu foi apenas consequência da aplicação e arrumação dos seus jogadores. Podem ver de forma diferente, mas o futebol por cá jogado está cada vez mais assim.
CONFRONTO E HISTÓRIA
Este São Paulo x Grêmio da próxima quarta-feira tem tudo para se transformar num dos grandes jogos desta temporada. Já aconteceram outros e as possibilidades de termos mais um na lista são boas. Vejo, leio e ouço muitas críticas ao São Paulo. Algumas procedem e outras estão diretamente associadas a pressa que rege o modo de pensar e agir nos dias atuais.
Há jogadores que caíram de produção, casos de Sousa e Leandro, mas a capacidade para reagir do São Paulo não pode ser desprezada. Ainda mais agora que terá o reforço do Dagoberto. Tenho pelo futebol deste jogador apreço especial. Vi-o numa Copa São Paulo de Futebol Júnior e fiquei impressionado com a movimentação. É do tipo que toca e aparece para receber. Não fica na sombra torcendo para a jogada dar certo. Está sem o ritmo necessário para impor o seu estilo _ baseado na velocidade _, mas quem sabe não esquece.
Discípulo do ditado "não tá morto quem peleia", o Grêmio não se cansa de mostrar o quanto tem forças para se superar. E agora ele tem o Amoroso. Não é jogador para se desprezar e ainda tem o pefil que se encaixa em decisões como a de quarta-feira.
O vencedor do confronto ganhará muito mais corpo para seguir em frente na Libertadores.
Escrito em às
Comentários:
FESTA ANTECIPADA
O Atlético Mineiro terá que ser muito dispersivo para jogar no lixo o título de campeão mineiro. O sapeca iá-iá sobre o Cruzeiro deixa o time com as duas mãos na taça e a volta olímpica, caso não faça nenhuma bobagem, tem data e hora para começar _ domingo, a partir das 18 horas. É interessante observar a ressurreição do Atlético Mineiro, especialmente após um começo irregular dentro da competição.
Aos poucos, o time reagiu e se encontrou exatamente em um clássico contra o Cruzeiro. Naquela vitória de 3 a 1, ainda na fase de classificação, o time encontrou o rumo e nunca mais saiu do trilho. Enquanto isso o Cruzeiro parece confuso e desinteressado. A saída do Paulo Autuori não tem apenas a ver com a derrota para o Atlético Mineiro. Educado por formação, elegante por opção, o Paulo Autori não quis abrir o verbo mas quem o conhece sabe que o pedido de demissão foi provocado por questões que o próprio técnico imagina serem difíceis de solucionar.
Tão ruim quanto a saída do Paulo Autuori foi a performance do goleiro Fábio. Não apenas pelos quatro gols que levou, mas por conta também do exercício de soberba. O gol que sofreu de costas para o lance é patético. Inadmissível que um profissional com passagem até pela Seleção Brasileira tenha tanta empáfia como no gol que levou.
MÁ PREPARAÇÃO
Há tempos que os goleiros do Botafogo padecem com a má preparação. Apresentam os mesmos problemas _ saem mal do gol, têm dificuldades para colocar a bola em jogo e são inseguros _ e o resultado mais evidente apareceu no clássico diante do Flamengo. Podem me prender, podem me bater, mas eu não mudo de opinião: a reação do Flamengo aconteceu muito mais por conta da expulsão do goleiro Júlio César, que no lance do pênalti misturou ingenuidade com má preparação, do que pelo recuo botafoguense. A ingenuidade fica no fato de não pensar que a falta era a pior opção no momento; e a deficiência aparece na maneira com que o JC foi na jogada. Em nenhum momento, ele pensou em defender a bola. O empate _ percebam que o Flamengo sempre com um a mais desde os 11 minutos do segundo tempo não teve tantas oportunidades assim _ deixou a decisão em aberto para a próxima semana.
O grande problema do Botafogo é que não contará com o Júlio César, o menos ruim dos três goleiros que o Botafogo tem. O reserva, Max, é personagem sem alma para ser goleiro. Primeiro por ter o hábito de buscar a bola no fundo do gol sem o menor constrangimento; segundo por jogar calado _ goleiro e vendedor que não falam morrem de fome _ e terceiro por estar absolutamente sem confiança. Como não há tempo para treiná-lo, o melhor é dar confiança.
Pelo lado do Flamengo está mais do que na hora de o Ney Franco repensar a sua escalação. Tenho a tese de que o esquema bom é o que dá certo. Para que isso aconteça, os jogadores precisam estar bem preparados. A entrada do Clayton não é favorável para o Flamengo. Jogador pouco produtivo, incapaz de organizar e frágil na marcação. Existe a possibilidade de formar um meio de campo melhor.
O SANTO DA VEZ
O Santos complicou o que parecia fácil e o São Caetano facilitou o que parecia difícil. Dois a zero mais do que justos deixam o time em posição mais favorável, mas não autorizam a jogar sem a aplicãção que apresentou nos últimos jogos. A combinação entre o que o técnico pretende e os jogadores podem fazer tem apresentado resultados. Enquanto o casamento estiver na lua-de-mel as possibilidades de o São Caetano ser campeão são cada vez mais fortes. E não deixará de ser curioso ver um time da Série B campeão paulista.
Escrito em às
Comentários:
EMPATE NA CONTA
O Santos não tem do que lamentar do empate (2 a 2) diante do Caracas. Poderia até ter vencido o jogo, mas as circunstâncias trabalharam contra a equipe treinada pelo Vanderlei Luxemburgo. Com um minuto, o time perdeu o lateral-direito Dênis e no fim da etapa inicial, o Antônio Carlos seguiu o mesmo caminho. Ambos com contusão no joelho.
A saída do Dênis levou o VL a fazer uma improvisação: colocou o jovem Dionísio, volante de ofício, na posição. Mas o Santos esteve sempre na frente do plancar e o entusiasmo foi determinante para a reação do Caracas. A dois minutos do fim, o time local conseguiu o empate, mas não creio que na Vila Belmiro o Santos terá sobressaltos. Não pode e o VL não deixará acontecer subestimar o adversário ou crer que é confronto decidido.
Precisa apostar no seu futebol. Fazer valer o jogo e o caminho para a próxima fase estará assegurado.
Por falar em caminho, o Milan, quer dizer o Kaká, deu uma bela lição ao mundo da bola. E esta lição passou pela figura do Kaká. O meia que começou no São Paulo sobra na turma. Apresenta futebol refinado e de fino trato. Foi o condutor do Milan nesta classificação que muitos consideram surpreendente.
Gosto daquele estilo de atuar do Manchester United, horror de muita gente boa da bola, e não sou adepto da postura do Milan. Mas o grande jogador sempre faz a diferença e esta classificação à final passa pela figura do Kaká. Não fosse ele e o Milan não teria obtido a vaga.
Escrito em às
Comentários:
O FUTURO EM DOIS
Não tenho a menor idéia se o Dagoberto e o Nilmar se conhecem. Fazem parte da mesma geração, praticam o mesmo esporte, são depositário do sonho de muita gente e ganham o pão deles de cada dia às custas do talento natural. Aquele que não se aprende na escola e tampouco dá para comprar vaga nas melhores faculdades do ramo.
Pois ao ver o Dagoberto em ação, desta vez com a camisa do São Paulo, diante do Grêmio, eu fiquei a pensar o quanto ele e o Nilmar, será um estranho para o Dagoberto?, ainda podem conseguir no futebol brasileiro. Estão unidos pelo talento e fora dos campos fazem parte de uma geração que estranha certas palavras e metódos. Pronucie a palavra inflação perto de um ou de outro. Eles não têm a menor idéia do que isso significa. Ditadura é outra palavra estranha ao vocabulário deles e de muitos outros garotos que assinam súmula, vestem uniforme e aparecem na televisão nas noites de domingo. Quando jogam.
Aí é que está, talvez, o maior traço de união entre os imberbes Dagoberto e Nilmar. A promissora carreira não decolou em céu de brigadeiro por causa das contusões. São frágeis fisicamente e as contusões se acumularam com a mesma velocidade com que o Nilmar arranca para o gol ou com a precisão do drible que o Dagoberto aplica em cada marcador.
Ver o Dagoberto em ação na noite de quarta-feira deu um baita do prazer para quem, como eu, aprecia o jogo bem jogado. O toque para o Miranda fazer o gol foi típico de quem sabe o que fazer com a bola e pensa antes de fazê-lo.]
Tomara que agora ele encontre o caminho da regularidade. Antes que os precipitados de plantão afirmem ou entendam que defini o Dagoberto ou o Nilmar como craques, o esclarecimento faz-se necessário: ainda não são, mas já têm a régua e o compasso para desenhar o caminho.
Mesmo com todo o Dagoberto e uma atuação melhor do que em jogos anteriores, o São Paulo não pode sentar em cima da vantagem que obteve no Morumbi. O Grêmio já avisou ao distinto público que adora quebrar a banca e tirar a banca dos catedráticos que tem uma velha opinião formada sobre tudo. O jogo no Olímpico será completamente diferente do realizado no Morumbi. É só esperar.
NERVOS À FLOR DA PELE
O Flamengo que levou um sapeca-iá-iá do esquálido, tecnicamente falando, Defensor não entrará em campo no domingo. Impossível uma equipe jogar tão mal duas vezes seguidas. O que assinou a súmula em Montevidéu foi um time perdido, sabe-se lá qual foi o motivo, e que tem tudo para se encontrar neste domingo diante do Botafogo e brigar pela vaga na próxima quarta-feira no Maracanã.
Por favor não entendam o páragrafo acima como uma afirmação de que o Flamengo ganhará do Botafogo e do Defensor. Seria um exercício de soberba e tenho por esta palavra um pouco mais do que repulsa. Apenas como observador do mundo da bola, eu tenho a convicção de que o Flamengo de quarta-feira teve prazo de validade: nasceu e morreu no estádio Centenário.
Escrito em às
Comentários:
MOMENTO DE SERENIDADE
Por mais que pensem o contrário, o futebol não tem receita. O que se aplica em um dia não serve para o outro e tampouco o caminho da vitória será sempre o mesmo. Este tumulto pelo qual passa o Flamengo é exemplar para mostrar um pouco o que é o futebol. Ouço, leio e vejo que o momento no clube é de absoluta instabilidade, que o Botafogo está um corpo à frente na busca pelo título e que o ambiente na Gávea, após o sapeca do Defensor, transformou-se em um caos. Daqueles que o sujeito não sabe para onde é o Norte e não tem a menor idéia de onde fica o Sul. Leste e Oeste nem pensar.
Pois saibam tantos a quantas estas lerem que, entre os meus botões, eu desconfio de todas estas interpretações. Acredito que causa mais riso do que apreensão nos jogadores. Muitas vezes imaginamos que eles se abalam e sofrem com determinadas situações, mas nada disso é verdade.
O esporte dá lições muito particulares para os atletas. Ensina o tempo inteiro como administrar a derrota e como se comportar na vitória. Mostra que a euforia é breve, tanto quanto a depressão. Não há tempo para uma coisa e nem para a outra. Olhar para a frente é fundamental. Entre as muitas lições que o esporte dá, a marcação de uma cesta no basquete talvez seja a melhor delas. Explico: quando você leva dois pontos, ou três, não há tempo para se arrumar e nem para lamentos. É preciso seguir em frente e tentar a próxima cesta.
O Flamengo que entrará em campo neste domingo não tem nada a ver com o Flamengo que não entrou em campo quarta-feira diante do Defensor. Impossível um time de futebol repetir performance tão ruim duas vezes.
Não pensem que isso tem a ver com brio, orgulho ou qualquer outra dessas palavras que costumam são pronunciadas em momentos como esse. Existem coisas que não têm explicação e a capacidade de reação em momentos assim aparecem de forma avassaladora.
DISPENSA
A saída de Juninho Paulista do Flamengo não é um exagero. Depois do que aconteceu no vestiário, segundo os relatos feitos, a diretoria do clube não tinha outra alternativa. Fico surpreso com o comportamento do JP. Não combina com seu perfil atitudes como a que teve no Uruguai. Talvez o que viu nos últimos dias tenha estimulado o apoiador a ter este comportamento.
OLHAR
Em casa, sob o manto da privacidade, o torcedor do Atlético Mineiro coloca a faixa de campeão e aguarda ansioso pela hora do confronto com o Cruzeiro neste domingo. O título, após o mais do que legítimo sapeca-iá-ia (rótulo preto, 12 anos ) é uma questão de tempo, desde que o CAM não cometa deslizes.
Por trás da provável conquista está a figura do técnico Levir Culpi, que a maldade de alguns, típicamente brasileira, já tentou rotular. Leio que o LC pensa em trocar o Atlético Mineiro por um clube no Japão. Nada mais justo. Afinal, ele hoje é bestial, mas amanhã pode ser considerado uma besta, como dizia o falecido Oto Glória.
Escrito em às
Comentários:
QUEM FAZ A DIFERENÇA
Na decisão do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, o respeitável público viu a confirmação de que a presença de um grande goleiro é fundamental para uma conquista. Naqueles 120 minutos de angústia para alguns e alegria para muitos, o Bruno fez a diferença. Não foi a primeira vez e tampouco terá sido a última. Há tempos que o goleiro do Flamengo se destaca nos momentos certos.
O empate no tempo normal entre Botafogo x Flamengo _ o terceiro neste ano _ colocando, mais uma vez, o confronto entre os melhores jogos da temporada, certamente abrirá a caixinha de clichês para explicar a derrota de um e o triunfo de outro. Pelo lado do Flamengo, a interpretação virá com o emprego das palavras garra e determinação. Tratam essas duas questões como uma exceção dentro do futebol. É como elogiar alguém por ser honesto. Vestem de virtude o que é obrigação.
O empate, creio, passou muito mais pelo fato de o Flamengo ter colocado em campo uma formação mais produtiva e, ao contrário do que muitos pensam, ter um time bem montado e capaz de muitas conquistas. Não existe no futebol mundial equipe imbatível. Foi-se o tempo em que um time deitava e rolava em cima de qualquer outro.
O que se viu no Maracanã, especialmente no segundo tempo, foi um jogo com vantagem para o Botafogo, mas um adversário que tem um ótimo poder de decisão e sabe aproveitar as oportunidades. Jogo no ralo essa história de garra e determinação e prefiro ficar com a palavra competência.
O clichê que explica o vencedor não é o mesmo para o derrotado. Nem poderia. Em todas as três partidas com o Flamengo, o Botafogo esteve sempre à frente do placar. Poderia tê-lo aumentado e saiu de campo com o empate. Foi assim no turno e também nos dois jogos das finais. No rol dos clichês virá a questão do preparo físico, da inconsistência e tantas outras até desaguar em ambiente, jogador com proposta para deixar o clube e todas essas coisas que regem os comentários e lugares comuns do dia a dia. Pois vejo de forma diferente.
A exemplo de outras partidas, o Botafogo criou e não marcou exatamente por ter encontrado do outro lado um ótimo goleiro. Divorciado da justiça, o futebol é o único esporte em que nem sempre o mais presente deixará o campo vencedor.
Quanto ao Flamengo, além do legítimo título, tem agora o oxigênio para enfrentar o Defensor na quarta-feira e passar à próxima fase da Libertadores. É difícil, mas está muito longe de ser impossível. Já existiram tarefas piores no futebol e foram cumpridas. Está mais do que na hora de colocarem no lixo o desprezo pelo time rubro-negro e o trabalho do seu técnico. Um e outro são competentes. Não fosse assim e hoje o torcedor do Flamengo não desfilaria pelas ruas com a faixa de campo no peito, comemorando um título conquistado em cima de adversário que foi superior, nos três jogos, mas ainda precisa de um algo a mais _ poder de definição e equilíbrio _ na hora de decidir.
Pena que, mais uma vez, em jogo tão disputado e caracterizado pela lealdade, a arbitragem entre neste espaço. Não gosto de citá-la, mas o erro cometido pelo assistente Ilton Moutinho _ impedimento mal marcado de Dodô _ é daqueles que levará o torcedor botafoguense a se a se lamentar para todo sempre.
QUEM FAZ A DIFERENÇA II
O clichê comprou o melhor lugar na final do Campeonato Paulista. O quadro desenhado antes do último jogo entre Santos x São Caetano era totalmente desfavorável ao time que, merecidamente, conquistou o título. E o que se viu em campo nada tinha a ver com o que se dizia e escrevia. Fazem muitas associações nos dias de hoje, a maioria equivocadas, e esquecem que o jogador de futebol _ atletas, na verdade _ têm um outro tipo de olhar para determinadas situações. O que o Santos conseguiu não foi um feito e, sim, um resultado de uma equipe melhor sobre outra pior. No momento de decidir, o goleiro do São Caetano, Luís, não foi o mesmo de outras ocasiões e o Santos foi mais Santos do que nunca.
Mesmo com a necessidade da goleada, o Cruzeiro teve um jogador expulso e sai do Campeonato Mineiro com a certeza de que o trabalho de reconstrução será intenso. Já o Atlético precisa pensar seriamente em quem colocará no lugar de Levir Culpi, caso ele realmente troque o clube pelo futebol japonês.
E o Grêmio cumpriu o seu papel. Será assim ainda mais encorpado, que entrará diante do São Paulo E como tem jogado o Diego Sousa! Sobra na turma.
Escrito em às
Comentários:
TEMPOS MODERNOS
A manhã desta quinta-feira poderá ser de tristeza para rubro-negros, sãopaulinos ou gremistas. Ou de alegria. Jogam na noite de quarta-feira o futuro no semestre e isso tem peso relevante na vida financeira de qualquer clube. Noves fora as frustrações que um resultado adverso pode causar, o que me deixa mais animado é o fato de que a vida do Departamento de Futebol de nenhum destes times deixará de ter o andamento normal.
Pode ser apenas uma impressão e nem tudo é certeza nesta terra em que se plantando tudo dá, mas fico com a sensação de que o dirigente mais preocupado em dar força ao seu técnico e integrantes da comissão cresce em progressão geométrica dentro do futebol. É uma pena que não perceba este movimento dentro de boa parte da mídia, mas está mais do que na hora de parar com esta mania que o pensamento de um é o de todos.
Vejam o caso do Flamengo após o sapeca que o Defensor aplicou na semana passada. Com mais velocidade do que uma arrancada do Leonardo Moura surgiram vozes pregando a saída do Ney Franco. Eram aqueles que até hoje não engolem a presença do técnico. Muito pelo contrário. Acreditam que o NF não está à altura do Flamengo, de suas tradições e das suas histórias. Bancado _ com todas as fichas _ pelo Kleber Leite, vice-presidente de futebol do clube, o Ney continuou e mesmo que tivesse perdido o Campeonato Estadual o expediente na Gávea teria o Ney à frente.
Não creio que o São Paulo e o Grêmio pensem em mudar o rumo da prosa. Por volta da meia-noite de hoje, o Muricy Ramalho ou o Mano Meneses estarão pensando mais nas primeiras rodadas do Campeonato Brasileiro do que no restante da Libertadores. Sorte de ambos, mais dos times que dirigem, que a diretoria destes clubes não analisa o futebol pelos resultados. Está mais do que na hora de olharem o que faz um profissional pelo placar de um jogo. O mais importante é observar o trabalho, saber o que ele faz e como faz.
A receita de sucesso de algumas equipes _ casos de Flamengo, São Paulo e Grêmio _ passa exatamente por este ponto.
Escrito em às
Comentários:
EVOLUÇÃO PERMANENTE
Não é por causa do chimarrão, da Rua da Praia ou do corte da carne, mas fica claro que determinados jogadores no Grêmio rendem muito mais do que em outros clubes. Vejam o caso do lateral-esquerdo Lúcio. Fez uma temporada acima da média quando o Palmeiras disputou a Série B. Pelo seu lado, o time encontrava o desafogo e o talento necessários para encontrar as vitórias.
O Palmeiras voltou para a Série A e o futebol do Lúcio ficou na segunda divisão. Com os ohos dos que sabem enxergar futebol e perceber quem é bom de bola e quem não é. Apostou no Lúcio, mas ele estava naquela fase de audição permanente do que dizem os súditos. E estes só fazem elogiar, incensar, bajular e estender tapete vermelho. O crédulo Lúcio acreditou em tudo o que disseram e a passagem pelo São Paulo foi menos produtiva do que o Muricy Ramalho poderia imaginar.
Eis que surge o Grêmio no meio do caminho e o Lúcio ressuscita para o futebol. O lateral que vejo com a camisa azul e preta lembra o que vestiu a verde e branca na Série B. O mesmo se aplica ao Diego Sousa. Está com corpo de manequim e mobilidade de bailarino. Totalmente distante daquele sujeito pesado que pouco ou nada fazia em um jogo e procurava caracterizar o desempenho apenas pela garra e determinação. Se movimenta de um lado e outro e nem parece a sombra de outras épocas. E ainda tem Tuta. No Fluminense, a torcida se divertia em criticá-lo. Também havia uma certa dose de contribuição do atacante. Mais pesado e pouco interessado era um Tuta absolutamente divorciado do que hoje dá expediente no Estádio Olímpico em jogos oficiais.
Não pensem que essas coisas acontecem por acaso. Semanas atrás, o Vanderlei Luxemburgo, durante o Bem, Amigos, apresentado pelo Galvão Bueno, no SporTV, disse que jogador ganha jogo e técnico ganha campeonato. Tem toda a razão. O papel de um técnico é saber o quanto pode tirar de cada um dos seus jogadores. Ao apostar nestes jogadores, o Mano Menezes sabia o que eles poderiam render. A resposta foi imediata.
EXEMPLO
O comportamento da torcida do Flamengo não surpreendeu. Ela sempre foi assim e assim será. Só acho estranho este negócio de associarem tudo no futebol a garra e determinação. Parece que isso é uma virtude, quando na verdade o sujeito entra em campo com a obrigação de lutar o tempo inteiro pela vitória. É como elogiar alguém por ser honesto. Trata-se de uma obrigação por mais que tentem vender idéia diferente.
Da eliminação do Flamengo ficou a certeza de que o elenco precisa repensar o seu cast para o Campeonato Brasileiro. Não creio que terá sobressaltos na competição, mas os planos do tamanho do Flamengo incluem briga por título e vaga na Libertadores. E aí entra o elenco.
Escrito em às
Comentários:
FESTIVAL DE PALPITES
Está para começar o Campeonato Brasileiro. É mais longo do que as novelas dos anos sessenta. Lembro de duas: Redenção, exibida pela TV Excelsior, que já não existe mais; e a Caldeira do Diabo, produzida nos Estados Unidos, e que ficou por duas décadas em cartaza.
Os crimes, os dramas e as tramóias que alimentavam a vida dos personagens tinham lugar de destaque nas rodas de conversa.
O mesmo se aplica ao Campeonato Brasileiro que amanhã vai para o berço. Não chega a ser assunto nas rodas de conversa, mas é impressionante como querem palpite, previsões (são coisas distintas) e opiniões sobre este ou aquele time. Que equipe vai cair, que time vai subir, quem será o craque e quem será a grande decepção. Fico muito à vontade nessas ocasiões. Não tenho a menor vocação para vidente e se fosse ganhar a vida com aquele classificado dizendo que busca a mulher amada em dez dias e traz o homem da sua vida em uma semana, eu estaria morto de fome.
Não tenho a menor idéia do que vai acontecer neste Campeonato Brasileiro. Gosto das opções que o elenco do São Paulo apresenta, mas isso não é suficiente para dizer que o time será campeão. Em campeonato com este tempo e contratempos, a paciência é fundamental. Noto apenas uma diferença deste para o da temporada passada: no ano da graça de 2006, a Copa do Mundo provocou uma interrupção no Brasileiro e caiu no colo dos professores de plantão um tempo para fazer ajustes nas suas equipes. Ficou evidente que alguns cosneguiram, mas outros nem assim acertaram o passo.
Desta vez, o Campeonato se inicia com cinco clubes brasileiros (Santos, Grêmio, Botafogo, Fluminense e Figueirense) divididos entre o CB e a Libertadores e a Copa do Brasil, respectivamente. Neste início, a prioridade deles será as competições que disputam. O Brasileiro só depois.
FALHA GRAVE
Não posso crer que um árbitro da altura de Carlos Eugênio Simon tenha agido de má fé contra o Atlético Mineiro. Não marcou o pênalti de Alex em Tchô simplesmente por entender que não houve falta. E aí está o motivo da discussão. Noves fora o sentimento dos atleticanos, justificadamente revoltados com a não marcação da falta e a eliminação na Copa do Brasil, o lance mostra que um dos principais árbitros em atividade no futebol brasileiro não está bem. Exatamente por não ter visto pênalti tão cristalino.
Ter a humildade de reconhecer o erro, o que n~~ao é suficiente, e fazer uma reflexão, sinônimo de reciclagem, poderá ajudá-lo. Não apenas a ele, mas a todos que se acham acima do bem e do mal.
Escrito em às
Comentários:
ENSINAMENTO DIÁRIO
Aos 36 anos, o Edmundo ainda é um jogador que dá prazer de ver atuar. Na partida de domingo contra o Flamengo, ele fez a diferença novamente e fico a me perguntar sobre uma crueldade que acomete todos os atletas e os jogadores em particular: quanto mais o tempo passa, mais eles amadurecem, melhoram o olhar para o mundo, e sofrem com o peso dos anos, diretamente ligado ao desempenho físico.
O Edmundo que continua obcecado por treinamentos e que se tivesse mais alma para dar, daria para que o Palmeiras conquistasse outros três pontos, não tem a aquela explosão dos anos 90 e tampouco o inconformismo que o caracterizou naquela época e hoje o acompanha como se fosse uma chaga.
Está muito melhor de cabeça e menos veloz das pernas. Nada que tenha prejudicado este reconstruído Palmeiras. Pelo menos no Campeonato Paulista e na primeira rodada do Campeonato Brasileiro, o Edmundo foi mais solução e menos estorvo do que muito jogador com os mesmos anos de vida. Vê-lo atuar é um dos momentos prazerosos que o futebol ainda nos oferece.
QUEBRANDO A BANCA
Já notaram que no discurso do Grêmio não cabe o lamento. A sequência de jogos é cada vez mais desgastante, mas ninguém reclama disso ou daquilo. Muito pelo contrário. O discurso, como acabo de assistir o Tcheco no Globo Esporte desta terça-feira, é sempre de otimismo. Não há um que apresente uma queixa ou transmita saturação pela repetição do roteiro: treino-concentração e jogos. Detesto fazer previsões e não sei o que o Grêmio ainda vai conseguir nesta Libertadores, mas tenho a sensação de que a temporada ainda poderá ser bem melhor do que foi a do ano passado.
Por falar em Libertadores, o Santos tem um encontro difícil contra o América. Primeiro pelo fato de jogar na altitude e segundo por ter na sua frente um adversário bem arrumado e que vai exigir muito dos campeões paulistas. Sorte da equipe treinada pelo Vanderlei Luxemburgo de ter o Zé Roberto como seu principal jogador. Está no reduzido grupo de jogadores em atividade no futebol mundial que fazem a diferença. E como tem feito!
HISTÓRIAS E MAIS HISTÓRIAS
É um olhar míope daqui, um astigmatismo dali e daqui a pouco planta-se uma crise no São Paulo. Me parece exagerada esta história de dizer que o Muricy Ramalho só mudou a equipe por causa de uma "orientação" do presidente Juvenal Juvêncio. Prefiro acreditar em um encontro de idéias. Há tempos que o São Paulo precisava de mudanças. Deve-se criticar o MR por demorar a fazê-las e aí entra um componente que de difícil entendimento para quem está de fora e doloroso para quem está de dentro: os técnicos têm a mania de irem até o fim com aquele jogador que em outras épocas correspondeu a todas expectativas. Vejam os casos do Leandro e do Sousa. Na temporada passada, eles foram importantes na conquista do título brasileiro. O Leandro se destacava pela agilidade e o Sousa dava em campo uma de maestro, embora não tivesse a batuta.
Nestes cinco meses de temporada, o Leandro e o Sousa caíram de produção mês a mês. O Muricy percebeu, mas ficou à espera da resposta, obtida em outras ocasiões, e que desta vez não veio. O resultado foi o declínio da equipe, culiminado com a desclassificação para o Grêmio. E só.
Escrito em às
Comentários:
A DISPENSA
O pretexto apresentado pelo Kaká e pelo Ronaldinho Gaúcho para não jogarem a Copa América carece de exatidão. Ao argumentarem que estão três temporadas sem férias, os jogadores erram no cálculo e na observação. Logo apóso fiasco na Copa do Mundo da Alemanha, a dupla, por conta de decisão dos clubes, teve 25 dias de descanso.
Antes que um apressado de plantão se manifeste e pense que estou a contestar o pedido de dispensa dos jogadores, o esclarecimento faz-se necessário: invoco a precisão apenas por entender que é a melhor maneira de entender o que se passa na cabeça de dois jogadores que são titulares da Seleção Brasileira. O que eles não querem é jogar a Copa América. Pelos mais variados motivos, o Kaká e o Ronaldinho Gaúcho entendem que é melhor ficar em casa do que participar de uma competição que o calendário se encarrega em esvaziar. Seria muito melhor ter uma coincidência de datas entre a Copa América e a Eurocopa. Deve-se, antes de qualquer coisa, respeitar a posição dos dois jogadores. Férias são sagradas e manda o bom senso que todo funcionário desfrute, uma vez por ano, do sagrado direito de ficar sem fazer nada, com as pernas para o ar e livre de compromissos, horários e sem rotina.
Não entro no bloco dos que passarão a olhar os dois jogadores de uma outra maneira simplesmente por terem solicitado dispensa da Seleção Brasileira. Penso que o Dunga também não comprará bilhete para esta viagem. Talvez fique incomodado com a recusa por ser esta a grande chance de conviver com o grupo que conhece duas vezes por semana e nada mais.
Não creio que o Brasil perderá a condição de favorito ao título pela ausência de Kaká e do Ronaldinho Gaúcho. Estas ausências podem representar a oportunidade para outros jogadores, como aconteceu com Adriano na última Copa América. O que não se pode é marcar os que pediram dispensa e tampouco acreditar que eles estão sem férias há tanto tempo.
A VOZ DO DONO
Não creio nesta história de que o São Paulo foi modificado por causa da intervenção do presidente Juvenal Juvêncio. O que houve foi uma coincidência e aqui não vai nenhum tipo de ironia. O maior erro do Muricy Ramalho foi esperar por uma resposta de jogadores que ano passado muito contribuíram para os sucessos obtidos pelo São Paulo. Cito dois: o armador Sousa e o atacante Leandro.
Há tempos que ambos mais decepcionam do que alegram. O futebol insinuante de Sousa entrou de férias e a movimentação de Leandro parou de acontecer. Por confiar e apostar, Muricy procurou valorizá-los até o último capítulo. A história teve momentos ruins e agora o técnico do São Paulo tenta reconstruir uma equipe que tomou gosto por títulos.
Escrito em às
Comentários:
PALAVRA QUE VALE
Ao anunciar a lista de convocados à Seleção Brasileira para os amistosos com a Inglaterra e a Turquia, o técnico Dunga não conseguiu _ na verdade, ele não quis _ disfarçar sua irritação com o pedido de dispensa do Kaká e do Ronaldinho Gaúcho. Fosse agir por instinto e ele não teria chamado nem o jogador do Milan e nem o do Barcelona.
O que mais deixou o técnico da Seleção Brasileira incomodado, ou seria frustrado, foi a lembrança dos seus tempos de jogador. Na entrevista coletiva, exibida durante o Redação SporTV, Dunga lembrou de uma história da época em que atuava no Japão. A rigidez orientar não queria liberá-lo e foi necessária uma negociação. Dunga poderia jogar, mas teria que se apresentar a tempo de vestir a camisa do seu time. Fez as duas coisas e o tamanho do sacrifício ele não conta.
Muitas vezes nos equivocamos e nos decepcionamos por achar que o sujeito envolvido em determinada situação deveria ter o mesmo comportamento que temos. Claro que Dunga gostaria de ver todo jogador disposto a se sacrificar como ele fez nos tempos de atleta. Mas não é bem assim.
A convocação de ambos é um ótimo motivo para que todos sentem à mesa e conversem sobre o assunto. Não vai colocar Ronaldinho Gaúcho e Kaká na Copa América, mas servirá para apagar os muitos ressentimentos que existem de um lado e do outro. Como sou partidário do entendimento, por mais que o outro lado não queira, esta viagem apresenta esta possibilidade.
Escrito em às
Comentários:
APLAUSOS PARA A SINCERIDADE
Na quarta-feira, o Grêmio não viu a bola diante do Defensor. Os dois times jogariam durante 90 anos e o tricolor gaúcho não iria arrumar nada. Ao final da partida, o técnico Mano Meneses foi curto e grosso no comentário: "Não jogamos nada", disse. Na mesma noite, em Florianópolis, Mário Sérgiu viu o Figueirense derrotar o Botafogo após o sapeca-iá-iá de 6 a 3 que o Atlético Paranaense aplicou no mesmo Figueira. "Perdemos quando eu mandei o time atacar. O único culpado por aquela derrota sou eu", assumiu o Mário.
Separados por quilômetros de distância, perdedores e vitoriosos, Mano e Mário mostraram que a sinceridade _ artigo de luxo e não encontrável nas melhores casas do ramo, que são poucas _ ainda tem espaço neste mundo de ilusão e mentira chamado futebol. O técnico gaúcho não teve pudor algum e definir, com frase tão curta quanto objetiva, o que foi o desempenho gremista. Parecia um jornalista dos bons, um João Saldanha, que falava pouco e dizia muito.
O mesmo se aplica ao Mário Sérgio. Fez como treinador, o que sempre fez como jogador: usou da franqueza que lhe causou transtornos e o colocou na lista dos difíceis. Destaco esta sinceridade de um e outro por entender que o futebol _ diria que a vida _ precisa de exemplos assim. Tenho a convicção de que não significa uma tendência entre os técnicos ou tampouco de que o discurso vai mudar. O registro cabe exatamente por ser diferente e necessário, ainda que ocasional _ ou melhor, quase raro.
ENSINAMENTO
Tem muito técnico que morre de amores por um sistema defensivo. Acredita, com a fé dos fanáticos, que um time povoado de volantes e sem um mísero Robson Crusoé do meio de campo para a frente é capaz de segurar o ataque rival. Pois deveriam estes devotos do zero a zero olhar com atenção o Figueirense treinado pelo Mário Sérgio.
Considero o MS um privilegiado na visão que tem de futebol. Poucos dos que ganham a vida dando expediente à beira do campo enxergam o jogo de futebol como ele. O elogio não significa que concordo com tudo o que o MS faz numa equipe, mas trabalho bem feito, independentemente do olhar, precisa ser reconhecido.
Há tempos não via uma equipe tão bem armada na defesa e com saída de bola para o contra-ataque embalada na rapidez e parceira da objetividade. Técnicos retranqueiros _ não é feito e nem deprecia _ olhem o trabalho do Mário Sérgio. Quem assistir e com ele se identificar ficará muito mais feliz.
Escrito em às
Comentários:
DOMINGO DE HOMENAGENS
O milésimo gol de Romário representa o fim de uma carreira mais do que brilhante. Pouco importa se o Romário continuará em atividade. Desde o domingo da graça de 20 de maio, exatamente no único estádio que um grande clube do Rio de Janeiro possui, ele colocou um ponto final nesta trajetória mais do que vitoriosa, encantadora para os olhos de quem sempre observou o futebol com sensibilidade.
Bem que poderia ter sido no Maracanã, mas o fato de acontecer em São Januário em nada desmerece o feito. Aos que não sabem, por desinformação incompreensível, é conveniente esclarecer que o estádio de São Januário está não apenas ligado a história do futebol brasileiro, como também a vida política do Brasil à época em que o Rio de Janeiro era a Capital Federal. Tenho cá minhas dúvidas se o elenco teria checado a este estágio atual caso a capital permanecesse no Rio ou tivesse ido para São Paulo, Belo Horizonte, Salvador, Recife ou Porto Alegre.
Volto ao milésimo gol do Romário e lembro que passei a noite com as imagens da cobrança de pênalti e as comemorações posteriores. Tenho pelo brasileiro que fica rico honestamente especial predileção. O Romário saiu do nada _ fazia parte daquele bloco de desassistidos a quem o país só diz não, seja para educação, saúde ou moradia _ e desembarcou na cobertura de condomínio luxuoso na Barra da Tijuca sem tirar um centavo de ninguém; sem participar de concorrência sem licitação; fazer amizade com lobista ou vender favores em troca de benefícios.
Na maior parte do tempo, o expediente para ganhar o pão vosso de cada dia foi aos domingos. No dia consagrado ao lazer, ele estava lá _ aqui, ali e acolá _ divertindo a quem se aventurava na ida ao estádio ou sentava diante da tevê. Foi um mágico, um bruxo, um santo, um demônio e tudo o mais que se possa dizer de quem fez pacto com a genialidade.
Poderá até continuar em atividade e tem todo o direito de fazê-lo, mas terá como principal adversário a falta de motivação. Caso prorrogue a carreira que assim seja. Da minha parte sempre terá a reverência e o respeito. Receberá o carinho que merece pelo que fez a mim e aos meus. Nesse instante de consagração, a única frase que me vem à cabeça é: "obrigado por tudo o que você fez".
HOMENAGEM DOIS
Só quem estava no estádio ou acompanhou pela tevê pode acompanhar uma cena tão rara quanto necessária nestes bicudos tempos atuais. Campeão pelo Náutico, o técnico Muricy Ramalho teve seu nome gritado pelos torcedores que lotaram os Aflitos na tarde de domingo. Foi emocionante vê-lo caminhar em direção ao banco de reservas com o seu nome gritado por aquela multidão.
Que o exemplo da torcida do Naútico seja uma regra e não exceção. Está mais do que na hora de aprendermos a reconhecer e valorizar quem faz bem feito; quem se dedica e pauta o trabalho pela honestidade. É o caso do Muricy. Que bom que a torcida do Náutico percebeu; que ótimo que ela reconheceu. Quem sabe não cria um modelo.
Lá estava Jadel Gregório a dar a volta na pista com a bandeira do Brasil e do Pará. Mais um integrante da turma dos desassistidos. Mais um que não desanima e mostra que esta gente bronzeada também tem o seu valor.
No mais popular dos esportes, o Jadel brilhou. Deixou a certeza de quem vem mais por aí.
Escrito em às
Comentários:
O QUE FAZ UMA DERROTA
Alguma coisa acontece no São Paulo. Nada que possa levar o time a ter o pior ano da sua história recente, mas fica claro que a prosa tomou um rumo que não agrada ao Muricy Ramalho. Antes que qualquer apressado de plantão ganhe voz e corpo, o aviso aos navagantes: não é caso para demissão.
Só entendo que é preciso o São Paulo tratar o assunto de forma direta e objetiva. É impossível para qualquer equipe manter-se no topo por anos a fio. Nas últimas temporadas, o São Paulo habituou-se a disputar títulos e viciou o seu torcedor no grito de campeão. Vi o time na partida contra o Náutico, no domingo, e me impressionou a irregularidade. Oscilou de tal maneira que, em 90 minutos, jogou apenas 20 minutos. Pouco para um time formado por jogadores com inegável capacidade de tocar a bola e dar bom andamento ao jogo.
FALTA DE CABEÇA
A expulsão do Diego Sousa, após o fim da primeira partida do Grêmio contra o Defensor, faz parte daquele episódio em que os jogadores, a pretexto de empenho e luta, mostram o quanto são inconsequentes. Justamente um dos destaques da equipe _ mais fino de cintura e refinado de futebol _ desfalca a equipe no instante em que ela mais do seu futebol precisa.
É caso de punição. Onde já se viu um jogador tomar satisfações com um árbitro encerrada a partida. Nem no tempo regulamentar, nem antes e nem após.
Mesmo com este gesto inconsequente do DS, eu acredito na classificação do Grêmio. Não existe time que acredite mais no ditado "não está morto quem peleia" do que o Grêmio.
Escrito em às
Comentários:
Escrito em às
Comentários:
Escrito em às
Comentários:
DIFÍCIL DECISÃO
A cada parada no posto de gasolina para abastecer o carro e tomar um cafezinho, o Romário é saudado. A cada dia, os filhos devem sentir mais orgulho do pai. Afinal, ele marcou mil gols e todo mundo _ de norte a sul do planeta _ só fala do seu feito. No meio desta adoração dos próximos e encantamento dos desconhecidos transita um sujeito que poucos, exclusivamente os mais próximos, conhecem muito bem. A maioria _ neste bloco podemos incluir expressiva parte da mídia _ não tem a menor idéia do que se passa na grisalha caberça do maior atacante da história recente do futebol.
Percebo aqui e ali a vocação do elenco verde e amarelo para julgar. Sentencia-se com uma autoridade e determinação impressionantes. Há quem determine que o Romário deve encerrar a carreira antes do fechamento da próxima edição e existem os que temem pela imagem do atacante, caso insista em dar expediente de uniforme, após assinar a súmula.
Não tenho vocação para isso ou aquilo e tampouco poderia ser personagem rodriguiano daqueles que pregavam a moral e os bons costumes como norma e flertava com meninas em idade escolar na padaria da esquina. É por esta razão que tenho muita dificuldade em dizer _ ou seria determinar? _ o que o Romário deveria fazer nos próximos dias.
Faça o que tem que fazer e seja respeitado por isso.
Tenho a convicção de que a inquestionável carreira não será abalada pelo adiamento da aposentadoria. Muito pelo contrário. Há uma turma _ mais do que isso _ que ainda sente o maior prazer em ver o Romário dentro do campo. Pertence a gerações diferentes e os une este sentimento pelo o que o Romário desperta.
Diante de quadro tão favorável fica muito difícil chegar e dizer adeus. Ninguém ainda se preocupou em saber qual é a opinião da prole do senhor Sousa Faria. Talvez eles possam dar o caminho das pedras.
GENTE FINA, ELEGANTE E SINCERA
Quem tem os canais SporTV não deve perder um ótimo programa, que desde sábado está na programação do canal. Chama-se "Encontro para a História", tem a apresentação dos jornalistas Lúcio de Castro e Victorino Chermont e caracteriza-se por unir pessoas que tem algo a dizer, o que nem sempre acontece nestes dias de hoje. O primeiro foi com o Romário e o Zeca Pagodinho. O segundo, exibido pela primeira vez no sábado, colocou no Maracanã o Paulo César Lima e o MV Bill. Além do LC e do VC participaram os também jornalistas Zuenir Ventura e Mauro Ventura, que herdou o talento do pai.
Desde os meus tempos de garoto na Gávea que sou fã do Paulo César. Tive o prazer _ e que prazer! _ de vê-lo jogar e depois de conviver. Quem o critica não sabe o quanto aquele corpo _ não pensem que foram apenas as canelas _ apanhou. Sofreu preconceito das mais variadas formas, trilhou por caminhos obscuros e hoje está aí novamente inteiro.
O período mais difícil da vida não afetou suas idéias. Vê-lo sereno, com o pensamento ordenado e dando respostas inteligentes para perguntas inteligentes _ algo também raro _ foi um bálsamo em meio as preocupações e desencantos que o elenco sem medo e sem vergonha apronta antes e depois do pão nosso de cada dia.
Não apenas pelo PC Lima, o programa pede assistência obrigatória. O MV Bill integra um grupo seleto que sabe sobre o que fala. Deviam ouvi-lo com mais atenção e assiduidade. Dá um banho em muito teórico.
São personagens de um encontro, que, realmente, fica para a história.
Escrito em às
Comentários: