QUEM FAZ A DIFERENÇANa decisão do Campeonato Estadual do Rio de Janeiro, o respeitável público viu a confirmação de que a presença de um grande goleiro é fundamental para uma conquista. Naqueles 120 minutos de angústia para alguns e alegria para muitos, o Bruno fez a diferença. Não foi a primeira vez e tampouco terá sido a última. Há tempos que o goleiro do Flamengo se destaca nos momentos certos.
O empate no tempo normal entre Botafogo x Flamengo _ o terceiro neste ano _ colocando, mais uma vez, o confronto entre os melhores jogos da temporada, certamente abrirá a caixinha de clichês para explicar a derrota de um e o triunfo de outro. Pelo lado do Flamengo, a interpretação virá com o emprego das palavras garra e determinação. Tratam essas duas questões como uma exceção dentro do futebol. É como elogiar alguém por ser honesto. Vestem de virtude o que é obrigação.
O empate, creio, passou muito mais pelo fato de o Flamengo ter colocado em campo uma formação mais produtiva e, ao contrário do que muitos pensam, ter um time bem montado e capaz de muitas conquistas. Não existe no futebol mundial equipe imbatível. Foi-se o tempo em que um time deitava e rolava em cima de qualquer outro.
O que se viu no Maracanã, especialmente no segundo tempo, foi um jogo com vantagem para o Botafogo, mas um adversário que tem um ótimo poder de decisão e sabe aproveitar as oportunidades. Jogo no ralo essa história de garra e determinação e prefiro ficar com a palavra competência.
O clichê que explica o vencedor não é o mesmo para o derrotado. Nem poderia. Em todas as três partidas com o Flamengo, o Botafogo esteve sempre à frente do placar. Poderia tê-lo aumentado e saiu de campo com o empate. Foi assim no turno e também nos dois jogos das finais. No rol dos clichês virá a questão do preparo físico, da inconsistência e tantas outras até desaguar em ambiente, jogador com proposta para deixar o clube e todas essas coisas que regem os comentários e lugares comuns do dia a dia. Pois vejo de forma diferente.
A exemplo de outras partidas, o Botafogo criou e não marcou exatamente por ter encontrado do outro lado um ótimo goleiro. Divorciado da justiça, o futebol é o único esporte em que nem sempre o mais presente deixará o campo vencedor.
Quanto ao Flamengo, além do legítimo título, tem agora o oxigênio para enfrentar o Defensor na quarta-feira e passar à próxima fase da Libertadores. É difícil, mas está muito longe de ser impossível. Já existiram tarefas piores no futebol e foram cumpridas. Está mais do que na hora de colocarem no lixo o desprezo pelo time rubro-negro e o trabalho do seu técnico. Um e outro são competentes. Não fosse assim e hoje o torcedor do Flamengo não desfilaria pelas ruas com a faixa de campo no peito, comemorando um título conquistado em cima de adversário que foi superior, nos três jogos, mas ainda precisa de um algo a mais _ poder de definição e equilíbrio _ na hora de decidir.
Pena que, mais uma vez, em jogo tão disputado e caracterizado pela lealdade, a arbitragem entre neste espaço. Não gosto de citá-la, mas o erro cometido pelo assistente Ilton Moutinho _ impedimento mal marcado de Dodô _ é daqueles que levará o torcedor botafoguense a se a se lamentar para todo sempre.
QUEM FAZ A DIFERENÇA II O clichê comprou o melhor lugar na final do Campeonato Paulista. O quadro desenhado antes do último jogo entre Santos x São Caetano era totalmente desfavorável ao time que, merecidamente, conquistou o título. E o que se viu em campo nada tinha a ver com o que se dizia e escrevia. Fazem muitas associações nos dias de hoje, a maioria equivocadas, e esquecem que o jogador de futebol _ atletas, na verdade _ têm um outro tipo de olhar para determinadas situações. O que o Santos conseguiu não foi um feito e, sim, um resultado de uma equipe melhor sobre outra pior. No momento de decidir, o goleiro do São Caetano, Luís, não foi o mesmo de outras ocasiões e o Santos foi mais Santos do que nunca.
Mesmo com a necessidade da goleada, o Cruzeiro teve um jogador expulso e sai do Campeonato Mineiro com a certeza de que o trabalho de reconstrução será intenso. Já o Atlético precisa pensar seriamente em quem colocará no lugar de Levir Culpi, caso ele realmente troque o clube pelo futebol japonês.
E o Grêmio cumpriu o seu papel. Será assim ainda mais encorpado, que entrará diante do São Paulo E como tem jogado o Diego Sousa! Sobra na turma.
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