SOBE E DESCETenho pelo jeito de jogar do Amoroso especial apreço. Vejo-o como um dos grandes jogadores que o futebol brasileiro teve o prazer de ver em campo. Uma cirurgia aqui, uma inatividade ali e uma transferência acolá talvez tenham contribuído para que não conseguisse, entre os do elenco verde e amarelo, a projeção que o seu futebol justificava.
A expulsão no clássico contra o Santos não mancha a sua carreira e tampouco podem olhá-lo como um jogador violento. Evidente que o Amoroso teve aqueles segundos de privação de sentidos que já se manifestaram em qualquer um e deu uma entrada violenta no jovem Adriano. Um garoto que se bobear deve ter algumas figurinhas do Amoroso e já pode até tê-lo imitado numa daquelas peladas no intervalo da aula.
Dizem que o time do Corinthians é descontrolado e talvez isso explique o comportamento do Amoroso, um estilista que sempre soube o que fazer com a bola e passou a carreira mostrando o carinho que nutria por ela. Pode ser que isso seja verdade, mas como não tenho certeza ou dados que mostrem isso, eu prefiro sair desta história e enveredar pelo Santos. Como joga bonito! Tem atração pelas laterais e joga para a frente o tempo inteiro. Reparem que muitos dos seus jogadores não foram os primeiros a serem escolhidos no par ou ímpar.
Exceto por um Zé Roberto ou Kléber, o lateral, a maioria é de coadjuvantes. Mas todos em condições de brigar pelo oscar. Quando estava no Fluminense, o Rodrigo Tiuí _ o jeito de jogar, a começar pelo andar, lembra o Rubens Feijão, jogador do Santos nos anos 80 _ era hostilizado o tempo inteiro. Até no banco, a vaia o acompanhava. Pois o RT do Santos apresenta um jogo que nas Laranjeiras não tiveram paciência para esperar e ver.
O mesmo se passa com o Pedrinho. Os apressados _ encontráveis em qualquer esquina, boteco, repartição, funeral e enterro _ definiram que estava acabado para o futebol. Eis que o Pedrinho entra em dividida, corre, briga e chuta. Como um jogador normal.
Não tenho a menor idéia se o Santos vai ou não conquistar o título paulista ou brigar pela Libertadores. Sei que estará presente em fases importantes destas competições justamente por ter bons jogadores muito bem coadjuvados.
FÓRMULA 1 PELAS BEIRASA maneira como o Santos inicia suas partidas é surpreendente. Aquele tempo perdido no estudo de como se comporta o rival, o Santos joga no lixo e por esta razão com menos de cinco minutos já criou uma oportunidade. Pois com o Botafogo acontece exatamente o contrário. O time demora a esquentar. Leva um bom tempo com o jogo em banho maria, como se nada fosse acontecer ou à espera de, num lance fortuito, saia o gol.
Deve ser angustiante saber que tem um bom elenco e não vê-lo justificar a fama que o cerca. Na segunda-feira, durante o Bem, Amigos, do SporTV, o Romário disse que consederava o Botafogo com o melhor grupo do Rio de Janeiro. Vindo de quem veio, a frase ganha peso e sabemos todos que não se trata de exercício de diplomacia. Não combina com o autor do comentário. Fala o que sente e pensa.
EStá na hora de o Cuca e sua rapaziada justificarem as expectativas que cercam o grupo. No jogo deste domingo, contra o Vasco, ele não terá o Diguinho (terceiro cartão amarelo) e o Túlio (contundido). Que tal então pensar num meio de campo com Leandro Guerreiro, Lúcio Flávio, Zé Roberto e Ricardinho. "É muito ofensivo", dirão os retranqueiros da mídia, que se alimentam de volantes e tomam doses homeopáticas de cabeças-de-área.
"Aumentará a preocupação do Vasco com a marcação", eu responderei para estes cautelosos de plantão. Claro que um técnico possui temores e compromissos que eu não tenho, mas creio que esta seria uma ótima oportunidade para supreender os adversários.
A CHANCE EXISTEO empate não foi o melhor dos resultados, mas o Internacional ainda respira na Libertadores. Não deve é acreditar na teoria da conspiração. Possui time para dar de ombros a este tipo de argumento. Crer e propalar que não há interesse em ver um clube brasileiro com mais uma faixa é jogar a toalha sem dizer. O Abel Braga e os jogadores não combinam com este modelo.
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