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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2006. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
NO MEIO DO CAMINHO TINHA UM PÉ
Os pés de Romário são mundialmente famosos e estão na calçada da fama do Maracanã. Muito atacante passará uma carreira inteira sem ter a precisão no chute que aqueles pés demonstraram ao longo de toda a sua trajetória. Os pés de Bruno tiveram na noite de domingo no Maracanã os seus 30 segundos de fama. Mais precisamente o pé direito. Tinha um pé no meio do caminho e no meio do caminho tinha um pé.
Tão impressionante quanto a perplexidade que tomou conta daquela multidão presente ao Maracanã ao ver o Romário ter o milésimo gol impedido pelos pé de Bruno foi a incapacidade do Vasco da Gama para atacar de forma ordenada e pressionar o Flamengo. Quanto temor! O time simplesmente não sabia, apesar das orientações do Renato, o que fazer para criar a chance de o Romário fazer o tão esperado milésimo.
Ficou adiado o sonho para o próximo domingo, exatamente contra o Botafogo, clube cercado de superstições e com uma torcida dominada por pessimistas. Daqueles que olham o relógio quando o alvinegro faz um gol e, dependendo do tempo, dizem que o time não terá condições de segurar o resultado.
Pelos próximos dias, o Romário continuará a dominar o noticiário. Esta busca pelo milésimo gol mostra, apenas mais uma vez, o quanto ele conseguiu penetrar no coração dos torcedores. Lá vai Romário e lá vem Romário.
OBSESSÃO
É impressionante como o olhar defensivista tomou conta de boa parte da mídia. A derrota do Flamengo por 3 a 0 _ um sapeca iá-iá oito anos _ exumou uma pergunta que a rapaziada adora fazer: este time não fica vulnerável com apenas um volante? Esta pergunta o Ney Franco ouvirá após cada treino e se transformará numa pressão constante sobre o técnico. A que ponto alguns chegaram. Acham que um time só fica protegido se tiver dois volantes ou três. Por insegurança, o técnico cede a este conceito e fica todo mundo feliz. Prefere-se o botinudo ao jogador que pode dar mais talento ao setor.
Por mais que os resultados mostrem o contrário, a turma não abre mão deste conceito. O Flamengo não perdeu para o Vasco da Gama por ter entrado apenas com o Paulinho de volante. O maior problema do rubro-negro é do meio de campo para a frente. É ali que mora o maior problema do NF. Há muita dificuldade para fazer gol. Só que a turma _ incansável na sua pregação _ não desiste e insiste que fora de dois volantes não existe salvação.
É o mesmo caso do Botafogo. Ano passado, o título do Campeonato Carioca mostrava na mesma foto o Zé Roberto e o Lúcio Flávio. O Cuca deveria pensar seriamente sobre isso. O que lhe incomoda? Ganha o apoio da parte mais jovem da mídia, noites de sono tranquilas, mas reduz a criatividade do seu time. E quem se importa?
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CENTROAVANTE EM FALTA
Durante muito tempo, a Seleção Brasileira teve centroavantes em excesso. Bons centroavantes. Para não voltar muito no tempo e vestir o manto do saudosismo, eu posso citar a turma que teve o Reinaldo, o Careca e o Serginho e terminar com o Romário e o.......Ronaldo, o Fenômeno. Não vejo ninguém, pelo menos por hora, em condições de preencher o espaço que a aposentadoria do Romário e a incerteza sobre o Ronaldo provocam.
No primeiro jogo da Seleção Brasileira contra o Chile, o Fred teve desempenho abaixo do esperado. Ficou preso à marcação e pouco apareceu. O Vagner Love, titular na segunda partida, teve a possibilidade de mostrar contra um adversário mais forte que a tradição de bons centroavantes pode ser recuperada. Há tempos, eu gosto do futebol apresentado pelo VL. Quando ainda jogava no Palmeiras, ele já me despertava a atenção.
Certa vez eu o encontrei e fiquei ainda mais convencido de que tem tudo para resgatar a tradição de centroavantes que alimentou o futebol brasileiro nos últimos anos. Tem um olhar de peixe morto, típico de bom centroavante. Poderia ser o Adriano, mas está em litígio com o futebol há algum tempo. Desde a Copa das Confederações, ele não conseguiu ser regular. Parece que está difícil se reencontrar com aqueles tempos. Não sei efetivamente o que o Adriano quer _ não acredito muito no que ele tem dito ultimamente _, mas se ele voltar a crer no que afirma nas entrevistas, especialmente quando está na Seleção Brasileira, poderá ser o titular da Seleção Brasileria.
Enquanto não aparece um centroavante que sacie a nostalgia dos de outras décadas é bom o Dunga ter e trabalhar com uma convicção: em torno de Robinho, Kaká e Ronaldinho Gaúcho deve ser formada a Seleção Brasileira.
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SOBE E DESCE
Tenho pelo jeito de jogar do Amoroso especial apreço. Vejo-o como um dos grandes jogadores que o futebol brasileiro teve o prazer de ver em campo. Uma cirurgia aqui, uma inatividade ali e uma transferência acolá talvez tenham contribuído para que não conseguisse, entre os do elenco verde e amarelo, a projeção que o seu futebol justificava.
A expulsão no clássico contra o Santos não mancha a sua carreira e tampouco podem olhá-lo como um jogador violento. Evidente que o Amoroso teve aqueles segundos de privação de sentidos que já se manifestaram em qualquer um e deu uma entrada violenta no jovem Adriano. Um garoto que se bobear deve ter algumas figurinhas do Amoroso e já pode até tê-lo imitado numa daquelas peladas no intervalo da aula.
Dizem que o time do Corinthians é descontrolado e talvez isso explique o comportamento do Amoroso, um estilista que sempre soube o que fazer com a bola e passou a carreira mostrando o carinho que nutria por ela. Pode ser que isso seja verdade, mas como não tenho certeza ou dados que mostrem isso, eu prefiro sair desta história e enveredar pelo Santos. Como joga bonito! Tem atração pelas laterais e joga para a frente o tempo inteiro. Reparem que muitos dos seus jogadores não foram os primeiros a serem escolhidos no par ou ímpar.
Exceto por um Zé Roberto ou Kléber, o lateral, a maioria é de coadjuvantes. Mas todos em condições de brigar pelo oscar. Quando estava no Fluminense, o Rodrigo Tiuí _ o jeito de jogar, a começar pelo andar, lembra o Rubens Feijão, jogador do Santos nos anos 80 _ era hostilizado o tempo inteiro. Até no banco, a vaia o acompanhava. Pois o RT do Santos apresenta um jogo que nas Laranjeiras não tiveram paciência para esperar e ver.
O mesmo se passa com o Pedrinho. Os apressados _ encontráveis em qualquer esquina, boteco, repartição, funeral e enterro _ definiram que estava acabado para o futebol. Eis que o Pedrinho entra em dividida, corre, briga e chuta. Como um jogador normal.
Não tenho a menor idéia se o Santos vai ou não conquistar o título paulista ou brigar pela Libertadores. Sei que estará presente em fases importantes destas competições justamente por ter bons jogadores muito bem coadjuvados.
FÓRMULA 1 PELAS BEIRAS
A maneira como o Santos inicia suas partidas é surpreendente. Aquele tempo perdido no estudo de como se comporta o rival, o Santos joga no lixo e por esta razão com menos de cinco minutos já criou uma oportunidade. Pois com o Botafogo acontece exatamente o contrário. O time demora a esquentar. Leva um bom tempo com o jogo em banho maria, como se nada fosse acontecer ou à espera de, num lance fortuito, saia o gol.
Deve ser angustiante saber que tem um bom elenco e não vê-lo justificar a fama que o cerca. Na segunda-feira, durante o Bem, Amigos, do SporTV, o Romário disse que consederava o Botafogo com o melhor grupo do Rio de Janeiro. Vindo de quem veio, a frase ganha peso e sabemos todos que não se trata de exercício de diplomacia. Não combina com o autor do comentário. Fala o que sente e pensa.
EStá na hora de o Cuca e sua rapaziada justificarem as expectativas que cercam o grupo. No jogo deste domingo, contra o Vasco, ele não terá o Diguinho (terceiro cartão amarelo) e o Túlio (contundido). Que tal então pensar num meio de campo com Leandro Guerreiro, Lúcio Flávio, Zé Roberto e Ricardinho. "É muito ofensivo", dirão os retranqueiros da mídia, que se alimentam de volantes e tomam doses homeopáticas de cabeças-de-área.
"Aumentará a preocupação do Vasco com a marcação", eu responderei para estes cautelosos de plantão. Claro que um técnico possui temores e compromissos que eu não tenho, mas creio que esta seria uma ótima oportunidade para supreender os adversários.
A CHANCE EXISTE
O empate não foi o melhor dos resultados, mas o Internacional ainda respira na Libertadores. Não deve é acreditar na teoria da conspiração. Possui time para dar de ombros a este tipo de argumento. Crer e propalar que não há interesse em ver um clube brasileiro com mais uma faixa é jogar a toalha sem dizer. O Abel Braga e os jogadores não combinam com este modelo.
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O MAESTRO EDMUNDO
Por conta dos exemplos anteriores, o Palmeiras aprendeu que a troca de técnicos, apenas por conta de um tropeço, não é caminho mais pavimentado e sem pedágio para o sucesso. Foi assim que encontrou forças para manter o Caio Júnior, quando os resultados indicavam, especialmente para os apressados de plantão e os que retornavam das férias, que era recomendável apontar a sala do Departamento Pessoal e colocá-lo diante da responsável pelo setor.
Creio que deve ter sido difícil segurá-lo. Em clubes com a projeção e importância do Palmeiras, o sucesso precisa ser permanente. A voz da sensatez prevaleceu e o Palmeiras agora comemora os últimos resultados. Deve-os ao técnico Caio Júnior, mas antes que aquela turma apressada, que come letras ao falar, troca bom dia por boa tarde e não para no sinal (semáforo para muitos) me acuse de ser um defensor intransigente dos técnicos, o aviso é fundamental: tem sua importância por ter conhecido os seus jogadores.
A maior prova é a convivência com o Edmundo, o condutor desta recuperação a partir dos instante em que o árbitro autoriza o começo do jogo. Mantido no cargo quando a tempestade caiu sobre casa com telhado de papelão, o Caio sentiu que a solução para os problemas do Palmeiras estava em casa. Não havia _ e não há _ dinheiro para se contratar reforços. Então, a prata da casa e os que estavam lá necessitam ser valorizados. Entendida a mensagem, o Edmundo começou a aparecer com o total apoio do Caio Júnior.
O resutlado tem aparecido a cada rodada. Alguém lembra que o Palmeiras atuou as duas últimas partidas sem o Valdívia. Nada contra o chileno que dá um toque refinado ao meio de campo do Palmeiras, mas a presença do Edmundo é decisiva. A simples presença deixa os adversários atordoados. Dá gosto vê-lo atuar e tenho a impressão de que este será o grande ano do Edmundo.
CLÁSSICOS E CLÁSSICOS
O charme do clássico de São Paulo é a busca do Palmeiras pela manutenção entre os quatro mais bem classificados do Campeonato Paulista. O charme do clássico entre Botafogo x Vasco da Gama é o milésimo gol do Romário. Pelo que tem feito, o otimismo do jogador e a ansiedade da torcida _ de todos os clubes _ se justificam. O Romário está mais preciso do que um golfista no auge da sua forma. De cabeça, ele também está muito bem e quem acompanhou a entrevista no Bem, Amigos, na última segunda-feira no SporTV, pode constatar o quanto anda em forma com as palavras. O encontro com o Zeca Pagodinho, que o SporTV exibirá neste sábado, só reforça esta idéia.
O que antecede as duas partidas só reforça a idéia de que os dois clássicos mexerão com a cabeça do torcedor.
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PERSONAGEM INQUIETO
A competência do Renato Gaúcho não é para ser colocada em questão. Técnico promissor, ele deixou, há algum tempo, de ser aquele ex-jogador que pretendia quebrar um galho como técnico. O começo foi assim, mas o tempo, os resultados e o gosto pela nova vida levaram-no a acreditar na possibilidade de enveredar por outro caminho.
Homem determinado, o Renato faz parte daquele grupo de brasileiros acostumado a ouvir não para tudo e que dá a volta por cima. Foi assim no tempo em que emprestou talento para o Grêmio, Flamengo, Fluminense, Botafogo, Roma e Seleção Brasileira. Ninguém pode dizer que o Renato Gaúcho foi um jogador essencialmente técnico. Um virtuose, como diriam os mais velhos. Tinha lá a sua porção de talento, mas o que fazia a diferença era a saúda de vaca premiada _ a expressão foi roubada do Nélson Rodrigues.
Pois o técnico que demonstra e dá sinais de poder evoluir na profissão precisa adminstrar um pouco mais o temperamento. Esquecer que não é mais jogador. Na decisão de uma das semifinais da Taça Guanabara, contra o Flamengo, o Renato não quis assistir a cobrança dos pênaltis. Optou pelo silêncio e pela solidão no banco de reservas. Nem sequer olhou para os cobradores. Esporte pouco afeito a gestos delicados, a manifestações de sensibilidade que não sejam as clichês, como beijar o escudo ou chorar na derrota, o futebol não perdoa quem se isola e quem se afasta dos seus comandados.
Neste domingo, após o gol de Túlio, Renato Gaúcho nem sequer esperou o encerramento da partida. Desce, colérico, para o vestiário. Creio que aquela e esta atitude merecem uma reflexão do treinador. Por mais que os seus jogadores rendam abaixo do esperado ou decepcionem, ele deve ser a imagem da serenidade.
CAMINHO RETO
O Botafogo que derrotou o Vasco da Gama _ não fosse Cássio poderia ter sido maior a vantagem _ mostrou que pode ser um time ofensivo, o que agrada aos refinados, e competitivo, bem ao gosto do seu técnico. Após vitória tão convicente, o time passa a ter um outro desafio: manter o padrão apresentado enquanto a bola rolou no Maracanã.
Não é tarefa das mais complicadas e tampouco das mais fáceis. Passa muito pela confiança dos jogadores. O que se viu diante do Vasco da Gama foi uma equipe coesa e capaz de fazer da troca de passes a grande arma. Para se tornar um time forte é preciso que seja assim diante do Nova Iguaçu _ e não vai aqui nenhuma ironia _ e diante do Vasco da Gama, do São Paulo, do Santos e de quem tem torcida, história e tradição.
FAXINA
Dizem que o Emerson Leão vai receber o bilhete azul. Culpá-lo é muito fácil. Não que ele tenha contribuído com parcelas expressivas para os insucessos da equipe, mas vê-lo como o único algoz desta queda corintiana e ignorar o histórico recente do técnico à frente da mesma equipe que ele ajudou a não cair para a Segunda Divisão. Assim como foi injusto fazer com que o Amoroso pagasse a conta e dispensá-lo não vai mudar os rumos do clube.
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O FIM DO RESPEITO
A demissão do Emerson Leão não surpreende. Era o final esperado para uma história que teve momentos felizes, como a manutenção do Corinthians na primeira divisão, e virou uma tragédia neste Campeonato Paulista. Ficou claro que nada funcionava e não sei se o substituto do Leão terá condições de dar um rumo a este barco sem direção a navegar em mar revolto.
Com a saída do Emerson Leão, as especulações sobre o novo domicílio do técnico aumentam e enveredam pelo tortuoso caminho da incompreensão. Sinto que em determinados momentos o raciocínio embota e tudo fica escuro. As pessoas parecem dirigir em um túnel sem um pingo de luz. Insinuam que o EL poderá dirigir o Fluminense e aí concluo que o ciclo do Carlos Alberto no clube chegou ao fim. Não tenho o direito de pensar de outra forma.
Como não me parece que o Fluminense esteja disposto a encaminhar o Carlos Alberto ao Departamento Pessoal do clube, eu creio que o suposto interesse na contratação do mais novo desempregado da praça não vai além de um especulação.
Evidente que a notícia do interesse pelo Emerson Leão deixou o Joel Santana transtornado. Não estamos falando de um profissional qualquer. Trata-se de um técnico vitorioso, especialmente no Rio de Janeiro, e que merece respeito. O problema é que neste mundo de meu Deus _ específicamente nesta terra em que se plantando tudo dá e roubam _ o respeito é apenas uma palavra no dicionário. Nada mais do que isso.
Sei que os catedráticos têm várias explicações para os insucessos do Fluminense. Os atuais e os passados. Eu não tenho a menor idéia do que acontece nas Laranjeiras. Poderia especular sobre a divisão dos garotos formados no clube e os profissionais que vêm de fora; poderia falar do pouco tempo para os contratados se ambientarem, mas não meto a mão nesta cumbuca. Sei lá o que se passa e, pior, acredito que ninguém lá no clube tenha idéia do que acontece. Este é o maior problema. Descobrir as causas destes fracassos.
A única certeza que tenho é a de que o Joel Santana não pode pagar a conta. Merece crédito e respeito pelo que sabe de futebol.
NOITE DE QUARTA-FEIRA
Pela terceira vez, o Maracanã será palco de mais uma tentativa de Romário na busca do milésimo gol. O que não aconteceu diante do Flamengo e do Botafogo pode acontecer nesta quarta-feira contra o Gama. Não tenho tantas dúvidas como antes. O grande problema é que percebo o Romário ainda mais ansioso do que nos dois jogos anteriores. Claro que na hora que a bola estiver ali na sua frente, pedindo me chuta, como diria aquele velho narrador esportivo, ele não terá dúvida em empurrá-la para o fundo do gol. O problema é o tempo que isso levará para acontecer. Será necessário paciência.
FIM DE LINHA
O prestígio de Renato Gaúcho já foi mais forte em São Januário. A descida prematura para o vestiário, antes do fim do jogo, desagradou a muitos e o clube só não entregou o bilhete azul por conta da intervenção do presidente do clube, Eurico Miranda, sempre a última palavra.
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A HORA É DE DESCANSO
Tão certo quanto o encontro dos ponteiros duas vezes ao dia é o milésimo gol de Romário. Questão de tempo _ nada a ver com o meio-dia e com a meia-noite _ e que deve ser administrada, a partir das frustrações, com a maior serenidade possível. Creio que está na hora de o Romário se poupar um pouco. Nas últimas semanas, ele tem se desgastado e não podemos esquecer que trata-se de um homem com 41 anos.
Na noite de quarta-feira, o Vasco foi um time contemplativo, que mais assistiu do que jogou. Foi por conta disso que o time não transformou o goleiro Juninho no melhor em campo. Foi por isso que o time cometeu uma falta nos acréscimos e sofreu o gol, marcado pelo Marcelo Uberaba.
Adiado o sonho de ver o milésimo, o torcedor mostrou sua fúria. Ficou colérico com o Romário e gritou o nome do Edmundo. Não sei a quantas anda o relacionamento de ambos, mas etendo que o torcedor se comportou como o Nezinho do Jegue, aquele personagem criado pelo Dias Gomes no Bem Amado. Para quem não conhece ou não lembra, a explicação faz-se necessária. O Nezinho era um doce com o prefeito _ o Odorico Paraguassu, intepretado pelo Paulo Gracinco _ quando estava sóbrio. O que fazia de salamaleques para saudá-lo era de impressionar a um Phd na arte de puxar-o-saco.
Pois quando bebia o Nesinho se transformava. Surgia, então, o maior crítico do prefeito. Movido pela cachaça, o Nezinho descia a ripa no prefeito.
A terra colorada
O mundo não vai acabar só por conta da desclassificação do Internacional no Campeonato Gaúcho. Pode ficar, para os colorados, um pouco mais sem graça, especialmente por conta dos gremistas, mas ainda há a Libertadores. É nela que está o caminho para a recuperação neste ano da graça de 2007. Mais do que a concentração o Internacional precisa se reencontrar com aquele time. Pode ser difícil ou até impossível, mas não existe outra opção.
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ENCONTRO MARCADO
No intervalo da partida entre Cabofriense e Vasco da Gama, o Romário concedeu entrevista ao repórter Tino Marcos, da Rede Globo, e fez preciso diagnóstico do que representa e significa o seu sonho de chegar ao milésimo gol. Mostrou que não está nem um pouco satisfeito com a relação que fazem entre as más atuações do time e o seu sonho mais recente. Tem toda a razão.
Está mais do que na hora de refletirem sobre a associação. Penso, logo existo. O milésimo gol faz mal ao Vasco da Gama. A frase anterior é absolutamente verdadeira, embora as vezes eu desconfie de alguns personagens. Tenho sérias dúvidas sobre se eles pensam ou não. A segunda é mais um clichê do futebol, com vagão comprido e preenchido por muita gente boa. O Vasco da Gama oscila não pelo fato de o Romário querer chegar a marca do milésimo gol. O Vasco da Gama oscila simplesmente por ter uma equipe limitada e, no momento, com problemas em sua escalação.
Sem o Romário, o time teve um constrangedor empate (0 a 0) com o Americano e ontem perdeu para o Cabofriense. Graças aos gols do Romário _ contra Madureira e Boavista, especialmente _, o Vasco da Gama obteve a classificação às semifinais da Taça Rio. Com o Romário em campo, diante do Gama, o Amaral teve uma oportunidade e, mesmo com o Romário bem colocado, ele preferiu o chute; o Guilherme entrou pela esquerda e, mesmo com o Romário bem colocado, ele arriscou o chute. Cadê o peso de ajudar o para o Romário marcar o milésimo?
Não vale fazer esta associação. Ela é injusta com o Romário e ajuda a maquiar os problemas deste Vasco da Gama, que insiste em atuar mal.
SEM NADA A VER COM ISSO
Enquanto o Vasco da Gama patina, o Botafogo desliza. Terá pela frente o adversário que derrotou com sobras na fase classificatória da Taça Rio. Nada melhor para poder provar se tem ou não um time competitivo. Equipes que pretendem construir uma história na temporada ou que unanimimente são apontadas como com elencos fortes não podem flertar com a irregularidade. Este é o caso do Botafogo. Existe o consenso de que o elenco é forte e capaz de bons resultados. Já deu mostras disso.
Nada melhor do que um clássico em semifinal para confirmar tudo o que se suspeita do time. Este é o maior desafio do Cuca e dos jogadores.
COMPLEXO DE INFERIORIDADE
Quando o Guaratinguetá vencia por 1 a 0, o Tobi, volante de ofício, levou um cartão amarelo por........reclamação. Depois, o Magal, também volante, foi advertido com o amarelo. O Guaratinguetá estava em vantagem e os seus jogadores assustados com o que o placar indicava. É impressionante como jogadores _ nem todos, mas a maioria _ que atuam em equipes pequenas buscam o conflito quando a equipe que defendem está na frente do marcador. Foi o que aconteceu com o Guaratinguetá. Ao fazer 2 a 0, o time construiu uma estrada que começava nas reclamações com o árbitro _ vende para o público a idéia de que o árbitro está mal intencionado _ e terminava na covardia _ todo mundo atrás e tome bico para o alto e para a frente.
O empate foi muito mais pela irritação desmedida e cautela exagerada do Guaratinguetá do que por méritos do Palmeiras. A ressaca pela eliminação na Copa do Brasil, quinta-feira diante do Ipatinga, ainda reflete na cabeça palmeirense. O pior para o time foi o cartão amarelo de Edmundo, o que mostra a total independência do árbitro.
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INVERSÃO DE PAPÉIS
Com muitos anos de janela e expediente à beira do campo, o Joel Santana parece perplexo com a má fase do Fluminense. Percebo que ele não conseguiu ainda decifrar o enigma em que se transformou o atual elenco. Nada diferente do que aconteceu na temporada passada. Entre os 17 jogadores contratados _ é sempre conveniente lembrar que 25 foram embora _ há bons e maus jogadores. O percentual de melhores supera o de piores e daria para montar um time em condições de fazer campanha superior a que tem feito até o momento.
Na tarde desta terça-feira, a sede do clube foi invadida por um grupelho de torcedores dispostos a cobrar resultados do time. Nada mais equivocado do que conceder espaço a esta gente desocupada e que confude paixão com agressividade. Um bando de gente sem educação e ofício. Quando vejo estas invasões, geralmente concedidas por cabeças pensantes que apostam ser este o melhor caminho para pressionar os jogadores, percebo que o clube está sem comando e distante de uma solução para os seus problemas.
Não sei quais são estes problemas, mas creio que será preciso muita serenidade para resolvê-los. Do jeito que está, o Fluminense caminha em direção a um abismo que cava com os próprios pés.
VIÚVA PORCINA
Sobram elogios para o time do Botafogo. Nenhum deles sem fundamento. Tem uma equipe bem montada e com jogadores e técnico em sintonia. E daí? O problema é que o futebol, especialmente nos clássicos, costuma supreender os favoritos, caso do Botafogo neste confronto com o Vasco da Gama. O jogo é a grande oportunidade _ outras aparecerão _ que o Botafogo tem de mostrar que o dito e escrito sobre a equipe é verdadeiro.
No futebol escasso de craques praticado no Brasil, o segredo do sucesso passa pela regularidade de um time. Este é o desafio do Botafogo. Mostrar que as boas atuações não acontecem por acaso. Do contrário corre o risco de ser chamado de Viúva Porcina, aquela que foi sem nunca ter sido.
CALCULADORA
Não fosse pelo bom futebol de Edmundo e o Palmeiras não estaria com remotas possibilidades de classificação às semifinais do Campeonato Paulista. Logo no jogo mais importante do time, entre tantos jogos importantes já disputados, o Edmundo não estará presente. Superar os efeitos desta ausência será o maior desafio do Palmeiras. Maior até do que o rival, São Bento.
O que pretende a diretoria (?) do Corinthians com esta demora para a escolha do substituto do Emerson Leão. Penso que tempo preocioso é jogado no Rio Tietê com esta lentidão corintiana. Não está o Corinthians em condições de abrir mão de tanto tempo assim.
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NOITE INESQUECÍVEL
Há tempos o futebol não presenteava a quem o aprecia com um jogo tão eletrizante como o Botafogo x Vasco da Gama desta quarta-feira. Jogo para entrar na história. Na vitória merecida do alvinegro ficou a certeza de que o time aprendeu com os erros cometidos na Taça Guanabara, quando havia um Boavista pelo meio do caminho e o sonho de se disputar às semifinais se transformou em pesadelo.
Entre tantos pontos interessantes que o clássico apresentou, a segurança do Botafogo é um dos pontos a ser observado com a atenção devida. Não é qualquer equipe que leva dois gols em dois minutos em um clássico e encontra forças para reagir. Antes que algum doente do fígado me acuse de encantamento exagerado com o alvinegro, o esclarecimento entra em campo: o Botafogo não é um grande time, um esquadrão ou imabtível, mas mostrou no jogo desta quarta-feira que tem condições de mudar o seu perfil. Aquele de derrotado, apequenado e intimidado não cabe no uniforme preto e branco.
Foram 90 minutos de pura emoção e, peço desculpas aos tecnicistas, um jogo em que a tática, a ultrapassagem, a invisível linha de quatro, o falso terceiro zagueiro e todos outros pontos as vezes superdimensionados ficaram em segundo plano.
Merece, embora o futebol não tenha nada a ver com merecimento, o Botafogo estar nesta semifinal por tudo o que fez no Campeonato Estadual até agora. Mas convém lembrar que o segredo do sucesso, em qualquer segmento, passa pela ambição. Não é feio ser ambicioso e equipes precisam desta ambição o tempo inteiro. O Botafogo já descobriu que ela o move e não pode mais abrir mão.
CANSAÇO E REFLEXÃO
A imagem do Romário com câimbras é para ele refletir. O esforço em busca do milésimo gol tem sido acima das suas forças. Continuo a crer que ele alcançará esta marca, mas percebi, enquanto era atendido pelo médico Pedro Valente, que é necessário uma reflexão para que não o transformem num Judas do futebol. Merece todo o respeito de quem ama o esporte ee deve pensar sobre como administrar este futuro.
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DANÇA DAS CADEIRAS
A saída do Renato Gaúcho me deixa a impressão de que aconteceu por consenso. Nem o Vasco da Gama pretendia continuar com o técnico e nem o RG se imaginava dentro do clube. Os sinais de desgaste já se manifestaram há algum tempo _ uns públicos e outros internos _ e talvez a vitória do Vasco da Gama sobre o Flamengo (3 a 0) tenha apenas adiado uma decisão que um lado e outro pensavam em tomar.
Quando entrou no Vasco da Gama, exatos 21 meses atrás, Renato Gaúcho não era um técnico de futebol. Ainda possuía a alma impregnada dos pensamentos de jogador de futebol. Aos poucos, graças ao respaldo recebido, o Renato Gaúcho se transformou em um técnico. A transformação aconteceu de forma mais aguda no Campeonato Brasileiro. Lembro que nas finais da Copa do Brasil diante do Flçamengo, o Renato Gaúcho quase saiu nbo braço com o Valdir Papel, quando este foi expulso tolamente no início da partida.
Pois agora o André Dias cometeu a mesma tolice, minutos após ter assinado a súmula e entrado em campo, e o Renato Gaúcho não foi além de uma descompostura. Convenhamos que seria demais pedir comportamento de monge para quem sempre foi carbonário.
Com mercado de trabalho garantido, o Renato Gaúcho deixa o Vasco em plano superior ao que entrou e o Vasco fica com um problema: não é difícil encotnrar um substituto, mas reforçar o elenco é mais importante do que escolher o substituto do RG.
VIVA A BAGUNÇA
Em alguns lugares, a cultura da bandalha impera. Ninguém tem apreço pela ordem, respeita o próximo e conhece os pontos básicos do manual da boa convivência. Pois o Corinthians se encaixa neste modelo. Cultiva o péssimo hábito de não tomar decisões e postergar o que não merece postergação. Resulta em um clube sem técnico há 10 dias e sem rumo. Quem treinará o Corinthians é pergunta sem resposta e só mostra o desprezo pela ordem _ palavra que alguns regimes políticos se encarregaram de mudar o sentido.
FIM DE SEMANA
Não creio que o Santos e São Paulo desafinem, assim como o Cruzeiro e o Atlético Mineiro e tanto quanto o Botafogo.
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JOGADOR DE ESTILO
Antes de qualquer coisa um aviso: sou fã do Amoroso. É dono de estilo refinado, particularidade de poucos e poderia ter conseguido muito mais no futebol. Ao contratá-lo, o Grêmio acerta o ponto da carne e serve o chimarrão na temperatura ideal. Não existe esta de um Amoroso no São Paulo e outro no Corinthians. Os fatos _ são irretocáveis e não cabe argumento _ mostram que está muito difícil jogar bem no Corinthians. Basta lembrar o nome do último jogador que saiu-se bem com a camisa do clube. O fato de o Amoroso não ter rendido o que dele se esperava pouco surpreende.
Creio que no Grêmio, a condição será diferente. Não entro nem pelo campo tático _ existem catedráticos demais para explicá-lo _ e fico apenas na certeza de que o Grêmio passa por um momento bem diferente do vivido pelo Corinthians. É clube com estrutura mais bem definida e demonstra, apesar da incerteza na Libertadores, que consegue dar dois passos sem levar um tombo.
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BOM NOME
A escolha do Paulo César Carpegiani como novo técnico do Corinthians tem dois acertos. O primeiro é o de preencher o cargo em momento importante para o time dentro da Copa do Brasil. O segundo tem um componente pessoal. Considero o Paulo César Carpegiani um dos técnicos mais bem preparados e com uma inquietação que o futebol tanto necessita. Claro que os preconceituosos o rotularão como "Professor Pardal", o que revela a miopia de alguns e a falta de senso de outros.
Não pensem, no entanto, que oa simples contratação do Paulo César Carpegiani resolverá todos os problemas do Corinthians. Mais do que a presença de um técnico renomado e competente, o clube precisa se reencontrar com águas calmas e tempos mais produtivos. Enquanto o Corinthians for um clube dividido e com uma rede de intrigas e fofocas mais efetivas do que o time, a situação não sofrerá alteração.
A equipe precisa de reforços, mas antes disso necessita de paz, palavra que parece não fazder parte do vocabulário de quem por lá transita.
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O APRENDIZADO
Fica a lição de que para vencer a precisão é fundamental. O Botafogo foi tão impreciso como em outras partidas, mas não teve a mesma porcentagem de aproveitamento. O que há de preocupante é a má finalização e as mãos de um goleiro em tarde excepcional. O que há de louvável é que o time cria muitas oportunidades e equipe que chega ao gol com facilidade tem tudo para sempre sair de campo com três pontos ou um, como aconteceu com o Botafogo.
O São Paulo não foi tão intenso quanto o Botafogo e menos ainda do que o Santos. Como o futebol tem catedráticos de sobra, eu acredito que explicações para os três empates estarão à venda nas melhores bancas do ramo. Dos mais variados tipos e formatos. Prefiro atribuir os resultados ao imponderável e ao fato de que o futebol detesta a emprego da palavra justiça.
No próximo domingo, os confrontos podem terminar com outros resultados, mas ninguém tem como garantir que os três citados times terão assento na final. O São Paulo vai para o Peru; o Botafogo para Curitiba e o Santos dá expediente na Vila Belmiro. Como o Muricy Ramalho não é de valorizar o banal e tampouco buscar explicações para um eventual tropeço, a viagem para o jogo desta quarta-feira não será usada como desculpa em nada. Creio que o mesmo se aplica ao Botafogo e também ao Santos.
NOVO TÉCNICO
A vida é assim e ponto. Temos apreço pelo uso de rótulos e no futebol não poderia ser diferente. Um dos personagens em quem ´pregaram uma etiqueta e transformaram em símbolo de conceitos defensivistas ou incompatíveis com o jeito brasileiro de jogar foi o Celso Roth, o novo técnico do Vasco da Gama.
Sei lá eu o que determinou tal situação. Sei apenas que ele virou sinônimo de adepto do jogo feio. Ó último trabalho foi como técnico do Botafogo, dois anos atrás, e cá entre nós o desempenho foi dentro do esperado. Mas sempre tinha alguém a implicar com o Celso Roth. Cai novamente em um time com elenco limitado _ para terem uma idéia o Andrade e o Ygor fazem uma baita falta _ e ainda preocupado com a marcação do milésimo gol do Romário.
Como o Vasco não é de demitir por demitir, o CR terá condições de mostrar o que sabe fazer. O time também. Aí está o problema.
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MISSÃO NÃO TÃO IMPOSSÍVEL
Eis que de uma hora para outra, o Mano Menezes não serve mais para o Grêmio e o trabalho do Abel Braga está sob suspeita. É a era da pressa, dos afoitos, da instaneidade. Quando leio, ouço e vejo o noticiário o que mais me chama a atenção é a fase: ele mostrou mais uma vez que tem competência. Alto lá!
O sujeito está sempre diante de um desafio _ desde o escovar os dentes até o jantar _, mas não pode ficar sob suspeita o tempo inteiro. O Grêmio levou uma sapeca iá-iá do Caxias e tem remotas condições de garantir assento na final do Campeonato Gaúcho. Estamos diante de um fato e contra não há argumentos. Mas desqualificar o trabalho realizado pelo MM até o momento soa exagerado. Tem a roupa da precipitação dos tempos atuais. Nada parece ser duradouro; nada tem consistência e o que dez minutos atrás era bom agora é ruim.
Acontece exatamente com o MM à frente do Grêmio. Bastou um resultado suspreendente para o Caxias e tudo vai por água abaixo.
O mesmo se aplicará ao Abel Braga. No Natal do ano passado era convidado especial da ceia modesta e da ceia grandiosa. Pois se o time não conseguir a classificação à próxima fase da Libertadores haverá quem lhe negará até um pão dormido. Sai da cobertura, do sótão, para o térreo, para o porão.
Parece que este é o enredo preferido dos tempos atuais. Me perdoem. Prefiro o meu anacronismo e a minha identificação com o respeito. Uma possível ausência do Grêmio das finais do Campeonato Gaúcho e do Internacional da segunda fase da Libertadores em nada mudarão o meu conceito sobre estes dois profissionais. São de primeira linha e só os míopes que tanto falam, escrevem e mandam nos dias atuais conseguem enxergar.
CAMISA 10
Acordar, abrir a janela e se deparar com um céu azul é imagem que faz bem em qualquer situação. Ter o Poeta do Esporte, Armando Nogueira, envergando a camisa 10 deste time dá mais do que orgulho. Carrega emoção e deixa ao degas aqui com a certeza de que a leitura só vai aumentar. Não percam Armando Nogueira. Consuma aquelas palavras como você consome um sorvete de graviola no fim da tarde de verão. É Armando Nogueira na veia.
Como diz o músico e sambista Wilson das Neves: ô sorte.
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ATITUDE E POSTURA
Na última partida contra o Bragantino, o Santos, nem de longe, foi aquela equipe acostumada a dizer para o adversário como a banda toca. Talvez impressionado pela marcação dos aplicados rivais ou simplesmente por ser o futebol um esporte no qual nem tudo se explica, apesar da crescente participação dos catedráticos e sábios que tudo explicam e ensinam.
Ao longo desta temporada, que caminha para o seu quinto mês _ como o ano passa rápido! _, o Santos foi o time que mais me agradou. Tempos atrás, o técnico Vanderlei Luxemburgo decifrou um pouco o sucesso do Santos: a pressão exercida sobre o time rival nos primeiros quinze minutos de jogo. Não é receita nova, mas poucos são os técnicos que unem disposição e coragem para usá-la. O Vanderlei, provavelmente influenciado pelo número de páginas do currículo, decidiu enveredar por este caminho.
Décadas atrás, o Cláudio Coutinho, personagem para quem o futebol ainda não fez todas as reverências, adotava este comportamento no Flamengo. Surgirá alguém para bradar que em time com Júnior, Andrade, Adílio e Zico era fácil ser ousado e incisivo. Nada disso. A hsitória mostra que a eficiência do elenco não está diretamente ligada aos bons jogadores que o time possui. Vejam o caso do próprio Santos. No par ou ímpar, o Zé Roberto deve ser o único que ficaria entre os primeiros escolhidos e, de repente, o Fábio Costa.
Pois este time sem tantas estrelas, mas com o texto bem decorado e toda as marcações definidas, adota esta postura. Deixa uma lição. Tem este comportamento sem tornar-se vulnerável ou tampouco ser irresponsável dentro do campo.
Nesta quinta-feira, o Santos enfrenta o Deportivo Pasto como favorito absoluto. Pouco importa qual será a formação. O mais importante é que o Santos não foge ao seu estilo e o fuitebol tem que agradecer.
REENCONTRO
A penúltima impressão que o Fluminense deixou no Maracanã não foi das melhores. Perdeu para o América por 1 a 0 e nem o mais otimista dos torcedores saiu do estádio com a crença de que o futuro seria tricolor. Duas semanas após aquele jogo mais de sustos e sobressaltos do que de risos e comemorações, o time volta ao Maracanã. Não sei se o Joel Santana já conseguiu dar um norte no time. Tenho a sensação de que este não é o maior problema. Algo mais profundo trava quem veste aquela camisa. E ninguém _ mesmo os catedráticos e sábios _ tem idéia do que seja.
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O BOLA DA VEZ
O Paulo Cesar Carpegiani ainda nem sentou na cadeira, o Corinthians permanece enamorado da irregularidade e eis que descobriram a causa de todos os males que atormentam o Parque São Jorge: o Roger. De uns tempos para cá, o futebol do meia, o jeito do meia, as contusões do meia, a falta de combatividade do meia e até as namoradas do meia _ o que, cá entre nós, é inquestionável _ são colocadas na berlinda. Virou a razão dos tropeços e das mazelas corintianas.
Nesta sexta-feira, o Paulo Cesar Carpegiani vai ter uma conversa com o Roger. Parece que a intenção é decidir o futuro do jogador. Constato aqui e ali uma turma que torce pelo rompimento. Lembro que numa época, algumas décadas atrás, a platéia se dividia entre a manutenção ou dissolução do casamento da Elizabeth Taylor e do Richard Burton, dois atores que dominavam o noticiário. Havia quem defendia a união e aqueles que torciam pelo divórcio. "Ele bebe muito e ela sofre com isso", diziam os partidários da audiência em frente ao juiz. "Nasceram um para outro", afirmavam os que queriam vê-los eternamente juntos.
Sempre fui partidário da segunda frase. Praticamente se aplica ao caso do Roger, no Corinthians. Não tem nem uma semana de PCG no Parque São Jorge e já pregam a saída do Roger. A reserva de talento do time. O único que pode acender a luz sem tocar no interruptor. Vejo esta fome em dar ao Roger o bilhete azul _ para quem falou de Liz Taylor e Richard Burton, o bilhete azul cai como uma luva de pelica no texto _ o sinal de que hoje tem muita gente boa com pouco, ou quase nenhum, apreço por quem sabe jogar futebol.
Existe um rigor com o talentoso _ vejam quem nem considero o Roger um craque _ e uma complacência com o botinudo impressionantes. Não sei quando começou esta deformação, mas percebo que ela chegou para ficar. É quem nem restaurante a quilo, chopp sem pressão e botequim com banco alto, que te impede de colocar os pés no chão.
Dizem que o mundo mudou _ não nego e aplaudo _, mas tem umas coisas que ficam difíceis de engolir. Tal e qual a dúvida entre a rúcula e a alface que engarrafa as filas dos restaurantes a peso, os tira-gostos servidos em bandeja e a etiqueta colada no Roger de perna-de-pau ou enganador.
GENTE RANZINZA
Nunca pensei que a torcida do Flamengo seria contaminada pelo vírus da ranzizice. Pois eis que na noite de quarta-feira no palco iluminado do Maracanã, a torcida resolveu pegar no pé do time. Dá um tempo, simpatia, cantaria o Jorge, que foi Ben e hoje é Benjor. Vamos parar com esta mania de depreciar o time do Flamengo e não ter nem um intervalo de tolerância. Esta equipe praticamente me nada deve ao Santos e ao São Paulo. Já está na final do Campeonato Carioca e, independentemente do adversário, entrará como favorito (caso seja o Cabofriense) ou dividindo o favoritismo (caso enfrente o Botafogo).
Tem bons laterais, um bom goleiro e do meio de campo para a frente faz a bola rolar. A rapaziada que adotou o vermelho e o preto como paixão precisa tomar Florais de Bach. Antes e depois dos jogos.
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LIÇÕES DE UMA DERROTA
Décadas atrás, no século passado precisamente, havia um sujeito chamado Oswaldo Sargentelli. Definia-se, entre outras coisas, como mulatólogo. Era um multimídia, mas naqueles tempos esta palavra não fazia parte do vocabulário de eruditos e populares. Aliás, a mídia era imprensa e o sujeito com muitas atividades era apenas um cara com atividades diversas. Um homem muito ocupado.
Toda esta divagação vem a propósito da eliminação do Internacional. Tenho certeza de que muita gente dentro do clube prega a demissão do técnico e hoje deprecia o vitorioso trabalho feito pelo Abel Braga. É aí que entra o Sargentelli com uma frase que o caracterizava: Ô gente boa, dizia o OS com aquela voz de trovão capaz de superar em decibéis os aviões que rasgam o céu do Rio de Janeiro nestes dias de Corrida Aérea.
Peço emprestado a frase _ ô gente boa _ para chamar às falas os que hoje contestam o trabalho do AB. Está na hora de refletirem muito sobre o que acontecerá com o clube daqui para a frente. Não é para cometer o harikiri ou tampouco procurar o terraço do mais alto prédio de Porto Alegre e de lá fazer uma loucura.
Claro que incomoda, tira o sono, complica a digestão e aumenta a enxaqueca o fato de o time não ter passado da primeira fase da mais importante competição do continente. É para ficar uns três dias de ressaca, sem saber em que direção seguir ou o que fazer. Mas as dores passam e a vida segue. É desta forma que o Internacional tem que olhar a eliminação. Aconselho que seja colocado no CD player _ falecida vitrola ou toca-discos _ Simone cantando "Começar de Novo", de Vitor Martins e Ivan Lins. Será uma boa maneira de constatar que o mundo não acabou e que um clube como o Internacional tem capacidade de colar os cacos.
A NOITE
Entre outras coisas, a noite de gala do Pedrinho, quinta-feira na Vila Belmiro, quebrou a idéia de que o jogador não se empolga com o estádio vazio. Três mil devotos do clube de Pelé compareceram ao estádio e se deliciaram com a participação de um jogador que chegou a cortejar a aposentadoria e teve a coragem, neste mundo de super-heróis, de falar sobre a sua depressão.
Sofredores dos males do fígado e usários de sapato apertado lembrarão que o adversário tinha a pretensão de conhecer o litoral de Santos e depois voltar para casa. Não concordo. O Deportivo Pasto, limitado e determinado, quis marcar o Pedrinho e não conseguiu. Viu o maestro, naquela noite, santista reger o time.
Enquanto Pedrinho dizia ao respeitável público que valeu a pena o Santos, leia-se Vanderlei Luxemburgo, contratá-lo, no Maracanã o Carlos Alberto colocava em dúvida a sua contratação. Não vou comprar bilhete para este vagão formado por críticos da presença do CA no time e que associam sua escalação às derrotas. Muito pelo contrário. Observem-no com a atenção devida e verão que sua capacidade para buscar uma vitória é impressionante. O problema é o temperamento. A expulsão só prejudicou ao Fluminense.
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GESTO QUE IMPRESSIONA
O penúltimo grande lance do jogo entre Santos e Bragantino foi protagonizado pelo Fábio Costa. Uma defesa daquelas em que o responsável justifica o empenho e esforço para contratá-lo e uma reação emocionada e vibrante para os companheiros de equipes, os torcedores na arquibancada e inibidora para os adversários. Ao gritar e balançar o corpo como se tivesse levado um choque, o Fábio Costa explicou a classificação do Santos às finais do Campeonato Paulista e ainda avisou ao distinto público que ali existe um atleta capaz de reagir imediatamente com a vibração necessária para uma grande jogada.
Nos acostumamos com as comemorações no futebol apenas quando sai um gol. É diferente do vôlei em que cada ponto _ seja de ataque, bloqueio ou saque _ é comemorado individualmente e coletivamente. O goleiro, solitário por natureza, pouco comemora. Quando o seu time faz um gol, a câmera não o filma e tampouco alguém da equipe vai lá abraçá-lo. Prestam atenção nele apenas quando comete uma falha ou realiza grandes defesas, caso do Fábio Costa na piscina em que se transformou o Morumbi, especialmente no primeiro tempo.
Ao reagir daquela forma, espontânea e emocionante, a uma defesa, o Fábio Costa mostrou que não é apenas no peito dos desafinados que bate um coração. No dos goleiros também. Tenho certeza de que o time ficou impressionado com aquele gesto. Imagino que, apesar do pouco tempo que restava, todos pensaram que estava mais do que na hora de botar sebo nas canelas e correr o triplo do corrido até aquele momento.
Há tempos que a fase do Fábio Costa é das melhores. Sofredores do fígado sempre recordam episódios controversos na sua carreira, como se isso sempre fosse o mais relevante na história. Desde os Miseráveis que a mania de perseguição a alguém, notadamente entre os personagens do elenco verde e amarelo, se transformou em hábito. Tal e qual tomar uma cervejinha na noite de sexta-feira, comer sardinha no beco da Miguel Couto, no Rio de Janeiro, ou jogar conversa fora nos bares da Vila Madalena, em São Paulo.
Quem conversa com o Fábio Costa fica impressionado com a sua serenidade e clareza para defender os seus argumentos. Pensa que está diante de um monstro e constata que é uma pessoa afável, mas sem jamais deixar de dizer o que pensa.
Pode ser que o histórico dificulte o seu caminho de volta à Seleção Brasileira. Noves fora o Rogério, bom de mãos e pés, e o Júlio César, bom de mãos e pés, o Fábio Costa não tem concorrente na posição. Quem o viu ontem, apenas ontem, não tem idéia do que ele tem feito nesta temporada. Muitas vezes foi o muro que impediu uma derrota santista. Merece uma chance na Seleção e ser olhado sem os exageros cometidos no passado. Quem vibra como ele vibrou naquele Morumbi tem algo a mais.
BEM PRECIOSO
Time de futebol que não consegue trocar três passes seguidos está condenado ao insucesso. É o bem mais precioso do futebol e nem todos os técnicos o valorizam com a necessária atenção. O terceiro gol do Botafogo contra o Cabofriense foi o resultado de uma precisa troca de passes. Mostrou que ali existe um time bem treinado _ é nestas horas que o serviço do técnico aparece _ e que pode seguir em frente de cabeça erguida.
Não há favorito para esta final e discordo daqueles que enxergam o Botafogo em momento superior ao do Flamengo. Andam depreciando em excesso o rubro-negro. Tem o melhor goleiro do Rio de Janeiro, dois laterais com vaga na maioria dos times, um volante daqueles com alma de operário e peca no ataque. É bom o Botafogo tomar cuidado com esta euforia que o envolve.
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