CONVERSA DE SEGUNDA-FEIRANo melhor jogo disputado até agora nesta temporada _ e olhem que foi superior a Barcelona x Real Madri e a Inter x Milan _, a conversa fica mais em cima do erro cometido pela auxiliar de arbitragem, Ana Paula Oliveira, e nos lances mais violentos, especialmente os que envolveram o goleiro Fábio Costa e o atacante Aluísio; e o zagueiro Antônio Carlos e o atacante Leandro.
Deixam, talvez pela força do hábito de colocar o futebol bem jogado abaixo de tudo, o que aconteceu ao longo dos 90 minutos em segundo plano. Poderia enumerar vários lances, defesas, dribles e passes que deram ao jogo a posição de melhor nesta temporada. Mas me atenho aos episódios por entendê-los como emblemáticos e envolver personagens interessantes.
Vejam o caso do erro cometido pela Ana Paula Oliveira. O maior acerto foi o de ter reconhecido a falha que cometeu. Penso que foi a primeira grande mancada _ em rede nacional _ cometida pela assistente. Já a vi em ação e fiquei impressionado com a velocidade com que acompanha os lances. Errou por ter pensado que a jogada teria um desfecho e errou exatamente por não ser infalível, como ninguém.
Há quem atribuirá ao erro o empate e aí eu discordo. O gol anulado não é garantia de que depois dele o Santos venceria a partida. Creio que se dá uma exagerada dimensão erro, como se fosse inédito ou dirigido. Nem uma coisa e nem outra. O erro cometido pela Ana Paula não pode ser responsabilidade pelo placar. Àquela altura, o Santos teria empatado o jogo e ninguém pode garantir que depois marcaria o segundo gol.
Saio da assistente que teve a decência _ palavra cujo significado incomoda a muitos _ de reconhecer publicamente o seu erro e me concentro no Fábio Costa e no Aluísio, os dois melhores jogadores em campo. Fico impressionado e feliz com a vibração do Fábio Costa a cada defesa. A que fez em chute do Jadílson, ainda no primeiro tempo com o jogo empatado em 0 a 0, é digna de um grande goleiro. Na sequência, ele comemorou com a euforia de um título conquistado. Linda imagem, capaz de cativar o mais nórdico dos torcedores e de fazer com que o garoto na arquibancada vire-se para o pai e diga do alto de sua inocência: "eu quero ser este cara quando crescer".
Pois o personagem capaz de uma defesa de Yashin ou Gordon Banks é capaz de levantar, intencionalmentem, o pé com a sola da chuteira à mostra para atingir o adversário. Todos somos dóceis e violentos; gentis e grosseiros; cordatos e rebeldes. O Fábio Costa não é diferente. Só que pessoa inteligente como ele é _ quem já viu uma entrevista com ele sabe sobre o que estou falando _ deve fazer uma reflexão sobre um e outro comportamento. Pena que ninguém queira muito saber das defesas _ depois teve aqueles dois chutes do Hugo que não foram táo difíceis assim _ e tampouco da vibração. O bom trabalho fica em segundo plano exatamente pelo fato de que estão todos mais interessados no que é bélico.
O personagem que estava na jogada com o Fábio Costa tem sido um dos melhores jogadores do São Paulo na temporada e se caracteriza pela luta incessante. Não é jogador para a Seleção Brasileira _ e duvido que pense nisso _, mas fundamental para o São Paulo.
Já os confrontos entre o Antônio Carlos e o Leandro mostram erros de um lado e outro. Exaltado pela experiência, o Antônio Carlos se comporta, as vezes, como um principiante. O choque com o Leandro não foi a jogada mais violenta entre ambos. Ali ficou muito claro que os dois entraram para ver o que poderia acontecer.
Mas houve uma outra jogada em que Antônio Carlos transformou sua perna direita em foice. A intenção era acertar o Leandro e aí o Antônio Carlos se comportou como um principiante. Não cabe com o currículo que tem, o comportamento de juvenil. Tampouco cabe o comportamento do Leandro. A cada queda, a sensação é de foi inutilizado para o futebol. A cada falta a impressão é de que a carreira está comprometida. Penso que a doação do Leandro é fundamental para o time, que ele está cada vez melhor, mas precisa aposentar, o mais rápido possível, esta mania de amplificar as faltas que sofre; de bater boca com o árbitro e de confundir dedicação com provocação. Será melhor para ele.
PELA LENTE DO ALBERTOEsses moços, pobres e ricos moços, talvez não o tenham conhecido, mas quem, como eu, teve o privilégio de com ele trabalhar e vê-lo em ação fica com os olhos marejados ao saber da sua morte. Aos 75 anos, em Búzios, o paraibano Alberto Ferreira morreu e deixou uma enciclopédia de como se fotografa. O mundo foi apresentado ao seu talento naquela espetacular foto de Pelé, dando uma bicicleta no Maracanã. Durante muitos anos foi fotógrafo e depois Editor de Fotografia do JORNAL DO BRASIL. Formou várias gerações que devem ter ficado com as lentes ambaçadas aos saber da sua morte.
Era um homem rude de modos refinados; um intuitivo com a sensibilidade dos pintores e tranformava fotos em quadros.
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