SporTV
Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro. Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2002. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
ESSA HISTÓRIA DE PROFESSOR......
A contratação do Joel Santana para dar plantão (não me ocorre outra palavra para definir o trabalho de um técnico nas Laranjeiras) à frente do time de futebol do Fluminense exumou discussão interessante e que mostra a deturpada visão sobre o trabalho dos que ganham a vida dando expediente à beira do campo. Criticam o Joel pelo linguajar simples _ os preconceituosos usam a palavra boleiro _ e o descompromisso com o português rebuscado, não necessariamente com o emprego dos verbos de forma correta.
Quando ouço aqui e ali insunuações de que o Joel é um técnico ultrapassado, eu não posso deixar de enxergar o preconceito _ todos nós somos preconceituosos, ambiciosos e vaidosos, mas temos muita dificuldade em aceitar esta idéia _ velado, o que é tipicamente brasileiro, nestas argumentações. Fazem cara feia para o trabalho do técnico simplesmente pelo fato de ele não entrar em campo com roupas caras ou de não se mostrar um praticante da neurolinguística.
Esta moda de se impressionar com o estilo dos técnicos e, consequentemente, valorizá-los exageradamente, chegando ao ponto de chamá-los de professor _ o que só deprecia categoria profissional tão nobre _ começou nos anos 90. Naquela década, o modelo de técnico, respaldado pela mídia, passou a ser o do sujeito elegantamente vestido _ depois passaram a quetionar o gosto _ de discurso rebuscado e com explicações mirabolantes para os resultados obtidos.
Os que não se encaixaram neste modelo _ caso do Joel Santana e poucos outros _ foram colocados em segundo plano. Receberam a pecha de ultrapassados, fora de moda e entraram num caminho à margem dos grandes clubes. Nada contra a renovação e tampouco contra a manutenção de quem tem compromisso com o presente sem ignorar o passado e mirar o futuro.
Esta tese ainda perdura na cabeça de muita gente boa e, creio, manter-se-á para todo sempre. É uma pena que assim seja, mas, como canta Lulu Santos, assim caminha a humanidade. Quando o Fluminense contrata o Joel Santana _ que não era a primeira opção _ demonstra que o estilo do técnico ainda vigora no mercado. É bom constatar que o profissional sem ares de especialista em doutorado da bola pode ser aproveitado. Dos muitos técnicos que o tricolor carioca teve nos últimos 12 meses, o Joel é o mais qualificado. Seu currículo mostra isso. Merece respeito por tudo o que fez e será ainda mais respeitado pelo que pode fazer. Resta saber se conseguirá.
OLHO NO AZUL E PRETO
O time é gaúcho, mas o jeito é mineiro. Este início de temporada do Grêmio merece acompanhamento mais do que especial. Prestem atenção nos jogadores que formam a equipe e todos verão que não é apenas no Sul Maravilha que se forma equipes sem grandes jogadores e eficientes. O segredo para que um técnico obtenha resultados não é tão difícil de ser desvendado. Basta que ele ganhe a cumplicidade dos jogadores que comanda e saiba tirar de cada um o máximo que cada um pode dar. O Mano Menezes demonstra saber como fazer isso. Discretamente, o Grêmio caminha, com vitórias convincentes, para fazer mais uma boa temporada.
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TREZENTOS E CINQUENTA MARCOS
Ainda bem para o Marcos que no seu jogo de número 350 com a camisa do Palmeiras, o time venceu. Fico a imaginar o que poderia acontecer caso o time fosse derrotado e ficasse em posição delicada na tabela de pontuação do Campeonato Paulista. Há tempos, o Marco é o símbolo do Palmeiras. Passou por fases muito ruins dentro do clube e já teve condições de trocar o Palestra Itália por outros lugares menos problemáticos. Optou sempre por ficar no clube que certamente aprendeu a amar.
Ao tomar esta decisão, o Marcos mostrou que nem todo profissional tem com o clube apenas uma relação fria e reservada para o exercício demagógico da paixão. Jamais o vi beijar o escudo do Palmeiras, mas as declarações e o comportamento mostram que é muito mais identificado com o verde e branco do que gente que prega paixão mas só trabalha contra.
Lembro que na época da Série B, o Marcos era a mais completa tradução do sofrimento palmeirense. Não saia à rua, exceto para treinar, e só pensava em ajudar o clube no retorno à primeira divisão.
É homem de poucas entrevistas. Prefere fazer a falar. No dia em que completou 350 jogos, a melhor homenagem só poderia ser a vitória do Palmeiras. Em fim de semana tão movimentado e com muitas histórias para contar, o feito do Marcos merece destaque.
FLAMENGO
Ao contrário de muitos, eu não vejo pênalti como uma simples loteria. Muito pelo contrário. Pede equilíbrio e precisão. Foi o que faltou ao Vasco da Gama e sobrou ao Flamengo. É sempre mais fácil falar depois do jogo, mas os jovens do Vasco da Gama estavam muito mais tensos do que a turma do Flamengo, que poderia ter vencido a partida no tempo regulamentar.
Ficou a certeza de que Renato Gaúcho não pode abrir mão, na mesma partida, de Conca e Morais. A saída de ambos deixa o Vasco da Gama vulnerável. Já o Flamengo, a cada jogo no Carioca ou na Libertadores, mostra que tem muitas opções no elenco, mesmo com a contusão de Obina.
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O MUNDO DOS EQUÍVOCOS
Nestes tempos de valorização do banal, a polêmica em torno do peso do Ronaldinho Gaúcho não deixa de ser reveladora. Quando o diário espanhol publicou duas fotos do jogador _ uma na época da Copa do Mundo e outra feita na semana passada _, mostrando o abdômen desenvolvido do atacante, o mundo se espantou. Era inevitável a associação. Ronaldinho Gaúcho está mal _ a foto foi tirada após a derrota para o Liverpool _ por conta da barriga. Só esqueceram de uma coisa: na época da Copa do Mundo, ele estava no peso e também não jogou bem. Aliás, o desempenho de Ronaldinho Gaúcho no Mundial da Alemanha ficou abaixo da expectativa até dos mais céticos.
Volta e meia o Ronaldinho Gaúcho está na berlinda. Exagerados, disfarçados de discretos e filósofos, já o consideraram superior ao Pelé. Típico comportamento destes tempos atuais. Apostaram que o Ronaldinho Gaúcho iria arrebentar na Copa do Mundo e agora não sabem o que fazer para justificar o tamanho da tolice que disseram à época.
Passada a Copa do Mundo, a outra ala de exagerados _ eles estão em todos os lugares _ se manifestou contrária a permanência do Ronaldinho Gaúcho entre os titulares da Seleção Brasileira. O Dunga, de certa forma, atendeu a esta expectativa e até agora o Ronaldinho Gaúcho, o que considero um erro, ainda permanece na reserva da Seleção Brasileira.
No meio desta controvérsia, ele engordou e o futebol emagreceu. Há quem só veja o Ronaldinho Gaúcho nos melhores momentos e pense que ele é sempre um jogador espetacular. Não é, como ninguém jamais foi. Nem o maior de todos, o insuperável Pelé.
No último jogo do Barcelona, o Ronaldinho Gaúcho protagonizou um lance espetacular e já disseram que ele bateu um bolão. Engano. Teve uma atuação razoável.
Considero-o um dos maiores jogadores que o futebol brasileiro conseguiu produzir nos últimos tempos, defendo a sua presença entre os titulares da Seleção Brasileira e vejo-o cada vez mais humanizado. Exatamente por estar acima do peso. Demonstra que não é uma máquina.
O TRIBUNAL
A cada absolvição do Emerson Leão, eu penso que os árbitros se desmoralizam e só conferem ao treinador a certeza de que o seu comportamento à beira do campo não é equivocado. Ano passado, quando Wilson Senemene o expulsou de campo na derrota de 3 a 0 do Santos para o Corinthians, o relato na súmula não batia com as imagens exibidas e desta vez aconteceu praticamente o mesmo. Enfraquecidos com as absolvições do técnico, os árbitros devem ser mais precisos e convincentes nos argumentos que determinam a expulsão do técnico. Do contrário, a cada expulsão ele se transformará em vítima.
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LEMBRANÇA DO CAZUZA
Quando o Flamengo anuncia a contratação do Léo Lima, a primeira coisa que me vem a cabeça são os versos de uma música do Cazuza (não lembro o nome) em que ele cantava não fazer mal a ninguém a não ser a ele mesmo. Pois o mais recente reforço (?) da Gávea transformou estes versos em um mantra, embora ainda não tenha se dado conta disso.
O estilo do Léo Lima é refinado e no par ou ímpar, ele sempre foi o primeiro ou, no máximo, o segundo a ser escolhido. Raros são os jogadores que combinam o porte físico com habilidade. É o caso do Léo Lima. Tem mais de 1,85m e demonstra com os pés muita habilidade, além de enxergar muito bem o jogo.
Tantos atributos fizeram com que despertasse a atenção de gente capacitada dentro do mundo da bola, como o Vanderlei Luxemburgo. Noves fora as idiossincrasias do VL, o conhecimento que tem do jogo jogado é motivo de orgulho para qualquer jogador por ele indicado. Mas depois de um certo tempo, o Vanderlei Luxemburgo perdeu a paciência e o Léo Lima saiu do campo direto para o Departamento Pessoal.
Desembarcou no Olímpico e o Mano Menezes o recebeu de braços abertos e disposto a ajudá-lo a mostrar tudo que ele pode fazer. Como sempre acontece, o começo do Léo Lima só justificou a contratação. Aos poucos, ele caiu de produção e agora vai para a Gávea cercado de desconfianças. Que o Léo Lima sabe jogar futebol ninguém tem dúvidas. O problema é que ele não consegue dar uma volta no quarteirão sem um tropeço, uma discussão ou uma queda. É mais uma oportunidade para que o Léo Lima mostre que tudo aquilo que pensa ser, ele realmente é.
LUZ QUERO LUZ
Na medida em que o tempo passava e a luz não voltava, a torcida do Grêmio mais gritava. Diante da televisão, eu pensava que, a partir do instante em que a bola rolasse, o Grêmio daria um show de bola. Aconteceu exatamente o contrário. O entusiasmo das arquibancadas contagiou os jogadores e todos passaram os primeiros 45 minutos levando uma goleada da ansiedade. Nos outros 45, apesar dos tranqulizantes tomados no vestiário, o time continuou a errar. Por mais que o Mano orientasse, a equipe não conseguia encontrar o norte.
Não foi um bom resultado e tampouco o mundo acabará por conta do empate. Mostrou apenas que a ansiedade é adversário tão perigoso quanto os times que estão no grupo.
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OPERÁRIOS DA BOLA
Na vitória do São Paulo, o Alex Silva e o Leandro, necessariamente nesta ordem, tiveram uma grande atuação. O primeiro sobe de produção a cada 90 minutos e entra agora no perigoso terreno do encatamento. Se ficar deslumbrado pelos elogios, o risco que corre de alternar boas e más atuações aumentará. Do contrário, a tendência é que evolua cada vez mais. O outro jogador que me impressionou nos 4 a 0 sobre Alianza foi o Leandro. Não o vejo como um candidato a lista do Dunga, mas é fundamental para qualquer grande clube do futebol brasileiro.
No Beira-Rio, lembrando o Inter da Libertadores de 2006, o colorado teve num jogador o ponto mais importante para conseguir a vitória: o Pedrigão. Sim, o Perdigão, aquele baixinho que muitos gaúchos dizem ser a versão sulista do Vampeta. Soube se colocar na entrada da área no instante do primeiro gol _ quem dera a maioria dos jogadores de meio de campo tivesse a mesma percepção _ e deu passes de típico apoiador.
A cada jogo do Alex Silva, eu percebo como ele é versátil. Entre o jogador estabanado, cheio de pernas, como dizia o pessoal da minha rua, e o atual, existe uma diferença abissal. O daqueles tempos não muito remotos perdia a cabeça facilmente. O de agora está mais sereno, mais útil e menos afobado. A sorte, porém, é que seu técnico chama-se Muricy Ramalho e tem no comedimento a principal virtude. Podem elogiar o Alex Silva, podem incensá-lo, colocá-lo na lista dos melhores da nova geração que lá estará o Muricy com a serenidade e a seriedade habituais contendo os eufóricos.
Se o Alex Silva ouvir mais o Muricy do que os candidatos a súditos que gravitarão ao seu redor, o futebol dele ainda evoluirá mais. Depende muito mais dele do que de qualquer outra pessoa.
Foi o que o Leandro percebeu há algum tempo. As recaídas _ insinuar que a falta sofrida é mais grave do que realmente foi; e reclamar excessivamente do árbitro _ ainda existem, mas o Leandro, quando se livra deste modelo de vítima da violência e rebelde sem causa, é um jogador imprescindível para a maioria dos times em atividade no país. Sua movimentação e, mais recentemente, as finalizações colocam-no como um dos principais jogadores do time. Não foi apenas na partida desta quarta-feira que ele mostrou capacidade e fez a diferença. Tem sido comum nos últimos jogos.
Já o Perdigão mostrou, pelo menos na noite de quarta-feira, que o Internacional tem uma boa opção no meio de campo. Vejo-o como uma figura capaz de incentivar o time, animar a torcida e não sei se o desempenho diante do Emelec foi uma exceção. O que sei é que teve papel fundamental para o Internacional conseguir os primeiros três pontos na Libertadores.
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PROMESSA É DÍVIDA
Esta frase me veio à cabeça na noite de quinta-feira, enquanto assistia a entrevista do Magrão, no SporTVNews, após a vitória do Corinthians. Disse o jogador que o clássico deste domingo tem que ser marcado pela paz e a rivalidade precisa ficar apenas na busca pela vitória. Tomara que o Magrão acredite no que disse. Não é comportamento muito comum entre os habitantes do planeta e não se limita apenas aos jogadores de futebol.
Falar é muito fácil e praticar muito difícil. O que tem de gente indignada com a violência que assola o país é impressionante. O que tem de gente que pratica violência no dia a dia também impressiona. Não pensem que a violência é só praticada com o uso da arma de fogo, no assalto ou no sequestro. Existe uma outra, absolutamente incorporada ao cotidiano, que inclue o carro estacionado em fila dupla, a falta de troco, a falta de bom dia e de boa tarde. Isso também é violência, mas até agora boa parte do elenco desta terra de Macunaíma ainda não percebeu.
Feita a divagação que este blog nem sempre resiste, eu volto ao Magrão. Se ele acredita que a violência não pode ser prato do dia do futebol e tampouco nos clássicos, ele não pode praticá-la. Que seja firme nas divididas, que seja determinado na busca pela vitória, mas que não caia da vala comum e queira se transformar no xerife do Morumbi. É bom que o Magrão saiba o seguinte: o comportamento do jogador dentro de campo é uma referência para aquele bandido disfarçado de torcedor nas arquibancadas.
Lembro que o repórter André Rizek contou que uma falta violenta do, pelo menos enquanto a bola não rola, pacifista Magrão, no segundo tempo de Corinthians x São Paulo, desencadeou uma série de reações violentas nas arquibancadas.
Falar e não fazer é a coisa mais fácil do mundo. O clássico deste domingo reúne dois times em situação delicada no Campeonato Paulista e com o caminho da glória ou do cadafalso para seguir. Que os jogadores, os técnicos e o trio de arbitragem saiba que é assim que a coisa funciona. Seria muito bom também que a mídia contribuísse jogando no lixo a sua porção Candinha. Está mais do que na hora de parar com este jogo de intrigas _ o fulano do lado de lá disse isse e o beltrano do lado de cá disse aquilo _ que pensam ser jornalismo.
MADUREIRA CHORARÁ OU RIRÁ
No tempo em que o samba era objeto de consumo de Madureira, um bairro do subúrbio do Rio de Janeiro, havia uma música com o seguinte refrão: "Madureira chorou". Pois o samba no bairro continua em alta, mas fora dele as tradicionais Império Serrano e Portela não empolgam mais os jurados da Sapucaí. Entrou em campo o time de futebol, que tem a missão de desbancar o Flamengo nas finais da Taça Guanabara. Em dois jogos. Creio mais nas possibilidades rubro0-negras do que nas do tricolor suburbano, mas o futebol pouco se dá para este tipo de situação. Se o Flamengo entrar em campo com a crença de que a místrica resolve, o caminho para a frustração será mais curto do que pode pensar o mais pessimista dos torcedores do Fla.
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QUANDO SE FAZ A DIFERENÇA
O mais importante da vitória do Palmeiras sobre o Corinthians não foram as grandes atuações do Valdívia e do Edmundo, não necessariamente nesta ordem, e o ótimo desempenho de Martinez, como coadjuvante. Em tempos de Oscar, ele certamente levaria a estatueta para casa. O que mais me chamou a atenção foi a comprovação, enquanto a bola rolou, que é possível harmonizar talento e eficiência. Por conta destas interpretações meio tortas que vigoram nos dias de hoje e por uma filosofia de que no futebol o mais importante é não levar gol e, depois, tentar marcá-lo, o futebol passou a olhar de soslaio a reunião de talentosos.
Pois o Palmeiras que entrou em campo no domingo, dirigido por um técnico promissor, jogou nolixo esta tola teoria. Quando ele preferiu colocar Martinez, Edmundo e Valdívia avisou ao respeitável público que o Palmeiras tem jogadores em condições suficientes para darem luiz ao time que trafegava no obscurantismo.
Não se pode negar que o Corinthians, por conta de uma formação exageradamente cautelosa, facilitou a evolução palmeirense, mas seria exagero também creditar os 3 a 0 apenas aos erros cometidos pelo adversário. Vi um Palmeiras com dois maestros _ um chileno e outro nascido no estado do Rio de Janeiro, mas absolutamente identificado com um tipe cem por cento paulista e de colônia _ e um carregador de piano. Mas piano para concerto de música clássica.
O Palmeiras precisava de uma vitória com esta construção. É do tipo de que eleva o espírito dos jogadores. O mesmo se aplica ao Corinthians. Há tempos, os jogadores necessitam de um resultado que eleve a moral de todos. Está difícil e nestes momentos o técnico Emerson Leão, pavio curto em muitas situações, terá que mudar o seu jeito de ser. Entre partir para o confronto com o Roger, que fez ponderações pertinentes sobre o desempenho do time, e pensar numa maneira de dar mais jogo ao Corinthians, o segundo caminho é o mais adequado.
Até agora, o Corinthians ainda não demonstrou capacidade de reação. Este é o ponto mais importante para um time que terá nesta quarta-feira um jogo mais do que difícil _ contra o Marília, fora de casa.
DECEPÇÃO
E por falar em reação, o Flamengo, acostumado a quebrar a banca dos pessimistas, terá uma missão complicada nesta quarta-feira. O time do Madureira precisa ser olhado com o devido respeito e não está na final por acaso. Merece respeito pelo que joga e pelo que tem feito nas últimas temporadas. No primeiro jogo, o Flamengo não conseguiu jogar bem e teve um ataque absolutamente inpoerante. A continuar assim......
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PERPETUAÇÃO DO EQUÍVOCO
Terminada a partida com o Madureira, faixa no peito e mais uma Taça Guanabara conquistada, os jogadores do Flamengo _ não todos, é verdade _ começaram a discursar sobre as "provocações" (?) feitas pelo Madureira. Muitos assistiram ao Bem, Amigos, programa do Galvão Bueno, no SporTV, e ficaram indignados com o fato de o Djair, no mais absoluto exercício de lucidez, ter afirmado que o Flamengo era um time com posições bem definidas dentro do campo.
Do alto da conquista, os valentes de plantão bradaramm que a frase do Djair, na caolha interpretação desta turba ele chamou o Flamengo de time de totó, foi fundamental para o comportamento do time durante os 90 minutos, concluídos com uma sapeca iá-iá de 4 a 1. Quanta bobagem! Quer dizer que é necessário menosprezar o adversário, o que não aconteceu, para que o outro entre em campo disposto a vencer? Quer dizer que os 4 a 1 do Madureira na última rodada do primeiro turno da Taça Guanabara e o 1 a 0, na confronto inicial da decisão, aconteceram por conta da ausência de provocação do outro lado?
Pena que nem sempre esta turma se dê ao trabalho de refletir um pouco sobre o que o outro diz. Tem sido comum _ não apenas no futebol _ ouvir-se mais o que se quer ouvir e não o que é dito. Confuso? Explico: na maior parte do tempo tem gente que não escuta o que é falado e interpreta ao seu bel prazer. O comentário do Djair não depreciou e nem diminuiu a capacidade do Flamengo. Muito pelo contrário. Ele apenas fotografou a equipe rubro-negra. Errado ou certo era a opinião dele.
De uns tempos para cá, os jogadores _ nem todos _ e os técnicos _ a maioria _ precisam de um combustível extra para motivar os seus jogadores. Parece que o simples fato de entrar em campo disposto a vencer o adversário não é suficiente. Revela-se incapaz de dar aos jogadores a vontade e o oxigênio necessários na busca pelos três pontos. É uma desvirtuação do que penso para o esporte e para a vida. Está mais do que na hora de se repensar sobre esta questão da motivação. A verdadeira está em querer somar mais três pontos e em sair de campo como o vencedor. Nada é mais estimulante do que isso.
Pena que alguns jogadores do Flamengo precisem _ foram eles que disseram _ de uma interpretação equivocada para chegar a um título. Não creio que grandes equipes do futebol brasileiro tenham precisado de motivações deste tipo.
A conquista do Flamengo é mais do que merecida e foi o resultado da superioridade de um time melhor sobre outro que não tem a mesma qualidade. Futebol é esporte que baniu a palavra justiça do seu vocabulário, mas os bons têm espaço. Foi o que aconteceu na noite de quarta-feira no Maracanã.
O NOROESTE NÃO É O CORINTHIANS
Esqueçam a história que envolve um clube e outro e concentrem-se apenas no momento. Teve muito palmeirense que chegou no Palestra Itália absolutamente convencido de que o time, por volta da meia-noite, estaria a comemorar mais três pontos. O Noroeste não é o Corinthians. Pelo menos neste instante, o time treinado pelo Paulo Comelli passa por uma fase muito melhor. Os 2 a 1 sobre o Palmeiras em nada surpreenderam.
Deixou para o Palmeiras a lição de que ainda precisa melhorar muito e não é por conta da derrota que o time corre o risco de assistir pela tevê às semifinais do Campeonato Paulista. No momento, o Noroeste está naquele grupo que tira pontos de muitos outros candidatos a uma vaga nas semifinais.
GRÊMIO E GRÊMIO
Se quiser uma fonte de inspiração para a temporada, o Palmeiras pode olhar o passado recente do Grêmio. Houve um tempo em que havia mais nuvens do que céu azul sobre o Estádio Olímpico. Alguém que sabe harmonizar o bom vinho feito em Bento Gonçalves com a picanha da fronteira apostou no Mano Menezes. O resultado mostra que a aposta no MM _ não confundir com os melhores momentos _ foi a mais acertada decisão desta sujeito que adora chimarrão e uma boa carne. Que o Palmeiras tenha alguém capaz de combinar a massa com o tinto ou o risoto com o mais encorpado. Assim, o Caio Júnior fará o seu trabalho e o resultado aparecerá. É questão de tempo.
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CONVERSA DE SEGUNDA-FEIRA
No melhor jogo disputado até agora nesta temporada _ e olhem que foi superior a Barcelona x Real Madri e a Inter x Milan _, a conversa fica mais em cima do erro cometido pela auxiliar de arbitragem, Ana Paula Oliveira, e nos lances mais violentos, especialmente os que envolveram o goleiro Fábio Costa e o atacante Aluísio; e o zagueiro Antônio Carlos e o atacante Leandro.
Deixam, talvez pela força do hábito de colocar o futebol bem jogado abaixo de tudo, o que aconteceu ao longo dos 90 minutos em segundo plano. Poderia enumerar vários lances, defesas, dribles e passes que deram ao jogo a posição de melhor nesta temporada. Mas me atenho aos episódios por entendê-los como emblemáticos e envolver personagens interessantes.
Vejam o caso do erro cometido pela Ana Paula Oliveira. O maior acerto foi o de ter reconhecido a falha que cometeu. Penso que foi a primeira grande mancada _ em rede nacional _ cometida pela assistente. Já a vi em ação e fiquei impressionado com a velocidade com que acompanha os lances. Errou por ter pensado que a jogada teria um desfecho e errou exatamente por não ser infalível, como ninguém.
Há quem atribuirá ao erro o empate e aí eu discordo. O gol anulado não é garantia de que depois dele o Santos venceria a partida. Creio que se dá uma exagerada dimensão erro, como se fosse inédito ou dirigido. Nem uma coisa e nem outra. O erro cometido pela Ana Paula não pode ser responsabilidade pelo placar. Àquela altura, o Santos teria empatado o jogo e ninguém pode garantir que depois marcaria o segundo gol.
Saio da assistente que teve a decência _ palavra cujo significado incomoda a muitos _ de reconhecer publicamente o seu erro e me concentro no Fábio Costa e no Aluísio, os dois melhores jogadores em campo. Fico impressionado e feliz com a vibração do Fábio Costa a cada defesa. A que fez em chute do Jadílson, ainda no primeiro tempo com o jogo empatado em 0 a 0, é digna de um grande goleiro. Na sequência, ele comemorou com a euforia de um título conquistado. Linda imagem, capaz de cativar o mais nórdico dos torcedores e de fazer com que o garoto na arquibancada vire-se para o pai e diga do alto de sua inocência: "eu quero ser este cara quando crescer".
Pois o personagem capaz de uma defesa de Yashin ou Gordon Banks é capaz de levantar, intencionalmentem, o pé com a sola da chuteira à mostra para atingir o adversário. Todos somos dóceis e violentos; gentis e grosseiros; cordatos e rebeldes. O Fábio Costa não é diferente. Só que pessoa inteligente como ele é _ quem já viu uma entrevista com ele sabe sobre o que estou falando _ deve fazer uma reflexão sobre um e outro comportamento. Pena que ninguém queira muito saber das defesas _ depois teve aqueles dois chutes do Hugo que não foram táo difíceis assim _ e tampouco da vibração. O bom trabalho fica em segundo plano exatamente pelo fato de que estão todos mais interessados no que é bélico.
O personagem que estava na jogada com o Fábio Costa tem sido um dos melhores jogadores do São Paulo na temporada e se caracteriza pela luta incessante. Não é jogador para a Seleção Brasileira _ e duvido que pense nisso _, mas fundamental para o São Paulo.
Já os confrontos entre o Antônio Carlos e o Leandro mostram erros de um lado e outro. Exaltado pela experiência, o Antônio Carlos se comporta, as vezes, como um principiante. O choque com o Leandro não foi a jogada mais violenta entre ambos. Ali ficou muito claro que os dois entraram para ver o que poderia acontecer.
Mas houve uma outra jogada em que Antônio Carlos transformou sua perna direita em foice. A intenção era acertar o Leandro e aí o Antônio Carlos se comportou como um principiante. Não cabe com o currículo que tem, o comportamento de juvenil. Tampouco cabe o comportamento do Leandro. A cada queda, a sensação é de foi inutilizado para o futebol. A cada falta a impressão é de que a carreira está comprometida. Penso que a doação do Leandro é fundamental para o time, que ele está cada vez melhor, mas precisa aposentar, o mais rápido possível, esta mania de amplificar as faltas que sofre; de bater boca com o árbitro e de confundir dedicação com provocação. Será melhor para ele.
PELA LENTE DO ALBERTO
Esses moços, pobres e ricos moços, talvez não o tenham conhecido, mas quem, como eu, teve o privilégio de com ele trabalhar e vê-lo em ação fica com os olhos marejados ao saber da sua morte. Aos 75 anos, em Búzios, o paraibano Alberto Ferreira morreu e deixou uma enciclopédia de como se fotografa. O mundo foi apresentado ao seu talento naquela espetacular foto de Pelé, dando uma bicicleta no Maracanã. Durante muitos anos foi fotógrafo e depois Editor de Fotografia do JORNAL DO BRASIL. Formou várias gerações que devem ter ficado com as lentes ambaçadas aos saber da sua morte.
Era um homem rude de modos refinados; um intuitivo com a sensibilidade dos pintores e tranformava fotos em quadros.
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CONVERSA DE SEGUNDA-FEIRA
No melhor jogo disputado até agora nesta temporada _ e olhem que foi superior a Barcelona x Real Madri e a Inter x Milan _, a conversa fica mais em cima do erro cometido pela auxiliar de arbitragem, Ana Paula Oliveira, e nos lances mais violentos, especialmente os que envolveram o goleiro Fábio Costa e o atacante Aluísio; e o zagueiro Antônio Carlos e o atacante Leandro.
Deixam, talvez pela força do hábito de colocar o futebol bem jogado abaixo de tudo, o que aconteceu ao longo dos 90 minutos em segundo plano. Poderia enumerar vários lances, defesas, dribles e passes que deram ao jogo a posição de melhor nesta temporada. Mas me atenho aos episódios por entendê-los como emblemáticos e envolver personagens interessantes.
Vejam o caso do erro cometido pela Ana Paula Oliveira. O maior acerto foi o de ter reconhecido a falha que cometeu. Penso que foi a primeira grande mancada _ em rede nacional _ cometida pela assistente. Já a vi em ação e fiquei impressionado com a velocidade com que acompanha os lances. Errou por ter pensado que a jogada teria um desfecho e errou exatamente por não ser infalível, como ninguém.
Há quem atribuirá ao erro o empate e aí eu discordo. O gol anulado não é garantia de que depois dele o Santos venceria a partida. Creio que se dá uma exagerada dimensão erro, como se fosse inédito ou dirigido. Nem uma coisa e nem outra. O erro cometido pela Ana Paula não pode ser responsabilidade pelo placar. Àquela altura, o Santos teria empatado o jogo e ninguém pode garantir que depois marcaria o segundo gol.
Saio da assistente que teve a decência _ palavra cujo significado incomoda a muitos _ de reconhecer publicamente o seu erro e me concentro no Fábio Costa e no Aluísio, os dois melhores jogadores em campo. Fico impressionado e feliz com a vibração do Fábio Costa a cada defesa. A que fez em chute do Jadílson, ainda no primeiro tempo com o jogo empatado em 0 a 0, é digna de um grande goleiro. Na sequência, ele comemorou com a euforia de um título conquistado. Linda imagem, capaz de cativar o mais nórdico dos torcedores e de fazer com que o garoto na arquibancada vire-se para o pai e diga do alto de sua inocência: "eu quero ser este cara quando crescer".
Pois o personagem capaz de uma defesa de Yashin ou Gordon Banks é capaz de levantar, intencionalmentem, o pé com a sola da chuteira à mostra para atingir o adversário. Todos somos dóceis e violentos; gentis e grosseiros; cordatos e rebeldes. O Fábio Costa não é diferente. Só que pessoa inteligente como ele é _ quem já viu uma entrevista com ele sabe sobre o que estou falando _ deve fazer uma reflexão sobre um e outro comportamento. Pena que ninguém queira muito saber das defesas _ depois teve aqueles dois chutes do Hugo que não foram táo difíceis assim _ e tampouco da vibração. O bom trabalho fica em segundo plano exatamente pelo fato de que estão todos mais interessados no que é bélico.
O personagem que estava na jogada com o Fábio Costa tem sido um dos melhores jogadores do São Paulo na temporada e se caracteriza pela luta incessante. Não é jogador para a Seleção Brasileira _ e duvido que pense nisso _, mas fundamental para o São Paulo.
Já os confrontos entre o Antônio Carlos e o Leandro mostram erros de um lado e outro. Exaltado pela experiência, o Antônio Carlos se comporta, as vezes, como um principiante. O choque com o Leandro não foi a jogada mais violenta entre ambos. Ali ficou muito claro que os dois entraram para ver o que poderia acontecer.
Mas houve uma outra jogada em que Antônio Carlos transformou sua perna direita em foice. A intenção era acertar o Leandro e aí o Antônio Carlos se comportou como um principiante. Não cabe com o currículo que tem, o comportamento de juvenil. Tampouco cabe o comportamento do Leandro. A cada queda, a sensação é de foi inutilizado para o futebol. A cada falta a impressão é de que a carreira está comprometida. Penso que a doação do Leandro é fundamental para o time, que ele está cada vez melhor, mas precisa aposentar, o mais rápido possível, esta mania de amplificar as faltas que sofre; de bater boca com o árbitro e de confundir dedicação com provocação. Será melhor para ele.
PELA LENTE DO ALBERTO
Esses moços, pobres e ricos moços, talvez não o tenham conhecido, mas quem, como eu, teve o privilégio de com ele trabalhar e vê-lo em ação fica com os olhos marejados ao saber da sua morte. Aos 75 anos, em Búzios, o paraibano Alberto Ferreira morreu e deixou uma enciclopédia de como se fotografa. O mundo foi apresentado ao seu talento naquela espetacular foto de Pelé, dando uma bicicleta no Maracanã. Durante muitos anos foi fotógrafo e depois Editor de Fotografia do JORNAL DO BRASIL. Formou várias gerações que devem ter ficado com as lentes ambaçadas aos saber da sua morte.
Era um homem rude de modos refinados; um intuitivo com a sensibilidade dos pintores e tranformava fotos em quadros.
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A NOVA GERAÇÃO
O mercado se renova e nem sempre a gente percebe. Vejam o caso dos técnicos. No jogo entre Paraná x Flamengo, nesta quarta-feira, estarão a poucos metros de distância dois representantes desta novíssima geração: Ney Franco, do Flamengo, e Zetti, do Paraná. Durante muito tempo o mercado não se renovou e sofreu com a falta de oxigênio.
Em entrevista publicada nesta terça-feira no jornal O Globo, o Zetti falou sobre como é o seu relacionamento com os jogadores. Nada de gritos, humilhações, terror e autoritarismo. O modelo atual pede conversa, conhecimento e a percepção de que o jogador de futebol não pode ser tratado como se fosse um bobo ou incapaz de compreender as coisas mais simples.
Houve um tempo em que o jogador de futebol era visto como um ser incapaz de compreender qualquer instrução _ o que já era equivocado _ e tratado sempre de maneira folclórica. Fico feliz ao constatar que este tempo já ficou para trás. Há algum tempo. O jogador discute tática, tem opinião e quer participar. Nem todos, como em qualquer segmento profissional.
Contribui para isso a entrada de profissionais com este perfil comum ao Ney e a o Zetti. Vejo o técnico do Flamengo como o mais bem acabado exemplo de serenidade, cercado de histéricos por todos os lados. Observo o Zetti como aquele profissional que tem no Paraná e nesta Libertadores a chance de mostrar tudo o que tem aprendido nos últimos tempos.
CONTAS DE SONHOS
Não lembro o nome do locutor _ falha imperdoável! _, mas a frase até hoje está viva na minha mente. Quando um jogador fazia um gol, ele dizia com a voz possante que o diferençava dos demais. "Lá vai fluano, lá vai feliz, vendendo alegria". Pois foi desta frase que recordei ao ver o Romário, braços erguidos, comemorando mais um gol. Está à caminho, pelas suas contas, do milésimo. Faltam cinco me diz o motorista de táxi, que lamenta não ter visto o Pelé atuar e fazer o milésimo, e comemora a chance de acompanhar a corrida do Romário.
Que ele seja feliz nesta busca e fico a imaginar no dilema dos próximos goleiros que terão o Romário pela frente. Entrar para a história como aquele que interrompeu a trajetória do Romário ou ficar para a eternidade como o que levou o milésimo. É uma dúvida cruel.
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MAESTRO E SOLISTA
O Tom Jobim será eternamente o maestro soberano. Vi o Gérson atuar e ninguém mais do que ele justificou esta definição enquanto aquela canhota era o ganha pão de todos os dias. Pois ao ver o Santos contra o Gimnasia, a lembrança da figura do maestro se materializou na figura do Zé Roberto.
Há tempos o Santos joga com harmonia. Não dá para dissociar o que o time faz em campo com a imagem de uma orquestra. Atua por música e poucas vezes desafina. O responsável pela escolha dos músicos, quer dizer jogadores, foi o Vanderlei Luxemburgo. Mas em campo, com a bola rolando, o Zé Roberto dá o tom. Sempre certo e no ponto.
O gol que marcou na noite de quarta-feira, numa Vila Belmiro vazia, merecia mais público. Nada contra o palco, que é um dos com mais histórias do futebol mundial. Afinal, o Pelé deu expediente naquela gramado boa parte da sua carreira.
O talento do Zé Roberto, sempre muito bem coadjuvado, faz o Santos ficar em plano superior aos outros rivais. Tem um elenco à altura dos padrões brasileiros, mas um jogador que com um drible, arrancada ou passe faz a balança pender para o lado santista. Estamos cada vez com menos talentos em ação. A exportação de pés-de-obra é cada vez mais precoce, desenfreada e não parece ter solução. Jogadores como o Zé Roberto devolvem a alegria perdida com tanta gente que partiu em busca de fortuna e fama _ necessariamente nesta ordem.
Tem a bênção de conviver com um técnico que lhe apresentou uma proposta completamente distinta do que fazia e o resultado não poderia ser melhor. Até ele desconfiava da chance de acerto e agora está convencido de que a proposta, a princípio ousada, foi a mais acertada. Bom para o Zé Roberto, para o Santos e para quem admira o talento.
REAGE COLORADO
Acredito na reação do Internacional. É possível pelo elenco que tem e por quem o comada. Mas a demora para o ressurgimento daquele jogo forte na defesa, rápido na saída de bola e eficiente no ataque é inquietante. No jogo contra o Velez, o Internacional, exceto pelos dez minutos iniciais, parecia divorciado daquele Internacional dos dois últimos anos. Não vou buscar nas explicações padrão _ falta de vontade, excesso de vaidade, grupo dividido e outras baboseiras _ explicação para a irregularidade.
Acredito que a saída existe e passa por uma boa conversa entre todos. Ainda dá tempo para reagir.
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IRREGULARIDADE NOS PAMPAS
Na derrota do Internacional, o que mais chamou a atenção foi o divórcio entre o time atual e que se exibiu nos últimos dois anos pelos campos brasileiros. Há explicação para queda tão acentuada e tenho certeza de que os catedráticos sabem enumerá-las e depois justificá-las. Eu não tenho. Vejo o problema mais na alma do que no esquema; mais na mente do que no pé.
Vejam o caso do Grêmio. Aquele time que não conseguiu derrotar o frágil Tolima não tem problemas táticos. O drama está na cabeça e, por favor, não pensem que estou a dizer que o Grêmio desprezou o adversário, entrou de salto alto ou qualquer uma outra dessas bobagens. O Grêmio simplesmente não soube o que fazer a partir do instantes em que a bola rolou. Por vício, em parte, e por acomodação, em outra, o hábito de a tudo o técnico responsabilizar entrou em moda. Alguns até gostam desta posição. Acreditam-se poderosos e se perdem exatamente na estrada desta vaidade excessiva. Não é o caso do Mano Meneses e por esta razão não entendo que devo criticá-lo pela apatia do time.
Quem, como eu, viu o jogo do Grêmio ficou com a impressão de que o time estava satisfeito com o empate e quando se viu em desvantagem não sabia o que fazer. Foram dois resultados frustrantes protagonizados por clubes que podem muito mais.
Espero que encontrem o caminho da reação. Sem ela, o primeiro semestre terminará de forma decepcionante e os dois têm times para fazerem mais do que isso.
LIÇÃO
Enquanto o Internacional, especialmente este, e o Grêmio oscilam dentro da Libertadores, o Flamengo parece navegar em mares tranquilos. Na vitória sobre o Paraná, o time mostrou maturidade e um dado, geralmente ignorado por muitos, mas de muita relevância: os jogadores demonstram acreditar em tudo o que quase sempre calado Ney Franco diz. É dado para não ser ignorado. Time no qual os jogadores acreditam no que diz o técnico tem o caminho trapçado para a vitória de forma tranquila.
FIM DE SEMANA
Este clássico no Maracanã, entre Botafogo e Fluminense, tem tudo para ser mais um dos grandes jogos deste começo de temporada. Até agora, o melhor jogo do Campeonato Carioca foi o empate de 3 a 3 do Flamengo com o Botafogo. Não há dúvida de que o Botafogo foi tomado pelo ofensivismo. Joga para a frente e merece aplausos. Mas é conveniente observar que a defesa _ não prego a cautela, mas defendo (êpa!) o equilíbrio _ ainda sofre com a vulnerabilidade.
Será um grande teste para o Júlio César, goleiro do Botafogo, como também para o Fernando Henrique, do Fluminense. O primeiro tem a chance de resgatar uma histópria perdida. Há tempos _ exceto pelo Vagner em 95 _ que o Botafogo não tem um goleiro à altura do Manga, do Wendell e do Paulo Sérgio. O segundo, também em busca de afirmação, não desfruta da confiança do tricolor.
O mesmo não se pode dizer sobre o time. A acertada contratação do Joel Santana começa a mostrar os primeiros sinais de fôlego. Há tempos, o Fluminense não tinha um técnicos acostumado as matreirices do futebo. O JS se encaixa neste perfil e o olhar preconceituoso de quem só entende a existência a partir do próprio nascimento o colocou em outro plano. Maldade que o trabalho do Joel se encarregará de dizimar.
GAROA
Sempre diz o Armando Nogueira, o poeta do esporte, que ao craque não se fustiga. Pois do time de grande torcida não se deve duvidar. Vejam o Corinthians, que rodadas atrás muitos consideravam carta fora do baralho das semifinais. A chance é cada vez mais forte e tenho certeza de que na tarde deste domingo, com o apoio da torcida, o time, que está longe de seduzir pelo que faz, pode conseguir mais três pontos.
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A VITÓRIA QUE MEXE COM O TIME
Com 30 minutos do segundo tempo, o Noroeste só pensava no encerramento da partida. Estava mais do que satisfeito com o empate em 1 a 1. Do outro lado do campo, o Corinthians perseguia a vitória. Brigava e compensava a pouca inspiração com espírito de luta invejável.
A recompensa veio nos acréscimos com o gol de Daniel Grando. Méritos para um time que sabe das suas limitações e tenta compensá-las com esta dedicação.
Ficou muito evidente o que norteia um time e outro. O Noroeste tem um time bem montado e com justiça ocupa boa posição na tabela do Campeonato Paulista. Mas falta ambição aos seus jogadores. O conformismo com o empate em 1 a 1 mostrou que a taxa de ambição do elenco é muito baixa. Tinha condições de brigar pelos três pontos, mas optou pela cautela. O preço foi alto.
Sem nada a ver com isso, o Corinthians mostrou que está mais do vivo na briga por uma vaga à semifinal do Campeonato Paulista. Noves fora a performance ainda irregular, o time se caracteriza pela luta e dedicação. Foi assim que renasceu no campeonato e é assim que tem conseguido obter três pontos as vezes considerados impossíveis, como os deste domingo.
Méritos para os jogadores e também o técnico Emerson Leão. Tudo o que o Corinthians conseguir dentro do Campeonato passará por eles. E prestem atenção no William. Nada de rotulá-lo de craque ou compará-lo, precipitadamente, ao Robinho. É um jogador que desponta com condições de se destacar. Mas é recomendável cautela.
ASSIM SOMOS NÓS
É inacreditável o prolongamento da discussão sobre os locais em que serão realizadas as semifinais do Campeonato Paulista. Revela o quanto pensa torto parte da nossa sociedade. Existe uma regulamento e querem desrespeitá-lo com a maior naturalidade do mundo. Tanto que foi motivo de debates em programas _ não todos _ de televisão; reportagens nos jornais e troca de acusações nas rádios. O que é isso? Ensinava o jogo do bicho que vale o escrito, mas a pratica dos contraventores não é seguida por quem deveria pregar a seriedade.
Não temos problemas de lei e, sim, de cumprir as leis. Enquanto acharmos que as leis não devem ser respeitadas e os regulamentos descumpridos, será muito difícil ter uma sociedade melhor. Momento mais do que importante para refletirmos, todos, sobre a maneira como nos comportamos.
TALENTO É ISSO
O quarto gol do Vasco da Gama _ terceiro de Romário na partida contra o Boavista _ mostra como o futebol ficará mais pobre no dia em que o Romário se aposentar. Conforme a bola veio, ele devolveu de canhota para dentro do gol. A maioria dos atacantes em atividade no mundo precisa sempre matar a bola, ajeitar a bola, olhar para um lado e para o outro e, finalmente, tocá-la em direção ao gol. Com Romário, apesar dos 41 anos, é diferente. Conforme a bola vem, a bola vai. A dois gols do milésimo, segundo suas contas, ele merece todas as homenagens do mundo.
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A CAMINHO DO MILÉSIMO
Acabo de desembarcar em Brasília, onde vou comentar para o SporTV a partida do Gama contra o Vasco da Gama. É um jogo pela Copa do Brasil, mas ninguém se dá conta disso. O mais importante é que nele Romário poderá chegar a mística marca do milésimo gol. Tanto no Aeroporto Internacional do Rio, o Tom Jobim, como aqui em Brasília, fica evidente a expectativa das pessoas pelo alcançe da marca.
Próximo do fim da carreira, que ele mesmo encara como um momento delicado, Romário, pelo que faz em campo, está em evidência. Não questiono os seus números _ todos os gols que estão na estatística foram marcados _ e respeito o seu sonho. Aliás, eu tenho pelos sonhos, sejam quais forem, o maior respeito. Vejo-o cada vez mais afinado com o gol. Cada vez mais capacitado para entrar na área e marcar.
Imagino o quanto deve estar ansioso. Por mais que tenha pautado a carreira pela frieza _ isso explica um pouco a facilidade para marcar tantos em tantos lugares e de tantas formas diferentes _, ele percebe pelos olhares que o acompanham que a excitação está no ar. Constata a torcida do povo, a quem sempre alegrou com a bola nos pés.
Conversei muito pouco com o Romário. Na verdade, eu o entrevistei uma vez _ durante um jantar _ e nas outras foram sempre em coletivas, o que joga no lixo a possibilidade de se aproximar um pouco mais do entrevistado. É um trabalho de observação e audição. Tenho por ele uma enorme admiração pelo que falou com os pés e alguns comentários. Polemista por opção, ele sempre desafinou o coro dos contentes e isso já o fez se destacar em relação aos demais. Quando, finalmente, der entrada nos papéis da aposentadoria o futebol ficará mais pobre de idéias e de talento.
Jamais chamou um técnico de professor ou foi dócil a absurdas determinações de quem manda. Não pensem que a rebeldia brotou concomitante à fama. Antes, quando ainda não conseguia sentar na janelinha, ele já era assim.
Brasília poderá assistir na noite desta quarta-feira a um feito que ficará para sempre guardado na memória de algumas gerações. O menino que estava com 10 anos em 94 e aprendeu a gostar da Seleção Brasileira vendo o Romário marcar _ vale destacar que muito bem acompanhado pelo Bebeto _ hoje tem 23 e cresceu admirando este senhor da grande e da pequena área.
Ele é um perfeito integrante da geração Romário. Talvez seja por isso que o centroavante suporte as dores e a rotina do futebol para realizar o seu sonho. Que, na verdade, pelo que vejo e ouço é de todos.
LIBERTAS
O comproimisso do Flamengo, apesar da boa atuação na última quarta-feira, não será tão fácil. O Paraná conta com o retorno do Dinélson e este jogador que o Corinthians insiste em esnobar sabe o que fazer com a bola nos pés. A mesma aplicação que teve em Curitiba, o rubro-negro precisará no Maracanã.
Por falar em aplicação estar é a palavra que norteará o São Paulo diante do Necaxa. Está certo que a fase dos mexicanos não é das melhores. Mas e daí? Eles se acostumaram a dar trabalho aos times brasileiros e jogo desta quarta-feira não será diferente.
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LÁ VAI O FLAMENGO
E lá vai o Flamengo driblando a desconfiança alheia, a presunção de alguns rubro-negros que não suportam a idéia de ter um mineiro como técnico e as lembranças de campanhas tão ruins quanto decepcionantes em passado recente. Este Flamengo que o Ney Franco montou não pode ser colocado no mesmo plano do Santos, do São Paulo e do Internacional, apesar do momento ruim pelo qual passa o colorado. Mas é necessário respeitá-lo. Vejo o time com dois laterais _ Leonardo Moura, pela direita; e Juan, pela esquerda _ capazes de criarem várias situações de gols e um volante, à moda antiga, que sabe o que fazer à frente dos zagueiros.
Apesar dos gols marcados pelo Sousa _ se o Carlos Eugênio Simon ainda tivesse aspirações, ele teria expulsado o atacante e o Juan _, ele me parece um centroavante muito irregular. Perde mais do que marca e uma hora o Flamengo terá que pagar a conta. Obina faz falta a este time e o Leonardo poderá ser uma boa opção para o lugar do Sousa, caso este continua a perder gols com a facilidade que políticos fazaem promessas.
SERÁ NO MARACANÃ
O milésimo gol não saiu em Brasília e a pergunta que toma conta da cidade é se o Maracanã será, pela segunda vez, palco desta marca. No jogo contra o Gama ficou evidente que o Vasco da Gama não pode se dar ao luxo de entrar em campo sem o Morais e o Leandro Amaral, que, embora o Renato não considere os dois titulares,estão acima da média e são determinantes para que o time jogue bem.
A derrota do São Paulo é daquelas que pode causar muita reflexão e ensinamentos. Faço parte daquele grupo de exigentes, no qual o Muricy Ramalho está incluído, que não vê o São Paulo casando as vitórias com boas atuações. É algo raro no futebol praticado hoje em dia, mas possível quando se trata do São Paulo. Quem sabe após um tropeço nas alturas, o time não se reencontra.
PARA REPENSAR
Leio que o zagueiro Renato Silva, do Fluminense, foi pego no exame antidoping por uso de.....maconha. Não sei se é o caso de dispensar-se o jogador e afastá-lo dos campos. Entendo que a punição para quem é flagrado por uso de maconha ou cocaína deveria ser diferente. Fica mais do que claro que o usuário dessas substâncias não quer melhorar a sua performance. Situação bem diferente do atleta que usa anabolizantes.
É hora de repensar a punição para este tipo de situação. Mais valeria mantê-lo em atividade e, entrasse ou não em campo, obrigando-o a fazer exames semanais. Puni-lo com a mesma pena que atinge o malandro que busca melhores resultados à base de estimulantes é colocar a todos no mesmo plano. Não estão.
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JOVENS TARDES DE DOMINGO
Dizem que o dia escrito no título é consagrado ao descanso. Para alguns. O personagem que poderá neste dia da missa dominical, do macarrão com frango, do despertar tardio e da leitura mais apurada dos jornais, chegar ao milésimo gol construiu boa parte da fama e fortuna com expedientes aos domingos. Geralmente no fim da tarde, precedido de algo que ele odeia _ concentração _ e com o assédio da imprensa, ora motivo de guerra e ora motivo de compreensão, como nestes dias.
Falo de Romário e poderá surgir alguém a me criticar por novamente citá-lo. Mas cá entre nós: nestes dias em que o Santos vence com o Zé Roberto mostrando que a escolha como melhor jogador do país não é infundada; que o Rogério Ceni perde pênalti e a torcida do São Paulo dá exemplo de reconhecimento por tudo que ele fez e não o condena, o melhor assunto ainda é a busca pelo milésimo gol.
Tenho minhas dúvidas se o parto será feito no Maracanã. O adversário não é um qualquer e passa por fase muito favorável. Este Flamengo, como o blog reconheceu, é time para ser cada vez mais respeitado. Entrará em campo para adiar o sonho que Romário socializou. É impressionante como a idéia do milésimo foi comprada nos salões e nas ruas. Não vejo ninguém alheio ao que pretende o atacante.
Sei lá o que passa pela cabeça do goleiro Bruno. Que o Romário saiba o seguinte: este é o melhor goleiro do futebol carioca e vazá-lo não é tarefa das mais fáceis. Muitas vezes, quando o Flamengo está em situação complicada, é o reflexo do Bruno que diminui o pânico do time.
CONGONHAS
Enquanto o Romário persegue o milésimo, o Corinthians busca a segurança que faça todos acreditarem que o time se recuperou dentro do Campeonato Paulista. O Barueri não poderia ser adversário mais indicado. A campanha dentro do campeonato é, com boa vontade, sofrível. Chamo a atenção para o jovem William. Se a precipitação não entrar em campo, ele poderá, dentro de algum tempo, ajudar o time a ter boas atuações.
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O SORRISO DO DENTUÇO
Há tempos, o Ronaldinho Gaúcho não dava um sorriso com o uniforme da Seleção Brasileira. Mostrava os dentes, o que é inevitável, mas não sorria. Vem de longe a expressão de desconforto do atacante. É jovem de poucas palavras, muito preocupado em não desagradar a este ou aquele e sempre interessado em não causar a polêmica pela polêmica.
Quando marcou o primeiro gol na fácil vitória sobre o Chile, o Ronaldinho Gaúcho deixou de ser o Ronaldinho Gaúcho contido e de olhos fixos no chão para ser um jogador explosivo, capaz de mostrar o que sente. E o que sentia após aquela cobrança de pênalti não dá para descrever. Por conta da frustrante atuação na Copa do Mundo, o Ronaldinho Gaúcho foi transformardo em vilão daquela tragédia. Nada mais justo para quem desembarcou na Alemanha cotado para ser o melhor da competição. Não foi.
Pagou, então, uma conta muito elevada pelo fiasco brasileiro. De uma hora para outra foi transformado no único vilão da história. E o Dunga acreditou nesta história. Foi preciso muita paciência e diplomacia do RG para suportar o banco de reservas, as dúvidas sobre a sua capacidade e a alta conta por um fiasco que tem como principal responsável o senhor que dava expediente à beira do campo de agasalho e em silêncio.
Os gols que marcou ontem mostraram que o homem deve ser tratado com o respeito à altura do seu talento. Foi bom também para o Dunga constatar que o time para a Copa América pode ser muito o que iniciou a partida de ontem. Não precisa inventar, como fez o antecessor.
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