SporTV
Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro, Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2002. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
O TOQUE DE BOLA
O que mais tem me impressionado neste time do Santos é o toque de bola. Maneira de atuar genuínamente brasileira, o toque foi, aos poucos, caindo em desuso. Baniram-no em favor de um jeito bem divorciado das nossas características e hoje as equipes, em sua grande maioria, atuam da mesma maneira. Vem o Santos e desafina o coro dos contentes. É bola de pé em pé e sempre indo ao ataque com jogadas pelas laterais. Tanto que os jogadores do meio de campo _ Zé Roberto, Cléber Santana e agora até o Maldonado _ fazem gols com a frequência dos atacantes.
Vale a pena observar o comportamento deste time e até se espelhar no que tem feito. O elenco santista não é dos melhores _ traço comum aos outros times _, mas a diferença se concentra na maneira com que o Santos se apresenta. O Vanderlei Luxemburgo percebeu que este pode ser o caminho para ter uma equipe mais competitiva e o resultado aparece com a boa campanha no Campeonato Paulista e a estréia na fase de grupos da Libertadores com resultado acima do razoável.
Não é para se desesperar, mas o resultado sempre deixa visível os erros. O três a um do Nacional sobre o Internacional mostrou que é necessário rever alguns pontos. O principal é a manutenção do Clemer como goleiro titular do time. Está mais do que na hora de a gratidão ser colocada em segundo plano e o técnico Abel Braga observar o Renan com a atenção devida. O grupo do Inter não é tão fácil como o de outros times e a atenção precisa ser redobrada exatamente para não haver decepções.
FLA E PARANÁ
A preguiça impediu o Flamengo de aplicar uma goleada no Maracaibo. Não sou partidário deste tipo de comportamento, mas o resultado foi dentro do esperado. Chama a atenção a intensidade de jogadas pelas laterais do Flamengo. A continuar desta forma, a presença de dois centroavantes com características muito próximas (Obina e Souza) não afetará o rendimento da equipe.
Na sexta-feira, durante o Arena SporTV, o ex-jogador César Sampaio disse que Zetti, atual técnico do Paraná, é um dos sujeitos mais bem informados sobre o futebol por cá jogado. O que muita gente pensava impossível tem acontecido: desmontado no fim do ano passado, o Paraná vai em frente na Libertadores com um time cada vez mais arrumado. É o dedo do Zetti e também da diretoria, capaz de dar ao Dinélson a oportunidade que o Corinthians jamais conseguiu dar.
GOLEIROS
Há tempos, o Botafogo não tem um bom goleiro. Falta ao Max aquele mau-humor e aquela irritação que todo goleiro precisa ter. Naquela posição é proibido ficar calado, tanto quanto na de camelô. O Max é do tipo de que busca a bola no fundo do gol com a maior naturalidade do mundo. Tem intimidade com o fundo da rede. Pior para o Botafogo que o seu reserva imediato (Lopes) apresenta os mesmos defeitos do titular. É sinal de que ou não entendem os ensinamentos passados pelo Acácio, o preparador, ou que são mal treinados.
Na mesma situação encontram-se o Cássio, goleiro do Vasco; e o Ricardo Berna, do Fluminense. Exceto o Bruno, goleiro do Flamengo, os outros grandes clubes do Rio de Janeiro estão mal servidos na posição.
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BANZO
Por um desses motivos inexplicáveis, o Robinho demonstra insatisfação no Real Madri. Há algum tempo, ele manifesta o desejo de voltar para o Brasil, os braços dos amigos, as esquinas que conhece e os marcadores que não sabem marcá-lo. É estranha esta postura de alguns jogadores brasileiros no exterior. São profissionais nas exigências e no desejo de que tudo o que foi acordado seja cumprido. Mas encontram dificuldade quando precisam cumprir as exigências que um sistema divorciado do paternalismo _ caso do europeu _ apresenta e cobra a conta.
Sou fã do Robinho e faço parte daquele grupo que, antes da Copa, defendia sua escalação como titular da Seleção Brasileira. Até hoje, eu não entendo o motivo que levou Carlos Alberto Parreira a abrir mão daqueles quatro da Copa das Confederações _ Kaká, Ronaldinho Gaúcho, Adriano e Robinho _ em nome de uma formação pesada e pouco produtiva. Mas também reconheço que no Real Madri ele ainda não conseguiu ser aquele jogador de futebol sedutor que os jogos eliminatórios do Campeonato Brasileiro de 2002 apresentaram ao país e ao mundo.
Na Seleção Brasileira _ mas também já faz um tempo _, o Robinho conseguiu lembrar o moleque malandro e ensaboado do Santos. Mas com a camisa do Real Madri, a situação ainda não andou. Dizem que se perde nas noitadas. Não tenho nada a ver com o que jogador faz fora do campo. Se tiver condições de harmonizar a vida itensa sob a lua com exercícios intensos sob o sol, ele tem mais é que continuar assim.
A história não é muito generosa com quem é mais lunar do que solar. Maior referência deste tipo de comportamento, o Romário não pode ser exemplo para estes moços, pobre moços que não sabem o que o Romário sabe. Excepcional atacante, ele jamais precisou de vigor físico para fazer o que nasceu para fazer: gols.
Se o Robinho sair do Real Madri _ é muito pueril este argumento de que o Fabio Capelo não gosta de brasileiros _, a conta bancária ficará mais robusta, a fama aumentará, mas não sei se haverá o reencontro com o futebol. A retomada daquele caminho aberto à época do Santos só acontecerá se o Robinho quiser. Por enquanto..........
LIBERTA
O que o Flamengo tem para comemorar, o São Paulo tem para lamentar. No empate com o Real Potosi, o time entrou em campo compreensivelmente assustado com a altitude _ quatro mil metros _ e o primeiro tempo foi mais de temor do que de busca pelo ataque. Quando sentiu que poderia arriscar um pouco mais, embora o adversário mais perigoso fosse a altura, o Flamengo saiu para o jogo e as substituições feitas por Ney Franco _ entradas de Roni no lugar de Juan; e Juninho Paulista no lugar de Tiago Gosling _ deram certo.
Mas, diante das circunstâncias, o Flamengo volta para casa com um ponto na tabela e três no coração.
Já o São Paulo foi superior ao Audax Italiano o tempo inteiro. Foi o típico jogo em que o técnico deixa o campo com uma pergunta: o que causou tanta imprecisão no meu time? A resposta será mais treino. De chutes para o gol.
JUSTIÇA
É palavra a ser pronunciada com respeito e não devemos banalizá-la. A condenação de dois torcedores do Palmeiras por conta do espancamento até a morte de um torcedor do Corinthians mostra que nem tudo está perdido nesta terra em que se plantando tudo dá. Lamenta-se a morosidade, a interpretação de alguns pontos, mas é conveniente lembrar que é através da justiça que se faz.......justiça.
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SITUAÇÃO DE RISCO
Temo que esta história sobre a saída do Marquinhos, zagueiro até segunda-feira do Corinthians, caia na vala comum de determinados episódios com os quais nos acostumamos, apesar de toda a indignação que merecem. O que aconteceu foi algo grave e que deveria receber da sociedade _ não apenas a parte que se interessa e acompanha futebol _ um comportamento de indignação.
O fato de alguém deixar o seu trabalho por conta das ameaças de morte recebidas _ estendidas também aos seus parentes _ é tão grave quanto a história da família que sai da comunidade carente pela pressão do traficante de plantão ou por não suportar mais a guera civil que impera na região. O que me espanta é a ausência de indignação lá e cá.
Concordo que o Marquinhos é um zagueiro abaixo do que se espera de alguém que atua naquela posição. Jamais assisti a uma grande partida dele. Sempre nervoso, precipitado, afoito. O auge foi o lance do pênalti cometido no Aoloísio, durante o São Paulo x Corinthians do último domingo. Errou feio na jogada, mas nada justifica a ameaça. O que é isso? Onde estamos? Quer dizer que um profissional erra e a maneira encontrada para mostrar toda a ira é ameaçá-lo de morte.
Vi e ouvi alguns corintianos zombando da atitude do Marquinhos e outros fazendo piada. Tá certo que no futebol, o intelectual vira troglodita e o budista tem comportamento de operador da bolsa. Mas não se pode concordar ou ficar indiferente ao que aconteceu. Em uma entrevista, o Maquinhos disse que jamais conseguiu flertar com a felicidade nos sete anos como profissional do Corinthians. A primeira vez que usou o uniforme do clube, ele estava com sete anos de idade. Tem uma vida lá dentro. Criou ilusões, alimentou sonhos e sempre achou que ali conseguiria a solução para todos os males que afetam a vida da maioria dos jogadores de futebo. Quanta decepção!
A sucessão de episódios violentos, que chocam, maltratam, abrem feridas sem remédio para cicatrizá-las e a lentidão de quem deveria tomar decisões _ adotadas com a velocidade de um cágado com reumatismo _ nos brutalizam e muitas vezes embaçam a visão para a dimensão que um episódio como este carrega no seu embrulho.
Quando vi a imagem do Marquinhos saindo do Parque São Jorge, eu pensei que ali terminava a história de um jogador com o clube onde se formou e era apenas mais um capítulo da banalização da violência. Triste. Muito triste.
FORÇA TRICOLOR
Quando enumeram os grandes times, o Grêmio fica sempre de fora. Estão lá o Internacional, o São Paulo e o Santos. Pois eu colocaria o Grêmio nesta lista. Em silêncio _ o que não é privilégio dos mineiros _, o gaúcho Mano Menezes monta a equipe e a desta temporada pode ser considerada mais forte da que jogou no ano passado. Olho neste time.
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CONFRONTO DRAMÁTICO
Não tenho a menor idéia do que o Flamengo poderá conseguir no jogo desta quarta-feira contra o Real Potosi. A altitude da cidade será um adversário ainda mais perigoso do que o time boliviano. Os relatos _ de tempos atrás _ não mudam e mostram que o visitante é sempre vitimado pelo ar rarefeito, pela dor de cabeça, pela tontura e por tudo o mais que o fato de jogar nas alturas provoca.
Assim como os efeitos são conhecidos há tanto tempo, a discussão em torno da validade de se realizar um jogo nestas condições é também de décadas atrás. Por mais que a preparação física e a medicina evoluam _ os impactos hoje são menores do que de outras épocas _, o jogo nesta situação é uma violência contra o jogador. Dá ao visitante um favoritismo que ele não conseguiria ter em condições normais de temperatura e ambiente.
Se conseguir terminar os 90 minutos com o empate fixado no placar, o Flamengo terá muito o que comemorar. Neste reencontro rubro-negro com a Libertadores, noves fora a estréia em circunstâncias tão adversas, o mais importante é observar que o grupo montado tem opções suficientes para deixar a todos mais otimistas.
SITUAÇÃO DIFERENTE
Enquanto o Flamengo volta para os braços da Libertadores, o São Paulo se sente em casa nesta competição. É a coisa mais normal do mundo vê-lo disputando a principal competição de clubes do continente. No domingo, o São Paulo mostrou sua força contra o Corinthians e teve um instante em que puxou o freio de mão. Na Libertadores, o comportamento é outro. Evidente que a derrota na final do ano passado para o Internacional ainda não foi esquecida. O Campeonato Paulista ajudou e ajudará na preparação deste São Paulo. Ainda bem que o Muricy Ramalho não é daqueles profissionais do lamento. Muito pelo contrário. Bem ao seu estilo, ele jogou no lixo os queixumes pelas ausências do Fabão, do Mineiro e do Danilo, especialmente do volante.
Está mais do que na hora de os técnicos entenderem que o lamento ou a queixa _ sobre falta de tempo ou erro de arbitragem _ pouco acrescentam à preparação da equipe. Quanto menos ele reclama, mais o time produz. Vejam o caso do Santos.
TOLDO
É impressionante a falta de senso de alguns dirigentes de clubes do Rio de Janeiro. O que aconteceu na "eleição" (?!) para a presidência da Federação de Futebol do estado foi algo de fazer envergonhar o mais pornográfico dos sujeitos. Parece que os interesses particulares ficam acima do coletivo e quando isso acontece
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JOGO QUE LAVA A ALMA
Volta e meia alguém diz que o futebol jogado no Brasil é de péssima qualidade. Não concordo e quando assisto a uma partida como Botafogo x Flamengo, eu tenho certeza de que, apesar da elevada exportação de pés-de-obra, o futebol aqui praticado ainda apresenta grandes espetáculos. Quem foi ao Maracanã ou sentou diante da televisão viu noventa minutos de puro magnetismo.
Claro que a frustração por parte dos botafoguenses foi muito maior, após o encerramento do árbitro Djalma Beltrami, do que a dos rubro-negros. Não existe justiça em futebol _ é palavra que o esporte repele _, mas o goleiro do Flamengo, Bruno, teve muito mais trabalho do que o Max. Aliás, o Bruno, entre os goleiros dos quatro grandes clubes do Rio, está acima dos outros.
Ficou para o Botafogo a certeza de que o time sobe de produção, mas erra nas finalizações. Enquanto que o Flamengo terá produção melhor com uma dupla formada por um jogador veloz (Roni) e um centroavante de ofício (Souza é superior a Obina).
A ESTRELA DA COMPANHIA
Ele não tem um estilo refinado, mas tem sido o jogador mais eficiente do São Paulo neste começo de temporada. Impressionante como participa dos gols do tricolor e como desempenha bem o papel de pivô. Foi uma das diferenças do São Paulo no jogo com o Corinthians. Mais uma vez, o time treinado pelo Emerson Leão mostrou nervos à flor da pele. É irritadiço e perde a calma por qualquer lance. O Magrão, aplicado apenas, precisa entender que o jogo jogado, a troca de passes e o drible fazem parte do futebol. Só os botinudos, com quem o Magrão flerta, recebem o drible, o passe estilizado ou a jogada de efeito como uma ofensa.
Se por um lado tem um Magrão com códigos equivocados sobre a maneira que se deve jogar futebol, o São Paulo teve um Jadílson absolutamente irresponsável. É inadmissível que o jogador de um time com o placar a favor seja expulso por uma entrada como aquela do lateral. Mais um trabalho para o Muricy Ramalho.
O SONHO
Os três gols que o Romário marcou contra o Volta Redonda encurtaram o caminho em busca do milésimo. Dizem que o atacante não quer falar com a imprensa e seria muito bom que a imprensa também entendesse que não é necessário tê-lo falando e, sim, fazendo os gols para concretizar o seu sonho. Em nome deste sonho, o Romário tem o direito de fazer voto de silêncio e não precisa ser perseguido ou adulado. Respeito o desejo do atacante e entendo que no momento ele deve falar com os pés e com a cabeça. O resto é desperdício.
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O LATERAL MODERNO E ANTIGO
Entre os problemas que a Seleção Brasileira tem, a ausência de um bom lateral, na relação de convocados, chama a atenção. Não dá nem para discutir muito os nomes listados pelo técnico Dunga. O grande problema é a falta de boas opções tanto do lado direito como do lado esquerdo. A preocupação se concentra na permanência do Ronaldinho Gaúcho na reserva, o que acredito será resolvido com o tempo, mas esquecem que o Brasil precisa de.....laterais.
Do lado direito, a situação me parece ainda mais grave. Dos jogadores testados por Dunga, eu não vi nenhum que tivesse desempenho razoável. Todos mostraram deficiências, inibição e falta de capacidade técnica para vestir a camisa verde e amarela. Até agora, o Maicon, o Daniel Alves e o Belleti não conseguiram justificar uma convocação.
Pelo lado esquerdo, a situação não é muito melhor exceto por um jogador: o Kléber, do Santos. Impressionante o futebol que ele tem jogado. Não me refiro apenas a este começo de temporada. No ano passado, o Kléber já fazia a diferença para o Santos. Após o jogo contra o Blooming, quando o Santos garantiu vaga para a fase de grupos da Libertadores, o técnico Vanderlei Luxemburgo fez uma observação muito interessante sobre a maneira de atuar do Kléber: "ele não vai à linha de fundo para cruzar", disse o VL. Pois tem toda a razão, o Kléber não é um especialista em chegar ao fundo. Faz o seu cruzamento da intermediária e, por conta da qualidade no bater na bola, geralmente parece que a arremessou ao invés de usar os pés.
Há tempos, o Kléber merece uma chance na Seleção Brasileira. Agora a situação é diferente. O Kléber merece ser o titular do lado esquerdo da equipe treinada pelo Dunga. Não há naquele deserto de boas opções alguém melhor do que ele. Sobra na turma e vê-lo jogar é um prazer. Não existe no Brasil o apreço pelo defensor. Poucos saem de casa, compram ingresso e entram num estádio para ver um zagueiro. Acredito que tem muito santista mais do que motivado com a possibilidade de ver o Kléber em campo.
Na quarta-feira, na Vila Belmiro _ local mais apropriado e com história não poderia existir _, ele deu um espetáculo à parte. Distribuiu "chapéus" nos adversários e deu mais um toque de classe ao jogo.
Creio que o problema na lateral-direita é de difícil solução. Não vejo candidatos _ talvez o Cicinho, mas a recuperação será lenta _ por aquele lado, enquanto que na lateral-esquerda o Kléber está, pelo menos, uma volta na frente. Na próxima lista do Dunga deve ser nome certo.
RETO E TORTO
Enquanto o Paraná faz o dever de casa e já está na fase de grupos da Libertadores, o Palmeiras ainda não conseguiu acertar o passo. Técnico do time no ano passado, o Caio Júnior agora cruza o portão da Academia todo os dias preocupados. O Paraná treinado pelo Zetti é um time que reage bem as mudanças. O Palmeiras orientado pelo CJ é uma equipe ainda sem forças para ter forças na adversidade. O diagnóstico do Caio sobre a instabilidade emocional é perfeito. Se derem tempo, o técnico poderá colocar o Palmeiras no mesmo plano do Paraná.
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PARA NÃO ESQUECER
A derrota da Seleção Brasileira para a Seleção de Portugal deixou uma lição que parecia ter sido aprendida por todos durante a Copa do Mundo: a de que dois centroavantes de ofício têm muita dificuldade para se entenderem. Enquanto esteve em campo com um jogador leve, capaz de se movimentar pelos dois lados do ataque e ajudar na marcação (Rafael Sóbis), o time ainda conseguiu criar oportunidades. Poucas, mas capazes de mostrar um certo poder ofensivo.
Pois a mudança, com a entrada de Adriano, serviu para confirmar a dificuldade que dois atacantes de pouca mobilidade e técnica encontram quando são vizinhos de posição e reconfirmar a tese de que um time não é ofensivo por ter dois atacantes. A proeza de não dar um chute ao gol do adversário no segundo tempo mostrou que o grau de ofensividade da equipe caiu assustadoramente.
Fora esta lição, a derrota também serve para que Dunga reflita sobre determinadas idéias. A principal se concentra no fato de que o técnico pensa num meio de campo exageradamente burocrático e escassamente criativo. Tudo bem que Dunga entenda Elano como titular da Seleção Brasileira. Talvez seja o marco do seu trabalho neste período como técnico, mas é exagero vê-lo como um jogador capaz de organizar o setor mais importante de um time.
A permanência de Elano não pode sacrificar a presença de jogadores criativos no time e tampouco se deve colocar sobre os ombros do aplicado Elano a responsabilidade de desempenhar um papel para o qual não me parece tão preparado assim.
É uma situação cada vez mais comum na vida. Aprendemos mais com as derrotas do que com as vitórias. Os triunfos fecham os olhos e tapam os ouvidos. Quando vem o resultado adverso, o pensamento fica mais claro.
Entendo que o Dunga está no começo, bem no comecinho da sua atividade como técnico _ nem sei se o fará _, mas fica claro que ele não se pode deixar levar por manias e uma visão estabelecida de determinados jogadores. O resultado vai amplificar as críticas ao trabalho do Dunga e mostrar a ele um outro lado, até então desconhecido.
Caberá ao próprio entender e apreender o que aconteceu. Se fizer isso, a chance de corrigir o que está errado será muito maior.
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HERÓIS DA RESISTÊNCIA
A aposentadoria já bateu na porta das casas do Edmundo e do Romário. O primeiro ainda é um ídolo no Palmeiras e procura corresponder o carinho que recebe com empenho de garoto, enquanto as pernas permitem. No empate do seu time com o Santos _ melhor jogo deste começo de temporada _, ele saiu de campo indignado com o resultado. Ainda permanece aquele inconformismo que, em outras épocas, foi o responsável por exageros na biografia do jogador. Percebe-se que hoje ele administra melhor esta indignação. Tanto que após o rompate depois da partida, o atacante pediu a desculpas a quem ficou ofendido com alguns comentários.
Já a situação do Romário é diferente. Ele ainda encontra disposição para vestir uniforme e assinar súmula por conta de um sonho. Considero este aspecto o mais importante. Não tenho vocação para poeta e tampouco filósofo, mas entendo que na vida não se pode perder a capacidade de sonhar. Quando não há mais sonhos, o homem se transforma e perde o encanto. Respeito o sonho do Romário e não acredito que a busca pelo sonho de marcar o milésimo gol vá manchar, arruinar ou jogar no lixo tudo o que fez ao longo de uma carreira vitoriosa.
Creio que a biografia do Romário dedicará muito mais páginas ao que ele fez enquanto foi um dos mais completos atacantes de todos os tempos do futebol mundial do que a este fim de carreira. Poucos se preocupam em respeitar o sonho dele, que, imagino, tenha começado na infância. Determinado a vencer, integrante daquele pelotão _ com o passar dos anos só aumenta _ de brasileiros para quem o país sonega educação, moradia e respeito, ele venceu na vida. E tem todo o direito de sonhar com o milésimo gol.
Não sei se ele conseguirá chegar ao feito, mas seria interessante que refletisse sobre como poderá alcançar tal marca. Divorciado da figura do atleta, Romário sempre foi um grande jogador de futebol. Paga, aos 41 anos, uma conta da resistência aos exercícios físicos. Creio que poderá trilhar o caminho do milésimo gol se for utilizado ocasionalmente na equipe do Vasco da Gama.
Falei destes dois jogadores por conta da aposentadoria que se aproxima e por entender que o dia em que pendurarem as chuteiras o futebol perderá dois personagens que sempre desafinaram o coro dos contentes. Ninguém é obrigado a gostar de ninguém e esta dupla tem muitos desafetos. Mas jamais se encaixou na mesmice que a tantos jogadores acomete. Vejam o caso do Edmundo agora no Palmeiras. Não se furta a dizer o que pensa e muitos acreditam que isso é rebeldia ou indisciplina. Discordar não significa ofender ou desrespeitar. Este foi sempre o estilo do Edmundo.
O Romário também sempre foi de falar o que pensa. Quando sair do futebol, o legado que deixará não será apenas o dos gols, mas também do que disse. Servem de exemplo, ele e o Edmundo, pelo que fizeram com os pés e disseram. Valorizaram a sinceridade.
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SEMPRE EM DESVANTAGEM
O desempenho dos árbitros, e a temporada está apenas engatinhando, já está na berlinda. Por conta de uma série de questões da sociedade brasileira _ e o futebol está inserido nela, embora muita gente boa o veja como uma ilha _, o comportamento de quem tem que exercer a autoridade está sempre sob suspeita. Não temos crença, motivos não faltam, para acreditar que o poder é exercido com seriedade e sem nenhum interesse escuso.
Para agravar a situação, amplificar a desconfiança e deixar o árbitro sempre na berlinda, o epísódio do ex-árbitro Edílson Pereira de Carvalho ainda está muito vivo na cabeça de todos os torcedores. Demorará tempo para sair da memória de cada um e a leitura dos jornais ou a assistência do noticiário nas tevês serve apenas para aumentar a certeza de que tem muita gente mais preocupada em se dar bem do que ser honesto, trabalhar com seriedade e ser transparente.
O maior erro do árbitro Otávio Correia da Silva, que apitou o jogo Corinthians x São Caetano, foi o do espalhafato e da falta de senso. O espalhafato precisa ser combatido de forma veemente, especialmente quando o árbitro tem que advertir um jogador. A aplicação do cartão, seja amarelo ou vermelho, não precisa de encenação de personagem que interpreta Ricardo III. E o bom senso recomenda que o árbitro sempre interrompa a partida quando perceber algo estranho em campo. Tivesse feito isso e o lance não teria o desdobramento que teve.
Noves fora a falta de senso e o exagero no gestual da advertência, o Corinthians, de uns tempos para cá, é um time irritadiço. Não sei o que motiva, mas é time formado por jogadores suscetíveis, capazes de na primeira contrariedade fazerem uma bobagem. O Marcelo Mattos talvez seja um dos mais bem acabados exemplos. Há tempos, ele trocou a serenidade pela explosão. Vejo-o sempre carrancudo e distribuindo pontapés pelo campo. A tolerância de alguns árbitros é responsável por comportamento cada vez mais desvirtuado longe daquele que levou-o a ser incluído na relação de melhores do Campeonato Brasileiro de 2005.
A melhor definição para a derrota do Palmeiras veio do Casagrande, comentarista da Rede Globo, praticamente no fim da partida. "O time perdeu, mas não jogou mal', disse o Casagrande. É opinião para ser respeitada e serve de consolo, embora não conforte, para quem viu o time perder a invencibilidade. E vale a pena deixar de pensar que o Edmundo está irritado por morar, temporariamente, no banco de reservas. É mais uma situação clichê que alimenta o noticiário e mostra que nem sempre a criatividade alimenta a mídia.
TUTA
Jogadores de futebol são rotulados e nem sempre entendidos. Vejam o caso do Tuta. A temporada no Fluminense, em 2006, foi irregular e ele deixou o clube sob aplausos dos tricolores. Pois em outro tricolor, o Grêmio, ele está a fazer o que sabe: gols. Encontrou um time arrumado, que pensa nele apenas para uma função: empurrar a bola para o fundo do gol. Nem sempre é o jogadores responsável por tudo o de ruim que acontece numa equipe, especialmente no futebol de hoje.
POLÊMICA
Ainda bem que o mais ilustre dos blogueiros _ podem chamar de colunista que ele vai gostar _ tem a mesma opinião, o que significa não ficar sozinho na história. Também achei que houve um toque sútil do Cleberson no goleiro Max, na partida entre Cabofriense e Botafogo. O braço esquerdo do jogador do Cabofriense toca no goleiro e o desequilibra. Só não entendi o que levou o auxiliar, Ilton José Moutinho, a demorar tanto na anulação.
A reestréia de Dodô mostrou o quanto é identificado com o clube. Creio que o Cuca ainda não encontrou a melhor escalação. Coisas de início de temporada.
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ESPERA NECESSÁRIA
A demora na volta do Nilmar aos campos precisa de muita cautela. Há seis meses, o atacante não disputa uma partida. Ouço comentários aqui e ali e todos dando conta de que o Nilmar tem que retornar aos campos imediatamente. É uma precipitação. A contusão, seguida de cirurgia, pela qual passou o Nilmar, foi mais grave e delicada do que muita gente boa pensa. A cautela na escalação do time é mais do que importante.Muitas vezes, a precipitação foi a responsável por voltas antecipadas e o retorno ao Departamento Médico por um longo tempo.
Ao mesmo tempo em que prego a cautela no retorno do Nilmar, eu tenho a impressão de que ele não tem mais nenhum prazer em jogar no Corinthians. Jeito de adolescente, procurando a palavra ideal para o lugar certo, ele não conseguiu disfarçar a mágoa com a diretoria do clube. Penso que em junho, quando terminar o contrato, ele passará na rouparia, pegará o material e irá embora.
RODADA
O jogo do Palmeiras com a Ponte Preta, em Campinas, tem um componente interessante: desde o empate com o Barueri, o técnico Caio Júnior está em dúvida sobre a formação. Não sei se ele concorda, mas a impressão é que o Caio está mais preocupado em acertar a marcação do seu time do meio de campo para trás do que fazer o time ser mais forte na frente. É uma tônica entre os técnicos, com muita gente boa da mídia endossando, conjugar o verbo marcar e mostrar total desprezo pelo criar.
Parece que o Edmundo entra no meio dessa história. Não vejo o Palmeiras em condições de abrir mão do futebol do Edmundo. Muito pelo contrário.
O DESTINO DO MINEIRO
A ida do Mineiro para o futebol alemão não é para ser olhada de forma superfecial. O que motivou a saída do jogador do país não foi o lado financeiro. O São Paulo apresentou uma proposta de contrato para enquanto estivesse em atividade e depois que pendurasse as chuteiras. Pesou na decisão do silencioso e discreto Mineiro a insegurança brasileira. A família do jogador queria sair do país. É um caso a se pensar. Nem sempre apenas pela sedução das moedas estrangeiras o jogador diz até logo.
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O PENSAMENTO OLÍMPICO
A classificação da Seleção Brasileria para os Jogos de Pequim, em 2008, exuma discussão antiga e sempre efervescente. Quem deve dirigir a equipe nas Olimpíadas é uma pergunta que margeia a discussão. Defendo a idéia de que o Dunga pode acumular um cargo e outro _ o de responsável pela equipe principal e também pelo time olímpico. Não creio que a atividade com uma interfira no planejamento da outra.
Ao mesmo tempo em que defendo a presença do Dunga como técnico da Seleção ollímpica, eu me surpreendo com a associação feita desde a obtenção da vaga. Percebo que imaginam os jogadores que estiveram no Paraguai como os titulares da Seleção para os Jogos de Pequim. Me parece exagerado. Eles são adolescentes, que tiveram papel importante na conquista do Sul-Americano para jogadores com menos de 20 anos e só. Nada mais.
Por conta do título e da vaga, necessariamente não precisa ser nesta ordem, a impressão é que este grupo fez uma ótima campanha. Não foi bem assim. A Seleção Brasileira mostrou deficiências, o que é absolutamente compreensível. Estamos falando de jogadores ainda em formação.
Por conta de um futebol cada vez mais fragilizado com as transferências de jogadores para os mais diversos mercados, os jogadores imberbes, apaixonados por gibis e vídeo-games, ganham um status imerecido. Tratam-nos como jogadores prontos e preparados para os grandes desafios. Não estão. Pego o exemplo da dupla Grenal que se destacou na competição. O volante Lucas, do Grêmio, e o Alexandre Pato, do Internacional. Um e outro precisam evoluir muito. São grandes promessas do futebol, mas vê-los como jogadores prontos, capazes de conduzirem um time é um exagero.
É por esta razão que estes jogadores podem ser aproveitados em parte nos Jogos Olímpicos. Calma que nem todo os que estiveram no Paraguai ainda estão prontos. Para conseguir a medalha olímpica _ título que o futebol brasileiro persegue há anos _ será preciso muito mais.
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A CARA DO INÍCIO DA TEMPORADA
Este começo de temporada, principalmente os Campeonatos Estaduais, são importantes para que os técnicos percebam o que será necessário nas outras competições. Por conta desta obsessão pelo exagero, os times são colocados em um plano acima da média e outros abaixo. Vejam o caso do Atlético Mineiro. O mau início no Campeonato Estadual já deixa alguns alarmados e temerosos de que 2007 será um ano ruim. Alto lá!
É preciso entender que o trabalho do Atlético Mineiro apenas começa. Não se pode duvidar da capacidade do Levir Culpi e está mais do que na hora de parar com argumentações cercadas de clichês: o time precisa de um craque; falta um goleador; o entrosamento ainda não apareceu; a equipe só tem jogadores de nível médio.
Todos estes argumentos não cabem no futebol brasileiro de hoje. Ele é praticado por jogadores que não interessam ao mercado externo e os resultados são possíveis apenas por conta do trabalho. Ano passado, as principais conquistas foram obtidas por equipes que se caracterizaram mais pelo conjunto do que por um craque ou outro. Nem o São Paulo e nem o Internacional conseguiram sucesso pelo talento individual. Os resultados obtidos vieram por conta da capacidade dessas equipes de superarem suas limitações.
Por isso, o temor de um ano ruim para o Atlético Mineiro é precipitada. O começo de temporada, especialmente os Estaduais, tem cheiro de laboratório.
GOLAÇOS
Vivemos a era da banalização. E, por conta deste olhar cada vez mais torto, o goleaço foi vulgarizado. O marcado por Alex Silva, do São Paulo, contra o Rio Claro, foi um golaço. O resto é chute preciso de longa distância.
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RESULTADOS QUE NÃO SURPREENDEM
Por conta da cultura do exagero _ um gol bonito vira golaço; um drible transforma o mediano em craque e o que surge de celebridade a cada minuto é incompreensível para um monge _, o Corinthians, graças a três vitórias seguidas, já foi colocado em plano acima do aceitável. Não se discute os nove pontos, mas é necessário relativizar o desempenho da equipe e necessário não esquecer a força de cada um dos rivais.
Antes de o Campeonato Paulista começar, os catedráticos, alguns vestidos de futurólogos, previam um caos para o Corinthians. Tivemos, então, a primeira parte do exagero. Muitas vezes o cenário do futebol brasileiro é ignorado. O país não perde a capacidade de produzir grandes jogadores _ faltam craques _, mas o futebol jogado no solo verde e amarelo é completamente divorciado da categoria dos jogadores que por cá atuam.
Dentro do cenário brasileiro, o elenco do Corinthians está dentro da média. Tem suas deficiências como a maioria e qualidades como a maioria. Certamente, o torcedor pode apontar as carências como se elas fossem exclusividade da equipe treinada pelo Emerson Leão. Engano.
O exagero que tomou conta dos pessimistas antes de o Campeonato ter começado manifesta-se agora com os otimistas. Nem uma coisa e nem outra. O mesmo se aplica ao São Paulo. Outro dia, eu ouvi uma conversa _ confesso que fique pasmo _ em que se insinuava a ausência de grandes exibições (!?) do São Paulo. Devagar com o andor que o santo de barro. Que grandes exibições? Alguém pode citar um time que logo na terceira partida da temporada dá espetáculo. Outro exagero.
O São Paulo sofre com a ausência do Mineiro, o que é absolutamente compreensível, e o jogo contra o Paulista, em Jundiaí, mostrou o quanto pesa o fato de não tê-lo em campo. O time fez mais faltas do que o adversário, o que não é comum, e o Josué fica a correr de um lado para o outro. Há tempo para ajustar, mas a sintonia fina não acontecerá de uma hora para a outra. Profetas do apocalipse decretarão a queda do São Paulo, mas o degas aqui prefere esperar.
CARIOCAS SÃO BACANAS
O começo do Campeonato Carioca mostrou o interesse do torcedor _ trinta mil pessoas foram ao Maracanã _ e também que o Madureira continua a ser, entre os pequenos, o mais bem armado. O cansaço foi o maior adversário do Fluminense e do Vasco da Gama. Mas pequenos lampejos foram suficientes para que ambos conquistassem a vitória. No caso do Botafogo, noves fora o cansaço, o adversário merece respeito.
O Fluminense levará um tempo para transformar o bom grupo em um bom time e o Vasco da Gama deixou a impressão de que o segredo da equipe estará no meio-de-campo formado pelo argentino Conca e por Morais.
Já o Botafogo, apesar da ausência do Dodô, mostrou que tem problemas no lado esquerdo da defesa. Além do trabalho que Cuca precisará desenvolver, o técnico também deve conversar com o Asprilla. Explicar a ele que zagueiro quando recua só facilita a vida do atacante, mesmo que o atacante seja o Valdir Papel.
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