O MERCADO DA GAROANão gosto de fazer previsões. O futebol brasileiro, especialmente nas últimas temporadas, mostra que é o pior caminho para se definir o comportamento deste ou daquele time. Por conta da permanente exportação de pés-de-obra, o futebol aqui jogado está repleto de bons jogadores, lotado de ruins e é formado por alguns muito bons jogadores.
Faço esta introdução para desembarcar em São Paulo. Quem olha para o Corinthians, por exemplo, fica com o pé atrás. Há acentuada diferença entre o elenco formado em 2005, no primeiro semestre de 2006 e agora para este novo ano. Não tenho a menor idéia do que pode acontecer, mas acredito que o mais importante será manter os jogadores alheios aos problemas que poluem o ar que se respira no clube.
Tenho grande expectativa em relação ao Palmeiras. A oportunidade que o Caio Júnior tem é daquelas raras. Uma coisa é fazer sucesso no Paraná e outra, completamente diferente, é trilhar o mesmo caminho no Palmeiras. É possível, como técnico do Paraná, perder para o time reserva do Flamengo, em casa, e nada acontecer no dia seguinte. Mas no Palmeiras, a situação é completamente diferente. Derrota com estes ingredientes é sinônimo de crise.
O São Paulo é uma máquina azeitada e há tempos deve pensar no substituto do Mineiro. Não um jogador com as mesmas características, o que é raro na posição, mas alguém que possa manter o jeito de atuar da equipe. Começa a temporada, por conta da espinha dorsal mantida e dos resultados obtidos, como um dos favoritos em todas as competições que estiver.
No Santos, o silêncio do Vanderlei Luxemburgo me preocupa. Dizem que está ele e o presidente do clube, Marcelo Teixeira, têm visões diferentes para assuntos importantes. A ser verdade não creio ser o melhor dos caminhos. A sintonia entre quem manda (o presidente) e quem obedece (o técnico) é fundamental para o bom andamento do trabalho. Evidente que o Santos precisa de reforços. Há carência em posições importantes e o time alimenta o sonho da Libertadores.
ELA É CARIOCAA contratação do argentino Conca pode resolver um problema antigo do Vasco da Gama: a falta de equilíbrio do meio-de-campo. Sempre existiu a velocidade do Morais, mas faltou alguém para fazer o time atuar de outra forma. Seria o Ramon, mas aquele jogador do Campeonato Brasileiro de 97, conquistado pelo mesmo Vasco da Gama, há tempos deixou de entrar em campo com frequência. O argentino é jogador de poucos e efetivos toques. Quanto a volta do Romário creio ser perda de tempo criticar o atacante pela obsessão em marcar mil gos e a diretoria do clube por estender tapete vermelho para o atacante. Ambos, jogador e presidente do clube, sempre se caracterizaram por agirem sem muita consulta aos outros.
Enquanto isso, o Botafogo mostra que a sintonia pode ser uma arma para este ano. A cada ano, o Botafogo dá um passo para a frente. Pode não ser com a velocidade que a sua torcida gostaria, mas é sempre bom lembrar que a terra obtida pelo presidente Bebeto de Freitas era improdutiva. Só os míopes não percebem que o clube se solidifica. E clube forte será sempre sinônimo de time forte.
Assim deveria pensar o Flamengo. Não adianta formar um grupo teoricamente forte ou pensar em estrelas sem ter uma estrutura por trás. O atraso do atacante Obina na reapresentação é sintomático de como o clube ainda não sabe se impor. Além disso, agora há pouco, no programa Redação SporTV, o João Henrique Areas, procurador do Sávio, deu a entender que a hipótese de o Sávio voltar para o futebol espanhol, precisamente para o Real Sociedad, é mais forte do que se imagina.
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