O FUTEBOL SE GANHA É NO CAMPO
A vitória do Internacional é apenas mais uma prova de que o futebo, entre todos os esportes, é o mais fascinante. Não foi aversão ao vermelho ou desejo de ser do contra que muita gente, inclusive o degas aqui, apontou o Barcelona como favorito. Tinha, e tem, credenciais para tanto. Mas durante os 90 minutos o que se viu foi uma partida marcada pelo equilíbrio. E a razão deste equilíbrio passa pelo jeito de atuar do Internacional. Para o que muitos consideravam impossível para os jogadores do Internacional não foi.
A equipe treinada por Abel Braga _ este teve o seu melhor ano na carreira de técnico _ foi obcecada na marcação. E soube fazê-la de forma tão eficiente que nem sequer precisou apelar para as faltas.
Esta, entre as muitas, foi uma das melhores lições que o Internacional deu no Japão. É possível uma equipe brasileira, genuínamente brasileira, marcar, não conceder espaços e não apelas para a violência. Em nenhum momento, o Internacional trocou a bola pela canela, joelho ou tornozelo alheios. Foi um time determinado, mas que ignorou a violência.
Ao falar sobre a marcação é impossível não citar dois jogadores da linha de defesa que sobraram na partida de ontem: o lateral-direito Ceará e o zagueiro Fabiano Eller. O primeiro teve uma missão capaz de provocar pesadelos: encurtar os espaços de Ronaldinho Gaúcho. O fez com a atenção de um caçador diante da presa. Acompanhou o Ronaldinho pela ponta e no meio. O segundo mostrou que o prêmio de melhor na posição no Campeonato Brasileiro não foi por acaso. Sou fã dos canhotos em geral e deste em particular. É zagueiro com um senso de colocação e tem o poder de prever as jogadas.
Saio da defesa para o meio de campo, no qual os esforçados Wellington Monteiro e Edinho souberam compensar a imprecisão no passe, por exemplo, pela dedicação. Ficou este setor limitado ao Fernandão. Por conta de uma visão de jogo maior do que a dos demais. ele nem sempre é compreendido. Mas tem um toque de bola e uma objetividade para jogar futebol impressionantes. Dos quatro homens do setor, o que menos me agradou, neste e no outro jogo, foi o Alex. Não conseguiu entrar no ritmo da partida e o colombiano Vargas, que o substituiu, foi mais útil para o time.
Na frente, o Iarlei teve vários méritos. Passam pela percepção do jogo no gol marcado pelo Adriano e também de entender que com a saída do Fernandão ele deveria se transformar no grande nome do time. Da teoria para a ação foi um passo _ o do gol _ e poderia muito bem ter sido eleito o melhor jogador da partida ou do campeonato.
Quando escrevi que o ano foi o melhor na carreira de Abel Braga me referia ao fato de que ele precisava de títulos desta importância. Não observo o trabalho apenas pelo resultado, mas um sujeito com a dedicação do Abel precisava chegar a este nível. Chegou. Com méritos.
O ano termina com o Internacional no topo e também o futebol brasileiro. Venceu _ na mesma temporada _ o último campeão mundial e também o campeão da Europa. Não há o que discutir e tampouco argumentar no sentido contrário. É um título mais do que merecido, que transforma todos os participantes em heróis na vida de um clube que tem um passado para orgulhar, um presente para comemorar e um futuro mais do que auspicioso.
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