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Jornalista há 29 anos, Paulo Cesar Vasconcellos começou sua carreira na Luta Democrática, no Rio de Janeiro, Depois, ele trabalhou na Rádio Nacional, Última Hora, O Globo, Jornal do Brasil, onde foi repórter e editor de esportes, TV Globo, ESPN Brasil e atualmente é chefe de redação e comentarista do canal SporTV. Cobriu sua primeira Copa do Mundo em 1982, na Espanha, e depois fez a cobertura da realizada no México, em 86; da França, em 98; e da Alemanha, em 2002. Jornalista esportivo há duas décadas, Paulo Cesar Vasconcellos já realizou a cobertura de Jogos Olímpicos, Pan-Americanos, Mundiais e Pré-Olímpicos. Tem pelo esporte, especialmente o futebol, muita paixão. Este blog abordará não apenas o futebol, mas a paixão que o esporte desperta. “A vida se repete num campo, numa quadra, num tatame e numa piscina”, diz ele. pcvasconcellos@globo.com
PCVasconcellos
E O ANO DE 2007
O cenário para 2007 mostra que Atlético Mineiro, Sport e Náutico estarão na Série A. Nada melhor para a média de público da próxima competição. Os mineiros mostraram que a devoção pelo Atlético Mineiro, nesta passagem de oito meses pela segunda divisão, só aumentou. Noves fora a necessidade que o time tem de reforços _ uma coisa é um elenco para o andar de baixo e outra para o andar de cima _, a torcida manterá esta relação de fidelidade. Tenho certeza de que nas primeiras rodadas, o Atlético Mineiro estará a brigar pelos públicos mais expressivos da competição.
A fidelidade dependerá também do desempenho da equipe. Mesmo com todo o amor, o torcedor tem uma hora que cansa. Há os que não arredam pé dos estádios, mas existe também aqueles que pedem respeito.
Os dois times de Pernambuco compensa, ao subirem, a queda do Santa Cruz. Por anos, o Nordeste não tinha representantes tão expressivos. As lições que o Santa Cruz passou, mostrando como subir e cair, devem ter sido aprendidas pelo Náutico e pelo Sport. É péssimo para a região solidificar a idéia de que os clubes de lá são adeptos da "política da gangorra". Um ano sobem e no outro descem. O público da Região Nordeste adora futebol. Tem prazer em comprar ingresso, sentar nas arquibancadas e torcer pelo seu time. É uma praça que merece ser tratada com o maior respeito.
Pelo menos estes três clubes acenam com a possibilidade de ótimos públicos para o ano de 2007. A volta desses três ao primeiro escalão não deixa de ser um bom sinal para algo que os clubes precisam ver sempre cheios: os cofres.
DOIS NOMES E DUAS CARREIRAS
A presença do Muricy Ramalho na disputa pelo prêmio de melhor técnico do Campeonato Brasileiro não surpreende. É tão merecida quanto o título conquistado pelo São Paulo, onde o Muricy dá expediente desde o início do ano. O interessante desta corrida é que dois nomes fora da galeria dos consagrados apareceram como mérito e justiça: Mano Meneses, do Grêmio; e Renato Gaúcho, do Vasco da Gama.
O trabalho de um e do outro justificam esta indicação. O Mano Meneses não é sujeito chegado a conjugar o verbo na primeira pessoa do singular. Muito pelo contrário. Parece viciado em ponderação e bom senso _ o que é louvável _ e na base da discreção faz, desde o primeiro dia em que pisou no Olímpico, um trabalho para comprar assistir dos melhores lugares da platéia. Vejam o elenco do Grêmio, atentem para suas limitações e não será possível dissociar os resultados obtidos do que faz o MM.
Já o Renato Gaúcho tem estilo completamente oposto ao do Mano. E não poderia ser diferente. Seria muito estranho se o temperamento do técnico Renato Gaúcho em nada tivesse de semelhança com o do jogador. O que calçou chuteira, vestiu o uniforme e assinou súmula era um profissional da autoconfiança. Jamais se intimidou na situação adversa e sempre apostou no seu cacife.
Levou um tempo para ele conviver bem com a idéia de que era técnico de futebol e para levar a história _ ou melhor o novo cargo _ a sério. A partir do instante em que mudou de comportamento _ sem perder o jeito de ser _, o trabalho começou a aparecer. Chegou para ficar.
Ausência
Há quem tenha ficado assustado com a ausência do Vanderlei Luxemburgo da relação de melhor técnico do Campeonato Brasileiro. Não lamento e nem critico. Entendo que a votação quis contemplar os novos nomes do futebol. O VL, que fez ótimo trabalho no Santos e colocou-o na Libertadores de 2007, está em outro patamar. Vale a pena, em eleições como essa, ter olhar mais apurado para os novos. E o Vanderlei Luxemburgo está na estrada há muitos anos.
Bom fim de semana para todos
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CONVERSA DE BOTEQUIM
O anuncio dos jogadores relacionados _ três para cada posição _ para a seleção do Campeonato Brasileiro será assunto neste fim de semana. Impossível ficar indiferente a quem foi votado e a quem não foi. Eu, por exemplo, lamento as ausências do Edinho, lateral-esquerdo do Paraná; e do Marquinhos Paraná, do Figueirense, na briga pelo meio de campo. Não coloquei nenhum dos dois na minha relação, mas imaginei que o colégio eleitoral contemplaria estes dois jogadores.
Ao mesmo tempo que lamento estas ausências, eu fiquei surpreso com a nominação do Bruno, goleiro do Flamengo; do Paulo Baier, lateral-direito do Palmeiras; do Gladstone, zagueiro do Cruzeiro; do Marcelo, lateral-esquerdo do Fluminense e do Marcelo Mattos, volante do Corinthians. Nada contra as atuações do Bruno _ considero-o mais um aspirante a bom goleiro _, mas ele não jogou o suficiente para estar nesta lista e tampouco agarrou tanto assim. É sempre bom lembrar que o Bruno disputou boa parte da Série B com a camisa do Atlético Mineiro e que não houve jogo _ já com a camisa do Flamengo _ em que possa ser apontado como o responsável pela vitória rubro-negra. O André, goleiro do Juventude, foi muito mais regular.
O Paulo Baier fez um campeonato dominado pela irregularidade. Não foi aquele jogador do Goiás da temporada passada e pouco se encontrou em campo. O Dênis, do Santos, esteve acima, assim como o Miranda, do São Paulo, foi superior ao Gladstone, especialmente por ter entrado na equipe do São Paulo em momento decisivo e não ter fracassado. A regularidade do Edinho, do Paraná, foi um dos motivos para a boa campanha do time, enquanto o Diguinho, do Botafogo, e o Jeovânio, do Grêmio, fizeram um campeonato bem superior ao do Marcelo Matos. Este precisa de uma conversa séria com alguém que ele respeite e escute. Há tempos, não me perguntem os motivos, trocou o futebol bem jogado pela pratica da violência. Conta com a tolerância dos árbitros para permanencer em campo. Fossem todos os responsáveis pelas garantias das leis do jogo mais severos e Marcelo teria assinado a súmula poucas vezes.
Enfim, as listas servem para este tipo de discussão. Torço para que todos os jogadores e os outros profissionais envolvidos percebam a importância de uma premiação como essa. O comparecimento à cerimônia deveria ser obrigatório. Afinal, o Campeonato Brasileiro merece uma festa como essa.
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A NOVA FACE DO FUTEBOL
Não tenho a menor idéia se é uma tendência, mas não deixa de merecer aplausos a aparente mudança de perfil na maioria dos clubes. Percebe-se, neste fim de Brasileiro, que o hábito de trocar de técnico a cada insucesso deixou de ser regra e virou exceção. Pelo menos nesta temporada.
Só no Rio de Janeiro, três dos quatro grandes clubes já acenaram para 2007 com o mesmo profissional à beira do campo. O caso do Vasco da Gama carrega certa singularidade. Não é praxe da diretoria trocar de técnico como troca de humor em relação à imprensa. O resultado é a quase classificação do time para a Libertadores e a certeza de que Renato Gaúcho, por um tempo na função de treinador a passeio, é hoje um dos profissionais que merece ser tratado com o respeito que o cargo pede.
Este exemplo do Vasco da Gama talvez ensine como se deve olhar o trabalho de um treinador. Meses atrás, ressaca pela eliminação da Copa do Mundo latejando na cabeça de todos os torcedores, o time foi derrotado, em dois jogos, pelo Flamengo. Nada pior para um vascaíno e vice-versa. Pois o Vasco da Gama continuou com o técnico e a campanha da equipe _ com muitas limitações e várias superações _ se transformou na melhor das equipes do Rio de Janeiro. Só falta garantir a vaga na Libertadores para ter a certeza de que o ano, mesmo sem títulos, foi favorável.
Sempre com algum iluminado a ter pensamentos divorciados da realidade do clube, o Flamengo levou um tempo para conviver bem com a idéia de que não há nenhum motivo para encaminhar o Ney Franco ao Departamento Pessoal. Desta vez, o clube nem precisou dos serviços do Joel Santana, em exílio voluntário no Japão, para manter-se na primeira divião. Sob a orientação do NF, o time ganhou a Copa do Brasil e teve um Campeonato Brasileiro tranquilo.
O mesmo se aplica ao Botafogo. O Cuca e o clube falam a mesma língua. A trajetória do Cuca tem algumas curiosidades. Este time do São Paulo campeão brasileiro começou a ser formado por ele. Depois, ele passou pelo Flamengo e lá foi vítima dos iluminados com voz dentro do clube. No Botafogo, o Cuca mostrou do que é capaz e parece sentir-se à vontade.
A renovação de contrato do Muricy é boa para o São Paulo e para o treinador. O clube continuará a ter um profissional que é obcecado pelo acerto e está cada vez mais seguro. O Muricy merece um clube do porte do São Paulo.
Encerro este post com o Mano Meneses. Vai para o seu terceiro ano no Grêmio. Entre os atributos do Mano, o que mais admiro é o fato de não tirar os pés do chão. A quem lhe pergunta sobre a boa campanha do time no Campeonato Brasileiro, ele sempre observa que o elenco, entre o início e o meio da competição, ganhou reforços e por esta razão subiu de produção. Creio que o Mano, dentro do realismo que pontua seu trabalho, pedirá reforços para que o Grêmio não seja apenas um coadjuvante dentro da Libertadores. Acredito que não será.
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A VIDA É ASSIM
E o Marcelo foi embora. Quem? Parado nas principais esquinas das capitais brasileiras ao meio-dia, o Marcelo talvez não seja reconhecido por ninguém. A exceção pode acontecer na junção da Avenida Presidente Vargas com a Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro. Lá, os torcedores do Fluminense _ nem todos, fique claro _ poderão pedir um autógrafo e, quem sabe, até pedir para que ele continue no Brasil.
Creio que nada mais simbólico do estágio atual em que se encontra o futebol brasileiro do que esta venda do Marcelo para o Real Madri. Ele sai do Brasil sem ter disputado um Campeonato Carioca como titular do Fluminense. Sem ter jogado mais do que dez vezes no Maracanã, sem ter disputado uma competição oficial pela Seleção Brasileira principal.
Mas foi graças a um jogo com a camisa verde e amarela que o Marcelo despertou o interesse do mercado europeu. Primeiro do periférico _ o leste europeu _ e depois do de ponta. Muita gente boa, com currículo e não prontuário, atribui esta sangria (ou seria derrama?) desenfreada ao modelo administrativo dos clubes brasileiros. Tenho cá minhas dúvidas.
Não creio que a presença de cartolas mal intencionados e mais preocupados com o patrimônio pessoal do que o do clube seja a única causa.
O sonho de entrar no mesmo vestiário em que está o Canavarro, de esbarrar no David Beckham oude esbarrar no Van Nistelroy tem expressiva importância. O fato de o euro valer mais do que o real também faz a balança pender para a emissão do passaporte e a compra de um bilhete aéreo. E as mazelas brasileiras não podem ser ignoradas.
O perfil mais comum à vida dos jogadores de futebol é o da linha de pobreza. Saem das classes mais humildes da nossa sociedade e convivem com todos os nossos males. Eles, os parentes e os familiares. Há sempre alguém com uma história de violência para contar, outro decepcionado com a ausência de perspectiva e mais um desolado com as discriminações e intolerância.
O caminho do aeroporto e a troca por um lugar que permitirá _ logo no primeiro contrato _ a compra da tão sonhada casa própria, o pagamento de um curso para a irmã, a construção de uma casa para o primo fazem com que os jogadores cada vez mais pensem que a solução estará lá fora. E aí o Marcelo vai embora. Quem?
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OS MÉRITOS DA CONQUISTA
Há uma geração que definirá este time do São Paulo como o maior de todos os tempos. O vício brasileiro em sempre fazer comparações levará a este tipo de conversa, que aumenta os pedidos de chopp e incendeia a discussão. Não gosto de comparações, mas gosto deste time do São Paulo. Para o futebol brasileiro jogado hoje aqui no país, a equipe está acima da média. Tanto que conquistou o Campeonato Brasileiro com sobras. Basta olhar a tabela para ver a diferença entre o campeão e o segundo colocado.
Faltam duas rodadas para o fim do Campeonato e, exceto pela briga entre Vasco da Gama e Paraná para a última vaga na Libertadores, o restante está definido. A Ponte Preta desperdiçou a oportunidade de colocar o Fluminense no grupo dos rebaixados e com isso ficou definido quem fica na Série A e quem vai para a Série B.
Dentre as definições que o Campeonato Brasileiro teve nas últimas rodadas, a eleição do Mineiro como o melhor jogador da competição é mais do que justa. Não uso a palavra craque por valorizá-la e por entender que há muita parcimônia no uso desta definição para um jogador de futebol. Considero o Mineiro objeto de desejo da maioria dos clubes brasileiros. Ele recuperou para a posição de volante o respeito perdido nas últimas décadas. Graças a um modelo cultivado por técnicos desprovidos de criatividade. Vestiram a posição de volante com a roupa da mediocridade. A ele era reservado o direito de dar carrinhos, tocar para o lado e para trás. Parecia que o requisito básico para atuar naquela função era não saber jogar futebol. Até hoje ainda há técnico que dá a este tipo de jogador um espaço que ele não deveria ter.
E ai surgiu o Mineiro, muito bem coadjuvado pelo Josué. Em silêncio, como é característica dos eficientes, ele mostrou que naquela posiçãó é possível jogar futebol. O fez com a maior competência. Mostrou que é possível vida inteligente naquele setor. É o melhor jgoador do campeonato, mas não é um craque.
LIBERTADORES
O Vasco da Gama continua firme na luta pela última vaga na Libertadores. Faz uma campanha acima das expectativas de muita gente boa _ inclusive o degas aqui _ e só depende dos seus resultados para garantir presença na principal competição do continente. Situação diferente da vivida pelo Grêmio. Que campanha!
Entre o começo e o meio do Campeonato Brasileiro, o time só fez subir e na fase final da competição não deixou a peteca cair. Merece esta vaga até por avisar ao respeitável público que para se ter um bom time não é necessário abrir os cofres de maneira insana. Se não há dinheiro _ caso da maioria _ o trabalho e a criatividade são fundamentais. O Grêmio conseguiu isso. Termina a temporada com planos ambiciosos para o ano de 2007. Merecidamente.
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SIMPLICIDADE E COMPETÊNCIA
A vocação brasileira para colar etiquetas nas pessoas é algo cada vez mais comum. Vejam o caso do Muricy Ramalho. Sempre tem alguém para dizer que o técnico do São Paulo é mau-humorado. Passei o Campeonato Brasileiro inteiro escutando aqui e ali esta definição para um sujeito que de mau-humorado não tem absolutamente nada.
As vezes tenho a impressão até de que o propalado maus bofes do Muricy é colocado à frente da capacidade de trabalho do técnico. É lamentável, mas absolutamente verdadeiro. Seria muito bom, independentemente do título que o São Paulo tem tudo para garantir neste domingo, que o respeitável público prestasse mais atenção no que o Muricy Ramalho tem feito nos últimos tempos. Quem se der a este trabalho, quem observar com atenção o trabalho realizado por ele nos últimos tempos vai perceber que um profissional do mau-humor não teria respostas tão afirmativas dos seus jogadores. E o Muricy consegue por onde passa.
Proprietário de memória curta, o elenco verde e amarelo não recorda mais a imagem do Muricy de mãos dadas com os jogadores do Internacional nas últimas rodadas do Campeonato Brasileiro do ano passado.
É cena para não ser esquecida. Ali, o cidadão que compra um ingresso para as arquibancadas, cadeiras especiais ou diante da tevê pode constatar que o treinador tinha total domínio sobre aquele elenco. E o mesmo acontece agora com a turma do São Paulo. O pessoal as vezes fica irritado com aquela inquietação à beira do campo, mas sabe que o Muricy não está ali querendo jogar para a platéia, como se diz nos botecos e nas esquinas.
O São Paulo está a dois passos _ menos até _ do paraíso e muito deste título terá o dedo do Muricy Ramalho. Profissional obcecado pelo trabalho, ele é um estudioso do esporte, mas, por favor, não o chamem de professor: é um homem de linguagem simples, mas não pensem que trata-se de um simplório; e não abre mão da sua autoridade, mas nem de longe lembra um déspota.
Torço pelo Muricy por este jeito café, pão com manteiga, tutu com torresmo, padaria e banca de jornal que ele tem. O futebol passou a ser frequentado por profissionais com ares de economistas _ com aquela palidez e jeito circunspecto que só os economistas possuem. Todos com um discurso rebuscado, sem vocabulário para tal, e com vocação para vestir o futebol com uma roupagem inadequada.
O provável título brasileiro do São Paulo será um reconhecimento ao melhor time e a um técnico que descomplica. No Brasil de hoje é mais do que necessário.
Bom fim de semana para todos
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PARA ENTENDERMOS O PAÍS
Sou daqueles que não mudam os comentários por conta da vitória ou da derrota. Os 3 a 2 da Seleção da Rússia sobre a Seleção Brasileira na final do Mundial feminino de vôlei em nada mudam o meu conceito sobre estas jogadoras. Elas não ficaram piores por conta da derrota e tampouco poderiam ser consideradas melhores, caso o Brasil conquistasse o título.
Vivemos um momento muito complicado na nossa sociedade. Há uma grande diferença entre o que dissemos e o que fazemos. Condenamos o suborno, especialmente os praticados em larga escala, mas não temos o menor constrangimento em fazer um agrado para o sujeito que nos multa. Protestamos contra quem fura a fila, mas não temos pudor em parar o carro em fila dupla. Afinal, a questão a ser resolvida não levará mais de dois minutos.
Feita a divagação que julguei necessária para contextualizar o que penso, eu volto ao vôlei para dizer que não podemos mudar o conceito sobre o time por conta do resultado. Épocas atrás, o sujeito para expressar o grande comportamento em um jogo dizia que o time tal caiu de pé. Peço emprestada a definição de outras decadas para vesti-la sobre o uniforme das mulheres da seleção feminina.
Foram derrotadas por uma equipe tão boa quanto a brasileira. Capaz de oscilar, como o time treinado por José Roberto Guimarães; capaz de acertar seguidamente, como o time da Carol; capaz de errar em momentos decisivos, como a Jaqueline e sua turma. A Seleção Brasileira regressa com o orgulho lá em cima. Até discuto a frase do Barão de Coubertin _ "o importante é competir" _, exatamente por entender o esporte como algo além. "O importante é saber competir". E isso a Seleção Brasileira soube do início ao fim. Parbéns
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O SALDO É FAVORÁVEL
O desfecho da Seleção Brasileira na temporada, sob a direção do Dunga, é acima da média. Afinal, o time que disputou a última partida do ano em nada tinha a ver com a equipe que decepcionou na Copa do Mundo e apresentou ao respeitável público surpresas agradáveis. A maior foi o Elano. O apoiador do Santos foi a mais completa tradução de que não é necessário atuar no primeiro escalão do futebol mundial _ entenda-se Itália, Inglaterra, Espanha e Alemanha pela ordem _ para ser convocado e garantir lugar permanente entre os convocados.
Talvez o Elano seja hoje o mais bem acabado exemplo do que o Dunga pretende para o meio de campo da Seleção Brasileira. Encerra o ex-jogador do Santos a movimentação e capacidade de marcar necessárias para quem atua no setor. No time dos meus sonhos, o Elano seria o segundo volante da Seleção Brasileira ao lado do Elano com o Kaká e o Ronaldinho Gaúcho completando o setor.
Pode ser que o Mineiro se transforme em titular da Seleção Brasileira na próxima temporada, mas a maior dúvida se concentra no aproveitamento do Ronaldinho Gaúcho. E neste ponto, eu temo que o Dunga se deixe levar por conceitos estabelecidos à época em que nem sonhava em ser treinador e também por conta do que aconteceu na Copa do Mundo. Há um trauma sobre o aproveitamento dos melhores jogadores com a camisa da Seleção Brasileira.
Não se pode atribuir ao Ronaldinho Gaúcho ou a presença dele em campo o fracasso da Seleção Brasileira. Única e exclusivamente.
O grande desafio de um técnico _ na verdade de um líder em qualquer segmento profissional _ é harmonizar o que existe de melhor. No caso de uma equipe de futebol, o técnico, especialmente da Seleção Brasileira, precisa utilizar o que tem de melhor e fazer com que o esquema funcione. Não fui um entusiasta da expressão "quadrado mágico" _ considerava-a exagerada e tapouco pode ser tratado assim uma formação com o Adriano, que de mágico nada tem _ e entendo que na Copa do Mundo o técnico Carlos Alberto Parreira confinou no banco um jogador fundamental para o sucesso da escalação: Robinho.
Agora, o Dunga valoriza o Robinho em detrimento do Ronaldinho Gaúcho. Muda os nomes, mas adota o mesmo comportamento do Carlos Alberto Parreira.
Seria muito interessante que ele conversasse com um senhor de 74 anos, debilitado fisicamente por problemas de saúde, mas ainda com memória e agilidade de raciocínio suficientes para ensinar-lhes como se comporta um técnico nessas ocasiões: Mário Jorge Lobo Zagallo. Em 70, ele tinha mais oferta do que vaga. Todas de ótima cepa. Pois o Zagallo soube, qual um somelier de primeira, harmonizar os talentos e aquela seleção, entre todas a que assisti, foi a melhor de todas.
Neste ano, o Parreira teve a mesma oportunidade. Não soube fazê-lo. Espero que o Dunga saiba.
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DECEPÇÃO EM VERMELHO E PRETO size="4">
Antes de qualquer observação mais detalhada, a certeza é a de que foi a pior atuação do Atlético Paranaense nos últimos tempos. Vá entender o que se passa na cabeça dos jogadores de uma equipe capaz de chegar à semifinal da Sul-Americana com sobras, com um futebol de gente grande e na hora de justificar, mais uma vez, todos as expectativas, ela simplesmente desaparece.
Pois vem o jogo em que todos esperavam uma atuação acima da média e o Atlético Paranaense decepciona. Ficou léguas daquela equipe determinada, veloz, criativa e intensa das últimas rodadas do Campeonato Brasileiro e nas participações nesta Sul-Americana. O cenário não poderia ser mais favorável, mas o jogo não saiu.
Fiquei com a impressão que o Atlético Paranaense não acordou para o jogo. Tenho razoável resistência a essa idéia de que no futebol tudo se resume a garra e a determinação. Por conta desta implicância _ não gosto da palavra, mas ela se encaixa _ com esta banalização no instante em que é necessário observar, eu não creio que foi a ausência de uma coisa e da outra responsáveis pela derrota. Simplesmente o Atlético Paranaense não conseguiu se encontrar.
Mas não foi apenas por conta de uma atuação ruim que o Atlético Paranaense sucumbiu diante do Pachuca. Há um outro ponto _ mais importante e complicador para o segundo jogo _ que merece ser destacado: os mexicanos pisaram a Arena da Baixada com uma equipe bem armada, que soube o que fazer dentro de campo. As vezes, confesso, senti certa nostalgia ao ver o desempenho do Pachuca. Gostaria muito de observar uma equipe brasileira com este estilo. Houve uma época em que muitos times apresentavam um bom toque de bola, marcavam e atacavam. Aos poucos esta característica desapareceu e hoje é encontrada no.........futebol mexicano.
A derrota e o histórico do Pachuca dentro da Copa Sul-Americana mostram que a vaga para as finais está muito mais difícil. Não desprezo a capacidade de reação do Atlético Paranaense, mas exatamente por ver muitas qualidades no rival, eu reconheço que tudo ficou mais complicado. Em vermelho e preto.
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O TIME QUE NÃO FALHA
Na saída do campo, em entrevista ao repórter Carlos Cereto, do SporTV, o zagueiro Scheidt, do Botafogo, resumiu o sentimento que tomou conta dele, do time e certamente de outros adversários que o São Paulo teve ao longo deste Campeonato Brasileiro: "o time dos caras não falha. Qualquer bobeada tua e eles vão lá e marcam", afirmou. Diagnosticou, com a simplicidade de quem ganha a vida dentro do campo há tempos, o que muitos catedráticos levam horas para definir. O São Paulo, cada vez mais próximo do título brasileiro, não perdoa os erros cometidos pelo adversário e fez uma parceria com a eficiência.
No primeiro tempo, especialmente nesta fase, o Botafogo teve algumas oportunidades _ assim como outros adversários tiveram _ mas esbarrou naquele que pode ser um dos maiores méritos do São Paulo nesta busca pelo título: a imprecisão. Diante de uma equipe com tamanha força e absolutamente convencida desta força, o erro é inaceitável. A falha é paga com gols, como aconteceu no fim do primeiro tempo.
Qualquer torcedor do São Paulo mais sereno _ e eles são muitos _ não coloca esta equipe entre as melhores da história do clube. Por conta da capacidade em formar ótimos times, o São Paulo tem na sua história outros que ficam à frente. Mas para este futebol brasileiro jogado atualmente, para este campeonato e para os padrões de exigência apresentados, o São Paulo está acima. Tanto que possui uma liderança com sobras dentro da competição.
Não conseguiu-a por benefícios externos. Obteve-a por conta do trabalho. Tem um técnico que não vê o futebol como uma fórmula para salvar o mundo do efeito estufa, aumentar a camada de ozônio ou terminar com os conflitos étnicos. Sujeito direto, homem que entra na padaria para tomar uma média, capaz de ficar horas na banca de jornal jogando conversa fora, o Muricy Ramalho se faz crer no meio do futebol exatamente por transmitir aos jogadores o seu jeito de ser. Todos acreditam nele.
E por acreditarem sabem que o time ainda não é, oficialmente, campeão. Após esta vitória, o nível da euforia aumentará, mas o Muricy será o primeiro a dar um basta neste possível deslumbramento. Ele também está com o grito de campeão entalado na garganta, mas sabe que para soltá-lo terá que vencer os adversários dos dois próximos fins de semana _ o Goiás e o Atlético Paranaense, claro que o Internacional pode ajudar se perder amanhã para o Fortaleza.
O drama continua /b>
Não adianta o técnico PC Gusmão se esgoelar à beira do campo. O que ele precisa é colocar em campo quem acredita na possibilidade de o time continuar na primeira divisão. Não sei nem se há jogadores suficientes para se escalar uma equipe com este perfil, mas este é o melhor jeito para tentar sair do atoleiro em que o Fluminense se meteu.
O empate com a Ponte Preta _ absolutamente previsível _ não foi um resultado distante da realidade. O tricolor pouco, ou quase nada, criou e o Jean, goleiro da Ponte, fossem outros os tempos, não levaria o prêmio de melhor em campo para casa. Coninuo a crer na permanência do Fluminense na primeira divisão _ o drama levará tempo para ser concluído _, mas entendo também que o seu técnico ainda não conseguiu encontrar a melhor forma para fazer o time se reencontrar.
Quem sabe _ há tempo _ o reencontro não acontecerá neste domingo? O que mais prejudicou o Cruzeiro neste Campeonato Brasileiro foi a irregularidade. Sai de uma apatia como aquela diante do Corinthians, no Pacaembu, e mostra dedicação diante do Vasco da Gama. Entra em letargia e leva uma sapeca iá-iá do Santa Cruz. Oscilação ruim para o Fluminense. Ninguém sabe que Cruzeiro entrará em campo no domingo.
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A TRAGÉDIA BRASILEIRA
O drama do Carlos Alberto revela um Brasil que geralmente o pessoal da cidade grande não sabe que existe ou prefere ignorar. Vê-lo contando como chegou a adulteração da certidão de nascimento é uma aula sobre o estado de penúria em que muitos brasileiros se encontram. Quem troca de celular a cada lançamento novo, assina tevê a cabo, conhece as maravilhas do mundo da internet e se queixa da vida não tem _ claro que há quem não seja assim _ pode até pregar o banimento do Carlos Alberto do futebol ou tratá-lo como um marginal. Mesmo procedimento que temos com aquele menino que pede dinheiro na rua e só conseguimos enxergar como um aprendiz de bandido.
Evidente que o Carlos Alberto tem que ser punido, mas seria interessante que a justiça esportiva não o visse como um exemplo para o fim da adulteração. Há uma tendência em se ironizar ou condenar o personagem envolvido neste tipo de crime. Não é de hoje que ele acontece. Há décadas que é assim. Os que foram descobertos sempre apresentaram, na grande maioria das vezes, a mesma versão do Carlos Alberto. Para quem ainda não sabe, ele disse na entrevista ao repórter Heber Luiz, da CBN, que passava a fome e a adulteração foi o meio encontrado de entrar no futebol e dar uma vida melhor a todas as pessoas que o cercavam.
ARgumento sincero e antigo para uma situação que o Brasil teima em manter. Poderia ter sido bandido e foi salvo pela habilidade. Que a justiça, repito, seja rigorosa, mas não se comporte como se o país não tivesse a sua cota de responsabilidade nesse e em outros crimes.
ALTOS E BAIXOS
Dos jogos disputados nesta quarta-feira, o que mais me decepcionou foi Internacional x Santos, no Beira-Rio.Com a sinceridade que o caracteriza, o técnico Abel Braga, logo após a partida, definiu bem o que foi o jogo. "O Santos não entrou em campo para atacar", disse ele. Tem toda a razão. O Santos está mais preocupado em garantir a vaga na Libertadores e pisou o gramado do estádio colorado preocupado com o jogo deste sábado diante do Paraná.
Já sabia do resultado da partida entre Vasco da Gama x Paraná (3 a 1 para o Vasco) e não quis correr riscos. Jogará todas as suas fichas na partida marcada para a Vila Belmiro. O retrospecto do Santos no Brasileiro mostra que a performance da equipe em casa é altamente favorável.
Desde o último domingo, quando o Santos _ na Vila só para contrariar o parágrafo acima _ perdeu para o São Paulo, que o Vanderlei Luxemburgo sabe que o título já só quer conversa com o pessoal do Morumbi e admite flertar com a turma do Beira-Rio. Creio ser muito difícil o Santos deixar escapar esta vaga e o ano de 2006, vaga assegurada, terá sido altamente favorável.
Ao conseguir a quinta vitória consecutiva, o Corinthians pode sedimentar uma idéia equivocada entre os que acompanham a trajetória do clube. Não basta, para as pretensões corintianas, ter uma equipe formada predominantemente por jogadores formados no clube ou no "terrão", como diz o pessoal mais antigo. É preciso saber equilibrar aqueles formados em casa com alguns jogadores de talento que possam ser contratados, mas sem nenhuma identificação com o clube.
O técnico Emerson Leão voltará a ser julgado hoje pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva. No primeiro julgamento, ele foi absolvido. Os auditores entenderam que havia uma diferença entre o que o árbitro Wilson Seneme relatava na súmula e as imagens mostravam. Não fará sentido condenar alguém que foi absolvido, por unanimidade, semanas atrás.
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A VOLTA TRIUNFAL
A noite de terça-feira entrará para a retrospectiva do futebol brasileiro deste ano com a garantia do retorno do Atlético Mineiro à primeira divisão do futebol brasileiro. Não foi apenas pela goleada (4 a 0) sobre o São Raimundo que o time deixou os seus torcedores em estado de graça. Ao longo daqueles festivos 90 minutos, o Atlético Mineiro mostrou a sua força e também que soube superar todas as dificuldades que uma Série B apresenta pelo caminho.
Entre a queda e a ascensão, o clube passou por situação difícil e conviveu com a desconfiança de alguns. Cair para a Série B não é confortável para nenhum clube e muito menos para uma agremiação com a importância e a história do Atlético Mineiro.
A sensação inicial é a de desconforto, incômodo e uma depressão absoluta. Leva tempo para que o clube supere o impacto. O Atlético Mineiro viveu todas estassituações e conseguiu superá-la com as mudanças necessárias e providenciais dentro do time.
Evidente que contribuiu para o crescimento a entrada do técnico Levir Culpi. Parece ter vocação para dirigir times na Série B _ e aqui não vai nenhuma intenção de depreciá-lo _ e o trabalho não merece reparos.
Evidente que o momento é de comemoração, mas o Atlético Mineiro não pode perder de vista a próxima temporada. O elenco atual é forte o suficiente para o time se classificar na Série B, como aconteceu, mas não a força necessária para transformar o Atlético Mineiro em aspirante a um título na Série A. Há tempo para que a diretoria monte um time compatível com as pretensões do clube, o que transformará o retorno em permanente satisfação e não em mais um ataque de nervos.
QUINTA-FEIRA DE EXPECTATIVAS
O empate com a Ponte Preta serviu de lição para o São Paulo. Naquele jogo, o time descobriu que não pode querer decidir as partidas logo no início e passou a conviver bem com a idéia de que a conquista será apenas uma consequência da boa campanha. Por conta da ansiedade, o São Paulo deixou de ganhar três pontos diante de um forte candidato ao rebaixamento e viu encurtar a distância para o segundo colocado.
Na partida com o Santos, os efeitos daquele resultado ficaram visíveis e acredito que no confronto desta quinta-feira, diante do Botafogo, com um Morumbi mais uma vez lotado, o São Paulo será pragmático. Pisará o gramado da sua casa com a certeza de que se conseguir mais um ponto o mundo não acabará. E o mais importante: o Internacional já terá enfrentado o Santos.
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GRANDE GESTO
Ao anunciar que não está em condições de atuar pelo Palmeiras, o goleiro Marcos mostra que o jogador de futebol não precisa acreditar que é um super-herói. Com a sinceridade que o carcateriza, tal e qual a técnica na hora de defender, o Marcos mostrou que franqueza não é artigo fora de estoque no futebol.
Tenho pelo goleiro do Palmeiras especial admiração. Vem do tempo em que o time caiu para a Série B. Naquele período sombrio, em que o clube virou motivo de chacota para os torcedores adversários, ele era a imagem mais bem acabada da busca do clube pela recuperação. Rebaixamento consolidadio, ele foi o primeiro a dizer o que significava aquela situação. "Não tive coragem de sair na rua de tão envergonhado que estava", disse a respeito da situação.
Foi de fundamental importância na Operação Resgate para a volta à Série A, tanto quanto na Copa do Mundo de 2002. Não temos um elenco com apreço pelos goleiros, mas é sempre conveniente lembrar que naquela final contra a Alemanha, ele fez pelo menos duas defesas daquelas que só os grandes goleiros são capazes.
Na história recente do Palmeiras, o Marcos é o maior ídolo. Está ligado aos grandes momentos e nos piores, ele sempre teve uma atuação capaz de deixar o torcedor do clube emocionado e absolutamente convencido de que ali estava um grande homem. Esta é a definição exata. Muitas vezes nos perdemos em olhar para o jogador apenas como um atleta. Uma máquina capaz de superar todos os obstáculos, que bebe garra, almoça determinação e janta luta. Quanta bobagem!
Jogadores _ atletas em geral _ são pessoas com sentimentos, inseguras, seguras, alegres, tristes e que sofrem como o torcedor das arquibancadas. Por conta de uma visão deturpada, os jogadores as vezes são vistos como mercenários _ embora o clube não cumpra com as suas obrigações _ em outras situações são vistos como desligados e por ai vai.
O Marcos não encerra nenhuma destes sentimentos. É profissional de primeira linha e a pedido que fez ao técnico Jair Picerni só reforça a idéia de que os personagens do futebol nem sempre são dissimulados.
O ATAQUE DO CARLOS ALBERTO
Na entrevista que concedeu ao repórter Ivan Moré, da TV Globo, exibida no Globo Esporte desta terça-feira, o Carlos Alberto voltou a criticar o técnico Emerson Leão. Noves fora as motivações dos petardos dirigidos pelo meia, a situação só evidencia o quanto está enfraquecido o comando corintiano. Fosse um clube com poderes e hierarquia definida e o desfecho da situação seria diferente.
Faltou comando para mudar o rumo da prosa e o clube foi o maior prejudicado. Enquanto defendeu o Corinthians, o Carlos Alberto caracterizou a sua passagem pela vontade em acertar. Nos piores momentos do Corinthians, ele foi determinado na busca pela recuperação da equipe. Não se pode associar a saída do Carlos Alberto ao ressurgimento do Corinthians. O time iria se recuperar em algum momento dentro do campeonato. O que fica claro, cristalino como as águas do mediterrâneo, é que o clube não tem nenhum tipo de comando.
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O COMPORTAMENTO DOS TÉCNICOS
A atitude do Vanderlei Luxemburgo e do Muricy Ramalho, ocultando as escalações do Santos e do São Paulo, respectivamente, contrariaram a diretoria da CBF. Os técnicos ignoraram o artigo 32 do Regulamento Geral das Competições _ que determina a divulgação das equipes 45 minutos antes do início do jogo. Por conta desta indisciplina, a CBF decidiu que, a partir desta rodada intermediária, os delegados dos jogos ou o árbitro reserva terão que obter e divulgar a relação 45 minutos antes do início da partida. Caso o clube descumpra, o árbitro terá que relatar na súmula e o assunto será julgado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva.
Não sei o que os amigos blogueiros pensam desta atitude dos técnicos, mas entendo que ela desrespeita o público e pouco influi no andamento do jogo. O jogo de futebol é um espetáculo e o publico merece todas as informações sobre os seus participantes. Deve ser horrível entrar num teatro ou numa casa de shows e não saber quem são os artistas. Passa por respeitar o público a divulgação da escalação dos times com razoável antecedência. Não estou aqui a querer defender a imprensa. Entendo que o jornalismo não está associado ao privilégio, mas o publico/torcedor merece todo o respeito. São pontos que podem contribuir para que eles sintam cada vez mais vontade de comparecerem nos estádios.
NÃO ENTENDI O PC
O comportamento do técnico Paulo Cesatr Gusmão após mais uma derrota do Fluminense _ desta vez para o Botafogo _ foi o menos recomendável possível. Neste momento em que o time demonstra abatimento, os jogadores parecem confusos e a cartolagem sabe que errou ao entender que a saída de Oswaldo de Oliveira daria uma chacoalhada no elenco, o treinador abriu as portas para que a diretoria o demitisse. Ora, o que menos o Fluminense precisa neste instante é de um técnico que estenda o tapete vermelho para uma passada no Departamento Pessoal.
Quando o PC Gusmão acena com a possibilidade da saída, magnanimamente concedendo o direito aos cartolas, ele dá a impressão de que não acredita mais na permanência deste barco sobre as ondas. Avisa ao distinto público que a queda para a segunda divisão parece inevitável. Não vejo desta forma e entendo que o Fluminense pode, apesar da pífia campanha, conseguir permanecer na Série A. Mas não será com esta postura derrotista do treinador que o clube conseguirá dar um desfecho digno a esta campanha tão decepcionante.
Na partida com o Botafogo ficou evidente que de um lado estava um time determinado e acostumado a superar todas as adversidades _ o Botafogo _, enquanto do outro corria um grupo de jogadores meio desorientados e sem forças para reagir _ o Fluminense.
Nesta quinta-feira, o jogo com a Ponte Preta tem sabor de decisão e o adversário, que se imaginou já rebaixado, não pode ser considerado um peso morto.
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VITÓRIA DA MATURIDADE
Ao colocar o Lenílson para substituir o Aloísio, o técnico Muricy Ramalho esperava que ele fosse desempenhar o papel de pivô, como no lance que resultou no gol de Mineiro, o primeiro e único da vitória do São Paulo sobre o Santos. Os três pontos obtidos na Vila Belmiro e a vantagem mantida de cinco pontos sobre o Internacional mostram a maturidade do São Paulo.
Quem como eu esperava um grande jogo certamente ficou decepcionado. O excesso de respeito, misturado a um temor em sofrer gols, deixou os dois times pouco preocupados em arriscar. Havia uma nuvem de temor sobre o estádio da Vila Belmiro. Os primeiros minutos foram caracterizados pela cautela.
Na única jogada e no único chute preciso ao gol, o São Paulo marcou o seu. Mais uma vez o autor foi o Mineiro, que parece predestinado a fazer em momentos importantes. Merece observação a jogada realizada pelo Lenílson, alías a única. Fez o que Aloísio desempenha com razoável desenvoltura e deixou Mineiro na cara do gol. Pena que seja um jogador extremamente irregular. Há momentos em que parece absolutamente desligado do jogo. Erra passes com irritante regularidade e volta e meia está alheio ao jogo.
Para tornar mais pálida a atuação do ataque do São Paulo, o desempenho de Leandro também foi abaixo da expectativa. Faltou aquele dinamismo de outras ocasiões.
Do lado do Santos, a marcação sobre Zé Roberto era implacável e o time só começou a ser mais presente no jogo durante o segundo tempo. O recuo de Reinaldo deu mais jogo ao time.
E ele foi quem mais se destacou. Com um chute mandou a bola na trave no início do segundo tempo e depois serviu Rodrigo Tiuí com ótimo passe.
Mesmo assim, o Santos ameaçou muito pouco. Tem a reclamar um impedimento mal marcado de Rodrigo Tiuí, que resultou num gol de Zé Roberto _ embora a jogada já estivesse parada _ e também a não expulsão de um inconsequente Lenílson que deu cotovelada em André.
Fique com a impressão de que o São Paulo ansioso do jogo com a Ponte Preta não entrou em campo neste domingo contra o Santos. Foi um time que pensou ao longo dos 90 minutos na vantagem que tem na tabela e soube administrá-la.
Para o Campeonato, a vitória do Internacional por 1 a 0 sobre o Grêmio, gol de Iarlei, foi fundamental. Mantém a disputa pelo título em aberto e não permite aos tricolores o menor descuido.
PONTE PRETA
Com a derrota em casa para um time que está rebaixado, a Ponte Preta oficializou o adeus à Série A. Tinha partida de ontem a melhor oportunidade para mostrar que ainda estava com forças na briga pela permanência na primeira divisão.
O mesmo aconteceu com o Fortaleza. Ainda sob o efeito da goleada para o Corinthians, o time assistiu, passivamente, a evolução do Goiás, que parece ter descoberto o técnico para todo o sempre: Geninho.
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SÃO PAULO TEM ADVERSÁRIO
Diante de 55 mil pessoas, o São Paulo mostrou qual adversário pode derrotá-lo. Não tem nome, não assina a súmula e nem sequer recebe cobertura frenética da mídia: a ansiedade será o maior rival do tricolor paulista nesta busca pelo título brasileiro. Com dez minutos de jogo, o apoiador Sousa _ se mantiver a cabeça no lugar, ele pode até sonhar com Seleção Brasileira _ já chutara, precipitadamente, duas vezes contra o gol da Ponte Preta. Em ambas, o passe era a melhor opção.
A pressa em querer definir o lance foi sintomática. O São Paulo não subestima o adversário, não se sente campeão, mas quer acabar logo com esta lenga-lenga. E o jogo com a Ponte Preta serviu apenas para mostrar que este não é o melhor caminho. O resultado da ansiedade foi um time com muitos erros de passe, o que não combina com a performance do São Paulo ao longo do Campeonato Brasileiro. Time ruim, a gente entende que não saiba tocar a bola e mais erre do que acerte neste fundamento determinante para o jogo bem jogado. Mas quando o São Paulo entrega a bola nos pés dos adversário com frequência acima do razoável é fácil concluir que a ansiedade tomou conta da cabeça de cada um.
Mesmo com tanta ansiedade, o São Paulo criou mais oportunidades do que a Ponte Preta. Poderia ter vencido e continua próximo do título. Evidente que o empate com a Ponte Preta não estava nos planos _ afinal, o adversário suplica para não ser rebaixado, embora tenha trabalhado para isso na maior parte das rodadas.
Agora, o São Paulo terá um adversário mais do que difícil pela frente. O histórico do Santos no Campeonato Brasileiro mostra que o time na Vila Belmiro é um gigante, enquanto que fora não passa de um gatinho.
INVASÃO SEM PROPÓSITO
Não tem razão parte da diretoria do Botafogo quando invade o campo para protestar contra o trabalho do árbitro Wilson Souza de Mendonça. A ser assim, a cartolagem também deveria invadir o gramado quando o árbitro erra a favor. Polêmico por vocação, enamorado do tumulto, Wilson Souza de Mendonça não entra em campo com a intenção de prejudicar o time A ou o time B, mas gosta de ser o centro das atenções.
O pênalti que marcou contra o Botafogo e que resultou na vitória do Internacional seria marcado do outro lado, caso o lance fosse protagonizado por um atacante botafoguense e um defensor colorado. Entendo que houve o pênalti, mas acredito que o histórico do Asprilla contribuiu para a marcação. É aí que o técnico Cuca deve entrar em ação. No jogo anterior do Botafogo, contra a Ponte Preta em Campinas, o mesmo Asprilla cometeu pênalti quase que semelhante ao que fez nesta quinta-feira.
Está mais do que na hora de o técnico Cuca chamá-lo, fita dos lances debaixo do braço, e mostrar como um zagueiro não deve se comportar. Tanto no primeiro quanto no segundo, o grande problema do Asprilla é que ele chega de forma estabanada em cima do atacante. O comentarista de arbitragem Arnaldo Cesar Coelho definiria como força desmedida. Tivesse apenas cercado o Luís Adriano e o pênalti não seria marcado.
Vou citar o Figueroa, um dos melhores zagueiros do mundo e que cedeu seu talento ao Internacional durante anos, para lembrar uma máxima do chileno: "O bom zagueiro é aquele que induz o atacante ao erro", costuma dizer o ex-jogador bom de prosa. Não estou a comparar o Asprilla com o Figueroa _ seria uma maldade, um xingamento ao Figueroa _, mas determinadas lições não são tão difíceis de serem absorvidas.
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COMO NOS ANOS SESSENTA
Seis a quatro é placar de Santos do Pelé contra o Cruzeiro do Tostão. O jogo mais eletrizante da rodada de quarta-feira foi disputado na Arena da Baixada. Aliás, o estádio se transformou em palco de alguns dos melhores momentos do futebol brasileiro nesta temporada. Como os tempos mudaram _ para melhor e para pior _ há quem se preocupe apenas em ressaltar a fragilidade das defesas e ignorar o poder dos ataques. Minha gente, desportistas de todo o Brasil, como sempre diz o Luiz Mendes _ uma das referências da crônica esportiva brasileira _ o futebol brasileiro sempre se caracterizou pela sua vocação ofensiva. Quando um time faz seis e outro marca quatro gols, o mais importante é a capacidade de atacar de cada um dos times.
Foram 90 minutos de puro magnestimo. Capaz de manter o mais fleugmático dos torcedores _ seja do Vasco da Gama ou do Atlético Paranaense _ com a pressão acima dos padrões. A cada dia, o Atlético Paranaense justifica todos os elogios que recebe. Na partida desta quarta-feira, o Atlético Paranaense entrou em campo sem o Denis Marques, que até placa vai receber pelo gol marcado contra o Nacional do Uruguai, semana passada, pela Copa Sul-Americana.
Pois se não teve o Denis Marques, o CAP contou com o Evanílson. Este é um dos personagens daquela série "As voltas que o futebol dá". Tempos atrás, bota tempo nisso, ele foi convocado pelo Vanderlei Luxemburgo e os fiscais do esporte logo insinuaram que tinha caroço debaixo daquele angu. Técnicos que sucederam o VL fizeram o mesmo, mas a repercussão não teve o mesmo número de decibéis.
Retorno ao Evanílson. Seguidas temporadas na Europa encolheram o seu futebol e a última imagem era a de um jogador desinteressado. Como futebol não se desaprende, ele agora no Atlético Paranaense voltou a ser o Evanílson do América Mineiro e do Cruzeiro. Melhor para o time.
AUSÊNCIA DE BRILHO
O que Atlético Paranaense e Vasco teve de eletrizante, Palmeiras e Goiás teve de desinteressante. Impressionante como o time palmeirense não consegue acertar as jogadas mais elementares. No primeiro tempo, na saída de bola, o time quase consegue a proeza de mandar a bola pela linha lateral.
Os especialistas em clichê insinuarão que o time quer derrubar o Marcelo Villar, garantirão que o grupo está dividido e que tem jogador tirando o pé das divididas. Quanta bobagem! Mais do que ninguém eles querem os três pontos. Mas estão a trilhar o mesmo caminho que o Corinthians trilhou tempos atrás. Nada dá certo e todos estão sem forças para reagir. Nessas horas, as deficiências _ e o Palmeiras tem muitas _ se acentuam e levam enorme vantagem sobre as virtudes. Não creio na queda do Palmeiras, mas a capacidade de reação da equipe ainda não apareceu.
A REAÇÃO
A goleada corintiana sobre adversário rebaixado seria considerada um resultado normal, desde que a equipe tivesse feito uma campanha diferente ao longo do Campeonato Brasileiro. Mas como foi preciso ter aulas particulares de matemática, os jogadores viram que a situação se complicava e a equipe conseguiu reagir. Vale a pena prestar a atenção na escalação que entrou em campo contra o Fortaleza. Viu-se um Corinthians meslcado. Estavam lá a estrelas, mas também aqueles pratas da casa. É combinação com boas possibilidades de dar certo, como demonstrou o jogo de ontem.
OS IGUAIS
Ao perderem para Figueirense e Juventude, respectivamente, Grêmio e Santos jogaram fora uma boa chance de praticamente assegurarem vaga na Libertadores. Mesmo assim, eu acredito que os dois conseguirão a classificação.
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DIFERENÇAS ENTRE A SÉRIE B E A SÉRIE A
Dois meses atrás, após uma derrota para o São Paulo, o presidente do Santa Cruz, Romerito Jatobá, fez um diagnóstico sobre o desempenho do clube presidente na Série A e mandou, sem ter a intenção, um aviso para a turma que sonha com o direito de voltar à primeira divisão do futebol brasileiro. "Uma coisa é um elenco para a segunda divisão e outra coisa é um time para disputar a primeira", afirmou o cartola, camisa empapada, semblante tenso e precisas palavras.
Ao ver o Sport se aproximar cada vez mais da Série A, assim como o Atlético Mineiro, eu pensei no que disse o senhor Romerito Jatobá naquele calorento vestiário. A campanha destas duas equipes é para encher de orgulho o torcedor. Não há jogo que a Ilha do Retiro fique vazia e as imagens do Mineirão lotado serão obrigatórias na retrospectiva do esporte neste ano da graça de 2006.
Só que os elencos que ambos os clubes formaram para este ano não são capazes de repetirem no andar de cima o que fazem agora no andar de baixo. Será muito importante que os dirigentes do Sport e também do Atlético Mineiro entrem 2007 convencidos de que os responsáveis pela subida não precisam ser mantidos.
Por conta de um paternalismo típicamente de quem não tem muito espírito profissional, o futebol é chegado a filantropias. Volta e meia confundem gratidão com dependência. É mal que assola especialmente os times que fazem campanhas acima da média dentro da Série B.
Quanto mais tiverem esta idéia, os dirigentes do Sport e do Atlético Mineiro estarão longe das palavras ditas pelo senhor Romerito Jatobá após mais uma derrota da sua equipe.
Bom dia para todos
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JOGADORES NA BERLINDA
As fotos do Adriano na garupa de uma moto, como se fosse um jovem estudante em férias, explicam a má fase do atacante. Confesso que não me surpreendi ao vê-las e desde o dia em que o Adriano desembarcou nesta terra de palmeiras e sabiás tinha a certeza de que a vinda ao Brasil seria exatamente para isso: curtir os amigos da Vila Cruzeiro, dar férias para os tênis e sapatos, aposentar a calça comprida e não ter compromisso com absolutamente nada. Nem o carro ele está disposto a guiar. Todo jogador de futebol, especialmente o famoso, tem sempre um súdito, quer dizer amigo, para dirigir o possante, atender o celular de última geração e levar o bilhete para a menina que requebra as cadeiras no pagode da vez.
Em péssima fase no Inter de Milão, o Adriano é um dos mais bem acabados exemplos dos efeitos que o fracasso da Seleção Brasileira na Copa do Mundo deixou em cada um dos jogadores. Por conta dos equívocos cometidos na fase de preparação, o Adriano desembarcou na Suíça acima do peso e disputou uma Copa sofrível. Evidente que a imprensa foi responsabilizada pela falta de gols, o que é muito mais fácil. Talvez seja muito difícil para qualquer personalidade _ e esses jogadores viram estrelas com a velocidade de um cometa _ aceitar os erros que comete. Jogador com o tipo físico do Adriano e com a qualidade técnica do Adriano só funciona se estiver em ótima forma. Não adianta tentar enganar. Os acima da média até conseguem compensar a deficiência física com a habilidade. Mas aqueles que dependem do corpo _ caso específico do Adriano _ necessitam o tempo inteiro de forma física apurada. Do contrário, a queda é livre e a cobrança acentuada.
Não tenho a menor idéia de como o Adriano está a se relacionar com esta fase pouco produtiva dentro do campo e certamente intensa fora das quatro linhas. Pode ser que aposte no cacife, que lembre os tempos áureos da Copa América e da Copa das Confederações, que recorde a titularidade na Seleção Brasileira e a fama que chegou a ter no Flamengo. Acerta ao levar esses dados em consideração, mas deveria ouvir mais quem tem experiência e currículo. Essas pessoas existem no futebol, algumas estão próximas a ele e certamente poderão ser úteis.
O DILEMA DO RONALDO, O FENÔMENO
Leio que o técnico Fabio Capello está irritado com o Ronaldo, o Fenômeno. Entre outros problemas, o peso acima da média do atacante incomoda o técnico. A luta pelos quilos ideais já marcou a vida de muitos jogadores aqui, ali e acolá. Mas o do Ronaldo parece interminável. Fico com a impressão que o outrora titular absoluto da Seleção Brasileira, unanimidade nacional e escolhido de primeira no par ou ímpar é hoje um homem sem forças ou vontade _ ou até as duas coisas _ para fechar a boca e voltar a compatibilizar peso e altura. Capello não terá a paciência que Carlos Alberto Parreira teve com o atacante. Leio também que Ronaldo, o Fenômeno, se queixa da falta de carinho. Aliás, o Adriano também já se lamentou do mesmo. Não sei o que os jogador de futebol entende por carinho, mas observo que não é no trabalho que se deve suplicar por carinho. As relações profissionais passam por respeito e o cumprimenro de tudo o que for acordado. Carinho nós temos em casa.
Bom dia para todos
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O RETORNO DO DIEGO
A maior novidade na convocação que o técnico Dunga anunciou agora há pouco foi o retorno do Diego, do Werder Bremen. Quando surgiu no Santos, o Diego induziu a maioria a crer que ele decolaria mais rápido do que o Robinho. Aconteceu exatamente o contrário. O Robinho se recuperou mais rapidamente do impacto causado pela eliminação do Torneio Pré-Olímpico, classificatório para os Jogos de Atenas, e as outras convocações foram apenas consequência.
Enquanto Robinho se firmava, o Diego oscilava cada vez mais. Foi para o Porto, em Potugal, e não conseguiu se firmar. Dava a impressão de que estava cada vez mais difícil para superar os momentos ruins. Temia pelo seu futuro dentro do futebol. Cheguei a pensar que poderia se transformar em mais uma daquelas promessas, daquelas vocações que não chegaram a lugar algum. O futebol brasileiro, pródigo em talentos, está cheio deles. Dá para fazer umas duas seleções apenas de promessas.
Pois a troca de camisa, idioma e estilo de jogar futebol fez bem ao Diego. Saiu de Portugal, onde o futebol praticado é mais próximo do brasileiro, e foi para o futebol pesado, bruto, violento as vezes da Alemanha. A negociação parece ter mexido favoravelmente com o apoiador. Trouxe à tona aquele Diego a quem o torcedor foi apresentado no final de 2002. Um meia rápido, com visão de jogo, enorme repertório de dribles e bom finalizador.
Muitas vezes a mídia se apressa nas observações sobre determinados jogadores. Com injustificável pressa, o talento emergente é colocado em um ponto para o qual não estava acostumado. A resposta não é boa e logo ele sai daquela posição de aspirante a ídolo para a de aspirante a fracasso. Deixa de ser estrela e vira um coadjuvante.
Ao chamar o Diego, o Dunga apenas reconhece de público a boa fase que ele atravessa. Dependerá muito mais do Diego do que do técnico da Seleção Brasileira a permanência entre os convocados. O momento da Seleção Brasileira é de oportunidades. Quem souber aproveitar esta fase e se convencer de que a regularidade será fundamental para continuar entre os convocados, terá dado um passo à frente.
A PROSA DO ROBERTO CARLOS
A entrevista do Roberto Carlos, exibida pela primeira vez no Troca de Passes, do SporTV na noite de domingo, mostra que as vezes é muito difícil perceber o que acontece na sua frente. Por mais que a realidade diga o contrário, o Roberto Carlos se equivoca por entender que largou a Seleção Brasileira e por afirmar que "perdeu 16 jogos na Seleção Brasileira".
Não foi ele que largou a Seleção e, sim, o contrário. No atual estágio do trabalho feito pelo técnico Dunga, o Roberto Carlos não tem espaço. E quando coloca o individual à frente do coletivo, ele novamente erra. Em nenhum esporte coletivo, o jogador vence sozinho.
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O SÃO PAULO VENCE NOS DETALHES
Amigos blogueiros, boa noite. A vitória do São Paulo sobre o Figueirense por 2 a 0, gols de Aloísio e Ilsinho, mostrou detalhes interessantes que explicam as razões desta liderança cada vez mais consolidada no Campeonato Brasileiro. Não está ali o maior time da história do São Paulo, mas o que se assiste é uma equipe cada vez mais coesa, sempre atenta e com uma percentual de erro muito baixo, especialmente se comparado ao dos adversários.
O começo do jogo deste sábado mostrou um Figueirense com o estilo que o caracteriza. Bom toque de bola e uma velocidade que seduz a quem aprecia o futebol bem jogado, caso do colunista aqui. Pois a imprecisão do Figueirense foi fatal. Não é possível falhar tanto diante de um advesário que é implacável no instante decisivo.
Foi assim no gol marcado por Aloísio e também no feito por Ilsinho. Terminou o primeiro tempo e o São Paulo já estava com o jogo praticamente decidido. Quando foi ameaçado, o outro ponto forte da equipe surgiu: o goleiro Rogério Ceni. Nas vezes em que o time necessitou das defesas do RC _ ele mostrou que setecentos jogos com a camisa do mesmo time não são realizados impunemente _, ele correspondeu. Quando conversarem sobre a partida, os torcedores do São Paulo certamente falarão mais do que fez a equipe do meio de campo para a frente do que realizou do meio de campo para trás.
A vitória colocou o São Paulo ainda mais perto do título e mostrou que a seriedade tomou conta deste grupo. Em nenhum momento do jogo com o Figueirense houve relaxamento. O Muricy Ramalho, inquieto à beira do campo durante os 90 minutos, sabe que nesta tecla _ a da seriedade _, ele precisará ficar com o dedo o tempo inteiro. Pode aproveitar também e ter uma conversa com o Leandro e com o Aloísio, especialmente o primeiro. Está mais do que na hora de ambos pararem de insinuar que toda a falta é um caso de cartão vermelho para o adversário. Não cai bem este figurino numa equipe que está onde está justamente por praticar um jogo limpo.
A GUERRA DE CAMPINAS
A vitória do Botafogo levará os mais apressados a decretarem o rebaixamento da Ponte Preta. Alto lá! O Botafogo teve uma partida tensa em que necessitou de muita concentração para conseguir os três pontos. Lamentável o comportamento dos torcedores da Ponte Preta após o jogo, quando hostilizaram os jogadores. Nestes momentos, o torcedor _ me refiro aos verdadeiros e não aos profissionais _ devem prestar o maior apoio ao time. Do contrário, os apressados terão razão.
O EMBALO DO ATLÉTICO PARANAENSE
O gol do Dênis Marques, o quarto do sapeca iá-iá que o time deu no Paraná, foi o mais bonito deste Campeonato Brasileiro. Não sei se alguém será capaz de fazer outro mais bonito. Cada vez mais encorpado, o Atlético Paranaense sobra diante dos adversários. É o resultado da confiança que os últimos resultados têm passado. Quem entra no time _ caso do lateral Evanílson, aquele mesmo que o Vanderli Luxemburgo convocou para a Seleção Brasileira _ parece já ser um veterano.
O resultado deste sábado só dá mais confiança para o time nas semifinais da Copa Sul-Americana.
A RODADA
Este colunista não tem o dom da ubiquidade e não viu a vitória do Cruzeiro sobre o Goiás, mas o resultado avisa que foi um time bem diferente daquele apático e amorfo contra o Corinthians.
Não sei quem foi o responsável pelo fim das jogadas pelas laterais. Deve ter sido um gênio da bola, mas o sujeito que desafinar o coro dos contentes e escalar um ponta _ pena que a maioria dos técnicos morra de pavor de adotar esta idéia _ vai ver a sua equipe se dar muito bem no futebol. O gol do Santos, marcado pelo Rodrigo Tabata, só aconteceu por conta da autêntica jogada de ponta do Reinaldo. Quem observou o lance com a atenção que ele merece pode observar que, antes do cruzamento, o Reinaldo levantou a cabeça.
A rapaziada que dá expediente na beira do campo bem que poderia exumar os pontas. No São Caetano tem um típico _ o Marcelinho, que já foi do Grêmio e do Juventude _, mas ele insiste, por vontade ou determinação, em atuar pelo meio. Fosse seu técnico e o obrigaria a atuar na ponta.
Abraços aos amigos blogueiros e bom domingo para todos.
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A SUBIDA DO VASCO DA GAMA E DO FLAMENGO
Quarenta mil pessoas foram ao Maracanã e viram um eletrizante jogo de futebol. O que faltou no Corinthians x Palmeiras sobrou no Vasco da Gama x Flamengo. O desempenho dos times na quarta-feira e o rendimento das equipes na noite de quinta-feira explicaram um pouco a posição de cada um na tabela do Campeonato Brasileiro.
O bom desempenho do Vasco da Gama _ foi o melhor carioca em toda a competição _ tem muito a ver com certas peculiaridades de São Januário. Começa pelo fato de que, ao contrário do Fluminense, por exemplo, a diretoria do clube não age por impulso. Tempos atrás, o torcedor vascaíno viu o seu time perder a chance de garantir vaga antecipada na Libertadores, com a derrota na decisão para o Flamengo.
Na maioria dos clubes, especialmente no Fluminense, o técnico seria demitido. Não seria admissível manter no cargo o técnico que dirigiu o time nos dois confrontos. Pois aconteceu exatamente o contrário. Fiquei com a impressão que a diretoria do Vasco da Gama resolveu dar mais força e apoio ao trabalho do técnico Renato Gaúcho. Em silêncio, como recomenda o manual do bom senso, o clube colocou no freezer quem estava em outra sintonia e passou a valorizar outros jogadores. Prestem atenção na campanha do Vasco da Gama e observem que alguns resultados quebraram a banca de muito catedrático. Venceu o Santos na Vila Belmiro e o Internacional no Beira-Rio. Só para ficar em dois jogos.
Aos poucos, o Renato Gaúcho deu mais consistência ao time. Conseguiu ser acreditado pelos jogadores e quando isso acontece, o rendimento do time só aumenta. A vaga na Libertadores é perfeitamente possível.
Com o Flamengo aconteceu praticamente a mesma coisa só que de forma mais lenta. Os efeitos do título da Copa do Brasil influenciaram no desempenho do time. Terminada a festa, o time se acertou e encerrará a participação no Campeonato Brasileiro cantando o refrão que este ano não foi igual aquele que passou.
Tenho certeza de que o Renato Gaúcho continuará em São Januário _ a demissão de técnico por lá não é fato muito comum _, mas não posso garantir o mesmo sobre o Flamengo. Há no clube quem olhe com reserva para o Ney Franco. É típico de algumas cabeças coroadas da Gávea. Estão sempre insatisfeitas e vendem a idéia de que ninguém é bom o suficiente para dirigir o Flamengo. Se isso acontecer, o ano de 2007 começará comprometido.
ATENÇÃO E DESATENÇÃO
O gol da vitória do Grêmio, marcado no fim da partida, foi um belo exemplo de como um time e outro se comportam dentro do campo. Os três tricolores envolvidos na jogada foram platéia para o argentino Herrera. Enquanto este ainda acreditava na vitória, os outros já se conformavam com o empate. Ficou comprovado que o Grêmio não desiste e por isso conquistou mais três pontos. Foi admirável ver como a equipe persegue a vitória. Creio que continuará assim até o fim do Campeonato Brasileiro.
Já o Fluminense caiu de prodição em relação aos jogos anteriores. Não foi o time determinado nas derrotas para o São Paulo e o Internacional e tampouco a equipe imprecisa do empate com o Juventude. Está mais do que na hora de reagir e parece não encontrar as forças necessárias.
ROGÉRIO CENI SETECENTAS VEZES
Ainda bem que o Rogério Ceni não é uma unanimidade. Fosse e eu desconfiaria do seu talento. Como acontece o contrário, a marca de setecentos jogos com a camisa do São Paulo é para ser comemorada por ele e por todos que enxergam ali um grande goleiro _ estou neste grupo.
Neste futebol globalizado, de gestos demagógicos e muita encenação a marca que o goleiro do São Paulo consegue é para ser comemorada e mostra que o bonômio profissional-paixão é possível. O Rogério Ceni é hoje o jogador mais identificado com um clube brasileiro. Não existe ninguem com tamanha relação em atividade no futebol mundial. Parabéns ao Rogério pela marca obtida. Que ele sirva de exemplo para outros que iniciam a carreira neste exato instante.
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DOIS PESOS E DUAS MEDIDAS
A falta de critério das arbitragens chegou ao Superior Tribunal de Justiça Desportiva. Responsáveis diretos pelo mau comportamento de muitos técnicos à beira do campo, os árbitros erram por serem exageradamente tolerantes com alguns e rigorosos com outros. Repito o que já disse nos programas do SporTV e que não foi entendido apenas pelos de má vontade: se numa rodada, os árbitros fossem rigorosos, tivessem o mesmo critério e não contestassem a lei, eles seriam expulsos e pensariam duas vezes antes de qualquer ponderação sobre o desempenho do trio de arbitragem.
Como diria o saudoso Tim Maia isso é uma coisa. A outra coisa é o STJD ferir a autoridade do árbitro e até desmoralizá-lo. Quando ele exclui o técnico de uma partida fica claro que entendeu ser necessário. Deveria ter o gesto legitimado por quem julga. Quando o Emerson Leão é absolvido, a autoridade de quem apita vai para o espaço e quando o Mano Meneses é condenado, o STJD levanta o manto de dois pesos e duas medidas para as decisões. Não é bom para o futebol.
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O FIM DA TENSÃO
Amigos blogueiros, bom dia.
Não deixa de ser curioso quando alguém fala da pouca qualidade técnica do Corinthians x Palmeiras disputado na noite de quarta-feira no Morumbi. Cá entre nós: pela posição que ocupam na tabela do Campeonato Brasileiro, os jogadores dos dois times entram em campo com a mesma tensão daquele estreante em montanha-russa ou com os medos do sujeito que acaba de ser admitido em novo emprego. Pela campanha que fizeram ao longo da competição não será agora que estes times conseguirão apresentar um futebol de almanaque. Capaz de tirar o torcedor da poltrona e instalá-lo numa arquibancada.
O que mais esses times precisam neste momento é de alma. A própria e a de quem estiver disposto a emprestar, alugar, vender ou fazer uma permuta. Neste aspecto, o Corinthians dá a impressão de já ter encontrado o caminho. O que se viu diante do Cruzeiro e novamente contra o Palmeiras foi uma equipe que busca superar todos os seus temores na base da vontade.
O jogo com o Flamengo, quando mais do que a derrota chamou a atenção a apatia de todos que assinaram a súmula e entraram em campo, foi o divisor de águas deste Corinthians. Não tem nada a ver com a suspensão das entrevistas _ aliás, a mídia podia fazer uma reflexão e ver o quanto de transtornos (ou não) causa um rompimento desses. O time tem conseguido superar os seus temores com uma dedicação que só a materialização do rebaixamento possibilitou aflorar.
O resultado sobre o Palmeiras foi o rompimento definitivo com a possibilidade do rebaixamento. O Palmeiras ainda não conseguiu perceber como se trilha este caminho e tampouco encontrou forças para reagir. O que mais chamou a atenção no jogo foi a incapacidade da equipe de encontrar caminhos que possibilitassem uma ameaça ao Corinthians. Não creio no rebaixamento, mas é evidente que trilhá-lo será mais difícil do que foi para o Corinthians.
ANTOLOGIA
Havia uma época em que as tevês faziam a grande restrospectiva do esporte. Algumas exibiam os gols mais bonitos do ano. Não pensavam apenas na conclusão, mas valorizavam também as jogadas. O terceiro gol do Atlético Paranaense sobre o Nacional foi uma pintura. Destas de entrar para a pinacoteca do futebol. Valeu não apenas pelo drible do Marcos Aurélio, mas também pelo "toque de letra" do Dênis Marques.
Gols como esse mostram o que é um time de futebol. E o Atlético Paranaense é um time de futebol. Daqueles que não tem grandes estrelas, mas joga como equipe. Cada um sabe o que tem de fazer em campo e na hora de observar o desempenho da equipe a explicação do Oswaldo Alvarez só reforça esta tese. Na entrevista coletiva após o jogo, ele listou as pessoas e os departamentos que contribuíram para o resultado e encorpam esta ótima campanha.
É assim que se constrói uma equipe. Temos a tendência de ressaltar um aspecto na vitória e um aspecto na derrota. É um erro. Tanto para um lado ou para o outro, a construção passa por vários aspectos e o Atlético Paranaense faz isso muito bem.
Um abraço e bom dia para todos.
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