AS DIFERENÇAS ENTRE O KAKÁ E O RONALDINHO GAÚCHONa mais do que previsível vitória da Seleção Brasileira sobre o desnutrido combinado do Kuwait, o que mais chamou a atenção foi o morno desempenho do Ronaldinho Gaúcho. Tal e qual aconteceu na Copa do Mundo, ele não jogou nem bem e nem........mal. Vê-lo durante os primeiros 45 minutos da partida foi uma viagem ao passado recente. Parecia, como observou muito bem o Casagrande na transmissão da TV Globo, que ele ainda estava na Alemnha. Impregnado daquele espírito burocrático que contribuiu para que o time jamais conseguisse empolgar o torcedor, devoto da verde e amarela.
O opaco desempenho do Ronaldinho Gaúcho e as discussões em torno do seu opaco desempenho neste começo de temporada do futebol europeu me levam a uma entrevista concedida pelo Ronaldo, o Fenômeno, ainda na frase de treinamentos da Seleção Brasileira na Suíça. Em uma entrevista coletiva, o atacante do Real Madri deu um alerta ao companheiro de fama: "que ele não acredite ser possível carregar tudo nas costas", disse o Fenômeno. Poucos prestaram a atenção, mas o que aconteceu na Copa e se repete agora torna aquele comentário atual e motivo de reflexão.
Tenho a impressão de que o RG está saturado. Tratam-no como se fosse um super-herói, um jogador capaz de lances brilhantes em cada toque, em cada drible. É como aquele humorista de quem você só espera piadas. Até em velórios e enterros. Visto como uma máquina, capaz de suportar a qualquer tipo de pressão, ele sucumbe cada vez mais. Deve estar sufocado por esta adulação, pelo fracasso da Seleção Brasileira, mas não pode dizer nada disso. É aí que a vida do astro _ seja jogador, ator, cantor ou qualquer outra coisa _ se torna um inferno. Quem sabe o Ronaldinho Gaúcho não gostaria de dizer ao mundo que está mal por não aguentar tanta pressão ou simplesmente que está mal por......estar mal.
O problema é que se ele disser isso, o mundo cairá sobre ele. Uns insinuarão frescura, outros dirão que com a grana que recebe não tem este direito e poucos serão compreensivos. Afinal, o jogador bom de bola é um ser diferente, que não tem os mesmos dramas daquela rapaziada comum. Pensam que ele não se deprime, que não acorda sem a menor vontade de trabalhar e que sofre pelos mesmos motivos que todos sofrem.
Creio que a paciência do Dunga com o Ronaldinho Gaúcho será infinita, mas enquanto ele não conseguir gritar aos quatro cantos que a fase ruim passa, ela pode perdurar por mais tempo.
Enquanto isso, o Kaká mostra cada vez mais desenvoltura. Entrou lépido e fagueiro e mostrou que 45 minutos sentado no banco de reservas em nada o afetaram. Com 10 minutos de jogo, o Kaká já conseguira participar de mais lances do que o Ronaldinho Gaúcho no primeiro tempo. Ao contrário do que muita gente boa insinua, o Kaká não foi mal na Copa do Mundo. Pagou a conta pelo fracasso e a turma dos fundamentalistas coloca todas os uniformes no mesmo sado. Injustiça que não abateu o Kaká.
Quanto ao amistoso de ontem, ele serviu para ver que o número de candidatos ao posto de atacante titular aumenta. A partida do Rafael Sóbis foi acima da média. Deu um toque que todo mundo espera sair dos pés do Ronaldinho Gaúcho para o Daniel Carvalho marcar o terceiro gol da partida. Desembarcou para ficar.
ENFIM, A LIDERANÇADemorou, mas aconteceu. Muito provavelmente na hora certa, o Atlético Mineiro assume a liderança da Série B e consolida a idéia de que ano que vem estará na Série A. Teve, na vitória de 1 a 0 sobre o Brasiliense, um adversário que forçou o jogo e ameaçou o rival várias vezes.
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