A SELEÇAO E O INTERNACIONAL Virou um hábito colocar o cargo do Dunga sob suspeição. Esquecem de olhar para o trabalho no todo e se apegam aos dois últimos jogos disputados pela Seleção Brasileira no Engenhão e Maracanã, respectivamente, para descerem a lenha no trabalho do técnico. Estou do outro lado deste muro _ vejam bem que não fico em cima _ e não vejo o trabalho feito pelo Dunga como um desastre. Há pontos favoráveis, muitos, e desfavoráveis, outros, que podem ser consertados com o tempo e boas reflexões.
A expectativa para este jogo entre Brasil e Portugal não poderia ser mais favorável. Quem não se entusiasmar com um jogo que tem Cristiano Ronaldo de um lado e Kaká do outro está com sérios problemas em relação ao futebol. Me concentro nestes dois astros do futebol mundial, candidatos permanente ao Oscar de melhor do mundo, para fazer a contagem regressiva do último jogo da Seleção Brasileira na temporada.
COLORADO! COLORADO!
Mas nem só de Seleção Brasileira vive esta quarta-feira. Em Porto Alegre, no Beira-Rio, o Internacional está com o espeto na mão para desembarcar na final da Copa Sul-Americana. Venceu o primeiro jogo com o Chivas com autoridade e mostra ao respeitável público que a Sul-Americana é para ser respeitada, sim. Aliás, o Internacional, já escrito aqui como modelo para outros clubes, sabe o quanto representa um título que não se limita ao continente. Seja quem for o adversário na final, o colorado será temido. Afinal, o Internacional não está para brincadeiras.
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TARDE DE IBSON Foi mais do que uma rima. Ibson e Kleberson deram um show de bola na vitória do Flamengo sobre o Palmeiras e o primeiro marcou um dos gols mais bonitos deste Campeonato Brasileiro. Vitórias como a obtida pelo rubro-negro só reforçam a idéia, que desagrada a muita gente boa, de que o papel do técnico precisa ser relativizado. Nem tanto ao céu e nem tanto a terra. A partir do instante em que a bola rola, a história passa a ser escrita pelo jogador. Com letra de forma, caso do gol feito pelo Ibson, o desfecho é sempre melhor.
O Palmeiras deu a impressão de que está sem forças para reagir. Vai soar como precipitado o comentário. O Campeonato Brasileiro ensina, tal e qual um livro barato de filosofia, que é proibido fazer previsão neste campeonato. Melhor deixá-las no fundo da gaveta, mas o Vanderlei Luxemburgo sabe que não será difícil reerguer este time. E para pior, o comportamento de alguns torcedores profissionais só piora a questão. Ou vocês acham que os jogadores do Palmeiras ficaram felizes da vida com o que aconteceu no Aeroporto de Congonhas na sexta-feira.
Enquanto o Palmeiras esmorece, o São Paulo ganha peso e altura. Encorpa no momento certo, mas o Muricy Ramalho sabe muito bem que não pode bobear. Quem acredita em vitória fácil sobre o Vasco corre o risco de colocar o sapatinho na janela na noite de 24 para 25 de dezembro e se decepcionar ao encontrá-lo sem um presente do bom velinho. Já o Figueirense, apesar da torca de técnico, parece ter escolhido a morada de 2009.
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O CLÁSSICO DO MARACA É um clássico do futebol brasileiro e o palco não poderia ser melhor. O Flamengo x Palmeiras, domingo no Maraca, como dizia o saudoso Jorge Cury, é jogo para se acompanhar com devida atenção. Antes que algum fanático por outro clube saia para o ataque, eu esclareço que a atração desta partida vem da semana que um e outro clube viveram. O Palmeiras, após a derrota para o Grêmio, colocado precipitadamente sob desconfiança, enquanto o Flamengo, apesar dos números favoráveis, não passa confiança há algum tempo.
A rodada, evidentemente, não tem apenas esta partida como atração. Há outras e chamo a atenção para Náutico x Cruzeiro. Tenho especial admiração pelo meio de campo cruzeirense. Toca a bola de primeira e bonito, como convém a quem atua naquela posição. Em tese, São Paulo e Grêmio disputam partidas para somarem três pontos, mas quem bancar corre o risco de quegrar a cara.
O BEBETO NÃO MERECE Há que se ter cuidado, o que é cada vez mais raro, com a análise sobre o trabalho do Bebeto de Freitas como presidente do Botafogo. Avaliá-lo apenas pelos dias atuais configura injustiça escandalosa. É necessário voltar no tempo e ver o Botafogo que o Bebeto de Freitas encontrou e o Botafogo que o Bebeto de Freitas deixará. Tudo bem que lá e cá os salários estavam atrasados, mas existe uma diferença abissal entre aquele e este.
Definir a atual administração como um desastre, por conta do presente turbulento, é ignorar que o clube só anda, respira e formou novos torcedores graças ao trabalho abnegado de um sujeito que tem seus defeitos como qualquer um. Mas nada que o transforme no vilão de um história mal escrita há décadas.
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ERROS E ACERTOS Vai cair na conta do Edmundo a derrota do Vasco da Gama para o Flamengo. Até os quatro minutos do segundo tempo, quando o atacante atrasou a bola para o goleiro Bruno, em cobrança de pênalti, o Vasco da Gama estava inteiro na partida e mostrava ter condições de enfrentar o Flamengo, embora este tenha jogadores mais qualificados e um time mais bem entrosado.
O torcedor do Vasco da Gama lamentará o pênalti perdido, mas será injusto responsabilizar apenas o Edmundo pelo resultado. No primeiro tempo, enquanto teve fôlego, ele foi um dos melhores jogadores do Vasco da Gama e foi neste tempo que o Vasco da Gama teve as melhores oportunidades. Mas o Flamengo é um time com mais opções e jogadores de qualidade do que o adversário. Ganhou o direito de jogar a final com dois gols de zagueiros, o que só reforça a tese de que há muitas opções quando se trata do time treinado pelo Joel Santana.
Na vitória do Flamengo impossível não destacar o desempenho do Fábio Luciano. Encarnou o espírito rubro-negro ao ignorar a dor no braço e disputar a partida até o fim. Agora o time enfrentará o Botafogo e, por favor, não desvirtuem o significado da palavra favorito. Apontar um time como favorito não é garantia de que ele irá vencer a partida. O Flamengo é o favorito neste confronto por ter um elenco com mais opções e um time inteiro.
Ao vencer o Fluminense, o Botafogo deixou claro que o forte do seu jogo é o coletivo. Mas para que isso funcione o time precisa de todos os seus jogadores. Aí entra o Departamento Médico do clube. Ao longo da semana, os médicos do clube terão que recuperar o Jorge Henrique e o Zé Carlos. Sem eles, a tarefa do Botafogo, que já é difícil, ficará ainda mais complicada.
PUNTA Não sei a quantas anda a paciência do Mano Menezes com o Acosta, mas é necessário esperar. Noves fora o exagero de alguns que ano passado o colocaram, indevidamente, na categoria de craque, o Acosta pode jogar mais do que tem feito até agora no Corinthians. Não muito, mas o suficiente para se transformar em um jogador útil para o time. Até agora, ele ainda não desembarcou no Parque São Jorge.
E a o Atlético Paranaense conseguiu. Merece todos os aplausos e elogios. Nada melhor do que iniciar a temporada desta forma.
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A BOLA DO ALEX Há quem veja um aqui e outro ali. Sou mais otimista e observa que eles estão espalhados pelos quatro cantos do Brasil. Entre poucos, o que mais se destaca é o Alex, do Internacional. Tempos atrás um sábio determinou que os meias não eram necessários. O estrago que causou foi enorme, mas o Alex surge em boa hora para acabar com estas dúvidas. Tem comido a bola sem ganhar peso e mostrado que o nosso futebol precisa de um jogador assim, tanto quanto a piada é fundamental e o bom-humor necessário.
Tenho para mim que, em breve, o Alex será uma daquelas dores de cabeça que todo o técnico de Seleção Brasileira gostaria de ter. Vemos ali o resultado da paciência de um clube, o Internacional, e da confiança de um técnico, o Abel Braga. O Alex exacabeça uma lsita de jogadores que dignificam a função. Vejo com o mesmo perfil, o Tcheco, do Grêmio; o Lúcio Flávio, do Botafogo; o Wagner, do Cruzeiro e o Conca, do Fluminense. Mas o Alex está na frente. Pelo menos uma volta.
OLHO NO MARCELO Demorou, mas o Atlético Mineiro encontrou a solução para os seus problemas. Estava ao alcance da mão e, talvez por isso, foi difícil percebê-la. Falo do Marcelo Oliveira, ex-jogador talentoso do clube, que passou a treiná-lo e a dar um caráter que o Atlético Mineiro não conseguia ter. A vitória sobre o Vasco mostrou um time com velocidade e objetividade. Fruto da empolgação e da organização daquela rapaziada, que respeita e sabe que é respeitada pelo Marcelo. Espero que o Galo não se encante pelo canto da sereia e abra mão do Marcelo. O timbre dele é o melhor para afinar o time.
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